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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

memórias literárias - 561 - NÃO É POR MIM...

NÃO É
POR MIM...

561
 
No ano passado achei uns pisca-piscas baratinhos. Comprei três. Mas, como não tivemos tempo de enfeitar quase nada, só o guardei na gaveta. Rute Cristina, minha filha, ainda com um ano e meio, ia comigo para a laje a observar os enfeites dos prédios ao redor. "Papai, pica-pica!" E ficava extasiada.
 
Hoje, ao abrir a gaveta, encontrei-os nas caixas. Rutinha já fala de tudo. Eu não ligo para esses enfeites, mas lembro-me que ligava quando era pequenino. Ela estava um pouco chorosa; então abri a caixa e disse: "Rutinha, você nem sabe o que eu tenho aqui!" Ela parou de chorar e ficou esperando, pulando, ansiosa. Desamarrei os fios, desembaracei-os e liguei-os na energia elétrica. Quando as luzinhas acenderam, os olhinhos de Rute brilharam. Ela deu um grito e falou: "Pica-pica, papai! Que lindo!" Em seguida saiu gritando: "Vovó Arlete, vem ver, pica-pica! Tia Milú, vem ver! Ma-mããe, pica-pica!" E pulava de felicidade.
 
Ter filhos é viver por eles, não por nós mesmos. É buscar agradá-los, não a nós. Penso neles sempre. Quero criar memórias boas para que eles tenham do que se lembrar. Mantenho diariamente o ensino da Palavra, brinco com eles e lhes digo à exaustão, com expressões de ternura: "Eu amo vocês!" Certamente se Jesus não voltar antes este texto valerá para firmar-lhes na velhice: Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade..., (Ec 12:1). Faço o que a Palavra de Deus me ordena: Educa a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele. (Pv 22:6) Confio-os ao Senhor.
 
Porém esta atitude de minha filha também me lembra o que deve ser a vida cristã: uma busca constante do interesse de Deus e do próximo, não os nossos próprios interesses. Porque nenhum de nós vive para si, e nenhum morre para si. (Rm 14:7). Se há algo que a verdadeira conversão faz no coração do crente é transformá-lo em alguém que não vive mais para si, mas para Deus e para o próximo. O amor não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; (1Co 13:5)
 
Alguém ilustrou o Céu com a seguinte alegoria: estaremos numa mesa e, junto com o nosso prato, teremos um talher bem longo, que não poderá ser usado para a nossa boca, mas para servir a boca de quem estiver à nossa frente. Assim todos servirão e serão servidos. Bonita a estória. A igreja deveria ser assim também. Ao invés de corrermos atrás do serviço que ela possa nos prestar, deveríamos arrumar o que fazer para sermos úteis na Obra do Senhor. E com isso os dons não seriam enterrados e ninguém ficaria sem ocupação e afeto.
 
Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hb 10:25). Há tantos que precisam de nossa admoestação, de nossas orações, de nossa companhia, de nosso afeto, de nossos préstimos em honra e amor! Quem serve não encontra tempo para reclamar e nem motivo para isso. Pelo contrário: reveste-se de força para viver e alegria no servir. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros. (Jo 13:35)
 
Rutinha está lá na sala, pulando de alegria. Agora sei que o pisca-pisca não comprei para mim, mas para vê-la sorrir e para decorar a sala para o Natal que, de forma cristã e bíblica, hei de ter com a minha família e no seio da igreja onde sirvo ao Senhor. E assim como a sirvo em amor, quero servir aos meus irmãos, não buscando os meus próprios interesses, mas o da edificação de todos. Sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros. (Rm 14:19)
 
Que Deus me ajude a fazer assim; bem como ajude ao meu leitor a fazê-lo também.
 

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 560 - ESTOU TÃO OCUPADO... REFLEXÃO

ESTOU
TÃO OCUPADO...
REFLEXÃO

560
 
 
- Olá, irmão! Estou ligando para saber como está. Há tanto tempo não temos contato!
 
- Pois é, irmão. Ando muito ocupado, muitas coisas pra fazer, corro o tempo todo, são tantas coisas. Eu até pensei em te ligar, falei até para a minha esposa. Nós até combinamos de visitar-te, mas que bom que ligou primeiro...
 
Isso é tão comum! As pessoas hoje enviam toneladas de whatsapp infrutíferos, impróprios, desinteressantes e absolutamente sem valor (figurinhas, vídeos de bobagens, frases feitas, cenas de auto-ajuda ou de pregações fatiadas e fora de contexto, correntes de "ajudem ao menino que mora no Jequitinhonha" etc). Elas pensam que todo mundo está numa janelinha, atento a cada clique que dão na rede social, no facebook ou na mídia disponível. Elas mesmas, entretanto, não estão. Enviei um "fulano, como você está?" Aguardo há três meses alguma resposta. E ele continua enchendo o meu whatsapp...
 
