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domingo, 21 de agosto de 2016

memórias literárias - 356 - EU SÓ QUERIA SABER...



 
EU SÓ QUERIA
SABER...
 
356
 
 
Alô?
 
Sim?
 
É o Duílio?
 
Sim. Quem é?
 
É o irmão Carlos. Tudo bem?
 
Tudo bem, irmão Carlos. Em que posso ajudar?
 
Eu liguei para saber se o irmão vai bem.
 
Obrigado, estamos bem. Mas diga: em que posso ser útil?
 
Em nada, eu não estou precisando de nada; só liguei para saber como o irmão estava.
 
Irmão Carlos, diga logo. O irmão precisa de que?
 
De nada, Duílio.
 
Nada? Não é possível. O irmão liga para mim para dizer que não precisa de nada? De alguma coisa o irmão necessita. Pode dizer, não se contranja!
 
Mas não quero nada, irmão!
 
Seria dinheiro? O irmão precisa de alguma ajuda?
 
Não!
 
Então quer desabafar. O que aconteceu? Fala que eu lhe escuto!
 
Não, irmão Duílio, não aconteceu nada!
 
Algum problema na igreja? O pastor aprontou outra? Ou foi aquela família?
 
irmão, nada disso!
 
Então por que me ligou?
 
PORQUE EU QUERIA SABER COMO ESTÁ. MAS SE ISSO É TÃO CONSTANGEDOR, NÃO LIGAREI MAIS. TCHAU.
 
... Duílio desliga o telefone e medita:
 
????
 
----------
 
Que tragédia! Estamos tão acostumados a valer alguma coisa ou pelos bens que possuímos, ou pelos cargos que ocupamos, ou pela posição que nos dá algum poder, ou pelas coisas que podemos fazer pelos outros, que não nos sentimos confortáveis em sermos procurados apenas porque alguém lembrou-se de nós e queria saber como estávamos. Talvez pela raridade do fato é que nos surpreendemos.
 
Faça uma análise interior e pergunte para si mesmo: há quanto tempo eu não procuro alguém apenas para saber como ele está e para dizer-lhe o quanto é precioso? Uma busca não para pedir nada emprestado, ou para solicitar ajuda, ou para encaminhar problemas, ou para comentar fatos. Apenas querer saber como ele está. Faz tempo, não?
 
Pois é este tipo de amor sem pretensão, sem a busca de um benefício próprio que torna a vida bonita, perfumada e alegre de ser vivida.
 
Pode ser um pai, uma mãe, um irmão, um amigo, um velho pastor, uma senhora, uma velha professora, um vizinho, um ex-colega de trabalho, um conhecido, não importa. Uma ligação telefônica ou uma visita pessoal, sincera, digna, com o único interesse de saber como se está será extremamente valiosa.
 
Tome o cuidado de não assustar a pessoa, como aconteceu com o Duílio. Afinal, nos dias de hoje não estamos acostumados a sermos especiais apenas por existirmos e sim pelo que fazemos.
 
Surpreenda hoje.
 
Deixe-me fazer um telefonema:
 
Alo, você está em casa? Como vai? Tudo bem?
 
Wagner Antonio de Araújo

21/08/2016

2 comentários:

  1. Muito interessante este seu :Eu Só Queria Saber, Pastor Wagner. Muito bem imaginado, o que no seu caso, não não é novidade, pois o amado é mestre nessa arte. Mais uma vez parabéns.

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  2. Muito interessante este seu :Eu Só Queria Saber, Pastor Wagner. Muito bem imaginado, o que no seu caso, não não é novidade, pois o amado é mestre nessa arte. Mais uma vez parabéns.

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