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quarta-feira, 16 de agosto de 2017

memórias literárias - 510 - A ORAÇÃO QUE É OUVIDA - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 12


A ORAÇÃO

QUE É OUVIDA

Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 12



510


Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. O livro dos Salmos é uma fonte especial de consolo para aquele que confia em Deus. E um trecho que muito nos consola é o que se encontra no Salmo 6, versículo 9: “O Senhor ouviu a minha súplica; o Senhor acolhe a minha oração”.


O autor, o Rei Davi, dizia neste texto que Deus escutara o seu clamor. Ah, quão preciosa é a certeza de que a oração que fizemos foi acolhida por Deus! Como isso nos conforta! Mas, sinceramente, como saberemos que Deus nos ouviu? Ele ouve a todas as orações?



Ouvir, isto é, conhecer que Lhe pedimos, ele conhece todas. Nada é desconhecido diante de Deus. Mas acolher a oração, isto é, responder àquilo que suplicamos, nem sempre. Davi mesmo disse, em outro salmo: Se eu atender à iniqüidade no meu coração, o Senhor não me ouvirá; (Sl 66:18). Isto significa que, se o meu coração não estiver em paz e em ordem com Deus, Ele escutará, mas não me atenderá. Uma outra razão para a nossa oração não ser ouvida é quando não é feita em nome de Jesus. Foi Ele quem disse: E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. (Jo 14:13). Pedir em nome de Jesus é usar a autoridade confiada pelo Pai aos pedidos de Jesus: não temos mérito algum para suplicar ao Senhor, mas, se formos em nome de Seu Filho, Ele acolherá a nossa súplica. E um terceiro motivo é pedir algo pelos motivos errados. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. (Tg 4:3). Isto significa que, se pedirmos a Deus apenas para um deleite, para a ostentação, para nos sentirmos poderosos e orgulhosos, por vaidade pura, Deus também não nos acolherá.



Uma oração diante de Deus deve ter o propósito de glorificá-Lo e de anunciar a Sua bondade! A um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus. (Sl 51:17) Quem busca a Deus em oração e o faz com a humildade de quem aceita a vontade de Deus como ideal, terá a garantia de ser acolhido e atendido. E esta é a confiança que temos nele, que, se pedirmos alguma coisa, segundo a sua vontade, ele nos ouve. (1Jo 5:14)
Vale a pena orar? Sim, vale! Quando oramos temos a possibilidade de apresentar a Deus as nossas razões e obter dEle a resposta melhor! Conta-nos a Bíblia sobre um homem chamado Jabez. Sua mãe sofrera para tê-lo e dera-lhe um nome que lhe trazia tristeza: “aquele que gerou dor”. Era uma lembrança constante de que Ele fora motivo de sofrimento. Em um determinado momento da vida, quando isso certamente lhe trazia sofrimento, fez uma oração: Oh! Tomara que me abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe concedeu o que lhe tinha pedido"  (1Cr 4:10) Ele orou com fé, com humildade, reconhecendo ser Deus o único que poderia neutralizar a tristeza que, inconcientemente, carregava. E Deus o atendeu! 



Ore a Deus agora, com fé, com confiança, com humildade, e Ele acolherá a sua súplica. Que Ele nos abençoe. Amém!



Wagner Antonio de Araújo

16/08/2017

(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes). 

terça-feira, 15 de agosto de 2017

memórias literárias - 509 - PASTOR SEM MINISTÉRIO

PASTOR SEM
MINISTÉRIO

509

José era pastor. Vestia-se com roupas sociais. Usava linguagem culta. Tinha porte acolhedor. Falava de Cristo. Mantinha-se em oração. Um dia deixou o pastorado por motivos de desentendimento local. Não foi convidado para outra igreja. Procurou uma colocação profissional. E deixou a roupa que usava no guarda-roupa. A linguagem que usava foi trocada pela fala comum de quem não precisa mais guardar-se por respeito. O acolhimento que demonstrava acabou; agora foi cuidar da própria vida. A oração deixou as madrugadas, os momentos específicos e tomou o lugar daquelas coisas que só de vez em quando fazia.  Sua frequência à igreja, tão consagrada e contínua, passou a ser esporádica, quase nula, idêntica aos crentes frios a quem tanto exortava. Fui falar com ele. Suas justificativas eram severas: recebera injustiças, tornara-se perseguido, perdera chances profissionais na dedicação ao ministério e agora não conseguira nada para o futuro da família. Agora iria ser feliz.

Que tristeza! Há tantos Josés ex-pastores atualmente!

João era pastor. Já não pastoreava mais. A sua última igreja o dispensara, dizendo que ele não tinha mais condições de conduzir o rebanho. Ele, que vestia-se socialmente, usava linguagem culta, tinha porte acolhedor, falava de Cristo e mantinha-se em oração, continuou a fazer as mesmas coisas. Encontrou um serviço que o ajudava a pagar as contas. Mas no restante do tempo participava ativamente da igreja de seu bairro. A casa para onde se mudou tornou-se um centro de ajuda espiritual, pois muitos crentes iam até o seu escritório para orar e conversar. Ele distribuia folhetos, literaturas e pregava em cultos nos lares. Às vezes o pastor da igreja o convidava para pregar no púlpito. Ele nada recebia por isso. Mas era de  uma decência magistral! Não havia quem não dissesse que ele era pastor. Mesmo sem rebanho, João decidira ser pastor para a vida inteira. E ERA!!!

A diferença entre os dois, entre José sem ministério e João sem ministério era simples: José pastoreou por um tempo, mas João foi feito pastor para toda a vida. Um trabalhou na função, o outro encarnou o ministério. Um pregou, evangelizou, dirigiu, mas não resistiu à injustiça recebida. O outro não vivia em função do que os outros pensavam ou do que os outros lhe dessem; ele era pastor porque Deus o vocacionara. E acreditou que a imposição das mãos do presbitério para a sua consagração independeria de estar ou não na ativa à frente de uma igreja. Em qualquer lugar João seria pastor, estivesse ou não à frente de um rebanho. Por outro lado, em qualquer lugar que José pastoreasse seria um infeliz, pois o seu coração não estava na vocação pastoral.

