quinta-feira, 24 de setembro de 2020

memórias literárias - 925 - ELE A ACHOU

 ELE A

ACHOU
 
925
 
Ele passou invisível pela rua. Caminhava decididamente. Olhava para os prédios da região, para as casas, para tudo. E viu, encrustado entre dois prédios uma casa antiga, dessas casas que não são vendidas para as grandes construtoras, que se tornam estorvo ou solução - estorvo para a ânsia grotesca de verticalizar a região, solução para espaços necessários ao comércio local. Mas ali não havia nem estorvo e nem solução. Havia um chamado mais do que especial.
 
Ele passou pelas grades altas e entrou, sem fazer questão de abrir nada. Olhou por fora e localizou um local no segundo andar do sobrado. Passou pela porta sem abri-la, surgiu na sala e, tranquilamente, caminhou até o andar de cima. Havia um quarto nos fundos. Estava com a porta fechada. Ele entrou assim mesmo. Ali era o quarto dela. Um aposento simples, modesto, mas confortável. Um tapete, uma cama, um guarda-roupa, um rádio, um andador. Apoiada naquele suporte de caminhadas estava a mulher. Idosa, arcada, mas serena, decidida. Ela orava baixinho.
 
- "Pai Santo, eu Te louvo na beleza de Tua santidade. Os meus olhos jamais Te viram, mas a minh'alma te conhece muito bem! Ah, Senhor da glória, como Tu és belo! Perdão pelo tempo em que Te buscava em pedaços de gesso, barro ou figuras. Eu era cega! Hoje, sem vistas boas enxergo muito mais, pois fui iluminada pela Tua Palavra! Tu és o meu Salvador, Senhor Jesus! Tu és o único caminho!"
 
- "Senhor, eu oro pelos meus filhos e netos. Ah, Deus querido, eles precisam tanto de Tua graça! Eles precisam de um despertamento espiritual! Eu tanto lhes ensinei o caminho da vida, mas eles estão avessos à vida de oração! Têm tantas bíblias, mas não as lêem! Estavam numa igreja Tua, mas encontraram essas igrejas modernas onde não são necessários compromissos e hoje vivem como se nunca tivessem Te conhecido! Senhor, toca em seus corações!"
 
- "Eu também Te peço pela minh família, minhas irmãs, sobrinhos, cunhados. Eles não conhecem a Ti, Senhor. Eu lhes dei bíblias, eu lhes contei sobre Ti, cheguei a ser convidada a me retirar da casa da irmã que mais amava! Isto doeu, Senhor, como doeu! Mas não mais do que a dor que Jesus sentiu quando por eles morreu na cruz do Calvário! Pai santo, converte o coração de minha família! Que eles não partam deste mundo sem Cristo!"
 
- "Eu oro pelo Brasil, Senhor. Ah, meu Deus, como o mundo está mudado! Eu sei que são sinais da Tua vinda. Mas tenha misericórdia das criancinhas abandonadas e abusadas; tenha compaixão das mães solteiras; tenha piedade dos que passam fome! Abre o coração de todos para que Te conheçam como único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo como único Salvador!"
 
- "Eu nada peço para mim, Senhor. Eu já vivi bastante. Eu sou grata por ter criado os filhos que Tu me deste. Sou grata por ter honrado o marido com o qual pude viver grande parte dos meus dias. Também agradeço pelos remédios que amenizam as minhas dores nas pernas e tiram a inflamação das minhas juntas. Há tantos que não têm acesso a tudo isso! Obrigado pelo estômago sadio que tenho. E me ajude a ser fiel, Senhor. MANDA TEUS ANJOS PARA ESTAREM À SERVIÇO DA TUA GLÓRIA! E responde-me a esta oração, pois não a faço fiado em meus méritos, pois não os tenho. Eu oro fiada nos méritos de Teu Filho Jesus Cristo, o meu Salvador, por quem Te agradeço por tudo. Amém"
 
Ele ouviu e emocionou-se com a ternura da doce velhinha. Então olhou para o Alto e disse:
 
- SENHOR, É ELA. ENCONTREI-A. ESTAREI A TEU SERVIÇO E À TUA DISPOSIÇÃO. ELA É UMA DAS TUAS FILHAS VERDADEIRAS. AS ORAÇÕES DELA SERÃO RESPONDIDAS.
 
Em seguida ele saiu. Havia muito por fazer. Ele visitaria o lar dos filhos dela. Provocaria situações que os confrontasse com a necessidade de voltarem os olhos a Cristo. O mesmo faria com os parentes desta mulher. E motivaria os governantes a fazerem algo pelos motivos por ela citados na oração. Este anjo tinha muito trabalho pela frente.
 
Não são porventura todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação? (Hb 1:14)
 
Então o anjo me disse: Não temas, Daniel, porque desde o primeiro dia em que aplicaste o teu coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, são ouvidas as tuas palavras; e eu vim por causa das tuas palavras. (Dn 10:12)
 
O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra. (Sl 34:7)
 
Wagner Antonio de Araújo
dedicado a Elzira Bonfante,
a minha mãe inesquecível, cujas orações
foram ouvidas, respondidas e abençoadas.

memórias literárias - 924 - OS SEUS SAPATOS

 OS SEUS

SAPATOS
 
924
 
Um pastor muito querido havia falecido. Ele deixara uma farta biblioteca, inúmeras pregações filmadas, gravadas, publicadas em livros. Fora um exemplo para todos os crentes. E agora a viúva, depois de refeita do luto, decidiu doar os seus bens. Afinal, na nova casa onde iria morar, pequenina e modesta, não haveria possibilidade de manter os ítens que tão úteis foram enquanto o seu esposo servia ao Senhor.
 
Ela ofereceu a sua biblioteca aos pastores que eram considerados íntegros pelo seu esposo. Ela sabia que a sua biblioteca não interessaria aos seminários modernistas, aos calouros em teologia repletos de novidades ou aos meros estudiosos que não agiam conforme as Escrituras. Doou os livros aos pastores dedicados a Deus e aos jovens pregadores que seguiam as sendas do velho mestre.
 
As roupas também foram para quem as utilizaria bem. Os ternos serviram na medida para colegas que tinham a estatura dele. As camisas foram úteis a alguns familiares. Roupas de baixo foram doadas à caridade. E as blusas foram para a campanha do agasalho.
 
Sobraram à viúva os escritos pessoais, as cartas, as fotografias, os vídeos, os áudios e apenas um ítem do vestuário. As irmãs mais próximas perguntaram-lhe por qual razão não queria doar o seu velho par de sapatos. Aliás, porque não desejou jogá-lo fora, visto que estava extremamente gasto, furado e com marcas irreformáveis por causa do uso. Suas palavras foram épicas:
 
- "O meu marido está com Cristo, aguardando a santa ressurreição. Ele está feliz, ao lado de Jesus e dos santos que o precederam. Ele não está mais doente, cansado, idoso ou limitado, como nos últimos tempos. Pelo contrário, tem um corpo lindo e jovem, temporário, aguardando o dia em que, com Jesus, voltará e ressuscitará, tornando-se completo na redenção. As suas lembranças são doces e seletivas. Ele sabe o que Cristo fez por ele e qual foi o preço da salvação. E vive a santa alegria dos salvos pela graça de Jesus".
 
