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sábado, 21 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 17 - EU QUERO TE ABENÇOAR...

 
17 - EU QUERO
TE ABENÇOAR...
 
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Tornou-se corriqueiro ouvir líderes cristãos, pastores e pessoas dizendo: "Farei isso para te abençoar", "Vou abençoar a tua igreja", "Fiz tal coisa para abençoar o teu ministério".
 
É muita pretensão! Músicas com "eu te abençoo, meu irmão" e "eu vou te abençoar" são crescentes e absurdamente ufanistas. O abençoador, no caso, carece de fundamentar a sua aludida bênção.
 
Bênção, em português, significa voto de favor divino para alguém. Também significa bendizer. Mas no inconsciente popular significa que eu, de mim ou supostamente de Deus, sou canal e administrador de bênçãos sobre a vida de alguém, de um grupo ou de uma obra.
 
Não ignoro a existência de bênçãos na bíblia. Lembro da bênção sacerdotal aos filhos de Israel. Lá eles não diziam: "eu te abençoo e te guardo", pois não eram capazes sequer de guardarem a si próprios. Assim, na fórmula está: "O SENHOR te abençoe e te guarde". (Números 6.24).
 
O povo de Israel dizia que não seriam abençoados pelas nações pagãs, mas afirmavam: "Nós vos abençoamos". Mas não era simplesmente uma bênção particular. O texto inteiro assim diz: Nem tampouco os que passam dizem: A bênção do Senhor seja sobre vós; nós vos abençoamos EM NOME DO SENHOR (Sl 129:8) Era o nome do Senhor que abençoava. Israel entendia que este Nome estava sobre si, então poderia EM NOME DELE transmitir bênçãos POR ELE.
 
Hoje tornou-se comum um suposto apóstolo dizer: "Eu te abençoo com a bênção de Isaque, de Manassés, de Elias, de José". Quem é ele para abençoar? E quem são os citados para serem detentores de bênçãos, uma vez que as bênçãos que receberam foram concessões divinas, não fruto originário de seu próprio poder?
 
A bênção apostólica, tradicionalmente concedida no final dos cultos, evocava a Santíssima Trindade, conforme Paulo Apóstolo fazia. A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós. Amém (2Co 13:14) Hoje, contudo, os ufanistas dizem: "Eu te abençoo para que receba a prosperidade prometida, vá debaixo de minha cobertura apostólica". Quanta mentira proclamada e quantos incautos crédulos dizem amém a essa aberração dos ensinos bíblicos! A jactância é tanta e tão profunda, que os pregadores sentem-se os donos da bênção! Faz seis anos um pastor neopentecostal telefonou-me, dizendo que "queria me abençoar", que eu depositasse 3 mil reais para ele vir à igreja pregar com poder. Eu respondi: "proponho outra coisa, que me abençoará mais: não venha e eu não gastarei o dinheiro do Senhor com quem se acha tão poderoso..."
 
A bênção de um pai é importante, a bênção de um idoso é importante, mas sempre foi a bênção EM NOME DO SENHOR, não em nome dele mesmo! Abraão, Isaque e Jacó só tiveram bênçãos nO Nome do Senhor, não deles mesmos. Os meus filhos, além de chamarem os mais velhos de SENHOR e SENHORA (essa hierarquia de pronomes de tratamento é importante na formação do respeito e da importância da autoridade), usam o velho costume caipira dos filhos aos pais: "A bênção, papai!". E o pai, sabedor de que não é a fonte da bênção, diz: "DEUS TE ABENÇOE, meu filho, minha filha".
 
Vamos parar com ufanice. Não temos bênçãos, nem para nós, originárias de nós mesmos. Se abençoamos o próximo, que o façamos EM NOME DE DEUS! Abençoai aos que vos perseguem, abençoai, e não amaldiçoeis. (Rm 12:14) Mas abençoar EM NOME DO SENHOR, com a consciência de que É Ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar. Que cessemos de usar expressões do tipo "Este pregador veio nos abençoar, eu vim abençoar a igreja". Veio nada! "Que Deus use o pregador ou a minha vida como bênção em nome de Jesus". Isto sim.
 
Não é apenas questão semântica. É questão de colocar os pingos nos ís. E as bênçãos vem dEle, não de nós.
 
FONTE TU DE TODA BÊNÇÃO, VEM O CANTO ME INSPIRAR.
 