Em minha vida eu já vi muitos bons pastores. Mas vi maus pastores em maior quantidade. Já vi pastores que se mantiveram pastores depois das igrejas. E já vi outros, muito mais numerosos, que me surpreenderam com as vidas relapsas que assumiram após o último pastorado. Enquanto pregavam exigiam que os crentes fossem fiéis. Quando não pregaram mais tornaram-se infiéis.  Sem púlpito deixaram os valores e consagraram-se como a encarnação dos comportamentos dantes condenados. E isso é muito triste. Todos são livres para agir como quiserem. Mas a incoerência dói na alma de quem contempla!

O Pr. Timofei Diacov deixou o ministério pastoral há muitos anos. O Pr. Zacarias Lima também. O Pr. José Vieira Rocha também. No entanto, independentemente de estarem ou não à frente de uma igreja, continuam brilhando por Jesus e totalmente identificados com a fé que pregaram por décadas. Eles não precisam de um ministério local à frente de uma igreja para serem pastores. Eles o são por natureza! Ministério para eles foi uma metamorfose na vida, não uma casca que se desgastou. Onde eles estiverem, caminhará com eles o ministério que os impregna. São pastores do tipo João!

Mas há outros tantos que conheço, sem ministério, que precisaram trabalhar fora, que se desfiguraram. Perderam o foco da fé. Perderam o referencial de servir a Deus por causa de Deus; hoje servem a Deus limitadamente ou nem o servem mais. Se eles fossem as suas próprias ovelhas ontem, inspirariam os seus próprios cuidados, sendo classificados como crentes carnais. Hoje vivem assim, sem nada de ministério e, quiça, sem quase nada de cristianismo. Suas páginas no facebook têm de tudo: política, entretenimento, esportes, viagens, piadas, família. Só não tem evangelho. Nada. Nem mensagem, nem palavra, nem bíblia, nem hino, nem igreja, nem compromisso. Nada. Passam despercebidos como crentes; quem dirá como pastores!

Hoje sou pastor local. Pode ser que um dia que a minha igreja me desconvide, ou que eu a deixe, e que não receba convite algum para pastorear. Terminarei o meu ministério? Deixarei de ser pastor? JAMAIS! Quando o Senhor chamou-me naquele hospital em 1982, onde eu me preparava para morrer, disse-lhe: "Se o Senhor não me levar agora, deixarei a carreira de engenheiro agrônomo, que tanto queria, para dedicar o resto de minha vida à pregação do evangelho". E isto faço. Com a força do Senhor quero fazer isso até partir.

Pastores que me lêem, sejam pastores na ativa ou sem igreja: Vocês não dependem dos homens, mas do chamado que receberam de Deus! A fidelidade aos ensinos bíblicos não deve subordinar-se à exigência laboral; ela é uma necessidade premente de nossas vidas até a morte, diante de Deus! Ainda que ninguém lhes veja como pastor, vocês devem trazer à memória o concílio que os consagrou, o dia da ordenação e, principalmente, o dia do seu chamado pelo Senhor. Não sejam mundanos, não se condenem hoje com práticas contra as quais pregaram! Não abandonem a fé!  Não sejam negligentes!   Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos. (2Tm 1:6). Não sejam como aqueles que abandonaram o Apóstolo Paulo: Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica, Crescente para Galácia, Tito para Dalmácia. (2Tm 4:10). Ninguém me assistiu na minha primeira defesa, antes todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado. (2Tm 4:16). Que sejamos dignos da promessa de Cristo: Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida. (Ap 2:10)
Wagner Antonio de Araújo

15/08/2017

memórias literárias - 508 - O QUE CANTAMOS

O QUE
CANTAMOS


 
508
 
Encontro-me a cada dia mais perplexo com o que se canta e quem são os nossos cantadores cristãos.
 
A cantora evangélica famosa foi flagrada usando maconha. Seus áudios estão expostos. O acusador, namorado dela (e ela é divorciada de um cantor evangélico que judaizou-se) confessa que estava num cinema usando droga também. O que é isso?
 
A filha de um famoso cantor nordestino, muito popular no meio pentecostal, denuncia que seu pai, flagrado com garotas de programa e bêbado, faz isso há anos, tem quatro filhos espalhados com mulheres outras e que não deu e não dá qualquer recurso para a sua prole. Vive no luxo em frente à praia, anda em carros milionários e não tem cuidados com a família. Ele será candidato a deputado. O que é isso?
 
Um cantor negro spiritual do Brasil, muito popular naquele tempo em que corais imitavam a música gospel do Brasil, gravou atualmente um clipe com caveira e convidou um cantor secular para participar de sua música. Acusado, ele gravou um vídeo, defendendo-se. A conclusão a que chegou é que ele está fundamentado na Bíblia e que a caveira é a sua marca. O que é isso?
 
Um pastor neopentecostal nordestino acusou a outro, pastor e cantor,  de ser pedófilo, estuprador, ladrão de ofertas e mentiroso. O outro, tentando defender-se, confessou grande parte disso e disse que está na fase atlética da vida, tendo deixado por um tempo o pastorado. O que é isso?
 
Um cantor antigo, muito respeitado há décadas, ofereceu um vídeo ao seu suposto filho americano. Depois filmou outra coisa, dizendo que esse homem o estava roubando e que não era filho de verdade. O acusado, então, posta quase uma dezena de vídeos, com documentos e fotos, mostrando que o cantor antigo mentia e que sua moral era muito duvidosa. Em suma: uma vida diferente daquilo que tanto cantou. O que é isso?
 
Isso é sinal dos tempos. Isso é o que se tornou a música gospel do país. Abandonamos os hinários, a música tradicional, o canto coral, a música erudita, e nos afundamos na lama do secularismo, transformando a música de louvor e adoração em sucesso, em lucro, em dinheiro, em fama, em dinheiro, em carreira artística. Trocamos o louvor comunitário de adoração a Deus, usando o NÓS para nos dirigir a DEUS, pelo louvor ao próprio homem, usando o EU e nos dirigindo A NÓS MESMOS. Antes dizíamos: "Nós te adoramos, ó Cristo". Hoje dizemos: 'EU SOU A MENINA DOS OLHOS DE DEUS".
 
A música evangélica contemporânea, com raras exceções (e está difícil encontrá-las!) é um retrato musicado da apostasia evangélica generalizada. Há alguns dias estive numa igreja onde não se cantou um único hino que não expressasse o EU como sujeito e o EU como objetivo. Nós cantamos para nos entreter ou para massagear o nosso ego. Não cantamos mais para dar a Deus a glória, a honra, o louvor e o devido crédito por todas as coisas. A nossa música é mesclada de existencialismo, de relativismo, de ufanismo e de cinismo.
 
