sábado, 28 de novembro de 2020

memórias literárias - 939 - SAUDADE E VOLTA

 SAUDADE

E
VOLTA
939
 
Há algumas expressões que usamos que não correspondem à verdade.
 
A primeira é: "Estou com saudade do Céu, saudade de Deus". A segunda: "Estarei voltando para casa, no Céu".
 
Eu só posso sentir saudade de algo que conheço, que experimentei, onde já estive. Caso contrário eu apenas imagino, apenas sonho, apenas divago. Nenhum de nós VEIO DO CÉU, nenhum de nós é pré-existente. Somos todos originários da junção dos gametas masculino e feminino no ventre de nossa mãe ou num laboratório. Antes disto nós NÃO EXISTÍAMOS! Portanto, conquanto a expressão seja poética e seja bonita, e quase sempre queira dizer que ansiamos pela presença divina e o reino celestial ela não significa que nós já tenhamos estado lá. A não ser que tenha experimentado um arrebatamento de sentidos ou físico e que se tenha ido ao Céu por antecipação, como Paulo, ao contemplar o terceiro céu.
 
Assim, dizer quando se morre: "Ele voltou para casa", como se a pessoa REGRESSASSE AO CÉU, pode parecer muito bonito, mas não é verdadeiro também. Quando uma criancinha morre e dizemos: "um anjinho que voltou para o Céu" pode soar como lindo e maravilhoso, mas não é verdadeiro. O espiritismo é quem advoga que nós somos almas que eram pré-existentes, que reencarnaram após outras vidas e que a morte é o regresso ao NOSSO LAR.  Entender a morte e a salvação como a volta ao Lar Paterno é, no mínimo, ignorância das Escrituras Sagradas. Nós não viemos de lá, nunca estivemos lá (com a exceção registrada no parágrafo anterior). Ninguém volta para um lugar de onde não veio!
 
Nós iremos para o Céu e estaremos na presença do nosso Deus. Um bebê vai para o Céu por inteira graça do Senhor Jesus, não como retorno de um estado anterior. Nós não somos pré-existentes!
 
As melhores expressões substitutivas e bíblicas seriam:
 
1) EU QUERO ESTAR NA PRESENÇA DE DEUS E ANSEIO PELO DIA DE VÊ-LO COM OS MEUS OLHOS! Ah, que dia especial, quando eu puder andar pelas ruas de ouro da Nova Jerusalém! Que dia há de ser quando eu chegar ao Paraíso e me encontrar com Jesus Cristo! Anseio por este dia!
 
2) EU IREI CONHECER O MEU NOVO LAR - Sim, porque este é temporário e o outro será eterno! Eu nunca estive lá, como João, o Batista, quando afirmou que só Jesus desceu do Céu. Eu para lá subirei e então estarei para sempre com o meu Senhor! Aleluia! Um bebezinho que morre antes da idade da razão foi alcançado pela graça plenária do Senhor! Um abortado também!
 
Eu sei que não falamos por mal, mas devemos adaptar as nossas expressões à Bíblia, e não a Bíblia ao nosso ideário.
 
Que observemos bem as nossas expressões, para não sermos sincréticos e misturarmos paganismo com cristianismo.
 
Wagner Antonio de Araújo.
 

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

memórias literárias - 938 - NAMORAR NÃO É ...

 NAMORAR

NÃO É ...
 
938
 
01) Passar tempo com alguém do sexo oposto, com liberdades além das que tem com amigos. Ficar com alguém, divertir-se com liberdades e expressões além dos limites de uma amizade chama-se DEFRAUDAÇÃO, mesmo que a outra pessoa não diga que está sendo invadida. Não se brinca com os sentimentos dos outros e nem com os seus. Além do que qualquer tipo de envolvimento emocional ou físico é um convite à fornicação (atos sexuais fora do casamento), uma agressão ao seu próprio corpo, ao do outro, à história de vida de cada um e à santidade de Deus.
 
02) Tentar até ver se vai dar certo. Namorar uma, duas, três, dez, vinte vezes pode até parecer uma busca lícita e justa, mas denota instabilidade emocional, falta de planejamento e pouca responsabilidade para consigo, com o futuro e com Deus. Namoro não é exercício, não é tentar até ver se vai dar certo. Lidar com os sentimentos, com pessoas e com o próprio futuro é algo que deve ser feito com parcimônia, com propósito, com responsabilidade e com avaliação dos riscos e privilégios. Isto não significa casar-se com o primeiro que lhe fizer a corte, mas não tornar o namoro ato leviano e vulgar.
 
03) Um casamento antecipado, exigindo apenas formalidades ritualísticas para agradar a sociedade. Há muito tempo as pessoas não respeitam os compromissos conjugais e passam a morar juntas, vivendo maritalmente sem compromisso. Elas pensam que seus corpos e vidas não têm nenhuma satisfação a dar a ninguém. Têm sim! Satisfação a Deus, que nos criou e não nos autorizou a esse tipo de compromisso não comprometido. Deverão satisfação aos filhos que advirem destas relações não oficiais. Deverão satisfação a si próprios pelo sucesso ou o fracasso. E deverão satisfações a Deus, quando Ele, à luz de Sua Palavra, disser que aquilo não foi casamento mas prostituição e que serão condenados por causa disto!
 
04) Vingança para fazer ciúmes a alguém ou para provar a todos que está bem e ainda bem cotado no mercado dos sentimentos. Ninguém pode ser vítima de uma vingança, ser usado para agredir a um terceiro. Não se brincam com os sentimentos alheios. Não se paga com a mesma moeda ou se faz ciúmes, ferindo o coração de alguém que não tem nada com isso. Quantas vezes isso termina em morte, lesões corporais, tragédias familiares e desgraça para o resto da vida! A vingança não edifica, não faz justiça e não é correta para com alguém que apenas serve de objeto de agressão.
 
