sábado, 4 de abril de 2020

memórias literárias - 866 - A PRODUÇÃO DA PACIÊNCIA

A PRODUÇÃO
DA PACIÊNCIA

 
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciência, e a paciência a experiência, e a experiência a esperança. (Rm 5:3-4)
 
Richard Wurmbrand, um pastor-mártir, fundador da VOZ DOS MÁRTIRES, esteve enjaulado por anos sem luz, sem espaço e com um horrível ruído de água a pingar. Segundo ele, houve um tempo em que ou enlouquecia ou fazia amizade com aquele ruído, transformando-o em algo imperceptível. Assim, ele aprendeu a conviver com o incômodo.
 
A paciência é suportar algo sem reclamar, aguentar o sofrimento, a dor, a saudade, o desconforto, e ainda ser senhor de sua racionalidade e de suas próprias emoções. Os anglo-saxões lidam melhor com a questão do autocontrole emocional do que os latinos. Independente de nossa origem, a paciência segundo Deus está acima de nossa tendência étnica. Há pessoas que expressam pouca emoção por fora, mas explodem em úlceras por dentro.
 
A paciência segundo Deus é um aprendizado. E um aprendizado longo e difícil. O caminho da paciência é pedregoso, cheio de crateras, difícil de seguir e repleto de surpresas. Mas o seu destino é a maturidade espiritual. O texto bíblico citado diz que quem atravessa tribulações debaixo da graça de Deus aprende a ter paciência. E quem adquire a paciência enche-se de experiência.
 
Como é bom falar com quem já experimentou sofrimentos! Como é bom estar ao lado de quem já enfrentou dificuldades! Quando fiz a cirurgia para a retirada de um tumor (hidrocistoma) foi bom ouvir quem já havia passado pela faca e atingira a superação da dificuldade! Quando fiz meus exames escolares foi bom conversar com quem já era formado e que já conhecia o caminho das provas. Quando iniciei o meu pastorado foi bom ouvir pastores veteranos, cuja paciência produziu vasta experiência e poderia trazer-me esperança. Sim, a experiência gera a esperança.
 
Esperança de quê? Esperança de dias melhores. Esperança de vitória e brilho do sol. Esperança de superação. Alguém, em alto mar, com um navio à deriva, varrido por ondas avassaladoras, sem comunicação e sem rumo, pode perder a razão e deixar que o infortúnio ceife a sua vida. Mas alguém no mesmo barco, experiente, que já enfrentou todas as marés e já viu inúmeras tempestadas, pode tranquilizar os companheiros e dizer: "isso vai passar; logo nos acharão!". Alguém assim nutre a esperança e a esperança nutrida não traz confusão.
 
Estamos todos confinados. Avós só vêem netos pelo celular. Pais não podem ganhar o pão e precisam confiar que haverá mundo após a pandemia. Agentes de saúde enfrentam o inimigo e se questionam se vale a pena. Policiais, bombeiros, eletricistas, motoristas e tantos outros não podem deixar o trabalho e precisam confiar na proteção divina e nos cuidados da higiene. Como conseguir aguentar?
 
É preciso pedir a Deus paciência. É preciso estimular e regar as mudas da gratidão em nossos corações. "Trarei à memória o que me pode dar esperança" (Lamentações 3.21). Buscarei ser grato, mesmo num ambiente esgotado de convívio forçado e espaço diminuto. Há muitos que sofrem muito mais do que nós. Há muitos que estão na rua! Serei grato pela comida repetitiva e pela sobremesa rotineira, agradecerei mesmo não podendo gastar em churrascos ou comidas caras. Serei grato!
 
E farei do desconforto que tenho (dores no corpo, falta de privacidade, isolamento social, medo da enfermidade, falta de atividade profissional) uma oportunidade para investir no eterno e transcendente, sabendo que o temporal e momentâneo são tão pequenos e mutantes. Até ontem ia aos shopings, aos parques, ao turismo e à igreja, e hoje nada disso está disponível. Se a minha vida for construída sobre valores eternos então o que é temporário encontrará o seu lugar. Foi o que Paulo afirmou quando passou necessidades e depois teve o suprimento:  porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. (Fp 4:11)
 
Encerro esta reflexão com a letra escrita pelo oficial sueco do Exército da Salvação, AUGUST LUDVIG STORM, que, conquanto tenha sofrido uma paralisia na coluna aos 37 anos, invadido diuturnamente pela dor física, ainda tinha paciência e graça para compor, cantar e pregar! Eis suas palavras, belamente traduzidas por Alice Östergreen Deniszczuk, imortalizada em áudio pelo Pr. Feliciano Amaral:
 
1. Graças dou por esta vida, pelo bem que revelou.
Graças dou pelo futuro e por tudo que passou.
Pelas bênçãos derramadas, pela dor, pela aflição,
pelas graças reveladas, graças dou pelo perdão.

2. Graças pelo azul celeste e por nuvens que há também,
pelas rosas no caminho e os espinhos que elas têm;
pela escuridão da noite, pela estrela que brilhou,
pela prece respondida e a esperança que falhou.

3. Pela cruz e sofrimento e pela ressurreição,
pelo amor que é sem medida, pela paz no coração;
pela lágrima vertida e o consolo que é sem par,
pelo dom da eterna vida sempre graças hei de dar.
 

Wagner Antonio de Araújo

quinta-feira, 2 de abril de 2020

memórias literárias - 865 - PALÁCIOS OU CASEBRES

PALÁCIOS
OU
CASEBRES
 
865

Alguns homens são palácios; outros, casebres.
 
Casebres existem aos montes; palácios não.
 
Palácios são construídos para durar, para governar, para enaltecer, para dignificar. Sua robustez, sua estrutura, sua beleza, sua segurança encantam e valorizam um reino.
 
Casebres são feitos ao deus-dará, com as sobras do que se achou e para durar apenas por uma temporada, por um instante. São descartáveis e sem posteridade; não passam de poeira que vagueia pelos séculos.
 
Palácios são moradas dos nobres, dos reis, dos soberanos, dos que têm genealogia e tradição. Seus salões, suas salas, suas cozinhas e dormitórios são dignas das mais altas e dignas sociedades.
 
Já os casebres quando muito acumulam gente, ratos, goteiras, sujeira e temporaneidade. Seus habitantes dariam tudo para sairem de seus alojamentos rumo a algo mais digno. Basta uma tempestade mais forte e suas tábuas e telhados se vão ao sabor dos vendavais.
 
Os palácios não. Eles foram feitos para suportar as intempéries e desastres, as investidas da chuva, dos ventos, das saraivas e dos raios. Além disso, possuem fortalezas de proteção, muralhas construídas ao seu redor, protegendo-os dos inimigos. E em seus cantos superiores há as torres de vigia, que constantemente verificam o que se passa.
 
