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quinta-feira, 20 de julho de 2017

memórias literárias - 481 - EU JÁ ME BANHEI

EU JÁ
ME
BANHEI
 

 
481
 
Foi na última quarta-feira. O frio era intenso. No carro eu tinha ar aquecido. Fui até a capela da Boas Novas. Ao chegar, deparei-me com um monte de panos jogados no chão. Pensei tratar-se de lixo. Olhei bem e vi, embaixo daquilo, uma pessoa. Não sabia bem se era uma mulher ou um homem. Chamei-lhe. Era um homem, um senhor moreno, com barba, todo encolhido, ao lado de um pão de forma e um copo com água.
 
- Meu senhor, o que faz aqui?
 
- Estou descansando. Só preciso de um cobertor.
 
- O senhor está com três cobertas; mas ficar aí será fatal; está muito frio. O senhor já jantou?
 
Ele disse-me que não tomara café, não almoçara e nem jantara. Disse que morava em Guarulhos e que pegara um ônibus, outro ônibus, e acabara parando ali.
 
Na hora pensei em levá-lo a Guarulhos. Deixaria o irmão Dival a tomar conta do culto de oração. Contudo, estendendo a prosa, percebi que o homem tinha idéias confusas, desconexas. Ele pediu-me um banho.
 
Aquilo doeu o meu coração. Eu, com o meu dormitório ao lado do gabinete, um banheiro com chuveiro quente e este senhor do lado de fora. Como poderia negar-lhe o benefício? Além disto Deus poderia ter trazido este senhor à porta, para que recebesse de cristãos os cuidados necessários.
 
Corri até a irmã Esmeralda, cuidadora e vizinha, para ver se conseguia uma sopinha e uma calça usada para ele, pois a sua estava toda rasgada. Trouxe-o ao meu gabinete. Ofereci-lhe serviço, mas ele não quis e falava coisas confusas. Levei-o ao banheiro. Ali estava a minha toalha, o meu sabonete, tudo limpo e cheiroso. Eu lhe disse:
 
- Seu Gilberto (este era o seu nome), o que é meu é de Deus. O senhor é alguém que precisa. Eu tenho outro banheiro aqui, mas quero que use o meu. Tome um banho demorado e use todo o sabonete e xampu. Sinta-se em paz. O senhor não me deve nada. Depois o levarei até a Estação de Carapicuíba, para que possa encontrar algum lugar melhor para dormir, pois aqui fora não será possível o senhor ficar.
 
Ele entrou no banheiro, a irmã Esmeralda trouxe a sopa e, em um minuto saiu como entrou. Disse: "Eu já me banhei". Eu estranhei. Como poderia ter se banhado? Nem tirara as roupas! Ao chegar no banheiro encontrei a minha toalha branca toda suja. Ele tomou-a, passou na cara e na cabeça e chamou aquilo de banho. Perguntei-lhe se realmente havia se banhado. Ele falou com braveza: "Sim, senhor, já me banhei". Encerrei o assunto.
 
Posteriormente rejeitou a sopa e pediu para que o levasse à estação. Esmeralda conseguiu uma calça usada para ele, que a vestiu por cima da outra furada. Levei-o a Carapicuíba e ele, após muita conversa desconexa, foi embora. E regressei à igreja.
 
Estava pensativo e contemplativo. Um irmão disse-me que alguns mendigos são assim mesmo, não tomam banho; estão acostumados a limpar apenas a cara e as mãos; vão vivendo assim, sem sensibilidade. Este agiu assim. Aliás, pelo saldo de suas prosas, fez da rua a sua vida e não quer viver diferente. Ofereci serviço, ofereci comida, ele queria ir embora. Mas o que mais me indignou foi ter rejeitado o banho decente, digno, que eu lhe oferecera. Dei o meu banheiro, cedi aqueles materiais que julgo bons e selecionados para o meu uso. Ele sequer abriu o chuveiro! Há quanto tempo não estaria nas ruas sem a possibilidade de um banho digno, demorado, com água quente, limpa, com perfume, sabonete, xampu e com barbeador? Deus do céu, eu lhe dei a mão e ofereci-lhe a dignidade, ele rejeitou a oferta e preferiu ficar como estava!
 
A que ponto chega um ser humano! Perde a sensibilidade, perde o bom senso, acostuma-se à sujeira, ao fedor, à podridão e não consegue mais preferir aquilo que é bom! Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes. (Is 30:15). O pecado é assim, chega sorrateiro, invade a vida da pessoa, destrói os seus valores, o seu patrimônio cultural e familiar, despe-o da limpeza, lança-o nas ruas e sarjetas da vida e, por fim, impõe sobre ele o jugo de não querer mais sair desse atoleiro! Estou cansado de ouvir histórias de gente que foi ajudada, amparada, que recebeu cuidados e que, de um dia para o outro, lançou-se novamente às ruas, à vida anônima de andarilho, aos córregos fétidos e aos pés sujos de uma caminhada infeliz!
 
 O Sr. Gilberto, sem ter consciência da verdade disse convictamente: "JÁ ME BANHEI".
 
Banhou-se? Em quê? Numa toalha que emporcalhou? Sem água? Sem encarar de frente a sua sujeira?
 
Assim também é aquele que se envolve no pecado. No princípio é uma sujeirinha moral que não é confessada. É um deslize, uma traição, uma bebedeira, um joguinho a dinheiro, uma bituca de cigarro, uma garrafa de cerveja, uma pornografia curta. Então, com as garras enfiadas na mente, Satanás coloca o seu jugo, a sua corrente, o seu império, sobre a vida do pobre infeliz. Afunda-o no lodo da imoralidade, na indecência dos relacionamentos, no abismo das mentiras, na imundície da promiscuidade, nas desonestidades comerciais.
 
E se lhe perguntam sobre a sua fé, ele diz: "Já me converti!"; "Já sou cristão"; "Já fiz as minhas orações"; "Já lí a minha bíblia". O Sr. Gilberto disse que era crente. Que engano! Ele é um pobre escravo da perdição, que chama de banho uma toalha seca. Os tolos se acham limpos no coração, mesmo sem terem se lavado no precioso sangue do Cordeiro de Deus. Eles se satisfazem com a toalha seca de uma reza, de uma promessa, de um amuleto, de um passe espiritual, de uma caridade, quando ignoram por completo o prazer de uma conversão, de uma rendição total ao Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo! Cristo, que transforma o homem por completo, não é por eles procurado. Pelo contrário, eles acham que tem Cristo, como o Seu Gilberto, que pensava ter tomado banho.
 
Olhei para o chuveiro do meu gabinete, o meu sabonete, o meu xampu e pensei: bendito seja Deus pela sensibilidade que não me foi retirada! Nem de longe imagino o dia em que preferirei a sujeira ao invés de um banho quente. Graças a Deus tenho água e material de higiene com o qual posso banhar-me quantas vezes quiser. Mas lamentei por esse infeliz que, conquanto eu tenha lhe estendido a mão, recusou-se receber amparo, deliberou continuar do jeito que estava.
 
