sexta-feira, 20 de novembro de 2020

memórias literárias - 934 - AMIZADES QUE PERDURAM

 AMIZADES

QUE
PERDURAM
 
 
Esta reflexão é pastoral. Diz respeito aos que exercem ou exerceram o ministério pastoral. Foi uma frase que um pastor, meu verdadeiro amigo me enviou, depois que eu lamentei ter sabido do falecimento de um colega, Pr. Paulo Lopes Barbosa, através de uma ex-ovelha e não através de alguma comunicação de algum colega.
 
Eu, que sou pastor desde 1987, ordenado oficialmente em 1991, já experimentei todo tipo de configuração ministerial. Fui pastor de ponto de pregação, de congregação, de igreja pequena, média, grande. Fui presidente de associação, secretário executivo, tesoureiro, secretário de mesa, membro de comissões e juntas, conselheiro, componente de concílios. Hoje estou a enfrentar a pandemia junto de minha família, sem um púlpito ou uma igreja para pastorear, aguardando no Senhor (e tão somente nEle) para o regresso, se assim for do Teu agrado.
 
Quando estamos à frente de um ministério, pastorado, administração eclesiástica somos populares, recebemos ligações de toda parte, somos chamados para eventos, informados sobre falecimentos, convidados para participar disto ou daquilo. Basta deixarmos a função e o nosso telefone silencia, a nossa caixa de mensagens se esvazia, o nosso nome desaparece dos eventos e não somos mais lembrados de nada, exceto para as tradicionais cobranças de anuidades de entidades ou de periódicos. Ah, disto as organizações jamais se  esquecem!
 
Quantos pastores, meus amigos, após uma vida toda dedicada ao trabalho pastoral, sentem-se só e abandonados, classificados como peças de museu ou seres de terceira categoria na vida eclesiástica. Alguns não são convidados sequer para fazer orações silenciosas... Quantos atravessam situações difíceis, crises e enfermidades e não são lembrados nem para a solidariedade da oração pública! Quando alguém em ascensão ou no exercício do ministério adoece, morre, sofre ou recebe prêmios há uma enxurrada de notícias, de mensagens, de elogios, de palavras das massas. Quando outro, sem ministério, aposentado ou em trânsito passa pelas mesmas coisas é geralmente ignorado, exceto pelos amigos reais, mais próximos.
 
Essa situação é real. Digam-me os pastores aposentados, idosos, sem ministério, apenas membros de igreja: onde estão os que antes pululavam em seus whatsapps com palavras de atenção e de carinho? Onde estão as lembranças de outrora? Não estão. Quando muito são lembrados em uma data ou necessidade, como, por exemplo, recadastramento de endereço, de rol de membros ou de cobrança de anuidades.
 
Graças a Deus por duas coisas.
 
1. Deus não Se esquece de Seus servos, de Seus escolhidos, de Seus comissionados. Ele é a companhia sempre presente, o socorro no dia da solidão. Ele é presente a cada instante, mesmo quando todos os outros foram embora. E Ele não depende de políticas ou de indicações: quando Ele age, chama, convoca e designa, faz valer a Sua vontade. Com poucos ou com muitos. Ele é soberano. Aleluia!
 
2. Há amigos que permanecem. São poucos, é verdade. São contados nos dedos das mãos, mesmo com contatos aos milhares. Eles não nos tratam pelo poder eclesiástico que temos, ou pelo poder político que exercemos no pouco ou no muito público a quem assistimos. Eles são atemporais e não estão interessados no que podemos fazer por eles. Eles nos amam por amor, não por interesse. E, para eles o nosso valor não é computado pelo poder, pela fama, pelo alcance de nossas mídias. Eles amam com o amor do Senhor.
 
Sou solidário com os pastores sem ministério, com os pastores idosos e com os pastores que foram esquecidos. Sou solidário com cada um deles. E desejo-lhes paz e graça, consolo e esperança. Eu também, a cada dia, sou fortalecido no Senhor e na força de Seu poder. E sei em quem tenho crido!
 
Um abraço.
 
Wagner Antonio de Araújo, pastor pela graça de Deus, no aguardo da convocação de Deus, quer para pastorear, quer para continuar à disposição do que Ele desejar.

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