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sexta-feira, 24 de março de 2017

memórias literárias - 428 - AS ORAÇÕES QUE EU NÃO FIZ ...

AS ORAÇÕES
QUE EU NÃO FIZ...
 

 
428
O meu vizinho morreu. Tão novo, tão cheio de sonhos! Deixou esposa e dois filhos. Eu havia desejado orar por ele. Mas não orei. Sinto remorso.
 
A minha filha acidentou-se no trabalho. Quebrou a perna. Está internada. A pressão está alta. Há quanto tempo eu tencionava apresentá-la diariamente em minhas orações e não o fiz? Estou arrependido.
 
Minha esposa não entendeu a brincadeira. Eu quis provocar risos e provoquei ira. Falta de vigilância. Não oro pelo nosso casamento há mais de seis meses. Ensaiei retomar o culto doméstico, mas ficou apenas na vontade. Nada mais. Se eu tivesse orado essas desinteligências poderiam ter sido evitadas.
 
Quebrei o orçamento. Comprei num site falso. Agora não consigo o reembolso. Pensei que era uma pechincha, mas era uma armadilha. Gastei o que não tinha. E vou ter que me valer do cheque especial. Juros, dores de cabeça, o que eu fiz! Se eu tivesse pedido a orientação de Deus antes da compra, ou se tivesse apresentado a Deus o desejo e deixasse que Ele falasse! Se bem que nem precisava, pois era algo supérfluo e eu não deveria ter feito a compra. Tenho orado tão pouco pela minha vida administrativa...
 
Orações que eu não fiz! Quantas oportunidades perdidas! Quantas bênçãos que nunca recebi porque não as pedi. E quanto prejuízo humano, patrimonial, sentimental e espiritual obtive!
 
E se eu tivesse orado, as coisas poderiam ter sido diferentes? Deus não é soberano e Sua vontade irrevogável? Não há uma certa fatalidade em tudo? Na verdade, eu me pergunto: vale a pena orar? Algo pode mudar?
 
O qual, fixando os olhos nele, e muito atemorizado, disse: Que é, Senhor? E disse-lhe: As tuas orações e as tuas esmolas têm subido para memória diante de Deus; (At 10:4)
 
Então me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. (Dn 10:12)
 
E Deus ouviu a voz de Manoá; e o anjo de Deus veio outra vez à mulher, e ela estava no campo, porém não estava com ela seu marido Manoá. (Jz 13:9)
 
E o Senhor virou o cativeiro de Jó, quando orava pelos seus amigos; e o Senhor acrescentou, em dobro, a tudo quanto Jó antes possuía. (Jo 42:10)
 
Sim. As orações que eu não fiz poderiam ter interferido. Certamente Deus jamais teria sido pego de surpresa; em Sua presciência este fator teria sido considerado. Porém, como eu não orei, jamais poderei ouvir a Sua voz a declarar-me: "Eu ouvi as tuas orações". Eu não as fiz!
 
E o que me impede de fazê-lo agora, neste momento?
 
Ah, agora não posso! Tenho que terminar o TCC (trabalho de conclusão de curso); tenho que chegar ao fim da leitura daquele livro; tenho que lavar o carro, levar o cachorro para passear, a esposa para fazer compras, o filho para a natação, assistir o jogo do meu time, ir à igreja participar da reunião. Ou então tenho que dormir, tenho que tomar banho, fazer caminhada, cortar as unhas, jogar bola.
 
Enquanto todas as coisas forem mais importantes do que as orações que eu poderia fazer, continuarei a conviver com um vizinho que se vai, com um acidente inesperado ou com uma briga repentina, sem ao menos sentir paz no coração e a convicção de que eu havia orado por aquilo e que a minha parte foi feita. Terei sempre em minha companhia a consciência pesada, fruto da tristeza do Espírito Santo em mim, convencendo-me de que estou em pecado e conduzindo a minha vida num abismo sem fim. Eu estou extinguindo o Seu Espírito em mim.
 
Senhor, ajuda-me a não conter as orações que devo fazer.
 
Quero orar agora! Dá-me forças, dá-me decisão, dá-me determinação!
 
E, olhe que maravilha, esta é a primeira oração da qual não precisarei dizer: mais uma oração que não fiz!
 
Orai sem cessar. (1Ts 5:17)
 
E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito. (1Sm 12:23)
 
Pela manhã ouvirás a minha voz, ó Senhor; pela manhã apresentarei a ti a minha oração, e vigiarei. (Sl 5:3)
 
Wagner Antonio de Araújo

24/03/2017

memórias literárias - 427 - TUDO LIGHT

TUDO LIGHT
427
Dias atrás um jornal publicou esta manchete: "a tecnologia está nos emburrecendo". E o fez com categoria.
 
Vivemos no tempo do "tudo light", pequeno, bem fatiado, para não engasgar.
 
Quer uma meditação bíblica? Tem que ser curtinha, para ser lida num semáforo, ao parar o carro, ou entre um ponto de ônibus e outro. Deve se encaixar a uma ida ao banheiro de vez em quando, bem curtinha.
 
Quer um artigo de conhecimento? Tem que estar bem mastigado, bem resumido, apenas os dados essenciais. Nada de discussões longas, nada de histórico da questão. Não nos importamos com etmologia, nem com antologia, nem com sociologia da matéria.
 