Seu Gilberto seguirá sujo, achando que está banhado e limpo. E o pecador inconverso seguirá imundo, caminhando para o Inferno, pensando que tem Deus e que está salvo. Ledo engano dos dois! Pobre escravidão de ambos! Que Deus tenha misericórdia destes miseráveis e que lhes mostre, de forma evidente, a sujeira de suas vidas, a do primeiro no sentido físico, moral e espiritual, e a do segundo no sentido espiritual.
 
Ambos precisam de um banho.
 
E você, já se banhou?
 
Wagner Antonio de Araújo

20/07/2017

memórias literárias - 480 - TROCA INFELIZ

TROCA
INFELIZ


 
480
 
Aquela era uma boa igreja. Um auditório constante, boas programações, crentes relativamente fiéis. O pastor iniciara o seu ministério e o período de lua-de-mel caminhava bem. Durou três anos.
 
Com o tempo a festa deu lugar à rotina. E os cultos de oração foram minguando. Eram cem pessoas, em média. Caíram para cinquenta, trinta e, naqueles dias, oito ou dez crentes apareciam.
 
Cidade pequena, todos se conheciam, não havia uma justificativa plausível. O pastor passou a usar as redes sociais, os cultos, o celular e toda forma de convite, instando com todos para que viessem ao culto intersemanal, um culto precioso, com ênfase à oração.
 
As pessoas desculpavam-se. "Tenho faculdade". "Tenho que dar banho nas crianças". "Trago trabalho para casa, tenho que terminá-lo". Havia aqueles que eram mais sinceros: "não quero ir". "Perda de tempo". "O que eu ganho com isso?".
 
Alguns amigos de facebook daquela igreja escreviam aos membros sobre os artigos postados pelo pastor, um reconhecido homem de oração. Para surpresa deles, os membros não liam a literatura dele. "O profeta não tem honra na sua própria casa". E o pastor entristecera-se, pois para ele a frieza espiritual, conquanto explicada, não tinha justificativa. E o encontramos orando naquela noite, onde ele participou do culto sozinho (a zeladora não aparecera):
 
"Senhor, quando vim para esta igreja pensava manter reunido o povo ao redor de Tua mesa. E assim vivemos por um tempo, mas agora tudo é frio, tudo é difícil. As pessoas não oram, não buscam a Tua face. Elas estão tranquilas, sem aflições, sem consciência de que têm feito uma troca infeliz. Oh, Senhor, não permita que o Teu Nome seja desonrado neste lugar. Traze o Teu povo aos Teus pés, CUSTE O QUE CUSTAR, eu imploro! Em nome de Jesus. Amém".
 
Passaram-se três meses. Uma imobiliária da capital instalou-se à margem da avenida principal. Trouxeram uma banda de música, carro alegórico, um circo e muita propaganda sonora  e panfletagem. Marcaram um show e grande parte da igreja deixou o culto para assistir aos artistas de sucesso. Eles anunciaram um grande empreendimento. Uma gleba inteira, ao lado do último bairro da zona norte, fora liberada para loteamento (segundo eles). Esta imobiliária encampou-a e fez um projeto de "um lote para cada família". Era um milhar de lotes naquela montanha, com promessas de água, luz, telefone, esgoto, praça principal com padaria, farmácia, minimercado e linha de ônibus. E a grande vantagem: baratíssimo. A marquete do loteamento era linda, em três dimensões. Um vídeo fantástico mostrava a alegria dos moradores, a segurança, o lago central, as árvores, a pracinha, as crianças a sorrirem!
 
Aquilo cativou e fisgou a atenção e o bolso de muita gente. Foi um tumulto geral. Todos comentavam a oportunidade. "Vou tirar todo o meu dinheiro da poupança e comprar um lote para cada filho!"; "Enfim direi adeus ao aluguel!"; "Vou investir tudo o que tenho e vou fazer casas para a renda". E o povo inscrevia-se às dezenas. O dinheiro saía do banco e entrava na dita imobiliária. Cada venda disparava uma campainha e todos festejavam, lançando serpentinas e confetes, buzinando e apitando com alegria. Os novos proprietários saíam dali e iam à lanchonete do Pedro, em frente, festejar. Pedro nunca ganhara tanto dinheiro! Aliás, o que ganhou nesse período investiu em dois lotes.
 
Lá na igreja, porém, no culto de oração, os poucos irmãos oravam. Houve um sentimento generalizado, entre os que clamavam, de que aquilo era uma ilusão. E pediam ao Senhor para ter misericórdia. Várias famílias procuraram o pastor e pediram a sua opinião. O pastor, ao púlpito, disse: "Irmãos, tomem cuidado com promessas de quem nunca viveu aqui. As coisas não são baratas e fáceis assim; aguardem esclarecimentos das autoridades; não entrem em embrulhos dos quais se arrependerão amanhã." Um membro, espírito de porco, interrompeu a pregação no final, dizendo: "O senhor é que é bobo, pastor! Poderia com a poupança da igreja comprar uns 5 lotes e construir uma catedral no bairro novo! Se tivesse visão esta igreja prosperaria!" O pastor, incomodado com o desrespeito, respondeu: "A visão à qual o irmão me insulta, é uma visão de Deus ou do Diabo? O irmão já consultou a vontade do Senhor?" O homem saiu rindo porta afora, acompanhado do riso contido das famílias. Conselhos de pastor são como orientações de pais: no início acham que são conselhos retrógrados e errados, de gente velha e sem inteligência. No caso do pastor, um homem sem visão e decadente. No culto de oração, entretanto, ninguém comprou lote nenhum. Sentiam que algo não estava correto.
 
E numa noite, depois de instar mais uma vez para que os membros viessem ao culto, e sem nenhum resultado além do normal (os fiéis eram sempre constantes e os mesmos), o senhor trouxe um choro generalizado entre os intercessores. Sentiam que uma grande desgraça aconteceria. Oraram. pedindo misericórdia. Terminaram o culto aflitos. Foram para as suas casas.
 
Não tardou muito e escutaram um grande barulho: caminhões em movimento, marteladas, madeiras empilhadas e muito, muito vozerio. Pela manhã, ao passarem em frente à imobiliária, a surpresa: não havia mais nada! O barulho que ouviram fora dos caminhões de mudanças. Levaram o estande, levaram a casa pré-fabricada onde funcionava o escritório, levaram as propagandas, levaram tudo! Só sobrou o terreno (e ainda cheio de lixo!).
 
Houve um corre-corre pela cidade, gente desesperada à procura de informações. Ninguém sabia o que acontecera e para onde havia ido a empresa. Os telefones estavam mudos ou fora de área. Em uma semana chegou a notícia: não havia imobiliária alguma; tudo não passou de um golpe. Bandidos bem preparados formaram a ilusão e, através dela, venderam papéis sem qualquer valor. A prefeitura, desconfiada e não tendo informação nenhuma de liberação de gleba, mandou investigar. Alguém da justiça, corrupto,  alertou os criminosos e, antes que chegasse a força-tarefa de policiais para o confisco e a apreensão de tudo, fugiram, levando o dinheiro de quase toda a população.
 