- "Este par de sapatos velhos, desbotado pelo muito uso e carcomido pelo tempo, pelas águas, pelo desgaste natural, eu quis guardar comigo. Não para me servir de lamúrias, de murmuração contra a vontade de Deus. Ele sabe o que faz e levou o meu amado esposo na hora e no tempo em que julgou adequado. Mas estes sapatos são especiais. Digo que, para mim, se tornaram os sapatos mais importantes de toda a minha vida."
 
- "Neles eu vejo o quanto o meu marido serviu a Deus e o quanto amou a Jesus. Cada desgaste das solas testemunha os muitos lugares por onde foi, levando a Palavra de Deus, o testemunho de Jesus, o consolo do Espírito Santo e a redenção aos pobres pecadores inconversos. Quantos hospitais, quantas vielas, quantas casas, casebres, mansões, ruas, avenidas, estradas, edifícios, quantos lugares o meu marido não foi com este par de sapatos! E o destino sempre foi o mesmo: ir onde Deus o mandava! Disto eu não tenho dúvidas!"
 
- "Com estes sapatos o meu marido orou com os convertidos. Com eles levou a muitos pelo caminho da salvação. Foi calçado com eles que conduziu cestas básicas a lares tão carentes. Seus sapatos foram testemunhas de horas e horas de solene estudo bíblico e preparação para os seus sermões. Também o aqueceram nas noites de inverno, quando caminhava pelas ruas e congregações, levando o evangelho. Quantas vezes o sustentaram enquanto ele, ereto e em êxtase do Espírito Santo, pregava com poder e sabedoria a mensagem salvadora de Jesus no púlpito de nossa igreja, nas conferências que realizou, nos congressos onde pregou e nas reuniões que assistiu?"
 
-"Estes sapatos nunca pisaram a estrada da mentira, do engodo, da falsidade. Estes pés nunca precisaram de uma reprimenda para não caminhar no caminho dos pecadores, pois o meu marido de fato andava com Deus. Quantos homens hoje podem dizer o mesmo de si? Quantas esposas podem afirmar isso sobre seus maridos? Pois eu posso, minhas irmãs! O meu marido andou com Deus de verdade e eu sou grata ao Senhor por tamanha dádiva! A beleza dele nunca foi física, nunca foi econômica ou social. Para mim ele era belo, era rico e era uma dádiva no convívio com os nossos queridos. Mas a maior riqueza que ele tinha era a sua integridade. Eu não tenho dúvida alguma e sinto gratidão por isso!"
 
- "Com estes sapatos o meu marido andou com Deus. Os seus pés foram formosos, como os de João, o Batista, como os pés de todos os que anunciaram boas-novas ao longo da história e como espero que sejam os pés dos novos servos do Senhor que tomam para si a responsabilidade de pregar a Palavra de Deus!"
 
- "Por esta razão, minhas irmãs, eu quero ter este par de sapatos comigo. Quando eu partir podem dá-los a um jovem obreiro que palmilhe a mesma senda de fidelidade que o meu marido trilhou. Que lhe sirva de inspiração, de estímulo, de testemunho e de fortalecimento, passando a mensagem de que vale a pena andar nos caminhos do Senhor e ser fiel até a morte. O meu marido, exemplo de homem de Deus, foi assim. Por isso estes sapatos continuarão comigo, para que eu sempre me inspire e caminhe com Cristo como o meu marido caminhou, até que me una ao Senhor, partindo para o Céu, como ele também o fez."
 
Que palavras santas! Que palavras inspiradoras! Depois de ouvi-la eu olho para os meus sapatos e digo: será que a minha esposa poderá dizer o mesmo de mim um dia? Será que os meus filhos e os que me conhecem poderão afirmar o mesmo a meu respeito? Olhe para os seus sapatos. Por onde eles têm ido? Quais os caminhos que o leitor tem trilhado? Terá também a integridade que este velho pastor teve? Poderá deixar à esposa e aos filhos o mesmo testemunho de vida reta, digna, de sempre estar a andar sempre de acordo com a Palavra de Deus?
 
Ainda é tempo. Limpe os seus sapatos ou compre um novo par. E diga para si: de hoje em diante serei também digno de deixar os meus sapatos para quem eu amo, quando partir. E poderão orgulhar-se da vida que vivi. Os meus pés também serão formosos e serei um semeador de boas-novas.
 
Quão formosos os pés dos que anunciam o evangelho de paz; dos que trazem alegres novas de boas coisas. (Rm 10:15)
 
Wagner Antonio de Araújo

terça-feira, 22 de setembro de 2020

memórias literárias - 923 - RELEVÂNCIA

 RELEVÂNCIA

 
923
 
Todo mundo deseja ser considerado por alguém. Todos nós precisamos ter senso de importância, de sermos especiais para alguém. Com esta pandemia monstruosa muitos se sentem sem valor algum.
 
Olham para a sua vida profissional e vêem a falência do seu negócio, o desemprego sem perspectiva de mudança, a idade que impede a contratação, as limitações da pandemia. Consultam o banco e não observam saldo. Não têm perspectiva alguma. Então sentem-se irrelevantes. Dependem da esposa, do marido, dos filhos ou dos amigos para não se tornarem indigentes. Que tristeza!
 
Olham para a sua vida familiar e encontram a absoluta solidão. Confinados num apartamento de três cômodos ou numa casa grande e vazia, convivem com uma ou duas pessoas apenas. Isto quando não estão absolutamente sozinhos. Não vêem mais os filhos, os netos, os parentes, os amigos. Não há mais encontros familiares, nem lazer, nem passeios, nem viagens. Tudo o que têm é um contato etéreo com um vídeo, um áudio, um telefonema e inúmeras futilidades no whatsapp ou no facebook. Quando pensam que alguém deles se lembrou percebem que foi mais um compartilhamento de algo interessante e completamente inútil. Anseiam por um telefonema e este nunca chega. Esperam uma mensagem pessoal e esta nunca é escrita. Sonham com a lembrança de si no coração de alguém a quem amam e isto jamais acontece. Quando não, estão com sérios problemas de convivência com quem mora junto, um clima altamente insuportável. E então desesperam-se de viver.
 
Olham para os seus afazeres pessoais em casa e pensam: há tanto por fazer, mas não sei nem por onde começar. E, se fizer, para quê será feito? Organizar armários? Cadastrar bibliotecas? Arrumar o guarda-roupa? Tirar o mato do vaso? Limpar a vidraça? Fazer backup do computador? Tudo é assaz importante. Mas qual a real importância? Serei mais feliz? Produzirei mais alegria? As coisas importantes ficam por fazer: pias repletas de louças, roupas sujas e sem lavagem, mato no jardim, chão grudento da cozinha, banheiros fétidos, carros empoeirados. As coisas simplesmente travam...
 
Olham para a sua vida sentimental e contemplam os sonhos transformados em quimeras. O casamento marcado foi cancelado e a noiva já dá sinais de exaustão nessa espera sem fim. A festa, a viagem de lua-de-mel, as bodas de prata ou de ouro, a formatura na faculdade, a inauguração de uma propriedade, a entrega de um projeto, tudo tornou-se praticamente nulo. O amor que deveria ser desfrutado em toda a sua plenitude tornou-se virtual e sem calor. Não há mais beleza em nada, não há mais palavras a serem ditas. Tudo ficou desgastado.
 