Na verdade palácios e casebres são apenas analogia ao tema do que falo. Não falo de construções de pedra, cimento, madeira ou palha. Falo de homens, mulheres, seres humanos, pais, mães, trabalhadores, políticos, gente de toda espécie e de toda classe social. Há palácios na pobreza, bem como casebres entre os poderosos.
 
Um homem-palácio é uma pessoa nobre, de bom coração, de alma elevada e de valores imortais. Para ele a palavra vale tanto quanto o próprio nome. Dizer a verdade, ter lealdade, jamais contradizer-se e manter os compromissos são tesouros de sua alma.
 
Já o homem- casebre não tem nada disso, ainda que more no mais alto palácio de pedra, que ocupe a cadeira mais poderosa de um povo ou que tenha mais poderes na mão do que todos os súditos de seu império. A sua alma é um casebre. Quando abre a boca não fala como os nobres, mas como um plebeu. Quando assume um compromisso não tarda a quebrá-lo, de acordo com as vantagens que tiver. Para ele pessoas são como as peças de seu casebre: trocam-se quando se quebram, vende-se quando se vê bom negócio.
 
Os filhos dos homens-palácio têm tradição, têm educação, têm respeito para com o próximo e procuram acrescentar valores na construção das memórias de sua linhagem. Para eles um bom caráter vale mais do que um bom negócio. Assim, na educação de seus filhos procuram dar o exemplo, mostrar como se faz a coisa certa, investir naquilo que não esfarela com o tempo. Os homens-palácio deixam memórias. Os homens-casebre deixam alívio aos que ficam.
 
Que tipo de homem tenho sido? Um homem-palácio, que possui a beleza, a imponência e a importância de um palácio secular, cujo exemplo, a luta, o amor, a abnegação, a sabedoria serão tesouros para os que me sucederem ou serei um homem-casebre, que só pensa no pão de hoje, no benefício do agora, independente dos valores que viverei? O que deixarei na memória dos que me conhecem?
 
Palácios têm história. Homens-palácio têm biografia. Assim como um palácio levou décadas para ser construído e séculos para montar a sua história, um homem-palácio vive a vida com a dignidade de um rei, buscando o trabalho digno, a educação e o esmero, o falar educado e construtivo, o comportamento honesto e corajoso. O homem casebre não se importa com a herança que deixa, com o mau exemplo que constrói ou com o dissabor que provoca. Seu deus é o próprio ventre e seu destino é a terra por baixo de seus pés. Homens-palácio duram para sempre. Homens-casebre não passam de uma geração.
 
Por fim homens-palácio possuem o princípio da sabedoria: o temor do Senhor. Para eles temer a Deus, amá-lo e amar ao próximo sintetiza os valores de suas vidas. Para eles Jesus Cristo é mestre, senhor, autoridade, modelo e meta. Já para os homens-casebre a sabedoria está em juntar bens, ter vantagem em tudo, passar a perna no próximo e tornar-se notório como próspero. Pobre casebre, se não queimar o próprio dinheiro com suas doenças ou a idade deixará tudo para que o filho ou o neto dê fim. E acabou-se a história de um casebre.
 
Caro leitor, somos palácios ou somos casebre?
 
Que respondamos com sinceridade enquanto nos miramos no espelho de nosso coração.
 
Que Deus me ajude a ser palácio.
 

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 864 - O ANJO DA MORTE

O ANJO
DA
MORTE

864
 
Uma longa análise da situação
que vivemos em 2020.
Leia quando puder, se desejar.
 
O Anjo da Morte trafega livremente pelo mundo, indiferente a qualquer barreira, sistema político, etnia, temperatura ou religião. Diferentemente de sua caminhada pelo Egito, quando ceifou a vida dos primogênitos pagãos e poupou a vida dos hebreus com sangue nas ombreiras das portas, desta vez nada impede a sua foice mortífera. Talvez esteja mais parecido com a atuação que teve junto ao exército dos assírios, numa das inúmeras batalhas que estes travaram contra Judá, onde cento e oitenta e cinco mil pessoas caíram de uma só vez. Ou quando, na ira do Senhor, acendeu-se em disciplina no arraial hebreu, dizimando ora vinte  e três mil, ora outros tantos, colocando ordem no coração insensato do povo.
 
Surpreso, meu caro leitor? Alguns sim, principalmente dos que criam na Palavra de Deus como um compêndio de mero amor ao próximo, de conivência e de fomento da paz entre a humanidade. Um amor passivo de um deus sem poder, sem justiça, sem protagonismo, um amor que é mais uma tolerância ao incômodo conceito primitivo de um deus existente do que a consciência de que há um soberano sobre todas as coisas. Bill Gaither escreveu uma canção nos anos 70, que dizia: "O mercado está vazio, seu trabalho já parou; o martelo dos obreiros seu barulho já cessou; os ceifeiros lá no campo terminaram seu labor; toda a Terra está em suspense, é a volta do Senhor!" É incrível como isto tornou-se real, presente e quase completamente cumprido diante de nossos olhos!
 
Sem entrarmos nos detalhes do que é esse virus, se foi um teste mal feito num laboratório chinês ou fruto do manuseio inadequado de animais que não deveriam servir de alimento, ou se é uma arma biológica para que a China conquiste comercialmente todo o planeta, ou uma arma dos Iluminatti para deter o aumento dos habitantes do planeta, ou uma seleção artificial dos mais fortes e do descarte dos mais fracos, a verdade é que há um inimigo invisível, silencioso, horrendo, misterioso, que penetra em cada povoado, em cada país, em cada continente, e ceifa a vida de todos, senão com a doença letal, com o fim da rotina e do funcionamento de tudo. Por onde ele passa não há economia que resista. As reservas dos países se foram. A riqueza dos grandes está derretento. Por maiores que sejam as fortunas dos poderosos, não são capazes de convencer o inimigo a fazer negócio com eles: a morte chega, a falência avassala, a falta de mercado sufoca a prosperidade.
 
Bem-vindos ao Apocalipse, prezados leitores! Não estamos mais teorizando, pregando para auditórios interessados em assuntos escatológicos ou para platéias incrédulas. Estamos a viver o Apocalipse em nossa geração. Textos inúmeros que preconizavam o corte do sustento do trigo e da cevada, que diziam que um terço da humanidade foi ceifada, que um terço das embarcações acabou, que os demônios saíam pela Terra a aterrorizar os homens que não davam glória a Deus, está aí, numa estréia terrível, diante dos nossos olhos, cumprindo tudo o que lemos ou, talvez seja mais certo assim pensar, dando uma idéia gigantesca do que será no momento exato quando o Apocalipse cumprir-se. Estamos vendo uma Grande Tribulação. Seria a citada na Bíblia? Se for (e já não digo que não!), o ARREBATAMENTO está prestes a acontecer. Sim, leitores, Jesus está às portas e voltará! Se não for, então temos diante de nós um retrato menor do que será a humanidade nos terríveis dias do fim.
 
