terça-feira, 20 de agosto de 2019

memórias literárias - 798 - CULTO NO RODEIO

CULTO
NO RODEIO

798
Os cantores de música gospel emporcalham a autêntica fé cristã. Longe de semear a Palavra de Deus, eles cumprem agendas empresariais para venderem mais e mais, enriquecendo a si próprios e aos seus produtores. Para motivar as vendas e aglutinar públicos, eles cantariam até no Inferno, não para resgatar almas da perdição, mas para fingirem que está tudo bem onde estão. Não importa a vida de quem aplaude, desde que consumam a sua pseudo-arte.

É com essa tristeza que li há pouco que ocorreu um show gospel no rodeio de Barretos, interior de São Paulo. Ali já saculejaram os artistas de música sertaneja, de forró, de axé e de todos os gêneros de entretenimento despudorado. No mesmo palco, sem qualquer distinção entre entretenimento e culto, sem que haja qualquer compromisso por parte dos que assistem, dos que tocam ou dos que cantam, a manchete é que "a diva do mundo gospel abalou".

Sim. Abala com certeza. Abala a esperança de ver esse moderno mundo gospel produzir alguma coisa que presta. Desde que passaram a copiar a música gospel americana em suas pérfidas mercadorias de consumo, as igrejas perderam e Satanás ganhou. E, com o gostinho brasileiro de fazer festa com sensualidade, as coisas travestem-se de shows quentes e barulhentos.

As igrejas perderam a sua música religiosa, privativa de quem buscava a adoração a Deus. As igrejas perderam os hinos através dos quais propagavam a mensagem de salvação aos pecadores. Perderam os grupos, os conjuntos, os irmãos que formavam seus ministérios de propagação da fé e de salvação de vidas. A música transformou-se em entretenimento. Hoje canta-se "Glória, glória, aleluia" até na zona do meretrício, sem que a prostituição dê lugar à santidade. Não há mais ministérios como Vencedores Por Cristo, Logus, Elo, Novo Alvorecer, Milad, não há mais nada...

Os pastores perderam os seus músicos. Sim, porque músicos cristãos verdadeiros não possuem mais espaço nos cultos. Eles dão lugares aos músicos híbridos, que durante a semana e nas sextas e sábados tocam para os grandes ícones da música popular contemporânea, seja nos estádios, nos ginásios ou nas apresentações especiais, e no domingo, se tiverem agenda, eles tocam durante um período do culto. E não irão ouvir a pregação ou participar da celebração, porque ainda têm compromisso na balada da esquina. Tocam muito bem, só não crêem no que cantam, ou vivem no fio da navalha, coxeando entre dois senhores.

O evangelho perdeu a eficácia. Semelhantemente a um antiácido em pó, que, envelhecido ou úmido, não tem mais efervescência, a mensagem do Senhor banalizou-se a ponto de ser dita por travestis, por chefes do tráfico de drogas que até mestrado em teologia fazem, por gente que defende o aborto e a libertinagem sexual. As editoras bíblicas criam suas versões novas e adulteradas, ao gosto do freguês. E os pastores, em sua maioria, não fazem juízo de valor.

Eu digo que o Reino de Deus perdeu, mas, na verdade, não perdeu. Deus está a passar um prumo pelo Seu povo ainda remanescente na Terra. Esse prumo está provocando a distinção entre os que são dEle e os que são de Satanás. A verdadeira música cristã não está nos palcos de entretenimento, mas na alma de quem, com fé e santificação, apresenta a Deus a confissão de que Jesus Cristo é o Senhor. Não está na fama dos endinheirados cantores gospel, mas, não raras vezes, no pobrezinho que glorifica ao Senhor com hinos cuja letra e música não foram banalizados pela permissividade. Está nos cultos que colocam Jesus Cristo como Senhor e que não provocam aplausos, mas dedicação e consagração. Como é diferente cultuar a Deus em uma igreja que não está alinhada com o falso evangelho! E como há poucas assim hoje em dia!