Olham para a sua vida espiritual e nada vêem senão promessas e bravatas. As inúmeras mensagens bíblicas ou devocionais que recebem batem sempre na mesma tecla e não tocam música alguma. Todos dizem muito sem dizer praticamente nada. Há uma jactância posicional da fé, incompatível com a triste realidade vazia de uma comunhão interrompida e quebrada. Igrejas inventam suas ceias à distância, sem observar os ensinos do Novo Testamento. Cada um faz a sua própria ceia, na hora que desejam, quantas vezes querem e com os elementos que escolhem. Convidam quem querem, pois tudo não passa de algo meramente subjetivo e "a la carte", ao gosto do freguês, ops, do crente. As igrejas passam semanas e meses nessas intermináveis e intragáveis "lives", um misto de sons esganiçados, de frases de efeito, de tentativa de normalidade eclesiástica e de trechos de outros cultos selecionados. Mas a alma do crente geme e chora, se de fato é do rebanho. Rebanhos não estão mais nos apriscos, mas esparramados nos lares, perdidos em seus mundos de isolamento.
 
Pastores gemem e choram também. Seus ministérios exigem que se faça alguma coisa, pois, caso contrário as finanças sucumbirão e os crentes debandarão. Eles precisam estar na mídia, senão a outra igreja tomará o horário nobre dos crentes sem atividades. E eles não sabem mais o que fazer com tantas restrições. Têm visitas a fazer, mas não podem. Têm aconselhamentos a dar, mas têm que usar a mídia. Têm cursos, encontros, atividades planejadas, mas estão todas suspensas. Quantos eventos foram cancelados e quanto prejuízo promocional aconteceu! Acabam sabendo de gente que já debandou da igreja e que está se alimentando com tal mídia, com tais obreiros e tais igrejas. Ele se sente só e abandonado, pois tem tanto que dar e tão pouco a receber!
 
Mas estes ainda estão melhores do que os pastores sem ministério. A pandemia os pegou em trânsito, quando deixavam uma igreja e aguardavam a oportunidade em outra. Eles deixaram de receber convites. Eles tornaram-se ignorados, absolutamente descartados de qualquer processo, pois tudo parou. Os formandos, aqueles que esperavam o início, não têm mais certeza de nada, pois também não pregam e não servem em parte alguma. E os pastores aposentados? Tornaram-se peças de museu, lembrados apenas pela memória dos que já envelheceram. Convites para pregar? Pregar aonde? E se as igrejas abrem, o espaço não será deles. Nem dos pastores sem ministério. Os titulares precisam garantir as suas posições!
 
Nós temos sede de relevância, de sermos importantes na vida de alguém. Experimente deixar de mandar vídeos, áudios ou textos em mídias sociais e comunicadores virtuais. Experimente silenciar. O resultado será o esquecimento de quase todos. Ninguém está, de fato, se importando com ninguém. As pessoas publicam porque querem ser importantes, querem ser lembradas, querem estar "no mercado". Elas assistem algo de que gostam, escutam uma mensagem que lhes é agradável ou lêem uma notícia que julgam importante e mandam. Mas assim: cruamente, sem um olá, sem um bom dia pessoal. O máximo que mandam é um incômodo "emoji" essas figuras que fingem representar algo, mas que não dizem nada. Quase tudo o que circula no whatsapp náo é pessoal, é tudoum "recorta-e-cola". Silencie nas mídias, não mande mais nada no whataspp e verá que ninguém mais lhe procurará, com raras exceções. Estamos assim, num mundo com grandes volumes de material de comunicação, mas vazio de relações pessoais. Temos um panelão a ferver no fogo, mas não há comida, só há água e nada mais. Apenas movimento sem conteúdo. A panela ferve sempre, a comunicação enche os nossos celulares; mas é quase tudo descartável, impessoal.
 
Temos sede de relevância, de sermos importantes para alguém, de sermos realmente considerados, de sermos lembrados. Precisamos, porém, descobrir para quem vale a pena ser importante. Ouso dizer que temos que encontrar 3 pessoas para as quais ter relevância. Alistarei as três, sem com isso estabelecer hierarquia de importância. As três são importantes.
 
A primeira: RELEVÂNCIA PARA NÓS MESMOS. Se eu me vestir para os outros não encontrarei a quem agradar ou não agradarei a todos. Se eu usar um perfume terei que gostar dele. Se eu olhar a paisagem pela minha janela deverei celebrá-la comigo mesmo. Fomos iludidos pelo excesso de mídia, julgando que temos que fotografar até um prato de macarrão para mostrar para todo mundo. Nós nos tornamos incapazes de fazer alguma coisa buscando agradar a nós mesmos. Temos necessidade de agradar aos outros, de sermos aceitos, quando, na verdade deveríamos fazer as coisas pelo prazer de fazê-las conosco mesmo. Somos as únicas pessoas que realmente estão presentes 24 horas por dia e somos as que menos importância damos a nós mesmos! Tenhamos auto-satisfação! Vejamos a paisagem e partilhemos conosco! Ouçamos uma música e celebremos dentro de nós! Apreciemos uma comida e fiquemos felizes por ter acesso a ela e saúde para digeri-la! O Senhor disse que deveríamos amar ao próximo como "a nós mesmos". Que venhamos a nos amar também!
 
A segunda: RELEVÂNCIA PARA DEUS. Ele nos ama! Ele nos amou tanto que deu o Seu Filho unigênito para por nós morrer e pagar o preço do nosso pecado. Ele nos salvou em Cristo para uma nova vida, uma vida de prioridade, uma vida de relevância. Ele deve ocupar a primazia de nossas atenções. Eu disse acima que devemos nos agradar, nos amar. E a coisa que mais agrada a quem conhece a Deus é agradá-Lo e fazer a Sua vontade! Nós nos vestimos para Deus, nos alimentamos para a glória de Deus, fazemos as coisas para agradar a Deus! Se Deus não for a prioridade de nossa vida não haverá felicidade, pois estaremos sempre adorando ídolos (ou nos idolatrando) e tirando o lugar do Senhor de nossos corações. Ele nos vê mesmo quando não postamos alguma coisa. Ele conhece tudo mesmo quando não tiramos fotos dos eventos! Ele está presente mesmo quando o celular está desligado! Ficamos desesperados quando o telemóvel está com a bateria por acabar, mas nem percebemos que estamos com a nossa bateria de comunhão praticamente a desligar, sem carga, sem conexão, sem esperança. Deus precisa receber a nossa principal atenção.
 