Na igreja onde sirvo ao Senhor, Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, costumamos cantar hinos de louvor ao Senhor. Usamos o Cantor Cristão, velho hinário dos batistas brasileiros, que possui farta e qualificada coleção de hinos sacros. Às vezes faço solos; às vezes trios; às vezes posto o cântico congregacional. E, não raras vezes, recebo retornos dos amigos que dizem: "meu Deus, que saudades desse tipo de música!"; "Que falta faz o canto de hinos no culto!"; "Lembrei-me de minha infância!"; "Em minha igreja eles nem sabem que existiu cantor cristão". A perplexidade das pessoas com tais hinos não tem significado para a pequenina igreja que pastoreio, porque os bons hinos teocêntricos têm sido os únicos que oferecemos a Deus, não apenas deste hinário. E a responsabilidade da hinódia de cada igreja está nas mãos dos pastores. São eles que devem dar o seu crivo e a recomendação do que sua igreja deve cantar. Infelizmente pastores hoje cantam o que o povo gosta, o que agrada a mocidade, o que atrai público, o que é popular, não o que edifica, o que está na Bíblia, o que acrescenta, o que é correto.
 
A rádio que mantenho no ar (RNW, Rádio Naftalina Web) toca hinos e sempre recebo palavras de elogios, dizendo que é a coisa mais rara de se escutar. Infelizmente o é. Mas ali ainda encontramos os grandes solistas, duetos, trios, quartetos, corais, madrigais, músicas instrumentais, cânticos eruditos, música de louvor rural etc.
 
O mundo gospel está podre. Mas podemos alterar isto. Podemos deixar de consumir músicas dessa gente que mencionei acima. Podemos parar de usar música de lucro, música de carreira, e usar a música de louvor e adoração com fundamentação bíblica e sem o uso de EU, EU, EU. No verdadeiro louvor, Deus ocupa o lugar do meu EU e o EU enaltece ao Criador, não a si mesmo. E a melodia, ritmo e estilo não devem turbar a qualidade do que se confessa cantando, nem transformar a música de adoração em popularice mundanista. Se no templo de Israel até o incenso era de receita própria, não devendo ser usado outro, por que invadir o culto divino com fogo estranho na exaltação do Senhor? Não cantamos louvores para dançar, para pular, para nos entreter, para socializar. Cantamos para enaltecer ao Senhor, para confessar a Sua grandiosidade e para divulgar a Sua mensagem a quem canta ou ouve.
 
Que voltemos aos nossos hinários. Cantor Cristão, Salmos e Hinos, Harpa Cristã, Melodia de Vitórias, Melodias do Maranata e tantos outros. E ainda outros que possam ser criados, desde que sem o tempero deste século.
 
Wagner Antonio de Araújo
15/08/2017

memórias literárias - 507 - A SERPENTE AINDA FALA

A SERPENTE
AINDA FALA
 

 
507
 
Por que o homossexualismo tornou-se tão popular nos últimos cinquenta anos? Em uma visita ao shopping deparei-me com cenas inimagináveis em minha época de adolescência. Mocinhas formando pares, umas de cabelos tosados, outras femininas. Tratavam-se como namoradas. Entrei numa livraria. Contei 16 funcionários. A metade deles era afeminada. Fui à lanchonete. Um senhor, bem forte, saia do expediente. Vestira um shortinho feminino, colocara um par de brincos e uma camiseta sem mangas, uma bolsa feminina e sapatos de salto alto. Lá foi ele, embora, rebolando pelo corredor.
 
Por que a infidelidade conjugal tornou-se tão popular? Cantores do mundo evangélico trocam de cônjuge com rapidez e sem nenhum pejo. Pastores traem esposas e recasam, sendo admitidos por suas congregações. Há igrejas que já têm tantos que formam classes de recasados/divorciados, muitos deles separados ou recasados sem justificativa bíblica plausível! Há igrejas que convivem com pares homossexuais e mantém pastores nessa situação. O evangelho adaptou-se à moderna moralidade. Há dias houve boate gospel, baile à fantasia gospel e balada gospel, com direito a motel grátis!
 
Por que a corrupção tornou-se tão abrangente? Hoje os nossos governantes são corruptos declarados; há fartíssima documentação, tristes delações e flagrantes telefônicos comprobatórios. Porém eles não saem do poder. Tornam-se populares como aqueles que são invencíveis, são vencedores. Há grupos evangélicos que praticam deslavada corrupção e ainda são populares! Aquele casal que cumpriu pena em outro país por ser flagrado com dólares escondidos mantém-se na crista da popularidade. O outro, que ensinou a enganar o povo para arrecadar fortunas, continua dono de mídias e de poder político. Ainda outro investe em portfólio variado, com tv à cabo, gravadora, livraria e diversos empreendimentos multifacetados. Nos bairros populosos há pessoas que alugam garagens, inventam igrejas, colhem ofertas, não pagam os aluguéis, são despejadas e desaparecem; e o povo migra para outra de igual espécie. E não reclamam!
 
Qual a razão de ser de tanta imoralidade, indecência, roubo, corrupção e falta de pejo?
 
É que o conceito de pecado desapareceu da sociedade. Na Idade Média os inquisitores eram os juízes divinos, segundo criam. Impunham penas. Com o renascimento e o protestantismo o império dos algozes sucumbiu, mas saiu-se da tirania e migrou-se para a antinomia, sem lei, sem pejo e sem vergonha alguma. A Bíblia, Palavra de Deus, tornou-se bobagem, livro sujeito a novas e profundas revisões. No final de tudo, chegou-se à seguinte conclusão: não há Deus; portanto, não há pecado. Deus é amor, Deus é carinho, Deus é vida, juntos somos mais! Então pastores e padres, espíritas e afro-religiosos, ateus e teístas desfilam de mãos dadas, sem se aperceberem de que estão seguindo a voz da serpente. O papa manda congratulações para um par homossexual; o médium principal do Brasil afirma que o amor não se restringe a homem ou mulher; o desenho infantil mostra a princesa enamorada de outra mulher. E assim a serpente continua a falar.
 