Os pastores são os responsáveis pela liturgia de seus cultos. Se forem coniventes com o pecado, se aceitarem qualquer fogo estranho no altar do culto (que não é a plataforma, mas o espírito com o qual se presta a adoração) saberemos que mais uma igreja apóstata foi edificada. Se, contudo, o pastor primar pela distinção entre o sacro e o profano, entre o santo e o contaminado, entre o que é bíblico e o que não é, certamente agradará a Deus, ainda que desagrade até a sua denominação corrompida. Ele sabe que terá críticas e auditórios diminutos, mas povoará o Céu e receberá um "bem-vindo" do Senhor Jesus, o supremo pastor de nossas almas.

Até a volta do Senhor assistiremos muitos rodeios com espetáculos gospel para o entretenimento de quem não tem compromisso com Jesus. E os incautos ainda dirão: "glória a Deus!", "Aleluia", "Vitória do Evangelho". Os santos dirão: "Senhor, derribaram os Teus altares", "Tem misericórdia" e "Ora vem, Senhor Jesus!"

Continuemos na senda do Calvário, sem olhar para o atalho da libertinagem gospel. Só pela cruz chegaremos ao Céu.

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 797 - A FÉ PROVADA

A FÉ
PROVADA
 
797

Quando a minha fé provada for
E o temor me dominar,
Vem, Senhor, com Teu amor
Todo o medo afastar!
 
Quando o medo se mostrar
Tão intenso e tão cruel,
Vem, Senhor, me transformar
Em um servo mais fiel!
 
Quando a dúvida fatal
For mais forte que a visão,
Vem e torna bem banal
A ansiedade sem razão!
 
Que a fé provada possa,
Na fornalha da aflição,
Gritar: Justiça Nossa,
Vem curar-me o coração!
 
E o caminho, antes íngreme,
E a esperança, antes tênue,
Conduza à vitória insigne
De uma fé sobreexelente!
 

Wagner Antonio de Araújo, 20/08/201

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

memórias literárias - 796 - SOU CRENTE E MUNDANO

SOU CRENTE
E
MUNDANO
 
796
 
No domingo você prega. Na segunda você renega o que pregou.
 
No culto você canta. Na semana você blasfema, xinga e usa linguagem chula.
 
Na igreja você ouve a mensagem bíblica. E no celular, no computador e na TV você dá ouvidos às mensagens de Satanás, que usa o existencialismo, o hedonismo, o pragmatismo e a carnalidade. Ouve o que as atrizes das novelas ensinam sobre trair os maridos, escuta o que os saradões têm a dizer sobre serem viris e mulherengos; segue o que as músicas populares ensinam quanto à prática da vida. Ao invés de reproduzir o ensino que aprendeu na igreja, reproduz o que apreende no caminho e no interregno dos cultos.
 
Na igreja você diz que só crê em Deus. No facebook você afirma que nada há mais importante que você mesmo.
 
Entre os irmãos você posa de moralmente correto. Entre os amigos só você e eles sabem o que diz e o que faz.
 
Você sabe que deve ser fiel ao cônjuge. Mas trai prática e virtualmente.
 
Você sabe que deve obedecer aos seus pais. Mas não só os desobedece como os agride verbal, moral e fisicamente.
 
Você sabe que deve ter um só Deus. Mas abriga no coração um ídolo do futebol, outro da política e outro do fisiculturismo.
 
Você diz que é crente. Mas não é.
 
Você é um hipócrita.
 
Arrependa-se.
 
Caso contrário irá para o Inferno. E lá não terá a opção de dar um pulinho no Céu, para variar...
 
Wagner Antonio de Araújo

 

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

memórias literárias - 795 - UM PAR DE MEIAS

UM PAR
DE MEIAS

795
 
Ele estava sentado na calçada. Sentia frio. Seus pés estavam descalços. Seu nome era Aluísio. Não era um mendigo ou um andarilho. Era um homem triste e fracassado. Fazia um mês que estava na rua. Perdera o emprego, brigara com a esposa, foi agredido pelo filho e então, entristecido e acabado, decidiu sair de casa. Como sói acontecer, os amigos desapareceram. Sobrou-lhe a rua tão somente.
 
A menina estava com a mãe na loja de roupas. Olhou para o homem na calçada e disse:
 
- Mamãe, olhe aquele homem. Ele sente frio!
 
- Deixa pra lá, menina. Ele se arranja. Vamos comprar as roupinhas de frio. Venha...
 