Quer uma conversa? Tem que ser resumida. "OI TD BM? DS T AB ABS" (oi, tudo bem? Deus te abençoe. abraços). Estamos chegando à era dos códigos. Tudo bem simples. É como o desenvolvimento daquele pronome de tratamento: "Vossa Mercê". "Vósmecê", "Vancê", "Você", "Ocê", "Cê"; o próximo passo é um cutucão no outro...
 
Nós, os escritores, vemos bem clara a linha demarcatória na aceitação da literatura. Um artigo pequeno, resumido, ganha muitos "likes" e "curtidas". Um grande e analítico quase não tem referência.
 
Por isso, quem quer ter sucesso, que escreva pouco. Quem quer escrever o que sente ser necessário, que não espere muita apreciação.
 
E vou terminar porque isto aqui já está muito longo.
 
OBG ABÇS BY
 
Wagner Antonio de Araújo
24/03/2017

quinta-feira, 23 de março de 2017

memórias literárias - 426 - PAULO, PAULO, SEJA TOLERANTE!

PAULO, PAULO,
SEJA TOLERANTE!

426
"Prezado Apóstolo Paulo:

Ref. Práticas de Intolerância em Seu Ministério

Caríssimo companheiro de jugo

Kharis Eyrene! *

Encaminhamos esta carta com os votos de que esteja feliz e no centro da vontade de Deus.

Contudo, analisando o conteúdo das epístolas que tem escrito às igrejas dos gentios, precisamos tecer algumas observações e solicitar algumas providências.

Consta que o irmão vem ensinando e propagando algumas coisas que, ao nosso ver, são incompatíveis com a mensagem do evangelho.

O irmão solicitou que as irmãs de Corinto usassem véu e que tivessem cabelos longos.

O irmão sugeriu e interpôs-se como modelo para recomendar que homens e mulheres não se casassem.

O irmão ordenou que os judeus abandonassem suas vestes cerimoniais e os ritos judaicos, adotando, inclusive, a inobservância da circuncisão de seus filhos.

Também falou que o amor conjugal entre pessoas do mesmo sexo era condenado por Deus e inadmissível na igreja.

O irmão ordenou que não se comesse carne dos açougues dos templos pagãos e afirmou que participar daquilo seria banquetear-se com demônios.

Finalmente, tomou decisões unilaterais de disciplina eclesiástica, condenando um homem que ajuntou-se com a madrasta (ou mãe, não se sabe ao certo), dizendo que ele seria entregue a Satanás.

Apóstolo Paulo, o irmão deveria envergonhar-se de ser tão intolerante. Afinal, Cristo nos ensinou a amar e a acolher a todos. Como nenhum de nós é Cristo, então não é possível exigir uma imitação de Cristo por parte de ninguém. Logo, cada um tem suas próprias características e opiniões e devemos respeitá-las, tolerando os irmãos diferentes.

Gostaríamos que o irmão reescrevesse seus textos, fazendo as seguintes modificações:

1) Que as mulheres cortem os cabelos ou os mantenham compridos do jeito que quiserem, e que o uso do véu seja uma opção pessoal;

2) Que os homens se casem ou se ajuntem à vontade, independentemente de serem homens com homens ou mulheres com mulheres, e que desfrutem de todo o amor conjugal uns com os outros;

3) Que os judeus observem o que quiserem dos ritos mosaicos e das suas festividades nacionais; e não só eles, mas que cada um dos gentios traga para a igreja os seus próprios costumes, rituais, manifestações musicais e atos de culto, no enriquecimento mútuo e na edificação da fé cristã;

4) Que os crentes comprem toda a carne que quiserem, comam o que quiserem e participem de todas as festividades pagãs que quiserem, independentemente de serem dedicadas a ídolos, pois estes são apenas tipos e arquétipos sem valor; Deus não olha para isso;

5) Que o irmão parasse de falar em demônio, reino do mal, obras da carne, que só traz sentimento de culpa e dedo acusatório às congregações.

6) Finalmente, que o irmão autorize o rapaz que ajuntou-se com a mãe ou madrasta a viver a vida comum do lar, fazendo dela uma esposa feliz.

Com zelo pela Obra,
Concílio de Laodicéia"

............

Como diriam os gaúchos, "barbaridade, tchê"! Já imaginaram um absurdo destes?

Pois é. Isto não aconteceu. Pelo menos não ali. Está acontecendo aqui, agora, no meio do mundo chamado cristão.
E como começou?

Em 323 A.D. Constantino, imperador de Roma, oficializou o cristianismo como a religião oficial do Estado. Como a porta de ingresso não foi a conversão, admitiu-se que cada um trouxesse debaixo do braço o seu próprio deus, a sua própria cultura, os seus próprios costumes, as suas próprias feitiçarias, a sua própria moralidade. Juntou-se tudo e formou-se uma colcha intragável de paganismo. Ao longo da história desta igreja inúmeros clérigos buscaram a vida monástica, os mosteiros, as grutas, para fugir da orgia religiosa deste cristianismo forçado. Em séculos a massa heterogênea transformou-se num bolo homogêneo de doutrinas, de dogmas, de crendices, de tradições e de regras. Pouco do cristianismo original ficou.