Wagner Antonio de Araújo

21/07/2018

quinta-feira, 19 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 16 - RUTINHA 3 ANINHOS


RUTINHA
3 ANINHOS


2015-2018 - 3 ANINHOS DE RUTINHA!
 
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Hoje Elaine e eu celebramos os três anos de idade da minha filha Rute Cristina Farias de Araújo. O que dizer diante de tão maravilhosa dádiva?
 
Esta menina foi uma unificadora da família. Com ela todas as ramificações familiares uniram-se. Ganhamos vovó, vovô, titia, titio, priminhos e muito, muito carinho e amor. A Rutinha foi uma espécie de pombinha da paz. Aleluia!
 
Rute também foi a promotora de alegria. Aqui em nossa casa éramos três: minha irmã adotiva Milú, minha esposa Elaine e eu. Tudo em ordem, todas as coisas nos seus devidos lugares. Nenhum risco na parede, nenhum pedaço de doce no chão. Bastou essa japonezinha chegar e os "velhinhos" entraram em polvorosa: a bagunça chegou! E, cá pra nós, nós não trocamos a bagunça que ela faz pela mais perfeita limpeza e arrumação da casa! Rute alegra o nosso dia!
 
Ela também é um testemunho do milagre da vida. Vimos essa coisinha aumentar a barriga da mamãe Elaine, até o dia em que teve que vir para fora, nascendo. Depois vimos a menininha crescer, crescer, engatinhar, andar, pular, falar, cantar e fazer traquinagens. Ela cresce a ohos vistos! E a cada dia torna-se mais e mais linda!
 
Por fim, vemos nela a presença de Deus. Ela coloca as mãozinhas no rosto, fecha os olhinhos e ora ao Papai do Céu. Aprende as histórias bíblicas e as conta novamente. Decora versículos da bíblia com uma facilidade de causar pejo. E manifesta, desde tenra idade, que é uma menina cristã, filha de cristãos, que amam a Deus, que amam a Jesus Cristo. Graças a Deus minha filha é, antes de mais nada, minha ovelhinha: os meus cuidados por ela hão de ser constantes enquanto eu e Elaine vivermos. Mas sabemos que é Deus quem dela cuida.
 
Por tudo isso e muito mais (senão o texto não terá fim) eu digo: OBRIGADO, SENHOR, PELA MINHA RUTINHA!
 
Wagner Antonio de Araújo,
marido de Elaine,
pai de Rutinha e de Josué Elias!
19/07/2018


terça-feira, 17 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 15 - QUANDO ELA CRESCER ...


15 - QUANDO
ELA
CRESCER...

 
 
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Enquanto estou a escrever ela vem, pula no meu colo e diz: "Papai, eu quero fazer letras..."
 
Vou passar roupas e ela invade a lavanderia com um tudo de água com sabão: "Papai, vamos fazer bolhas?"
 
Vou sair de carro e ela chora inconsolável na grade de ferro: "Eu também quero ir... Buááá..."
 
Começo o programa de rádio. Ela salta na mesa e grita: "Rádio Natftalina Web, eu quero falar na rádio!".
 
Minha filha maravilhosa, amorosa, querida, insubstituível! Como eu a amo! Faço-a dormir, acordo-a pela manhã com um corinho bíblico, e, quando saio com ela ouço: "Tia Aú, vamos passear, só papai e filhinha, tá?"
 
Tremo em pensar no futuro, se Jesus não voltar logo, se nós não partirmos. Ela vai crescer. Terá 5, 10, 20 anos. E eu enfrentarei, como todos os pais, a síndrome do ninho vazio...
 
"Aproveite bem este tempo, porque passa muito rápido". É o que mais ouço. Pais saudosos admiram o convívio de nossa família com os pequeninos. E nos avisam: essa fase acaba depressa. Eu penso: o que farei quando acabar?
 
Tremo só de pensar. Minha filha adolescente. Será que vai seguir o comportamento evasivo e distante que tantos adolescentes têm? Será que se tornará monossilábica conosco? "Olá", "Tchau", "Valeu"? Será que estará tão envolvida com estudos, trabalho e afazeres pessoais, que não terá tempo para nós?
 
