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domingo, 26 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 414 - AVENIDAS CHEIAS, IGREJAS VAZIAS

AVENIDAS CHEIAS,
IGREJAS VAZIAS
 
414
Poucas igrejas podem dizer: estamos na normalidade.
 
Neste Carnaval os auditórios das capelas, templos, catedrais está mais vazio.
 
E não me refiro a retiros espirituais. Há igrejas que não os fizeram; contudo, não contaram com a presença dos crentes.
 
Muitos viajaram. Aproveitaram o longo feriado para visitar familiares.
 
Outros trabalharam (ainda que não no domingo e no Dia do Senhor, como sempre, exceto algumas profissões).
 
Outos dormiram. Se é feriado nacional, crêem que o Reino de Deus também deve obedecer. Estão entre colchas e lençóis; isto é, no caso do Brasil, estão debaixo dos ventiladores dos tetos de suas casas, pois o calor é forte.
 
Mas há outros que, infelizmente, chafurdam na lama das avenidas, dos bailes dos clubes, das casas noturnas, das esquinas das vilas, das famílias, dos sítios e casas de veraneio. Lá não estão como crentes, mas como mundanos, dignos de um lamento profundo e grande por parte dos pastores que sofrem com as dores de um rebanho heterogêneo, com muito bode e pouca ovelha, uma lavoura com muito joio e pouco trigo.
 
Crentes nominais sambam na avenida. Crentes nominais sambam nos salões. E pipocam fotografias de festas à fantasia, momentos malditos do encontro com o demônio, pois ali tiram a verdadeira máscara de santinhos e mostram que a sua fé não vale um tostão furado. Basta uma porta aberta e este crente corre para a lama de onde foi resgatado. Conversões questionáveis...
 
Assim como na quarta-feira próxima o Carnaval virará cinzas, eles também voltarão à vida normal, achando que o que fizeram no Carnaval será perdoado por Deus; afinal, Ele não é um Deus de amor? Tentarão compensar na Semana chamada Santa...
 
Transformaram Deus num deficiente ontológico: um braço, o do amor, do tamanho do mundo; o outro, o da justiça, atrofiado, um mero toquinho inexpressivo. Esse é o deus dos que curtem o Carnaval: um monstro insuportável. Esse deus medíocre é um pedinte, um mendigo pedindo um instante de atenção, de ajuda, de carinho, de amor. Esse não é o Deus verdadeiro.
 
Deus é amor, mas é justiça também. E saberá punir exemplarmente, no porvir, todo pecado oculto e toda ocultação de procedimento dos que se dizem cristãos e não são. Haverá um tribunal de Cristo para os crentes que perderam-se numa vida mundana. E, se não forem achados no Livro da Vida, irão para o juízo final do Grande Trono Branco.
 
Pastores: precisamos de um "batismo de angústia", tão bem explicado pelo inesquecível David Wilkerson em seu sermão (busquem esse título e o encontrarão). Precisamos chorar pelas igrejas que pastoreamos como Cristo chorou por Jerusalém, ao adentrar à cidade que o rejeitou. Precisamos expressar o que o autor de hebreus afirmou ser tarefa do pastor: gemer pelas almas das quais prestarão contas ao dono do rebanho. Não é tempo de felicidade para os pastores batizados na angústia. É tempo de dores, pois sabemos que esta cegueira do povo aumenta e contamina, destrói e trará consequências.
 
Pena que há pastores sambando junto com o povo. Alguns não saem de estádios de futebol, mostrando ao rebanho o quão distantes estão do "bom combate" da fé cristã: enquanto festejam um gol e celebram uma vitória esportiva, o púlpito enfraquece, geme e chora, com a mediocridade dos sermões e com a ineficácia espiritual destes obreiros. Contemporâneos? Não. Mundanos! Jamais vi, numa guerra, os soldados saírem da trincheira para uma festinha. Eles estão em luta! Paulo diz que orava noite e dia. E os pastores de hoje mostram toda a sua disposição de não lutar, sambando com o povo em suas festas. Férias e descanso são lícitos; vida esportiva é lícita; mistura com as celebrações carnavalescas não. Amar mais o futebol do que o Reino de Deus também não.
 
Sigo para a igreja onde sirvo ao Senhor. Como tantos, enfrentarei um auditório cheio de vazios, espaços deixados por muita gente. Queira Deus que estejam apenas atarefados, em lícitas viagens ou em alguma atividade que glorifique a Deus. Mas que não deixarei de orar pelos crentes brasileiros e pelas igrejas brasileiras, não deixarei mesmo!
 
Oh, Senhor, não olha para o pecado dos crentes desta geração; olha para a Tua misericórdia e reaviva a Obra das Tuas mãos, a começar em mim! Desperta o povo Teu e dá discernimento aos que Te buscam hoje, para saberem que a nossa alegria é outra e de que não precisamos destes mundanos festejos. Em nome de Jesus, amém.
 