Um milênio e muitos séculos depois, na década de 60 do século XX, o Papa Paulo VI convocou um concílio da Igreja Católica Apostólica Romana. Deste concílio participaram as autoridades eclesiásticas chamadas de Sagrado Magistério (Papa, Cardeais, Bispos). Durante muito tempo discutiram as doutrinas e práticas cultuais católicas e chegaram a um consenso: o catolicismo deveria abrir-se às outras expressões religiosas, principalmente às chamadas cristãs sectárias (protestantes e pentecostais), acolhendo a fé diferente, ainda que considerando a católica romana única representante da verdade completa.

Lefèvre, um bispo francês, opôs-se e iniciou um levante, um cisma no catolicismo. Sua tese era a seguinte: "Se eu, como bispo católico, creio que a minha fé é a verdade, como posso aceitar que outra fé, diferente da minha, também seja verdade? Se ambas são verdadeiras (e discrepantes), ambas são falsas, porque se anulam. Logo, aceitar que o catolicismo abra mão de suas tradições e fé em prol de outras maneiras de crer é negar a própria fé. Queremos continuar católicos e não admitimos a relatividade da verdade, que é unica." Esse bispo foi uma pedra no sapato de Roma. E o é até hoje, anos depois de sua morte. Bento XVI  o reconciliou pós-morte, mas o atual Papa, Francisco, é o absoluto antagonismo de Lefèvre.

Essa onda de abrir mão da fé para tolerar a fé alheia inundou o meio evangélico também. Antes, com modelos teológicos e eclesiológicos claros, o mundo protestante e evangélico tinha um modelo, um ideal e um limite; as pessoas aderiam buscando adequação a esta fé e a este modelo. Começando com os luteranos e atravessando o presbiterianismo e o metodismo, a onda chegou aos batistas e pentecostais. Hoje é muito difícil distinguir quem é quem, pois o caldo é tão denso e são tantas as misturas, que perdeu-se, inclusive, o motivo de se aderir à fé evangélica (ela tornou-se igual a qualquer coisa, inclusive a nenhuma fé).

Em minha denominação, a batista, a onda começou na outra América. Atravessou a Europa e, finalmente, arrebentou no Brasil. Uma tsunami de mudanças, de alterações, de agir no "politicamente correto". Hoje isso tem outro nome: "INCLUSÃO", "DIÁLOGO" e "TOLERÂNCIA".

A carta fictícia lá em cima teria o seguinte teor nos dias de hoje:
1) A igreja deve ser inclusiva, recebendo pessoas em qualquer estado civil; não há necessidade de mudar nada.

2) A igreja deve aceitar a opção sexual de cada indivíduo e família, buscando incluí-los na normalidade do serviço e da comunhão.

3) A igreja deve aceitar toda manifestação cultural como boa e possível na eclesiologia; logo, podemos usar os ritmos africanos das religiões ocultistas, o rock americano e europeu, as músicas das tribos indígenas, a música contemporânea, o funk de favela, qualquer uma, pois nenhuma é boa ou ruim em si; manifestam-se apenas como expressões de uma cultura.

4) A igreja deve ser totalmente democrática, optando pela forma de cultuar, de servir, de decidir as suas questões, independente de qualquer regra pré-estabelecida, pois isso seria uma intolerância e ditadura do poder religioso.Nem a Bíblia pode servir de regra, uma vez que era a expressão de uma época antiga e primitiva.

5) A igreja não é dona da verdade, ninguém o é; portanto, a verdade deve ser relativizada, buscando um consenso e uma tolerância entre as opiniões divergentes. Qualquer verdade é verdade se crida e abraçada.

6) A juventude pode se tatuar, usar piercings, drogas, bebidas, participar de festas e de vida sexual ativa, desde que respeite ao próximo e mostre bondade em tudo o que fizer.

7) O pastor deve ser, acima de tudo, um agente do diálogo, nunca repressor, jamais intolerante; deve buscar na contemporaneidade a resposta às questões de vida da comunidade, tornando-se referência de boas escolhas.

Poderíamos estender a lista à infinitude. Estes ítens nos bastam.

Isto prova uma coisa: perdemos um MODELO, UM ALVO, UM PADRÃO. Antes o padrão era Cristo e o "assim diz o Senhor". Hoje abandonamos o padrão e consideramos tudo como "opinião pessoal". Isso é bem explorado no filme "A JORNADA", de Rich Christiano. "O pecado se tornou lentamente aceitável para nós porque nós o vemos o tempo todo e não nos choca mais. Satanás é mais esperto do que pensamos. À medida em que as pessoas se tornavam mais liberadas, parecia haver cada vez menos convicção. Porque não havia absolutamente qualquer autoridade; por isso as pessoas podem blasfemar contra o nome do Senhor e não pensam nisso." Antes se dizia: "não roube porque Deus diz que é pecado". Hoje se diz: "não roube porque é pecado"; então alguém afirma: "esta é a sua opinião; a minha é outra". Na primeira havia uma autoridade, um alvo, um padrão, um Deus de autoridade. Hoje não há mais fé, não há mais padrão, não há mais uma uma voz de autoridade. E por que? PORQUE DEIXAMOS DE SER CRENTES. Somos qualquer coisa, mas não somos crentes. Parafraseando Lefrève, se o que eu creio como verdade na Bíblia não me é mais absoluto, então não há verdade e não há sentido na fé.
Mas, bendito seja Deus, nem todos foram atingidos por essa "TOLERÂNCIA", esse "DIALOGAR", essa "INCLUSÃO" generalizada.