O que disse ela? Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. (Gn 3:4)
 
Ela disse isso para contrapor-se à voz de Deus, que decretara: Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. (Gn 2:17)
 
Eva decidiu crer na serpente. E com ela, Adão e toda a sua descendência. Toda a raça humana opta pela voz da serpente, em detrimento da voz de Deus.
 
A homossexualidade é pecado, quer gostemos ou não. Assim está escrito. Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é; (Lv 18:22). Já a serpente afirma: "sexualidade é opção de cada um, não uma criação biológica; cada um pode ser o que quiser, independente de seu gênero físico". A voz da serpente prevaleceu.
 
O casamento é a união entre um homem e uma mulher para toda a vida. Jesus só deixou a brecha para a separação em caso de traição. Doutra sorte, o vínculo se mantém diante de Deus. Assim diz a Bíblia:  De sorte que, vivendo o marido, será chamada adúltera se for de outro marido; mas, morto o marido, livre está da lei, e assim não será adúltera, se for de outro marido. (Rm 7:3). Já a serpente diz: cada um pode casar-se com quem quiser, quantas vezes quiser, e separar-se também se assim decidir; ninguém é dono de ninguém e o que importa é a própria felicidade. A voz da serpente prevaleceu.
 
O roubo, a cobiça, a posse daquilo que não é nosso é pecado. Assim está escrito: Não furtarás. (Ex 20:15) Mas a serpente diz: O mundo é de quem for mais esperto; se você não pegar, outro pegará, e no final, nada é realmente de ninguém; portanto, a vitória é dos espertos. A voz da serpente prevaleceu.
 
Deus diz que todo o pecado terá a sua punição. Diz também que o juízo não é aqui, mas no além. Assim está escrito: Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados. (Rm 2:12); E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. (Ap 20:12). Já a serpente diz: não há pecado, não há juízo, não há um Deus pessoal no além, nada além de nós mesmos terá jurisdição sobre a nossa mente e coração; faça o melhor para si mesmo e não se importe com o conceito de pecado; é proibido proibir! A voz da serpente prevaleceu.
 
Sim. A voz da serpente prevaleceu pelos séculos. Satanás leva para o Lago de Fogo e Enxofre multidão de incautos e crédulos, que, à semelhança de Adão e Eva, crêem na voz da serpente do Éden, o antigo dragão, o inimigo do Altíssimo.
 
A serpente terá um triste destino: o Lago de Fogo e Enxofre. E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde está a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. (Ap 20:10)
 
Os seguidores da voz dela para lá também irão, quer sejam evangélicos ou não. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. (2Co 11:3); E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo (Ap 20:15)
 
Pare de ouvir a serpente. Não lhe dê ouvidos! Ouça a voz de Deus. Não seja incauto, crédulo a tudo o que se diz inteligente, culto ou evoluído. A suposta evolução terá o seu ápice na condenação e eterna separação de Deus. Dê ouvidos à Voz que nunca iludiu, nunca enganou, nunca errou!
 
As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; (Jo 10:27). Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus. (Jo 8:47); Mas isto lhes ordenei, dizendo: Dai ouvidos à minha voz, e eu serei o vosso Deus, e vós sereis o meu povo; e andai em todo o caminho que eu vos mandar, para que vos vá bem. (Jr 7:23)
 
Ainda há quem não siga a serpente. Quero ser sempre um deles.
 
E o leitor?
 
 
Wagner Antonio de Araújo

15/08/2017

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

memórias literárias - 506 - VIDA QUE SEGUE

VIDA QUE
SEGUE


506
Uma companhia de seguros veicula uma campanha pelas redes de televisão. O locutor diz que você deve deixar um seguro porque, depois que morrer, as pessoas ficarão tristes, mas isso passará e "é vida que segue". A mensagem é a seguinte: você não irá fazer falta, seu dinheiro sim. E a tristeza aparente vai passar, porque o que importa na vida é a minha vida, não a vida de quem se foi.
Nada mais exato para explicar a filosofia das gerações de hoje. O que importa é a minha vida. E se você faltar, a minha vida irá seguir. O seu problema não tem valor para mim. Só eu ou as minhas prioridades importam.
Isto nos leva até a estrada de Jerusalém a Jericó, onde um moribundo jazia, assolado por salteadores. Roubaram-no e surraram-no, deixando-o semimorto. Passaram por ele três tipos de indivíduos. Dois deles religiosos e um outro apenas um rejeitado samaritano. Os dois religiosos eram líderes. Um era levita, trabalhava para Deus no templo. O outro era sacerdote, uma função mais importante ainda; ele era um intermediário entre o povo e o Senhor. Ambos passaram pelo moribundo e nem deram bola. Viram-no esparramado, sangrando e destituído de tudo. Mas seguiram a filosofia do "vida que segue" e foram em frente.
O mundo de hoje é assim.
O motorista corta o outro nas ruas, avenidas, estradas e caminhos. Não sinaliza, não tem respeito, invade o espaço destinado para o carro do próximo. Alguém buzina, reclama, xinga. Ele nem liga; ele não tem nenhum respeito pelo outro. O que importa é seguir em frente. Vida que segue.
O trabalhador entra na empresa. Aos poucos invade a função alheia, chamando a atenção da chefia. Quando uma vaga de liderança aparece ele derruba a todos, tomando aquele lugar. Mau quisto pelos colegas, adulador da chefia, sobe sem pejo e sem respeito para com ninguém. Perde os poucos companheiros. O que pensa? Vida que segue.
O amigo é convidado para jantar. Faz amizade com a esposa do companheiro. Enamora-se dela. Trai a sua confiança. A esposa abandona o marido e segue com esse intruso. O amigo protesta, reclama, ameaça, mas quê! Os dois seguem nesta dinâmica. E o amigo traído? Sinto muito; vida que segue.
O pastor convida um colega para não deixá-lo sem ministério. Confia-lhe uma classe de escola dominical, algumas visitas, uma congregação. O novato aproveita a deixa e mina a confiança da igreja no veterano obreiro. Consegue um motim. O pastor vai embora. O invasor oferece-se para dirigir o ministério. E consegue. E o pastor que saiu? E a confiança, a ética, o respeito? O invasor (e, quiçá a igreja) pouco se importa. É vida que segue.
A fila do caixa está grande. O cliente da frente derrubou algo. Tomo o seu lugar. Ele xinga. Eu nem ligo. Vida que segue.
Ah, filosofia do Inferno, provérbio do Diabo! Vida que segue é o pecado da inveja, do roubo, da cobiça. Está aliado ao completo desprezo pela vida e felicidade do próximo. Se eu tiver que lhe derrubar para passar, farei isso. Quanto a você, sinto muito. Vida que segue.
Na parábola citada por Jesus, apenas um samaritano não seguiu. Parou para acudir ao viajante assaltado e massacrado. Condoeu-se de sua dor. Quem sabe chorou por ele. Se não chorou, agiu como quem sentia a sua dor. Limpou-o, colocou remédio, muntou-lhe em seu animal, levou-o à hospedaria, mandou que tratassem dele e prontificou-se a voltar. Ele colocou-se à disposição. Para ele a vida só segue se pudermos carregar aquele que sofre conosco, amenizando as suas dores.
Jesus contou a parábola falando do que Ele faria conosco. Sentiria a nossa dor. Sofreria a pena pelos nossos pecados. Enxugaria as nossas lágrimas. As nossas dores levaria sobre si. E seria o nosso eterno sumo-sacerdote, vivendo para interceder por nós. Oh, bendito seja o tremendo amor de Cristo! Bendito seja esse exemplo completo e soberano, que nos mostra alguém capaz de só seguir em frente se nos tiver ao lado!
Quem o segue deve lembrar-se: Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros. (Jo 13:14)
Vida que segue? Não. Vida que serve.
O resto é morte. O resto não segue.
Wagner Antonio de Araújo