A terceira: RELEVÂNCIA PARA QUEM ESTÁ PRÓXIMO DE NÓS. Há pessoas que estão sempre próximas, mas que, muitas vezes são ignoradas. Conheci uma família que chorou amargamente a morte de uma empregada. Ela atravessara 26 anos trabalhando naquela casa, vira os filhos crescerem e se casarem. Mas nunca fora convidada para uma festa, uma celebração, uma viagem. Ela era sempre a funcionária, nada mais. Porém, quando a tristeza batia, quando a doença chegava ou a necessidade imperava era a ela que iam buscar para receberem ajuda e socorro. Ela morreu sem nunca ter sido valorizada. Eles mandaram fazer um lindo túmulo, mas foi tarde demais. Seria preferível um enterro simples e um reconhecimento em vida! Às vezes buscamos a felicidade tão longe e ela está do nosso lado! Tentamos enxergar as coisas com um binóculo, quando o que importa está a um palmo! Um pai, uma mãe, um irmão, um tio, um cunhado, uma sogra, um vizinho, um colega, um amigo, um desconhecido. Precisamos valorizar quem está próximo. Não adianta mandar dinheiro para a caridade e deixar os seus à míngua! Não adianta pensar nos confins da Terra e deixar a nossa Jerusalém sem evangelho!
 
Relevância. Este é o segredo. Eu preciso ser relevante. Para Deus. Para mim. Para quem está perto de mim. Isto realmente importa. Mesmo que todos me esqueçam. Mesmo que eu não seja mais importante para ninguém. Mesmo que seja apenas eu só. "Mas não estou só, porque o Pai está comigo." (Jo 16:32)
 
Wagner Antonio de Araújo

sábado, 12 de setembro de 2020

memórias literárias - 922 - ROMPIMENTO

 ROMPIMENTO

 
922
 
O jantar terminara. Estávamos a conversar junto a mesa do restaurante. Dizia-me ela:
 
- Você não está falando sério! Como assim? Vai me abandonar?
 
- Sim. Eu pensei bastante, refleti sobre a nossa relação. Sinto que preciso me afastar definitivamente de você.
 
- Você não pode fazer isso! Você não tem mais ninguém! É um ser tristonho e abandonado! Quem ficaria do seu lado?
 
- Eu sei que sou triste. Mas a nossa relação está sendo tóxica e me matando aos poucos. Você não tem me ajudado. Pelo contrário, suga as minhas forças e me deixa prostrado. Eu não quero mais viver assim!
 
- Quanta ingratidão! Quanta falta de reconhecimento! Eu quero ver quem estará com você quando o telefone não tocar e ninguém estiver a sua procura! Eu quero ver como você irá se sentir quando não for convidado para a festa da família ou para o encontro com os amigos. E quando a promoção vier para o aprendiz a quem você preparou e esquecerem de promover você. Não, meu amor, você precisa de mim; não pode me abandonar!
 
- Você não entendeu. Eu não estou pedindo nada pra você. Eu estou lhe notificando que deixarei você hoje, nesta mesa, e para sempre!
 
- Ingrato! Traidor! Você não será capaz de me deixar! Somente o meu abraço lhe aquece na hora em que se sente sozinho. Somente eu lhe dou atenção quando fala sozinho dentro do carro. Só eu lhe compreendo quando não quer mais viver. E agora diz que vai me deixar? Por que? Encontrou outra amiga?
 
- Na verdade sim.
 
- O que? Como pôde fazer isso comigo? Quem, além de mim, será tão fiel e leal?
 
- Ela!
 
A outra se senta do meu lado. A primeira, perplexa, revoltada, em pranto, diz:
 
- Você é mau caráter! Você não sabe o que está fazendo! Essa aí não irá estar com você em todo o tempo. Aliás, ela não permanece por muito tempo com ninguém. Eu sim! Eu sempre estou presente e posso lhe dar um abraço permanente! Por favor, diga que não é verdade! Volte para mim!
 
- Querida, assunto encerrado. Este é o nosso último encontro. Eu ficarei com esta outra. Ela ousa me dizer o contrário do que sinto. Ela não me puxa para a cova, como você. Ela me ergue, me enxuga as lágrimas. Ela procura me fazer feliz. Eu já me decidi. Ficarei com ela. Adeus.
 
Em prantos ela se retira da mesa. Mas não tarda muito e vejo-a aguarrar-se ao pobre homem que perdeu o emprego naquela noite. Logo lhe faz juras de amor e sai abraçada com ele. Viro-me para a minha nova companheira e digo:
 
- Sinto-me mal por ter feito isso. Era necessário?
 
Ela, sorridente, responde-me:
 
- Foi a melhor decisão que tomou. A luz voltará ao seu rosto e a alegria tomará conta do seu coração. Bem-vindo ao meu mundo!
 
E assim foi. Mandei a minha velha amiga, A DEPRESSÃO, embora. E, afetuosamente recebi minha nova companheira, a GRATIDÃO AO SENHOR, para acompanhar-me pelo resto da vida.
 
Isso foi há anos e jamais me arrependi de ter trocado de companhia.
 
Obrigado, GRATIDÃO AO SENHOR, pelo bem que você me faz!
 
Converteste o meu pranto em folguedo; desataste o meu pano de saco, e me cingiste de alegria, (Sl 30:11)
 
Wagner Antonio de Araújo

sexta-feira, 11 de setembro de 2020

memórias literárias - 921 - TRATAMENTO MÉDICO

TRATAMENTO
MÉDICO
 
921
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No. 53
 
- Sou eu!
 
- Pois não, senhor. O doutor lhe espera. Consultório 5.
 
Ele segue, bate à porta, recebe permissão e entra.
 
O médico, de óculos, ergue-se, cumprimenta-o e lhe dirige a palavra.
 
- Pois não. Em que posso ajudá-lo?
 
- Doutor, eu sou crente.
 
- Há quanto tempo?
 
- Mais ou menos quinze anos.
 
- Certo. E como foi criado?
 
- Fui criado numa boa igreja. Ouvia bons sermões e o povo era sério. Havia boa comunhão e muito respeito.
 
- Correto. E qual é o problema?
 
- Sabe, doutor, de uns tempos para cá eu deixei de sentir a presença de Deus.
 
- E desde quando isso ocorre?
 
- Mais ou menos cinco anos.
 
- Sabe me dizer o que aconteceu à época? Como estava a sua igreja? O que aconteceu com você?
 
- A igreja passou por um processo difícil de sucessão pastoral. Houve bastante conflito. Vários amigos saíram. Depois chegou um pastor muito legal, moderno, abriu a igreja para um monte de coisas que antes não podiam acontecer.
 
- Que coisas?
 
- Bom, ele deixou a gente beber socialmente, não considerou pecado uma ou outra transa entre namorados, tatuou-se e sugeriu que o pessoal ficasse livre para fazer o que quisesse com o corpo. Eu fiz essa aqui no braço. Olha só...
 
- Certo. E o que aconteceu com a igreja?
 
- Ah, doutor. Ela cresceu. Nunca entrou tanta gente, tanto dinheiro e nunca a igreja ficou tão conhecida como hoje. Até elegemos dois vereadores, gente boa, quer dizer, eram, até a eleição...
 
- Correto. E então, se tudo está indo tão bem, por que sente esse problema?
 
- Sabe, doutor, tudo é permitido e a gente faz o que gosta, vive do jeito que quer. Mas, estranhamente, algo aconteceu na igreja. O pessoal não se trata mais como antigamente.
 
- Como assim?
 
- Antes a gente era irmão de verdade, se considerava. Também orávamos uns pelos outros e tínhamos temor de pecar. A gente se vigiava, se ajudava. Costumávamos evangelizar, distribuir bíblias, essas coisas.
 
- E agora?
 