Assim,

1) Igreja não é O SEU LUGAR, mas o lugar de quem está ligado a Cristo, por arrependimento e fé, através da regeneração pela conversão.

2) O corpo não é papel para ser rabiscado com tintas, vestido como palhaço ou furado como uma borracha; o corpo é templo do Espírito Santo.

3) O sexo não é mero meio de prazer, mas instrumento de perpetuação da espécie; meio de estabelecer o padrão divino na criação da família e célula principal na formação de uma sociedade cristã.

4) Homens com homens e mulheres com mulheres não são opções que Cristo, em Sua Palavra, tenha tolerado, permitido ou desejado; homem e mulher no princípio, no meio e no fim SEMPRE foi o ato criador de Deus; o que passa disso é de procedência maligna.

5) O Paulo que considerou toda a sua herança judaica como refugo por causa da sublimidade de Cristo, tem a mesma postura de uma igreja bíblica onde os costumes gentílicos e os pecados pagãos são banidos; logo, não há espaço num meio cristão legítimo para a admissão de bailes, de festas religiosas pagãs, de fazer do esporte um ídolo ou de transformar a liturgia do culto numa colcha cultural de retalhos étnicos. Também não há espaço para judaizar a igreja, transformando-a numa sinagoga, observadora de luas novas, de sábados, de festas nacionais de Israel ou de meros braços daquela nação. Somos da Nova Aliança no sangue de Cristo, que derrubou as muralhas e de ambos os povos (judeus e gentios) fez um!

6) A igreja verdadeira não admite outras verdades; para ela, Cristo é a verdade e a Bíblia é a regra de fé e prática, não sujeita às correntes e vertentes culturais da contemporaneidade sociológica; seus valores são milenares e não são reconciliáveis com o padrão comportamental de qualquer tempo. Está no mundo, mas não milita com ele em sua forma de pensar, agir ou conviver; sua proposta é muito, muito mais elevada.

7) Num mundo verdadeiramente cristão os homens são convertidos e são TRANSFORMADOS em novas criaturas, não recebidos com os seus múltiplos pecados e tolerados como jóias;

8) A igreja do Senhor não é uma costura de muitos membros de corpos diferentes, como um Frankestein sem alma; ela é padronizada pelo Senhor Jesus, onde cada crente é instado dia e noite a ser como o Seu Senhor, a andar como Cristo andou, a padronizar comportamento e fé à Palavra de Deus; e isto é obra do Espírito Santo no coração convertido, não a força de um condicionamento cultural ou massificação psicológica ou doutrinamento político.

Finalizando.

(E sei que Paulo não me ouve; é apenas força de expressão):

Paulo, Paulo, graças a Deus você foi quem foi! Temos orgulho de você!

Bendito seja Deus por sua vida de fidelidade ao Senhor, à Sua Palavra e à verdadeira fé.

Que nos inspiremos em você e em todos os outros apóstolos, colocando no topo o nosso Senhor Jesus Cristo, para não nos tornarmos mortos e falsos como a maioria dos crentes contemporâneos.

Seja Deus engrandecido.

Pastor Wagner Antonio de Araújo

* Graça e paz.

memórias literárias - 425 - NÃO TENHO TEMPO

NÃO TENHO
TEMPO

 
425
 
De fato não tenho. O tempo não me pertence; pertence a Deus.
 
Pertence ao meu Criador por direito. Ele me deu vida; logo, concedeu-me um prazo de validade. Por mais que eu queira preservar o meu livre-arbítrio, não posso ignorar que todos os meus dias estão escritos em Suas mãos divinas, um tempo limitado, contado, certo.
 
Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. (Sl 39:4)
 
Escondes o teu rosto, e ficam perturbados; se lhes tiras o fôlego, morrem, e voltam para o seu pó. (Sl 104:29)
 
Quando fui convertido a Cristo pelo convencimento do Espírito Santo, reconheci que a minha vida Lhe pertencia e dediquei-me completamente a Ele. Em Cristo recebi um tempo eterno, em glória, nas regiões celestiais em Cristo, dádiva, favor imerecido. Mas eu ainda não estou lá; e, enquanto aqui, tenho que viver cada dia para Ele, como testemunha, como Seu servo.
 
Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim. (Gl 2:20)
 
Sou testemunha do Senhor, do que Ele fez em mim. Assim, enquanto vivo aqui, devo olhar com atenção as oportunidades de servi-Lo: testemunhar da fé em Cristo; servir ao próximo; acolher ao necessitado; utilizar os dons e talentos para o serviço dEle; amar a família e trabalhar com dedicação, fazendo sempre o melhor e para o Senhor.
 
De sorte que somos embaixadores da parte de Cristo, como se Deus por nós rogasse. (2Co 5:20)
 
Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra. (At 1:8)
 
Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças. (Ec 9:10)
 
Não é a vontade de Deus que deve adequar-se às minhas limitações de agenda; é a agenda que deve ser subordinada à vontade do Senhor. Ele, como provedor de vida, saúde, trabalho e salvação, sabe bem conduzir a minha história; basta que eu me coloque exatamente no centro de Sua vontade.
 