Outro dia o meu amado irmão José Guedes, locutor que fez vinhetas na Rádio Naftalina Web, a quem eu enviava as minhas mensagens diariamente, mandou-me uma foto. Ele estava pálido, numa maca. Liguei-lhe imediatamente. Falou-me que aguardava uma cirurgia. Liguei-lhe várias vezes na semana. Ele continuava a esperar. Então no sábado deixei de ligar. No início da semana perguntei-lhe como estava. Fui atendido por sua esposa, que mandou-me um áudio. "Infelizmente ele faleceu..." Fiquei desolado. Como pude deixar de ligar-lhe naquele sábado? Agora, ao enviar alguma coisa, vejo o seu número e penso: "Para ele só no céu, no porvir. Saudades".
 
E disse eu aos nobres, aos magistrados e ao restante do povo: Grande e extensa é a obra, e nós estamos apartados do muro, longe uns dos outros. (Ne 4:19)
 
Tão perto estamos com os aplicativos, tão distantes dos corações! O final do ano está chegando. Que tal nos perguntarmos: para quantos "contatos" nós realmente ligamos? Por quem realmente oramos? Por quais nomes realmente estivemos interessados em saber notícias? Muitas vezes nós queremos muitos contatos não porque nos interessamos por eles, mas para que eles vejam aquilo que nós postamos! Queremos muitos cliques em nossos vídeos para que eles nos façam subir de patamar no IBOPE de mídia. Uma multidão de gente, mas sem ninguém em especial. Que vergonha!
 
As igrejas andam assim também. Cresce a cada dia o número de mega-igrejas, comunidades com mais de duas mil pessoas, que, na maioria dos casos, não se conhecem, não têm interesse por ninguém, querem se beneficiar da fama do pregador e da igreja, além das condições oferecidas (área infantil, de música, de som, de estacionamento, de ar condicionado). Estas, para tentar driblar a frieza provocada por multidões, viram-se do avesso, criando os "pequenos grupos". E a fórmula fica assim: trabalhamos por um crescimento acima do que podemos suportar, para que, ao estourar o limite, fatiemos em pequenos grupos e finjamos que nos importamos com todos. Quem é pequeno quer crescer, e quem cresceu não aguenta o custo humano.  Formar novas igrejas de bairro? Nem pensar! Precisamos crescer 15% este ano!
 
Quanta saudade das igrejas de bairro, que serviam de forma restrita! No tempo em que poucos tinham carro e que a condução não era fácil, as famílias procuravam a igreja de sua denominação no bairro, e, caso não houvesse, cediam as dependências da casa para o início de um ponto de pregação. Ali as pessoas cresciam, conviviam, formavam os corais, as uniões de mocidade, os grupos de evangelização. Ali elas se casavam, criavam os filhos, formavam outra geração. Hoje, com a facilidade da condução e a mídia avassaladora das mega-igrejas, os filhos e netos são ceifados das igrejas de bairro. As grandes igrejas funcionam como um sugador: fazem publicidade maciça, oferecem doces e sorvetes (congressos, retiros, luais, bailes, encontros, namoros). Os filhos e netos, liberais, deixam as suas igrejas locais e vão ser mais um grão de areia na multidão das gigantes. Eles tocavam em suas igrejas; agora nem na escala são colocados. Eles lecionavam; hoje não o fazem, a não ser em algum encontro caseiro casual. Eles serviam no som, no serviço, na evangelização; hoje têm que pagar taxas para ter uma vaga de suplente em algum departamento da igreja grande. A igreja do bairro? Ficou para trás.
 
E a vida que vivem? Vida solitária. Solidão na multidão. Um gemido sofrido por muitos que, pela manhã, procuram um whatsapp, um e-mail ou uma frase no facebook que seja PESSOAL, não um bom-dia coletivo ou algo falado em grupos de convívio de quinhentas pessoas. Esperança frustrada, caro leitor: estamos a cada dia mais separados uns dos outros, apesar de entupidos de coisas enviadas ou que nos enviaram.
 
Sem essa de "estou ocupado". Não está não!
 
É como ir ao culto da semana. Não sendo por causa de escola, as famílias ficam enfornadas em casa, assistindo ao lixo televisivo ou às porcarias da internet. A desculpa é sempre a mesma: "Estava muito ocupado, cheguei tarde, tinha tarefas.." Mas basta alguém da casa receber um diagóstico de câncer, basta uma notícia ruim que chega de longe, uma ameaça de despejo da casa ou a sombra de um divórcio no casamento; o tempo para ir à igreja aparece bem rapidamente. Aparece todo mundo da família, até em dias em que não há culto! Quer dizer, a ambição leva à igreja. Queremos bênçãos. Não queremos reparti-las. Que mundo triste este!
 
Importemo-nos com as pessoas. Transformemos contatos em amizades, nomes em realidades. Vamos dizer com franqueza: podemos ser mais amigos, mais presentes, mais interessados, mais ativos, ter mais iniciativas. Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo. (Lc 6:38)
 
Acho que vou parar por aqui. Lembrei-me de um irmão com quem não falo há muito tempo. Quem sabe o encontrarei em casa.
 
Tchau.
 