- Agora a gente faz parte de uma empresa. A igreja está na mídia. A gente tem seguidores, aparece na TV, tem um monte de funcionários, o culto tem efeitos fantásticos: fumaça, estrobos, luzes coloridas e espelhadas, som da hora, grupo musical qualificado.
 
- E não está bom?
 
- Pra falar a verdade, não.
 
- O que falta?
 
- Falta relevância.
 
- Como assim?
 
- A gente perdeu o fundamento, o parâmetro. Antes a gente estava na igreja porque ia buscar a face de Deus, andar em seus caminhos e se ajudar mutuamente, levando amor ao próximo e a mensagem de salvação para outros.
 
- E agora?
 
- A gente vive pela igreja, pela empresa, pela entidade. A gente se trata como peças de uma organização, não como família. E buscar a Deus é coisa de cena, de foco, de câmera. Acredita que tem um ponto na orelha do pessoal de palco onde o diretor diz pra dar uma chorada enquanto a mensagem é emotiva ou na hora de uma oração?
 
- Hum... - o médico abaixou a cabeça, pensou, e em seguida falou:
 
- Quer fazer um tratamento?
 
- Sim, doutor. Eu preciso de uma solução. Estou ficando depressivo. Teria aí um remédio tarja preta pra me arrumar? Talvez um sonífero ou um estimulante emocional? Eu não queria ficar desse jeito. Perdeu a graça.
 
O médico levantou-se, lavou as mãos na pia do consultório, foi até a estante, tirou três caixas fechadas e trouxe-as à mesa.
 
- Se você quiser sarar terá que fazer esse tratamento tríplice. Essa rotina tem que ser tripla e terá que ser feita por pelo menos trinta dias sem interrupção. Estaria disposto?
 
- Claro, doutor. Estou disposto sim.
 
- Vamos ao primeiro medicamento.
 
Ele abriu cuidadosamente a caixa. Havia um papel bonito que embrulhava um objeto. Retirou as proteções, abriu o pacote. Retirou um volume preto, com bordas douradas. Era uma Bíblia Sagrada.
 
- Este remédio será fundamental para o seu tratamento. Trata-se da Bíblia, a Palavra de Deus. Aqui você vai encontrar a voz que se calou no meio de sua igreja. Aqui você vai ouvir quem há tempos silenciou enquanto você ouvia a voz dos homens. Aqui você escutará novamente a mansa e suave voz do Bom Pastor. Terá que lê-la com vagar, com atenção, com reverência e com disciplina. Três vezes ao dia. Antes de sair para o trabalho, após o almoço e antes de deitar-se. Estaria disposto?
 
- Sim, doutor. Estaria sim. Estou farto de ouvir tanta auto-ajuda, tanta opinião, tanta coisa dita apenas para atrair gente, conseguir ofertas e não espantar a juventude. Eu topo.
 
- Ok, se fizer isso terá um terço do problema resolvido. Mas terá que adicionar a isso o outro remédio.
 
Ele abriu a outra caixa. Também estava com um embrulho cuidadoso. Mas tinha outro formato. Abriu-a, desdobrou-a e esticou-a. Era uma esteira.
 
- O que é isso, doutor?
 
- Isto aqui é uma esteira. Você irá usá-la para orar. Essa prática você não tem há muito tempo. O que tem feito é falar de si para si próprio, algo que não tem valor nenhum. Para falar com Deus você vai se ajoelhar e, se possível, se prostrar. Você não vai falar de si para si, mas de si para Deus, que lhe ouvirá. Você não disse que há muito não escuta a voz dEle?
 
- Sim!
 
- Certamente o diálogo foi interrompido faz tempo. Agora você terá que procurá-lo novamente. Foi assim que Moisés foi orientado no dia em que Deus falou com ele. Enquanto você estiver ereto e cheio de si não encontrará o Deus a quem deve orar.
 
- Mas a esteira é indispensável, doutor?
 
- Não. Ela apenas lhe diz que você deve se dobrar. Jesus disse para fechar a porta do seu quarto e orar ao Pai que está nos céus. Em Apocalipse o povo vencedor se prostrava diante do Rei dos Reis, do Cordeiro de Deus. Se você cair aos pés de Cristo começará bem. E poderá abrir seu coração sem reservas. Está disposto?
 
- Estou sim, doutor. Quantas vezes por dia?
 
- No mínimo três. O número não é o importante, mas a atitude e a firmeza. Se possível ore pela manhã, ore à tarde e ore à noite. De si para Deus, Ele é real e Se deixa encontrar quando O buscamos de todo o nosso coração.
 
- Está bem, doutor. E qual é o terceiro remédio?
 
O médico abriu o terceiro pacote. Era um hinário antigo, tradicional, hinos clássicos, escritos em lágrimas e de joelhos pelos heróis da fé nas gerações passadas. Hinos antigamente cantados e atualmente descartados.
 
- Aqui está o terceiro remédio: louve ao Senhor. Cante. Cante baixinho, faça as afirmações destas poesias centenárias. Confesse a sua fé, a sua confiança, o seu amor por Cristo.
 
- Mas e os nossos sucessos nas plataformas digitais? As nossas músicas de trabalho, os nossos shows?
 
- Se você quiser sarar terá que usar estas aqui. Com o tempo perceberá a diferença. Quem come um bolo feito pela confeitaria real aqui da cidade sabe a diferença do bolo feito pela indústria que vende toneladas, dizendo que é a mesma coisa. Assim também estas canções. Quem canta as canções escritas por quem pagava o preço, por quem tinha comunhão com Deus, terá também o mesmo gosto e o mesmo prazer espiritual que eles tiveram.
 
O rapaz folheou o hinário e foi destacando vários que eles cantavam quando a vida na igreja era melhor.
 
- Você fará este tratamento por trinta dias e retornará aqui. Veremos o resultado.
 
Soubemos do resultado há alguns dias. O rapaz é outro. Sua casa é outra. Sua confiança é outra. O brilho em seu olhar é outro. Soubemos que várias pessoas de sua igreja foram influenciadas e agora há um forte movimento de santidade naquela igreja mundana.
 
Quem sabe nem tudo está perdido ainda?
 

Wagner Antonio de Araújo

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

memórias literárias - 920 - O ARREBATAMENTO JÁ ACONTECEU?

 O ARREBATAMENTO

JÁ ACONTECEU?
 
920
 
Assisti emocionado o desabafo de um cantor gospel. Ele, ao analisar os escândalos provenientes de seu grupo de fé e de atuação artística questionou: "Será que o arrebatamento já aconteceu e eu fiquei? Não é possível que só haja escândalos no meio cristão!"
 
Seu desabafo tem muito sentido. Por todo lado em que olhamos só vemos escândalo, corrupção, pecado, libertinagem. Estamos a viver "como nos dias de Noé".  Está se tornando quase impossível encontrar alguma igreja não alinhada com o novo modelo mundano de evangelho. Os cultos tornaram-se liberais e homogêneos, tudo igual, inclusive sem diferenças entre as denominações e doutrinas.
 
Para os que crêem no ARREBATAMENTO (significa um rapto súbito, feito por Cristo, dos crentes vivos em uma época anterior à Sua gloriosa vinda ao mundo, ressuscitando também os crentes falecidos, reunindo toda a sua Igreja), e eu sou um dos que crêem neste fato escatológico, há indícios de que estamos tão próximos dele quanto um avião de pousar quando quase encosta as rodas no asfalto da pista de pouso.
 