Eu olho para os meus três filhos. Vejo a Rute Cristina, minha princesa amada, inteligente, cheia de vida, alegria, sonhos de construir uma linda história, e temo pelo tempo que ela terá (ou não). Vejo o meu Josué Elias, um menino que deixará de ser bebê em poucos meses, saudável e alegre, cheio de vida e de entusiasmo, e penso no mundo que o aguarda. Eu olho a minha bebê Maria Isabele, que não teve nem o privilégio de ser apresentada ao Senhor na igreja, que não recebeu quase nenhuma visita (e nem pode), que nada entende nestes 35 dias de vida, e temo pelo seu tempo. E penso: Senhor, o que há de ser dos meus filhos? Eu já vivi 54 anos, mas eles nada viveram! Qual é o pai que não pensa nisso? Qual é a mãe que não teme pelos seus filhos?
 
Este vírus pode ser algo do tipo "gripe espanhola", uma peste gripal que ocorreu logo após a Primeira Guerra Mundial. Quinhentos milhões de pessoas foram infectadas e cinquenta milhões morreram por causa dela. As consequências foram terríveis. Mas ela passou e o mundo seguiu. Em 1929 a bolsa de valores quebrou e o dinheiro sumiu das mãos dos magnatas e de toda a população. Olhar empresários a buscarem sopão nas ruas era normal. Algo sem precedentes, a ruína de impérios, mas também a oportunidade de ouro para novos empreendedores. A Segunda Guerra Mundial destroçou a Europa e a Ásia. A situação foi tão grave e devastadora que um plano mundial injetou o dinheiro que restava na reconstrução das cidades e no sustento da população, até que a roda da economia andasse por conta própria. E de lá para cá, com alguns deslizes aqui e ali (como a grave crise do petróleo em 1973, a queda das Torres Gêmeas em 2001  ou a bolha imobiliária americana de 2008), o mundo não mais assistiu à devastação tão generalizada como a que estamos vendo hoje. E sem tiros, sem bombas, sem aviões, sem exércitos armados. Uma guerra absoluntamente silenciosa e passiva.
 
Por que Deus deixa que coisas ruins aconteçam no mundo? Por causa dos pecados da humanidade que Ele criou. Ele não a criou rebelde. Criou-a livre para escolher o seu destino, ainda que jamais tenha sido pego de surpresa ou tenha permitido alguma decisão contrária às suas determinações. Deus deu a liberdade condicionada às consequências das escolhas. E o homem, desde a sua criação, escolhe a rebeldia, escolhe o mal, escolhe o erro, escolhe virar as costas para Deus. Lembro-me do Carnaval deste ano. Os governos SABIAM de tudo o que estava para acontecer. Ainda assim, por não conseguirem deter a lascívia e a luxúria reinante no coração de seus cidadãos deixaram que o maldito festejo de Satanás cobrisse o Brasil e diversos países do mundo sem restrição de contatos. Aqui no Brasil zombaram de Jesus com o referendo de pastores batistas e religiosos de diversas vertentes. Igrejas evangélicas foram sambar sem pejo e sem temor nenhum de Deus. Construíram um deus segundo os seus próprios ditames. Voltamos aos tempos dos juízes de Israel, onde cada um fazia o que julgava direito. Além disso, à semelhança do sangue de Abel, o sangue dos abortados, derramado incansavelmente e sem tréguas em toda a parte, com o aval dos governos e das autoridades, clamou por juízo diante do Rei dos reis. A adoração de imagens de esculturas ou de entidades pagãs, a superstição e a feitiçaria, ensinada nos desenhos destinados às crianças e na cultura da juventude, trazendo uma geração cheia de tatuagens no corpo, piercings que lhes perfuram o corpo criado por Deus, também foi considerado. O sexo livre, o relacionamento torpe entre pessoas do mesmo gênero, o incesto e o adultério, já amplamente aceitos no seio das igrejas, também foi visto. Os testes laboratoriais na criação de armas biológicas e o aprisionamento de embriões nas geladeiras do mundo, seres que nem nascem e nem morrem, criados para satisfazer a tantos que não tinham filhos, também clamou. E o tempo do juízo é chegado.
 
Ao povo de Deus, aos que crêem em Jesus Cristo como salvador, resta dizer o seguinte: a nossa vida aqui é apenas para testemunhar do Salvador. Não temos raízes, não estamos em nosso lar, buscamos a Pátria Celestial. Se morrermos é para lá que iremos. Deus não poupou ao longo da história o seu povo do sofrimento de suas épocas diversas. Jesus Cristo afirmou: "no mundo tereis aflições". Há promessas de nos poupar da hora mais amarga que a humanidade enfrentará e por isso devemos estar atentos ao Arrebatamento que há de vir. Mas se morrermos, para o Senhor morreremos e o glorificaremos. E Ele nos promete a vida eterna e a gloriosa ressurreição. Os nossos filhos devem ser guiados nos caminhos do Senhor. Se não tiverem tino e razão ainda, o sangue de Jesus os valerá. Se tiverem, devem entregar-se a Cristo, pois não há outro caminho ou outra forma de ir ao Céu. Os idosos crentes devem confiar em Deus, cuja graça lhes alcançou, e aguardarem na misericórdia do Pai. Lembremo-nos que João, o evangelista, mesmo em época de grande perseguição, foi condenado à morte e sobreviveu, condenado à deportação em Patmos e sobreviveu, e ainda voltou ao exercício de seu pastorado aos cem anos de idade! Nada pode garantir que seja o fim; pode ser apenas um novo começo para um novo ministério a muitos dos nossos idosos!
 
Ao não-cristão eu digo: creia-me: Jesus Cristo está voltando! Deus é real, o Apocalipse é real e o Senhor ainda está lhe dando tempo para arrepender-se de seus pecados, crer em Jesus Cristo como seu salvador pessoal e receber o perdão e a salvação. Abandone a insensatez, abandone os ídolos e os deuses falsos, abandone os espíritos malignos e as entidades, corra para os braços de Jesus Cristo, que perdoam, acolhem e salvam! Somente os que se converterem ao Senhor Jesus Cristo terão a vida eterna. Entregue-se a Cristo!
 
Leitores, estamos juntos no mesmo barco em meio a tempestade. Lembremo-nos do cântico infantil: "Com Cristo no barco tudo vai muito bem!", ou o hino que afirma: "Já refulge a glória eterna de Jesus, o Rei dos reis; breve os reinos deste mundo seguirão as Suas leis".
 
Wagner Antonio de Araújo

 

domingo, 29 de março de 2020

memórias literárias - 863 - DEVER MENTAL

DEVER
MENTAL
 
863
 
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Fp 4:8)
 
Eu escolho aquilo em que desejo pensar. Ninguém pode dominar a minha mente. Contudo, pelo excesso de exposição às informações e deformações eletrônicas as pessoas estão se tornando verdadeiros zumbis, possessões de espíritos perturbadores de uma mídia sem limites. Abre-se um site e o mundo acabou. Abre-se outro e o governador briga com o presidente. Em um outro o presidente passeia tranquiliamente enquanto critica a quarentena. Já naquele do outro lado eu vejo caminhões em carreata para deixar corpos no cemitério. Que mundo é esse?
 
