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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

memórias literárias - 131 - NATAL - UM MILAGRE

 

 
131 - NATAL -
UM MILAGRE
 

 


Natal -
Um
Milagre!
 
 
 
Dezembro. Enfeites nas lojas, luzes coloridas e piscantes, árvores enfeitadas com belas esferas e neve artificial, músicas especiais sobre a noite feliz do Natal. Enfim, de ponta a ponta do universo, exceção feita da janela 10/40 (países onde é proibida a entrada do evangelho de Cristo), o tema de todos é o Natal. Por causa dele há folga trabalhista. Pelo Natal há um pagamento a mais para cada funcionário. Motivados por ele amigos trocam presentes, cartões, cumprimentos e felicitações. Nas igrejas cristãs de todas as denominações há eventos especiais, como cantatas, peças teatrais, recitais, sermões e mensagens alusivas ao assunto. Enfim, é uma época especial na vida de todos. Mesmo daqueles menos afortunados, que também são lembrados por pessoas generosas, que lhes dão presentes,  doces e brinquedos.
 


 
Por que o Natal?
 
Será que a razão é Santa Klaus, o velhinho bondoso dos países eslavos, que, ao morrer tornou-se símbolo das crianças, doando anualmente presentes, fabricados no Polo Norte? Será pela árvore de Natal, símbolo pagão, representando a fertilidade dos campos e da vida, costume sincretizado pelos cristãos, adquirindo nova simbologia propícia ao evento?
    
 O Natal é muito mais do que isto. Inicialmente era a data em que se comemorava a festa do Sol. No entanto, ao aumentar o número de cristãos e o poder do bispo de Roma, houve o desejo intenso de aproveitar a data e apagar da memória do povo aquele paganismo, colocando-se um novo tema: o nascimento de Jesus Cristo, o Filho do Deus Vivo, ainda que estudos mais recentes apontem o mês de abril como o verdadeiro aniversário de Jesus Cristo.
 


Por que este homem, que viveu numa época longínqua, há 2006 anos exatos (nossos calendários estão 5 anos atrasados!), teve tanta expressão, chegando ao ápice de demarcar a linha do tempo, indicando as datas antes e depois do seu nascimento? Por que ele conquista tanto a atenção e a devoção das pessoas de todos os povos? Por que as pessoas que o seguem são intituladas “cristãs”? O que o faz tão importante assim?
 
Primeiramente porque Jesus Cristo é um ser único. Ele é o Emanuel, nos dizeres de Isaías, que significa “Deus conosco”. Ele é o único ser preexistente, isto é, que não passou a existir quando nasceu, mas existiu sempre, desde que nada ainda havia sido criado. Ele é o Deus-Filho, membro da Santíssima Trindade. Ele é a sabedoria de Deus, a Palavra da Criação, o único que possui em si a eternidade, sem princípio de dias e nem finalização da existência. Como anunciavam as profecias, este Ser Supremo, de inteligência superior à todos os seres viventes, viria como homem, filho de mulher, seria filho de uma virgem e salvaria o povo dos pecados deles.
  

 
Ao chegar a plenitude dos tempos, em Belém da Judéia, uma família recebeu-o nos braços: Maria e José, o casal escolhido, receberam dos braços de Deus o Seu Filho bendito. Nasceu Jesus Cristo, concebido sem a participação de José ou de qualquer outro homem. Nasceu o mais sublime ser do universo, amalgamando duas naturezas: a divina, que lhe veio do céu, e a humana, colhida de Maria. O próprio Deus fez-se homem - milagre sui generis ! Tal foi o impacto deste nascimento, que o próprio céu sinalizou, através de uma grande estrela brilhante, que se estabelecera sobre a manjedoura do menino. Com grande impacto entre os entendidos da época, três astrólogos do oriente o descobriram, vindo presentear-lhe valiosos símbolos da majestade: OURO, símbolo da riqueza, INCENSO, símbolo da adoração, e MIRRA, símbolo de sua morte vicária, sepultamento e ressurreição. Até o céu transdimensionou-se à nossa realidade, quando surpreendeu um grupo de pastores próximos, ao realizar uma cantata de Natal angelical, tão emocionante e bela, que deixou atônitos os trabalhadores que a assistiram. Tal evento mexeu com o próprio coração de Herodes que, ao sentir-se ameaçado por um neném nascido rei, mandou matar todos os bebês da região.
 


Em segundo lugar, Jesus Cristo é importante porque nos trouxe a mensagem de Deus. Tão deturpada pelos rebeldes judeus hipócritas, a Lei do Senhor estava sendo quebrada com um comportamento falso e legalista. Cristo veio por fim às falsas pregações. Repassou a Lei com a interpretação fiel ao propósito de quem a outorgou, e revelou coisas extraordinárias: mostrou que não é apenas o homicídio que é pecado, mas o amargurar-se contra o próximo ou desejar-lhe o mal; não é apenas o adultério pecado, mas o desejar o cônjuge alheio também; não é apenas o amar os amigos, mas a vontade de Deus é que também se ame os inimigos, e coisas assim. Mostrou o poder da fé na pequenez de um grão de mostarda, demonstrou a emoção e alegria do Pai quando um pecador se arrepende, e anunciou o Reino de Deus dentro de cada um de nós, bem como a volta dEle próprio para eternizar a felicidade entre os seus seguidores. Ao abatido soergueu, ao entristecido alegrou, ao cego deu visão, ao coxo restabeleceu as pernas, ao mudo fez falar, à enlutada devolveu o filho querido, ao pai aflito concedeu o privilégio de ver o menino curado,  aos endemoninhados libertou, aos enganados esclareceu, aos pobres enriqueceu. Viveu pelo próximo, tornando-se pobre e enriquecendo a muitos.
 