Um dos sintomas da volta gloriosa do Senhor é a APOSTASIA, o abandono da fé por parte dos cristãos. Nunca houve tempo onde as estruturas da igreja fossem tão sólidas; contudo, nunca houve tempo onde essas estruturas estivessem tão vazias de Cristo, do evangelho e do Espírito Santo. Igrejas, cristãos (católicos, evangélicos e outras vertentes) são terra arrasada! Vejamos:
 
1) A Bíblia ensina: "A ninguém devais coisa alguma". Ontem, no Congresso Nacional, os donos de igrejas votaram perdão das dívidas que as igrejas possuem, oriundas de multas e de recolhimentos de impostos trabalhistas. Multas? Igrejas que devem? Pregam que devemos ser honestos e são mestras da desonestidade?
 
2) Jesus expulsou os vendilhões do templo. Ele disse: "Não façam da casa de meu Pai covil de ladrões". Um padre, dentre muitos padres e pastores, usou a fé para criar um império  financeiro pessoal, usando familiares e amigos, enriquecendo-se e enriquecendo o seu grupo. Ele vendia objetos de fé (santinhos, celebrações, papéis, votos) e, com o resultado, enchia as próprias burras. Os vendilhões se tornaram os sacerdotes no reino da mentira?
 
3) Uma pastora resolve ganhar fama e dinheiro adotando crianças e adolescentes. Encanta-se por um, transformando-o em esposo. Faz disso a plataforma para tornar-se política, angariar dinheiro e criar uma seita. Torna-se um ícone. Vê o seu filho-marido transformar-se em cabeça financeiro e não gosta. Arma uma tragédia e hoje ocupa as páginas de todos os noticiários. Cristãos que matam? Famílias incestuosas? A fé como meio de barganha e plataforma política?
 
4) Um médium dito cristão (como se isso fosse possível). Considerado poderoso pelas mandingas realizadas, curandeiro das elites, torna-se um estuprador de grande periculosidade, usando suas pajelanças para ameaçar quem o denunciasse. Hoje ele encontra-se um caco, destruído, humilhado e os seus guias o abandonaram. Ainda assim, com a língua e os documentos que possui, é uma ameaça a gente muito grande, que não apenas sabia dos seus crimes, como acobertava as suas práticas.
 
5) Igrejas cujos cultos não são mais cultos, hinos que não são mais hinos, pregadores que não pregam mais o evangelho. Os hinos tornaram-se peças de museu. Os cultos passaram a ser lives ou shows para entreter a massa religiosa. Os pregadores tornaram-se youtubers de sucesso ou conferencistas de entretenimento para casais ou formaram plataforma política para apoiarem quem governa e saírem candidatos nas próximas eleições. O adultério tornou-se aceito e celebrado em cultos. A prostituição normalizada, desde que haja amor. A moda rasgada chegou aos púlpitos e a beleza cosmética apagou a verdade de cada um.
 
Sim, aquele cantor tem razão. Surge-nos a dúvida: será que o arrebatamento já veio e nós ficamos? Será que esta é a Igreja de Laodicéia, preconizada em Apocalipse 3, absolutamente rica das glórias do mundo e completamente pobre da graça divina? Estaríamos entre as virgens que não entraram com o noivo na festa de casamento, na parábola contada por Jesus?
 
O arrebatamento não aconteceu ainda. Mas o alinhamento dos sinais internos da chamada Igreja Cristã é evidente. A fé está sumindo. O amor se esfria. O Espírito Santo está sendo recolhido. Não há mais temor de Deus e a nova geração terá muito menos ainda, uma vez que, a cada herói da fé que é recolhido não há reposição por parte de Deus. Morre um crente fiel, não há outro que toma a tocha e a conduz para a outra geração. Há um vazio de gente piedosa. Igrejas históricas estão ficando vazias, ou tomadas pelo NOVO NORMAL da fé: o liberalismo e a libertinagem.
 
O arrebatamento não aconteceu porque gente santa do Senhor ainda está por aqui. Ainda não aconteceu porque nós, os que cremos, não fomos levados. E nós temos certeza de que cremos, fundamentados em Cristo para a nossa salvação. O arrebatamento ainda não aconteceu porque o evangelho não chegou a toda parte, dando testemunho a todos os povos sobre o caminho da salvação divina.
 
Mas está para acontecer. A chamada da meia noite (na parábola das dez virgens) está para acontecer. No momento em que não acharmos ser o tal, o Senhor virá. Será glorioso para os que lhe esperam, mas tenebroso para os que brincam de evangelho. Está na hora de levarmos Deus a sério e guardarmos bem a fé que temos. Guardá-la no coração, ousando agirmos como crentes no meio de uma geração perversa e leviana.
 
MARAN ATHA! O SENHOR VEM! O REI VEM!
 
Jesus em breve voltará.
 
Wagner Antonio de Araújo

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

memórias literárias - 919 - O QUE NOS CONVÉM SER


O QUE
NOS CONVÉM
SER
Pr. Wagner Antonio de Araújo

TEXTO BÍBLICO: II PEDRO 3.7-12

7. Mas os céus e a terra que agora existem pela mesma palavra se reservam como tesouro, e se guardam para o fogo, até o dia do juízo, e da perdição dos homens ímpios.
8. Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.
9. O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.
10.Mas o dia do Senhor virá como o ladrão de noite; no qual os céus passarão com grande estrondo, e os elementos, ardendo, se desfarão, e a terra, e as obras que nela há, se queimarão.
11.Havendo, pois, de perecer todas estas coisas, que pessoas vos convém ser em santo trato, e piedade,
12. Aguardando, e apressando-vos para a vinda do dia de Deus, em que os céus, em fogo se desfarão, e os elementos, ardendo, se fundirão?

INTRODUÇÃO

Que tempos difíceis vivemos! Há seis meses fomos invadidos por uma pandemia monstruosa. Esse vírus tornou-se tema, canção, objeto, pano de fundo e alimento de toda a mídia, de todas as conversas, por todo o mundo. Milhões de pessoas já adoeceram; milhares já morreram e inúmeros definham nos hospitais. O comércio fechou as portas e agora, com sofreguidão, começa a reabri-las, repleto de restrições. Quantas empresas faliram, quantas escolas fecharam, quantos estudantes, sem acesso à rede de internet perderam o ano letivo! Igrejas fecharam as portas e tiveram que descobrir um caminho de sobrevivência: esta transmissão ao vivo através da internet, por exemplo, é uma das mais usadas ferramentas no momento. Mas há outras que simplesmente encerraram as atividades. Ministros religiosos morreram. Imóveis foram devolvidos por falta de condições de pagamento. Membros morreram e outros muitos debandaram, aproveitando a ocasião, se é que faltava algum motivo plausível para desligarem-se dos rebanhos. Um tempo jamais visto por esta geração!