Pastor Wagner Antonio de Araújo

26/02/2017

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 413 - A SANTA VAI SAMBAR


A SANTA
VAI SAMBAR
413
Se o leitor leu o texto acima, soube que
1 - Uma escola de samba de Vila Maria, em São Paulo, decidiu levar para a avenida a santa Nossa Senhora de Aparecida;
2 - Também descobrirá que a Igreja Católica Romana, através do Sagrado Magistério (Bispos)  deu o aval e a bênção, ainda que estabelecendo algumas condições;
3 - Saberá que um grupo de católicos revoltou-se e circula um abaixo-assinado, tentando desmanchar essa aparição e secularização da fé católica;
4 - Lerá que os padres e o bispo estão praticando a apologia do Carnaval para levar a fé onde o povo está, criticando os que condenam a participação.
Eu fui católico romano. Lembro-me com que respeito e devoção um católico deveria se comportar nas igrejas e diante dos altares. A fé era para ser respeitada. Como o Padre Zezinho diz nas canções, ainda sou do tempo em que um católico, ao passar na porta da igreja, tirava o chapéu e fazia o sinal da cruz.
Deixei de ser católico não por zombar ou desprezar a fé, mas por ter entendido na Palavra de Deus, que eu já amava, que esse ato de veneração de imagens e objetos não tinha o respaldo da revelação divina, por mais respeitoso e nobre que pudesse ser. Tendo optado por considerar a Bíblia por única norma de fé para a minha vida (e não mais a tradição e o Sagrado Magistério, ou seja, a autoridade dos bispos e papas e as tradições culturais existentes), encontrei este texto, crucial para a minha mudança de atitude: Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás; porque eu, o SENHOR teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos, até a terceira e quarta geração daqueles que me odeiam. (Ex 20:4-5). Fundamentado neste texto inicial decidi adorar apenas ao Deus vivo, que não se condiciona a objetos, nem quer ser lembrado através deles.
Porém, compreendo perfeitamente a perplexidade de muitos católicos ao verem novamente a sua fé ser motivo de folia carnavalesca. Em 1989 Joãozinho Trinta já havia causado frenezi ao levar o Cristo Redentor para a avenida. Proibido de exibi-lo, cobriu-o e causou mais sucesso ainda. Agora, uma vez mais, o catolicismo romano expressa a sua secularidade na avenida, justificando, para isso, que o samba contará a história da suposta santa (Maria, a mãe de Jesus, é uma coisa; a história da imagem é outra). Disse que a fé tem que ir aonde o povo está.
Este é o cenário da banalização da fé cristã em todas as suas ramificações. Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás. (Is 1:4). Enquanto os muçulmanos oram várias vezes ao dia e aborrecem-se com quaisquer utilizações de seus nomes santos pelos que não pertencem à fé, os cristãos são os primeiros a lançar o seu Deus na lama das depravações. O catolicismo sempre fez isso, não da forma em que expõe a fé no Carnaval, mas nas festas anexas às celebrações de santos, onde, após as missas, dá apoio e promove os bailes e as festas que de santas não têm nada. Digo isto porque conheço bem as festas católicas do interior! Misturar fé e entretenimento é obra de gente que não vive a fé de verdade. Por isso, mais uma vez, veremos cristãos brincando com a sua fé.
Os católicos "protestantes" correm contra os desfiles com imagens de santos. Já os evangélicos deixam as igrejas e vão para as avenidas, buscando sambar com músicas religiosas, misturando a água pura no esgoto dos carnavalescos. Nós bem sabemos qual é o resultado da mistura. Alguém beberia um copo de água que fosse composta com água mineral e com água de esgoto? Claro que não! Mas os atuais cristãos querem fazer-nos entender que, ao final do festejo do Carnaval o resultado será um excelente copo de água pura, na mistura do satânico culto a Momo e do suposto culto ao Cristo da avenida. Graças a Deus temos também um grupo de protestantes "protestantes"!
Mistura! Sincretismo! Bagunça! Banalização da fé! É tudo que vemos, tristes e perplexos, neste século 21. Nesta semana um programa da televisão, dedicado a satirizar programas de um canal, inventou a ESCOLINHA DE DEUS. Ali, diante de todos os telespectadores, mostraram um Jesus que era um playboy e um Judas gay, que entregava a Jesus para os policiais. Ao final Deus, simulando o professor Raimundo dos cômicos, diz, fazendo um gesto com a mão: "E o Calvário só aumenta...". Uma atriz, entrevistada pela TV cultura, octogenária, contava suas peripécias da profissão. Indagada por um espectador do auditório quanto à exposição extrema do homossexualismo nas novelas, disse: "Eu acho isto perfeito. Está na hora dos cristãos pararem de encher a paciência e amarem a todos!" Quer dizer, o problema do mundo se chama CRISTIANISMO. Mesmo calados, mesmo sem dizer uma palavra, os cristãos, não os nominais, mas os que ousam ser diferentes e fazer a Bíblia a sua regra de fé, incomodam a toda gente!
Onde vamos parar? No pé do arrebatamento e do início da Grande Tribulação. O mundo irá de mal a pior, quer queiram, quer não queiram os liberais. A fé cristã está como as abelhas no mundo: desaparecendo a passos largos. Está sobrando gente nas igrejas, mnas faltando cristãos autênticos. Estão sobrando templos e faltando igrejas! Nos grupos de youtubers cristãos, os cômicos da fé avolumam-se de forma desesperadora. Caçoam da fé, caçoam da oração, caçoam dos usos e costumes, caçoam de tudo. Aliás, tudo o que não se concorda hoje é chamado "usos e costumes". Seria bom lembrar o que a Bíblia diz: Não removas os antigos limites que teus pais fizeram. (Pv 22:28); Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes. (1Co 15:33); Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus. (1Co 10:32). Somam-se a isso os chamados "desigrejados" ou "destemplados" que, longe de serem o exército largado a agonizar pela igreja, são os novos apóstatas, que proclamam um Cristo sem igreja, negando da Bíblia as próprias recomendações: Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia. (Hb 10:25). Quem abandona o ato de ser membro de uma igreja (poderia procurar uma congregação melhor ou cooperar na fundação de uma nova congregação) declara ser tão bom que não precisa de outros cristãos. Irá lavar o pé de quem? Irá servir a quem? Crentes em carreira solo não foram planejados pelo Senhor...
Diante deste festival de bestialidades da fé, o que nós, cristãos que cremos unicamente na Palavra de Deus, devemos fazer?
E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12:2)
Não ameis o mundo, nem o que no mundo há. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele. (1Jo 2:15)
E salvai alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada da carne. (Jd 1:23)
Não sei quanto da "medida dos amorreus" será completado até o final do Carnaval, no Brasil. Mas peço: Senhor, tenha misericórdia de meu país, desperta o amor da geração eleita, reaviva a Tua igreja!
Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi; aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos, no meio dos anos faze-a conhecida; na tua ira lembra-te da misericórdia. (Hc 3:2)
Wagner Antonio de Araújo

24/02/2017

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 412 - HÁ TRINTA E SETE ANOS ATRÁS...

TRINTA E SETE
ANOS ATRÁS...

eu, antes de minha conversão.
 