05) Declaração de igualdade diante dos amigos. Há pessoas que namoram só para não se sentirem inferiores aos demais. Como todos namoram elas também querem ter alguém, não importa quem. Não são raras as vezes em que esses relacionamentos acabam em desgosto, tragédias e, quiçá crimes passionais. Não se observam os preceitos bíblicos para os relacionamentos, não se busca a vontade do Senhor, não se ouve o conselho de ninguém. Amanhã a fatura será cobrada e o preço será muito caro.
 
Solteiros que me lêem: não namorem motivados por estas questões acima! Deus não se agrada disso!
 
Ser solteiro ou permanecer solteiro não é defeito, não é inferioridade social, não é defeito moral, não é doença. Ser ou permanecer solteiro deve ter um propósito e glorificar a Deus. E bem pode ser que este estado seja temporário. Para mim foi!
 
Eu busquei por 40 anos alguém com quem construir a minha vida. Já havia namorado e ficado noivo, mas não fui bem sucedido. Aos 40 anos eu decidi que aceitava de bom grado a vontade do meu Senhor Jesus para a minha vida. Quando estava decidido a viver sozinho sem rancores, fui surpreendido pela graça de Deus. Em um acampamento de jovens, quando fui preletor, conheci uma japonesa com quem, depois de 5 anos, vim a me casar. Ela foi a bênção do Senhor para a minha vida. Juntos temos três maravilhosos filhos e somos felizes. Ela também soube esperar no Senhor. Assim, juntos, desfrutamos de um santo amor e das bênçãos divinas.
 
Saibam esperar no Senhor! Saibam respeitar aos seus próprios corpos e dignificar os seus pais com um comportamento puro e santo, reto e benfazejo! Deus abençoa quem O busca e pede a sua bênção para um relacionamento, mas apenas a quem se submete aos Seus critérios: relacionamentos heterossexuais, relacionamentos com pessoas que primeiramente comunguem da mesma fé cristã, relacionamento com pessoas que não estejam com a situação civil maculada por um rompimento e uma separação feita por juízes da terra (quando Deus, em Sua Palavra diz que o que Deus uniu o homem não deve separar; e se houver separação por motivos de traição, deverão manter-se sozinhas). Uma má escolha agora será uma chaga para o resto da vida.
 
Eu recomendo submissão à vontade do Senhor e a confiança de que Ele tem prazer em conduzir o coração de alguém que a Ele se submete.
 
Que Deus nos abençoe. Amém.
 
Wagner Antonio de Araújo

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

memórias literárias - 937 - FICÇÃO OU REALIDADE

 FICÇÃO

OU
REALIDADE
 
Um padre. Um pastor. Um filósofo. Um ateu. Um comunista.
 
Todos juntos em confraternização pessoal e com convergência de idéias.
 
São ídolos da mídia. São astros da TV. São consultores empresariais. São gurus de seus adeptos. São empresários da mídia de si próprios.
 
Ah, como é linda a união e a confraternização! Como é bela a unidade das pessoas!
 
Eu também consideraria lindo, se não fosse por um detalhe: nesse time o ideário é único. Não pode haver posicionamento cristão. Se houver a unidade se esfacela.
 
Exemplo: se o pastor disser que Deus criou apenas homem e mulher no gênero humano a comunhão da mesa se desfaz. Se ele disser que não é à favor de bandeiras socialistas, de campanhas da ONU, de protestos contra racismo, homofobia e que é contra o aborto a unidade se destrói.
 
Mas o padre pode falar sobre os ritos de sua religião à vontade. O filósofo sobre suas teorias de educação, de economia e de evolução social. O ateu pode dissertar sobre a materialidade da vida e o existencialismo como única razão do fôlego de vida. O comunista sobre as conquistas das massas frente aos capitalistas.
 
O pastor pode falar tudo também, desde que não discorde dos demais partícipes. E fala. Ele é o queridinho das esquerdas, o bibelô dos entrevistadores e o grande admirado pela mídia como um dos últimos verdadeiros cristãos de mente progressista.
 
Ouvíamos, nas palestras de escatologia, as considerações de que o mundo convergiria para uma única religião, uma única filosofia, uma única mesa, desde que matasse ao cristianismo e apoiasse as idéias materialistas e anticristãs. Eu mesmo preguei sobre o tema diversas vezes.
 
Nestas alturas eu gostaria tanto de dizer que isto é mais uma de minhas ficções literárias!
 
Mas não posso...
 
Wagner Antonio de Araújo.

memórias literárias - 936 - MINISTÉRIO BEM SUPRIDO

 

MINISTÉRIO

BEM SUPRIDO

 

"fui moço e já, agora, sou velho; porém jamais vi o justo desamparado, nem a sua descendência a mendigar o pão". Salmo 37.25

 

INTRODUÇÃO

 

Falar neste JUBILEU DE CRIZO, nesta comemoração de 33 anos de ministério pastoral do Pr. Neilson Xavier de Brito à frente da Igreja Batista em Vila Pompéia, São Paulo, Brasil, é uma honra muito grande, e também uma responsabilidade.

 

É uma honra porque falo de quem conheço. O Pr. Neilson foi o pastor de minha família. O meu pai Antonio Paulino de Araújo e a minha mãe, Elzira Bonfante, foram suas ovelhas. Emiliana Pereira Cruz, minha irmã adotiva, é ovelha de seu pastoreio. Ele os assistiu nas horas alegres, participando de suas felicidades, e também esteve presente nas horas tristes, oficiando o sepultamento de ambos, inclusive acolhendo os ossos de meu pai na sepultura desta igreja. Ele esteve no meu concílio examinatório e no meu concílio de consagração em 1991, quando, após 4 anos de experiência na igreja onde servia e em estágios, inclusive aqui, impôs sobre mim a mão, junto do presbitério, concedendo-me o reconhecimento pastoral junto às igrejas do Senhor. Ele deu-me a graça de casar-me nesta igreja e também de festejar o primeiro aniversário de minha filha Rute Cristina nestas dependências. Ele orientou-me na construção do gabinete pastoral da igreja que pastoreei por 22 anos, Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil. Ele tem sido presente ao longo de todo o tempo. Por isso foi uma honra receber o convite para pregar nesta EFEMÉRIDE.