14/08/2017

sábado, 12 de agosto de 2017

memórias literárias - 505 - UM JOGRAL PARA O DIA DOS PAIS

UM JOGRAL
PARA O
DIA DOS PAIS

 
505
 
Acredito que hoje muitos jovens e adolescentes estão correndo para procurar por um jogral. Amanhã será o Dia dos Pais e a emergência faz a busca acontecer.
 
Como contribuí com os jovens de minha igreja, quero contribuir com os que me lêem nas redes, oferecendo-lhes uma sugestão de jogral.
 
Que Deus a todos abençoe!
 
Wagner Antonio de Araújo
 
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JOGRAL PARA 4 PARTÍCIPES
 

1. Não vivemos de eventos sociais.
 
2. Dia das mães, dia dos pais, dia das crianças, dia do amigo.
 
3. O mundo busca formas para vender produtos.
 
4. Vende pasta de dente, vende flores, vende meias.
 
1. Vende jogo de cozinha, vende chave de rodas.
 
2. O mundo vive de vendas.
 
3. Em Cristo estamos livres dessa agenda de comércio.
 
4. Hoje é o dia dos pais.
 
1. Dia de almoço, dia de presente, dia de visita.
 
2. Pais idosos, pais jovens, pais presentes, pais ausentes.
 
3. Uns estão felizes, com os pais por perto.
 
4. Outros choram de saudades, pois seus pais morreram.
 
TODOS - Mas a pauta do dia é O DIA DOS PAIS.
 
1. E nós? O que fazemos?
 
2. Alguns deixam pra lá, ignorando a data.
 
3. Outros fazem de tudo, uma série de comemorações.
 
4. Em alguns lugares Deus é exaltado; em outros, apenas os pais.
 
TODOS - NÓS TEMOS OPINIÃO!
 
1. Amamos os nossos pais e valorizamos a sua data.
 
2. Mas não vivemos a enaltecer a data, o consumismo.
 
3. O nosso culto é para Deus! Só para Deus
 
TODOS - NISSO TODOS CONCORDAMOS!
 
4. Mas...
 
TODOS -  Mas? Por que mas?
 
4. Eu estava pensando...
 
TODOS - PENSANDO EM QUÊ?
 
4. Pensando se não seria possível aproveitar a data e homenagear os pais.
 
TODOS - HOMENAGEAR?
 
4. Sim!
 
TODOS - E ONDE ESTÁ ISSO NA BÍBLIA?
 
4. Está aqui: Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Rm 13:7)
 
TODOS - É MESMO!
 
1. Ei, gente, está aqui também:
 
1. Honra a teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR teu Deus te dá. (Ex 20:12)
 
TODOS - É ISSO MESMO!
 
2. Então vamos homenageá-los!
 
3. E isto não é render culto a eles, mas a Deus!
 
4. Sim, Deus é o Pai do Céu, que criou todos os pais!
 
TODOS - QUEREMOS HOMENAGEAR OS PAIS!
 
1. Vamos fazê-lo com uma poesia.
 
3. Todos nós.
 
4. Sim. Vamos lê-la juntos:
 
TODOS - QUEM É PAI?
 
É pai aquele que gera a vida no ventre materno,
Que traz à luz o sonho da posteridade.
Aquele que, com energia e vigor, dotado de afeto,
Produz na família crescimento e vitalidade.
 
É pai aquele que cuida, mesmo que não tenha gerado;
Que dá de si para criar um pequenino vivente.
Não mede esforços, não  sente o fardo,
Até gerar ao adotivo um viver decente.
 
É pai também o que é desprovido de filhos,
Que não casou-se, mas que vive a servir.
Sua vida é qual um trem a correr nos trilhos,
Levando a todos exemplos e aos corações nutrir.
 
Todos os pais provém do pai primeiro,
Que um Filho gerou e tanto ama.
Seu nome é Deus, amoroso e obreiro
Que aos pais inspira e o amor inflama!
 
A paternidade é um dom, uma dádiva,
concedida pelo Pai celeste a toda gente.
Pais que geram, pais que cuidam, pais que inspiram,
Todos são pais, bênçãos que duram eternamente!
 
Parabéns, papais, pelo seu dia festivo,
Dia de gratidão e de louvor ao Senhor.
O seu exemplo nos tornou cativos
E hoje celebramos alegres em amor!
 
PARABÉNS!

memórias literárias - 504 - EU NÃO LHE ESQUECI ...

EU NÃO
LHE
ESQUECI...