412
Eu tinha quatorze anos. Trabalhava como office boy no BCN Servel na Vila Romana, São Paulo. Iniciara com um colega, o Camilo, uma pesquisa sobre qual seria a bíblia verdadeira. Tencionávamos entrevistar grandes líderes religiosos (Chico Xavier, Dom Paulo Evaristo Arns, Manoel de Melo etc). No Carnaval marcara uma entrevista com um seminarista católico, no Seminário São Camilo na Pompéia. No dia em que marcamos ele saíra para pular Carnaval e não pôde atender-me... Decepcionado, quis abandonar a pesquisa, não fosse um acontecimento...
 
Por alguns meses igrejas depositaram em minha caixa de correios folhetos evangelísticos. A maioria dizia respeito ao fim do mundo. Eu, adepto da reencarnação, imaginava consertar os estragos desta vida numa outra existência. Se o mundo acabasse o que poderia fazer? Isso causava-me pânico. Um folheto, "Previsão Científica do Fim do Mundo" causou-me pavor. Dizia que os cientistas previam o alinhamento dos planetas em 1982 e isto poderia gerar catástrofes apocalípticas. Dizia o texto que, mesmo se as coisas não acontecessem naquela data, a bíblia assegurava que um dia aconteceriam. Manuseei tanto o folheto que o perdi.
 
Na quarta-feira de cinzas eu voltava para casa à pé. Estava pensando na bronca que levara do meu chefe, que reparara nas minhas roupas desalinhadas (eu tinha cabelos compridos, roupas amassadas e rasgadas, algo meio hippie). Ao chegar próximo da minha casa vi um senhor a coçar a cabeça no meio da rua com um pacote de folhetos na mão. Pensei: já pensou se fosse aquele folheto que eu perdi? Corri para a minha casa e vi que ele nada depositara ali. Mas estava a distribuir nas casas anteriores e iria chegar na minha. Quando passou pelo meu portão cumprimentou-me e ofereceu-me um folheto. Eu perguntei-lhe: o senhor conhece o japonês que escreveu este texto? Ele disse: não foi um japonês; foi um russo, eu! Timofei Diacov. Fiquei eufórico. Perguntei se me concedia uma entrevista sobre a Bíblia. Disse que sim. Marcamos para o sábado, dia 23 de fevereiro de 1980. Lá se vão 37 anos desde então!
 
Na data marcada, na casa do pastor, às 15 horas, sob uma tempestade barulhenta, fui recebido e ficamos na sala. Eu, com o meu rádio-gravador AIKO, gravei uma entrevista que discorreu sobre toda a bíblia. Fiz perguntas de Gênesis a Apocalipse, passando pelos livros apócrifos. O pastor ficou perplexo com a minha voracidade em saber e pelos conhecimentos que um menino de 14 anos já colecionara sobre o livro de Deus. Ao final a Dna. Elzira, sua primeira esposa, convidou-me para ir à igreja no dia seguinte. Eu disse que não, pois minha mãe brigaria. Ela disse que seria um complemento da entrevista. Eu fiquei de pensar. Voltei para casa, um quarteirão dali. E passei a noite a ler a bíblia, uma vez que o encontro me dera sede de conhecer melhor o livro de Deus. Pensei na cena que presenciara na casa do pastor: o seu filho Jair servia o exército e chegara em casa; sentou-se ao lado da mãe; e então os três, alternadamente, recitaram para mim o Salmo 23. Eu imaginava que aquilo era ficção, uma família unida e recitando coisas de Deus! Em minha casa nós nem vivíamos reunidos e as palavras que eu ouvia eram tudo, menos de Deus...
 
Acabei deitando de madrugada, após mais de uma centena de capítulos lidos. Acordei à tarde. Fui assistir Os Trapalhões na TV. Lembrei-me do convite de Dna. Elzira. Sujo, com roupa rasgada, de chinelo no pé, desci 10 quarteirões, rumo à Igreja Batista em Sumarezinho. Quando cheguei o templo estava fechado, apenas a parte de baixo estava aberta. Desci uns degraus e ouvi o vozerio de gente em um salão. Lembrei-me de mamãe a ralhar comigo: "Não se meta com crentes, essa gente gruda como carrapato". Então subi. Mas a curiosidade aguçou e desci dois degraus novamente. O pastor me viu e correu abraçar-me. Conduziu-me ao salão de jovens. Mais de vinte. Todos muito bem vestidos e cheirosos. Uma menina seminarista, a Glair, pregava aos presentes. Falava sobre o banquete do rei e os amigos de Daniel. Dizia que eles escolheram legumes e foram mais saudáveis, tanto quanto nós deveríamos escolher a vontade de Deus e sermos felizes. Fiquei impressionado. Eu conhecia meninas dos bailes que frequentava aos sábados, mas jamais tinha visto alguma que falasse das coisas de Deus ou jovens tão limpos e distintos!
 
Subimos ao templo. Nenhuma imagem. Nenhuma cruz. Fui ao pastor e perguntei onde estavam as imagens e o que era aquela janela na parede. Ele disse que aquilo era o tanque do batistério e que não tinham imagens. Eu disse que era bom arrumar uma, pelo menos... O culto começou. Eles todos tinham bíblias. Que bacana! Tinham um livreto de músicas (Cantor Cristão) e cantavam com a família toda. Eu pensava nas brigas e xingamentos que escutava em casa, como eram diferentes do que presenciava ali, com pais e mães ao lado dos filhos, cantando a Deus! Quando oravam abaixavam a cabeça como que crendo que alguém os ouvia! E então o pastor começou a pregar. Eu confesso não me lembrar exatamente do texto e da mensagem, mas me lembro perfeitamente do apelo que fez. O pastor falou que Jesus ocupara o lugar de Barrabás na cruz do Calvário, e que também ocuparia o meu, se tão-somente eu confessasse os meus pecados e decidisse crer em Jesus de todo o meu coração. Cantaram o hino 270 daquele livro. "Jesus, Senhor, me achego a Ti. Oh, dá-me alivio mesmo aqui! O Teu favor estende a mim, aceita um pecador". Aquilo levou-me a imaginar o Calvário. Havia assistido recentemente a um filme chamado Barrabás. Lembrei-me do ator a olhar a cruz com Cristo a sofrer. E imaginei-me no lugar do Barrabás. "Quer aceitar a Cristo como Seu salvador? Levante a mão!" Eu pensei: é comigo que ele fala. Vou me manifestar. Mas, imediatamente imaginei a minha mãe a ralhar comigo. "Não se meta com esta gente". E o apelo continuava. Na quarta chamada ergui a minha mão. O pastor, emocionado, chamou-me à frente e orou por mim. Ao final todos cumprimentaram-me, dando-me parabéns. Eu dizia: não estou fazendo aniversário...
 
