sexta-feira, 22 de abril de 2022

memórias literárias - 1280 - CABE A TI

 CABE A TI

 
1280
 
"Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo" Gênesis 3.7
 
"A TI CUMPRE", ou "CABE A TI", "É A TUA PARTE, TUA RESPONSABILIDADE, TUA DECISÃO".
 
Deus falava com Caim. Aliás, vemos o Senhor falar com Caim, mas não com Abel. Abel não precisou deste agrado para agradar-se de Deus. Há muitas pessoas que esperam que Deus as trate com deferência e destaque, para que O amem, para que O busquem, para que O atendam. Abel não precisou de nada disto. Seu irmão Caim resolveu fazer uma oferta ao Senhor e levou frutos da terra. Ele gostou da idéia e levou um sacrifício do seu rebanho. O sacrifício de Abel foi aceito por Deus, ao passo que o de Caim não. E, então Caim sentiu-se desprezado.
 
Deus diz a Caim que não  havia procedido bem. Mas não foi dele a idéia de fazer um culto, uma oferta, uma dedicação? Sim. Mas, diante da fala divina, entendemos que Caim não ofertou com a motivação adequada ou com o propósito certo. Podemos fazer inferências sobre isso: sua oferta não foi um sacrifício com sangue; ele talvez não tenha ofertado o melhor de sua lavoura; o seu coração não estava adequadamente grato, da maneira com que Deus desejaria ser adorado. São muitas as possibilidades, mas um só resultado: Deus não se agradou de sua oferta.
 
Caim ficou irado, bravo, nervoso, cheio de ódio. Além disto esteve com o rosto descaído, desmotivado, chateado, aborrecido. O erro foi dele, mas sentiu-se tolhido, desprezado, marginalizado, como se a culpa fosse de Abel, por ter sido aceito, ou de Deus, por tê-lo rejeitado.
 
Deus então dialoga com Caim: por que se encontra desse jeito? Por que está assim?
 
E lhe aponta a solução: se tiver um bom procedimento, será aceito, admitido, aprovado, recebido, acolhido, elogiado. A aceitação divina estava subordinada à sua decisão pessoal de proceder bem. Cabia a Caim ter a atitude certa, a motivação certa, o propósito certo.
 
Deus também lhe apresenta a dura realidade da tentação: o seu desejo interior será contrário à vontade de servir a Deus com verdadeira dedidação. O desejo interior lhe afastará do espírito certo, da motivação adequada. O desejo do coração lhe levará ao pecado. Porém, segundo Deus, este desejo só poderia tomar conta de seu coração se NÃO FOSSE DOMINADO, NÃO FOSSE CONTIDO, NÃO FOSSE IMPEDIDO.
 
Cabia a Caim decidir o que fazer. Poderia arrepender-se e servir ao Senhor com o mesmo espírito do irmão Abel, ou continuar aborrecido, desmotivado e cheio de raiva por não obter a aprovação divina.
 
CABE A TI - Deus não o obrigaria a nada. Deus não obriga a ninguém a correr até os Seus braços e a obedecer à Sua vontade. Este querer interior é uma responsabilidade íntima de cada ser humano. Caim poderia ser salvo. Mas não o foi. Nós lemos no texto bíblico seguinte que ele matou a Abel e tornou-se fugitivo, o primeiro homicida da humanidade. Ele não foi forjado pelas mãos divinas para ser o primeiro assassino da história; ele mesmo forjou a sua biografia. Poderia ter sido diferente!
 
Nós ouvimos a voz de Deus através da leitura bíblica, através das pregações que escutamos, através das experiências que Ele nos permite atravessar. Ele nos aponta o caminho da fé, da felicidade, da obediência, da vida relevante. Nós conhecemos a receita para uma existência abundantemente frutífera: fidelidade, obediência, amor, renúncia, prioridade do Reino e abandono do pecado. Jamais houve tanta informação acumulada sobre a fé do que nestes dias eletrônicos de comunicação farta e imediata. Porém, em contraponto a tudo isso, não houve tempo na história da igreja cristã em que os crentes fossem tão rebeldes, tão pecadores, tão carnais e tão cheios de pecados quanto nestes dias. Creio que a igreja cristã traveste-se do espírito da igreja em LAODICÉIA (Ap 3)  a cada segundo, tornando-se similar aos dias anteriores ao dilúvio: um contínuo e quase completo abandono da fé e da obediência ao Senhor.
 