 
 
504
 
Antonio Paulino de Araújo. Este é o seu nome. Deus não é Deus de mortos, mas de vivos. Papai se foi em julho de 1991. Mas está vivo no céu por promessa divina em Sua Santa Palavra: Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; (Jo 11:25)

Um honrado pai de família, honesto, trabalhador, dedicado ao extremo aos afazeres profissionais e consertos domésticos, ansioso por ver um filho médico/atleta e outro engenheiro. Talvez fosse exatamente isso que ele gostaria de ter sido, se oportunidade tivesse. Mas lá na roça, na Meia Légua, em Cambuí, Minas Gerais, não havia a menor chance, e tinha que contentar-se com o ciclo natural da vida: ser lavrador/boiadeiro, capinar, plantar, arar, colher, pescar, casar, ter uma prole grande para acompanhá-lo na roça, envelhecer e morrer.
Seguiu o caminho dos irmãos mais velhos: foi embora para São Paulo. Caminhando pela estrada velha (a Fernão Dias nem existia ainda), chegou na metrópole, sem lenço e sem documento. Tratou de arrumar trabalho braçal. Encontrou-o nos loteamentos da Brasilândia, região que estava sendo desmatada. Ajudou a construir os esgotos daquela região da capital, hoje zona norte.
Alguém lhe deu a chance de trabalhar como zelador de um prédio. Rapaz novo, bonito, chamou a atenção de um professor, que tinha carreira no Banco do Brasil. Ele lhe arrumou escola, fê-lo estudar, e conseguiu inscrevê-lo como mensageiro no banco, que, na época, era uma carreira das mais invejadas e promissoras.

E meu pai foi crescendo, sendo próspero. Comprou um terreno no loteamento da Vila Anglo-Brasileira, próximo do Sumarezinho, e construiu uma “meia água”. Na ocasião, encantou-se com a filha do Seu Leandro, um vizinho italiano, e seu irmão Roque encantou-se com a outra, e ambos contraíram núpcias com as italianas de sangue, Elzira e Jovelina. Era 1960.
Enquanto o Brasil crescia, mesmo sofrendo confusões políticas, papai trabalhava à todo vapor, estudando com afinco. Estava debruçado em seus estudos de engenharia. Casado (encontrou uma moça honrada e maravilhosa, que foi a minha mãe Elzira), dele recebia todo o cuidado e afeto necessários. Mas o excesso de trabalho e estudo levaram-no a uma estafa, e ele foi internado com problemas emocionais sérios. Foram seis meses de sofrimento para o casal. Mas retornou, graças a Deus, e não voltou à faculdade, apenas ao trabalho, que já se constituia numa excelente carreira.
O terreninho já não abrigava uma meia-água, mas uma casa, que ele construíra com suas próprias mãos. Muito jeitoso, muito trabalhador, cada tijolo e cada reboco daquela casa tem o suor de meu pai e de minha mãe. Aos poucos a casa tornou-se um grande sobrado. Foi naquela casa que Deus deu graça ao casal e eles conceberam um bebê. Então eu nasci.
Seis anos depois, lembro-me como se fosse hoje, pedi à minha mãezinha,enquanto ela estendia roupas para “quarar”, “mamãe, a senhora me dá um irmãozinho?” O meu pedido foi concedido, e veio ao mundo outro menino, um lindo Daniel. Hoje eu sei que ela foi ressuscitada na mesa cirúrgica, pois o parto foi extremamente difícil.
Nosso pai deixou-nos uma grande herança. Quero citá-la, em sua memória e para a glória de Deus.
Dignidade – Aprendi com o meu pai que a dignidade independe do grau econômico de alguém, independe de sua instrução, beleza física ou popularidade. A dignidade pode ser de alguém quieto, desconhecido e que vive em silêncio. Mas a dignidade fala mais alto do que tudo, pois, quando tudo se acabar, a dignidade perpetuará uma vida, uma família, uma geração.
Honestidade – Papai ensinou-me que não importa o custo, temos que falar a verdade. A verdade pode ser dura, pode machucar, pode magoar, mas a verdade é a única coisa que importa. Temos que ser honestos em nossos negócios, em nosso trabalho, em nossos estudos, nas nossas relações famíliares, etc.
Humildade – Meu pai soube ser humilde. Quando a idade chegou e a doença tomou conta de seu frágil e cansado corpo, ele soube pedir perdão. Muitas pessoas receberam sua visita inusitada, gente com quem trabalhou, familiares, ex-amigos, e ele, já cego e de bengala, dizia que, como Cristo lhe perdoara, também gostaria de perdoar e pedir perdão. Muitas pessoas que receberam sua visita tornaram-se cristãs, porque concluiram que, se o “Seu António” foi transformado assim, então Deus realmente existe. Meu pai foi um homem de humildade preciosa.
Integridade – Nunca vi ou ouvi meu pai mentindo, divagando, fingindo. Meu pai era um homem autêntico. E essa integridade fazia com que soubéssemos exatamente o que ele pensava, o que ele fazia e o que ele sentia. Meu pai era um homem de uma palavra só, e só mudou decisões e arrependeu-se de atos por causa de Cristo, que lhe salvou, remiu e transformou.
Dedicação Incondicional – Quando sua vista estava prestes a acabar (a diabetes enfraqueceu ao extremo e cegou-lhe), ele comprou uma bíblia de letra bem grande, comprou lentes, e leu-a vez após vez, hora após hora, à exaustão. Dizia ele que tinha que aproveitar cada minuto de vista, porque, quando acabasse, era do que havia lido que viveria, por isso deu ao Senhor toda a prioridade do uso de seus olhos. Quando tornou-se cego, ouvia o Novo Testamento falado e nós, os filhos, líamos o Velho Testamento, todos os dias, para sua edificação. E como ele gostava de falar das coisas do Senhor!
Fé Inabalável – Meu pai cria em Cristo. Quando converteu-se, em 1980, e posteriormente, quando realmente entregou tudo ao Senhor, ele não tinha mais tristeza por estar tão debilitado, tão enfraquecido. Ele sabia que Cristo prometera a vida eterna, a salvação, o perdão de todos os pecados, e nessa confiança ele viveu e morreu. Quando alguns pastores (eu ainda não era), estiveram aqui em casa para orar por ele, pedindo-lhe a cura, ele disse: “não peçam para o Senhor me curar, pois não quero ser tentado a ficar nervoso e pecar; eu já vivi bastante, eu quero ir para o Céu”. Em tudo meu pai glorificou a Deus.
Pai de família Responsável – Se hoje eu e meu irmãozinho somos pessoas honradas, estudadas, preparadas, encaminhadas, é porque nosso pai nos alimentou, nunca deixou faltar o pão em nossa mesa, comprou nossos remédios, vestiu-nos, banhou-nos, acompanhou nossa mãe nos cuidados conosco, deu-nos boas escolas, comprou nosso material de estudo, ensinou-nos a dirigir automóveis, colocou um carro em nossas mãos, orou por nós e fez de nós homens crentes e dignos, homens que valeram seus cuidados e responsabilidades. Ao falecer, não deixou nossa mãe desassistida; pelo contrário, supriu suas necessidades básicas, e concedeu-lhe a graça de receber pensão suficiente para as necessidades prioritárias. Se hoje eu moro em algum lugar, é porque meu pai comprou-nos esta casa, e eu agradeço, como agradeço!
Hoje eu homenageio o meu velho pai, cuja voz e figura está gravada, mas cuja presença está em nosso sangue, em nossa linhagem, em nossa memória e em nossa gratidão.
Obrigado, Antonio Paulino de Araújo, marido, pai e líder.1932 – 1991