Ao chegar em casa experimentava uma grande alegria! Ao pedir a bênção de minha mãe, disse: "mamãe, aceitei Jesus!" Ela, aflita e com muita raiva, disse: "Você renegou a fé de nossa família". Chorou. O meu pai foi ao seu arquivo, tirou um revólver calibre 38 carregado, apontou para mim e disse: "Se você se batizar, eu lhe mato". O meu irmão deu-me uma bofetada e falou: "você não é mais meu irmão". Que celebração! Tudo isso há trinta e sete anos atrás, num domingo à noite! 24 de fevereiro de 1980!
 
Eu louvo ao meu Senhor Jesus Cristo, que usou a vida do Pastor Timofei Diacov para trazer-me a mensagem de salvação e criar-me nos ensinamentos da Palavra de Deus. Eu bendigo a Deus que converteu o meu pai, Antonio Paulino de Araújo, o meu irmão, Daniel Paulino de Araújo, e a minha mãe, Elzira Bonfante, ao evangelho de Cristo. Papai converteu-se em junho de 1980, ao lado de meu irmão Daniel. Partiu para Cristo em 1991. Daniel converteu-se com meu pai em junho de 1980 e é hoje o meu braço direito na igreja onde sirvo a Deus, junto com toda a sua família. Mamãe converteu-se um ano depois, em 1981 e tornou-se uma daquelas santas mulheres de vida inteiramente dedicada ao Senhor. Foi morar no céu em 2005. E eu casei-me com uma serva de Deus em 2011, tornando-me pai de uma linda menina e estou aguardando a chegada do garoto para o próximo mês de abril.
 
Por tudo isto eu digo: muito, muito obrigado, Senhor!
 
Wagner Antonio de Araújo
23/02/2017
 
 

Papai, Pr. Timofei e mamãe, em 1980


papai, Daniel, eu e Pr. Idelino, em 1981


Batismo e Ceia do Senhor de papai e Daniel, 1980


Batismo de mamãe em 1981


Minha família servindo ao Senhor em 1982, na frente da Igreja
Batista em Sumarezinho, São Paulo.
Na foto, da esquerda para a direita:
Pr. Israel e Damares, irmã Cida Gonçales, irmã Flora Faustino,
eu, Pr. Albino Faustino, Ademir,
meu pai, minha mãe e meu irmão Daniel.


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 411 - IGREJA OU COMUNIDADE?

IGREJA OU
COMUNIDADE?

411
"Comunidade de Fé". Li isto num boletim de uma centenária igreja do Rio. Leio isso em diversas páginas do facebook e em boletins de igrejas paulistanas. Isso no meio batista. No meio evangélico em geral o título comunidade forma um grupo de pentecostais e neopentecostais moderados. Outros dão os nomes mais estranhos às suas igrejas: "bola", "grupo", "rede", "toca", "confraria" etc.
Chamar igreja de igreja parece estar fora de moda. Talvez para não confundir com o prédio, que não é igreja, apesar de ser chamado disto.
Outros não a chamam de igreja porque não querem ser confundidos com os "igrejados". São os "destemplados" que se reúnem e decidem "ser desigrejados em comunidade". Absurdo e contradição! Outros ainda não chamam igreja de igreja porque crêem que trará rejeição popular; assim, disfarçam a fé e empurram goela abaixo uma igreja sem a cara de igreja. Igreja disfarçada.
Jesus Cristo nunca teve vergonha de chamar o Seu grupo de apóstolos como "minha igreja". Disse que as portas do inferno não se ergueriam contra ela. Disse também que, no fim dos tempos, viria ressuscitá-la e arrebatá-la. O Apóstolo Paulo afirma que ela é a multiforme sabedoria de Deus. Pedro apóstolo afirma que ela é sacerdócio real, povo escolhido por Deus. A igreja triunfante, no final de apocalipse, faz convite a todos os povos: "quem tem sede, venha!". E hoje os pastores destas igrejas não a chamam mais de igreja. Acham isso pouco contemporâneo e inapropriado.
Há algum tempo uma placa de igreja em Osasco dizia: "comunidade tal - gente que gosta de gente". Eu enviei uma mensagem ao pastor, questionando-o sobre a bobagem que escreveu na placa. Onde encontrar na bíblia a autorização para transformar a igreja num clube meramente de convívio humano? Igreja não é gente com gente, mas é Cristo NA gente, Cristo reinando ENTRE A  gente! E Ele, o noivo da igreja, não mandou disfarçarmos o nome dela. Ele a chama de IGREJA. E, se assim é, por que nós, crentes do fim dos tempos, ousamos substituir IGREJA para termos de relacionamentos humanos que servem para qualquer agremiação secular? Quando Cristo fez uso deste termo grego (ekklesia, um termo que significava "chamados para fora", usado para convocar gregos para reuniões públicas da cidade, séculos antes de Cristo), adotou-o como termo pelo qual os seus discípulos seriam chamados. Quem somos nós para mudar isto?
Não. Não devemos mudar. Não somos meras comunidades de fé. Não somos associações religiosas tão-somente. Não somos clubes de fé. Não somos bolas de materiais diversos. Não somos tocas e nem ninhos. Não somos aglomerados humanos ou simples denominações evangélicas. Somos A IGREJA DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO, a noiva do Cordeiro, os remidos do Senhor, os salvos pela graça por meio da fé, os predestinados para a salvação e os vencedores pelo Cordeiro de Deus!
Que as igrejas tenham cara de igreja, nome de igreja e espírito de igreja. E que Cristo seja o Seu cabeça. Assumamos a nossa missão e tomemos posse desta herança!
O mistério das sete estrelas, que viste na minha destra, e dos sete castiçais de ouro. As sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete castiçais, que viste, são as sete igrejas (Ap 1:20)
À universal assembléia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados; (Hb 12:23)
Mas, se tardar, para que saibas como convém andar na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, a coluna e firmeza da verdade. (1Tm 3:15)
Wagner Antonio de Araújo
membro de igreja.