Para que, no tempo que vos resta na carne, não vivais mais segundo as concupiscências dos homens, mas segundo a vontade de Deus. (1Pe 4:2)
 
Em lugar do que devíeis dizer: Se o Senhor quiser, e se vivermos, faremos isto ou aquilo. (Tg 4:15)
 
Em cada anoitecer devo deitar a minha cabeça no travesseiro e agradecer pelo tempo dEle que me foi confiado. Entregar-me uma vez mais à Sua inteira graça, rendendo-lhe o espírito, pronto para partir, se assim Ele o desejar. Ou oferecer-lhe com amor o sono e o dia seguinte, glorificando-O em tudo. Ou ainda rogando pela volta de Jesus, evento que mais anima e incendeia a nossa alma, pois assim "estaremos sempre com o Senhor".
 
Mas de ambos os lados estou em aperto, tendo desejo de partir, e estar com Cristo, porque isto é ainda muito melhor. (Fp 1:23)
 
Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. (Fp 1:21)
 
Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras (1Ts 4:18)
 
À propósito, que tal usar algum tempo para refletir em tudo isso?
 
Wagner Antonio de Araújo

23/03/2017

memórias literárias - 424 - O HUMILDE E O SOBERBO



O HUMILDE
E O SOBERBO

A soberba do homem o abaterá, mas a honra sustentará o humilde de espírito. (Pv 29:23)
 
424
Há duas atitudes antagônicas, presentes em maior ou menor escala em cada um de nós. Uma é obra da carne; outra é fruto da comunhão com Deus.
 
A arrogância é achar que tem direitos, privilégios, que é moralmente superior, que tem maior grau de conhecimento e técnica, que conta com mais relações importantes, que possui maior riqueza, que é mais experiente e maduro. A arrogância mostra o orgulho e a ostentação. Quantos filhos querem ser mais do que os pais; quantos contratados julgam-se melhores do que os contratantes; quantos amigos acabam com os relacionamentos por não estarem iguais, mas julgarem-se superiores!
 
A humildade, pelo contrário, é exatamente inversa. É a característica de quem tem consciência de suas próprias limitações, de sua própria simplicidade e finitude, de que não sabe todas as coisas. A humildade é um caminho honesto de quem quer ser real e não imaginário. Há muito tempo escrevi uma reflexão sobre este assunto. Diz assim:
 
A HUMILDADE É A CHAVE QUE ABRE TODAS AS PORTAS.
O ORGULHO É A TRANCA.
 
Diante disto, gostaria de tecer algumas conjecturas sobre um e outro.
 
O arrogante pensa que já sabe tudo; o humilde sabe que não sabe nada ainda.
 
O arrogante não respeita os mais velhos por considerá-los incultos e pouco evoluídos; o humilde respeita a idade e, acima de tudo, o outro indivíduo.
 
O arrogante quer ser mais sábio que o seu professor; o humilde contenta-se em aprender sempre mais; e, mesmo que ultrapasse o professor em seus conhecimentos, não cessará de respeitá-lo, admirá-lo e honrá-lo por tudo o que lhe possibilitou.
 
O arrogante é prepotente e quer ter a última palavra sobre a questão. O humilde, pelo contrário, é dependente da verdade e quer que esta seja o fundamento de sua opinião, ainda que contrarie o seu gosto pessoal.
 
O arrogante quer impor o respeito pela força; o humilde pela sinceridade e respeito, pela paulatina conquista.
 
E no Reino de Deus? Como agem os dois na igreja?
 
O arrogante quer saber mais do que qualquer um, inclusive mais do que o pastor; o humilde não quer saber mais do que ninguém, apenas mantém-se fiel às Escrituras, que o orientam.
 
O arrogante debate sobre tudo, principalmente aquilo que não entende; o humilde ouve muito, escuta muito e procura falar pouco e com propriedade.
 
O arrogante coloca fogo de dissensão numa reunião; o humilde faz os ânimos serenarem com sua mansidão e sabedoria.
 
O arrogante não consegue dizer: errei; o humilde, pelo contrário, age como Jó: falei nesciamente, arrependo-me. E acaba por conquistar o respeito.
 
O arrogante julga rápida e erroneamente; o humilde analisa, pondera, estende a mão e faz o que a Bíblia diz.
 
O arrogante já sabe tudo; o humilde aprende o quanto pode.
 
Melhor é ser humilde de espírito com os mansos, do que repartir o despojo com os soberbos. (Pv 16:19)
 
A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito precede a queda. (Pv 16:18)
 
Em vindo a soberba, virá também a afronta; mas com os humildes está a sabedoria. (Pv 11:2)
 
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus;
 
Oh, Deus, faz-me mais humilde a cada dia. E que Cristo cresça, e que eu diminua. E que a autoridade de minha vida não seja a minha arrogância, mas a revelação de Tua Palavra, que é lâmpada para os meus pés, luz para os meus caminhos, bálsamo para a minha alma, vida para os meus ossos e fundamento sólido para as minhas decisões.
Ensina-me a respeitar os mais velhos como a pais.
 
Ensina-me a respeitar as cãs como aqueles que palmilharam muito mais longo caminho do que eu.
 
Ensina-me a respeitar quem está na lida do ministério, da profissão ou dos estudos de forma verdadeira e não irônica, pois se a experiência deles existisse em mim, eu poderia enxergar tudo com olhos diferentes.
 
Ensina-me a amar o meu pastor, orar por ele e ponderar nas suas palavras, desde que bíblicas e fundamentadas no evangelho.
 