Elas entraram e foram escolher suas roupas. Blusas, camisetas, calças, agasalhos, meias ... Meias? Sim, aqui estava algo que a menina poderia fazer.
 
- Mamãe, mamãe, posso pedir uma coisa?
 
- Sim, filha. O que é?
 
- Posso pegar um par de meias para aquele homem da calçada?
 
- Mas, filha, ele vai jogar fora! Eles não dão valor para nada. Depois alguém doa algum par de meias usadas. Pare de pensar nisso...
 
A menina não ficou feliz. Foi até a porta da loja e viu aquele homem cabisbaixo, na calçada, sujo e entristecido. E tremia de frio.
 
Voltou para a mãe, que estava no caixa.
 
- Mamãe, por favor, deixe-me levar um par de meias para aquele homem.
 
- Não insista, filha. Ele se vira.
 
- Por favor, mamãe, por favor, por favor..
 
- Está bem, está bem. Vamos logo. Pegue a mais barata.
 
- Mas, mamãe, ele sente frio. Deixa eu dar esta, é tão grossa e quentinha!
 
- Ai que menina!
 
Ela correu, pegou um par de meias bem grossas, pretas, correu para o homem e disse:
 
- Moço, moço!
 
- Oi, meu bem.
 
- Eu trouxe para o senhor esse par de meias. Espero que elas aqueçam os seus pés!
 
- Ô, minha filha, muito obrigado pelo carinho! Deus te abençoe!
 
- Eu espero que o senhor melhore e que as meias aqueçam também o seu coração.. Tchau!
 
E saiu correndo.
 
Aquelas palavras  mexeram com a alma de Aluísio. Aquecer o coração? Como ela poderia saber que o seu coração sentia frio? Ah, estava na cara! Ele não poderia estar bem naquela situação. Lembrou-se de tudo o que ficara para trás: sua esposa, seu filho, sua casa, seu carro, sua dignidade. Agora dormia na rua, com ratos e baratas, comia lixo e não tinha amigos. Ele precisava aquecer o coração.
 
Vestiu as meias. Elas imediatamente aqueceram os pés, que cortaram o frio do corpo. Sentiu-se melhor. Mas as palavras da menina fizeram-lhe enxergar que ali não era o seu lugar. Caminhou até o posto de combustível e deu-lhe duas notas de dois reais, pedindo ao frentista que lhe deixasse usar um telefone. Seria ligação local. O frentista, comovido, emprestou-lhe o próprio celular.
 
- Maria?
 
- Aluísio? Graças a Deus! Onde você está? Eu não aguento mais lhe procurar! O seu filho está doente, não foi mais à escola. Ele se culpa! Pelo amor de Deus, onde você está?
 
Bem, essa estória terminou assim:
 
Aluísio voltou para casa. O flho pediu-lhe perdão. A esposa o acolheu, deu-lhe um banho, colocou as suas boas roupas e em quinze dias ele encontrou um trabalho, não do jeito que queria, mas o que estava disponível. Em dois meses ele recolocou-se no velho ofício.
 
Tudo que usou na rua ele jogou fora; apenas guardou num quadro de vidro o par de meias grossas que ganhara da menininha de bom coração. Embaixo, nos dizeres da obra, estava escrito: "UM PAR DE MEIAS, PRESENTE DA MENINA QUE AQUECEU O MEU CORAÇÃO.
 
Wagner Antonio de Araújo

 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

memórias literárias - 794 - PAPAI, ESTOU AQUI ...

PAPAI,
ESTOU AQUI...
 
794
 
Enquanto eu trabalhava no computador a editar programas de rádio, concentrado nas mídias, nos tratamentos com softwares de delay e nos cortes necessários das partes dos programas, o meu filho Josué Elias de 2 anos de idade saiu da sala onde dormia o soninho da tarde e veio para o meu escritório. Sentou-se na poltrona e disse, em sua língua infantil: "Papai, aqui...". Eu olhei para ele, sorri, dei-lhe um beijo de ternura e continuei o meu trabalho. Uns cinco minutos depois lembrei-me dele e, quando o contemplei, vi a cena mais linda do dia: ele, no afã de ficar bem próximo de mim, que estava tão ocupado, decidiu esperar na poltrona e ficar quietinho. O sono o dominou e ele adormeceu tranquilo e feliz, porque estava junto do papai.
 