Gritos de desespero. "Meu Deus, era tudo o que eu tinha!"; "E agora, onde vou morar? Vendi a minha casa e estou na rua!"; "Era a poupança da faculdade dos meus filhos; como estudarão?"; "Estou sem um tostão!". Diversos enfartados, transferidos para a capital. Gente que se atirou no córrego, outros que tentaram o suicídio na estrada movimentada. Perderam o patrimônio de anos, investiram tudo em absolutamente nada.
 
E os crentes, membros da igreja, chorando, foram buscar a Deus no culto de oração. Sim, os mesmos que não o frequentavam, que achavam perda de tempo, que julgaram ter coisas mais importantes para fazer. Agora foram apelar a Deus, para que lhes devolvesse o dinheiro de alguma forma. Os fiéis estavam tristes e surpresos, mas compreendiam que a dor desses irmãos era merecida.
 
O pastor, também triste,  mas absolutamente convicto, levantou-se na pregação e disse ao auditório de quase 200 pessoas:
 
"Uma quarta-feira diferente, está quase todo mundo aqui. Sejam bem-vindos! A vocês só tenho uma palavra: Deus lhes castigou. Pesados foram na balança e foram achados em falta. Os seus pecados lhes acharam. A fatura foi cobrada. Não culpem ao Senhor por isso, pois quem semeia na carne, da carne colhe a corrupção. Alguém insultou-me no culto, dizendo que a igreja não tinha visão. Agora eu lhe digo, irmão em Cristo: a sua visão era de quem, de um homem espiritual ou de um tolo? Onde está o seu dinheiro? Perdeu tudo, não é mesmo? Pois bem. Já o dinheiro da igreja está bem guardado, pois para quem coloca a Deus em primeiro lugar, o Espírito Santo lhe dá discernimento para não cair em armadilhas. Teria sido melhor procurarem o culto de oração de forma preventiva, buscando uma vida digna e vigilante antes de fazerem asneiras. Hoje buscam ao Senhor em desespero, de forma remediatória, clamando por uma solução. Não é o ideal. Mas se o fazem com sinceridade, sejam bem-vindos, e confessem os seus pecados a Deus. Assim disse Isaías, e assim digo para vocês: Vinde então, e arrazoemos, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. (Is 1:18)"
 
De fato o povo, cabisbaixo e em lágrimas, veio à frente, chorando e lamentando, pedindo a Deus perdão pela inversão de valores. Trocaram o eterno pelo material. Trocaram o culto pela trivialidade particular. Trocaram a sabedoria de Deus pela sabedoria humana. Não oraram para tomarem decisões; agora amargavam uma perda incomensurável, difícil, constrangedora.
 
Mas, aos poucos, com a graça de Deus, e com muitas custas advocatícias, conseguiram recuperar parte do prejuízo de tanta imprudência. Mas a maior recuperação que conseguiram foi na fé, pois entenderam à dura custa, de que quem troca a Deus pelo viver na carne faz uma troca infeliz e paga uma fatura cara pelo resto da vida. Aqueles crentes aprenderam a lição.
 
E você? Como vai a sua vida de oração? Há quanto tempo não frequenta um culto dedicado a esse fim? Tem deixado as coisas de Deus de lado e busca uma boa justificativa para apaziguar a consciência que o Espírito Santo constrange em você? Cuidado. O seu pecado lhe achará. Vigie. Ore. E volte ao primeiro amor.
 
Wagner Antonio de Araújo

20/07/2017

segunda-feira, 17 de julho de 2017

memórias literárias - 479 - NÃO ESTÃO NO MEU PERFIL

NÃO ESTÃO
NO MEU
PERFIL

Tem gente que entrou na vida midiática, nas redes sociais, depois de madura. Aprendeu com certa dificuldade, mas domina a publicação em facebook, instagram, whatsapp, messenger e outros softwares relacionados.

Outros, contudo, nasceram neste grupo chamado "high tech". Conhecem os softwares em profundidade; encontram macetes, encontram "jeitinhos" e fazem coisas espetaculares. Geralmente mantém um perfil de facebook, onde publicam suas notícias, novidades, história etc.

Entretanto, quando falo de história falo do contemporâneo. Raramente os perfis de facebook dos usuários (inclusive dos crentes) mantém álbuns ou publicações que evoquem as lembranças de seus antepassados. Pais, mães, avós, ancestrais, estão de fora dessa mídia. Por não terem destaque virtual, passam a imagem de não serem relevantes na vida de seus descendentes.

Triste é ver a página de filhos de pastores. Com boas exceções (graças a Deus por elas!) (quero aqui enaltecer as páginas de Ana Gomes, Noemi Ronis, Jany Ribeiro, Eny Rocha, entre outras, filhas maravilhosas de obreiros inesquecíveis, que muito honram os seus falecidos pais!), há filhos de pastores que sequer mencionam o ministério que o pai manteve, a sua luta, os seus textos, pregações, fotografias, biografia. Não encontramos nada relevante na página de muito filho que, com dificuldade, foi criado por um pai pastor e uma mãe companheira.

Alguns alegam que seus pais não viviam o que pregavam. A pergunta que urge é: e vocês, vivem? Ou preferem abdicar da fé pelo fato de apontarem o dedo contra os seus progenitores? Lembrem-se que foi através deles que receberam a vida, os cuidados, a higiene, a alimentação, a segurança, os estudos, o vestuário. E mais: caberia a vocês selecionar o que foi bom da parte deles e tornar tais lembranças conhecidas por seus descendentes!

Outros dizem que preferem guardar na memória o que viveram, mantendo na privacidade. Interessante. Expõem publicamente os próprios filhos, as férias de família, a higiene pessoal, as palavras frívolas nos comentários esportivos, as críticas políticas e as considerações sobre pontos de vista religiosos, e dizem que querem privacidade? Que privacidade é essa? Meramente seletiva? Uma outra questão é: se os filhos se calarem sobre os ensinamentos preciosos advindos de seus pais pastores, quem os propagará? Não foram os seus filhos criados justamente para dar sequência à linhagem da fé? E se não se fala sobre ela, como crer?

Ingratidão. Esta é a grande explicação para quem se esquece de seus pais. Desonram à memória dos seus progenitores. E não adianta mencionarem aquela velha frase de clichê: a vida de filho de pastor foi muito difícil. Sei... Quisera que eu tivesse sido filho de pastor! Teria a honra de dizer que o meu pai foi um soldado do Senhor dos Exércitos. Teria a alegria de dizer que o meu pai alimentou rebanhos. Teria muito orgulho em partilhar as jóias que herdei de sua pena abençoadora, de sua literatura de boletim, de suas fotos, vídeos, áudios e efemérides. (tive um pai maravilhoso, que me criou, que converteu-se no fim de sua vida; honro-o e dele guardo seleta memória).

