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quarta-feira, 1 de julho de 2015

memórias literárias - 224 - TEMPLO


 





 
Templo
224
 
 


Onde está o nosso Altar? E onde está o nosso Templo?

Lembro-me que, ao visitar a igreja onde converti-me, estranhei não encontrar um altar à frente, nem uma imagem para veneração, nem o próprio símbolo da cruz. Chamei o pastor e reclamei-lhe: “pastor, onde está o altar? Onde estão os santos?” Ele disse-me: “Wagner, o altar está em nosso coração; nós não temos imagens”. Pensei: “Pois deveriam ter!”.

Após aquele culto eu converti-me à Cristo e só então pude entender o que significava ter um altar dentro do coração. Altar era o lugar onde se ofereciam sacrifícios. Eram repetidos continuamente, porque a eficácia dos mesmos era apenas simbólica, pois o verdadeiro sacrifício estava por vir. Um dia, porém, veio o Filho de Deus às águas do Jordão, e João Batista disse: “Eis o Cordeiro de Deus”. Ali estava o sacrifício a ser oferecido no altar.

Sim, no Altar de Deus. Altar que não era de bronze, de ferro, de latão, de ouro ou de pedra; Altar construído no alto da montanha, composto de uma cruz sangrenta. Ali estava o autêntico, legítimo e definitivo sacrifício. Cristo seria oferecido como Cordeiro de Deus, em favor de todos os homens, de todas as gerações, de todas as línguas, povos, raças, tribos e nações. Oh, Santo Amor de Deus, que levou Seu Filho às últimas conseqüências, doando-se em favor da humanidade!

Sacrificado, Cristo satisfez às exigências da justiça divina. Ressuscitado ao terceiro dia, apareceu diversas vezes e, no quadragésimo dia, subiu ao Pai. Dez dias depois o Espírito Santo foi derramado sobre todos o que criam, tornando-se residente em Sua igreja, e mostrou-se presente através de sinais e maravilhas. Agora "todos" somos batizados em um mesmo Espírito, independente dos dons que o Senhor distribui para a edificação da Igreja.
 
E quem é essa Igreja? Os chamados para fora do mundo, para dentro do Reino, os salvos e redimidos. Os crentes num local determinado, que se reúnem num edifício, numa palhoça, numa casa, num barco, não importa. E também os crentes de toda a Terra, em todos os lugares. E onde estaria o Templo Maior, o Templo Principal, a sede, a matriz? Em Jerusalém? Judéia? Samaria? Roma? Confins da Terra? No Rio de Janeiro ou em São Paulo? Não. O templo seria o corpo de cada um de nós, os novos tabernáculos de Deus no mundo! Sagrado mistério, insondável dádiva dos Céus!

A Igreja, como um todo, é um templo ambulante do Deus vivo. Onde estivermos ali estará também a Igreja de Cristo. Cada membro, em particular é também um templo. Nossos corpos, antes servindo às paixões e aos desejos diversos, chamados "desejos dos gentios", às vaidades e às satisfações sensuais e culturais, tornaram-se santos, limpos moralmente, e dignos de serem honrados como puros vasos onde o Espírito Santo habita, de tal sorte, que a glória não esteja no vaso, mas em quem enche esse vaso.
 
Assim, na teologia paulina, discorre-se a tese de que os nossos corpos não são mais nossos, mas de Deus! Que verdade fabulosa! Isso nos faz entender que não é lícito continuar a servir às vis paixões e sensualidades físicas, às vaidades de aparência ou embelezamentos com finalidades meramente estéticas. Agora os nossos corpos são extremamente importantes, pois neles vivemos, e neles santificamos a Cristo como Senhor, através da oração, da leitura bíblica, da verdadeira adoração, da pureza sexual. Há em nós um altar, há em nós um templo!
 
O altar é o lugar onde nós, ofertas vivas, diariamente oferecemos ações de graças e confessamos o senhorio de Cristo em nossas vidas. O altar é o lugar onde renunciamos às nossas vontades, pela vontade divina. O altar é o lugar onde o “não se faça o que eu quero” acontece. É ali que Deus está. Quem procura Deus numa sala, num oratório, numa parede, numa gruta ou numa cidade, não o achará. Porém, se entrar no “Santo Lugar”, lugar de oração, adoração íntima e contrita, o achará! Não precisa ser no Monte Sinai, Monte Horebe ou Colinas do Vaticano. Pode ser numa favela, num beco, numa aldeia, numa metrópole, num submarino, numa aeronave, num buraco. O Altar é dentro do coração do crente.
 