Por fim, ensina-me a não ser arrogante com a minha família, os meus familiares, os meus colegas de escola, de trabalho e com os meus irmãos da igreja e da fé em Cristo.
 
Em nome de Jesus. Amém.
 
 
Wagner Antonio de Araújo

23/03/2017

sábado, 11 de março de 2017

memórias literárias - 423 - UMA INCURSÃO EVANGELÍSTICA - 11/03/2017


UMA INCURSÃO
EVANGELÍSTICA
11/03/2017


 
423
Planejamos, no início do ano, incursões evangelísticas à partir de março deste ano. Durante o mês fizemos as convocações. Ao longo da semana oramos pelo evento. Na noite anterior gastei muito tempo formatando o celular de minha esposa, pelo que deixei para preparar os convites que seriam anexados aos folhetos na manhã seguinte.
 
Bem cedo acordei, preparando o convite. Nele lê-se:
 
IGREJA BATISTA BOAS NOVAS
Rua Urano, 99
Jardim Novo Horizonte
CEP 06341-480 – Carapicuíba SP
Cultos aos domingos 9:30 e 18:30 hs
Quartas-feiras às 20:15 hs

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VISITEM-NOS! TODOS SÃO BEM-VINDOS!
 
Imprimi 200, perfazendo 800 folhetinhos. Elaine veio auxiliar-me no corte e no encarte. Rutinha também fez a parte dela e o seu galardão está garantido: pegou folhetos no armário e os deu a nós. Enquanto eu me arrumava Elaine organizava os embornais, preparados graciosamente pela irmã Cleonice dos Reis Pinheiro (são os da foto acima).
 
Seguimos para a Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel. O tempo inspirava cuidados, pois uma forte chuva se formava. Chegamos à igreja. Encontramos Shiro, Dival e Esmeralda, os fiéis. Estes são "pau pra toda obra", "pés de boi". Se ninguém mais aparecesse, eles estariam à postos. Logo mais o Serginho também chegou.
 
Explicamos o que faríamos: uma dupla (Dival e Shiro) iria pela segunda rua acima, Esmeralda e eu pela Av. Júpiter (a rua de baixo) e o Serginho ficaria na pracinha e no perímetro da Av. Plutão. Cada embornal tinha 100 folhetos; havia 8, tinhamos fé, mas não atingimos os oito voluntários. Elaine e Rutinha ficariam na retaguarda, orando pelos semeadores.
 

Elaine e Rutinha

Esmeralda

Serginho

Shiro

Dival

Pr. Wagner
 Esmeralda e eu seguimos para a Av. Júpiter, a segunda travessa de quem sobe a Av. Plutão, que dá acesso à Rua Urano, local de nossa igreja. Nosso alvo era distribuir cem folhetos com convites nas caixinhas de correio dos vizinhos e para os transeuntes. E isto fizemos.
 
Enquanto caminhava e suava, lembrava-me da própria conversão. Lembrei-me do dia em que o Pr. Timofei Diacov entregou-me um folheto na porta de minha casa. Converti-me no domingo seguinte. Lembrei-me das inúmeras vezes em que o meu irmão Daniel e eu cobrimos a Vila Pompéia, Vila Romana, Vila Anglo Brasileira, Sumarezinho, de folhetos evangelísticos. Só nos dois, um em cada lado da calçada, evangelizando. Quanta saudade!
 
Entreguei para algumas pessoas na porta dos bares, das casas, nos pontos de ônibus. Algumas foram receptivas. Outras nem tanto. Um rejeitou. E alguns jogaram fora, depois de amassá-los. Não fizeram em minha frente; encontramos os restos na rua. Gentilmente tomei os pedaços e trouxe comigo.
 
Esmeralda demorou-se um pouco mais, pois entrou numa rua perpendicular. Disse que amanhã terá uma casa para eu visitar, fruto desta sua evangelização. Voltei à igreja, passando primeiro numa vendinha, onde comprei sorvete e sacolé para todos (sacolé é o mesmo que gelinho, dim-dim, chup-chup, um saquinho plástico com suco congelado, parecendo uma salsicha plástica). Ao chegar na igreja encontrei Elaine e Rutinha nos esperando.
 
Os evangelistas foram chegando, tomando o sorvete, água e contando as experiências. Quinhentos folhetos com convites distribuidos nesta tarde. Aqui estão elas, filmadas para que os amigos ouçam dos próprios missionários:
 
 

 
Oramos ao Senhor, agradecendo pela oportunidade de falar de Seu amor aos outros e pedimos para que as sementes tenham atingido terrenos férteis, para que pessoas sejam salvas. Particularmente temos orado por quinze batismos até o final do ano.
 
Planejamos nova incursão no reino do mundo, indo até a feira livre do domingo, o outro, levando literatura para distribuir. E, depois, poderemos alcançar também portas de escolas, de hospitais e dos pontos de ônibus. Mas tencionamos quinzenalmente agir. Oração é isso: pedir e agir. Pedir, temos pedido, e muito! Agir, começamos a fazê-lo.
 
Amanhã receberemos o jovem seminarista Vandor Pinho, da Igreja Batista Maranata, que estudará a fixação de uma bela placa com o nome da igreja (estamos sem). Não sei quanto custará, mas sei que é necessária e que chegou a hora de confeccioná-la.
 