Eu confesso que não consigo escrever isso sem derramar algumas lágrimas. Essa ternura infantil, esse amor não fingido, essa dependência emocional e completamente pessoal do papai (e da mamãe, certamente), é algo que encanta. Ele estaria mais confortável na sala, mas não gozaria da minha companhia, ainda que atarefado. Ele preferiu dormir aos meus pés do que descansar longe do papai. Ele necessita sentir-se acolhido, amado, acarinhado, percebido. E para ele o seu pai é o seu herói.
 
Ah, como isso me inspira! Lembro-me do Senhor Jesus a dizer aos Seus discípulos: Em verdade vos digo que, qualquer que não receber o reino de Deus como menino, não entrará nele. (Lc 18:17).  Leio de forma clara a mensagem do Senhor: "Sejam como esses meninos pequenos, que amam estar com os seus pais; amem estar com o Pai Celestial!". Sim, um desejo interior puro, sereno, direto e real: estar aos pés do Pai! Há uma canção tão bonita que diz: "Eu só quero estar onde estás, habitar em Tua presença" (Don Mohen, na Cantata Deus Conosco). Trata-se de QUERER IR, DESEJAR IR, TER PRAZER EM IR até Deus. É um desejo que nasce de um amor precioso, do afeto, da ternura, uma atração pura da alma que ama ao Pai celestial. Foi o que levou Jesus a gastar madrugadas tão preciosas, necessárias para o seu sono, em oração ao Seu Pai celestial. Ele, que O conhecia pessoalmente antes de nascer (o único ser pré-existente), que havia visto o Seu rosto Santíssimo, que convivera com Ele desde a eternidade, sentia falta desse encontro puro, perfeito e privado com o Pai. Ele se tornara Deus-Homem e saíra do Céu enquanto peregrinava por aqui. Por isso sentia falta e queria estar com Ele em oração.
 
"Oh, meu Deus, como eu queria ser assim também! Como eu queria ser um Josué Elias que corresse aos Teus pés maravilhosos e santos, e dizer-Te com ternura: "Aba, Pai, estou aqui, só para ficar conTigo..." Mesmo que eu nada tivesse a dizer-Te! Mesmo que nada fizesse. Mesmo que fosse só para adormecer aos Teus pés! Eu não tenho dúvidas de que Tu, que me fizeste à Tua semelhança, sentiria a mesma ternura, o mesmo amor e o mesmo carinho que eu senti pelo meu filho que escolheu ficar comigo!"
 
Sei que ainda é tempo. Eu oro, eu O busco, mas não com a singeleza do Josué Elias a me buscar. Eu tenho tanto que crescer! E, como um paradoxo ontológico, quanto mais eu crescer no Senhor menor ficarei; e quanto mais maduro eu for mais criança eu me tornarei. E terei a singeleza do meu filho e poderei também dizer: PAPAI, ESTOU AQUI. ISTO É O BASTANTE. OBRIGADO POR ME ACOLHER. E, calado na paz do Senhor, descansarei.
 
Obrigado, Josué Elias, pela lição que me concedeu.
 
Wagner Antonio de Araújo
 

 

quarta-feira, 24 de julho de 2019

memórias literárias - 793 - DOCES MEMÓRIAS ...

DOCES
MEMÓRIAS ...
eu, papai, Daniel e mamãe, 1973
 
 
793
 
Para que os meus filhos dormissem com a mãe (eles dormem juntos numa cama baixa) coloco músicas instrumentais cristãs. Rute, sem pestanejar, pede: "a número 2, papai". É a pasta de músicas que ela mais gosta. Pensei no quanto estas músicas representarão para mim amanhã, quando Rutinha tiver crescido. "São as músicas que ninavam a Rute." E terão um valor incomensurável.
 
Olho para a minha bíblia velha, a que ganhei em 1979 de uma cliente da farmácia onde eu era office-boy. Sinto como se o tempo voltasse, lembrando-me do gozo da salvação e do primeiro amor pelo Senhor, das vezes em que passava o horário de almoço no banco onde trabalhei a ler as Escrituras. Vejo as anotações que fiz aos 14 anos e contemplo ali uma vida em formação. Lembranças...
 