 
Wagner Antonio de Araújo

12/08/2017

memórias literárias - 503 - A CONVERGÊNCIA DO ANTICRISTO

A CONVERGÊNCIA
DO
ANTICRISTO

 
503
 
Há uma semana um "casal" de homossexuais no Brasil, "unidos" há décadas, recebeu do papa, líder máximo do catolicismo romano, uma carta de apreço e consideração, após conseguirem o direito de batizarem um filho adotivo. Os católicos conservadores olharam-se mutuamente e se perguntaram: "e agora?"
 
Um escritor famoso, que parece enaltecer a Jesus, falando dele como o campeão, o líder, o sábio, está tomando assento nos programas de televisão, contando como deixou de ser ateu e se tornou cristão. Ele, membro de uma seita falsamente chamada cristã, de cunho oriental, ilude as pessoas com sua lábia tão generosa e implanta idéias da filosofia oriental de confissão positiva e de auto-ajuda. Um pastor querido disse que houve discussão entre ele e um outro colega, que queria implantar os livros dele na escola dominical de sua igreja!
 
Ontem, passando pelos canais de TV, sintonizei na Canção Nova, canal da ala pentecostal do catolicismo romano. Estavam "louvando". Cantavam: "nós te adoramos, ó Virgem,  adoramos a ti, São Miguel Arcanjo, te adoramos, São José e toda a falange de hostes angelicais!" A música era tipicamente de "worship", o estilo de louvores modernos dos americanos, mas o conteúdo era completamente idólatra. Então falou: "agora adoremos a São Miguel, olhando para a sua imagem". Ao contemplar a imagem, vi que era extremamente semelhante as que vira à venda na casa de umbanda próxima de minha casa.
 
O fenômeno do humor religioso é de igual monta. Com o humorístico Porta dos Fundos surgiram centenas de cópias mal feitas daquele mesmo estilo. E o povo evangélico a copiou. Um advogado do interior de São Paulo, membro de igreja evangélica, criou uma cópia, tecendo humor sobre práticas evangélicas e,  com a fama, extrapolou o humor meramente estético, atacando a própria fé. Um outro, do reteté neopentecostal, criou um falso pastor ultrapentecostal, zombando da fé de sua ramificação. Os espíritas, por sua vez, criaram outra cópia, zombando de médiuns, de suas oratórias, dos procedimentos nos centros espíritas, dos ensinos e das práticas de seus fiéis. E os católicos? Criaram outros, fazendo a mesma coisa, rindo de sua própria fé. A seriedade é, de fato, uma pauta vencida... 
 
Esta é a era de convergências. É como o fenômeno da água, que busca o seu nível; vivemos nos tempos em que o mundo jaz no Maligno e nivela todas as ramificações religiosas na mesma pauta, na mesma toada, com os mesmos valores, sem nenhuma consciência do que fazem. Satanás conduz a fé popular da seguinte maneira: a religião é como remédio de marca: possui um nome, mas o ingrediente ativo é genérico e é o mesmo entre todas elas. Posso ser católico, espírita, evangélico, reteté, umbandista, budista ou muçulmano; mas no final todos nós somos a mesma coisa e cremos no mesmo "deus". Pela prática, demonstra-se que esse deus se chama NADA.
 
Um tempo de convergência, com meia dúzia de religiosos que insistem em não aderir, em não receber em suas testas a marca da convergência. Eles ousam discordar e são taxados de fundamentalistas, de clássicos, de conservadores, de radicais. A única coisa que eles pedem é um retorno aos valores e princípios norteadores de sua fé, não convergência com a fé alheia.
 
Eu confesso que se, se hoje eu tivesse quatorze anos e fosse evangelizado, teria dificuldades em converter-me, uma vez que os cultos e missas estão se tornando quase todos iguais, com algumas diferenças ritualísticas que, no passar do tempo, convergirão a quase nada. Aliás, este é o propósito do anticristo: uma convergência maciça de toda a massa religiosa. E sua pauta é clara: qualquer religião é boa, não há gênero sexual de nascença, mesmo que os órgãos genitais sejam específicos, o casamento é contrato que pode ser rompido, não há Deus pessoal e moral em lugar algum, não há livro sagrado melhor ou pior, não há eternidade, senão uma energia que se reaproveita.
 
Podemos perceber: cantores evangélicos e católicos cantam juntos no palco, sem qualquer expressão de desconforto, porque as letras são as mesmas, independentemente de um acreditar na salvação pela graça com a intermediação única de Jesus Cristo e o outro acreditar na salvação pelas obras com a co-mediação de Maria e a intercessão de milhares de santos. Um pastor batista apareceu há dias num culto ecumênico, celebrando a "negritude dos adoradores", ao lado de um babalorixá, um pai de santo e um padre! A fé tornou-se apenas opção de gosto, não caminho de interpretação da vida! Qualquer coisa vale! Talvez por isso a editora que publica a "bíblia do diabo" tenha comprado uma editora evangélica de grande envergadura e de suas prensas saem as duas bíblias, a de Satanás e a de Deus! E nós compramos o seu material sem qualquer problema!
 