22/02/2017

memórias literárias - 410 - PASTORES, PREGUEM OS SEUS PRÓPRIOS SERMÕES!

PASTORES,
PREGUEM OS SEUS
PRÓPRIOS
 SERMÕES!

 
410
Sábado à noite, tempo de conflito. Amanhã o pastor enfrentará o púlpito. Os mais tradicionais por duas vezes; os contemporâneos por uma. O que pregar? Antigamente iam para os livros de esboços e revistas especializadas; hoje abrem sites de famosos e escolhem alguns títulos bombásticos, consultando os textos. Escolhem dois, de preferência estimulantes e de auto-ajuda, claros e desafiadores. Abrem um vídeo de alguém pregando aquilo e, com esta ou aquela observação, batem o martelo: está escolhida a mensagem. No domingo o povo de sua igreja será alimentado com aquele prato feito, só com algum retempero pessoal. O espantoso é que este pastor se pergunta constantemente do porquê da frieza espiritual e do desinteresse do auditório...
 
Papagaios repetidores: é isto que muitos são. São meros reprisadores de sermões. Os reformados e conservadores buscam textos de Calvino, de Spurgeon, de Mcarthur, de Piper, de Nicodemus, e forçam os seus ouvintes a ouvir aquilo que mais apreciam, independentemente de ser a mensagem que Deus desejaria dar àquela comunidade. Outros, mais contemporâneos, buscam as últimas do Kiwitz, do Hernandes, do Duarte, do Rina, do Warren, e copiam até a gesticulação deles, transformando-se em meros covers baratos dos pregadores liberais famosos. Os auditórios locais tornam-se extensão e campi da universidade do sermão barato.
 
Que vergonha nos causa o púlpito contemporâneo! Que pobreza! Os pastores não sabem mais estudar a bíblia, nem praticam a exegese, nem estudam em profundidade a Palavra de Deus! Tudo é copiado ou feito de qualquer jeito. Buscam na lei do menor esforço a maior produtividade e produzem uma contemporaneidade evangélica sem mente, sem inteligência, sem cor, sem estilo e, principalmente, sem fidelidade bíblica. Seus raros estudos são cópia das bíblias de estudo, geralmente destas feitas por mercadores da fé, com esboços prontos e sem fidelidade bíblica, cheios de adoração ao próprio ego. Quanto menores e quanto menos esforço exigirem, tanto melhor. Isto não é correto!
 
Pastores foram chamados para pregar! Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. (2Tm 4:2)
 
Pastores que se dedicam à pregação e ao estudo são dignos de duplos honorários! Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; (1Tm 5:17)
 
Pastores devem ler, estudar, ter preparo contínuo e constante: Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. (1Tm 4:13)
 
Pastores devem manejar bem a Palavra de Deus, saber usá-la, saber aplicá-la! Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2:15)
 
Mensagens que custam pouco valem pouco. Mensagens de outros sem os devidos créditos são roubos feitos por pregadores incapazes. Mensagens de outros com os devidos créditos são importantes, desde que ocupem uma parcela pequena das escolhas destes pregadores. O povo que congrega na igreja deste pastor espera ouvir mensagens que Deus deu a ele, não aos outros. E para ouvir sermões de internet os membros podem consultar as mídias sociais, dos próprios autores, sem desperdiçarem tempo com as cópias e imitações baratas. Além disto o juízo de valor de quem copia é bastante questionável, uma vez que se esquece de verificar os pormenores e os detalhes do ensino, deixando passar heresias e falsas doutrinas.
 
Pastores, preguem as suas próprias mensagens, fruto de suas próprias conclusões em dedicado estudo e oração! Preparem os seus próprios sermões, façam as suas próprias séries e sirvam bem as igrejas onde foram colocados por Deus! Um restaurante com cozinheiros que não cozinham, apenas requentam comida que trouxeram de outros comércios está fadado ao fracasso; púlpitos que não produzem, apenas reproduzem, também! Usar materiais alheios para servir de base ao estudo  para aprimorar, para desenvolver idéias, para complementar, é absolutamente útil, necessário e precioso. Mas fazer do material consultivo a própria mensagem, sem desenvolver a sua própria argumentação é como dar ao cliente restaurante um prato com comida velha e de outra cantina.
 
Essa vontade de imitar é até compreensível no início do ministério. Quem nunca fez isso? Mas se durar demais, se nos primeiros meses não superar essa infantilidade torna-se uma série patologia e tem que ser tratada. Não fomos chamados para a carreira de imitadores. Deus nos fez diferentes e a cada um confiou mensagens fundamentadas na bíblia, que devem ser pregadas com a individualidade de cada um. Um exemplo disto é a Bíblia: diversos autores, sessenta e seis livros, estilos diferentes, ênfases diferentes, temáticas diferentes, autores com culturas e redações diferentes, mas com uma característica unificadora: inspirados por Deus, redigindo a própria palavra do Deus todo-poderoso. Assim devem ser os pregadores e pastores: diferentes, com ênfases e técnicas diversas, com estilos variados, mas fiéis às Escrituras Sagradas e revestidos do poder do Espírito Santo! Não serão inspirados no sentido teológico da palavra, mas serão iluminados pela Santa Escritura.
 