 

Mas também uma grande responsabilidade. Ocupar este púlpito é um privilégio, uma concessão por demais preciosa. Ser porta-voz do Senhor e trazer palavras que Ele nos ilumina é, de fato, algo a se fazer com tremor. O que dizer diante de tamanha bênção, de tamanha longevidade pastoral? O que dizer diante desta Casa de Oração tão confortável, ampla e bela, fruto do labor incansável do seu obreiro? O que fazer ante a obra social que, ao longo de tantos anos, vem coroando o ministério do Pr. Neilson, mostrando ao mundo que ele não é apenas um homem de palavras, mas de prática? De fato dependo da graça do Senhor, a quem pedi a mensagem e agora solicito de todos a atenção para o que tenho a dizer.

 

Escolhi um versículo que nada tem a ver com ministério pastoral. O texto foi escrito pelo Rei Davi, que viveu a mil anos antes de Cristo. Um "homem segundo o coração de Deus", conforme diz a Escritura Sagrada. Ele não nos serve de modelo em muitas coisas, pois não foi perfeito. Por ser a Bíblia a Palavra de Deus, um livro verdadeiro, não escondeu de nós os pecados desse rei, que foram grandes e hediondos. Contudo, também não nos escondeu o coração quebrantado e arrependido que teve diante de cada deslize e a maneira com que aceitou as consequências de suas más escolhas. Foi pastor de ovelhas, foi instrumentista, foi soldado, foi general, tornou-se rei por escolha divina, foi profeta, foi compositor, foi pai, foi construtor. Uma vida de duração mediana (não foi longevo), cujos efeitos, resultados, exemplos e legado permanecem para sempre, comprovando aquilo que a própria Escritura diz: E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre. (1Jo 2:17).

 

Gostaria de abordar três afirmações deste versículo, relacionando-as com a vida ministerial do Pr. Neilson Xavier de Brito, quiçá com a vida de cada ministro fiel do evangelho de Cristo. São elas:

 

I - FUI MOÇO E AGORA SOU VELHO

 

Davi afirma que um dia foi moço. Ele não diz que outra pessoa o foi, mas que ele mesmo teve mocidade. Ele diz que agora, quando compõe o salmo, é um homem velho. Ele experimentou a vida, experimentou o desabrochar de toda a sua potencialidade, vivenciou a cada dia os desafios que se lhe apresentavam. Os seus cabelos eram claros e ruivos quando iniciou, mas agora já não eram como antes. Era forte e corajoso, cheio de vigor e ideais. Agora estava vivido, o corpo cansado, já não saía mais às batalhas de antes e sabia que não havia muito a descobrir. Ele envelhecera. Ou melhor, ele fizera-se semente.

 

Lembro-me, no início de minha vida cristã, quando perguntei ao Pr. Waldemur o porquê eu não sentia mais aquele entusiasmo dos primeiros dias de convertido, aquela alegria tão presente e tão espontânea em cada coisa. Eu lhe contava que a igreja, os irmãos e a vida não eram exatamente como eu enxergava; as pessoas não eram tão santas quanto eu as julgava e agora a igreja tinha problemas que antes eu não via. O pastor, com santa experiência, afirmou-me: "Wagner, antes você era uma flor que desabrochava para o evangelho. Tudo era festa, era a chamada "alegria da salvação". Agora a flor caiu e a beleza se foi. Contudo você hoje é semente, é vigor, é realidade e tem consigo o poder da vida constante com Deus". Como me fez bem ouvir aquilo! Eu agora tinha experiência, não era um neófito!

 

O Pr. Neilson chegou aqui em Vila Pompéia bem jovem e moço. Seu casamento era recente e gerou a seus filhos, criando-os aqui. Conquanto tivesse aprendido grandes lições no seio do seminário, descobriu pela prática que não era suficiente para enfrentar os desafios ministeriais do dia a dia. Foi com o tempo que aprendeu a lidar com o seu orçamento de forma que pudesse sobreviver condignamente. Foi com o tempo que conseguiu harmonizar vida familiar e ministerial, não privando a nenhum dos dois de seus cuidados e presença. Foi com o tempo que aprendeu a sorrir com os que sorriem e a chorar com os que choram.  E então, a cada dia, enriqueceu o seu interior, enriqueceu a sua prédica, enriqueceu o seu ministério. A igreja enriqueceu-se juntamente com ele.

 

Foram muitos dias. 12.045 dias mais precisamente. Também atravessou 1.720 semanas. Foram muitos meses, 396, na realidade. Foram 33 natais, 33 anos novos, 33 páscoas e só Deus sabe quantos outros dias especiais.

 

Ao longo deste tempo o Pr. Neilson viu centenas de crianças nascerem. Apresentou-as diante do Senhor. Levou centenas aos pés de Cristo, batizando-os no Senhor. Celebrou inúmeros aniversários. Participou de muitas festas de 15 anos. Esteve na formatura de muitos irmãos. Celebrou o casamento de outras tantas pessoas. Viu os seus filhos virem ao mundo. E, ao lado disto, também sepultou muitos outros que dormiram no Senhor. Chorou junto ao leito de dor e intercedeu noites inteiras. Socorreu a tantos que não sabiam o que fazer na hora amarga. Eu fui um deles. Participou do festejo e da realização de vitória de quantos outros! Isto não se consegue com um tempo curto, um ministério de tempo limitado. Isto é o fruto de anos e anos, de uma vida inteira dedicada a um rebanho!