O que fazer? Confessar uma fé para a vida inteira, sem acreditar que ela é apenas o rótulo de uma fé universal. Prudência, irmãos! A fé religiosa não é a mesma, variando apenas o nome! Isto é uma tática do anticristo! Vejamos:
 
E vi subir da terra outra besta, e tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro; e falava como o dragão. (Ap 13:11)
 
E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia. (Ap 13:14)
 
Sobre a convergência da fé, não há nenhuma possibilidade, que todos saibam disto! Assim diz a Escritura Sagrada:
 
Nenhum servo pode servir dois senhores; porque, ou há de odiar um e amar o outro, ou se há de chegar a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom. (Lc 16:13)
 
Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolhei hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR. (Js 24:15)
 
Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. (Mt 7:21)
 
À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. (Is 8:20)
 
Que o Espírito Santo clareie a mente dos cristãos, para que não sejam presos pelos laços do Maligno.
 
Wagner Antonio de Araújo

12/08/2017

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

memórias literárias - 502 - QUEM É PAI?



QUEM É PAI?
 
502
 
É pai aquele que gera a vida no ventre materno,
Que traz à luz o sonho da posteridade.
Aquele que, com energia e vigor, dotado de afeto,
Produz na família crescimento e vitalidade.

 
É pai aquele que cuida, mesmo que não tenha gerado;
Que dá de si para criar um pequenino vivente.
Não mede esforços, não  sente o fardo,
Até gerar ao adotivo um viver decente.
 
É pai também o que é desprovido de filhos,
Que não casou-se, mas que vive a servir.
Sua vida é qual um trem a correr nos trilhos,
Levando a todos exemplos e aos corações nutrir.

 
Todos os pais provém do pai primeiro,
Que um Filho gerou e tanto ama.
Seu nome é Deus, amoroso e obreiro
Que aos pais inspira e o amor inflama!

 
A paternidade é um dom, uma dádiva,
concedida pelo Pai celeste a toda gente.
Pais que geram, pais que cuidam, pais que inspiram,
Todos são pais, bênçãos que duram eternamente!

 
Parabéns, papais, pelo seu dia festivo,
Dia de gratidão e de louvor ao Senhor.
O seu exemplo nos tornou cativos
E hoje celebramos alegres em amor!
 
PARABÉNS!
 
Wagner Antonio de Araújo
11/08/2017
 
Às minhas jóias Rute Cristina e Josué Elias


quinta-feira, 10 de agosto de 2017

memórias literárias - 501 - COMPAIXÃO DIVINA - SÉRIE: CONSOLO NOS SALMOS No. 11

COMPAIXÃO
DIVINA

 
Série:
CONSOLO NOS SALMOS
No. 11


501
 

Olá! Aqui é o Pr. Wagner Antonio de Araújo. Nossas meditações estão focadas no livro dos Salmos, que foi o primeiro livro de cânticos do povo de Deus. Nele encontramos consolo para a nossa alma. E um dos mais preciosos confortos ali contidos está no verso 2 do Salmo 6: “Tem compaixão de mim, Senhor, porque eu me sinto debilitado”.
 
Um homem desempregado e que tem muitas bocas para alimentar, sente-se debilitado quando escuta: “Infelizmente já contratamos outra pessoa”. Uma mulher que faz um exame de mamografia e vê um diagnóstico de câncer sente-se debilitada, ao pensar nas crianças que tem para cuidar e na família que dela depende. Um noivo prestes a casar e que descobre a traição de sua futura esposa sente-se debilitado, à luz de todos os preparativos nos quais gastou grande parte dos seus recursos. Quanto sofrimento encontramos na vida! Em muitas cidades do país, nos dias de hoje, a violência traz a sensação de extrema debilidade, uma vez que não temos segurança em sair de casa ou em ficarmos ali, pois balas perdidas procuram vidas inocentes.
 
Debilidade significa fraqueza, abatimento. É a sensação de impotência ante as vicissitudes da vida. Num asilo para idosos aquele homem, antes tão forte e robusto, sente-se debilitado quando precisa de ajuda até para dirigir-se ao banheiro. Aquela mulher tão vivaz e decidida sente-se fraca e incapaz de seguir em frente, quando ouve do médico a informação de que o seu filho tem um mal letal e poucos meses de vida. A nossa história assemelha-se a dias de tempestade: do nada, em algum momento, o tempo fecha e a chuva cai, triscando raios e ribombando os seus trovões.
 
O autor do Salmo 6 também enfrentou lutas terríveis. Quando o velho Rei Saul buscava matá-lo, Davi sentiu-se incapaz de livrar-se por força própria. Posteriormente, ao reinar sobre Israel, Davi sentiu-se diminuto ante o poderio bélico dos reinos ao redor. Enfrentou lutas familiares intensas, morte e enfermidades. No entanto, em todo o tempo de vida, Davi sabia a quem clamar: ele buscava a Deus. E dEle pedia compaixão. Compaixão é ter piedade, é pedir ao outro para colocar-se no seu próprio lugar. Davi sabia que o único que poderia livrá-lo, auxiliá-lo e transformá-lo era Deus. Por isso pedia a Sua compaixão. “Tem compaixão de mim, Senhor”
 
Muitos que me ouvem atravessam grandes temporais na vida. Estão envelhecidos e não contam com a ajuda de ninguém; encontram-se enfermos e não têm recursos para o tratamento; vivem em locais de grande violência e não podem comprar ou alugar moradia em outro bairro ou cidade; estão desempregados e, devido à crise e à idade, não conseguem uma recolocação profissional. Não possuem pessoas que lhes auxiliem e são o arrimo de outras que de si dependem. Sem socorro e sem alternativa, desesperam-se.
 
Eu quero lhes apresentar Aquele que pode lhes socorrer: o Senhor! Ele tem compaixão, Ele tem recursos e novas esperanças! Ele pode enviar alternativas que não estão programadas! Buscá-Lo de todo o coração pode ser um divisor de águas para a alma sofredora! Jeremias, o profeta, registrou o que Deus lhe disse: “Clama a mim, e responder-te-ei; e anunciar-te-ei coisas grandes e novas, que não sabes!” (Jeremias 33.3). A solução impossível pode estar a um passo de si, quando, de todo o coração, clamar a Deus. Que Ele nos abençoe. Amém.
 
Wagner Antonio de Araújo
11/08/2017
 
(mensagem especialmente preparada para a EBAR - Escola Bíblica do Ar, à convite da irmã Ana Maria Suman Gomes).