Meu irmão Daniel disse-me, saudoso, que estava sentado no "trono da mãe", uma velha poltrona feita sob medida para ela, herdada por ele. Aquela poltrona traz lembranças da mãezinha a telefonar para as suas irmãs, a orar pela família, a participar dos cultos caseiros. Memórias...
 
O que fizermos agora criará memórias para toda a vida. Quando vejo a capa do LP de Waldo de Los Rios, Sinfonias, e vejo a foto dele com uma camisa estampada, lembro-me do meu pai em 1970, quando também usava camisas assim. É como se eu o visse a ler o seu livro deitado na cama, com um abajur aceso. Sinto-me pequeno novamente e lembro-me daqueles anos antigos.
 
Nós geramos memórias no coração dos outros. A maneira como falamos, a forma como nos vestimos, as palavras que utilizamos, os nossos costumes, os nossos trejeitos, as nossas rotinas. Os nossos objetos, hoje tão simples e inexpressivos, tornar-se-ão memórias para aqueles que se lembrarem de nós. A pergunta que cabe é: serão boas as memórias que deixaremos?
 
Se formos pessoas boas, que praticam o bem, que buscam a paz e a harmonia, que semeiam flores e estabelecem valores, sim. Se, pelo contrário, formos pessoas passivas ou más, que praticam coisas erradas, que vivem belicosamente e estragam a harmonia alheia, que semeiam ervas daninhas em todos os jardins e vivem a transgredir os valores cristãos e morais decentes, então seremos lembrados como seres indesejados, trazendo à memória a triste frase: "já se foi tarde..."
 
Saudades! Coisa que faz sofrer, mas que também carrega a beleza do amor e da ternura! As saudades se criam com memórias boas e benfazejas. Somos responsáveis em conquistar boas memórias no coração dos que chegam ou dos que ficam aqui mais tempo do que nós. Será que temos investido em deixar valores eternos? Será que vivemos a fé cristã que alegamos ter com empenho, com responsabilidade e com convicção? Será que levamos Deus a sério? Será que não quebramos os valores que apregoamos verdadeiros?
 
É tempo de construir memórias. Memórias boas, serenas, agradáveis, bondosas. Se amarmos intensamente e se formos cumpridores dos valores bíblicos e dignos em nossa vida, deixaremos em nosso lugar muita saudade. E as coisas que usamos, hoje simples objetos úteis, serão revestidos de um valor abstrato tão sublime, tão querido, que terão um valor inestimável.
 
A bengala do meu pai, a sacola que ganhei de vovó, as fotos que herdei de meu avô, a bíblia de minha mãe, o novo testamento do Pr. Timofei Diacov e um brinquedinho que foi do meu irmão Daniel quando pequenino, são memórias preciosas para mim. Elas me conectam com as coisas boas deixadas em meu coração.
 
O que deixarei? Como serei lembrado?
 
Que cada um de nós responda a estas perguntas com respeito. E se descobrirmos que não temos cuidado de nossa vida e de nossos princípios, que nos corrijamos em tempo. Afinal, não sabemos quando partiremos. Que estejamos prontos, com Cristo no coração e com um testemunho que traga no coração de quem fica uma doce lembrança.
 

Wagner Antonio de Araújo

segunda-feira, 22 de julho de 2019

memórias literárias - 792 - EU AS AMEI...

EU AS
AMEI...
 

792
 
Amei a Igreja Batista em Vila Souza, São Paulo. Foi o meu primeiro pastorado. Ali eu cresci, aprendi as primeiras lições do ministério pastoral. Mantenho no coração as crianças que tomei no colo, hoje homens e mulheres adultos, pais de família. Lembro-me de diversos irmãos que já estão na glória celestial. Jamais me esqueço dos cultos que prestamos ao Senhor. Lembro-me do grupo de cânticos, do ministério Nova Geração, do Projeto Seiva, do Projeto Maturidade, do Orfanato que ajudávamos. Lembro-me das visitas, dos eventos evangelísticos, do discipulado, de tanta coisa! Pena que há tão pouco fotografado e filmado! Nunca me esquecerei da Vila Souza!
 