Ah, como é bom ouvir Timofei Diacov, com seu estilo de proclamador do Reino! E José Vieira Rocha, com seus sermões didáticos! E Josué Nunes de Lima, como um arauto da verdadeira fé! E Rubens Lopes, com sua prédica do tipo tribuna! E David Gomes, com seu estilo paternal e piedoso! Como é gostoso escutar um pregador que não imita o outro, que tem o seu próprio estilo e procura fazer o melhor possível para o serviço de Deus e a edificação do próximo! Mantenho comigo um pequeno esboço do saudoso Estefan Bendas, num sermão que apresentou à Igreja Batista Central de Osasco na década de 70. Tenho anotações de Josué Nunes de Lima, quando pregava na Igreja Batista Boas Novas do Jardim Brasil, sermões épicos e inesquecíveis! Que bom saber que cada um foi autêntico e bem serviu (e alguns ainda servem) no Reino de Deus!
 
E os que copiam? Não deixarão saudades de si, não transmitirão a mensagem que lhes foi incumbida, não marcarão a sua passagem com nada além de imitações baratas, que serão substituídas por outras melhoradas.
 
Jesus, ao perguntar aos apóstolos sobre quem o povo achava que Ele era, ouviu: E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
 
Contudo, Jesus não se satisfez em saber o que os outros diziam. Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo. (Mc 8:29). Aí está: o que os outros diziam Cristo sabia. Ele queria saber o que eles, particularmente, tinham a dizer. E Pedro expressou-se de forma pessoal e simples: Tu és o Cristo. Pronto. Era isso que ele tinha que dizer. E disse. E como disse! Sua fala foi o alicerce da igreja de Cristo: TU ÉS O CRISTO!
 
Pastores, colegas de púlpito, todos já estão cansados de saber o que os outros pregadores dizem de Cristo, da igreja, do Reino, das doutrinas. Uns dizem bem, outros falam mal; outros não falam coisa com coisa. O que Cristo nos pergunta é: O QUE NÓS ESTAMOS DIZENDO SOBRE ELE EM NOSSOS PÚLPITOS? O que nós temos para contribuir? O que temos para dizer de forma pessoal e única? Qual a mensagem que temos para pregar? Que tal fazermos como Pedro? Abramos a nossa boca em nossos púlpitos e digamos: "Hoje Deus falou ao meu coração e, estudando a Sua Palavra, decidi falar sobre o seguinte assunto:..."
 
Tenha certeza de que sua igreja espera há muito tempo ter um pastor, um pregador que assuma a sua própria identidade. Não os decepcione!
 
Wagner Antonio de Araújo

22/02/2017

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 409 - PASTOR, RESISTA ÀS TENTAÇÕES!


PASTOR,
RESISTA ÀS
TENTAÇÕES!
 
Quando seminarista pela primeira vez, fui apresentado à Bíblia não como livro de Deus, mas como ferramenta para os meus estudos. Assim como uma rã no laboratório, dissecamos as Escrituras Sagradas, estudando por todos os ângulos os estilos de cada livro, a autoria, as discussões infindas sobre a autoria dos sessenta e seis livros etc. Discutíamos cultura, costumes, alta crítica, crítica textual, línguas originais, textos alternativos, descobertas arqueológicas, tudo sobre os textos. Aos poucos o meu olhar para a Bíblia passou a ser um olhar crítico, lembrando-me de discussões diversas e questões insolúveis sobre este ou aquele tema, sobre textos que não aparecem aqui ou acolá, sobre livros que demoraram quatro séculos para serem considerados canônicos etc. Em um ano eu sofri uma crise de fé, desconsiderando a inspiração e considerando uma obra de homens. Todo seminarista passa por este terrível dilema e questionamento (desde que estude numa instituição que, de fato, o ensine a estudar a teologia a fundo). Muitos dos meus colegas sucumbiram no meio do curso. Outros transformaram-se em críticos de suas igrejas e pastores. Outros deixaram a denominação original, passando para outras mais compatíveis com suas críticas. E um outro grupo apostatou da fé. Jamais me esquecerei do quanto o Pr. Timofei Diacov, o irmão Sebastião Emerich, o Pr. Israel Teixeira de Freitas e o Pr. Idelino Lopes de Oliveira foram importantes em minha vida, quando, entristecido, os procurava para falar sobre os meus dilemas.
 
Fui consagrado ao ministério. Antes disto já cuidava de uma igreja, a Igreja Batista de Vila Souza, em São Paulo. Uma coisa era pregar aos fins de semana nas igrejas que me convidavam. Outra (e bem diferente) era encarar um púlpito todo domingo por duas vezes, e semanalmente duas ou três vezes. Mensagens não poderiam ser reprisadas com frequência, temas precisariam ser considerados e a inspiração humana (esse despertamento para pregar) deveria estar aguçado o tempo todo. Por algum tempo até que a lavoura produzia razoavelmente. Mas, por muitas vezes experimentei aridez e desertos homiléticos, sem uma única idéia e mensagem para pregar. Mas o púlpito estava lá e nem sempre um substituto estaria disponível. Quanta dependência da graça temos que ter!
 
Identifiquei muitas tentações no ministério. Quero listar algumas, admoestando os meus colegas a que não caiam nelas, firmando sua fé original no Senhor que nos remiu.
 
1) A TENTAÇÃO DE NÃO LER A BÍBLIA - Pastores são tentados a usar a bíblia apenas como ferramenta de trabalho na preparação de sermões e estudos. Colegas, fujam disto! Eu creio que, se uma pesquisa fosse feita, pastores seriam os que menos lêem a bíblia de forma eficaz e contínua. Não façamos assim! Façamos leitura sequencial, façamos leitura devocional, olhemos e miremos a Bíblia como PALAVRA DE DEUS, não como livro de polêmicas! Somente com a volta do olhar simples do crente legítimo é que Deus falará aos nossos corações!
 
2) A TENTAÇÃO DE NÃO ORAR - Pastores são os mais tentados a não orar! Fazem-no publicamente, e, não raras vezes, lindas orações. Mas só! Acabam muitas vezes por mutilar as suas horas tranquilas na presença do Senhor com outros pensamentos que não satisfazem. Substituem a oração por leituras, por vídeos, por esportes, por meras meditações ou, diversas vezes, por alguma oração com membros da família. E ficam por aí. Colegas, sem a oração consagrada, de portas fechadas, de joelhos ou em contrição não haverá comunhão! Não adianta pregar bem, falar bem, administrar bem e não ser conhecido dos Céus através da oração! Um pastor muito conhecido no meio batista disse assim para mim: "Não sou de orar muito; oro apenas o indispensável. Não tenho tempo para isso". Ah, pobre colega! Ele pode ser discípulo de qualquer um, mas certamente não do Senhor Jesus, que gastava noites em oração! Colegas, orem! Orem até quando não sentirem vontade!
 