Conheço centenas de filhos cujos pais pastores foram (e alguns ainda estão vivos) heróis da fé. Contudo, na página de poucos deles eu encontro alguma menção, alguma honra, alguma celebração legítima do ministério que tiveram, de sua importância, de sua vida preciosa. Na maioria dos casos são mero coadjuvantes: estão em uma foto com os netos, numa visita pontual, num ambiente público, numa celebração de bodas. Não os mostram na militância pastoral, na igreja, no ensino bíblico, na formação de suas vidas. Outros, que não são parentes, dão mais valor ao pai pastor do que os próprios filhos!

O meu texto tem destinatário? SIM. TEM. O coração daqueles que deixam de honrar a memória dos pais cristãos, que serviram e servem com vigor no Reino de Deus. Aos pais pastores a minha solidariedade; aos seus filhos a minha perplexidade, e um pedido clamoroso: honrem a memória de seus pais! Publiquem sobre os seus ministérios! Falem sobre eles! Compartilhem suas fotos, materiais, literaturas, experiências! Contem-nos sobre o que eles significaram para vocês!

Se Jesus Cristo não voltar antes terei dois filhos que serão chamados também de filhos de pastor. E eu espero, mercê de Deus, que eles não ignorem o pai deles. Que não desprezem a memória daquele que partiu, mas que deixou para eles um patrimônio de amor a Cristo, de amor pela igreja, de serviço escrito, falado, filmado e fotografado nas trincheiras da batalha pela expansão do Reino de Cristo, a Sua igreja.

Que Deus nos abençoe.

Wagner Antonio de Araújo


17/07/2017


ADENDO: Cito aqui também as páginas de Nicéa de Souza e Denise Carvalho, outras maravilhosas filhas de pastores que muito honram a memória de seus pais.

waa.

memórias literárias - 478 - PRECISAVA DISSO?

PRECISAVA
DISSO?


478
Acelerar o carro a 150 por hora, numa rua residencial, com cruzamentos perigosos, tudo porque estava com muita pressa, tudo porque precisava exibir-se para a namorada. Agora estou a velar-lhe no cemitério, junto com outros cinco que você matou. Precisava disso?

Cortar o dedo de seu filho de cinco anos com a faca com a qual picava o alho para a janta; tudo porque não aguentava mais o pequeno a perguntar: "o que é isso, mamãe, o que é aquilo, mamãe?" Agora chora incontidamente na delegacia, presa em flagrante pela agressão ao próprio filho, tendo-o condenado para sempre a viver sem um um dos dedos.  Precisava disso?

Surrá-la e deixá-la em coma, quase matando-a. Tudo porque ela lhe pediu um pouco mais para as compras do mês. Você, que não acompanha o custo de vida e que obrigava a esposa a não trabalhar fora, tinha que se zangar dessa forma? Só por um pedido de recurso adicional? Precisava disso?

Matá-lo com um rolo de amassar massa de macarrão. Um bilhete no bolso da camisa, que você nem sabia se era dele; agora soube que o bilhete fora um papel que ele apanhou no chão para escrever no lado de trás o telefone de um possível comprador do carro usado que tentava negociar. Agora chora, presa e rejeitada pelos filhos, na cadeia, sem paz e com remorso. Precisava disso?

Separado da família, sozinho na praça, com uma jaqueta suja e fria, curtindo a solidão. Tudo porque ninguém mais suportava o seu mal humor e a sua linguagem chula dia e noite, a sua violência oral, o seu temperamento impulsivo. Hoje curte a proibição de aproximar-se de sua casa e ninguém o quer mais por perto. Precisava disso?

Overdose de cocaína. E era crente! Voltou para as drogas porque as meninas da igreja não quiseram namorar com você. Diziam que queriam a sua amizade, mas não um relacionamento afetivo. E você, buscando apoio, só encontrou pessoas que lhe dissuadiam dessa insistência, tentando convencê-lo do bom senso. E agora está aí, à beira da morte, drogado até o último fio de cabelo. Precisava disso?

Desempregado e sem chance de recolocação. E até ontem era o executivo mais importante da empresa! Tudo porque na reunião dos acionistas teve um surto de irritação e insultou a todos os presentes, buscando uma glória que não era sua e tentando demonstrar que a empresa tinha que seguir as suas diretrizes. Ignorou todos os sinais que os colegas faziam para que se calasse, mas, quanto mais tentavam dissuadir-lhe, mais você vociferava. Agora foi demitido por justa causa, sem nenhum direito. Com sessenta e cinco anos você não encontrará emprego com facilidade, muito menos com o salário que ganhava. Precisava disso?

Sem paz no coração você está num leito de dor, aguardando a morte. Deixou a fé e hoje lamenta o abandono concretizado. Hoje lembra dos hinos, da escola bíblica, dos cultos, das orações na igreja. Tudo isso é passado, pois você abandonou à fé por causa de dinheiro, de amigos, de adultério, de vícios, de uma falsa sensação de liberdade que o escravizou à infelicidade e à perdição. Precisava disso?

Porque assim diz o Senhor Deus, o Santo de Israel: Voltando e descansando sereis salvos; no sossego e na confiança estaria a vossa força, mas não quisestes. (Is 30:15)

Para você, que fez o que não devia e agiu como não devia ter agido, e ainda está vivo, mesmo que provocando dor e tristeza no coração de outros, ainda há esperança e recuperação para o seu viver.

Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã. (Is 1:18)

Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (1Jo 1:9)

E para você, que está sempre à beira de quebrar os seus compromissos e explodir, renegando a fé e trazendo dor e tristeza aos que lhe amam, uma palavra de Deus:

Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. (Sl 46:10)

Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós. (1Pe 5:7)

Que Deus tenha misericórdia de sua vida e que não seja mais um a ser indagado pela própria consciência: PRECISAVA DISSO?

Pr. Wagner Antonio de Araújo

17/07/2017

sábado, 15 de julho de 2017

memórias literárias - 477 - O DOMÍNIO PRÓPRIO - SÉRIE: O FRUTO DO ESPÍRITO

477
O DOMÍNIO
PRÓPRIO
Série: O FRUTO
DO ESPÍRITO



Olá. Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo.

Encontramos o seguinte texto na Palavra de Deus: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio. (Gl 5:22)
Hoje encerramos a série de artigos sobre O FRUTO DO ESPÍRITO SANTO. Nesta última mensagem abordaremos o tema DOMÍNIO PRÓPRIO.

A falta de domínio próprio por parte dos homens mostra a sua escravidão intrínseca, seja aos vícios que os destroem, seja à promiscuidade que lhes mata e faz perder o respeito, seja na opressão dos povos que estão sob o seu domínio, seja ao dinheiro que lhes dilapida a moral e a própria vida, seja ao Diabo que se lhes assenhoreia, seja à carne, que os mata.