Um antídoto para essa adolescência transviada, aliás, o único caminho eficaz para um futuro promissor e eterno é que ela entregue a sua vida a Jesus Cristo, recebendo-o no coração como Senhor e Salvador. Para tanto Elaine, eu e a Tia Aú (como ela chama a Milú, minha irmã adotiva) procuramos lhe ensinar a Palavra de Deus todos os dias. O fundamento para uma vida cristã saudável é uma infância permeada das santas palavras e da presença de Jesus em seu coração. Tudo o que assiste, tudo o que conversamos, todas as brincadeiras e tudo o mais está fundamentado neste princípio: "Ensina a criança no caminho em que deve andar, pois até quando for velha não se desviará dele" (Provérbios 22.6)
 
Eu também celebro. Ah, como celebro! Ensino a minha Rutinha a celebrar um pão com mortadela bem gostoso, uma flor que contemplamos numa árvore ou o canto de um pássaro à janela. Eu choro. Choro de alegria, choro de tristeza, choro de saudade. De ascendência judaico-italiana, sou um poço de emoções. E minha filha tem aprendido que gente sente, gente fica alegre, gente chora, gente agradece. E, ao dormir, tem aprendido a pedir bênção. "A bênção, papai!". "Deus te abençoe, minha amada filha!". Não por costume católico antigo, mas por princípio bíblico. Pais abençoam filhos. E filhos aprendem a respeitar os pais, inclusive a importância deles diante de Deus. Por fim, vamos com Rutinha à igreja. Ela sabe a importância que damos à Casa do Senhor. Ela sabe que lá  papai prega, nós oramos, cantamos, convivemos, falamos com Deus. Ela aprende que igreja é importante.
 
Rute crescerá, se Deus quiser. E terei muito o que recordar. E, quem sabe ela não fique apática e continue a desejar a companhia deste pai babão, e, na época, o seu velho e emotivo pai?
 
Te amo, Rutinha! Você é, ao lado do Josué Elias, a jóia da minha vida!
 
Wagner Antonio de Araújo

17/07/2018

sexta-feira, 13 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 14 - ESTAVAM LÁ ...


14 - ESTAVAM
LÁ ...

 
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Moro em Vila Pompéia (São Paulo, capital, Brasil) há 47 anos. Atravesso a Rua Dr. Miranda de Azevedo dezenas de vezes no mês. Mas hoje eu vi algo surpreendente: as árvores floridas! Elas floriram juntas, flores de cor lilás, uma alameda européia em plena América! Como eu não vira antes? Atravesso com os pensamentos distantes e nem percebera a beleza que se estabelecia ali, bem à minha frente! A mente tão cheia de tudo e eu a perder tão maravilhoso espetáculo!
 
Acho que não sou o único a olhar para o lado errado enquanto caminha pela estrada da vida. Muitos prestam atenção naquilo que selecionam na mente, nas expectativas interiores; são incapazes de olhar ao redor e ver outras coisas, tão belas e preciosas, talvez mais do que aquelas que procuram!
 
Agar, a mãe de Ismael, o filho de Abrão, desesperava-se ao ver o filho desfalecer de sede. Expulsa de casa com os poucos pertences, amargava a cena de um filho moribundo. Ela chorava. De repente um anjo de Deus aparece e lhe diz que o Senhor ouvira o choro do menino e que atendera às suas súplicas. Assim diz o texto: E abriu-lhe Deus os olhos, e viu um poço de água; e foi encher o odre de água, e deu de beber ao menino. (Gn 21:19). O texto não diz que Deus abriu o poço naquela hora. Diz que abriu os olhos de Agar para contemplar o poço tão próximo. Com aquela água Agar salvou o filho e salvou-se.
 
Abrão teve o nome trocado para Abraão, num dos mais épicos e emocionantes momentos da história bíblica. Isaque, seu filho adolescente, fora com ele para o sacrifício solicitado por Deus. Era Isaque a oferenda. O pai amarrou o menino e ergueu o cutelo para matá-lo. Ele iria fazer isso não por ódio ou por bizarrice, mas em obediência à ordem de Jeová. Naquele instante Deus, que não é sanguinário, bradou do céu, dizendo que já bastava a prontidão em obedecer, que não queria esse sacrifício, que a fé demonstrada fora suficiente. Em seguida lemos: Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. (Gn 22:13). O carneiro estava lá provavelmente desde que chegaram no monte. Mas não o viram. Deus abriu os seus olhos para enxergá-lo. E com este sacrifício ele selou a maior das atitudes humanas: a fé, tornando-se o "pai da fé".
 
O servo de Eliseu acordou desesperado. Um exército rodeara a casa onde viviam, um exército de inimigos. Ao contar ao profeta, este orou ao Pai assim: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos, para que veja. E o SENHOR abriu os olhos do moço, e viu; e eis que o monte estava cheio de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu. (2Rs 6:17) O exército de anjos estava com Eliseu o tempo todo, mas o moço só os enxergou quando Deus lhe abrira os olhos.
 