Serginho levou Shiro e Dival para casa. Esmeralda ficou a tomar conta da igreja (ela mora ao lado) e eu com a família fomos embora. No caminho comemos um pastel com a Rutinha.
 
Espero que este testemunho tenha edificado o coração dos amigos e irmãos queridos.
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

 

quinta-feira, 9 de março de 2017

memórias literárias - 422 - O TEMPO QUE NOS RESTA

O TEMPO QUE NOS RESTA

O TEMPO QUE
NOS RESTA

 
422
Nossos dias estão contados. Nenhum de nós sabe quantos são. Mas Deus sabe.
 
Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. (Jo 14:5)
 
Faze-me conhecer, Senhor, o meu fim, e a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. (Sl 39:4)
 
Alguns, por causa da oração e da intervenção divina, conquistaram aparentemente um tempo maior. Uns em resposta à oração; outros através das ressurreições miraculosas. Quanto ao primeiro caso, Ezequias, o rei, recebeu quinze anos de bonus; quanto ao segundo, os ressuscitados por milagres um tempo a mais (Lázaro, o filho da viúva de Naim, Talita, Dorcas etc.)
 
Mas, mesmo nestes casos, Deus não foi pêgo de surpresa. Ele conhecia tudo e todas as possibilidades; ele é maior do que toda a filosofia e a física quântica.
 
Os teus olhos me viram a substância ainda informe, e no teu livro foram escritos todos os meus dias, cada um deles escrito e determinado, quando nem um deles havia ainda. (Salmo 139.16)
 
Alguns morrem por aborto. Viveram algumas horas ou alguns meses no ventre da mãe. Nada mais. Outros morrem na infância, seja por causa de doença, de fome, de violência doméstica ou subitamente. Já outros são levados na adolescência, juventude e maturidade, variando muito a idade total. Uns com quinze, outros com trinta, alguns cinquenta, oitenta, e uma pequena quantidade de humanos passa dos cem anos. Mas não passa disso, pois a morte é inevitável.
 
Infunde-lhes, SENHOR, o medo; saibam as nações que não passam de mortais. (Salmos 9.20)
 
Alguns nascem de novo, como dizem, após um grande acidente, uma grande catástrofe, uma doença incurável, um assalto perigosíssimo. Outros nascem de novo quando vencem uma situação insuperável, acordam de um coma profundo, mudam de filosofia de vida ou têm uma experiência religiosa marcante. Estes reconhecem que os próximos dias são, de fato, uma segunda chance.
 
Mas o único e autêntico novo nascimento que transforma uma vida se dá quando o indivíduo é levado ao arrependimento mediante o conhecimento de seus pecados e à fé em Cristo como Salvador, conforme revelado pelas Escrituras Sagradas, a bíblia. Nessa ocasião ele nasce de novo para nunca mais morrer. Claro, passará pelo túmulo, o seu corpo dormirá. Mas o seu ser interior, eterno, alma e espírito, experimentarão a salvação prometida pelo Senhor, que lhes dará lugar no Paraíso e, finalmente, na grande ressurreição para a vida.
 
Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. (Jo 3:3)
 
Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. (2Co 5:17)
 
E todo aquele que vive, e crê em mim, não morrerá, eternamente. (Jo 11:26)
 
Quantos dias nos restam para viver? Alguém sabe? Não. Talvez a medicina tenha anunciado que restam-lhe meses ou semanas, nada mais. De fato alguns estão nas alas terminais dos hospitais, nas camas dos quartos escuros de casas antigas e aguardam apenas o momento da partida. Mas ninguém sabe, de fato, quanto tempo lhes resta.
 
O tempo é o elemento mais precioso de nossa vida, principalmente quando a idade avança. Quando jovens, pensamos que temos todo o tempo do mundo. Com a idade percebemos como é pouco e limitado o nosso tempo. E, finalmente, nos encontramos num dilema: como não perder mais tempo? Como desfrutar, aproveitar, trabalhar, produzir e fazer valer a pena cada minuto que nos resta?
 
Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. (Sl 90:12)
 
Gostaria de mencionar algumas coisas que tenho usado em minha própria vida como metas diárias. Nascido em 1965 e desenganado pela medicina em 1982 (problema cardíaco letal), creio que recebi de Deus um bonus maravilhoso. Convertido em 1980, busquei por meta aquilo que a Bíblia recomenda para a nossa felicidade. Partilho com o leitor, à guisa de sugestão, estes conselhos que tomei para mim mesmo:
 
1) Pare de perder tempo - Pare de perder imensas horas sem nada para fazer, apenas em lamentos, lamúrias, sono ou falta de motivação. "De pensar morreu o burro" (um burro olhava para dois fardos de feno; pensava em comer de um, depois mudava de idéia e focava o outro, voltava atrás, e assim foi, até morrer de fome, sem comer de nenhum!).
 
Um pouco a dormir, um pouco a tosquenejar; um pouco a repousar de braços cruzados; (Pv 6:10)
 
2) Priorize Deus, Seu Reino e Sua vontade - A vontade de Deus é boa, agradável e perfeita; colocar a bíblia, a oração, o testemunho cristão, a frequência à igreja, o serviço ao próximo e o envolvimento com a evangelização é a melhor saída. Quem serve ao Senhor não tem preguiça de congregar, de trabalhar pelo evangelho, de visitar os enfermos, de cantar, de ensinar, de partilhar. Como é bom servir a Deus! E priorizá-lo é sintoma da importância que lhe damos!
 