Jesus Cristo veio ao mundo para trazer libertação. Ele é o libertador. E afirmou: Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. (Jo 8:36). E, de fato, Cristo liberta a todo homem que a Ele se entrega. Primeiramente liberta-o da condenação eterna, trazendo-lhe perdão e salvação. Em segundo lugar, liberta-o da escravidão da carne, esta tendência maligna que nos faz desejar e fazer o que é mal e o que nos destrói. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? (Rm 7:24). O mesmo Apóstolo declara: Mas agora, libertados do pecado, e feitos servos de Deus, tendes o vosso fruto para santificação, e por fim a vida eterna. (Rm 6:22). Fomos libertos e agora podemos dizer não ao que deve ser evitado, e sim ao que deve ser feito. O Espírito Santo nos capacita com o domínio próprio.

Podemos dominar o nosso temperamento. Se iracundos, podemos evitar os embates e as brigas. Se preguiçosos, podemos nos tornar operosos trabalhadores. Se escravizados à prostituição, somos transformados em templo do Espírito Santo e adquirimos castidade e respeito moral. Se faladores e fofoqueiros, temos o domínio da própria língua, podendo contê-la das palavras frívolas. Domínio próprio é expresso na seguinte frase bíblica: Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma. (1Co 6:12). Quem tem Jesus não é dominado por nenhuma vontade impulsiva, desesperadora, insuportável. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar. (1Co 10:13)

Quem tem Jesus é equilibrado. Quem tem Jesus sabe até onde ir. Quem tem Jesus pode fazer muitas coisas, mas opta por agir de forma que agrade a Deus e que não cause escândalo. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. (1Co 10:32)
Tem o ouvinte domínio próprio sobre as coisas em sua vida? Se desejar tê-lo, entregue-se a Jesus, que o libertará de toda escravidão e o capacitará com o fruto do Espírito, expressando em seu coração o domínio próprio. Que assim seja.
Amém.

Que Deus nos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo
10/07/2017
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite de sua diretora, irmã Ana Maria Suman Gomes).

sexta-feira, 14 de julho de 2017

memórias literárias - 476 - IGREJINHA DO INTERIOR

IGREJINHA DO
INTERIOR
 
476
 
Trafegava com o meu carro numa cidadezinha pacata, a caminho de outra grande cidade. De repente eu vejo, numa rua tranquila, um pequenino templo de alvenaria, com telhas de barro, uma igrejinha batista velha. Não me contive. Parei. Era amarela, com detalhes em marrom. Uma pequena escada de cinco degraus levava à varanda da frente. Ali, com pilares antigos, erguia-se uma varanda gostosa, com samambaias penduradas em cada coluna. Eram meia dúzia. O chão era de caquinhos (cacos de cerâmicas vermelhas, pretas e amarelas). Ah, que nostalgia! Na casa ao lado, com quintal longo e varal de roupas, ouvia-se uma canção instrumental de viola, no rádio velho de válvulas, pendurado na parede da cozinha.
 
A porta estava aberta. Entrei. Um tapume de madeira separava o ruído da rua da paz da igrejinha. Nele estavam velhos cartazes de campanhas antigas, inesquecíveis, levadas ao exercício da fé em anos de ouro. "Cristo, a Única Esperança", "Neste Século e no Futuro, Jesus Cristo", "Fala e Não Te Cales". As lágrimas desceram pelo meu rosto. Vi ali retratos pendurados, de cultos realizados há muito tempo.
 
Entrei. O chão era de vermelhão (uma espécie de cimento com tinta vermelha misturada). Estava bem encerado. Os bancos eram de madeira, de formato antigo. Tinham genuflexórios, que raridade (aquela madeira onde as pessoas podem ajoelhar-se!). Se cinquenta pessoas coubessem ali, seria muito. Havia seis janelas, janelões antigos. Os vidros eram coloridos, dando a idéia de vitrais de igreja, muito bonitos. O teto com forro de cedrinho pintado. As luzes eram amarelas, fortes, e quatro ventiladores de parede erguiam-se, velhos, de ferro e, ao que pareciam, muito fortes. Após o banco havia uma linda mesa de Ceia do Senhor. Nela, entalhado na madeira, estava a inscrição: "Em Memória de Mim". Era velha, provavelmente de madeira de lei, muito bem envernizada. Um vasinho de vidro com rosas vermelhas erguia-se ao meio, em cima de um pequenino caminho de crochê, provavelmente feito pelas servas do Senhor de muitos anos atrás.
 
Duas escadinhas laterais davam acesso ao púlpito. Três degraus cada uma. Então a plataforma erguia-se, uns 3 metros de espaço por uns 8 de largura. No canto esquerdo um órgão MINAMI antigo, mas conservado, coberto com um tecido púrpura. No canto direito um piano, pequeno, mas bonito. Abri seu teclado e vi que as teclas estavam amareladas, com sinais de já terem sido sobejamente usadas no louvor do Senhor. No meio estavam três cadeiras estofadas, antigas e bonitas, bem fortes. E, à sua frente, um púlpito escuro, de madeira envernizada, com laterais estendidas e três prateleiras internas. Dentro estavam folhetos evangelísticos, bíblias, hinários, envelopes de dízimo, cartões de visitantes da Escola Bíblica Dominical e livrinhos para a classe de catecúmenos. A parte de cima formava uma bíblia aberta, grande, entalhada na madeira. E, em cima havia uma bíblia de púlpito, da década de cinquenta, com beiras vermelhas, gastas, e papel amarelado pelo tempo.
 
Duas portas laterais, ao lado dos instrumentos, davam acesso ao batistério. Este, modesto, erguia-se acima das cadeiras, na parede final. Era um tanque de água bem construído, com azulejos internos e uma paisagem de rio em sua fachada, acima do vidro protetor, dando, aos que olhavam para o púlpito, uma imagem de natureza muito bonita e realista. Imaginei quantas vidas ali não tinham testemunhado a sua fé em Cristo, o seu amor por Jesus, descendo às águas batismais!
 
Sentei-me no primeiro banco. Uma porta lateral dava acesso do salão ao corredor externo. Havia uma plaquinha que dizia: "sanitários / gabinete pastoral". Vi uma mesinha cheia de materiais de evangelismo. Levantei-me e fui verificar. Ah, que saudade! Evangelhos de João da Liga do Testamento de Bolso, maços de folhetos "Boas-Novas Brasil", "A Cruz e o Punhal", "Ele Quer Ser Seu Amigo". Alguns macinhos de convites de séries de conferências de Páscoa, de Natal, realizados há anos, também estavam disponíveis ali.
 
Ao sair pelo corredor vi os banheirinhos. Um para as mulheres e outro para os homens. Simples, com três vasos cada um, e no dos homens dois mictórios também. E o gabinete pastoral era ao lado. Uma sala grande, dava para imaginar, mas estava fechada. O resto do terreno era um quintal gramado, com alguns brinquedos infantis e um rancho ao fundo, com cadeiras para crianças, certamente para a Escola Bíblica Dominical.
 