Bem-vindo ao mundo pré-apocalipse. Para surpresa de amilenistas e de cristãos que não criam nas profecias bíblicas estamos assistindo a um mundo parado diante de um inimigo invisível, um autêntico anjo da morte. Um vírus! Um único espécime natural ou criado em laboratório e o mundo parou! Até a previsão do tempo está com dificuldades de monitoramento pela falta de dispositivos aéreos que levavam informações!
 
E nós confinados em nossos viveiros! Alguns moram em quartos que alugam, sem espaço para nada. Uma cama, um guarda-roupa e um sanitário, nada mais! Outros, com esposa e fillhos, dividem a prole nos dois cômodos apertados no porão de uma residência simples. Outros estão nos asilos, nas cadeias, hospitais, hotéis, enfim, fechados, esperando por algo que não enxergam, ouvindo boatos, assistindo a vídeos que ora atacam e ora defendem este ou aquele procedimento. A impressão que se tem é que cada um de nós está com um joystick, aquele aparelho com o qual se joga um videogame, e tentamos levar os líderes para um lado e para outro, mas eles não vão, pois estão emperrados e a fazer coisas contraditórias e sem nexo. Nos sentimos a perder o jogo com a impressão de que somos nós que jogamos! Esta é a toxidade das mentes poluídas por tanta informação!
 
Eu mesmo iria fazer "lives", vídeos com mensagens,hinos e pregações. Mas quando vi tanta gente fazendo a mesma coisa, imbuída de inúmeros desejos, e tanta gente buscando o seu instante de glória, de fama, de likes, de prêmios nos canais; quando percebi que muitos oram para que os outros vejam e não para que Deus escute; quando percebi que muitos oportunistas se aproveitam da histeria coletiva para imprimir a sua marca que será explorada numa próxima eleição (se houver!), então decidi ficar quietinho no meu canto, até porque não estou a pastorear nenhuma igreja neste momento. O máximo que faço é corresponder-me pessoalmente com os meus contatos.
 
E decidi encher a minha mente com as coisas recomendadas pelo texto bíblico acima. Estou farto de ouvir gente encarcerada a bater panelas cada vez que o noticiário começa. Uns batem contra, outros a favor, e a maioria nem sabe porque bate panelas, apenas fazem barulho para ter algum movimento no marasmo do confinamento urbano. Não, a minha mente não é terminal de informática e eu não sou unidade de nenhum servidor que me comande. Eu fui libertado pelo poder da verdade e só a Cristo eu me submeto, inclusive no uso de minha mente!
 
Eu quero pensar em tudo o que é verdadeiro. E a Palavra de Deus é! "Santifica-os na verdade; a Tua Palavra é a verdade!" (João 17.17)
 
Eu quero pensar em tudo o que é honesto. Assim eu penso nas coisas que constróem, que permanecem e que não dependem de opiniões. Eu penso na vida, na saúde, no bem da família, nos meus familiares, amigos e irmãos em Cristo. Eu penso no que é real.
 
Eu quero pensar naquilo que é justo. É justo querer trabalhar, querer servir, querer ser útil, querer progredir, querer construir, querer viver. Assim, os pensamentos que evoco e com os quais quero ter contato são pensamentos promissores, pensamentos de um porvir melhor, seja quando esse confinamento terminar, seja quando o Senhor regressar ou me levar.
 
Eu quero pensar em tudo o que é puro. Eu não preciso de pornografia para me entreter. Eu não preciso de futilidades e programas de riso fácil para me tranquilizar. Eu não preciso de bebidas, cigarros ou drogas para me anestesiar. A vida de um cristão tende à pureza de pensamentos, de costumes, de palavras, de ideais, de pensamentos, de sentimentos. E eu peço ao Senhor para manter a minha alma e coração puros diante de tanta podridão pelo caminho!
 
Eu quero pensar no que é amável, no que expressa amor, no que realmente conforta. Por isso posso telefonar para as pessoas que me são caras, posso buscá-las à distância para saber como estão, posso ser amável com quem está confinado comigo, posso servir e buscar a felicidade de outrem, não a minha própria apenas. Eu posso ser uma bênção junto de quem está comigo.
 
Eu quero pensar no que é de boa fama, não nas coisas que são falsas, imorais, indecentes, malignas. A boa fama é saúde para os ossos, é alegria para o coração. Essa boa fama é buscar um pensar de qualidade, de coisas construtivas, de conhecimento, de cultura, de crescimento. Dou graças a Deus pela farta biblioteca de livros antigos que possuo. São um tesouro para mim. Dou graças a Deus pelos hinos cristãos clássicos que rodo para todos em minha rádio e que ouço diuturnamente em meu celular. São coisas que enriquecem.
 
Eu quero pensar na virtude, na força de vontade, no desejo de vencer, na alegria de planejar para dias melhores. A vitória existe quando é antecedida pela idéia de vitória dentro do coração. Quem entra na quadra temendo a derrota já perdeu. Quem sai a vender pensando no fiasco das vendas já faliu. Quem pensa na crise e não na oportunidade que virá já perdeu. Portanto, quero ter pensamentos de virtude. Quero pensar na honradez, na decência, na ordem, no progresso, no respeito aos mais velhos, no cuidado para com o próximo e na bênção de poder ser útil para alguém.
 
Eu quero pensar nas coisas pelas quais possa tirar o chapéu, possa aplaudir, possa usar como exemplo. Evoco as lembranças do meu velho pai, homem honrado e trabalhador. Penso em mamãe, a maior e melhor crente que jamais conheci. Penso no Pr. Timofei Diacov, que me evangelizou, no Pr. Josué Nunes de Lima, que me aconselhou, no irmão Sebastião Emerich, que me mostrou o que é ser mestre segundo Deus. Quero pensar nas coisas que merecem ser lembradas como exemplo a ser seguido. Eu quero ser um exemplo assim, vivendo de forma ilustre e comprometida.
 
Eu quero pensar nestas coisas. E conclamo aos meus leitores que o façam também. Os primeiros beneficiados seremos nós mesmos. E depois os que conosco convivem.
 
Que Deus nos abençoe.
 
Wagner Antonio de Araújo.

 

sábado, 28 de março de 2020

memórias literárias - 862 - CABE A MIM

CABE
A MIM
862
 
 
Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento de outra parte sairá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino? (Et 4:14)
 
Confessai as vossas culpas uns aos outros, e orai uns pelos outros, para que sareis. A oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. (Tg 5:16)
 
Cabe a mim orar pelos meus filhos. Não sou um espectador da vida deles, eu sou um protagonista! E não há protagonismo maior nesta vida do que apresentá-los diante do Senhor Deus através da oração. Eles precisam amar a Deus, precisam obedecer à Sua Palavra, precisam ter bom caráter, bom coração, precisam de generosidade, inteligência, perspicácia. Eles precisam de proteção contra as doenças, oportunidades para prosperarem, terem famílias saudáveis e cristãs. Os meus filhos devem ser apresentados diuturnamente em oração. Ao invés de esperar que outros por eles orem, cabe a mim fazê-lo antes de todos.
 