Amei a Igreja Batista Boas Novas do Jardim Brasil, São Paulo. Uma excelente igreja, gente de fibra, gente amorosa e trabalhadora. Lembro-me do Coral Adorai e de suas dezenas de integrantes! Lembro-me das famílias trabalhadoras, das atividades do Conjunto Desafio, das congregações no Recreio São Jorge, Vila Sabrina, outra em Guarulhos, quanta coisa! Lembro-me dos cultos nos lares, dos eventos de apologética, dos atendimentos no gabinete pastoral. Lembro-me da construção da cantina e dos banheiros na parte de trás. Lembro-me do Levi que aprendia a tocar órgão eletrônico às tardes, enquanto eu trabalhava no gabinete. Saudades imensas dessa igreja a quem tanto amei!
 
Amei a Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, SP. Foi o meu grande amor. Lembro-me quando a começamos no quintal de uma casa, celebrando a Ceia do Senhor com copos plásticos de café, com suco de uva e um pão doce que achamos. Não tínhamos nada, mas tínhamos tudo! Quanto amor, quanta abnegação! O irmão Luiz Rocha empolgado com uma casa que encontrara para alugarmos. Os primeiros cultos, os banquinhos sem encosto, as tempestades cuja água atravessava os nossos pés durante a celebração. Os imóveis que alugamos, os retiros de ano novo, o galpão da internacional, o ano que passamos nos lares, a compra do terreno, a construção da capela, as celebrações! Vi gente nascer, vi gente casar-se, vi gente partir deste mundo. Conheço cada bloco daquela construção e há uma gota de amor em cada um. Eu tanto amei aquela igreja!
 
Amei Vargem Grande do Sul, SP, no pouco tempo em que lá servi. Hoje, ao editar o vídeo de aniversário de minha filha Rute Cristina, que completou quatro anos, lembrei-me da celebração lá realizada, quando ela completou 3. Quanto amor, quanto carinho, quanta alegria! Lembro-me das viagens que minha família e eu fazíamos (6 horas semanais), das pousadas que tínhamos numa sala improvisada e num hotel da cidade. Lembro-me das visitas, dos aconselhamentos, das pregações, do discipulado, dos cultos nos lares, tão gostosos e cativantes! Eu amei Vargem Grande do Sul!
 
Hoje amo a Primeira Igreja Batista em Ribeirão Pires,   SP. Estou a completar um mês à frente do pastorado desta igreja. Quantas experiências! Quantos cultos! Quantas mensagens! Quantas visitas! Quantos atendimentos em gabinete pastoral! Quanta mídia postada! Quantas amizades feitas! Quantas famílias amorosas que nos recebem em suas casas enquanto a nossa segunda casa não está mobiliada! Deus tem sido generoso para comigo, concedendo-me uma igreja de gente crente, onde todos buscam servir a Deus com amor. O Coral Luz é uma dádiva, os músicos dos louvores são capacitados, os irmãos da mídia são primorosos, os diáconos maravilhosos. Quanta gente boa! Tenho aprendido a amar esta igreja e louvo a Deus por ela.
 
Nestas horas confirmo para comigo mesmo que o Senhor chamou-me para o ministério pastoral. Tendo começado na prática em 1987, tendo sido ordenado em 1991, lá se vão 32 anos de experiência, onde a cada dia tenho uma nova lição, um novo aprendizado. E a melhor parte: à serviço do Senhor!
 
Outras igrejas amei. Ilha Comprida, a quem pude ajudar a fundar, Primeira de Cotia, Vila Pompéia, Vila Mirante, Sumarezinho, Central de Osasco, IV Centenário, quantas igrejas maravilhosas onde também pude servir a Deus, seja por um tempo muito pequenino, seja em algum estágio! Por tudo isso digo; muito obrigado, meu Deus!
 
Apenas um compartilhamento do que o coração está sentindo.
 
Wagner Antonio de Araújo

 

sábado, 20 de julho de 2019

memórias literárias - 791 - UM APELES APROVADO

UM
APELES
APROVADO

 
Saudai a Apeles, aprovado em Cristo. Saudai aos da família de Aristóbulo. (Rm 16:10)
 
Quem seria esse homem, mencionado pelo Apóstolo Paulo e digno de receber um julgamento tão sublime? "APELES, APROVADO EM CRISTO".
 