Não havia ninguém. Estranhei que tudo estivesse aberto. Fui até a porta e li uma plaquinha: "Casa de Oração Para Todos os Povos - Entre para Orar, Saia para Servir". Fiquei feliz, pois eles deixavam o templo aberto para que as pessoas ali fossem buscar a face do Senhor! Cidade pequena, pacata, todos conhecem a todos, poucos perigos. Então voltei ao banco e orei. Orei ao Deus dos Céus. Orei ao Senhor a quem me rendi em fevereiro de 1980. Orei Àquele que me chamou para servi-Lo na pregação de Sua Palavra. Orei a quem me levantou do leito de morte em 1982. Orei a quem me confiou a graça de amá-Lo. Orei e chorei. Era uma igrejinha velha, à moda antiga. Um templo batista no meio de uma cidadezinha pacata, pequenina e distante dos centros urbanos. Mas estava alí, ereta, testemunhando a fé em Cristo daqueles que a fundaram e, espero, a fé contemporânea daqueles que ali ainda O servem hoje. Está tão raro encontrar uma igreja com cara de igreja!
 
Levantei-me para seguir viagem. Um senhor idoso, do outro lado da rua, gritou: "Deus te abençoe, vá em paz!". Sorri e fui embora. Não fotografei nada, mas guardei no coração, na memória e na história de minha vida. O dia em que voltei no tempo, visitando a igrejinha do interior.
 
Bendito seja Deus pelas que ainda existem, sejam batistas ou de outras denominações, mas bíblicas e que não abandonaram a fé! Queira Deus abençoar os cultos que ali acontecem, os seus pastores humildes e o seu povo simples. Que sejam instrumentos nas mãos do Pai em tudo o que fizerem, falarem, planejarem e orarem. E que Deus os revista de graça e de amor!
 
Wagner Antonio de Araújo

14/07/2017

memórias literárias - 475 - A MANSIDÃO - SÉRIE: O FRUTO DO ESPÍRITO

475

A MANSIDÃO
 
 
Série: O FRUTO
DO ESPÍRITO
 
Olá. Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo.

Já meditamos sobre o que significa fruto do Espírito e os sete primeiros gomos deste fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé.  Esta é a NONA mensagem da série FRUTO DO ESPÍRITO e tem por tema A MANSIDÃO.

Encontramos o seguinte texto na Palavra de Deus: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio. (Gl 5:22)

Poucos de nós desfrutam de um espírito manso, tratável, maleável. Somos mansos até o ponto em que não nos contrariem ao extremo. Alguns, se pudessem, fulminariam as pessoas que os agridem e os atacam. Mas, por não terem força física e expressão de personalidade suficiente, só imaginam a retribuição. Esta é a prova de que falta-nos real espírito de mansidão, quando não somos realmente convertidos a Cristo.

Ele deu-se por modelo de mansidão. Era mui manso e não revidava aos ataques que lhe faziam. Pelo contrário, chegou até a pedir ao Pai que perdoasse os seus algozes: E dizia Jesus: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.  Ele disse isso não depois de atravessar a afronta ou após algum tempo passar; suas palavras foram ditas na cruz, enquanto O escarneciam e faziam-No sofrer! Esse espírito é estranho ao coração humano, caído pelo pecado. Nós revidamos! Cristo, no entanto, ensinou-nos a revidar com o bem. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses; (Lc 6:29); Jesus ensinou-nos a orarmos pelos inimigos: Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus; (Mt 5:44). Como fazer isso, tendo um coração pecador como o nosso?

Através do novo nascimento, que gera em nós uma nova natureza, injeta em nós o Espírito Santo e faz frutificar em nós a própria personalidade de Jesus! Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer. (Jo 15:5). Quando Cristo está em nós, a personalidade dEle se desperta em nosso coração e somos capazes de adquirir uma mansidão interior, algo alheio a nós, uma autêntica transformação.

Conclui-se que ser manso não é mera questão de não reagir, mas uma disposição interior de ter compaixão pelo próximo, de perdoar o inimigo e de ser maleável nas mãos do Senhor. Moisés era homem sério, um líder, um guerreiro. Mas diz a bíblia sobre ele: E era o homem Moisés mui manso, mais do que todos os homens que havia sobre a terra. (Nm 12:3). Quem anda com Deus adquire um coração manso, suave, perdoador, benigno. A justiça que queremos será feita por Deus, não pelas nossas próprias mãos. E, em havendo desejo de perdão, somos os primeiros a perdoar!
E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. (Mc 11:25).
Tem você a mansidão do Senhor? Receba a Cristo e terá toda a possibilidade de ser, dia após dia, alguém mais manso e parecido com Ele.
 
Amém.
 

Que Deus nos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo
09/07/2017
 
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite de sua diretora, irmã Ana Maria Suman Gomes).

memórias literárias - 474 - A FÉ - SÉRIE: O FRUTO DO ESPÍRITO

474
A FÉ
 
Série: O FRUTO
DO ESPÍRITO

 
Olá. Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo.
Esta é a oitava mensagem da série FRUTO DO ESPÍRITO e tem por tema A FÉ.
 
Encontramos o seguinte texto na Palavra de Deus: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio. (Gl 5:22)
Já meditamos sobre o que significa fruto do Espírito e os sete primeiros gomos deste fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade bondade.  Hoje falaremos sobre o sétimo: fé. Algumas versões traduzem por fidelidade.
 
Fé é crença, convicção, certeza, segurança. A bíblia conceitua fé como certeza: Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem. (Hb 11:1). Diz também que Deus se agrada dela. Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. (Hb 11:6) 
Antes de nossa conversão não tínhamos fé. A fé humana é limitada e não atinge o patamar necessário para agradar a Deus. Ele, por amor de nós, convenceu-nos interiormente de nosso pecado e nos despertou para crer em Seu Filho, através da pregação do evangelho. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. (Jo 16:8); Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Ef 2:8). Tudo isso pode significar o seguinte: Deus implantou em nós a fé, que fez-nos crer na graça de Jesus, e, consequentemente, gerou em nosso coração a fé que Lhe agrada e que nos dá fidelidade.
 
Sim! O Epírito Santo gera em nós a fidelidade, a constância, a perseverança. O verdadeiro salvo pelo sangue de Cristo persevera até o fim, até a morte, pois tem no coração a fé que o faz fiel. A fé é um gomo do fruto do Espírito Santo, que nos qualifica como crentes verdadeiros, que crêem de todo o coração, que não voltam atrás, que confiam inteiramente na graça do Senhor. E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. (Jo 10:28). 
Certamente que somos tentados por Satanás ao longo de nossa vida, para abandonarmos a verdadeira fé. O fruto do Espírito em nós, entretanto, nos dá a força para resitir e para vencer o inimigo. Porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. (1Jo 5:4). A fé produzida em nosso coração faz-nos fiéis até a morte, honrando o nome do Salvador. Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. (Ap 2:10).  
O próprio Deus gera em nós o Santo Temor que nos faz andar pela fé, confiando em Sua sabedoria para conduzir-nos. E, assim, o crente caminha, vence, testifica e vai até o fim. E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé. (Gl 3:11).  
Quem recebeu Jesus Cristo no coração foi capacitado a viver pela fé. E poderá dizer ao final de seus dias:  Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. (2Tm 4:7) 
Você crê em Jesus Cristo como Salvador? Já entregou-se a Ele? Então viva pela fé que o Espírito Santo já gerou em seu coração.
 