Há grande esperança de que haja vacina nos próximos meses. O termo "NOVO NORMAL" é uma anomalia. Quem é que quer viver com uma máscara na cara? Quem quer viver sem contato social, sem abraços, sem reuniões presenciais? Isto nem de longe é uma normalidade! Vivemos em um estado de exceção, um ambiente de catástrofe absoluta, que, aos poucos, dá sinais de pleno esgotamento social. Ninguém aguenta mais ficar fechado em casa! Ninguém aguenta mais assistir transmissões de cultos ao vivo, sem contato pessoal! Todos querem ir para a rua, para a casa dos parentes e amigos, para as lojas, para as igrejas! Queira Deus que em breve tenhamos um remédio eficaz contra esse vírus. Certamente Deus o permitiu. Ele foi como um balde de gelo numa panela de água fervente: fez a economia decair a níveis de décadas passadas. Impôs uma limitação na emissão de gases que aquecem o planeta. Tirou recursos de experiências biológicas, genéticas e de aceleração de partículas, coisas que ameaçavam um desfecho da história mundial. Deus tem os seus métodos e os seus breques da sanha pecaminosa da humanidade!


Um amado pastor, de longa experiência, teve um sonho profético, um sonho acordado. Ele pensou no seguinte: após a pandemia muitos crentes foram recolhidos ao lar celestial. Os sobreviventes, ora medrosos, ora confiantes, ficaram felizes com o fim da crise. As igrejas mudaram muito! Houve um reavivamento do Senhor! Durante a pandemia os dízimos não faltaram na Casa e Deus e cada alvo foi atingido e superado. O regresso aos cultos presenciais foi marcante e inesquecível: lágrimas, abraços, beijos, gratidão a Deus, emoção espiritual, uma renovação profunda! Agora o povo não perde os trabalhos, lê a bíblia com grande consagração, testemunha de Cristo e conduz as almas para o Céu. Nunca a obra missionária esteve tão pujante e dificilmente houve tempo em que mais igrejas foram plantadas. O povo de Deus, jubiloso aguarda a volta do Senhor maravilhoso! Aleluia! Esta a visão do querido pastor.


Uma visão profética magnífica, profunda, sincera, esperançosa! Não somos contrários a ela, pois que devemos desejar e devemos esperar por dias melhores e mais abençoados. Não obstante, infelizmente, a realidade é muito menos alvissareira. A pandemia fechou a porta das igrejas para os cultos presenciais. Parte do rebanho de cada congregação viu nisso a oportunidade que faltava para sair da igreja de uma vez. Outros acostumaram-se ao lar e não mais regressarão aos cultos e ao trabalho de Deus. Terá que haver trabalho hercúleo por parte dos pastores e obreiros no reagrupamento dos crentes nas suas igrejas locais. O que foi uma ferramenta para a pandemia, a transmissão dos cultos através da internet, poderá tornar-se o maior tiro no pé se ficar como está. Haverá uma membresia em casa, composta não apenas dos incapazes de locomoção, ou enfermos ou muito distantes geograficamente – estes sim, motivos relevantes. Será um grupo de crentes acomodados, que não desejarão abandonar o conforto de uma fé preguiçosa, na poltrona de casa ou sem compromissos de trabalho. Infelizmente, nesta pandemia, muitos lares foram dizimados pelo excesso de convívio sem amor e pela falta de compreensão. Muitos divórcios estarão em andamento, ofendendo em cheio a honra do Senhor, o Criador da estabilidade da família. Muitos estarão em tratamento por causa de depressão psicológica. Muitos se encontrarão necessitados devido ao desemprego e à carestia. O orçamento das igrejas caiu e a luta será muito grande para que tudo seja reerguido.


Isto é bíblico! Por mais difícil que seja esta é a visão bíblica dos dias do fim! Sobre o amor, assim diz a Bíblia: E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará. (Mt 24:12) E não é o que temos visto? Sobre os falsos cristos, que se multiplicam aos montões, assim lemos: Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. (Mt 24:24) E não é o que temos visto? Líderes que se julgam cristos, apóstolos, detentores de novas revelações, mas que não passam de mentirosos, mandriões, vendilhões do templo! E os escândalos? Ah, estes nós os vemos aos milhares! Pastoras que matam maridos, pastores que adulteram, líderes religiosos que são mafiosos, outros que desviam verbas públicas e estão ou soltos ou temporariamente na cadeia; tudo isso é uma vergonha! Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! (Mt 18:7).


O que fazer então? Desesperarmo-nos e desistirmos da carreira que nos está proposta? Abandonarmos a fé? Deixar a vida seguir do jeito que a pandemia ditar? Não, mil vezes não! Ainda mantemos as necessárias barreiras sanitárias, mas se Deus quiser em breve haveremos de superá-las. O famigerado NOVO NORMAL há de ser coisa do passado e voltaremos ao relacionamento humano pessoal. Contudo a questão espiritual mantém-se na mesa: o que nos convém fazer? O texto bíblico em epígrafe, II Pedro cap. 3, pergunta, no verso 11: "Que pessoas nos convém ser?" E nós nos perguntamos: que tipo de crentes Deus quer que sejamos enquanto nos mantemos escondidos nesta pandemia e depois, quando as barreiras sanitárias forem levantadas?


O próprio texto responde. São 4 coisas fundamentais, preciosas, importantes, que Deus impõe às nossas vidas e, quiçá às nossas igrejas. Vejamos quais são elas.


I - NOS CONVÉM VIVER EM SANTO TRATO (v. 11)


EM SANTO TRATO - um procedimento diferente do mundo contemporâneo, uma prática não ditada pela opinião geral, pela mídia, pela sociedade e pelas conveniências. O crente tem que saber que ele está no mundo, mas que não pertence a ele. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. (Jo 15:19). Foi Jesus Cristo quem disse isso. Nós não somos do mundo. Não é nossa função modificar e contemporizar o evangelho, transformando-o e disfarçando-o com as roupas desta época e desta sociedade. Um VIVER SANTO. Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios, mas como sábios, (Ef 5:15). O crente deve ser santo nos mínimos detalhes. A sua maneira de falar; a sua maneira de vestir. O seu respeito para com a família, para com os mais velhos. A sua seriedade nos negócios, não fazendo dívidas. A sua fidelidade nos compromissos assumidos. O testemunho que dá diante de todos nas mídias sociais. Se nós estamos cansados de ver o Brasil na mão de corruptos enganadores dos eleitores; se a justiça dos homens premia os ladrões de colarinho branco e se a impiedade prevalece, não queremos que o mesmo aconteça no meio do povo de Deus. É lá na casa do crente, na conta corrente do crente, no cartão de crédito do crente, na conta do mercadinho onde o crente compra a fiado, nas redes sociais do crente, no namoro dos crentes solteiros e no relacionamento dos crentes casados que deve existir SANTIDADE, SANTO TRATO, UM VIVER DIGNO, QUE NÃO CAUSA VERGONHA, que demonstra que Deus está presente!