E o templo? O templo também não está num lugar geográfico, numa cidade, numa capital, num país. O templo é o nosso corpo, limpo moralmente, dedicado integralmente à adoração de Deus, não de acordo com os costumes pagãos que encontramos em todo o sincretismo religioso do nosso mundo, mas dentro das determinações do próprio Deus, contidas em Cristo, contidas nos princípios registrados nos dois testamentos bíblicos. O cristianismo é uma nascente puríssima, com águas cristalinas. Encontramo-lo em sua essência nas páginas sacrossantas das Escrituras Sagradas. Quando o adaptamos ao belprazer de nossas culturas, torcendo-o ao ponto de justificá-lo culturalmente, torná-lo mais autóctone, mais colorido à luz de nossas lentes interpretativas, sujamo-lo, tal qual um esgoto suja um rio puro.

Quem quer enfeitar o templo ao seu bel-prazer, corre o risco de fazer um altar para Baal, uma igreja sincrética que mais provoca ira do que glória ao Senhor. De noiva do Cordeiro será chamada Jezabel e Babilônia. Para vergonha nossa o digo: talvez sejamos mais Babilônia do que quem constantemente acusamos disso! Julgamos estar em pé, mas amargamos algo pior que um magistério autoritário: abraçamos uma "re-leitura" bíblica, tão em moda na década de 70, hoje com outros (ul)trajes, mais modernos, mais "politicamente corretos". Não convém que seja assim, amados!
 
Assim, ferir seu corpo, tatuar-se, enfiar ferrinhos no nariz, umbigo, na testa e em outros lugares escusos, ou grafar à ferro e fogo, ou à tinta e máquina o nome de Deus, versos bíblicos ou manifestações religiosas, nomes de homens que não são mais que meros cooperadores do evangelho (quando o são de fato), se chama idolatria. É paganismo disfarçado de cristianismo, numa continuidade crônica do sincretismo religioso do mundo. Faz-nos lembrar Judá, que se consagrava tanto na época das perseguições, e se emporcalhava pior do que antes, quando o profeta, juiz ou rei piedoso morria. Precisaremos de uma boa perseguição para voltar à pureza de Cristo?

Servir a Deus purifica. Servir a Deus simplifica. Nossos corpos não precisam de símbolos ou embelezamentos culturais, para bendizer a Deus. Pelo contrário, segundo é santo aquele que nos chamou, devemos também ser santos. A nossa santidade deve também ser simples, sem adaptações culturais. Todas as vezes que os hebreus ou posteriormente os cristãos, buscaram adaptar Cristo à cultura, fazendo-o imergir num batismo mundano, transformaram a igreja num paraíso maldito, emporcalhando o nome de Cristo. Hoje Cristo é surfista, tatuado, superstar, jogador de basquete, vôlei e futebol, guerrilheiro socialista e sabe-se lá mais o que! Esse não é o verdadeiro Cristo. E esses não são os verdadeiros cristãos. O Deus que sonha não é o Deus vivo, pois esse não dormita e nem dorme.

Somos chamados a não perder tempo com símbolos, com aparências, com bandeiras meramente humanas, mas a gastar tempo com Deus, em oração; com o próximo, em serviço; com o perdido, em evangelização; com o doente, em assistência; com o enlutado, em consolo; com o esfomeado, em suprimentos; com o aprisionado, em libertação; com o irmão em edificação.

Na glória, quando ressuscitarmos, ganharemos vestes alvas, sandálias e cintos dourados, coroa na cabeça e mais nada; a nossa glória virá de dentro para fora, não de fora para dentro. E assim devemos ser hoje: astros a brilhar, mostrando a glória de Cristo, luzeiros neste mundo tenebroso.

Vamos imergir o mundo em Cristo, e transformar este século com o Evangelho! Deixemos de fazer o contrário.

Que Deus nos fortaleça.
Amém.
 
wagner antonio de araújo
igreja batista boas novas de osasco, sp

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