Não há praticamente nada sobre esse irmão. Não sabemos quem eram os seus pais, não sabemos se tinha família, se possuía filhos, qual era a sua profissão, se era jovem, velho, se era um obreiro, um leigo. Só sabemos que era um irmão e alguém APROVADO EM CRISTO.
 
O seu nome poderia significar "chamado" ou "severo para consigo mesmo". Mas isso não é o mais importante, uma vez que ninguém escolhe o seu próprio nome; ele pode tê-lo recebido como nome popular de sua região, talvez para homenagear o grande pintor Apeles, do século IV antes de Cristo. O nosso nome pode não seguir a nossa biografia. O meu nome, Wagner, significa "fabricante de vagões", e eu não tenho qualquer relação ferroviária!
 
Mas APROVADO EM CRISTO significa muito, mesmo para alguém praticamente desconhecido por nós.
 
Primeiramente tratava-se de um homem que converteu-se ao Senhor. Alguém o evangelizou. Ele, arrependido de seus pecados, confiou em Jesus Cristo e entregou-lhe o coração. Foi transformado em uma nova criatura e batizado como símbolo desta nova vida. Tornou-se parte da Igreja de Roma, a mesma para quem o Apóstolo Paulo escreveu a carta e fez menção de seu nome.
 
Em segundo lugar era um homem que sofrera provas de sua fé. Naquele tempo onde o paganismo grassava, onde o panteão dos deuses do Olimpo imperava e onde a imoralidade sexual era a regra, este homem ousou enfrentar as tentações e os desafios, tomando sempre o rumo certo, nadando contra a maré, escolhendo fazer a vontade de Deus em detrimento até da sua própria vontade. É importante lembrarmos que, na maioria das vezes os cristãos pagavam caro por sua fé, chegando, não raras vezes, à morte. Este homem era um aprovado. Quem sabe dera testemunho de Cristo num momento público, onde queriam exigir-lhe que acendesse incenso em culto ao imperador? Quem sabe obrigaram-no a fazer sacrifícios ou a comprar carne sacrificada aos demônios? Quantos desafios ele deve ter enfrentado. Mas em cada prova ele recebia um 10 do Mestre Celestial. Ele recebeu do Senhor o CERTIFICADO DE APROVAÇÃO, reconhecido pelo apóstolo e, quiçá por toda aquela igreja local.
 
Em último lugar, este homem não deixou nada para ser conhecido: não sabemos se tinha algum patrimônio, se teve filhos, herdeiros se escreveu alguma coisa (certamente nada sobreviveu à passagem do tempo). Ele seria um ilustre anônimo na história universal se não fosse a menção honrosa que Paulo lhe confere. Contudo, MESMO que Paulo não o mencionasse e que nós nunca soubéssemos sobre a sua existência naqueles dias, CRISTO O APROVARA, conhecendo-o, recebendo-o e guardando-o para a vida eterna. Aleluia!
 
Nestes tempos modernos onde as pessoas não são capazes de comer um prato de macarrão sem fotografá-lo e compartilhá-lo, numa busca desenfreada por se sentirem acolhidas e conhecidas, causa-nos impacto saber que Cristo é Senhor dos desconhecidos, dos anônimos, dos pequeninos, dos que não têm nem registro de nascimento na Terra, mas que são altamente conhecidos no Céu! Isto nos lembra o profeta Daniel, que recebeu do anjo de Deus a seguinte palavra: "Daniel, homem muito amado"(Dn 10:11). É preferível ser um anônimo desprezível aos olhos humanos, mas amado, querido e conhecido lá no Céu, a eterna morada dos salvos! Para sermos aprovados por Deus seremos muitas vezes reprovados pelos homens.
 
Ah, APELES, APROVADO EM CRISTO! Como a existência dele me inspira! Espero em Deus ter a graça de conhecê-lo um dia, lá na glória eterna, dar-lhe um abraço e poder dizer-lhe: "obrigado por ter sido fiel ao Senhor!"
 
Wagner Antonio de Araújo

 

memórias literárias - 798 - CULTO NO RODEIO

CULTO NO RODEIO 798 Os cantores de música gospel emporcalham a autêntica fé cristã. Longe de semear a Palavra de Deus, el...