Somos assim. Às vezes procuramos a felicidade em lugar tão distante, quando ela está bem perto de nós! Buscamos uma Maria inatingível, quando uma Joana de carne e ossos seria a resposta mais preciosa e perfeita para a nossa felicidade! Queremos tanto aquele emprego, quando a oportunidade ao lado seria a mais ideal. Achamos que a solução é uma, mas pode ser outra. Os nossos olhos contemplam muita coisa: a rua, as casas, as pessoas. Só não olham para o espetáculo natural de uma alameda florida, que, à ordem divina, resolveram florir juntas, colorindo a rua de beleza e de ternura! "Você não viu quanta beleza?" "Viu o que?" "As árvores a florir!" "Nem percebi". E a vida segue, de alameda em alameda, e só nos recordamos de asfalto e trânsito, da pressa e dos problemas; nunca das belezas do caminho. Precisamos pedir a Deus para que abra os nossos olhos. Como diz o velho hino:
 
"ABRE-ME OS OLHOS PARA VER
ALGO DE BOM  QUE TENS PRA MIM
PÔE-ME NAS MÃOS AQUELE PODER
QUE ME DESATE E SOLTE, ENFIM!
 
QUERO SILENTE, SIM, FICAR,
'TÉ MEU SENHOR A MIM FALAR.
ABRE-ME OS OLHOS, DÁ-ME LUZ,
MEU BOM JESUS!"
(desconheço o autor, gravado por diversos cantores e quartetos).
 
Para terminar:
 
1) Peça a Deus para lhe abrir os olhos. Olhe a mulher na frente do fogão, como serve com amor e zelo e dê graças! Olhe para quem lava e passa as suas roupas, limpa a sua casa, cuida de seu jardim e dê graças! Olhe para a mãe de seus filhos, para o pai de suas crianças, para os pais que lhe criaram, e dê graças! Olhe para o seu pastor que semanalmentle provê o pão dos céus para a sua alma e dê graças! Olhe para o guarda noturno que apita durante a noite em seu quarteirão, para quem varre a sua calçada, para quem dirige o ônibus que lhe conduz e dê graças! Olhe para as árvores e para a vida. Cada qual faz algo especial, independente de seus olhos. Olhar para elas é uma decisão sua.
 
2) Faça a sua parte. A árvore, quietinha, segue o seu caminho sem pensar na política, na idade, na poluição, na tempestade ou se alguém a contemplará. Ela vive e fica florida na época certa. Ela cumpre o seu papel. Assim também temos uma missão, uma tarefa, um propósito. Que não esperemos público ou auditório; que não contemos com admiradores. Que tenhamos convicção do que temos que fazer, e que venhamos a fazer da melhor forma. Deus sempre vê e poderá dizer: "viu Deus que era bom". E às vezes alguém como eu, de repente, descobrirá aquilo de bom que está a fazer e dará graças também.  Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus. (Mt 5:16)
 
Floresçamos e admiremos as árvores floridas!
 
Wagner Antonio de Araújo

13/07/2017

quinta-feira, 12 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 13 - IDOSO SEREI ...


13 - IDOSO
SEREI...

 
 
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Vou contar-lhes uma história.
 
Chamá-la-ei de Virgínia. Ela existiu de fato. Conheci-a quando criança. Eu tinha seis anos de idade. Morava numa casa construída acima de um grande escadão. Lembro-me como se fosse hoje. Na lavanderia de meu lar contemplava estático uma mulher batendo num idoso, gritando com ele e xingando-o. Muita gente na rua protestava, mas ninguém fazia nada para livrar o velho de suas mãos. Soube, posteriormente, que ele era o seu próprio pai.
 
O tempo passou. Muito tempo. Tomei conhecimento de que o idoso durou pouco diante de tanto sofrimento. Virgínia tornou-se também idosa. Converteu-se a Cristo, mas não tocava no assunto. Um dia eu falei com ela. Assustada, desconversou e nunca mais falou no caso. Já cansada e sobrecarregada pela idade e pelas enfermidades, foi morar com um filho. A nora, por sua vez, era rude com ela e suspeitamos que até violência física praticava contra a velhinha. Soube recentemente que terminou os dias num asilo, esquecida. Graças a Deus que convertida a Cristo. Convertida, mas amargando uma consequência trágica do mau trato para com o seu pai.
 