3) A TENTAÇÃO DE NÃO LEVAR A SÉRIO AS PRÓPRIAS MENSAGENS - Pastores gostam de colocar pesados fardos nas costas da igreja e nem com um dedo querem carregá-los. Pastores modernistas não gostam de cumprir os conselhos bíblicos e já nem os pregam. Substituiram o ensino bíblico pela crítica a quem prega a Bíblia. E, ao invés de serem cumpridores da palavra, são polêmicos, fazendo o que não devem, publicando questionamentos nas mídias sociais e escandalizando os cristãos sinceros. Pastores, cumpram os ensinos bíblicos! A bíblia ensina a não dever ao próximo? Então não devam! Não se deve mentir? Então não mintam! Devemos ter paz? Então não briguem! Precisamos ser fiéis ao cònjuge? Então não traiam! Ai dos pastores que escandalizam o evangelho, não praticando o que deveriam ensinar! Que Deus ajude os pastores a serem fiéis cumpridores da Palavra, não apenas pregadores da mesma. Que sejam exemplo dos fiéis!
 
4) A TENTAÇÃO DE NÃO ATACAR O PECADO - O irmão fulano é bom dizimista; assim, vou evitar falar de adultério, pois ele o pratica. O irmão siclano fuma e bebe, então evito falar sobre o poder do álcool na intoxicação da mente e o estrago do fumo. Não falarei nada sobre baladas, porque os filhos dos diretores da igreja são baladeiros e não quero criar caso com a diretoria. Pastores, quem amar mais a glória dos homens não receberá a glória de Deus! Preguem a Palavra, doa a quem doer! É o adultério pecado? Então pregue isso! A bebida embebeda? Então admoeste! O fumo prejudica a saúde? Então critique-o! Não venda o seu púlpito a quem dizima bastante ou a quem lhe traz benefícios! Não se renda ao poder do mundo e ao poder dos políticos do Reino. Pastores foram chamados para usar vara e cajado, não para entrar com as ovelhas em pastos perdidos no mato!
 
5) A TENTAÇÃO DA AMBIÇÃO DO CRESCIMENTO - Surgiu um novo sistema de crescimento nos Estados Unidos e aquele pastor está com dez mil membros. Ah, vou demolir a estrutura desta igreja e aderir ao sistema. Depois de um ano ele conseguiu destruir todos os departamentos e dispersar metade ou mais do rebanho do Senhor. Desiludido, abandona a igreja e deixa o caos. E ainda sai a xingar a igreja antiga. Isso é criancice, molecagem ministerial. Não fomos chamados para nos tornarmos célebres ou para transformar a igreja num ninho de coelhos. Fomos chamados para cuidar do rebanho do Senhor, cujo crescimento vem de Deus e cujos cuidados devem ser dados com temor, tremor e com responsabilidade. Para Deus os motivos contam muito! Querer crescer a igreja para ficar famoso, para se tornar requisitado, para aparecer nas manchetes e redes sociais, para ter frases publicadas na mídia é um tentáculo da síndrome de Lúcifer. No ministério importa que Cristo seja glorificado e que nós sejamos apenas servos. Pastoreia uma igreja pequena? Seja fiel. Pastoreia uma grande? Seja fiel. A igreja não é sua. Ela é de Cristo. E Cristo não ama as grandes em detrimento das pequenas. Cristo ama as igrejas fiéis, tenham o tamanho que tiverem. Pregue no seu púlpito como se estivesse numa multidão, mesmo estando com cinco pessoas. E pregue no seu púlpito diante da multidão  como se falasse para cinco pessoas. Amor, responsabilidade, prudência, temor e regozijo espiritual: ingredientes certos para não cair na tentação do crescimento a qualquer custo e na glória do homem em detrimento da de Deus.
 
Espero que estes conselhos ajudem os meus colegas. São tentações que eu, como pastor há 25 anos ( e 30, a contar da prática) experimento todos os dias. Quero devolver o ministério nas mãos do Senhor quando Ele me recolher, ou levando a minha alma ou arrebatando-me. E quero ser achado fiel, independentemente de ter conseguido realizar este ou aquele sonho pessoal.
 
E quando eu for esquecido (e sempre somos!), que o Senhor Jesus, a quem eu preguei e para quem vivi, continue lembrado. Que eu passe à nova geração a tocha da integridade de um ministério pastoral temente a Deus.
 
 
Wagner Antonio de Araújo

21/02/2017

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 408 - CARNAVAL GOSPEL

CARNAVAL
GOSPEL
408
A Folha de São Paulo traz hoje uma matéria impressionante sobre o Carnaval de uma das famosas igrejas apóstatas deste país:
 
 
Assisti ao vídeo. Vi, atônito, os argumentos destes falsificadores do evangelho. E pude confirmar que Satanás, o bode adorado na Europa, reina soberano até no meio evangélico brasileiro. A maioria dos ministros não têm coragem de afirmar isso, infelizmente.
 
Acordem, cristãos! A Grande Tribulação se aproxima! Quando somos convidados a adorar a Deus com a carnalidade do povo pagão, como se Deus fosse uma entidade que recebe o lixo da alma humana como culto, então chegamos ao limite do inaceitável.
 
Dias atrás um famoso pastor de outra igreja apóstata disse para que as pessoas colocassem seus litros de vodka, martini e cachaça na frente da televisão, que ele iria abençoá-los. Isto mesmo: coloque seus facões, revólveres, objetos de permissividade sexual, preservativos, cachimbos de crack, cigarros de maconha, pois o deus adorado não é o Deus verdadeiro. Este deus, propagado pelo falso evangelho, aceita qualquer lixo!
 
A igreja da reportagem sairá no carnaval e não enaltecerá o Deus verdadeiro, mas o deus pagão mundano e diabólico. Aliás, o Deus verdadeiro chama a Sua Igreja de NOIVA e não de bolota...
 
A minha denominação, batista, com igrejas independentes e convenções que nem de longe lembram o tempo em que a fidelidade bíblica era exigida das igrejas cooperantes, terá diversas igrejas nas avenidas a sambar, a "carnavalescar", a oferecer seu sacrifício a Satanás. Vergonha, vergonha, vergonha. (Salvador também tem seu bloco evangélico, organizado no Pelourinho pela Igreja Batista Missionária da Independência.......No Rio, a Igreja Batista Atitude desfila o bloco Sou Cheio de Amor desde 2013, na orla do Recreio dos Bandeirantes. - trechos da matéria de Folha de SP, citada no link)
 
Enquanto isso, na Europa, os governantes e os governados consagram a Satanás o Túnel de São Gotardo. Eles celebram de forma declarada a dedicação da maior obra de engenharia humana ao demônio! Bastam ver nestes links impressionantes e contemplar o Carnaval que fazem para Satanás DECLARADAMENTE:
 

 
O que dizer?
 
Eis que venho sem demora; guarda o que tens, para que ninguém tome a tua coroa. (Ap 3:11)
 
MARANATA! Ora, vem, Senhor Jesus!
 
Wagner Antonio de Araújo

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 407 - DEIXEI O MINISTÉRIO


DEIXEI O
MINISTÉRIO
 
407
Por onde anda o Pr. Z.? Deixou o ministério.
 
Deixou? Por que?
 
Porque a igreja não o remunerava adequadamente e ele foi "fazer tendas", lutar pelo sustento financeiro no trabalho secular.
 
Ué, mas isto não impõe o fim do ministério. O próprio Apóstolo Paulo, às vezes, fazia tendas para sustentar-se, até que ofertas chegassem por parte das igrejas que fundava.
 
Sim, mas o Pr. Z. não teve mais tempo para preparar-se, para visitar, para estudar, então resolveu "dar um tempo".
 
Mais um obreiro fora da seara ministerial... O Pr. X também está sem ministério. Por que?
 
O caso dele foi diferente. Indispos-se com a igreja e saiu.
 
E a culpa era dele?
 
Segundo ele, não. A culpa era da igreja.
 
E por que está fora?
 
Porque nenhuma outra igreja o convidou para pastorear.
 
E por onde ele anda agora?
 
Está congregando na Primeira Igreja da cidade.
 
Aquela com três mil membros?
 
Sim.
 
E o que faz lá?
 
Nada. Apenas participa dos cultos. Há uma escala imensa e o nome dele foi escalado para a oração de encerramento do culto em outubro de 2022.
 
Meu Deus, outro obreiro de valor, encostado. Por que ele não vai frequentar uma igreja pequenina de bairro, onde os irmãos estão calejados na busca de um pastor? Há tantas igrejinhas sem obreiro e que precisam dele!
 
Ele até foi em uma delas.
 
E aí?
 
Ao chegar lá apresentou-se como pastor e disse que estava à disposição para ajudar no que fosse possível. Mas o vice-presidente afirmou que eles não precisam de pastor, que um menino da casa é muito agregador, cabeça arejada e que está fazendo bons discursos, focando a juventude, os problemas sociais e a contribuição com a causa. Eles não precisam de pastor.
 
Meu Deus! Onde vamos parar! Pastores saem de seus ministérios e são rejeitados por ele! As igrejas encaminham obreiros para a preparação e depois os rejeitam, deixando-os sem trabalho e sem ação! E entregam os púlpitos para estranhos agregadores! Que tempo difícil. E o Pastor G., como está?
 
Aposentou-se.
 
Já? Ele não tinha nem 65 anos!
 
Sim, mas resolveu deixar o ministério. Estava cansado.
 
E está fazendo o que agora?
 
Está tratando a depressão.
 
Que depressão?
 
Depois que deixou a igreja não pregou mais. E sentiu-se inútil. Isso foi destruindo o seu estômago e agora ele está muito mal. Passou uma semana no hospital e está acamado.
 
O que é isso, Senhor? Bem, nem quero perguntar o que houve com o Pastor D., deve ter morrido, não? Lembro-me que deixou a igreja porque foi morar mais perto da escola de seus filhos...
 
Não! Pelo contrário, vai muito bem!
 
Ah, é? Foi convidado para pastorear?
 
Não!
 
Ué, e como está muito bem?
 
É que não conseguiu ficar longe do púlpito. Pregava aqui, acolá, até que resolveu formar um pequeno ponto de pregação numa casa próxima. Reuniu as duas famílias, contando com a sua, pregava, ensinava, e alguns amigos se achegaram, converteram-se, pediram batismo, agregaram-se. O ponto virou congregação e agora já marcaram a data da organização em igreja. Já deram entrada na compra de um imóvel e o pastor conseguiu seu próprio sustento do ministério. Está muito feliz!
 
Até que enfim uma história com final feliz!
 
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Meus amigos, a conversa acima é real. Não se trata de invenção. É a exposição literária da realidade vivida hoje no ministério pastoral contemporâneo.
 
Pastores sem igreja. Igrejas que fabricam pastores desqualificados biblicamente. Ministérios afastados da Bíblia, pastores afastados dos púlpitos. Fraqueza bíblica e enriquecimento de templos e espertalhões da fé. Muitos templos e poucas igrejas.
 
Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. (2Tm 3:1)
 
Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências, (2Pe 3:3)
 
Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil. (Hb 13:17)
 
Rogai, pois, ao Senhor da seara, que mande ceifeiros para a sua seara (Mt 9:38)
 
Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei, e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. (Ap 2:5)
 
Oremos pelos pastores bíblicos que labutam em seus ministérios. Oremos pelos pastores que deixaram os púlpitos. Oremos pelas igrejas que não têm pastores. Oremos para que pastores tenham preparo bíblico e que os falsos obreiros não continuem a ganhar destaque. Oremos pelos pastores entristecidos. Oremos pelos pastores idosos e aposentados. Oremos pelos ministros do evangelho.
 
Wagner Antonio de Araújo

15/02/2017