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 559 - NO ALTO DA MONTANHA

NO ALTO
DA
MONTANHA
 
 
 
559

 
Lembro-me bem disto. Eram as férias de julho. Eu, como sempre nos anos de infância, estava em Minas Gerais, na Meia Légua, em Cambuí. Papai tinha casa e terras ali. Eu costumava caminhar pela estrada até a casa de meu avô, de minhas tias e primos. Às vezes subia uma das montanhas.
 

 
A subida era íngreme. Havia gado no pasto. Às vezes eu escorregava, mas conseguia novamente subir. Esfolava os joelhos, os cotovelos, mas, criança que era, queria subir, subir. O sol estava para se pôr e eu queria contemplar aquela beleza.
 
Enxergava lá embaixo a minha casa, já pequenininha. Também visualizava a casa do vovô, dos meus tios. E dava para ver, pelos cantos da montanha, um pouco das casas da vila, no centro da Meia Légua. E subia, subia. Agora só os pássaros me faziam companhia. O gado berrava lá embaixo. Eu via a estrada em suas curvas por um bom pedaço; um cavaleiro estava subindo para Cambuí, outros dois desciam para a Meia Légua. Lá adiante, depois de minha tia Sebastiana, uma professora com algumas crianças caminhavam depois da aula. No curral do vizinho bem distante eu via as vacas a entrar para a ordenha. E subia, subia.
 
Lá em cima eu via o ribeirinho que descia da fonte de água. Que lindo! Água fresca, saída da montanha, límpida, potável e refrescante. Depois de bebê-la, continuei a subir, subir. E cheguei à parte mais alta. Minha casa estava pequenininha lá embaixo. Eu estava talvez a uns 300 metros lá da estrada. Via tudo: via o São Domingos, caminho do Córrego do Bom Jesus, via a entrada para São Mateus, em Camanducaia, via as duas capelinhas da entrada para a Roseta, bem ao alto. E orava.
 

 
Sim. Eu não era crente. Eu não havia ainda me convertido a Cristo. Eu nem sabia de Sua graça, salvação e transformação. Só conhecia as rezas. Mas ali, no alto da montanha, eu orava. Eu falava do coração com o meu Criador. Eu dizia a ele: "Senhor, eu vim aqui conversar conTigo! Como o mundo é lindo! É incrível!"

 
Há tantos anos que isso aconteceu! Passei boa parte do entardecer sentadinho na pedra, assistindo o desfile de nuvens branquinhas, que se encandeceram conforme o entardecer chegava. O azul deu lugar ao rosa afogueado e, logo mais, a brisa fria da noite de inverno chegou. Antes que escurecesse, eu desci. Fi-lo antes de papai chegar, para não levar bronca.
 
Depois que me converti, nos momentos de grande dificuldade, de grande reflexão, de grandes decisões, eu me ajoelho ao chão, imagino-me a subir aquela montanha, que já não é mais de nossa família há tantos anos, e subo novamente. Vejo as vaquinhas, vejo as galinhas, chego até a fonte, bebo da água fresquinha, subo mais, mais e mais, até chegar ao topo. Então, na minha imaginação, prostro-me ao chão, de frente para as montanhas daquelas Minas Gerais, e oro, dizendo: "Deus querido, há tanto tempo eu Te busco! Eis-me aqui novamente a falar conTigo, e a pedir-Te graça e companhia!"
 
E Deus, que não é fruto de minha imaginação, manifesta-se em minha realidade.
 
Ele nunca me faltou. Nos momentos de solidão Ele foi o meu companheiro. Nos momentos de sofreguidão foi o meu amigo. Nas horas de decisão foi o meu conselheiro. Nas horas de dificuldades foi o meu ajudador. Nos momentos de pecado foi o meu confessor e o meu Redentor. Nos instantes de dúvidas foi a minha luz. E todos os dias Ele é o meu EMANUEL, Deus comigo, presente, que nunca me deixa só.
 
Que o meu leitor e amigo tenha também a sua montanha para subir, mesmo que seja, como eu hoje, no meu quarto da cidade, longe da roça, infelizmente...
 

Wagner Antonio de Araújo

20/11/2017

domingo, 19 de novembro de 2017

memórias literárias - 558 - EU LUTO! MAS NÃO PELO SENHOR...

EU LUTO!
MAS NÃO
PELO
SENHOR...