A Palavra de Deus assim ensina: Não erreis: Deus não se deixa escarnecer; porque tudo o que o homem semear, isso também ceifará. (Gl 6:7). Mas quem fizer agravo receberá o agravo que fizer; pois não há acepção de pessoas (Cl 3:25). Uma realidade bíblica. Saulo de Tarso, fariseu e duríssimo perseguidor de crentes foi convertido a Jesus na estrada de Damasco. Cego, ficou três dias recolhido. Deus tocou em Ananias para por ele orar. Ananias temeu e justificou-se: tratava-se de um crápula. Deus lhe diz: E eu lhe mostrarei quanto deve padecer pelo meu nome. (At 9:16). Paulo foi salvo, mas sofreu grandemente.
 
Há idosos que dependem de nós. Alguns fizeram jus ao bom trato; outros, infelizmente, foram ruins quando com menor idade. Não importa: devemos cuidar bem, e muito bem, de nossos idosos! Diante das cãs te levantarás, e honrarás a face do ancião; e temerás o teu Deus. Eu sou o SENHOR. (Lv 19:32). Deus ORDENA que tratemos bem aos idosos. E o que é tratar bem aos velhos?
 
Tratar bem é cuidar deles. Alguns precisam de pouco, talvez afeto e carinho, atenção e companhia. Outros, contudo, precisam de cuidadores, de remédios, de ajuda financeira e residencial. Não importa o tamanho do investimento: é muito pouco pelo muito que Cristo fez por nós. Ele nos ordenou que fôssemos amorosos e zeladores. Jesus também era filho. Estava a morrer na cruz e sua mãe ficaria desassistida; não confiava nos seus  irmãos mais novos; assim, no alto do Calvário, tomou providências para que Maria não fosse desamparada. Nomeou João, Apóstolo, para recebê-la e tratá-la como mãe. Que belo gesto de amor e carinho! Quantos filhos sequer suprem os seus pais de companhia; o que se dirá de cuidados!
 
Tratar bem é não desvalorizá-los. Os idosos já perderam todos os amigos, todos os contemporâneos. O mundo em que vivem não é mais o de origem. Muitas vezes, num encontro social, ficam sozinhos, sentados, ou olhando para uma tv, esquecidos das pessoas ao redor. Netos só os saúdam (quando o fazem) e os tratam como restos de um passado que não conheceram. Filhos zelam deles como se fossem um peso, um estorvo, um tormento, algo que atrapalha a vida, um obstáculo à utilização integral do patrimônio que deixarão. Assim diz a bíblia: Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. (1Tm 5:8)
 
Tratar bem é dar-lhes esperança. Não são raros os idosos que adoecem quando se aposentam. Os homens gastam o tempo com os amigos a jogar dominó, a falar mal do governo ou a tomar sol na rua. As mulheres a tomar remédios ou a assistir TV. Eles sentem-se despidos do que foram. Alguns foram excelentes profissionais, com inteligência avantajada. Muitos contribuiram para o progresso e o bem estar. Vários construíram o patrimônio hoje usufruído pelos filhos e netos. E agora tratam-nos como restos. Que tristeza ver as bibliotecas dos que se vão irem para o lixo como material reciclado! Eles têm valor! Eles têm história! Eles têm muito a contribuir, ainda que seja apenas contando aos mais jovens! Eles precisam ser preservados e aproveitados!
 
Tratar bem é apresentar-lhes Jesus Cristo e a vida eterna. O confronto com o fim é evidente: eles morrerão. Ainda que a idade cronológica não seja a fila, pois muitos jovens e crianças vão antes; mas o idoso sabe que vai morrer. Ele precisa conhecer a Jesus, o plano de salvação, o sacrifício do Cordeiro de Deus e a libertação dos pecados. Ele precisa ouvir sobre a ressurreição, sobre a vida eterna, sobre um novo corpo e uma vida que nunca acaba. Amar o idoso é prover para ele a orientação certa para uma travessia bem sucedida. Há tantos projetos de evangelização de índios, de crianças, de toxicômanos; bom seria que se fizesse um plano de apresentar Cristo ao idoso, de forma pessoal e particular.
 