 

Sim, Pr. Neilson. O senhor foi moço. Agora já não é mais. É um homem experiente, vivido, calejado. Muitos de seus cabelos brancos são troféus de experiências que teve, umas felizes; outras, nem tanto. O senhor assumiu o ônus da responsabilidade em dar a esta igreja o tão sonhado templo que desejava. Saíram de uma casa de oração pequenina, de bairro, configurada para os anos 30 do século passado, para um suntuoso edifício, completo, confortável, digno do bairro que cresceu e se sofisticou. O senhor manteve a boa música que a igreja já tinha e tornou-a ainda mais relevante, assessorando-se de outros ministros extremamente capazes. O senhor deu a todos o seu vigor, o seu sangue e a sua vitalidade. O senhor foi moço e deu-se pela igreja.

 

II - NUNCA VI O JUSTO DESAMPARADO

 

Se o senhor tivesse que contar apenas com os recursos de sua inteligência, de seu intelecto, de seu físico, de seus diplomas acadêmicos ou de sua influência política, o ministério não teria chegado até aqui. O que temos que não tenhamos recebido? O que somos senão agraciados pelas mãos do Senhor? Há situações que um pastor de longa data passa, que não podem ser imaginadas pelo coração de quem não viveu esta experiência.

 

Quantas vezes sentiu-se só? Quantas vezes teve que lutar sozinho as lutas que Deus lhe dava? A esposa, fiel companheira, não podia sofrer com tudo o que o seu coração sofria. A igreja, que tantas vezes é o motivo de alegria, por algumas vezes é também razão para as lágrimas. Por mais que um pastor faça, por mais que um pastor lute, por mais que um pastor se dedique, há sempre aqueles que, com um dedo em riste, acusam-no de não ter feito tudo ou não fazer bem feito. Quantas vezes as condições eram poucas! Quantas vezes a coberta não cobria o corpo todo! Quantas vezes não se sabia se haveria jantar!

 

Mas a cada desafio permitido pelo Senhor havia também o socorro bem presente que Deus lhe dava, ora de algum milagre local, ora de alguma surpresa exterior, ora de uma transformação das situações! Deus esteve presente! Deus se fez ver! Deus estendeu a mão! Deus curou as feridas! Deus derramou o seu "bálsamo de Gileade"! Deus reverteu as coisas! A alegria de um problema resolvido é refeição cara, da qual só participa quem teve a experiência da dor, da aflição, do temor e da falta de recursos!

 

Quantas curas Deus efetuou, ora pelas mãos dos médicos, tão capacitados; ora pelas próprias mãos de Deus a usar as orações pastorais! Quantas pessoas reencontraram ânimo, quantas encontraram o refúgio e quantas descobriram a que vieram, depois de serem supridas pelo amparo pastoral, agraciado pelo amparo divino! Deus usou a sua vida para salvar casamentos, para evitar suicídios, para consertar vidas moralmente comprometidas e para dar ao desesperado a esperança necessária! Deus usou a sua vida para soerguer os caídos, para limpar as feridas dos aflitos e para construir na juventude a certeza de dias melhores!

 

III - A DESCENDÊNCIA NÃO MENDIGA O PÃO

 

Davi fala do suprimento de Deus nas horas de infortúnio e das bênçãos divinas para a posteridade dos justos. Eu a uso para falar de outro pão, o pão que o pastor precisa fornecer quente e apetitoso todos os dias no púlpito que lhe é confiado. Falo do suprimento do pão da vida. Infelizmente muitos púlpitos estão dando pão para o povo, mas pão de joio, quentinho e mortífero. Mas o Pr. Neilson, diferente daqueles, tem sido um padeiro de Deus na entrega dos pães do céu há 33 anos, na mesma igreja!

 

Através de suas pregações o pecador tem encontrado a salvação. Sim, porque hoje em dia não se prega mais conversão, mas adesão. As pessoas aderem a um projeto, aderem a uma causa, erguem uma bandeira e ficam até que se esgotem as pautas daquele ideal. Mas um pastor verdadeiro não faz nada disso. Um pastor verdadeiro apresenta ao inconverso a sua situação de miséria espiritual e de perdição. Coloca-o no seu devido lugar, como um condenado ao Inferno. Mas, ao mesmo tempo, apresenta-lhe a Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, o Redentor da humanidade. Conta ao pecador a história da salvação, o plano de Deus para levar o homem ao Céu e lhe dá a chance de converter-se, de mudar de vida, de abraçar a fé, de tornar-se cristão. Num púlpito de um pastor autêntico a bíblia não precisa ser atualizada e nem é insuficiente. Sei que o Pr. Neilson tem dado pão de trigo e este pão dá vida e dá sustento! Quantos batismos bíblicos em nome de Jesus, pela Santíssima Trindade, não foram realizados por suas mãos!

 

Quem aprendeu a ouvir-lhe não mendiga o pão, Pr. Neilson. Muitas pessoas trocam o púlpito do pastor de sua igreja pelos famosos ganhadores de dinheiro com a boa fé evangélica, ouvindo os famosos hereges de sempre. Eles estão nos celulares, no facebook, no youtube e, não raras vezes, recebem o dízimo de quem deveria primar em sustentar o trabalho de sua igreja local. Mas eles são um blefe, uma ilusão. Eles estão só na mídia, não na vida das ovelhas reais do Senhor. Na hora da doença, na hora da morte, na hora do conflito familiar, na hora do aconselhamento não são esses atores hipócritas que estarão ao lado dessas pessoas (eles são caros e inacessíveis!), mas o pastor de sua igreja local, cujos ensinos foram, muitas vezes, desprezados, relegados a coisa de pouco valor.

 

Não, Pr. Neilson. Não teria esta igreja dado ao senhor 33 anos de seu púlpito se não experimentasse ao longo dos anos a bênção de receber de seus lábios, de sua prédica, de seus conselhos, de suas orientações, de seus ensinos, de sua firmeza, da solidez de seu caráter uma alimentação sadia, um suprimento saudável, um antídoto contra o falso evangelho que grassa por toda parte em nossa denominação e no mundo cristão. Não, Pr. Neilson. Não se trata de falar sibolete ou chibolete, dialetos no mesmo idioma, opiniões sobre assuntos secundários. Trata-se de considerar que o seu ministério tem sido um "assim diz o Senhor". Um púlpito assim alimenta! Isto é o pão real, único alimento que um pastor tem a responsabilidade de dar ao seu rebanho.