Amém.
 
Que Deus nos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo
08/07/2017 
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite de sua diretora, irmã Ana Maria Suman Gomes).


quinta-feira, 13 de julho de 2017

memórias literárias - 473 - SANGUE NAS MÃOS

SANGUE
NAS
MÃOS
 

 
473
 
 
No Rio de Janeiro um garoto morre com um tiro na testa enquanto esperava o ônibus. Motivo: um celular. Em outro local a mulher e o marido são atropelados e a esposa perde o bebê que estava para nascer. Em São Paulo torcedores de um time surram e esfaqueiam até a morte um opositor. O sangue se espalha pelas periferias das grandes cidades. E as áreas centrais são infestadas de ladrões de carros, ladrões de celulares, de grupos que praticam arrastões. No interior e cidades pequenas, onde até pouco tempo reinava a tranquilidade, os bancos são bombardeados com dinamite, vitimados por marginais que desejam roubar os caixas eletrônicos. No campo proprietários de terras matam invasores, e sem-terra matam proprietários. Sangue no chão.
 
No canal de TV uma casa com cem pessoas exibe as mais baixas cenas de agressões e lutas por sobrevivência, expondo toda a pecaminosidade humana, confinando seres que buscam dinheiro e fama e submetem-se a esse tipo de segregação. Os filmes de tiroteios nos morros e favelas tornam-se campeões, e as novelas ensinam como enganar, roubar, adulterar, sequestrar, matar, corromper, usar drogas, praticar imoralidade e promiscuidade. Nos programas de auditório as mulheres cantam as mais podres canções de funk, enquanto atrizes famosas contam como fizeram orgias com seus múltiplos parceiros. Não há filme brasileiro sem sexo e sem palavrão; não há programa de auditório sem violência ou apologia à homossexualidade; não há reportagem que não denuncie roubo, corrupção, traição, mentira, licenciosidade.  Sangue na tela.
 
Nas estradas o sangue escorre violentamente  pelo asfalto quente dos caminhos. Um playboy dirige a 180 por hora em ruas de Curitiba e, por ser um político, não sofre punição, mesmo que tenha matado pessoas. Nas estradas os caminhoneiros varam madrugadas sem dormir, tomando os chamados rebites e, não donos de seus sentidos, invadem pistas, atropelam pedestres, irrompem nas filas dos pedágios, estraçalham famílias. Já os carros de passeio, com motoristas bêbados, praticam as ultrapassagens irregulares e imprudentes, matando famílias e vidas que nada tinham com isso. Motoqueiros destróem os espelhos dos carros, agridem motoristas de automóveis, ou são perseguidos por estes, esmagados pelas rodas dos indignados. Sangue no asfalto.
 
Nas casas a violência reina vitoriosamente. As crianças usam o celular para jogar guerras sanguinárias, onde os gritos e a cor vermelha predominam. Os computadores e tvs carregam os softwares de tiroteios, de cortes de cabeça, de lutas e agressões de MMA e tudo o que realimenta a natureza. Numa discussão familiar todo esse cabedal de cultura da agressão vem à tona. Então filhos batem e machucam os pais, pais agridem e matam os filhos. Um pai em regime de visita agendada tomou o seu filho de cinco anos, amarrou-se num colchão e colocou fogo, matando o inocente com ele por causa das brigas nojentas que ele, adulto, mantinha com a mãe do garoto. Sangue nos lares.
 
Nas igrejas há sangue também. Mas não aquele que é derramado por agressões declaradas. O principal sangue que ali existe não é o sangue de Jesus Cristo, proclamado nas mensagens salvadoras dos púlpitos. O sangue encontrado é o das pessoas que não são evangelizadas, não são buscadas, não são ensinadas nos caminhos de Cristo, não são expostas à cruz e nem ao Salvador. Igrejas estão satisfeitas com festanças, com bazares para vender bugigangas, com cursinhos de corte e costura, com palestras para ajudar casais a se relacionarem melhor ou turbinar as carreiras empresariais dos seus membros. O verdadeiro evangelho do sangue da cruz ficou restrito ao símbolo. Ele até é cantado, mas não é explicado. E como crerão naquilo que não entendem? O eunuco etíope que o diga (E ele disse: Como poderei entender, se alguém não me ensinar? E rogou a Filipe que subisse e com ele se assentasse. At 8:31).
 
Há sangue na igreja, mas daqueles que partem sem saber do evangelho autêntico, não por não conhecer, mas por não haver quem de fato o pregue ou dele testifique... Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniqüidade, mas o seu sangue, da tua mão o requererei. (Ez 3:18)
 
Sangue, sangue, sangue!
 
O sangue corre pelo Brasil afora.
 
Deveria correr nas veias, levando a nação à prosperidade, à felicidade, ao domínio das ciências, à cultura, ao progresso, ao patamar de nação abençoada e feliz. Mas, em lugar das veias, ele corre solto pelas ruas, pelas tvs e mídia, pelo asfalto e pelas igrejas. Só não corre nas veias dos políticos brasileiros, que, alheios à destruição pela qual passa o país, estão cuidando de seus próprios interesses, que nunca coincidem com os mandatos recebidos ou com os interesses nacionais. Eles não ligam para o país.
 
Só há um remédio para uma nação melada, manchada, maculada e lavada por tanto sangue inocente, por tantas vidas ceifadas, por tanta violência multiplicada: é o remédio do arrependimento e da fé em Cristo como Senhor e Salvador. Arrependimento que precisa começar do clero cristão, dos pastores e líderes que são responsáveis pela pregação do evangelho. Depois pelo laicato, por todos os crentes e membros de igrejas ditas cristãs. E, então, a funcionar como "dez justos" (Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez. Gn 18:32), poderão provocar uma transformação espiritual, social, moral, sentimental, física e intelectual de grande envergadura no Brasil.
 
E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. (2Cr 7:14)
 
Tem misericórdia do Brasil, Senhor!
Reconverte o Teu povo e reaviva a Obra de Tuas mãos!
 
Converte-nos a ti, Senhor, e seremos convertidos; renova os nossos dias como dantes. (Lm 5:21)
 
Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia. (Hc 3:2)
 
 
Wagner Antonio de Araújo

13/07/2017

memórias literárias - 472 - A BONDADE - SÉRIE: O FRUTO DO ESPÍRITO

472
A BONDADE
Série: O FRUTO
DO ESPÍRITO

Olá! Aqui é o Pastor Wagner Antonio de Araújo

Encontramos o seguinte texto na Palavra de Deus: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio. (Gl 5:22)
Já meditamos sobre o que significa fruto do Espírito e os quatros primeiros gomos deste fruto: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade. Hoje falaremos sobre o sexto: bondade.