O meu leitor será idoso também. Este que agora escreve já foi criança, foi adolescente e jovem. Já foi adulto e agora vê a cabeça a embranquecer como algodão e a barba cor de neve. Logo a idade mostrará a sua chancela. Todos envelhecemos. Enquanto isso não acontece, busquemos dar aos nossos idosos a atenção, o amor, o carinho e os cuidados espirituais de que eles tanto necessitam. Isto é grato diante de Deus e produz bênçãos para nós mesmos. Sabendo que cada um receberá do Senhor todo o bem que fizer, seja servo, seja livre. (Ef 6:8)
 
No ministério pastoral os obreiros velhos não podem ser vistos como restos de um tempo que já se foi, como quadrados e atrasados. Pelo contrário, são as colunas sobre as quais mantemos as nossas edificações erguidas. Dou graças ao meu Deus por Timofei Diacov, Josué Nunes de Lima, Rivas Bretones, Oswaldo de Miranda, Plínio Moreira da Silva, Luiz de Carvalho, cantor e pastores idosos com quem tanto pude aprender e a quem busquei dar a atenção e o afeto devidos. Eles são jóias do Senhor, emprobreceram a Terra com a sua morte, mas enriqueceram o céu e o meu tesouro de valores, guardado no coração, que tanto contribuiu para a minha formação.
 
Ame o idoso e lembre-se: se Jesus não voltar antes e se você não morrer antes, também será um idoso. Deus se lembrará de como você tratou os seus.
 
Wagner Antonio de Araújo

12/07/2018

terça-feira, 10 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 12 - OS AMIGOS


12 - OS
AMIGOS
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Carlos André fora um executivo de grande sucesso numa empresa de comunicações. Seu nome era sinônimo de audiência, credibilidade, excelência. As suas linhas telefônicas tocavam o tempo todo. A sua caixa de e-mails era lotada. Com o surgimento dos celulares android, também era farta a comunicação por aplicativos. Poderia se dizer que era um homem muito bem situado.

A empresa onde trabalhava enfrentou a turbulência do mercado financeiro e das grandes concorrências. Ao cortarem gastos, cortaram-no também do quadro de funcionários. Carlos André perdeu o emprego. Com o emprego também acabou a sua popularidade. O telefone emudeceu; a caixa de e-mails esvaziou-se. Os aplicativos deixaram de acusar a presença dos amigos de sempre. Foi então que me procurou. Encontrei-o numa loja de conveniências de um posto de gasolina. Conversamos e oramos. Ele não estava em má situação; pelo contrário, como era organizado nos gastos, apenas aguardava que uma outra empresa o chamasse, o que poderia demorar diante da crise. Mas estava perplexo com o desaparecimento dos amigos.

- Pastor, é impressionante o silêncio dos colegas e amigos! Até ontem eu era popular, recebia mensagens, era convidado para encontros e reuniões. Eles simplesmente sumiram!

- Carlos André, eu conheço bem esse comportamento. As pessoas são amigas de sua posição, de sua influência, de seu cargo. Olhe para os políticos. Você se lembra de algum que deixou o cargo? Acredito que não. Ele foi esquecido. E os jogadores de futebol? Basta deixarem um time importante, terem os salários diminuídos, que são logos deixados de lado pelos comentaristas e pela mídia especializada. Você, como comunicador, sabe que os que faziam programas de tv e saíram, não são mais lembrados. Apenas quando alguém resolve fazer um quadro do "por onde anda fulano" é que deles se lembram, e para tratá-lo como um pobre coitado, não é mesmo?

- Mas não devia ser assim, pastor! Eu nunca tratei ninguém pela posição que tinha, pelo valor da conta corrente ou pela influência! Por isso sinto falta destes amigos! Não é justo que me desconsiderem assim!

- Caro irmão, as pessoas são assim mesmo. O filho pródigo tinha amigos enquanto o dinheiro era abundante. Ao fim dos recursos sumiram os amigos. Ao voltar para casa teve festança. Lembra-se de Davi, quando teve o trono usurpado pelo filho Absalão? Imediatamente foi trocado pelos amigos, não todos. Mas recuperou o o poder e os amigos reapareceram. O mundo é assim: "rei morto, rei posto", não importa quem seja.

- Mas isso é errado, pastor!

- Claro que é, meu irmão! Muito errado. É um insulto silente! Mas precisamos conviver com isso. Lembra-se do Senhor Jesus Cristo, ovacionado pelo público no chamado Domingo de Ramos? Foi preso na sexta-feira chamada Da Paixão e até os seus apóstolos o abandonaram! E o que foi que Ele fez com eles?

- Bem, eu acho que perdoou-os, estou certo?