558
Tenho visto muitas lutas por aí, no meio dos evangélicos.
Há os que lutam por (São) Calvino, como se este fosse o Redentor. É Deus no Céu e Calvino na Terra. Se algo não estiver em suas Institutas, se algo sair do esquema de seu pensamento monergista-fatalista, então é um grande anátema. Ai de quem ousar contra o calvinismo, a reforma (que nem de muitos foi!), as confissões de fé antigas dos batistas particulares ou do catecismo reformado! Seus jardins só têm tulipas exalantes...
Há os que lutam por Armínio. Muitos nem sabem quem foi ele, mas afirmam categoricamente serem arminianos. Buscam a salvação em Jesus na absoluta liberdade de quem pode aceitar, rejeitar, aceitar de novo, rejeitar novamente, etc. Tecem ousadas asseverações contra os calvinistas e constróem sua híbrida teologia onde Deus não é totalmente soberano. E zombam dos que crêem na "heresia calvinista".
Há os que são ultrafundamentalistas. Um destes chegou a brigar com outro, porque disse que não sabia para onde havia ido sua filhinha natimorta. Um crente dissera-lhe que o sangue de Jesus a salvava, mas ele protestou, dizendo que se ela não fosse uma predestinada, estaria perdida... São defensores de textos gregos específicos e de traduções específicas, incapazes de ver qualquer virtude em alguma outra que não seja exatamente de acordo com os seus teólogos americanos escolhidos. Se presbiterianos fundamentalistas, são os remanescentes. Se batistas, são os ultraindependentes. E por aí vai.
Cada um pode e deve esposar e defender a sua opinião e posição. Eu, por exemplo, sou um batista clássico. Defendo a maneira de ser e de acreditar do tipo batista até a década de 80, quando a minha denominação mudou os seus paradigmas interpretativos e o seu pessoal diretivo. Sou defensor do culto cristocêntrico e de uma hinódia tradicional. E milito nestes e em outros ideais. Mas...
Mas o que?
Mas temo que o Senhor tenha ficado esquecido em muitas destas lutas por opiniões de Paulo, Apolo, Pedro ou de cristãos. Estamos tão ocupados com a festa de aniversário que nos esquecemos do aniversariante. Estamos tão envolvidos com o sistema que nos esquecemos do propósito para o qual ele foi construído. Estamos tão viceralmente embuídos de um ideal de fachada que deixamos o principal de lado: a nossa luta é pelo Senhor, pelos seus valores, pelo Seu Reino, pela Sua vontade. Simplificando: deixamos de viver verdadeiramente a fé que propagamos. A prédica não é praticada. Vida cristã verdadeira é luta. E luta contra quem?
Luta contra a carne, o pecado, as tentações que tenazmente nos assediam todos os dias. Luta contra as armadilhas que nos colocam num abismo quase sem volta. Luta contra o assédio da mídia, da vã filosofia, dos adultérios sexuais, das falsas religiões. Luta contra o idealismo da auto-ajuda que facilmente nos faz deixar as fileiras do Reino e lutar pelas fileiras da carne e das suas concupiscências. Luta contra o secularismo e o evangelho social.
Luta contra o Diabo, Satanás, o acusador. Luta contra as hostes espirituais da maldade, contra o arqui-inimigo do evangelho. Luta contra o príncipe deste mundo, que domina a mente e coração dos homens. Luta contra as influências do maligno esparramadas na mente de nossos irmãos, de nossos familiares e de nós mesmos. Luta contra as suas tentações tão presentes, que querem ousar tirar Deus do trono de nossas vidas e colocar o nosso ego ou o próprio Satanás.
Luta contra o ceticismo. Este demônio sorrateiro, que deseja transformar o evangelho e a nossa fé num mero emaranhado de códigos e de valores que nada valem. Assim, conquanto sejamos lutadores de princípios acima descritos, deixamos de viver para o Senhor com fé, com discernimento, com afabilidade, com sensibilidade. Não oramos mais, não cremos mais, não temos fé naquilo que ousadamente asseveramos.
Então nos tornamos o contrário de nossas defesas. Dizemo-nos cristãos, mas mentimos. Dizemo-nos calvinistas, mas devemos dinheiro e satisfação ao próximo. Dizemo-nos arminianos, mas nos declaramos vítimas das línguas ferinas. Dizemo-nos fundamentalistas, mas negamos a eficácia dos princípios basilares do cristianismo. Nos consideramos clássicos, mas buscamos brechas que nos deixem respirar sem qualquer canga no pescoço. E o último pensamento que se nos apresenta é este: "E o Senhor? O que tenho feito de Jesus em minha vida?"
É aqui que a luta tem que ser alterada. Não sou eu quem devo fazer de Jesus alguma coisa. Eu devo entregar-me em Suas mãos e dizer: "Senhor, a luta é Tua, a batalha é Tua, Sou Teu servo, guia a minha vida e perdoa as minhas faltas. ". Preciso consertar o que o mal testemunho levou: se o meu próximo tiver um dedo para me apontar, eu, ao invés de jogar-lhe dez pedras, deverei buscar o que há de errado em mim e consertar-me, porque, se quero ser ícone de alguma coisa, que o seja de humilde servo do Deus vivo.
Porque a outra bandeira, a da opinião, só terá credibilidade se eu, como sustentador de opinião específica, tiver testemunho de Cristo para chancelá-la, carimbá-la e validá-la. E só o Senhor em nossa vida e testemunho pode fazer isso. Senão eu serei um grande modelo, mas a não ser seguido!
Quando eu tiver o Senhor como General e a Sua luta como a minha luta, a minha bandeira será levada com maior facilidade (ou trocada por uma que melhor represente a vontade do Senhor).
Quero lutar, mas a luta do Senhor. Quero lutar para ser um cristão na prédica e na prática. Que Deus me ajude!