 
Também comemoramos seu nascimento por ter sido Ele o pagador da dívida da humanidade com Deus. Ao criar-nos, estabeleceu Deus um padrão de comportamento: que fôssemos voluntariamente obedientes. Nossos primeiros pais escolheram a rebeldia, colhendo como fruto disto a morte e a separação eterna do Criador. Este, sentindo o peso de nossa miséria e a nossa total falta de condições para reparar o mal iniciado, verificou que somente Ele, o próprio Deus, tinha condições de pagar a dívida do ser humano. Não havia outra maneira. Sem titubear, o Pai comissionou o Filho para fazer o pagamento: morrer para que o homem pudesse viver. Ser punido para livrar-nos da eterna punição; sofrer para que nós tivéssemos a libertação. Sem titubear, Cristo obedeceu. Em horas amargas, quando a dor dos nossos pecados pesava-lhe às costas, chegou a pedir ao Pai que o livrasse, mas que estava disposto a ir até o fim, fosse esta a Sua vontade. E, de fato, Cristo foi até o fim. Na cruz, tornou-se pecado por nós. Nossos crimes, nossa indiferença, nosso ódio, nossa malícia, nossa hipocrisia, nossas blasfêmias, pesaram sobre Jesus. Ali o Pai, com muito custo, o desamparou, para poder amparar a cada um de nós. Ao consumar em três horas de sofrimento infinito, morreu vitorioso. Sua morte trouxe-nos o pagamento da dívida, que teve por moeda o seu sangue, e que trás, por contrato, uma aceitação de nossa parte deste sacrifício do Filho de Deus.
 

 
Jesus, no entanto, é mais que um mártir. Ele venceu a morte. No terceiro dia, quando tudo parecia terminado, a madrugada surpreendeu o mundo, quando a grande pedra circular do seu túmulo na rocha, foi rodada por um anjo e, lá dentro, o seu corpo glorioso recebeu de volta o fôlego da vida, o circular do Seu sangue, o brilhar de Sua mente, o movimentar de seus membros. A morte não pôde contê-lo, pois Ele era o próprio Autor da vida. Tinha poder para dá-la e para recebê-la de volta. Morto, tomou o lugar de cada um de nós na penalidade. Ressuscitado, trouxe à todos a esperança e certeza de que, assim como foi com Ele, será com cada um de nós, que cremos em Seu poder sempiterno. Subiu ao céu vivo, glorioso, anunciando que, em breve voltará, sobre as nuvens do céu, em poder e grande glória, ressuscitando Seus discípulos e transformando os crentes vivos em Sua semelhança.
 

Jesus Cristo é fundamental, pois nEle fomos feitos irmãos. Com o racismo a reinar em toda a terra, quando a humanidade se gaba de ser desta ou de outra raça, ou se desconsidera mutuamente, fruto da maldição de Babel, Jesus Cristo veio mudar esta realidade, retirando as barreiras entre nós colocadas, unindo novamente os homens sob Sua presença santa. Em Cristo não há pretos ou brancos, orientais ou ocidentais, ricos ou pobres, desenvolvidos ou subdesenvolvidos, capitalistas ou comunistas, americanos ou afegãos, judeus ou gentios, pobres ou ricos, sábios ou ignorantes, reis ou súditos. Através de Seu Santo Amor uniu-nos em vínculos eternos, amarrando-nos com Seu sublime amor, demonstrado pelo batismo e pela Ceia do Senhor, da qual todos os que nEle crêem participam, numa unidade perfeita. Em Cristo irlandeses fazem as pazes, sérvios e croatas depõem as armas, palestinos e judeus são feitos irmãos, japoneses e coreanos se perdoam, negros e brancos se unem em amor. Uma nova era brilha aos seguidores de Jesus, não uma nova era mundana, feita de símbolos ou ocultismos, mas uma nova era que começa quando nos arrependemos dos pecados e nos entregamos humildemente ao nosso Salvador. Ele, rico eternamente, fez-se pobre por cada um de nós. Ele, Rei dos reis e Senhor dos senhores, cujo céu não pode conter, humilhou-se, tomando a forma de homem, e, como homem, um pobre bebê, que teve a manjedoura por berço, a palha como colchão, e o odor de animais como aroma ambiente. Ali, num berço humilde e improvisado, jazia em seu sono tranqüilo e dócil, o Emanuel, o Filho do Altíssimo.
 
 
Por isso celebramos o Natal. Que o Papai Noel saiba disto. Que as árvores de Natal saibam disto. Que os anjinhos, os perus, os pernis e as saladas de fruta saibam disto, que a primazia e a atenção maior não são eles, mas o verdadeiro aniversariante, o Filho do Deus vivo, Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o verdadeiro sentido e a razão do nosso Natal.
 

Feliz Natal!
 
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo
pastor da
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

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