- Sim, meu irmão. Ele os perdoou, ainda que não tenha ficado feliz com aquilo. E sabe o que mais? Ele tinha o suficiente com o Seu Pai; por isso não dependia do suprimento dos supostos discípulos. Nós, infelizmente, passamos a depender dos outros para sentir felicidade. Quando os amigos minguam, parece-nos que o mundo acaba. Mas não é assim. Lembre-se do que Jesus disse: Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo. (Jo 16:32)

- Valeu, pastor! O Pai está comigo também, e isto me basta! Pode ter certeza de que o senhor será o primeiro a saber sobre a minha recolocação, ok? Continue a orar por mim!

Despedimo-nos. Saí convencido de que ele compreendera o que lhe falei. De fato a sua recolocação não demorou muito. E, no dia seguinte ao novo contrato, ele me ligou:

- Pastor, fui recolocado! Estarei na diretoria de outra emissora de comunicação!

- Meus parabéns, Carlos André!

- E tem mais, pastor! Aquela nossa conversa foi didática! Assim que eu comuniquei o meu reingresso, a minha caixa de e-mails lotou com mensagens dos amigos que haviam desaparecido! Eles vieram me saudar. Mas, cá pra nós, acho que vieram saudar o cargo!

Eu ri e disse:

- Aproveite o regresso, meu irmão. E não se estribe mais na fragilidade de amigos sujeitos às suas próprias limitações; estribe-se no Senhor Jesus, que nunca nos decepciona e jamais nos abandona!

- Pode deixar, pastor! Estou vacinado! Fico feliz com os amigos, mas sei que o verdadeiro valor está no Senhor Jesus! E também naqueles amigos que não sumiram enquanto estive desempregado! Tem uns poucos que merecem mais de mim. Obrigado, pastor, pela atenção!

(ficcional)

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Leitor caríssimo, não confie em sua popularidade, em sua fama, em seu dinheiro ou em sua saúde. Não confie em suas enormes redes sociais. Tudo isso passa e, quando passar, as pessoas lhe esquecerão também. Para não frustrar-se e não construir a casa de sua vida sobre a areia movediça dos interesses, confie em Jesus Cristo, Senhor e Salvador, que não nos valoriza pelo que temos (nada temos diante dEle!), mas por quem somos (Seus escolhidos, amados e salvos por seu precioso sangue!). Trate os amigos com amor, com ternura, mas também com absoluta consciência de que "O homem de muitos amigos deve mostrar-se amigável, mas há um amigo mais chegado do que um irmão". (Pv 18:24) Selecione alguns especiais, aqueles que ficam quando todos os outros vão embora. E invista nestes relacionamentos. Aos demais, seja bom e dê de si e a si, mas sabendo que  "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17:9)

Agradeço a Deus pelos verdadeiros amigos que tenho, que estão comigo em todos os momentos. E agradeço por aqueles que não estão o tempo todo. Que eu seja uma bênção para todos. Por Jesus, o meu melhor, maior e único COMPLETO AMIGO, o único que seguirá ao meu lado onde ninguém mais seguirá, para o além! Amém!

Wagner Antonio de Araújo

10/07/2018

sexta-feira, 6 de julho de 2018

FLORESCENDO NO DESERTO - 11 - PRIMEIRO MINISTÉRIO


11 - PRIMEIRO
MINISTÉRIO


685
Ministério é serviço, trabalho, estar ao dispor de. Ministério cristão é serviço por Cristo e, por Ele, servir ao próximo, ao Reino, ao evangelho. Há também os ministros cristãos, os que lidam com a pregação do evangelho e dos cuidados para com as igrejas do Senhor. O meu propósito é refletir sobre as prioridades no serviço a Deus.


O meu primeiro ministério está em casa, não fora dela. É onde eu moro que devo dar um bom testemunho. Não se trata de colocar a família em primeiro lugar. Para o crente só há um primeiro lugar: Deus. E, por causa dEle, tratar a família com todo o cuidado com que deve ser tratada. A única exceção é se a família deseja impor o pecado sobre a nossa vida. Então a prioridade será obedecer a Deus. Nas outras questões, contudo,  a família deve contar com o meu amor, a minha presença, o meu serviço, os meus cuidados.