Também cabe a mim orar por minha esposa. Ela é a dádiva da minha vida, a mãe de meus filhos, a administradora do lar segundo Provérbios 31. Também é a alegria e o gozo do meu coração e dos meus dias. Ao invés de concentrar nela expectativas que muitas vezes são difíceis de serem atingidas eu devo orar por ela, interceder por sua vida, clamar pela sua alegria, sensatez, saúde e vida espiritual. Quando a minha esposa comigo se casou recebeu de mim aquele que por ela daria a própria vida. Cabe a mim dar atenção a ela através da oração.
 
Devo orar por meus familiares. Devo orar por meu irmão, cunhados, sobrinhos, sogros, primos, por todos que possuem comigo algum grau de parentesco. Neste mundo tercerizado costumamos delegar ao deus-dará aquilo que cabe a nós fazê-lo. Se Deus os colocou debaixo da mesma árvore genealógica em grau profundo de proximidade devo ser aquele que por eles intercede, clamando pela sua salvação em Cristo, pela sua edificação na fé, pelo sustento de seus lares, harmonia de seus casamentos, educação de seus filhos e proteção contra as maldades do mundo. Eu devo orar por eles.
 
Também não estou a toa no meu país. Eu devo orar por ele, por minha terra, por meu torrão natal, pelo lugar onde vivo, moro e mantenho a família. Eu devo orar pelo presidente, pelo governador, pelo prefeito, pelos deputados e senadores, pelos juízes, promotores, ministério público e funcionalismo em geral. Eu devo orar pelos médicos, pelos bombeiros, pelos lixeiros, pelos que trabalham no fornecimento da água, da luz, do gás, no recolhimento do lixo e na entrega de cartas. Eu devo orar pela minha terra, sendo dela um intercessor fiel.
 
Não devo me esquecer do mundo, pois nele estou inserido. Há tantos que sofrem, tantos que são sós, tantos que passam fome, tantos que estão abandonados, que não contam com o empenho e a atenção dos poderosos! Através da oração eu posso trafegar pela fé em suas ruas, aldeias, vielas, cidades, ilhas, casebres, tendas de refugiados, hospitais, cadeias, navios, aeronaves, carros, no lombo dos animais; enfim, eu posso apresentar a cada um deles ao Senhor meu Deus através da oração.
 
Tenho que orar pela evangelização do mundo, pela pregação do verdadeiro evangelho e para que o falso, que tanto cresce, não ludibrie aqueles cujos corações foram predestinados à fé. Devo orar para que nenhum ser humano fique sem testemunho de Cristo, sem a oportunidade de entender o plano de salvação. Devo orar para que cada missionário, obreiro, pastor, cada crente em cada lugar exerça o seu papel de testemunha de Cristo quanto ao Reino de Deus. São os joelhos em terra na busca do Senhor que trazem vitória à igreja do Senhor Jesus.
 
Leitor, cabe a mim, não a quem critico por não fazer nada. Se eu parar de delegar aquilo do que tenho consciência de ser a missão mais importante da minha alma, então suprirei uma lacuna que não compete a mais ninguém a não ser a mim mesmo.
 
Foi para esta tarefa que nasci, é para este propósito que devo dobrar os joelhos em intercessão. E, se eu andar com Deus, tendo a Jesus Cristo como meu único e suficiente Salvador, terei sido declarado justo e a minha oração poderá muito em seus efeitos. Bendito seja o Senhor, cuja graça me salvou!
 
Wagner Antonio de Araújo
 

 

sexta-feira, 27 de março de 2020

memórias literárias - 861 - REENCONTRO

REENCONTRO
 
861
 
O confinamento em quarentena no qual o mundo foi submetido tem trazido as suas consequências familiares.
 
Por um lado há lares em pé de guerra, pois jamais conviveram tanto tempo juntos e não se acostumam uns com os outros. Antes do vírus estavam quase sempre fora do lar. A agenda do marido era tomada de compromissos ou de eventos externos. A da esposa também, deixando filhos e responsabilidades caseiras nas mãos de terceiros (babás, avós, escolas ou tarefas distribuídas). Os filhos só estavam em casa à noite, para dormir, ou nos finais de semana quando não tinham eventos. Agora, com o confinamento as diferenças são evidentes, o convívio difícil, a indisposição generalizada.
 
Por outro lado há famílias que se reencontram. Há quanto tempo o casal não convivia tanto tempo em um só lugar! O tempo sobra e agora podem deixar os sentimentos aflorarem no coração. Pais podem conhecer os filhos de forma melhor e mais detalhada, e contemplar se acertaram ou erraram na educação dos mesmos. Arestas e crises mal resolvidas tiveram que ser encaradas e ultrapassadas. Tarefas foram distribuídas e finalmente os habitantes da casa se sentiram parte da família.
 
Foi preciso um vírus para virar a atenção das pessoas à matriz de suas vidas: a família! Filhos muitas vezes têm mais contato com amigos e com gente desconhecida das redes sociais do que com os pais constantemente ausentes. Casais quase não se falavam, não se viam, não namoravam, não conversavam, e agora, no confinamento, são levados a explorar novamente aquilo que um dia os uniu.
 
Tem sido também um momento para redescobrir o quanto somos frágeis e o quanto precisamos uns dos outros. Normalmente alguém vai ao mercado e à farmácia suprir a família dos produtos necessários. Geralmente, esta pessoa não faz parte do grupo de risco e tem cuidado para não contaminar os que ficam. As expressões de serviço e de amor ressurgem, dando a chance da família reconstruir os vínculos outrora desprezados.
 
Por fim, estamos valorizando o que dificilmente considerávamos: a liberdade! Como faz falta caminhar na rua, passear, ir a parques públicos ou viajar de carro! Como sentimos falta de trabalhar, de ir à escola, de seguir com os nossos planos e projetos, com as nossas vidas! Assim como só damos valor à água quando a companhia de saneamento corta o fornecimento, só valorizamos a energia elétrica quando não há luz em nossas residências, agora prezamos tanto pela rotina de atividades, rotina contra a qual reclamávamos anteriormente! Nós éramos felizes e não sabíamos!
 
Nós nos reencontramos também com aquilo que realmente é essencial no orçamento: comida, roupa limpa, fornecimento de coisas básicas e saúde. Hoje, com o comércio fechado não temos como comprar futilidades ou investir em objetos que de nada nos servirão. De que adianta um tênis de corrida se não podemos correr? De que nos serve uma viagem para uma praia se não podemos nos deslocar? E aquele carro novo se não podemos trafegar? Além disso, corremos o risco de ver as nossas fontes de renda se esgotarem: os que investiram em bolsa de valores choram o derretimento de suas economias; os que dependem do comércio correm o risco de perder o emprego; os empresários de fecharem as suas firmas; os prestadores de serviço não têm a quem oferecer os préstimos! Chegamos ao tempo em que ter um prato de comida e algo para vestir já significa uma grande coisa!
 