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)
 
3) Ame a sua família - Não são os colegas de trabalho ou de escola que estarão com você quando todos forem embora; serão os seus familiares. Os filhos dos outros e os amigos de fora são importantes; mas não mais do que os seus e a sua família. Pai, mãe, esposa, filhos, parentes, são jóias que Deus nos confiou. Somente a perseguição pelo evangelho ou o serviço do Reino podem exigir maior atenção; porém, cabe a nós valorizarmos a família, pois serão eles que estarão conosco até morrermos.
 
Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; (Ef 6:2)
 
Mas, se alguém não tem cuidado dos seus, e principalmente dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel. (1Tm 5:8)
 
4) Cuide de seu corpo - ele é templo do Espírito Santo e não deve ser submetido a tratamento de desprezo. Comer bem, dormir bem, exercitar-se, ser limpo, asseado, bem vestido, tudo isso é bênção do Senhor. O corpo deve ser tratado como uma pérola preciosa, muito mais do que alguém trata o veículo usado ao qual ama; o nosso corpo deve glorificar ao Senhor!
 
Não sabeis vós que sois o templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? (1Co 3:16)
 
5) Seja seletivo em seus pensamentos - Satanás deseja atolar-nos de pensamentos perturbadores. Nós damos guarida a eles, quando gastamos a atenção em seriados sem fim, em acompanhamentos esportivos doentios, em fofocas, em estudos sem utilidade, em informações desnecessárias, em banalidades nas redes sociais. Viramo-nos na cama ansiosos, preocupados, desesperados. A Bíblia recomenda que a nossa mente seja seletiva, cheia de bons pensamentos e vazia das coisas do mundo; isso traria paz, tranquilidade, liberta-nos dos calmantes e ansiolíticos e abre o nosso entendimento para a paz de Deus. Por que não fazê-lo?
 
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai. (Fp 4:8)
 
E disse aos seus discípulos: Portanto vos digo: Não estejais apreensivos pela vossa vida, sobre o que comereis, nem pelo corpo, sobre o que vestireis. (Lc 12:22)
 
6) Trabalhe com as próprias mãos - A aposentadoria não significa fim de carreira; pelo contrário, pode tornar-se a chance de uma nova atividade prazeirosa e rentável. Os que não estão idosos devem trabalhar, buscar servir, manterem-se ativos e operosos, ganhando com as próprias mãos o pão de cada dia. O trabalho constrói, sustenta, traz prazer, desenvolvimento, dignidade e condições para ajudar o próximo. Mesmo que não rentável, o trabalho pode servir o próximo e trazer a felicidade. E, quando incapazes do trabalho comum, podemos utilizar o nosso tempo para orar, para aconselhar, para fazer algo que agrade a Deus e ajude o próximo.
 
Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. (Ef 4:28)
 
Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor (1Co 15:58)
 
Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; (Jo 15:16)
 
7) Não guarde mágoas - o ódio é o veneno que queremos para o próximo, mas que injetamos em nossa própria veia. Ele produz a mágoa e a amargura de espírito. Faz o corpo enfraquecer, tira o prazer de viver, gera planos de violência, causa úlceras e fraqueza e não agrada a Deus. Certamente vivemos num mundo injusto. E temos que confiar que há um juiz que trará tudo a julgamento. Mas a nós cabe confessar a mágoa, pedir perdão pelo ressentimento, perdoar o ofensor e limpar o coração dessa toxina mortífera. Cristo nos ensinou a abençoar até o inimigo. E a regra é: quem abençoa será duplamente abençoado. Perdoe, peça perdão, e pense: "aconteceu, mas já perdoei; sempre que me lembrar da afronta, me lembrarei do perdão também".
 
Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. (Hb 12:15)
 
E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. (Mc 11:25)
 
8) Esteja pronto para morrer - Claro, ninguém gostaria de morrer, nem quem sofre (o que quer é fazer cessar a dor). Mas a morte é o último inimigo a ser vencido e, se não formos a geração do arrebatamento (que não morrerá, mas será transformada), passaremos pela morte. Que a cada fim de dia o Senhor nos encontre prontos. Prontos para dormir e morrer, ou prontos para dormir e acordar em mais um dia para a Sua glória. E isto só conseguimos com o coração em paz, no centro da vontade de Deus. As sugestões acima nos conduzem a isso.
 
Eu me deitei e dormi; acordei, porque o Senhor me sustentou. (Sl 3:5)
 
Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança (Sl 4:8)
 
Pensei que morreria aos dezessete anos; cheguei aos cinquenta e um. E, pelo andar da carruagem, ainda terei oportunidade de viver mais alguns dias, meses ou anos. Quero praticar as coisas citadas acima, pois são elas que darão ao resto dos meus dias um sentido real e permearão o piso da biografia que, com a graça de Deus, tenho escrito ao longo do tempo que passou.
 
Que Deus não me deixe viver nenhum dia além daqueles que me deu para a Sua glória, e que não me permita encerrar uma única noite sem que esteja pronto para render-me mais uma vez à Sua graça.
 
Que o meu leitor assim proceda também.
 
E que o Senhor seja exaltado!
 
Wagner Antonio de Araújo
09/03/2017