Antes de ser pai dos outros, tenho que ser pai dos meus filhos. Não adiantará ser bom para com os filhos dos outros e mau para com os meus. Não adiantará ter fama de bom sujeito lá fora e de rude ou fraco em casa. Se os meus filhos não virem em mim o homem que Deus quer que eu seja, eu falharei em toda parte. Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. (1Tm 5:8)



Antes de ser conselheiro de outros casais devo cuidar do meu próprio matrimônio. Pode ser bonito falar de amor e realizar lindos encontros com várias famílias. Mas se eu falhar como marido em casa, falharei em toda parte. Deve a minha esposa encontrar em mim um homem de caráter, de valores, de princípios, de honestidade, de temperamento controlado pelo Espírito Santo. Ela deve ver em mim um homem que celebra as alegrias, que chora as tristezas e que em tudo busca o controle do Senhor, não sendo pessoa de extremos. Um homem segundo o coração de Deus deve gerar estabilidade familiar. Pois comerás do trabalho das tuas mãos; feliz serás, e te irá bem. (Sl 128:2)



Ao invés de focar todo o interesse em missões em campos longínquos devo ter também amor pelas almas ao meu redor, dos que convivem comigo, dos que são meus vizinhos, meus colegas, meus liderados ou líderes. Se eu falhar no meu testemunho para com os que estão próximos, de quase nada adiantará chorar em cultos missionários, forrar os envelopes para ofertas missionárias. Deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. (Mt 23:23). Paixão pelas almas é um modo de vida, não um programa de calendário. Quem ama missões não perde a oportunidade de semear bíblias, literaturas, falar da fé, compartilhar o testemunho, visitar os órfãos e as viúvas nas necessidades e guardar-se íntegro neste mundo tenebroso. Um autêntico apaixonado por missões é como o semeador: por onde passa deixa um rastro de sementes.
Ouvi: Eis que saiu o semeador a semear. (Mc 4:3).



Antes de ser um intercessor público pelos outros devo conhecer a Deus em particular. Se eu não for um homem com calos nos joelhos e de olhos molhados, marejados pelas lágrimas derramadas em súplicas, as minhas orações públicas serão tão lindas quanto os discursos dos políticos mentirosos: autênticos monumentos à hipocrisia. Orarei bonito, mas não será oração de fato. Vale mais uma oração silenciosa, uma mão ao peito e um lamento por ser tão pecador e não ser exatamente o que Deus queria que fosse, com arrependimento, do que gabar-se de ser famoso pelas súplicas populares. O homem que ora deve ser verdadeiro, deve entrar no Santo dos Santos pelo sangue do Cordeiro de Deus. Deve orar em nome de Jesus, no poder do Espírito Santo, ao Pai celestial. Aliás, uma relação ousada, encarada com temor e temor: chamar a Deus de PAPAI (só a comunhão e a intimidade podem produzir essa verdade!). Mas recebestes o Espírito de adoção de filhos, pelo qual clamamos: Aba, Pai. (Rm 8:15)



Por fim, o meu primeiro ministério é com quem me conhece de fato, não com quem me vê de vez em quando. Ministro nos bastidores, antes de o  ser nos palcos.  E se eu falhar no privado, terei sido um blefe no público. Poderei contar com milhões de adeptos, mas não contarei com a concordância celestial; não haverá anjos que dirão "Amém!", nem contarei com a bênção de Jesus. Para Ele é mais importante ser do que mostrar. Para Ele é mais importante que minha esposa, pai, mãe, filhos, netos, vizinhos ou parentes vejam Cristo em mim, do que fingir aos estranhos. Quem ignora a voz do testemunho pessoal terá que ouvir a antiga frase: "quem te conhece que te compre...".  Talvez seja por isso que uma enormidade de gente abandona a fé; porque não viu coerência em quem deveria ter vivido conforme o que alegava crer. E disse aos discípulos: É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! (Lc 17:1)
Tenho uma filha com quase três anos e um filho com um ano e um mês. Tenho esposa, irmã adotiva e familiares. Se eles não enxegarem Cristo em mim, no meu comportamento, no meu amor, na minha dedicação, nos meus cuidados, na minha honestidade, no meu caráter e na sinceridade de minha fé, terei sido um grande blefe e a minha fé não terá valido nada. Por isso digo a mim mesmo: "tenho que viver o que prego!"



Peço a Deus para ajudar-me a não ignorar o meu primeiro ministério: servir a Cristo, ser pai gentil e marido honrado, ter paixão pelas almas perdidas, tanto as que estão perto quanto pelas que estão longe, ser semeador do evangelho com pensamentos, ações e atitudes e ter intimidade com Cristo em oração privada e pública.



Que Deus me ajude. E que ajude a você, caro leitor, a desejar o mesmo.


Amém.



Wagner Antonio de Araújo
06/07/2018