Wagner Antonio de Araújo

sábado, 18 de novembro de 2017

memórias literárias - 557 - O POLITIQUEIRO


O
POLITIQUEIRO

 
557
 
A atividade política é legítima e precisamos de homens públicos que primem pela justiça, pela honestidade e pela coerência. Temo, contudo, que este desejo não alcance sequer 0,1% dos homens públicos deste país.
 
Mas não é do político de carreira que falo nesta reflexão. Destes os jornalistas, os policiais, os empresários, a polícia federal, os juízes e a mídia de um modo geral, já falam. E muito!
 
Falo do politiqueiro, daquele que vive cercado de pessoas das mais variadas espécies, convicções e comportamentos, e busca estar bem com todos, dizendo pela frente o que todos querem ouvir, negando tudo o que dizem quando lhes convém.
 
Pessoas assim são muito fáceis de serem encontradas. Elas estão por toda parte. São pessoas de conversa fácil, extremamente gentis e agradáveis. Falam de tudo com a aparência de convicção e honestidade. E, não raras vezes, nos constrangem a crermos nelas como se fossem coerentes.
 
Mas elas não são.
 
Elas se comportam de formas diferentes, dependendo dos auditórios. Quando estão com os que pensam de certa maneira, afirmam assim pensarem. Quando estão com os contrários, convencem-lhes de que no fundo pensam como eles também. E, ao terem um confronto dos dois grupos, conseguem convencê-los de que o importante é ter uma opinião e que ambas são boas.
 
Infelizmente vemos gente assim na igreja também. Aliás, não só na igreja, mas no ministério pastoral. São muito sabidos. São muito inteligentes. E tornam-se extremamente populares. Falastrões natos, levam o auditório ao delírio. E, quase sempre, conseguem tudo o que querem.
 
Quando contrariados não dão o braço a torcer. Fingem que os oponentes estão certos e de que erraram. Quando os oponentes percebem, acabam por fazer exatamente a vontade dele, mesmo com nomenclaturas e formatos diferentes. Eles ganham todas! Eles manipulam a todos. Eles se dão bem com todos.
 
Eles gostam dessa popularidade. Amam a glória dos homens. Gostam de aparecer nas diretorias e terem os seus nomes impressos em jornais e sites de notícias. Mesmo que nada tenham para falar, gostam de aparecer e de dizer: "Com toda a convicção eu digo: concordo!". E então ganham simpatizantes.
 
O politiqueiro é assim: quando está com o Genésio, diz que o Pedro não presta. Ao sair, liga para o Pedro e compartilha o quanto o Genésio é ruim. Ao final, coloca as suas duas vítimas em confronto e assiste ao espetáculo deprimente da intriga que fez.
 
 
Ah, politiqueiro hipócrita! O juízo de Deus lhe alcançará e a verdade virá à tona!
 
Um dia a sua política não lhe deixará imune ao castigo e você verá que quem não tem lado nenhum já está do lado dos bandidos.
 
Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus. (Jo 12:43)
 
Antes, como Deus é fiel, a nossa palavra para convosco não foi sim e não. (2Co 1:18)
 
Pois não era um inimigo que me afrontava, então eu o teria suportado. nem era o que me odiava que se ngrandecia contra mim, porque del me teria escondido. Mas eras tu, homem eu igual, meu guia e meu íntimo amigo", Salmos 55.12-13
 
Que Deus nos dê discernimento para não cairmos nas mãos dos politiqueiros, sejam eles políticos ou religiosos, públicos ou privados!
 
Wagner Antonio de Araújo

18/11/2017

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

memórias literárias - 556 - TRÍPLICE LIVRAMENTO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 22

TRÍPLICE
LIVRAMENTO


 
Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 22
 
556
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Hoje meditaremos no Salmo 116.8: “Pois livraste da morte a minha alma, das lágrimas, os meus olhos, da queda os meus pés”.
O autor deste salmo fala de três coisas importantíssimas na vida de todo o homem: alma, olhos e pés. Com a alma nós existimos, vivemos, temos consciência de quem somos. É ela quem faz com que não sejamos um corpo morto, um ser inanimado. A segunda coisa da qual ele fala são os olhos. Os olhos são a janela da alma, o meio através do qual enxergamos o mundo ao nosso redor. Como é difícil ser privado das vistas! É claro que Deus dá graças e o homem pode lutar e vencer sem elas, mas as vistas enxergam mais do que o ambiente; elas vêem o que o coração quer ver. E a terceira coisa são os pés. Também há pessoas privadas destes, mas eles são deveras importantes para a locomoção, para a vida independente, para a saúde do corpo. O salmista fala de três livramentos envolvendo estas partes que compõem o homem.

Ele diz que Deus livrou a sua alma da morte. É Ele quem dá livramento à nossa alma. E ainda mais: Ele nos livra do inferno, da condenação eterna. Não é a nossa força, o nosso mérito, o nosso esforço quem nos concede a salvação. Diz-nos a Bíblia: “Pela graça sois salvos por meio da fé” e ainda diz: “O sangue de Jesus Cristo nos purifica de todo pecado”. É Deus quem livra a nossa alma da perdição.