II - NOS CONVÉM VIVER EM PIEDADE (v. 11)


EM PIEDADE - O que é piedade? É o amor pelas coisas de Deus e o amor pelo próximo. O falso evangelho tem trocado o amor pelas coisas de Deus pelo amor ao dinheiro e aos bens materiais. Tem trocado o amor pelo próximo ao estabelecimento de uma rede crescente de contribuintes para algum projeto megalomaníaco de um líder desprovido de Cristo. Pastores que xingam os outros. Crentes que falam palavrões. Jovens cristãos que vivem de forma imoral e mundana, sem nenhum freio ou pejo, com roupas rasgadas, seguindo a moda da mendicância satânica! Crentes que abandonaram a santidade privada para expor a pecaminosidade pública! Não, senhores! O caminho de Deus é de piedade! Há tanta literatura evangélica, tantas traduções da bíblia, tantos áudios e vídeos sobre a Palavra de Deus, mas a qualidade dos crentes nunca foi tão ruim! A razão é uma só: o povo que se diz cristão não conhece a Deus de verdade! A Palavra não está guardada no coração e o povo peca contra Deus. Na crise não busca a presença do Senhor. No conflito é incapaz de aquietar o coração e orar. Afirma que Cristo é a sua alegria, mas vive entupido de drogas e de comprimidos para não morrer de depressão! Afirma que encontrou a salvação, mas teme o inferno caso venha a morrer. Falta de Deus! Falta de joelhos em terra! Falta de comunhão! Sucumbe às tentações; está repleto de vícios; usa linguagem chula e mete-se em grupos familiares onde só ouve e vê indecência e violência! Onde está Deus diante de tudo isso? Longe desse povo! Assemelham-se aos atuais vídeos de maquiagens que transformam a pessoa em outra diferente, mas que não resiste ao lavar do rosto! Gente de casca! Ao povo de Deus convém fugir do pecado e correr para os braços divinos: Fugi da prostituição. Todo o pecado que o homem comete é fora do corpo; mas o que se prostitui peca contra o seu próprio corpo. (1Co 6:18). Segui a paz com todos, e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor; (Hb 12:14)


III - NOS CONVÉM AGUARDAR O DIA DE DEUS (v.12)

Que dia é esse? Que dia deve ser tão aguardado? O dia do fim do nosso recolhimento forçado por questões sanitárias? Esse certamente é um dia muito aguardado. O dia da vacinação e o fim uso de máscaras? Ah, será também será um dia celebrado! Mas e depois? Vivemos motivados por vésperas: o dia do casamento, o dia do nascimento de um filho, o dia da formatura, o dia da assinatura da escritura da casa própria, o dia da aposentadoria. Há um dia, porém, que desejamos que nunca chegue: o dia do nosso falecimento. Deste fugimos só de pensar, não é mesmo? Mas ele virá e devemos estar prontos para ele. Contudo, há um dia mais importante que estes, que deve motivar as igrejas do Senhor. Ele servia como referência nas saudações dos crentes primitivos ao se encontrarem. Eles se saudavam com a expressão:” MARAN ATHA!”, NOSSO SENHOR VEM! O REI VEM! Aleluia! A expectativa da PAROUSIA, ou do dia da volta do Senhor, deve ser algo cultivado, lembrado, despertado, cantado, pregado, aguardado! Os crentes americanos do sul dos Estados Unidos, em sua farta hinografia tradicional, têm mais hinos sobre a volta de Jesus, o Céu, o milênio e a glória final do que sobre qualquer outro tema! As pregações antigamente versavam sobre o arrebatamento e a vinda de Cristo. Hoje o tema é secular, contemporâneo, similar aos dos palestrantes de vendas ou de auto-ajuda. Falam sobre finanças, sobre casamento, sobre escolhas, tudo numa esfera material e secular. O céu é ignorado. Chega disso! Precisamos olhar para cima, olhar para o Alto e dizer VEM, SENHOR JESUS! A própria pandemia global, juntamente com as tsunamis, com as chuvas de meteoros, com a mudança do campo magnético da terra, com o aquecimento global, com a injustiça social, são sinais evidentes e em série de que Jesus em breve voltará! Aprendei, pois, a parábola da figueira: Quando já o seu ramo se torna tenro, e brota folhas, bem sabeis que já está próximo o verão. Assim também vós, quando virdes sucederem estas coisas, sabei que o Senhor já está perto, às portas. (Mc 13:28-29)

  
IV - NOS CONVÉM APRESSAR O DIA DE DEUS (v.12)


Será que está em nossas mãos apressar a volta do Senhor? Será que as nossas atitudes podem provocar uma antecipação da vinda do Senhor? No sentido da SOBERANIA divina isso não acontece, uma vez que os tempos, as datas e os momentos só a Ele pertencem. E disse-lhes: Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder. (At 1:7). Porém, se Paulo aqui diz que nós podemos APRESSAR, significa que o Pai, em Sua presciência e soberania, levará em consideração a nossa dedicação, o nosso trabalho e o nosso empenho para cumprir com urgência a promessa do retorno de Jesus. Ele já marcou a data e considerou o trabalho ou a ausência dele na vida de Sua igreja. Lemos assim no evangelho: E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim. (Mt 24:14). Pregar o evangelho! Aqui está a tecnologia mais eficaz para acionar o relógio escatológico divino! Este evangelho deve ser pregado, deve ser anunciado, deve ser testemunhado! Quanto mais nos unirmos no testemunho de Cristo, em derramar fartamente a Palavra de Deus nas mãos do povo, dos amigos, dos parentes, das nações ao nosso redor, dos vizinhos de nossa igreja, das crianças que estudam com os nossos filhos e netos, tanto mais rápido faremos cumprir a principal profecia de Sua volta: o evangelho para toda a Terra. As outras profecias não precisam de nós para se cumprirem. A própria maldade humana tem feito isso de forma eficaz. Mas o anúncio de Cristo, ah, este está em nossas mãos. Nem os anjos podem fazê-lo! E o que temos feito em caráter de evangelização? Evangelizar não é dizer: "DEUS TE AMA E EU TAMBÉM". Isto não esclarece nada! Falar de Cristo é apontar ao homem o seu pecado, dizer a ele sobre a condenação fatal; apresentar-lhe o plano que Deus construiu para salvá-lo, levando-o a uma decisão por Cristo. A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Rm 10:9). Está na hora de darmos bíblias, novos testamentos, folhetos, livretos, porções bíblicas, enviarmos leituras e mensagens. Uma bíblia por mês, pelo menos, em papel, de cada um de nós para uma família. Já pensaram? Se todos fizermos a nossa parte Jesus voltará mais depressa! Testemunhemos em casa, no computador, no celular, nas redes sociais, entre os colegas, na vizinhança, nos lugares onde Deus nos mandar! Testemunhemos até nas igrejas, porque há muita gente inconversa em nossas fileiras! E com isso daremos ao Senhor o prazer de voltar logo, quem sabe nesta geração?


CONCLUSÃO


O sonho do meu amigo pastor pode cumprir-se. Deus nos exorta a fazer o que convém. Este texto aponta quatro coisas: Viver em santo trato, em consagração e dedicação a Deus; viver em piedade, experimentando verdadeira comunhão com Ele e com o próximo; aguardar o regresso de Cristo e tornar isso cada instante mais iminente, através de nosso testemunho, da evangelização, da divulgação das boas-novas de salvação. Estas quatro coisas poderão revolucionar a nossa vida pessoal e transformar o regresso do convívio coletivo de nossa igreja no melhor e mais pujante momento de sua história! Vamos fazer a nossa parte?


Que seja assim em nome de Jesus.


Amém.


São Paulo, 06 de setembro de 2020


Mensagem pregada no culto da noite da Igreja Batista em Jardim Brasil, São Paulo, capital (Brasil), à convite da diretoria daquela igreja.

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