O ser humano foi feito à imagem e semelhança de Deus. Quando pecou, esta imagem foi danificada, dilacerada e apagou-se a beleza da criação. Contudo, um resquício sobrou. São as boas obras que pessoas inconversas praticam, muitas vezes demonstrando solidariedade e gentileza. Tais obras, conquanto boas, estão tremendamente distantes da autêntica bondade do Senhor e não são capazes de tornar o homem aceitável diante de Deus. Aliás, o Senhor considera que o melhor bem que fazemos é tão vil quanto um trapo sujo. Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam. (Is 64:6)


Não há bem algum em nós, capaz de nos transformar e de nos fazer agradáveis diante do Senhor. Quando nos convertemos, experimentamos algo sobrenatural: o nosso coração se transforma e a bondade de Cristo aparece em nossa alma. Não vem de nós, mas é dom de Deus. É fruto da presença do Espírito Santo em nossos corações. E para quê? Para que sejamos como Jesus, discípulos capazes de andar em Suas pegadas, de fazer do jeito que Ele fazia. Jesus fazia o bem e nós também devemos!

Cristo nos transforma! Ele nos faz bons! Incute em nós a necessidade de repartir o pão, E para quê esta bondade? Para obter a salvação? Jamais! Pelas obras ninguém poderá salvar-se. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Ef 2:8). As obras são conseqüência desta salvação! Fomos criados por Deus para sermos bons! Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16).
Não há bem algum em nós, capaz de nos transformar e de nos fazer agradáveis diante do Senhor. Quando nos convertemos, experimentamos algo sobrenatural: o nosso coração se transforma e a bondade de Cristo aparece em nossa alma. Não vem de nós, mas é dom de Deus. É fruto da presença do Espírito Santo em nossos corações. E para quê? Para que sejamos como Jesus, discípulos capazes de andar em Suas pegadas, de fazer do jeito que Ele fazia. Jesus fazia o bem e nós também devemos!


Cristo nos transforma! Ele nos faz bons! Incute em nós a necessidade de repartir o pão, E para quê esta bondade? Para obter a salvação? Jamais! Pelas obras ninguém poderá salvar-se. Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. (Ef 2:8). As obras são conseqüência desta salvação! Fomos criados por Deus para sermos bons! Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16).
Possui o ouvinte a bondade vinda de Cristo em sua vida? Já experimentou a consciência de que é pecador e que a salvação não vem das obras, mas da graça de Jesus? Se a resposta for positiva, Cristo habita em seu coração e o fruto do Espírito está presente. Seja bom e exalte a Cristo em seu viver!

Fazemos o bem porque somos possuídos pela benignidade, outro gomo do fruto do Espírito Santo. Então tornamo-nos amorosos, solidários, participativos. Repartimos o nosso pão, dividimos as nossas vestes, socorremos os aflitos, acolhemos os desamparados e ajudamos a levar as cargas uns dos outros. Levai as cargas uns dos outros, e assim cumprireis a lei de Cristo. (Gl 6:2). E isto fazemos mesmo sem receber recompensa aqui no mundo. Afinal, o interesse é servir, ser útil, ajudar. Mas haverá recompensa no Céu. E serás bem-aventurado; porque eles não têm com que to recompensar; mas recompensado te será na ressurreição dos justos. (Lc 14:14).


Amém


Que Deus nos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo
07/07/2017
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite de sua diretora, irmã Ana Maria Suman Gomes).

memórias literárias - 471 - A BENIGNIDADE - SÉRIE: O FRUTO DO ESPÍRITO

A BENIGNIDADE
 
Série: O FRUTO
DO ESPÍRITO
 

 471
 

Olá! Aqui é o Pastor Wagner Antonio de Araújo
Encontramos o seguinte texto na Palavra de Deus: Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, domínio próprio. (Gl 5:22)
 
Já meditamos sobre o que significa fruto do Espírito e os quatros primeiros gomos deste fruto: amor, alegria, paz, longanimidade. Hoje falaremos sobre o quinto: benignidade.
Em nossa lista sobre o fruto do Espírito temos dois gomos de atribuições muito parecidas: benignidade e bondade. A diferença entre os dois é que o primeiro, a benignidade, diz respeito à intenção do bem que fazemos, e bondade fala sobre os atos de bondade praticados. Benignidade é o motivo, a razão que nos leva a praticar a bondade.
 
Como inconversos e pecadores, somos egoístas por natureza. Queremos tudo para nós. Quando bebês somos ávidos em tomar os brinquedos do outro e dizer: “é meu, é meu!”. Conforme o tempo passa, encontramos esse mal ampliado e desenvolvido em nossas práticas. Queremos a namorada do outro, o tênis do outro, a vida que o outro tem. Se estivermos numa fila, não titubeamos em pegar o melhor lugar; dificilmente cederemos para alguém, principalmente se não houver público ou necessidade mortal.
 
Quando nos convertemos, tudo muda. Somos transformados em servos do Senhor e, portanto, servos uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. (Jo 13:15). Somos conduzidos a desejar o bem dos outros e a fazer as coisas pelo bem do outro, não para nós mesmos. Há atos bons que são feitos visando algo que nos beneficie: a nossa bondade pode abrir portas, gerar indicações, fazer amigos influentes etc. Todos gostam de bajular quem possa lhes beneficiar. Mas quando temos a benignidade no coração não fazemos mais as coisas com esse tipo de pensamento. Fazemos o bem pelo bem do próximo, sem esperar dele qualquer coisa. As nossas motivações são boas: os nossos motivos louváveis; as nossas intenções honradas. Não temos o desejo do mal ou de prejudicar a outrem. Pelo contrário, pagamos o mal com o bem. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem (Rm 12:21). Não preparamos ações para destaque, para mostrar piedade aos outros ou enaltecer a nós mesmos. Pelo contrário, buscamos a privacidade e o sigilo, pois o propósito é só fazer o bem, não exaltação pública. Mas, quando tu deres esmola, não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita; (Mt 6:3)
 
Por fim, benignidade nos identifica com Jesus, cujo coração foi movido por íntima compaixão de nós: trouxe-nos a mensagem, a salvação, o perdão e a vida eterna. E nós não merecíamos! Benignidade é isto: amar primeiro. Nós o amamos a ele porque ele nos amou primeiro. (1Jo 4:19)
 
Tem o seu coração benignidade? Pois saiba que Cristo pode transformar a sua mente por completo, mudando as suas intenções, fazendo de você um autêntico cristão. Por que não receber esta dádiva hoje?
 
Que Deus nos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo
06/07/2017
 
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite de sua diretora, irmã Ana Maria Suman Gomes).