Também afirma que Deus livrou os seus olhos das lágrimas. Todos choramos, mas há um choro que pode ser consolado para sempre: é o choro da perdição. Conta-nos a Bíblia que um rico encontrou-se no Hades cheio de fogo e desconforto, e que olhou para o “seio de Abraão”, o Paraíso e viu Lázaro, um pobre que fora salvo. Ele lamentou o seu estado e rogou pelos seus na Terra. Não foi atendido, pois as orações só recebem resposta em vida. E lamentou estar naquele estado. Deus, ao salvar a nossa alma em vida, livra-nos de lágrimas eternas. Quem se refugia em Deus encontra consolo.

Por fim, livrou os seus pés da queda. Ele está se referindo às quedas que podemos ter na vida se não observarmos os mandamentos de Deus. Quem quer uma vida abençoada e com bons resultados deve andar nos caminhos de Deus. Quem se firma na Palavra do Senhor não cai. E se cair, o Senhor o levantará. Deus sustenta a quem o coloca em primeiro lugar.

Que tríplice livramento maravilhoso! Que cada leitor experimente também, na presença de Deus, bênçãos tão maravilhosas quanto as que o autor deste salmo experimentou.
 

Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

memórias literárias - 555 - UMA VIDA SEM TROPEÇO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 21

UMA VIDA
SEM TROPEÇO


 
Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 21 

 
555
 
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Um dos consolos mais importantes que encontramos nos Salmos é o que se encontra no Salmo 119.165, que diz assim: “Grande paz tem os que amam a Tua Lei; para eles não há tropeço”. 
Tropeços no caminho; ah, como são ruins! O motociclista, em alta velocidade, ainda que perspicaz e bem habilitado, pode ser surpreendido com um tropeço no caminho: um pedaço de pneu, um animal que cruza, um pedestre que não observou a sua chegada. Quantos acidentes acontecem!

Outros tropeços acontecem em nossas próprias casas. Ao descer a escada, ao ir à garagem, não observamos uma casca de banana ao chão, ou uma caixa, ou qualquer outro objeto e, não dando tempo de escapar, tropeçamos e caímos. Quanto desconforto pode advir disto!

Há outros tipos de tropeço. A inobservância das leis pode colocar alguém em má situação, diante de uma autoridade. Um esposo ou uma esposa descuidados, que recebem alguma fotografia ou vídeo inadvertidamente, podem ter problemas sérios para explicarem-se junto à família.  Um crente que se encontra num local não recomendado a pessoas de respeito terá grandes problemas em explicar-se às pessoas que  o têm como exemplo.

O salmista diz que os que amam a Lei de Deus não têm tropeço. E por que? Porque a obedecem! E quem obedece a Lei de Deus está do lado certo, está do lado da justiça, está do lado da luz. Jesus Cristo disse: Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele. (Jo 14:21)  Deus mede o amor de alguém pela obediência à Sua Palavra. Quem a obedece está tranqüilo, pois anda na luz. Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. (1Jo 1:7)
Quem ama a Lei de Deus não vive a tropeçar. E a Bíblia diz mais: ela fala que não é apenas o evitar o mal, mas a própria aparência do mal. Quem ama a Lei de Deus age com cautela, com prudência, buscando agradar ao Senhor. E tem paz! A paz de quem vive aquilo que afirma crer. A paz de quem não se condena pela prática. Essa paz podemos ter, quando amamos os mandamentos do Senhor. E estes mandamentos estão na Bíblia. Eles começam com a entrega da vida a Cristo, aceitando-O como Salvador e Senhor.

Que o ouvinte tenha a grande paz daqueles que não vivem a tropeçar, e que amam a Lei de Deus, a Jesus e a Sua Palavra. Que Deus nos abençoe. Amém.
 

Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

memórias literárias - 554 - É TÃO DIFÍCIL ENTENDER ...


É TÃO
DIFÍCIL
ENTENDER...

 
554
 
Certa feita Pedro sentiu-se ocupado com a vida de um companheiro, João. Na sua última prosa com o Senhor, quando este lhe manda cuidar do rebanho dEle, faz uma indagação: "E o que há de ser deste?" Jesus Cristo lhe responde: "Se eu quiser que ele fique vivo até quando eu regressar, o que te importa?" Esta conversa deu-se em João 21.
 
Enquanto a tarde chega eu também estou como Pedro. Pensando, pensando...
 
Penso nos amigos e nos irmãos (ou supostos irmãos) que abandonaram o Caminho, ou inverteram os valores com o correr dos anos.
 
Trabalhei com um rapaz crente, muito carismático e cheio de vida. Hoje ele está fora da igreja, com cerveja na mão, num grupo de amigos. A questão nem é a abstinência em si; é o desejo de ser fotografado no antagonismo comportamental. Por que?
 