Mas, acima de tudo isso (e complementando tudo o que falei) o relacionamento de cada um com Deus está sendo colocado à prova. Se a nossa religiosidade não passava de eventos sociais, de tradições de família que não conquistavam os nossos corações e uma fé vã sem nenhuma prova de realidade, então deixamos Deus do lado de fora de nossas casas. Se (ou quando) voltarmos à normalidade encontrarmos algum tempo para exercer a fé nominal, o faremos. Caso contrário, ela não nos terá feito falta. A verdade, contudo, é que Deus faz falta, mas a mente cauterizada não o percebe. Sentiremos a deficiência da fé se adoecermos mortalmente e formos expostos ao encontro com a eternidade. Ah, daí choraremos por não termos nem certeza do que virá e nem alguma âncora real na qual ancorarmos a nossa alma. E a morte está na agenda do dia em todo o mundo!
 
Aqueles, contudo, cuja fé não era vã e que conheciam a verdadeira experiência com Deus não deixaram o Senhor fora da quarentena, não suspenderam a sua vida devocional. Pelo contrário, levaram consigo toda a sua comunhão com Deus. Cristo, o Senhor, tornou-se mais presente do que nunca! Ao redor de Jesus as famílias renderam as suas vidas e deixaram-No falar através das páginas da Bíblia, dos hinos de louvor ao Senhor, dos encontros virtuais com quem nEle também crê e com as atividades da igreja que estão a funcionar à distância. As igrejas de Cristo nasceram nos lares e reencontraram o seu viveiro fértil no seio das famílias confinadas. Cristo está nessas casas e a Sua Palavra é a única que tem fundamento, é verdadeira e satisfaz a alma.
 
Certamente este é um tempo de exceção. Não será para sempre e nem pode, pois a vida deve continuar. Mas enquanto somos obrigados a ficar em nossos cantos, reencontremos a razão de nossas vidas. Reencontremos a nossa família. Restauremos o bom relacionamento com os nossos familiares. Cultivemos a generosidade e a operosidade do amor. Derrubemos as muralhas construídas ao longo da vida e trabalhemos em prol do fortalecimento de nossos laços. Mas, acima de tudo, deixemos Deus estar presente, buscando-O com fé, fundamentando a Sua presença com o que Ele ensina na Bíblia Sagrada, a Sua Palavra, e renovemos o nosso amor pelo Senhor.
 
Se Jesus voltar agora saberá encontrar os que O amam. Se não voltar sairemos do confinamento mais humanizados e mais crentes em Jesus.
 

Wagner Antonio de Araújo

quinta-feira, 19 de março de 2020

memórias literárias - 860 - DISTRAÇÕES

DISTRAÇÕES
860
Enquanto o inimigo virótico penetra nas vias respiratórias dos brasileiros, os governantes fazem guerra por panelaços, acusam outras nações como as vilãs, exibem seus egos buscando evidência nas reportagens e deixam a pandemia tomar proporções trágicas. Que falta nos fazem homens e mulheres estadistas, eretos, focados no bem do país, na saúde da população, no alcance de resultados! A maioria dos políticos está distraída a contemplar o próprio umbigo!

Enquanto os trabalhadores são impedidos de cumprirem os seus compromissos profissionais, em virtude das suspensões de atividades da indústria e do comércio, demitidos ou com salários suspensos por período incerto, a vasta maioria da população ainda não parou para contribuir com o toque de recolher. Muitos estão fazendo churrasquinho nos quintais, bebendo com os amigos, assistindo pornografia na internet ou visitando-se mutuamente. Ainda não perceberam a gravidade da situação, que quanto mais tempo não nos recolhermos mais tempo daremos à epidemia, como se cada um de nós fosse um feixe de lenha na manutenção da fogueira. Distrações!

Enquanto pastores midiáticos tentam posar de heróis da fé impedindo as suas igrejas de fecharem as portas para evitar a propagação do virus, buscando um destaque de paladinos da liberdade religiosa, permitem que o virus corroa as defesas físicas de seus membros e amanhã colherão sepultamentos desnecessários. Esquecem-se que as portas do Inferno não prevalecerão contra as igrejas de Cristo e que IGREJA não é o TEMPLO mas o POVO DO SENHOR! Não importa onde se reúnam, se numa catedral, numa tenda ou em conexões de internet. Distraem-se em discussões vazias enquanto o povo clama por comunhão, pregação, oração e fortalecimento!

As distrações sempre foram uma grande arma nas mãos de Satanás. Ele sabe entreter os crentes incautos e a população mundial.

Foi por causa da distração do pecado que o mundo foi condenado ao dilúvio e só perceberam a gravidade do problema quando a arca flutuava no meio da enchente. E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. (Mt 24:39)

Foi por causa da distração que o povo de Sodoma e Gomorra deixou de olhar para o céu e verificar a enorme tempestade de fogo e enxofre que chegava; estavam muito ocupados com as suas devassidões e vidas pecaminosas. Assim como Sodoma e Gomorra, e as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a pena do fogo eterno. (Jd 1:7)

Foi por causa da distração que o povo hebreu caiu na devassidão da idolatria, porque não aguentou esperar pelo regresso de Moisés do Monte Sinai. Se tivessem sido pacientes não teriam sido amaldiçoados no deserto. Mas vendo o povo que Moisés tardava em descer do monte, acercou-se de Arão, e disse-lhe: Levanta-te, faze-nos deuses, que vão adiante de nós; porque quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe sucedeu. (Ex 32:1)

Ah, a distração! Quantos agora estão cheios de vontade ir para as igrejas porque estão fechadas! Nunca iam, desdenhavam da Escola Bíblica Dominical, dos cultos da noite ou das reuniões de oração. Sempre tinham algo para fazer, para entreterem-se, para distrairem-se. Agora, por não poderem (ou não deverem) estão cheios de religiosidade, a mesma que levou milhões às igrejas por causa do 11 de setembro nos Estados Unidos, mas foi de pouca duração, pois as distrações voltaram! E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos a porta! (Mt 25:11)

Precisamos de crentes que não se distraiam! Precisamos de homens segundo o coração de Deus, que não tenham medo senão do pecado e que não tenham outro objetivo senão amar ao Senhor de todo o coração, buscando fazer a Sua vontade em primeiro lugar! Então dali buscarás ao SENHOR teu Deus, e o acharás, quando o buscares de todo o teu coração e de toda a tua alma. (Dt 4:29)

Agora que estamos confinados em nossas casas, quais serão as nossas distrações? Passar o dia a jogar videogame? Assistir Netflix? Acompanhar publicações políticas de toda ideologia possível? Será que passa pela nossa cabeça fazermos o que os cristãos após a ascenção de Jesus fizeram?

Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres, e Maria mãe de Jesus, e com seus irmãos. (At 1:14)

Sim. Eles aguardavam a promessa do Senhor Jesus Cristo, de que o Espírito Santo viria batizá-los em poder, capacitando-os como testemunhas da ressurreição e da vida eterna. Eles seriam poderosamente visitados. Mas era preciso perseverar em oração e em súplicas. E isso fizeram. O resultado nós todos sabemos: a vinda definitiva do Espírito Santo sobre a igreja.

E nós? O que poderíamos fazer durante a nossa privação de locomoção, de passeios, de comércios e de trabalho? Eu sugiro dez coisas.

1) Manter uma vida intensa de devoção, de oração, de leitura da Bíblia e de comunhão, pois Deus leva a sério a oração de quem leva oração a sério!

2) Ler bons livros cristãos - há tanta literatura disponível, estudos bíblicos confiáveis, biografias missionárias, textos que edificam e que trazem propagação do conhecimento! Há tempo para ler!

3) Ajudar a quem precisa - sempre há um idoso ou alguém desprovido de condução, que precisa de ajuda no mercado, na farmácia, no posto de saúde, seja onde for. Os cristãos foram os primeiros na história a HOSPEDAR doentes, criando HOSPITAIS. Nós podemos dar o exemplo, buscando ajudar os vizinhos que de nós precisem, os nossos familiares, amigos e irmãos em Cristo.

4) Testemunhar do evangelho - Testemunhar é contar o que Cristo fez em nós e como nos salvou do poder do pecado e nos deu a certeza de salvação. É contar como foi que Cristo nos regenerou, nos justificou, nos deu nova vida. A fé vem pelo ouvir e ouvir da Palavra de Deus. Sejamos oráculos do Senhor!

5) Servindo em casa - há tanto o que fazer! Há roupas para lavar, louças para guardar, o chão para limpar, os móveis para manter limpos, a comida para fazer, crianças e idosos dos quais cuidar! Se estamos em casa, que sejamos úteis, cada um fazendo um pouco, cada um fazendo algo em prol da família e dos que nos cercam!

6) O culto doméstico - Enganam-se os que pensam que as leis podem fechar as igrejas do Senhor. Não podem! E aqui no Brasil ninguém quer fechar igrejas. Se não podemos nos reunir publicamente por questões de saúde pública, podemos nos reunir com a nossa família para juntos adorarmos a Deus. Podemos atender às agendas de nossas igrejas locais, que nos derem cultos on-line para participarmos. Podemos encher a nossa casa de hinos, de oração, de testemunho e de fé.

7) Olhar para frente, para cima e para Deus - Se nos distrairmos com as notícias, com as informações que chegam às toneladas, com a histeria coletiva, com o medo, com o desespero, com a angústia de não sabermos o que haverá no dia seguinte, com a queda catastrófica da bolsa de valores sucumbiremos e levaremos a família junto. Mas se formos homens e mulheres valorosos, crentes de verdade, dinâmicos, que verdadeiramente confiam no Senhor, que têm fé valorosa e autêntica, então não nos distrairemos com os pensamentos perdidos do desespero, mas seremos mais que vencedores pela nossa fé!

8) Gratidão e cultivo da alegria - Se há uma tônica na Bíblia é a de que devemos ser gratos. Gratos pela comida  - e gratos quando não temos variedades disponíveis! Gratos pelo refrigerante - e gratos quando só há água para beber. Gratos pela sobremesa - e gratos por termos uma laranja apenas (ou nem isso...). E sermos alegres porque o Senhor é quem nos sustenta. E, por pior que estivermos, estaremos muito melhores do que muita gente!

9) Manter comunhão com a nossa igreja - Não é porque os cultos públicos não estão acontecendo (e se não estão é por amor às pessoas a quem amamos e não porque o governo é inimigo do evangelho) que deixaremos a nossa comunhão, o nosso relacionamento, a nossa participação. Temos celulares, temos whatsapp, temos facebook, temos transmissões online, temos inúmeras maneiras de estarmos juntos! Conversem com seus pastores e criem maneiras lindas e únicas para este momento, que trarão saudades no futuro! E não deixemos de manter o suprimento em dia na Casa do Senhor, dentro de nossas possibilidades e fidelidade.

10) Não gastar dinheiro naquilo que não for pão - não é hora de consumir algo que não seja gênero de primeira necessidade. Agora é hora de contenção de despesas, de foco naquilo que mantém a vida, naquilo que realmente é importante. E precisamos estender a mão para quem precisar, não importa quem! Se fizermos isso Deus irá nos abençoar.

De duas, uma: ou a crise vai passar e iremos reconstruir o que for perdido, e sairemos muito mais fortes de tudo isso, ou Jesus voltará para nos levar. E aqueles que morrerem por causa do virus (e alguns de fato irão partir), creiam: Jesus Cristo nos salvou para conceder a vida eterna. Se há algo que o crente deve ter em mente é que ele sabe morrer, além de saber viver. Quer vivamos, quer morramos, somos do Senhor.

Espero ter contribuído com a reflexão de meus leitores. São as que tenho feito e por onde tenho norteado a minha conduta.

Wagner Antonio de Araújo,


do foco da pandemia no Brasil, São Paulo.

quarta-feira, 18 de março de 2020

memórias literárias -859 - O ANJO DA MORTE

O ANJO
DA
MORTE
 
859
 
Porque o SENHOR passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o SENHOR passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. (Ex 12:23)
 
Deve ter sido uma noite horrível, tanto para os egípcios quanto para os hebreus. Os primeiros, que sabiam da ameaça divina, pagavam para ver, crendo e descrendo, inativos e amedrontados. Para os hebreus tudo era inacreditável, ao mesmo tempo maravilhoso e tenebroso. Poderiam contar com a libertação, o que seria fantástico. Mas estariam diante de um horizonte desconhecido, sem lar, sem comida, sem abrigo, sem nada, e isto era amedrontador.
 
Eu posso até imaginar as pessoas a olhar o sol se pondo na linha do horizonte. Um estranho silêncio, uma sensação de que algo horrível está para acontecer. O luar começa, a noite é silenciosa, calma, mas amedrontadora, desesperadora. No arraial dos hebreus um festejo novo, uma celebração de algo que ainda não sabem bem o que é. Têm ordem de regozijo, de criar um memorial, mas o coração está ansioso, preocupado, talvez desesperado.
 
Nós sabemos o que aconteceu. Milhares e milhares de cadáveres surgiram nas cidades egípcias, em toda casa e em toda família. Gritos de dor, de angústia, de tormento, de desespero e de medo. Entre os hebreus a perplexidade pelo livramento global, a certeza de que estavam a viver o momento mais impressionante de sua história. Talvez tristes por saberem que amigos pereceram, mas cheios de expectativa sobre o dia seguinte.
 