 

 

CONCLUSÃO

 

Caríssimo Pr. Neilson. Quero aqui lembrar-me das palavras do Anjo Gabriel para Daniel, o profeta: "Tu, porém, segue o teu caminho até ao fim; pois descansarás e, ao fim dos dias, te levantarás para receber a tua herança". Daniel 12.13

 

Hoje o pastor está em pleno vigor físico, no exercício de seu ministério. Cumpra-o com o mesmo temor e a mesma responsabilidade dos últimos 33 anos. Não desista. Não pare. Não cesse. Deus mostrará até quando deverá continuar. Mas saiba: a memória das igrejas é bastante deficiente e, aos poucos, tudo o que fez irá ficar para trás, no esquecimento. Se outro obreiro condigno, no futuro, honrar a quem precisa ser honrado, fará com que os principais fatos sejam lembrados. Caso contrário o irmão será um retrato em cima da mesa de alguém por alguns anos. E depois nem isso. Talvez um artigo de Wikipedia ou nome de rua.

 

Mas esteja certo de algo: DEUS NÃO LHE ESQUECERÁ! Há um Deus que vê! Há um Deus que jamais se esquece e que não deixará de recompensar nem um simples copo de água fria. Ele não precisa de registros históricos, de fotografias, de facebooks, de youtubes, de instagrans, de whatsapps, de notas fiscais, de registros ou quaisquer outras coisas. Tudo o que o irmão fez e faz estará nas mãos dele e há recompensa para os que são fiéis. Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. (Hb 6:10). Cada mensagem, cada sermão, cada estudo, cada culto, cada oração, cada vigília, cada reunião, cada visita, cada oferta, cada lágrima vertida, cada sorriso difícil, cada levantar de manhã, cada noite mal dormida, cada esperança de dias melhores. Deus a tudo viu, de tudo esteve ciente e o recompensará com bênçãos eternas! Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda. (2Tm 4:8)

 

Que, pela graça de Deus o senhor tenha outros jubileus, muitos, a celebrar como pastor desta igreja.

 

Parabéns, Pr. Neilson Xavier de Brito!

 

 

Wagner Antonio de Araújo,

22 de novembro de 2020

 

sábado, 21 de novembro de 2020

memórias literárias - 935 - NOVA RAÇA

 NOVA

RAÇA
 
Para Deus havia uma única linhagem: a espécie humana. Esta corrompeu-se, vindo a sucumbir com o Dilúvio. Dentre as famílias humanas Deus escolheu a de Noé. Este homem, cabeça desta casa, era íntegro e temente a Deus, mesmo a viver no meio de um geração degenerada e corrupta.
 
No mundo pós-diluviano Deus selecionou um homem, da linhagem de Sem, filho de Noé, para dele fazer uma grande nação, além de torná-lo pai de grande multidão. O seu nome era Abrão, mudado posteriormente para Abraão. A sua descendência tornou-se escolhida dentre todas as do planeta, passando a ser a única nação de Deus. São os hebreus, posteriormente denominados judeus (ou israelitas). Todos os demais, incluindo eu e você somos "os gentios", "as gentes", "as nações". Deus optou por esta nação e considerou-nos fora do pacto, não partícipes de Sua graça e aliança primitiva. Mas fez uma promessa. Um dia outro profeta, semelhante a Moisés, viria para tornar-se "o ungido", "o messias", "o Cristo", e este seria "a luz dos gentios, a esperança das nações". Através deste judeu o mundo poderia ser incluido como povo de Deus também. Ele seria o servo do Senhor, sofredor, o Cordeiro de Deus e faria um sacrifício único e perfeito para incluir toda a humanidade num novo pacto com o Altíssimo. Seria trocada a aliança nas tábuas de pedra (os dez mandamentos) e inserida no coração de cada alcançado (a conversão divina).
 
Veio Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo. Um judeu legítimo e verdadeiro. Cumpriu todas as profecias sobre ser, de fato, o tão esperado redentor. Seus apóstolos receberam a missão de pregar as suas boas-novas. Fizeram-no primeiro aos já judeus, fiéis e piedosos. Um grupo de samaritanos, porém, creu nEle também e Deus sinalizou que seriam aceitos na fé mediante o Espírito Santo que também lhes alcançou. Tempos depois Deus trouxe os gentios à Sua família, fazendo de Cornélio, um prosélito gentio, bem como de toda a sua família, os primeiros "gentios" convertidos. Na igreja de Antioquia foram os fiéis chamados cristãos pela primeira vez. E ali foi o centro missionário do grande Apóstolo Paulo, o apóstolo dos gentios. Para concluir, os últimos seguidores de João o Batista também foram inseridos entre este povo único de Deus.
 
Do Apóstolo Paulo são as reveleações mais preciosas para nós, gentios. Em Cristo não haveria mais o racismo judaico. Em Cristo as barreiras raciais cairiam, formando de ambos os povos (judeus e gentios) um povo novo, remido, salvo, transformado, que teriam como pai adotivo o próprio Pai de Jesus Cristo, o Deus Eterno; teriam como irmão mais velho o próprio Senhor Jesus. Seriam filhos da Jerusalém celestial e deveriam tratar a todos como irmãos, pois formavam a família de Deus. Gentios e judeus seriam agora remidos de Cristo, o Israel de Deus. Isto não significava a rejeição da linhagem escolhida, para quem Deus ainda tem um plano; mas derrubar para sempre esse racismo materialista que jamais pode fazer de alguém um autêntico conhecedor do Senhor. Pelo Messias somos agora família de Deus, todos nós.
 
Assim devem ser as igrejas de Cristo: convertidos de todas as raças, linhagens, continentes, países, cores, línguas, tribos e nações, irmanados unicamente pela fé no Senhor Jesus Cristo, considerando uns aos outros em amor e em serviço, sem jactância, orgulho ou superioridade. Se há alguém que poderia considerar-se superior entre os cristãos seriam os judeus, pois foram os primeiros escolhidos (primeiro dos judeus, diz a Escritura). Mas em Jesus os primeiros seriam os últimos, querendo dizer que somos todos iguais na família de Deus. O maior judeu de todos os tempos, Jesus Cristo, foi quem tomou a bacia e a toalha e, em completa humilhação (fez-se um serviçal dos mais humildes) lavou os pés dos apóstolos, ensinando-lhes (e a nós) que o maior sempre é menor, serviçal, buscando o bem.
 
Com isto celebramos a unidade. Unidade em Cristo, não de raça. Não há espaço para refazermos as barreiras raciais entre judeus e gentios e nem para manter ou criar barreiras entre gentios de cores ou etnias diferentes. Não deve haver uma igreja branca e uma preta. Não deve haver uma igreja aborígene e outra asiática. Não deve haver igreja racial ou segmentada. Há IGREJAS, compostas de miseráveis pecadores de todas as raças, povos, línguas e nações, que foram convertidos e transformados em novas criaturas e como tais devem viver sempre, considerando-se uns aos outros em amor,  tratando os inimigos com o amor de Cristo. Não há espaço para disputas, protestos, partidarismos ou violências retóricas no mundo cristão. Seríamos conhecidos em Cristo como os que amam e que são capazes de amar até ao inimigo.
 
Não esqueçamos as nossas raízes. Não deixemos as plantas parasitas do presente século macularem a árvore de nossa verdadeira vocação. Não enfeitemos a fé com as bandeiras do presente século. A flâmula de Deus é esta: "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS COMO EU VOS AMEI".
 
Wagner Antonio de Araújo

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

memórias literárias - 934 - AMIZADES QUE PERDURAM

 AMIZADES

QUE
PERDURAM
 
 
Esta reflexão é pastoral. Diz respeito aos que exercem ou exerceram o ministério pastoral. Foi uma frase que um pastor, meu verdadeiro amigo me enviou, depois que eu lamentei ter sabido do falecimento de um colega, Pr. Paulo Lopes Barbosa, através de uma ex-ovelha e não através de alguma comunicação de algum colega.
 
Eu, que sou pastor desde 1987, ordenado oficialmente em 1991, já experimentei todo tipo de configuração ministerial. Fui pastor de ponto de pregação, de congregação, de igreja pequena, média, grande. Fui presidente de associação, secretário executivo, tesoureiro, secretário de mesa, membro de comissões e juntas, conselheiro, componente de concílios. Hoje estou a enfrentar a pandemia junto de minha família, sem um púlpito ou uma igreja para pastorear, aguardando no Senhor (e tão somente nEle) para o regresso, se assim for do Teu agrado.
 
Quando estamos à frente de um ministério, pastorado, administração eclesiástica somos populares, recebemos ligações de toda parte, somos chamados para eventos, informados sobre falecimentos, convidados para participar disto ou daquilo. Basta deixarmos a função e o nosso telefone silencia, a nossa caixa de mensagens se esvazia, o nosso nome desaparece dos eventos e não somos mais lembrados de nada, exceto para as tradicionais cobranças de anuidades de entidades ou de periódicos. Ah, disto as organizações jamais se  esquecem!
 
Quantos pastores, meus amigos, após uma vida toda dedicada ao trabalho pastoral, sentem-se só e abandonados, classificados como peças de museu ou seres de terceira categoria na vida eclesiástica. Alguns não são convidados sequer para fazer orações silenciosas... Quantos atravessam situações difíceis, crises e enfermidades e não são lembrados nem para a solidariedade da oração pública! Quando alguém em ascensão ou no exercício do ministério adoece, morre, sofre ou recebe prêmios há uma enxurrada de notícias, de mensagens, de elogios, de palavras das massas. Quando outro, sem ministério, aposentado ou em trânsito passa pelas mesmas coisas é geralmente ignorado, exceto pelos amigos reais, mais próximos.
 
Essa situação é real. Digam-me os pastores aposentados, idosos, sem ministério, apenas membros de igreja: onde estão os que antes pululavam em seus whatsapps com palavras de atenção e de carinho? Onde estão as lembranças de outrora? Não estão. Quando muito são lembrados em uma data ou necessidade, como, por exemplo, recadastramento de endereço, de rol de membros ou de cobrança de anuidades.
 
Graças a Deus por duas coisas.
 
1. Deus não Se esquece de Seus servos, de Seus escolhidos, de Seus comissionados. Ele é a companhia sempre presente, o socorro no dia da solidão. Ele é presente a cada instante, mesmo quando todos os outros foram embora. E Ele não depende de políticas ou de indicações: quando Ele age, chama, convoca e designa, faz valer a Sua vontade. Com poucos ou com muitos. Ele é soberano. Aleluia!
 
2. Há amigos que permanecem. São poucos, é verdade. São contados nos dedos das mãos, mesmo com contatos aos milhares. Eles não nos tratam pelo poder eclesiástico que temos, ou pelo poder político que exercemos no pouco ou no muito público a quem assistimos. Eles são atemporais e não estão interessados no que podemos fazer por eles. Eles nos amam por amor, não por interesse. E, para eles o nosso valor não é computado pelo poder, pela fama, pelo alcance de nossas mídias. Eles amam com o amor do Senhor.
 
Sou solidário com os pastores sem ministério, com os pastores idosos e com os pastores que foram esquecidos. Sou solidário com cada um deles. E desejo-lhes paz e graça, consolo e esperança. Eu também, a cada dia, sou fortalecido no Senhor e na força de Seu poder. E sei em quem tenho crido!
 
Um abraço.
 
Wagner Antonio de Araújo, pastor pela graça de Deus, no aguardo da convocação de Deus, quer para pastorear, quer para continuar à disposição do que Ele desejar.

domingo, 1 de novembro de 2020

memórias literárias - 933 - A ÚNICA ESPERANÇA

 A ÚNICA

ESPERANÇA
 
933
 
Num mundo decadente como o nosso, em que as pessoas fazem processos maciços à favor do aborto, contra os cuidados sanitários e em  favor de políticos que não prestam, Jesus Cristo mostra-se como a única esperança.
 
Neste tempo de gelo humano (o contrário de calor humano) onde as pessoas cortaram as relações afetivas em nome das restrições sanitárias (que jamais obrigaram ninguém a romper com o afeto), num tempo onde as pessoas não se falam mais, não se olham mais, apenas encaminham mais e mais lixo eletrônico, Jesus Cristo é a única esperança.
 
Nesta época em que as igrejas se tornaram reduto ideológico ora de direita ora de esquerda, onde as bandeiras coloridas de campanhas seculares ocuparam o espaço de nossas campanhas de evangelização e vida pelo poder do evangelho; nesta época em que para ir a um culto se faz necessário inscrever-se numa lista e aguardar uma vaga; numa época em que o pecador não tem assento num salão de cultos porque não faz parte do grupo e representa risco, Jesus Cristo apresenta-se como a única esperança.
 
Num tempo em que os políticos gastam todo o recurso da nação em nome do socorro humanitário e dos cuidados contra a pandemia de covid 19, quando constróem hospitais de campanha com montanhas de dinheiro e não recebem quase ninguém; num tempo em que se gastam fortunas por respiradores, por equipamentos de proteção e com verbas de ajuda aos pobres, mas a maior parte do recurso é desviada aos atravessadores que levam quase tudo, Jesus Cristo é a única esperança.
 
Neste século onde pastores querem atualizar a bíblia, considerando-a insuficiente, num tempo em que as escrituras sagradas devem ser lidas nas entrelinhas para que não sejam os pecadores punidos em suas linhas, num tempo em que a verborréia vence o fundamento e a solidez das bases da fé, Jesus Cristo é a única esperança.
 
Ele é a esperança para a alma cansada deste tempo horrível que vivemos, tempo de restrições e de separação; tempo de isolamento social e de falta de amizades verdadeiras; tempo de desemprego e de desesperança. Jesus Cristo é a única esperança.
 
Ele é a esperança para a falta de fé que tomou conta dos pastores, das denominações e das igrejas; Ele é o fundamento para que os corações verdadeiramente fiéis busquem forças para superar essa sanha maldita de degolar a fé pelo pescoço da pregação, colocando falsos discursos em púlpitos tradicionais. Jesus Cristo é a única célula que liga a fé do homem simples ao autêntico plano de salvação do Pai para a humanidade.
 
Jesus Cristo é a esperança para o coração desesperançado de uma humanidade decadente.
 
Bendita seja a nossa única esperança!
 
Wagner Antonio de Araújo.

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

memórias literárias - 932 - DEPOIS

 DEPOIS

 
932
 
De manhã eu prometo. À noite eu descumpro.
 
Pela manhã eu digo sim. Mas à tarde eu falo não.
 
Eu assumo o risco. E depois eu digo que a culpa é do outro.
 
Eu digo que serei fiel. Depois eu quebro o compromisso.
 
Eu digo que não farei. Depois eu vou e faço.
 
Eu falo que mudei. Mas vivo do mesmo jeito.
 
Eu ganho mentindo. E depois eu minto ganhando.
 
Eu digo que sou contra. E depois eu sou duplamente favorável.
 
Eu quebro os meus ídolos. Depois compro novos.
 
Eu corto as relações com os espíritos. Depois eu me concentro e os trago de volta.
 
Eu fico limpo do álcool. Depois eu celebro com um garrafão de cachaça.
 
Eu paro de fumar. E depois fumo um charuto para celebrar.
 
Eu não uso mais drogas. E depois fico dopado pelos jogos virtuais.
 
Eu fujo do pecado. Depois eu durmo com ele.
 
Eu sou batizado em nova vida. Depois bebo a água suja e emporcalho-me na vida velha.
 
Eu faço votos de ministro religioso. Depois vivo como um mundano.
 
Eu me comprometo a ensinar. Depois sou o responsável em desvirtuar.
 
Eu digo que terei zelo. Depois deixo que o lobo devore.
 
Eu amo a Jesus. E dou um beijo em Satanás.
 
Dias difíceis...
 
Wagner Antonio de Araújo.

memórias literárias - 931 - EM LUGAR DE DEUS

 EM LUGAR

DE DEUS
 
931
 
O Papa sempre atribuiu a si o papel de rocha sobre a qual a Igreja de Cristo estaria construída. Atribuição insana e imprópria, pois nenhum homem pecador serviria para sustentar a Igreja, Noiva de Cristo. Contudo, tal homem gabava-se de que suas palavras eram inerrantes. Ocorre que um contradiz o outro. E agora, num documentário que irá ao ar em festivais internacionais, ele declara que os gays têm direito a estabelecer uniões estáveis e formarem famílias homossexuais, pois são filhas de Deus. Só não usa a expressão "casamento" para fazer política, pois, no conteúdo é a mesma coisa. A voz do Papa é a voz de Deus para os romanos.
 
Mas, infelizmente, encontramos pastores batistas, presbiterianos, metodistas, pentecostais e as seitas neopentecostais a dizerem as mesmas coisas, uns com a apresentação de argumentos eruditos; outros, apenas a seguirem o berrante que chama a manada.
 
E Cristo e Sua Palavra foram para a lata do lixo. Os valores sacrossantos da família, da heterossexualidade conjugal, da indissolubilidade matrimonial, os pecados morais da fornicação, do adultério, da sodomia e da luxúria já eram. Por isso as editoras correm a fazer revisões bíblicas, dissolvendo o texto na proporção homeopática, tornando tudo palatável, digerível e com sabor de mel. Mel do inferno!
 