Tive um técnico de som que também era crente. Jovem, muito inteligente. Abandonou a igreja e hoje mantém em sua rede social a figura de Calvino (talvez por faltar-lhe personalidade própria). Nos textos palavrões e e agressões aos batistas e evangélicos, pratos onde ele comeu as primeiras refeições. Ele se diz salvo. Por que?
 
Uma linda jovem, talentosa, conheci-a na adolescência. Hoje é mulher casada e avó. Trocou a simplicidade evangélica por um neojudaismo que mais complica do que explica. A sua agenda é a do Velho Testamento e a sua comunhão é com um país, não com a igreja. Por que?
 
Conheci o filho de um querido colega. Um menino lindo, simpático, inteligente. Hoje é um hippie e defensor do ateismo nutricional, fazendo do ventre a regra do viver. Não há um simples sinal da fé que aprendeu com o seu pai. Por que?
 
Lembro-me de um colega de faculdade teológica. Forte, vivaz, muito participativo, defensor da doutrina. Hoje é apóstolo, tornou-se internacional, propaga a heresia de Benny Hinn e serve ao sistema dos nobres apóstatas. Não há um único sinal daquele jovem rapaz carismático dos dias de faculdade. Por que?
 
Ao escanear uma antiga revista teológica da década de cinquenta, deparei-me com um lindo testemunho de um filho de missionário batista. Inteligente, erudito, muito dado a idiomas. Sessenta anos depois ele já partiu, mas tornou-se o ícone da equivalência dinâmica nas traduções bíblicas, essa febre de mudar o que o texto disse com aquilo que eu acho que o povo deva entender. Como ele deixou a ortodoxia inicial e tornou-se pródigo no liberalismo? Por que?
 
Lembro-me de Jesus a falar para os Seus: Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo (Jo 16:33)
 
Ver tanta mudança e alteração de paradigmas, tanta instabilidade daquilo que se cria e partilhava e as novas posturas adotadas por tanta gente que conheci me deixa triste, pensativo, divagatório, nostálgico. Eu, que não cheguei ainda à velhice propriamente dita, já sinto a ausência dos meus amigos (que não morreram, mas é como se o tivessem). Imaginem aqueles que ficaram velhos e já não têm quase nada em comum com o mundo de hoje!
 
Isso causa melancolia. Mas em Jesus tenho paz. Aquela paz duradoura que não se consegue com a razão esclarecida, ou com a emoção dominada, mas com a ação poderosa do Espírito Santo a confortar o coração. Neste mundo teremos grandes decepções; cabe-nos, contudo, a responsabilidade de não sermos decepção para ninguém por incoerência de nossa vida ou desmazelo de nossa fé. Se escandalizarmos pela continuidade de nossa fé firmada na Bíblia, amém. Mas nos tornarmos irreconhecíveis pelas bugigangas que vestimos ao longo do caminho, ah, que Deus nos livre disso!
 
Graças a Deus eu cri no Senhor Jesus Cristo em 23 de fevereiro de 1980 e assumi a minha fé cristã e a confissão batista. Fi-lo na intenção de viver o resto dos meus dias na confiança absoluta no que Cristo fez por mim na cruz do Calvário. A minha Bíblia era suficiente e continua sendo. E, até que o Senhor volte ou que Ele me leve, seguirei por este caminho, não me desviando nem para a direita e nem para a esquerda; nem me tornando vegano, neojudaizante, neoapostólico, liberal, mundanizante ou simplesmente ateu.
 
Soa como música para a minha alma a ordem de Deus para Daniel: Tu, porém, vai até ao fim; porque descansarás, e te levantarás na tua herança, no fim dos dias (Dn 12:13)
 
Seguir-Te-ei, Senhor.
 
Wagner Antonio de Araújo

15/11/2017

G R A T I D Ã O

GRATIDÃO

Agradeço a cada pessoa que recebe os meus e-mails, textos, vídeos e
comunicações no whatsapp/facebook.

Agradeço aos que lêem, aos que compartilham, aos que deletam, aos que são
indiferentes.

Agradeço por lerem as publicações dos heróis da fé que mantenho em
circulação, tanto pela atualidade de sua mensagem, quanto pela dignidade de
seus protagonistas. Eles, mesmo tendo partido deste mundo, têm muito a
contribuir com a obra realizada em vida.

Por fim, dou graças por aqueles que oram por mim, para que a graça opere
eficazmente em meu coração, ministério, literatura e produção. Somente Deus
poderá recompensá-los.