Hoje eu saí pela rua a cumprir tarefas domésticas e paternais. No supermercado, as pessoas estão comprando de forma histérica e olham uns aos outros como inimigos iminentes. Afastam-se e  evitam até cruzar os olhares. Os celulares tocam freneticamente, posicionando familiares sobre os produtos que faltam, sobre as notícias do trabalho, sobre o dinheiro que derrete nas bolsas de valores. O rádio informa sobre entrevistas com políticos que tentam de todas as formas conter a praga invisível, sem, contudo, perderem a chance de figurar como os heróis da crise. E no céu o sol está a brilhar, acalentado por uma brisa mansa e de maus presságios, soberana sobre as aflições humanas. O inimigo fatal está se propagando, sem detença, sem bloqueio, sem freio, sem dó, sem piedade.
 
No caso dos egípcios nós sabemos as razões. Afrontaram a Jeová, cuspiram em Sua deidade, macularam o Seu Nome, perseguiram o Seu povo e ousaram contra o Seu poder e autoridade. Diante de nove pragas eles pensaram que as tragédias fossem meras coincidências, encantamentos mágicos ou fenômenos que pudessem ser detidos. Na última, tomaram consciência de que Jeová era Deus e que não podiam contra Ele.
 
Hoje a situação se repete.
 
No Carnaval 2020, o meu país sambou e praticou a devassidão sem detença, sem limites, sem pejo e sem qualquer pudor. As mídias transmitiam os pecados e incentivavam a todos a dar liberdade aos demônios interiores. Na avenida colocaram um jesus mundano, vitimizado pelos seus próprios pecados e expuseram o Senhor à ignomínia, à vergonha, ao ridículo. E foram premiados e  elogiados. Pastores diabólicos levaram as suas igrejas ao samba, ao carnaval e um deles tornou-se parceiro dessa maldição. Outros deram vasão à devassidão humana e emporcalharam-se no mal. O SENHOR ESTAVA ATENTO.
 
Na Europa os países mantém a política de descristianizar as populações, impondo tantas dívidas aos templos que estes têm que ser vendidos e transformados em restaurantes, bares, boates e centros de arte anticristã. Na Inglaterra, o filho de Billy Graham foi desconvidado a pregar num evento evangelístico porque posicionou-se contra a união entre homens e homens, recebendo das autoridades um selo de persona non grata. Nos Estados Unidos, as igrejas se tornaram grandes clubes contemporâneos de fé sem crença, de evangelho sem compromisso e exportam os seus sistemas de crescimento comercial religioso, pintando as igrejas de preto, fazendo das plataformas palcos de programas de entretenimento e implementando uma moralidade anti-bíblica de comportamento, com recasamentos e casamentos entre iguais.  O SENHOR ESTAVA ATENTO.
 
Na Ásia, os países se tornaram grandes, poderosos, ricos e cheios de poder econômico. Mas as nações com liberdade religiosa abandonaram gradativamente a fé, que lhes serviu apenas de catapulta para alçarem vôos de prosperidade e hoje Jesus ocupa o último lugar de suas atenções. Já nos países totalitários, o povo pode comprar e vender, mas não se permite a fé cristã, de modo que bíblias são confiscadas e é impedido o ajuntamento público e oficial. O SENHOR ESTAVA ATENTO.
 
E em todo o mundo o assassinato em massa vai acontecendo dia e noite, através da fome, das drogas, dos homicídos e principalmente dos abortos permitidos ou clandestinos, matando milhões de inocentes. E nesse último caso, os governos cedem a essa ideologia maldita e aprovam a permissão para que as mulheres e todos os terceiros envolvidos  cometam os assassinatos com segurança e conforto. O SENHOR ESTAVA ATENTO.
 
Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor. (Jr 22:29)
 
Mas a Terra não quis ouvir. E hoje os cristãos decidiram não ouvir também. Basta algum servo do Senhor pregar sobre a volta de Cristo, contra o pecado, a favor da santidade e é extirpado dos púlpitos, das ordens e convenções eclesiásticas, das congregações locais. Mensageiros do juízo são tidos como estorvo, erva daninha, como inimigos do amor e da paz eclesiástica. O SENHOR ESTÁ ATENTO.
 
E então aquilo que mais parecia fábula ou uma realidade apenas imaginária, simbólica, avassala o planeta todo: UMA PANDEMIA QUE PARALISA A ECONOMIA, QUE CONFISCA BENS, QUE ISOLA PAÍSES, QUE CONFINA PESSOAS, QUE MATA IMPIEDOSAMENTE. Não apenas através da enfermidade adquirida, mas transformando em pó toda a economia dos últimos 30 anos! Voltamos à década de 80!
 
Homens desmaiando de terror, na expectação das coisas que sobrevirão ao mundo; porquanto as virtudes do céu serão abaladas. (Lc 21:26)
 
E haverá sinais no sol e na lua e nas estrelas; e na terra angústia das nações, em perplexidade pelo bramido do mar e das ondas. (Lc 21:25)
 
E diziam aos montes e aos rochedos: Caí sobre nós, e escondei-nos do rosto daquele que está assentado sobre o trono, e da ira do Cordeiro; (Ap 6:16)
 
Aquele dia será um dia de indignação, dia de tribulação e de angústia, dia de alvoroço e de assolação, dia de trevas e de escuridão, dia de nuvens e de densas trevas, (Sf 1:15)
 
Alguém pode perguntar: "Mas por que TODOS estão a sofrer? Por que o Senhor não preservou a Sua Igreja?" Eu respondo: nós não sabemos se esta é a GRANDE TRIBULAÇÃO. Se for (e há possibilidades de o ser), o arrebatamento virá A QUALQUER MOMENTO. Devemos estar atentos e preparados, pois os sinais apontam para uma situação de insolvência mundial, digna de um anticristo solucionador, que virá para enganar as nações. Eu digo: PODE SER, mas não disse que é. E se não for, mas tratar-se de um PRENÚNCIO, então será bom que o povo de Deus abandone os seus próprios pecados, caia de joelhos em terra e suplique a graça do Senhor. Deus não poupou os crentes nas guerras mundiais, nem nos tsunamis, nem nas gripes espanholas ou pestes diversas, mas deu-lhes a graça de servirem aos que sofriam como eles e salvou-os do pecado, concedendo-lhes a vida eterna. Essa nós temos em Jesus Cristo. Nada pode nos afastar dele.
 
E se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra. (2Cr 7:14)
 
Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas, e os joelhos desconjuntados, (Hb 12:12)
 
É hora de SANTIDADE, de EVANGELIZAÇÃO, de ESPERA, de clamar MARANATA!
 

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 866 - A PRODUÇÃO DA PACIÊNCIA

A PRODUÇÃO DA PACIÊNCIA   E não somente isto, mas também nos gloriamos nas tribulações; sabendo que a tribulação produz a paciê...