Aos poucos o Senhor recolhe os Seus servos fiéis e não repõe nos púlpitos gente digna de Sua Palavra. Aos poucos as igrejas se transformam em agências das trevas, propagando as alterações doutrinárias que agradam a Satanás e agridem ao Senhor. Está chegando a hora e a vez do anticristo! O remanescente diminui, quase se extingue, mas persiste. E em breve será arrebatado, para que a tragédia do Apocalipse ocorra sem detenção. Nós sabemos que, por fim, CRISTO vencerá!
 
Preparemo-nos, pois estão a se cumprir textos bíblicos.
 
E levou-me em espírito a um deserto, e vi uma mulher assentada sobre uma besta de cor de escarlata, que estava cheia de nomes de blasfêmia, e tinha sete cabeças e dez chifres. (Ap 17:3)
 
E foi-lhe dada uma boca, para proferir grandes coisas e blasfêmias; e deu-se-lhe poder para agir por quarenta e dois meses. (Ap 13:5)
 
Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predito por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes. (Mc 13:14)
 
E abriu a sua boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome, e do seu tabernáculo, e dos que habitam no céu. (Ap 13:6)
 
Wagner Antonio de Araújo
 

terça-feira, 20 de outubro de 2020

memórias literárias - 930 - SOU EVANGÉLICO

 SOU

EVANGÉLICO
 
930
 
Sou cantor sertanejo, participo de baladas, forrós, noitadas, bebedeiras e faço festa com a mulherada. Mas sou evangélico.
 
Sou jogador de futebol. Pago por prostitutas nas boates estrangeiras, mando buscá-las no Brasil, posto vídeos de pornografia e tenho linguagem chula. Mas sou evangélico.
 
Sou atriz e cantora. Casei-me inúmeras vezes e até fiz filme pornô com um de meus maridos. Sou defensora do homossexualismo e falo todo tipo de besteiras. Mas sou evangélica.
 
Sou cantora, animadora, apresentadora, fiz grande sucesso com hinos gospel. Faço fofocas sobre celebridades e digo todo tipo de besteira. Já tive vários maridos e nunca me reconciliei com o meu pai. Mas sou evangélica.
 
Sou casada, tenho filhos, mas para ter dinheiro eu decidi pedir o divórcio. Provoquei o marido e disse que iria romper o relacionamento. Mas depois obriguei os filhos a mentirem e dizerem que ele é quem tinha provocado. Não aceito conselhos e nem aceito o ensino bíblico. Mas sou evangélica.
 
Sou pastor. Mas também vivo de política e de acordos para ganhar dinheiro. Vendo de tudo, faço publicidade, xingo o time rival do meu nos jogos, faço festas, churrascadas, dirijo organização religiosa e sou de tudo um pouco. Mas sou evangélico.
 
Triste rebanho de Cristo! Ele não precisa de inimigos. Os seus próprios seguidores cuidam de denegrir a Sua imagem. A igreja do Senhor apodrece a olhos vistos, fazendo o incrédulo tapar a boca e dizer: "barbaridade, que povo mundano é esse que se diz crente! Nem entre a gente há tanta coisa errada".
 
Apostasia. Igreja de Laodicéia.
 
Fim dos tempos.
 
Wagner Antonio de Araújo

sexta-feira, 2 de outubro de 2020

memórias literárias - 929 - QUE SONHO...

 QUE

SONHO...
 
929
 
Uma linda auto-estrada, com asfalto bem feito, pistas largas, canteiro arborizado e paisagem belíssima ao redor. Campos e lavouras, pastos e lagos, montanhas e vales se alternam, enquanto o carro segue tranquilo em sua senda reta e longa. Pássaros passam em revoada, nuvens branquinhas pintam o céu azul, o sol derrama raios coloridos pelas montanhas e nas frestas das grandes nuvens de chuva. Um aguaceiro de quando em quando para aliviar o calor e o carro continua a seguir, num ambiente confortável, ao som de música cristã instrumental e com vidros ora abertos, ora fechados, intercalando a brisa da estrada e o ar condicionado regulado. Que gostoso!
 
Uma praia límpida, com águas verde-azuladas, onde a areia não segue em barrancos para a água, mas num contínuo declive, tornando mansa a entrada nas águas do mar. Tão limpa é a água que vejo peixes em zigue-zague pelo caminho, conchas, caranguejos pequeninos e estrelas-do-mar do tipo bolacha, grudadas no fundo. As ondas são branquinhas e quentes. Às vezes fortes e quase me derrubam; outras mansas e fazem aquele som característico de efervescência da espuma e do sal. O sol quente bronzeia-me a pele, o calor se refresca na água e as gaivotas voam rasantes pela minha cabeça. Na areia as cadeirinhas de praia, o guarda-sol armado, uma caixa térmica com comidas fresquinhas, preparadas com antecedência, regadas a suco de frutas geladinho. Que delícia!
 
Um parque público bem cuidado, regado, arborizado e preservado, com o gramado aparado, as cadeiras envernizadas e os brinquedos infantis em pleno funcionamento. Crianças sobem e descem do escorregador, pulam no pula-pula, brincam na gangorra e fazem castelos de areia no cercadinho apropriado. Outras sobem no trepa-trepa, tentando atingir o pico daquele brinquedo. Há também os balanços em forma de foguete, de bichinhos, todos feitos de madeira rústica, restos de pneus e correntes, seguros e bem higienizados. Ao lado uma piscininha para os pequenos entrarem na água, sempre limpa e tratada, com o espaço para os pais estarem juntos. Entre os brinquedos e tudo mais muitas flores, margaridas, lírios, roseiras cercadas e pés de primavera. Que sonho!
 
Deu vontade de estar em um destes lugares? Para mim também deu! São imagens de quem está cansado desta quarentena e não vê a hora de arrancar esse tapume da cara (a máscara) e sair em férias ...
 
Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 939 - SAUDADE E VOLTA

  SAUDADE E VOLTA 939   Há algumas expressões que usamos que não correspondem à verdade.   A primeira é: "Estou com saudade d...