QUASE, porque, naqueles dias anteriores ao dilúvio houve um homem que ESCOLHEU ser a exceção, tomou a decisão de ser fiel no meio de uma geração corrupta e pecaminosa. Ele não teve comportamento de rebanho, não foi no caminho de todo o povo, não amoldou o seu coração no caminho do politicamente correto. Ele decidiu ser íntegro, ser justo, buscar a Deus de forma verdadeira. Foi uma escolha própria, que muito agradou ao Senhor.
 
Hoje temos o mesmo desafio presente: TOMARMOS A DECISÃO QUANTO À NOSSA VIDA. Cabe a nós, e não aos pastores, não à família, não aos sites e aos influenciadores virtuais, decidirmos quanto à nossa vida. O pecado continua no caminho de cada um de nós. A chance de nos afastarmos de uma vida piedosa, consagrada, dedicada a Deus está sempre disponível para a nossa escolha. A maioria de nós tenderá pelo caminho de Caim, cumprindo à risca a verdade de que todos nos extraviamos do aprisco divino e que não há ninguém que preste.
 
Mas, no meio de tudo isso, no meio deste mundo "Caímico", alguns de nós ousarão agir de forma "Abélica": decidirão por agradar a Deus e por resistir às tentações e ao pecado que tenazmente nos assedia. Alguns de nós decidirão orar, enquanto a maioria só falará da importância da oração. Alguns de nós decidirão por obedecer à Palavra de Deus, enquanto a maioria seguirá dizendo da importância da Bíblia e do quanto seria bom obedecê-la. Alguns de nós testemunharão da fé, enquanto a maioria continuará a treinar, treinar e jamais compartilhar a fé. Alguns de nós decidirão não cair em tentação, enquanto a maioria continuará a dizer o quão ruim é cair em pecado. Sim, alguns forjarão uma vida de obediência, enquanto outros lamentarão a sua incapacidade de mudar.
 
Incapacidade escolhida. Incapazes porque decidiram não agir. Incapazes porque decretaram para si que não seguiriam pelo caminho do Senhor. Continuarão a ir às igrejas, aprendendo o tempo todo, mas jamais praticando o que Deus ordenou. Continuarão a orar, mas sem acreditar na graça do Senhor, que opera através da oração. Continuarão a considerar o pecado um erro, mas nunca tomarão a decisão de abandonarem o mal. Sim, mostrarão com a vida que não foram eleitos pela graça, que não foram predestinados à salvação, pois os frutos que não produzem (e poderiam produzir, se quisessem!), jamais aparecerão, porque coube a eles tomar a decisão, e decidiram manterem-se distantes da obediência. Não terão justificativas diante do Trono do Senhor, quando Ele separar uns dos outros, como o pastor separa os cordeiros dos bodes; quando Deus conduzir os salvos, ospredestinados, os eleitos para o Céu eterno, deixando os demais para o Lago de Fogo e Enxofre, a terra em chamas de Caim!
 
Caro leitor, se o que leu nos parágrafos anteriores não lhe fez qualquer diferença, não lhe inspirou qualquer alteração comportamental, não lhe motivou a tomar algumas decisões de vida diante do Senhor, então, de fato, continuará a seguir pelo mesmo caminho de Caim. Contudo, se o coração lhe apertou e um profundo desejo de mudanças apareceu, querendo fazer a escolha certa, junte ao desejo a atitude: mude de vida, decida obedecer ao Senhor, ofertar o melhor e segundo a vontade de Deus. O querer tem que se unir ao fazer. O resultado será o toque no coração de Deus. Ele considerará a sua decisão e lhe capacitará a andar à luz de Sua Palavra. E lhe dará paz, vida, salvação e felicidade. E quem é eleito certamente age assim! São os que forjam a sua opção por Deus que demonstram ter o coração tocado pelo Criador!
 
Porque o que semeia na sua carne, da carne ceifará a corrupção; mas o que semeia no Espírito, do Espírito ceifará a vida eterna. (Gl 6:8)
 
Porquanto, qualquer que fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, e minha irmã, e minha mãe (Mc 3:35)
 
E por que me chamais, Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo? (Lc 6:46)
 
Deleito-me em fazer a tua vontade, ó Deus meu; sim, a tua lei está dentro do meu coração. (Sl 40:8)
 
Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. (Jo 15:10)
 
Wagner Antonio de Araújo

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