Em Cristo Jesus, nosso suficiente Salvador,

Wagner Antonio de Araújo,
pastor

memórias literárias - 553 - SOSSEGO DE CRIANÇA - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 20

SOSSEGO
DE CRIANÇA

Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 20
 
 
553
 
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. O livro dos Salmos nos reserva momentos ímpares. Nele encontramos lições para á vida inteira. Uma delas fala sobre o sossego de criança. No Salmo 131, Davi canta no verso 2: “Pelo contrário, fiz calar e sossegar a minha alma; como a criança desmamada se aquieta nos braços de sua mãe, como essa criança é a minha alma para comigo”.
Davi conhecia muito bem o que era um choro de criança. Eu, que fui pai com meia idade, só vim conhecê-lo agora, após os cinqüenta. Deus concedeu-me dois filhos, uma menina, Rute Cristina, e um garoto, Josué Elias. São as minhas jóias. Josué é o mais novinho. Enquanto escrevo ele tem cinco meses de idade. Ele é muito bonzinho, risonho, tranqüilo. Porém, quando o horário de dormir chega, ele consegue alvoroçar a nossa casa toda. Chora, esperneia, com os olhinhos vermelhos, não aceita o colo de ninguém. Sua mamãe, a minha esposa Elaine, toma-o no colo, fala-lhe docemente, dá-lhe o peito para amamentá-lo e, em questão de minutos, o pequenino adormece angelicamente nos braços da mamãe. Ele conhece a mãe que tem: atenciosa, cordata, cuidadora, generosa, fonte de sua alimentação. Por isso, quando grita e esperneia, não quer o colo ou a ajuda de ninguém, a não ser da mãe. Somente ela acalma a sua necessidade.

Davi dizia que a sua alma era semelhante à alma dos bebês. A sua vida era tão agitada, tantas guerras, tantos motins, tantas dificuldades, tantos compromissos, tantos problemas de família, que ele precisava de sossego e paz, ele precisava descansar de verdade. E somente Deus poderia dar-lhe o descanso necessário. Não era o seu general do exército, nem o tesoureiro de governo, nem os ministros de área do país. Somente Deus, o Senhor de sua vida, poderia dar-lhe aquela mesma paz, aquele mesmo acalanto, aquela doce tranqüilidade que tão bem faria para a sua alma. No colo de Deus Davi dormia em paz, em alegria, com a alma suprida do pão divino e da paz contínua.

Teria o ouvinte experimentado refugiar-se no colo de Deus? Deus, como uma mãe querida e atenciosa, lhe tomará em  Seus braços e lhe concederá os cuidados essenciais, necessários, supridores, trazendo à alma a paz e a tranqüilidade necessárias. Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente. (Is 40:11)
Busque ao Senhor em oração e coloque-se como criança no colo de Deus. O que Davi experimentou o ouvinte certamente experimentará também. Que Deus o abençoe.
 
Wagner Antonio de Araújo
mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 


 

terça-feira, 14 de novembro de 2017

memórias literárias - 552 - O MELHOR REFÚGIO - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 19

O MELHOR
REFÚGIO

Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 19
 552
Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Continuamos a pensar com bastante atenção nas maravilhosas promessas de Deus, contidas no livro de Salmos. Como já falamos anteriormente, trata-se do livro bíblico dedicado aos cânticos que se entoavam no templo de Jerusalém, a maioria da autoria de Davi, mas também com a cooperação de Moisés, Jedutum, os filhos de Core, Asafe e outros. Hoje pensaremos no que encontramos no Salmo 118, versículo 8: “Melhor é buscar refúgio no Senhor do que confiar no homem”
 
Há aqueles que sofreram uma desilusão sentimental e procuram refúgio em amigos, em psicólogos, em conselheiros. Amigos, psicólogos e conselheiros são importantes, mas eles em si não poderão tirar de nossos corações nenhuma desilusão, ou mesmo revertê-las. O máximo que podem fazer é solidarizarem-se conosco.
 
Há aqueles que perdem o emprego e buscam refúgio num vereador, num prefeito, num deputado. Imaginam que uma boa indicação abrirá todas as portas. Não raras vezes essa expectativa não se concretiza, uma vez que somos importantes aos políticos apenas em épocas de eleição. Além do mais não são os bens públicos que nos darão de volta o que as crises nos levaram. Talvez um ou outro nos ajude em alguma coisa, mas a solução não se encontra nisso.
 
Há os que ficam doentes e buscam refúgio em fórmulas mirabolantes de cura. Aceitam regimes bizarros à base de coisas naturais, colocam-se como cobaias em experimentos e terminam por não encontrar a cura necessária. Os remédios podem auxiliar, mas eles não são o refúgio completo.
               
O Senhor nosso Deus é o nosso refúgio. Ele pode nos abrigar das tempestades, assim como o guarda-chuva nos abriga dos aguaceiros. O refúgio em Deus é melhor do que o refúgio dos homens, pois estes não ficam sempre conosco, mas Deus permanece com aqueles que O buscam. Jesus Cristo afirmou: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mateus 28.20). O socorro de Deus não se restringe ao problema em si, mas à raiz de todos os problemas. Deus preenche em nós o vazio que existe em todo o coração. Quem se refugia em Deus encontra paz no coração, perdão para os pecados e vida eterna nos Céus. O socorro do Senhor é completo e está disponível neste momento, a qualquer que orar, clamando com sinceridade e fé. “Tem misericórdia de mim, ó Deus”. Uma oração assim jamais será desprezada pelo Senhor. Faça-a e encontre o refúgio verdadeiro, muito melhor do que o refúgio em homens limitados. Que Deus nos abençoe.
 Wagner Antonio de Araújo

mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes).