sexta-feira, 7 de junho de 2013

memórias literárias - 87 - COMO CELEBRAR O DIA DO PASTOR

87 - COMO CELEBRAR O DIA DO PASTOR
9/6/2013
O Dia do Pastor é comemorado no segundo domingo de junho em muitas igrejas evangélicas. A data foi escolhida pela Convenção Batista Brasileira há muitos anos. Outras denominações acompanharam o tema e hoje espalha-se por grande parte do meio evangélico.
Geralmente as igrejas celebram cultos especiais, celebrações importantes, preciosas. As que têm maiores condições financeiras costumam dar aos seus pastores presentes substanciosos, valiosos monetariamente. Outras, mais simples, homenageiam-no como podem, expressando com amor a data festiva. Há outras, contudo, que só se lembram disto no próprio dia e rapidamente distribuem uma ou outra tarefa para líderes e conjuntos, buscando suprir essa demanda inesperada. Há algumas que sequer se lembram de celebrar.
Sou pastor. E sei o quanto isso é importante na vida do ministro do evangelho. Não que um pastor busque homenagens; aliás, é melhor que nem as tenha, pois as receberá completas e eternas, no Céu. Pastores que buscam reconhecimento e homenagem na Terra privam-se de seu galardão no Reino de Deus (...para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. (Mt 6:2b)). Contudo, quando as homenagens não são buscadas e aparecem, fruto do reconhecimento de suas próprias igrejas pelo trabalho prestado dia após dia (e isso é bíblico, pois está escrito: Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Rm 13:7)), elas são não apenas lícitas, mas abençoadas, dignas, honrosas e reconfortantes.
Gostaria de citar algumas coisas importantes para esse dia. Nunca li nada a respeito e sei que muitos pastores gostariam de dizer isso. Resolvi sintetizar essas observações e compartilhar com todos os que irão homenagear os seus obreiros no próximo domingo ou em outro qualquer:
1) NÃO CELEBREM UM CULTO ANTROPOCÊNTRICO - Muitas vezes, no afã de homenagear os seus pastores, igrejas tiram o foco de Cristo e enquadram o pastor no centro das honrarias. Isso não é correto. Bons pastores sentem-se constrangidos e desconfortáveis quando isso acontece. O culto deve sempre ser celebrado a Deus e a gratidão sempre deve ser dirigida a Ele. Afinal, o que são pastores senão servos do Supremo Pastor? Todo culto que enaltece ao homem em detrimento de Deus é uma abominação. Eu sou o Senhor; este é o meu nome; a minha glória, pois, a outrem não darei, nem o meu louvor às imagens de escultura. (Is 42:8)
2) NÃO BAJULEM - Bajulação é dizer um monte de coisas no dia do pastor e nenhuma nos outros dias do ano. Parece que a situação torna-se constrangedora, pois algumas pessoas, que nunca gastaram um minuto orando pelo pastor ou mantendo com ele algum relacionamento intelectual, espiritual ou afetivo, naquele dia apresentam homenagens artificiais. Pastores não gostam disso. É melhor homenageá-los dia após dia com um tratamento cordial, espiritual, elegante, amistoso, do que dizer palavras que não são reais.
3) NÃO O PRESENTEIEM SÓ NO DIA DO PASTOR - Há pastores que vivem de forma precária em sua mantença financeira. Conquanto o orçamento da congregação comporte melhorias salariais, muitas vezes para não constranger o rebanho pastores calam-se quanto ao assunto e sofrem as dificuldades de uma prebenda insuficiente: não podem dar conforto à família, nem comprar livros novos, nem usar ternos melhores, nem oferecer uma refeição mais qualificada para a família ou visitas. No dia do pastor recebem uma homenagem desproporcional, fora da realiade, um presente caro demais, que não trará solução aos seus diversos problemas orçamentários. Se a igreja melhorasse as suas condições de vida, de salário, seria um presente muito, muito melhor e mais honesto: um salário mais condizente, um plano de saúde, um seguro de vida e de morte, uma moradia mais confortável, um plano para uma condução mais apropriada etc. Diz a Bíblia: Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplos honorários (dupla honra), principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; (1Tm 5:17)
4) NÃO SE ESQUEÇAM DA DATA - Para algumas denominações o segundo domingo de junho é dedicado à celebração do Dia do Pastor; para outras, a data é diferente. Seja em que data for, não esqueçam de celebrá-la. Um pastor não faz tanta questão de celebrar o dia de seu aniversário, ou o dia de sua ordenação ou outra data preciosa, mas ele JAMAIS se esquece do Dia do Pastor, que coroa anualmente a decisão que um dia tomou, em dedicar-se ao sagrado ministério da pregação e dos cuidados com a igreja do Senhor. É claro que ele fará tudo para não demonstrar, mas ficará muito triste se nenhuma lembrança ou alusão for feita (experiência própria). Lembrar-se, dar um abraço, um cartão escrito à mão, uma flor, um bombom, um olhar de gratidão, um café gostoso, tudo isso conta muito e incentiva o obreiro a manter-se fiel ao chamado, entusiasmado com o ministério e reanimado em suas forças.
5) NÃO IGNOREM OS PASTORES IDOSOS OU OS EX-PASTORES - Infelizmente os pastores idosos tornam-se esquecidos. Tanto fizeram, tanto lutaram, tanto pregaram, mas, devido à idade e as dificuldades oriundas da passagem do tempo, não estão mais na titularidade das igrejas e nem nos ministérios auxiliares. Às vezes apenas congregam numa igreja média ou grande. No dia do pastor eles simplesmente são omitidos, esquecidos, desprezados. Não tenham dúvidas: eles têm sentimentos, eles sentem dores. Uma igreja que honra os seus velhos pastores demonstra amar ao Senhor e honrá-lo pelos obreiros que Ele separou. Aliás, seria lindo se as igrejas pudessem alistar os pastores anteriores ao atual e dedicar a eles um telefonema, um cartão assinado por toda a igreja, ou, se as condições forem melhores, uma visita de amor, o envio de uma cesta de café ou de uma lembrança. Que alegria sentiriam esses colegas! Soube de uma igreja antiga, que já havia sido pastoreada por vários pastores, que alistou todos os que estavam vivos e enviou-lhes uma telemensagem e um cartão assinado por todos os membros. E um desses pastores, velhinho, mostrou-me com as mãos trêmulas e com lágrimas nos olhos, essa dádiva recebida. Que demonstração de amor!
6) HOMENAGEIEM PESSOAL E INSTITUCIONAL - Uma homenagem da igreja a nível institucional é esperada, é bem-vinda, é preciosa e importante. É a maneira coletiva de dizer ao pastor o quanto ele é importante para a sua existência e o seu ministério. Nessa ocasião as palavras são preciosas, as manifestações públicas dos departamentos, os presentes diversos, da diretoria, das crianças, jovens, músicos, ministério educacional etc. Porém há também as homenagens pessoais, tão singelas, tão preciosas, tão importantes. Lembro-me da saudosa irmã Isabel Felix: num dia do pastor, após o culto, ela chamou-me ao canto e entregou-me um sabonete feito sachê, preparado pelas suas mãos octogenárias. Era um sabonete barato, simples, envolto em fitas coloridas e com uma florzinha de tecido em cima. Aquele presente teve um valor tão grande para mim, que 15 anos são passados, a irmã já está com Jesus e eu não me esqueci daquela homenagem.
7) OBEDECER É MELHOR DO QUE SACRIFICAR - Infelizmente há igrejas que não se submetem às orientações de seus pastores. Claro, estamos falando daqueles que são bíblicos, não dos que são loucos. Há igrejas que não acatam as suas orientações: jovens rebeldes, que fazem questão de não seguir os seus conselhos; adultos contrários, que não acatam as suas orientações; diretorias que não o respeitam publicamente nas reuniões ou nas assembléias; famílias que nunca lhe dão o reconhecimento necessário (não o convidam senão para crises internas; nos dias de festa o esquecem). Para esse comportamento rotineiro as homenagens no Dia do Pastor não servem para nada, senão para aborrecer o obreiro. Seria melhor para essa igreja fazer um pacto de quebrantamento, buscando atender com maior dedicação, amor, respeito e consideração o seu pastor, tornando-o mais feliz e menos sofredor na rotina do ministério pastoral. Isto seria real, não hipócrita e o pastor entenderia essa homenagem muito mais preciosa do que festejos diversos.
8) RECONHEÇA O SEU PASTOR - Muitas vezes o obreiro da igreja é disputado e desejado em outros púlpitos, em congressos, em encontros e as pessoas vêm de longe para ouvi-lo, vê-lo ou estar com ele. Ele é lido e assistido por multidões nas mídias modernas. Em sua igreja local, porém, nos cultos rotineiros, nos cultos no meio de semana, é desprezado. Depois, quando esse obreiro morre ou vai embora e outro surge, começam as comparações e, não raras vezes, a conclusão: éramos ricos, éramos felizes e não sabíamos; tínhamos uma jóia e a desprezamos ... É a mais pura verdade. Já dizia a Bíblia: "Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria." (Jo 4:44). Estou cansado de ouvir as mesmas histórias: o nosso velho pastor era maravilhoso... Oras, para quê esperá-lo morrer ou ser levado para outro lugar onde lhe dêm maior valor? Valorizem o obreiro que possuem! Deus os enviou, Deus os mandou, as igrejas convidaram-nos após muita oração. E, se não houver comportamento anti-bíblico em sua vida, devem prestigiá-lo. Se ele lecionar uma matéria, devem participar. Se pregar numa série de conferências, devem fazer-se presentes. Nada anima e alegra mais um pastor do que ver que sua igreja o aprecia, gosta de lhe ouvir, reconhece-o como pregador da Palavra. Um auditório local repleto num culto normal é para o pastor um grande certificado de qualidade. E quando alguém citá-lo num jornal, numa conversa ou igreja, poderão dizer com muita honra: "aquele é o meu pastor".
Há muito mais a ser dito mas isso já é o bastante por hoje.
FELIZ DIA DOS PASTORES!
Wagner Antonio de Araújo
sócio 001 OPBCB - presidente
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, Carapicuíba, São Paulo, Brasil

quarta-feira, 5 de junho de 2013

memórias literárias - 86 - 5 x 5 - RECOMENDAÇÕES AO PASTOR E À IGREJA

86 - 5 x 5
Mensagem: 5 x 5 - RECOMENDAÇÕES AO PASTOR E À IGREJA
Pregador: Wagner Antonio de Araújo
Local: Igreja Batista Central de Lins, São Paulo, Brasil
Ocasião: posse pastoral do Pr. Gidalth Pereira de Souza
Data: 01 de junho de 2013, 19:30 horas
obs: esta pregação foi filmada e está nos seguintes links:
Parte 1
Parte 2
INTRODUÇÃO
Hoje, nesta hora tão feliz de posse de seu pastor, vemos o coroamento do processo de escolha. A igreja orou, pesquisou, convidou, combinou, agendou e agora recebe o seu pastor, dando-lhe a posse no pastorado. O nosso sincero desejo é que o Pastor Gidalth Pereira de Souza seja tremendamente feliz em seu pastoreio e que a igreja continue a dar graças por escolha acertada.
Contudo, algumas coisas são necessárias para que essa posse seja um casamento feliz. Houve o namoro (a busca do pastor), o noivado (os acertos e todo o processo) e hoje é o casamento. Dentro de alguns instantes começará a lua-de-mel e posteriormente a rotina de um ministério estabelecido.
Quero denominar esta mensagem de 5 x 5, CINCO RECOMENDAÇÕES AO PASTOR E À IGREJA. Não são apenas conselhos, mas determinações divinas para que igreja e pastor sejam felizes. Aliás, a Palavra de Deus não nos foi outorgada para ser discutida mas para ser obedecida. Isso lembra-nos o filme A JORNADA, evangélico, que descrevia a experiência de um professor em 1890, num seminário, que queria publicar um livro de ensinos morais cristãos. Um professor foi contra, dizendo que de nada adiantaria ensinar moral cristã sem dizer que as coisas devem ser assim porque a Palavra de Deus nos diz. Moral sem o "assim diz o Senhor" não passa de discussão de opiniões. Assim também nós aqui, não estamos a dar conselhos de opiniões, mas falando sobre o ASSIM DIZ O SENHOR.
I - 5 RECOMENDAÇÕES BÍBLICAS PARA O PASTOR (2 Tímóteo 4.1-5)
1) PREGA A PALAVRA
Parece redundante, banal, mas a verdade é que a Bíblia tem sido abandonada nos púlpitos, trocada por livros de auto-ajuda, crescimento de igreja ou projetos megalomaníacos, ocupando o espaço das Escrituras Sagradas. Um pastor verdadeiramente vocacionado e chamado deve pregar o que Deus falou e não aquilo que alguém achou. Um ministério pastoral verdadeiro precisa de uma âncora de fé, o ASSIM DIZ O SENHOR, não de púlpitos propagadores de opiniões diversas.
INSISTA, INSTA - Se o irmão quiser encher a igreja de pessoas assistentes, pregue a mentira, invente curas divinas mentirosas ou prometa fantasias e terá uma igreja imensa. Mas se quiser a bênção de Deus seja fiel às Escrituras, ainda que o seu rebanho não seja grande. Afinal, Deus não nos chamou para sermos grandes, mas para sermos fiéis. Diz a Escritura: Não temais, ó pequeno rebanho, porque a vosso Pai agradou dar-vos o reino. (Lc 12:32); e também: Conheço as tuas obras; eis que diante de ti pus uma porta aberta, e ninguém a pode fechar; tendo pouca força, guardaste a minha palavra, e não negaste o meu nome. (Ap 3:8). A porta nunca foi larga para o verdadeiro ministério pastoral. Por isso, insista na pregação da Palavra de Deus!
Um pastor não está na igreja para entreter bodes, mas alimentar as ovelhas com o pão da vida. Um pregador moderno acusou recentemente um pastor conservador de servir pão dormido para a igreja e que ele, moderno, tinha pão fresco todos os dias. O velho pastor respondeu: pão fresco é bom, mas desde que feito de trigo e não de joio....
REPREENDA - Não pense que agradar pecadores fará do irmão um pastor vitorioso. Pelo contrário, trará a ira de Deus sobre si e o transformará em inimigo do Senhor. O verdadeiro pastor repreende. Ao jovem fornicário deve ser dito que isso é pecado. Ao adúltero deve ser dito que está incorrendo em erro. Ao funcionário deve ser ensinado que precisa trabalhar bem como que para agradar a Deus. Ao patrão deve ser dito que seja bom e genersoso para com o funcionário. Ao filho deve ser ensinado que honre seu pai e sua mãe. Aos jovens deve ser dito que respeitem os mais velhos, e a estes deve ser ensinado que dêem exemplo aos mais jovens. Às mulheres deve ser pregado que vivam respeitosamente, e aos homens que as respeitem sempre.
EXORTA - Exortar é encorajar, fortalecer, abraçar carinhosamente provocando a força para continuar. E admoestar é corrigir, com amor, carinho, mas com firmeza. É para isso que pastores devem ser presentes e sempre pontuais.
2) SÊ SÓBRIO
Sobriedade está para não embriagar-se. Certamente que o irmão não é dado ao álcool, que embriaga e tira a inteligência e o controle emocional. Mas além do álcool há outras maneiras para que um pastor embriague-se e o irmão deverá a todo custo evitá-las e não cair em suas tentações.
Há a embriaguês do deslumbramento diante do crescimento de outros em detrimento do seu. Alguém publica uma notícia de certa igreja que cresce avassaladoramente ou do fácil desenvolvimento de certos planos mirabolantes de discipulado e o irmão vê-se contagiado pelo desejo de implantar mudanças radicais em seu ministério. Cuidado, colega! Isso também é falta de sobriedade! A receita de uma boa igreja está na Bíblia e ela nos basta; não precisamos de novas revelações.
Não perca o controle! É comum após algumas férias ou a participação em algum congresso querermos voltar e mudar tudo, tentando fazer em um mês o que não fizemos em um ano. Cuidado! Tudo  tem o seu tempo adequado, já dizia a Palavra do Senhor. O rio tem o seu próprio ritmo, o seu próprio tempo e não vale a pena querer trabalhar demais ou de menos apenas para mudanças emocionais. Não queira construir uma casa de dois andares em dez dias pois ninguém terá coragem de morar ali, uma vez que cairá com facilidade. Construa com carvalho e não com materiais frágeis. Mesmo que demore construir um grande ministério ele será para muitos anos e não para algum tempo apenas.
3) SUPORTE AS AFLIÇÕES
O dia de posse pastoral é dia de festa, mas isso não resume o ministério. Pastorado é lágrima, é dor, é estar com o sofredor no hospital. É ouvir com o enlutado: seu pai faleceu, seu filho nasceu morto. É estar com o canceroso na cama, acompanhar o solitário, sem mãe, sem filhos, sem pais, ser amigo daquele que terminou o seu relacionamento etc. A aflição do ministério faz com que o pastor reparta o seu único dinheiro, a sua camisa, a sua vida. O pastor que não tem aflições pode ser bom gerente de empresa, administrador, narrador, animador de auditórios, mas jamais será um pastor. Ensina-nos a Palavra que devemos sorrir com os que sorriem e chorar com os que choram. Há festas também: aniversário de quinze anos, casamentos, ações de graça por prosperidade familiar etc. Porém, às vezes o pastor será esquecido, não será convidado e mesmo assim terá que manter a integridade emocional diante das humilhações que sofrer.
4) SEJA UM EVANGELISTA
Se hoje eu estou a pregar a Palavra de Deus num púlpito, é porque um pastor-evangelista decidiu distribuir folhetos na rua onde eu morava, em 1980. Ele estava de malas prontas para vir a Lins e poderia esquecer-se de evangelizar em minha cidade. Mas decidiu continuar a difundir as boas-novas de salvação. Foi até a minha casa e evangelizou-me. Ganhou-me para Cristo. Foi o Pastor Timofei Diacov que serviu para mim de evangelista e tornou-se ícone de um autêntico ganhador de almas. O irmão deve ser também um evangelista. Distribua a palavra, ainda que ninguém faça isso junto com o irmão. Deus lhe chamou para semear a Palavra de Deus, pois é ela quem mostra a salvação em Cristo Jesus.
5) CUMPRE O TEU MINISTÉRIO
Não acabe o seu ministério quando bem entender, não o termine mal. Penso eu que nós, pastores, só encerramos o nosso ministério ao dar o último suspiro. O irmão assume um pastorado para desenvolvê-lo a longo prazo. Deve imprimir uma vida de serviços, conhecer as famílias, ver cada pessoa crescer e desenvolver-se. Não importa quanto tempo leve, mas que seja completo em sua duração e desenvolvimento.
II - RECOMENDAÇÕES BÍBLICAS PARA A IGREJA (Hb 13.7,17)
1) LEMBREM-SE DO PASTOR
É responsabilidade desta igreja cuidar do seu pastor. Nada substitui o amor e o cuidado de uma igreja para com o seu obreiro é fundamental. Deve lembrar-se de repartir não apenas os momentos de dor mas também os de alegria. Não são apenas os diáconos que "cuidam da mesa do Senhor, da mesa das viúvas e da mesa do pastor", mas é responsabilidade de toda a igreja.
2) IMITE O PASTOR
A igreja deve imitar a fé que o seu pastor tem no Senhor. Não apenas nos momentos agradáveis, de rotina, mas vê-lo a enfrentar as lutas, as interpéries, o luto, as enfermidades, as necessidades. Deve a igreja buscar fazer de forma semelhante (desde que o obreiro esteja seguindo o exemplo da Palavra de Deus e esteja se comportando biblicamente).
Lembro-me de um testemunho que ouvi. O pastor solicitou, numa assembléia, um aumento salarial. Um irmão no plenário protestou contra isso e o obreiro retirou imediatamente o assunto da pauta. Na outra semana a esposa desse irmão foi internada em estado grave. O pastor correu ao hospital, deu toda a assessoria e fez a companhia necessária, pagando-lhe lanches e provendo-o do que necessário. A irmã sarou e logo passou-se o tempo. Uma nova assembléia chegou e aquele irmão levantou a mão para sugerir um assunto. O pastor temeu e antecipou-se, dizendo que não havia assunto salarial para tratar. Mas o irmão disse: "mas eu quero retratar-me, pois estava errado; não imaginava o quanto o irmão era solidário e o quanto repartia o que tinha; eu proponho que seja aumentado e peço perdão pelo que fiz anteriormente".
Deve a igreja estar atenta às necessidades de seu pastor. Ensina-nos a Escritura Sagrada:Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; (1Tm 5:17)
2) OBEDEÇA O PASTOR
Os irmãos o convidaram para dirigir a igreja; então aceitem a sua orientação, desde que esteja fundamentada na Palavra de Deus. Como diz a Escritura, "Porém, respondendo Pedro e os apóstolos, disseram: Mais importa obedecer a Deus do que aos homens." (At 5:29). Se o pastor estiver fundamentado na Palavra de Deus, devem obedecê-lo.
3) SEJA SUBMISSA AO PASTOR
Obedecer é quando há uma concordância; submeter-se é quando se faz por responsabilidade e por compromisso. Mesmo que as opiniões sejam diferentes, se não estiver infringindo as Escrituras, deve uma igreja seguir com o seu pastor. Se o pastor orientar um casamento, uma vocação, um conselho, se ele apontar um caminho, deve a igreja e os membros atentar para essas orientações. Deus o colocou como pastor e como autoridade eclesiástica.
4) ALEGRE O PASTOR
Sou pastor de uma pequenina igreja de 28 membros. Não temos centenas ou milhares. Eu os amo. A Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel está em meu coração. Hoje, quando tantos tentam ostentar virtude ou influência pelo número de adeptos (gabam-se e orgulham-se diante dos outros colegas, denominação ou igrejas por pastorearem tantas pessoas), devemos compreender que não cabe a nós escolher o número de pessoas ou as condições de uma igreja, pois elas não pertencem ao pastor. A seara não é nossa, as igrejas não são nossas, a semente não é nossa, as pessoas não são nossas. Se o Mestre disser: vá pastorear 2 pessoas, deve o pastor obedecer. Devemos ser os melhores pastores, tenham as nossas igrejas o número de pessoas que tiverem. Que os membros possam dizer: temos em nosso pastor tudo o que precisamos num lider espiritual bíblico.
Uma igreja que valoriza o seu pastor transforma o seu ministério numa alegria e não num peso extremo, num aborrecimento contínuo. Igrejas que estão bem possuem boa comunhão e um dos sintomas é não querer deixar as dependências após o término dos cultos; continuam a conversar, a manifestar alegria na comunhão. Quando as coisas não vão bem o culto mal termina e não há mais viva alma presente.
5) NÃO MASSACRE O PASTOR
Não é bom que o pastor exerça o ministério com amargura. Não é bom trazer dissabor e peso ao pastor. O texto do verso 17 diz que o pastor apresenta cada membro na presença de Deus e que não é bom que ele o faça com tristeza. A Bíblia diz que "aquele que não ama ao seu irmão a quem vê, não ama a Deus, a quem não vê", e aquele que não é capaz de fazer com que o pastor tenha um ministério alegre por sua presença, talvez ainda não tenha nascido de novo e não seja uma ovelha do Senhor.
Hoje o Pr. Gidalth viverá a lua-de-mel. Todos o buscarão para almoçar, tomar café, visitar, passear. Um momento maravilhoso. Até discutirão para terem o pastor consigo. O tempo, contudo, passará e os convites, almoços e encontros serão mais escassos e muitos até cessarão. É bom, entretanto, que a igreja lubrifique o amor e o relacionamento com o pastor com comunhão, com diálogo, com oração, com sinceridade, fundamentados na Palavra do Senhor.
CONCLUSÃO
Assim, com a graça de Deus e com a orientação bíblica, cremos que o pastor fará um grande e profícuo ministério. Tais recomendações serão preciosas, caso praticadas. Para não nos esquecermos, citemos novamente os seus ítens:
I - RECOMENDAÇÕES AO PASTOR
1) PREGA A PALAVRA
2) SÊ SÓBRIO
3) SUPORTE AS AFLIÇÕES
4) SEJA UM EVANGELISTA
5) CUMPRE O TEU MINISTÉRIO
II - RECOMENDAÇÕES À IGREJA
1) LEMBRE-SE DO PASTOR
2) OBEDEÇA O PASTOR
3) SEJA SUBMISSA AO PASTOR
4) ALEGRE O PASTOR
5) NÃO MASSACRE O PASTOR
Que Deus nos abençoe.
Wagner Antonio de Araújo
OPBCB 001 - presidente
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, Carapicuíba, São Paulo, Brasil

memórias literárias - 85 - O EVANGELHO DA VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO


85 - O EVANGELHO DA VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO


Obs: esta mensagem está em:

parte 1:
http://youtu.be/AWAGDI7eglo

parte 2:
http://youtu.be/5-qnvy2eKhE


Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego. (Rm 1:16)

Mas nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos. (1Co 1:23)

Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus. (1Co 1:18)

TÍTULO: O EVANGELHO DA VERDADEIRA IGREJA DE CRISTO

Data: 26 de maio de 2013

Pregador: Wagner Antonio de Araújo

Local: Igreja Batista Vida Nova, Parque Santo Antonio, São Paulo, Brasil


Textos: Romanos 1.16, I Coríntios 1.18,23

INTRODUÇÃO

Nesta festividade de aniversário, onde a Igreja Batista Vida Nova completa 37 anos de organização, faz-se relevante pensar nos motivos que levaram Deus a permitir a sua organização e a guiá-la vitoriosamente até o dia de hoje.

A razão da existência das igrejas cristãs está relacionada com a missão que Cristo confiou aos apóstolos e aos crentes que viessem a crer dali para frente: irem por todo o mundo, fazendo discípulos de todas as nações, batizando os convertidos em nome da Santíssima Trindade, ensinando-os a guardar tudo quanto Ele ensinou. No bojo desses ensinamentos estava, além da evangelização, a caridade, a ajuda ao próximo, a expressão do amor de Deus através do amor até pelos inimigos.

Contudo, o autêntico evangelho de Cristo possui algumas características claras, evidentes, que o identificam do falso evangelho esparramado pelo inimigo ao longo dos séculos. No início da era cristã o inimigo enganou-os com o gnosticismo, fazendo-os crer que Deus tinha segredos que só confiava aos iniciados nos mistérios. Também ensinou que Cristo não era suficiente para a salvação dos perdidos e que a Lei de Moisés deveria ser guardada. Esses ensinos foram refutados veementemente nas páginas do Novo Testamento.

Na história da Igreja Cristã muitos outros evangelhos de mentira foram disseminados. Um deles é aquele que tirou de Cristo a prerrogativa de salvar-nos, recolocando nas mãos dos miseráveis pecadores o dever de fazer algo pela vida eterna: o ensino das boas obras que salvam, ensino absolutamente falso (Ef 2.8-10).

Também ensinou-se que para conseguir o Reino de Deus era necessário sair do mundo, tornando-se casto, celibatário e isolado do mundo. A Bíblia já orientava que não era plano de Deus essa prática, uma vez que Jesus disse: "não peço que os tires do mundo, mas que os livre do mal" (cf. João 17.15). Quanto à castidade física e celibato, Paulo já dizia que nos últimos dias enganadores viriam "Proibindo o casamento, e ordenando a abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis, e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças"; (1Tm 4:3).

Posteriormente inúmeras outras heresias surgiram, refutadas pelos fiéis cristãos em cada época. 

Hoje, em nosso tempo moderno, urge examinarmos o autêntico evangelho de Cristo para que tenhamos discernimento apropriado no reconhecimento daquele que é falso, atitude que, infelizmente, não tem sido a de todas as igrejas, uma vez que muitas têm caído nas armadilhas da heresia e sucumbido ao canto da sereia religiosa.

I - O EVANGELHO VERDADEIRO CAUSA ESCÂNDALO

Diz o texto bíblico: escândalo para os judeus, loucura para os gregos (gentios).

Os nossos primeiros irmãos na igreja primitiva, ao pregar o evangelho de Cristo, obtinham duas reações claríssimas: a absoluta rejeição de sua mensagem por parte dos povos ou a maravilhosa transformação da vida daqueles que criam e recebiam a graça de Deus.

Os judeus escandalizavam-se com a pregação da cruz de Cristo. Para eles era impensável um Messias sofredor, um ungido do Senhor, escolhido para ser o Rei de Israel, que não fosse guerreiro e que não tirasse deles o jugo da escravidão política. Era impensável um Cristo vindo de Belém, andarilho e que falasse de cruz, de renúncia, de amor aos inimigos e de morrer para viver. Eles se escandalizavam em Jesus. Eles o rejeitavam. Eles se revoltavam contra os seus seguidores. 

Já os gregos até achavam interessante a mensagem do Nazareno, mas criam ser loucura, falta de juízo e absoluto desatino crer na ressurreição da carne. Eles consideravam o cristianismo uma religião de loucos. Uma mensagem que não expressava liberdade sexual para fazer o que queriam, que apontava um homem sendo o próprio Deus encarnado e uma fé na volta à vida era absurda demais, era anti-filosófica, era ignorância demasiada. Então rejeitavam essa mensagem.

Quando se prega o autêntico evangelho a tendência humana é revoltar-se contra ele. E por que?

1) Porque a mensagem de Cristo aponta ao homem uma situação de pecaminosidade absoluta, de morte espiritual e de impossibilidade de salvar-se por conta própria. O verdadeiro evangelho mostra ao homem que ele está perdido, que seus méritos não alcançam o mínimo suficiente e que ele carece de um salvador. Isso é abominável ao coração humano. O verdadeiro evangelho expõe a desgraça do pecado e aponta ao homem a sua miserabilidade.

2) Porque a mensagem de Cristo exige do homem uma rendição completa ao Filho de Deus, uma conversão absoluta de pensamentos, atitudes e planos, impossível por si só, mas possível pela ação do Espírito Santo. Quem recebe a Cristo não continua mais do mesmo jeito que era antes.

Mas as igrejas estão perdendo essa graça, a de ter um evangelho que causa rejeição.

II - O EVANGELHO VERDADEIRO CAUSA CONVERSÃO

Diz a Bíblia que o verdadeiro evangelho de Cristo é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê.

Quando a mensagem do Reino é pregada do jeito que nos foi revelada, ela possui um poder tamanho que muda, transforma, converte, faz renascer, regenera, dá nova vida ao pecador.

Foi assim no passado. Judeus como Pedro, Paulo, Silas, Barnabé, Mateus, Tomé, Maria, Lídia, Madalena, Priscila, foram transformados radicalmente em sua maneira de viver e se tornaram heróis da fé. Suas vidas, regeneradas pelo poder da Palavra de Deus, tornaram-se monumentos da obra do Senhor no coração humano quebrantado. Gregos ou gentios como Cornélio ou como os da "casa de César", como os "filhos da senhora eleita" ou como todos os convertidos pelo ministério entre os gentios, demonstravam que Cristo muda o coração de cada pecador, tenha ele a descendência que tiver, seja de que povo, língua ou nação for.

Um dia missionários trouxeram o evangelho para a nossa cidade e Deus mudou a vida de nossos pioneiros. Hoje, aqui nesta igreja, comemoramos a organização de uma igreja criada para propagar esta santa mensagem.

III - A INCOMPATIBILIDADE DO FALSO EVANGELHO DIANTE DO VERDADEIRO

A Palavra de Deus nos diz: que a Palavra da Cruz é loucura para os que perecem. Mas a nós nos parece que é loucura também para aqueles que crêem no falso evangelho, que não tem cruz, que só tem contemporaneidade e manifestações de fraternidade humana sem a loucura da conversão.

Estávamos em Poços de Caldas e ao passarmos por um estacionamento movimentado ouvimos músicas barulhentas de rock e muitos gritos de jovens. Como era um sábado e a cidade é turística, pensamos tratar-se de uma banda contemporânea jovem. Ledo engano: era o "ministério de danças da Igreja de Cristo", financiado pela prefeitura daquela cidade, com centenas de jovens pulando, saltando, gritando, celebrando, com seus piercings, brincos masculinos, roupas de coreografia, de pantomimas, cabelos inspirados nos astros da TV, ritmos de rua (hip hop e contemporâneos), a cantar de tudo, a dançar de tudo, e, ao final, nos agradecimentos e orações, a argumentação do porquê fazer daquele jeito:

a) ESTAMOS FAZENDO DE CORAÇÃO
b) É O JEITO CONTEMPORÂNEO DE SER
c) ESTAMOS SERVINDO A DEUS

Essas afirmações agradam a todos: não há confronto com o pecado, pois todos são aceitáveis diante do Pai. Não há confronto doutrinário, pois todos são cristãos não importam as igrejas; Não há problemas de escândalo, porque não há nenhuma mudança de vida da parte dos que participam. Então as canções podem ir desde "COMO ZAQUEU QUERO SUBIR" até "VAMOS PULAR E DANÇAR PARA JESUS".

Mas esse evangelho não cumpre o que afirma, uma vez que:

a) ESTAMOS FAZENDO DE CORAÇÃO: Diz a Bíblia que "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" (Jr 17:9). O coração humano é o fundamento mais esdrúxulo e movediço para se firmar um serviço para Deus. Muitos no juízo dirão que o Senhor ensinou, curou e operou em suas ruas, mas o Senhor dirá: "Nunca vos conheci".

b) É O JEITO CONTEMPORÂNEO DE SER - E quem disse que esse é o caminho do Criador? A Bíblia diz: "Não removas os antigos limites que teus pais fizeram." (Pv 22:28). Quando a contemporaneidade joga a cruz no lixo, quando ensina os homens a usar brincos (e a biblia diz que isso era sinal de escravidão "Então tomarás uma sovela, e lhe furarás a orelha à porta, e teu servo será para sempre; e também assim farás à tua serva. (Dt 15:17)") ou tatuagens e piercings no corpo, uma abominação ao Senhor ("Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR. (Lv 19:28)") . Quando os padrões contemporâneos destróem os marcos dos antigos e os valores ensinados por Deus denotam um evangelho falso que não transforma o pecador.

c) ESTAMOS SERVINDO A DEUS - fundamentados em quê? Em seu próprio juízo de valor? Em suas próprias preferências? Em seus gostos pessoais? A questão de gosto é relativa, uns gostam, outros não. A verdade da palavra de Deus não pode girar em torno de preferências, mas naquilo que Deus diz, naquilo que a Bíblia ensina. Não é o que eu gosto ou não gosto, mas o que Deus diz para fazer ou não, que deve nortear a minha prática religiosa! À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. (Is 8:20)

CONCLUSÃO

A nossa sincera esperança é que essa igreja continue pregando o autêntico e verdadeiro evangelho de Cristo, que é escândalo para os judeus e loucura para os gregos, mas para nós, os que somos salvos, é o poder de Deus.

O nosso desejo é que o falso evangelho jamais penetre no púlpito desta igreja, nas suas salas de aula ou nos lares de seus membros, pois o falso jamais substituirá à altura o verdadeiro. Somente o evangelho revelado nas Escrituras é o poder de Deus para a transformação dos crentes.

Cremos que a pregação e a vivência do verdadeiro evangelho dará aos seus membros condições contínuas para examinarem toda e qualquer novidade e entendê-la não à luz do coração, do gosto pessoal ou da contemporaneidade, mas do ASSIM DIZ O SENHOR.

Que Deus a todos abençoe!

Wagner Antonio de Araújo

terça-feira, 4 de junho de 2013

memórias literárias - 84 - SER PASTOR

  SER PASTOR


Qual o sentido dessa palavra? Ser pastor! Uma afirmação tão pequena, mas repleta de tanto significado!

Ser pastor é muito mais que ser um pregador. Está além de ser um administrador de igreja. Muito além de professor ou conferencista. Ser pastor é algo da alma, não apenas do intelecto.

Ser pastor é sentir paixão pelas almas. É desejar a salvação de alguém de forma tão intensa, que nos leve à atitude solidária de repartir as boas-novas com ele. É chorar pelos que se mantém rebeldes. É pensar no marido desta irmã, no filho daquela outra, na esposa do obreiro, nos vizinhos da igreja, nos garotos da rua. Ser pastor é tudo fazer para conseguir ganhar alguns para Cristo.

Ser pastor é festejar a festa da igreja. É alegrar-se com a alegria daquele que conquista um novo emprego, daquele que gradua-se na faculdade, daquele que recebe a escritura da casa própria ou do outro que recebeu alta no hospital. Ser pastor é ter o brilho de alegria ao ver a felicidade de um casal apaixonado, ao ver o sucesso na vida cristã de um jovem consagrado, é festejar a conversão de um familiar de alguém da igreja por quem há tempos se vinha orando. Ser pastor é desejar o bem sem cobiçar para si absolutamente nada, a não ser a felicidade de participar dessa hora feliz.

Mas ser pastor também é chorar. Chorar pela ingratidão dos homens. Chorar porque muitas vezes aqueles a quem tanto se ajudou são os primeiros a perseguirem-nos, a esfaquearem-nos pelas costas, a criticarem-nos, a levantarem falso testemunho contra a igreja e contra nós. É chorar com os que choram, unindo-nos ao enlutado que perdeu um ente querido, é dar o ombro para o entristecido pela perda de um amor, é ser a companhia do solitário, é ouvir a mesma história uma porção de vezes por parte do carente. Chorar com a família necessitada, com o pai de um drogado, com a mãe da prostituta, com a família do traficante, com o irmão desprezado.

Ser pastor é não ter outro interesse senão o pregar a Cristo. É não se envolver nos negócios deste mundo, buscando riquezas, fama e posição. É saber dizer não quando o coração disser sim. É não ir à casa dos ricos em detrimento dos pobres. É não dar atenção demasiada para uns, esquecendo-se dos outros. É não ficar do lado dos jovens, em detrimento dos adultos e vice-versa. Ser pastor é não envolver-se em demasia com as pessoas, ao ponto de se perder a linha divisória do amor e do respeito, do carinho e da disciplina. Ser pastor é não aceitar subornos nem tampouco desprezar os não expressivos.

Ser pastor é ser pai. É disciplinar com carinho e amor, conquanto com a firmeza da vara, da correção e, não raras vezes, da exclusão de pessoas queridas. É obedecer a Bíblia, não aos homens. É seguir a Deus, não ao coração. Ser pastor é ser justo. Ser pastor é saber dizer não, quando a emoção manda dizer sim. Ser pastor é ter a consciência de não ser sempre popular, principalmente quando tiver que tomar decisões pesadas e difíceis, e saber também ser humilde quando a bênção de Deus o enaltecer diante do rebanho e diante do mundo. Os erros são nossos, mas a glória é de Deus.

Ser pastor é levantar-se quando todos estão dormindo e dormir quando todos estão acordados, socorrendo ao necessitado no horário da necessidade. Ser pastor é não medir esforços pela paz. É pacificar pais e filhos, maridos e esposas, sogros e genros, irmãos e irmãs. Ser pastor é sofrer o dano, o dolo, a injustiça, confiando nAquele que é o galardoador dos que o buscam. Ser pastor é dar a camisa quando lhe pedem a blusa, andar duas milhas quando o obrigam a uma, dar a outra face quando esbofeteado.

Ser pastor é estar pronto para a solidão. É manter-se no Santo dos Santos de joelhos prostrados, obtendo a solução para os problemas insolúveis. Ser pastor é não fazer da esposa um saco de pancadas, onde descontar sua fragilidade e cansaço. Ser pastor é ser sacerdote, mantendo sigilo no coração, mantendo em segredo o que precisa continuar sendo segredo, e repartindo com as pessoas certas aquilo que é "repartível". Ser pastor é muitas vezes não ser convidado para uma festa, não ser informado de uma notícia ou ser deixado de fora de um evento, e ainda assim manter a postura, a educação, o polimento e a compaixão. Ser pastor é ser profeta, tornar o seu púlpito um "assim diz o Senhor", uma tocha flamejante, um facho de luz, uma espada de dois gumes, afiada e afogueada, proclamando aos quatro ventos a salvação e a santificação do povo de Deus.

Ser pastor é ser marido e ser pai. É fazer de seu ministério motivo de louvor dentro e fora de casa. É não causar à esposa a sensação de que a igreja é uma amante, uma concorrente, que lhe tira todo o tempo de vida conjugal. Ser pastor é amar aos seus filhos da mesma forma que ensina aos pais cristãos amarem aos seus. É olhar para os olhos de seus filhos e ver o brilho de seus próprios olhos. É preocupar-se menos com o que os outros vão pensar e mais no que os filhos vão aprender, sentir e receber. É ver cada filho crescer, dando a cada um a atenção e o amor necessários. É orgulhar-se de ser pai, alegrar-se por ser esposo, servir de modelo para o povo. E, quando solteiro, tornar a sua castidade e dignidade modelo dos fiéis, enaltecendo ao Senhor, razão de sua vida.


Ser pastor é pedir perdão. Se os pastores fossem super-homens, Deus daria a tarefa pastoral aos anjos, mas preferiu fazer de pecadores convertidos os líderes de rebanho, pois, sendo humanos, poderiam mostrar aos demais que é possível ser uma bênção. Mas, quando pecarem, saberem pedir perdão. A humildade é uma chave que abre todas as portas, até as portas emperradas dos corações decepcionados. A humildade pode levar o pastor à exoneração, como prova de nobreza e integridade, como pode fazê-lo retomar seus trabalhos com maior pujança e vigor. Há pecados que põem fim a um ministério e ser pastor é saber quando o tempo acabou. Recomeçar é possível, mas nem sempre. Ser pastor é saber discernir entre ficar ou sair, entre continuar pastor e recolher-se respeitosamente.

Ser pastor é crer quando todos descreem. Saber esperar com confiança, saber transmitir otimismo e força de vontade. É fazer de seu púlpito um farol gigantesco, sob cuja luz o povo caminha sempre em frente, para cima e em direção a Deus. Ser pastor é ver o lado bom da questão, é vislumbrar uma saída quando todos imaginarem que é o fim do túnel. Ser pastor é contagiar, e não contaminar. Ser pastor é inovar, é renovar, é oferecer-se como sacrifício em prol da vontade de Deus. Ser pastor é fazer o povo caminhar mais feliz, mais contente, é fazer a comunidade acreditar que o impossível é possível, é fazer o triste ser feliz, o cansado tornar-se revigorado, o desesperado ficar confiante e o perdido salvar-se. As guerras não são ganhas com armas, mas com palavras, e as do pastor são as palavras de Deus, portanto, invencíveis.

Ser pastor é saber envelhecer com dignidade, sem perder a jovialidade. É ser amigo dos jovens e companheiro dos adultos. Ser pastor é saber contar cada dia do ministério como uma pérola na coroa de sua história. Ser pastor é ser companhia desejada, querida, esperada. É saber calar-se quando o silêncio for a frase mais contundente, e falar quando todos estiverem quietos. Ser pastor é saber viver. Ser pastor é saber morrer.

E quando morrer, deixar em sua lápide dizeres indeléveis, que expressem na mente de suas ovelhas o que Paulo quis dizer, quando estava para partir: "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé". Ser pastor é falar mesmo depois de morto, como o justo Abel e o seu sangue, através de sua história, de seu exemplo, de seus escritos, de suas gravações. Ser pastor é deixar uma picada na floresta, para que outros venham habitar nas planícies conquistadas para o Reino do Senhor. Ser pastor é fazer com que os filhos e os filhos dos filhos tenham um legado, talvez não de propriedades, dinheiro ou poder político, mas o legado do grande patriarca da família, daquele que viveu e ensinou o que é ser um pastor.

Eu sou pastor.

Obrigado, Senhor!

Pr. Wagner Antonio de Araújo

segunda-feira, 20 de maio de 2013

memórias pastorais - 83 - DIVAGAÇÕES NUM DIA DE DESPEDIDAS


 83 - DIVAGAÇÕES NUM DIA DE DESPEDIDAS
19/05/2013
Este foi um daqueles domingos inesquecíveis, não tanto pelo tamanho dos eventos, mas pelo que eles significam e significarão em minha vida.
Ontem, ao terminar de inspecionar os meus e-mails, deparei-me com a notícia que me causou profunda comoção: o Pastor Rivas Bretones, amigo de longa data, havia falecido no hospital, na luta contra o câncer. Eu sequer sabia de sua enfermidade, pois até então se pensava que era um problema de refluxo, o que, infelizmente, caminhou para um diagnóstico tardio de câncer no pulmão. Para mim, o querido amigo havia viajado para os Estados Unidos em visita a sua querida irmã Laura, mas a verdade era bem outra: estava travando dura luta contra a enfermidade.
A notícia chegou a mim no momento em que eu preparava a reflexão do domingo à noite, intitulada A BREVIDADE DA VIDA. Que ironia do destino! Eu, depois de anos, convidado para pregar no púlpito do saudoso conselheiro Pastor Josué Nunes de Lima, agora teria que provar de minha própria mensagem, visitando a despedida do Pastor Rivas no Cemitério da Paz!
Coloco-me na pele daqueles que são idosos e que vêem cada um de seus amigos partirem. Eles olham aos noventa anos e contemplam uma geração que não é a sua, com costumes que não são os seus, com pessoas com quem não têm os mesmos laços de intimidade, afetividade, cumplicidade e compartilhamento de experiências e cultura. E sentem-se absolutamente sós! Vê-se nos viúvos ou viúvas bem idosos o partir próximo quando perdem aquele referencial que lhes servia de âncora da temporaneidade, única testemunha ocular dos anos vividos de suas infâncias e juventudes. Por lhes faltar um partilhar de igual para igual logo sucumbem e adormecem.
Todas essas reflexões vieram-me à mente. Eu, um homem de meia-idade, de 47 anos e alguns meses, que sou contemporâneo da penúltima geração, que tive o privilégio de conviver com alguns dos últimos ícones espirituais de minha denominação e de outras agremiações evangélicas, verifico a grande solidão e o grande vazio de cada herói que parte e sucumbe diante do fim de seus dias. Aos poucos os referenciais que tive em minha vida de crente, de seminarista, de pastor e, posteriormente, de atuante denominacional, estão saindo da vida para adentrar às páginas esquecidas da história. Esquecidas muito cedo, pois uma das primeiras providências dos que ficam é decretar um "tempo novo", um "novo ministério", "uma nova unção" e fazem o possível e o impossível para sepultar qualquer lembrança dos obreiros que passaram, que fundaram suas igrejas, que abriram a picada na mata, que suportaram as duras lidas, as perseguições, a evangelização difícil, as construções das casas de culto, o doutrinamento, o discipulado. No máximo, o que se guarda é uma sala com seus nomes ou um monumento na área de entrada. Alguns, se possível, até isso tirariam.
Penso nos poucos que restam. Sim, os poucos ícones que continuam vivos e atuantes. Penso naqueles que não se venderam às facilidades do evangelicalismo moderno, midiático e mundano. Penso nos que não aceitaram mudanças pelas mudanças, que não trocaram o púlpito pelo palco, o louvor pelo show, a adoração pela coreografia, a reverência pelo ambiente de carnaval, a bíblia pelo livro de auto-ajuda, a doutrina pelo "achismo". Penso naqueles que se aposentam para não ver as barbaridades das quais poderiam ser vítimas, pois suas "novas" ovelhas, seduzidas pelo ruído dos lobos disfarçados de ovelhas e de Satanás disfarçado de modernidade eclesiástica, estariam a ponto de fazê-los abortar do ministério à força. Penso naqueles que pregaram, que ensinaram, que presidiram, que lutaram, que trouxeram progresso, e que agora, envelhecidos pelo tempo, encontram-se nas casas de repouso, nos fundos das casas dos filhos, ou vivendo de favores de algum crente generoso. Estes nunca recebem convites para nada, muito menos visitas ou lembranças, exceto de heróis como o conhecido irmão Grigório, que, conquanto não seja pastor, não esquece de nenhum dos operários do Reino, principalmente dos carcomidos pela batalha dos anos.
Penso no imenso vazio que fica. Rivas Bretones partiu. O que fica em seu lugar? Josué Nunes de Lima já está na glória celestial. João Rodrigues dos Santos, saudoso paranaense que com amor pastoreou a IB Gileade, na zona norte de SP, há anos partiu para Jesus. E o que dizer dos mais antigos? Parece que a nova geração não aceita ter sido sucessora dos pioneiros, dos que lhes trouxeram as tochas do evangelho; eles querem reinventar a roda e sentem-se ministros de um novo evangelho, ao gosto do freguês. E os resultados não custam a vir. Sei de tantos casos! Uma igreja, cujo pastor faleceu, grande lutador que veio da Letônia, jamais acertou com o seu obreiro e hoje tem o ministério vacante mais uma vez. Outra, cujo pregador era um mestre dos púlpitos e da oratória, teve por sucessor alguém que se ofendia em ouvir alguém falar bem do antecessor. Terminou bestialmente o seu pastorado. Agora ouvi de outro que mandou tirar todas as benfeitorias que lembravam o fundador de sua congregação, pois eram coisas bobas e agora viveriam "uma nova história".
Meu Deus, que geração é essa? Sei que há pastores aposentados que me lêem. Sei que há crentes perplexos e que me dizem: "pastor Wagner, onde estão os pastores que amavam a Cristo e amavam o rebanho?" Bem, posso dizer de poucos, mas posso garantir que há sete mil joelhos que não se dobram e nunca se dobrarão ao Baal da ingratidão.
E eu, com minha limitação, com as minhas memórias em ebulição, com o meu peito vazio com a perda dos amigos, com a ausência dos meus mestres tão amáveis e tão bíblicos, só posso concluir o seguinte: a tocha veio para a mão de outros mais jovens e isso me inclue nesse grupo. Que legado eu deixarei para a próxima geração? Que tipo de pastor eu devo ser para que outros vejam em mim o que eu vejo nos meus mestres que estão partindo? Que dignidade ou capacidade tenho? Sei que nenhuma. Mas sei que a nossa capacidade vem de Deus, a mesma que esteve disponível aos meus mestres que partem. Dispor dela é decisão nossa, que passa por joelhos calejados de dobrarem-se em oração, de bíblias surradas de tanto serem lidas e de coração crescido de tanto amar. Ah, amar!
Talvez a minha geração não tenha aprendido a amar. Amar as ovelhas, as pessoas da igreja, não as considerando massa de manobras ou apenas números para vaidade pessoal: "pastoreio mil pessoas". Pessoas não são como gado, contadas a grosso, mas são ovelhas, chamadas pelo nome, uma a uma. E amar ao rebanho, às pessoas, é o que a minha geração e as próximas não estão aprendendo nos bancos das faculdades teológicas modernas. Aprendem a discutir o indiscutível, a inspiração das Escrituras Sagradas, aprendem a duvidar de Deus, mas não aprendem a conviver com as pessoas salvas pelo Senhor. Creio que amar pessoas seja um dos segredos dos mestres. Rivas Bretones, Josué Nunes de Lima, João Filson Soren, Manoel Avelino de Souza, TC Bagby e tantos outros amavam as suas ovelhas. E como amavam.
Também não temos aprendido a ter solitude. Não a solitude de solidão, de depressão, de vazio; essa encontramos com facilidade no acúmulo de atividades ou no abandono da família. Solitude é aquela doce comunhão diuturna com o Senhor. Pastores não oram mais. Oram sim, mas não oram como deviam. A maioria mente. Diz que ora, mas apenas reza. Diz que ora, mas apenas cumpre o protocolo. E eu, no acúmulo de atividades acabo sendo seduzido pelo canto do "fazer coisas importantes" e nem me recordo que Maria, a irmã de Marta, recebeu os elogios por gastar tempo com o Senhor, muito mais do que Marta, que se cansava em fazer coisas para o Senhor. Comungar é mais importante do que fazer coisas. E a opção quase nunca é a solitude. Acredito que os meus antigos e saudosos amigos conheciam muito mais de Deus num dia de comunhão do que eu em toda a minha vida...
Lembro-me quando o Pr. Timofei Diacov (graças a Deus bem vivo ainda, e há de ser assim por muitos mais anos, é o que peço ao Senhor), no afã de me dizer como eu deveria ler a bíblia, falou-me de forma clara: "não vá à bíblia para que ela concorde com suas idéias; renda-se ao que ela diz, e você encontrará a vontade do Senhor". Conselho magnífico, que me motiva dia após dia a andar e a remar contra a maré das mudanças, pois a minha bíblia não mudou, não muda e nem mudará. Não importa o que eu ache, o que a minha filosofia, a minha sociologia, o meu coração pecador considera; é a bíblia a minha única regra de fé e prática, e sem dissecações empíricas ou modernistas. Que bênção manusear a minha bíblia de 1979 e ver que ela, à semelhança do meu Deus, não mudou!
Ah, quantas memórias! Quantos pensamentos! Não sei quanto tempo eu ainda viverei, nem por quanto tempo pastorearei a mesma igreja ou qualquer outra. Mas uma coisa eu quero: jamais me esquecer dos heróis que se vão. E nesse afã tudo farei para torná-los imortais para quem quiser ouvi-los ou lê-los, através de publicações, de blogs, de memórias, de entrevistas. Não devemos deixar a tão grande nuvem de testemunhas apenas subjetivamente, mas usar de seus registros deixados, como usamos os de Spurgeon, de Bunyan, de Calvino, de Lutero, de Langston, de Crabtree. Eles precisam continuar a falar e sua memória precisa ser lembrada.
Quero caminhar com o meu Senhor até o fim. E estar pronto para partir dia após dia, e pronto para ficar mais um pouco a cada dia. E que, no final da caminhada, eu possa dizer como o apóstolo Paulo, Rivas Bretones, Josué Nunes de Lima, Rubens Lopes, TC Bagby, WC Taylor, João Rodrigues dos Santos, "combati o bom combate, terminei a carreira, guardei a fé".
Ajuda-me, Senhor, a ser fiel. E a seguir os bons exemplos daqueles que recolhes.
Amém.
Wagner Antonio de Araújo

com o Pr. Josué Nunes de Lima

com o Pr. Rivas Bretones

Pr. João Rodrigues

memórias literárias - 82 - A MELHOR HORA


82 - A MELHOR HORA

A melhor hora para orar é quando não se tem vontade. Sim, porque é a hora em que mais precisamos! A falta de vontade de orar é semelhante à falta de vontade de comer por parte do doente enfraquecido: quanto menos come, menos fome tem. E nós sabemos que, se ele não se alimentar, irá morrer! A oração, para o crente, é gênero de primeira necessidade! Diz a bíblia: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.7).

A bíblia não fala para orarmos só quando temos vontade. Se dermos ouvidos à vontade, não oraremos nunca! Mas, boas notícias: é só começar, que a sede de comunhão volta! “Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!” (Sl 42.1).

A melhor hora para se ler a bíblia é quando não se quer lê-la. Sim, porque é quando mais precisamos dela! Não estou dizendo para você parar o trabalho que está fazendo, nem deixar de dirigir o automóvel no meio da estrada. Estou dizendo que não se deve obedecer à vontade, mas fazer força e ler as Escrituras! Sem bíblia, fatalmente tomaremos decisões erradas, e trocaremos o “melhor” pelo “apenas regular”, ou até pelo “ruim”!
Não há crescimento sem bíblia! Já viu um bebê crescer sem comer? Aqui também funciona o “começômetro”: começa-se ler, gosta-se, e continua mais e mais! Faça prova! Por isso o salmista disse, sobre o homem abençoado: “Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.” (Sl 1.2).

E ir à igreja? Às vezes é tão cansativo! Tem dia que é um fardo pesado, não é mesmo? Eu já me senti altamente desmotivado a ir. Depois paguei o pato, tendo uma semana “amarela”, sem graça e sem cor, e uma profunda dor na consciência, por ter me privado da adoração, da comunhão, da pregação, do ofertório, etc. Quando a gente volta, no outro fim de semana, parece que passou uma década, está tudo meio diferente! Eu aprendi que, quando eu menos querer ir, é justamente a hora em que eu mais precisarei congregar com meus irmãos e adorar a Deus em comunidade! “Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hb 10.25).

Se a sua igreja for sadia (boa doutrina, razoável comunhão, boa ética), você sairá de lá fortalecido! E se convencerá que, faça chuva ou faça sol, igreja é prioridade em sua agenda. E sem ninguém obrigar!

Pr. Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 81 - ATÉ EU TE DEVO...


 81 - ATÉ EU TE DEVO...


Quem entra no salão de cultos daquela igreja evangélica não deixa de notar a beleza dos bancos. Madeira maciça, finamente envernizada, de lei, trabalhada com carinho, conservada com esmero. Bancos solenes, com estrados para ajoelhar-se, com local de colocar bíblias e hinários, um cheiro grave e respeitoso da mais fina madeira. Porém, há um detalhe que chama mais ainda a atenção: uma pequenina placa, do lado direito de cada banco, dourada, com os dizeres: "Ele não me deve... eu Lhe devo tudo!"


Perguntei ao zelador o motivo daquelas plaquinhas. Ele sorriu e contou-me a história.

"Há vários anos atrás, quando a igreja construía esta grande Casa de Oração, um irmão ganhou destaque. Ele se chamava Mariano. Homem simples, fiel, amava contribuir com a obra de Deus. Mas, por causa de sua baixa remuneração, pouco podia fazer. Mesmo assim ele participava de tudo com grande empenho e alegria. Sempre que o ofertório ocorria nos cultos, ele ia feliz e sorridente para o gazofilácio, dar a sua parcela de cooperação. Às vezes recebia ajuda da igreja, mas nem assim deixava de contribuir.

"Deus o abençoou muito. Tornou-se um profissional respeitável. Soube investir seus ganhos e comprou diversas casas de aluguel. Sua renda tornou-se muito boa. O seu dízimo acompanhou. E acabou por contratar diversas pessoas da igreja em sua oficina. Construiu um grande edifício para a empresa e uma mansão para morar.

"Tamanha prosperidade tornou-o ocupado demais para o Reino de Deus. Na verdade o seu coração esfriou. Sua grande riqueza transformou-o num homem reservado. Já não contribuia mais com nada além do seu dízimo e não tinha mais tempo para Escola Bíblica Dominical; seus compromissos sociais o cercavam: fazenda, chalé na montanha, casa na praia. Não deixou de ir à igreja, mas tornou-se infrutífero. Seu dízimo era alto e ele achava ser o bastante. Apenas não queria envolver-se ou ser incomodado.

"Num belo dia, quando a direção da congregação decidiu comprar os bancos e móveis para mobiliar o salão de cultos, verificaram tratar-se de um preço muito alto, acima do que podiam suportar. Não se tratava de uma bancada comum. Era material fino, digno de uma catedral. Todos os bancos da congregação, o púlpito, as cadeiras dos oficiantes, a bancada do coral, gazofilácios, etc. Se comprassem à prestação pagariam uma fortuna muito maior, porém à vista teriam 50% de desconto. Não podiam deixar passar essa oportunidade. Mas como obter financiamento?

"A tesouraria não tinha os recursos necessários; o povo não tinha mais como ofertar além dos compromissos assumidos. A igreja não se endividava na praça, nem buscava socorro dos bancos. "A ninguém devais coisa alguma", repetia o pastor.

"Foi então que alguém propôs: "Vamos pedir emprestado ao irmão Mariano! Ele certamente poderá nos ajudar! Ele é nosso irmão, é da casa. Faremos um livro de ouro, um sistema para arrecadar ofertas, e se Deus quiser conseguiremos quitar essa pequena fortuna".

"A comissão foi até a sua casa. Mariano tinha progredido de forma espetacular. Sua mansão era um sonho. E as casas ao lado lhe pertenciam também, comprara praticamente todo o quarteirão. Recebidos pelos empregados, os irmãos aguardaram na sala de estar, um ambiente utópico, cinematográfico mesmo. Mariano estava em outra dependência, mas desceu para conversar com os irmãos.

"Como estão, meus irmãos? Em que posso ajudar?"

"Irmão Mariano, viemos pedir o seu socorro. Os bancos e móveis para o salão de cultos foram escolhidos, mas são muito, muito caros, não temos recursos. Se pagarmos à vista teremos cinquenta por cento de desconto. O irmão não poderia emprestar? Sabemos que o irmão tem sido abençoado, quem sabe poderia nos auxiliar sem que buscássemos socorro nos bancos privados.

Mariano fechou o semblante. Mostrou-se aborrecido e incomodado. Pensava: "Não me deixam mesmo em paz! Basta termos um patrimônio para não largarem de nosso pé!" Pensou, pegou a calculadora, anotou alguns valores, e disse:

"Dar eu não dou, afinal, não sou o único membro da igreja. Tenho a minha vida, os meus compromissos. O que posso fazer é emprestar..."

"Irmão, não viemos lhe pedir nada além do empréstimo. Mas se o irmão não se dispõe, não há problemas. Parece que o irmão não apreciou a idéia. Não se aborreça. Buscaremos recursos em outro lugar. Deus o abençoe e até domingo, irmão..."

"Não, não se chateiem. Esperem. Eu empresto. Essa quantia eu tenho disponível. Posso emprestar, mas terão que me pagar em 12 vezes, pode ser apenas com os juros de poupança. No final contabilizamos e fechamos a conta. Passem no meu escritório e retirem o cheque, ok?"
"Não muito felizes, pois a cortesia faltou, mas muito agradecidos pelos recursos disponibilizados, os irmãos saíram. Correram ao representante da loja e adquiriram os bancos.
"Mariano, um tanto alheio a sentimentos (aprendera a viver sem considerá-los, pois assim a vida comercial exigia), subiu ao terceiro andar de sua mansão. Ali havia um mirante, ao lado da piscina, em frente ao jardim e ao chafariz. Dali ele vislumbrava as 20 casas boas, do quarteirão, que alugara e de onde recebia excelente renda. Também via a fachada do prédio onde estava sediada a sua próspera empresa."

"Lembrou-se do quão difícil fora a sua vida; da casinha pequenina alugada onde morava, das cestas básicas que recebera quando o dinheiro era insuficiente. Lembrou-se de sua constante dedicação ao trabalho do Senhor, das tardes evangelísticas, dos cultos, vigílias, das visitas aos novos crentes, do sorriso nos lábios e do quanto, quanto, quanto, Deus lhe abençoara em menos de dez anos.

"Olhou tudo isso, sorriu e derramou uma lágrima de gratidão. Sentia-se quebrantado.

"Disse em alto e bom som, com grande emoção:

"SENHOR, MUITO OBRIGADO, DE CORAÇÃO, POR TANTAS BÊNÇÃOS QUE ME DESTE. Ó, DEUS, COMO TU ME ABENÇOASTE!

"Naquele instante, de forma audível para ele, escutou, perplexo, uma resposta vinda do Céu:
"ABENÇOEI-TE TANTO QUE ATÉ EU TE DEVO..."

"Mariano caiu no chão, assustado, com tontura e muito medo. Ele realmente ouvira essa voz. Ele a escutara. Ele não estava louco. E por que ouvira isto?

"Enquanto se levantava lembrou-se da reunião da comissão dos bancos. Lembrou-se do empréstimo e dos juros. Pensou no que isso significaria para a sua conta: uma fatia pequenina. Lembrou-se de que a Igreja era de Deus e que ele também pertencia a Deus.

"Então orou de novo:

"meu Deus, como pude me atrever a querer EMPRESTAR para Ti? Se tudo o que eu tenho, tudo o que eu sou e tudo o que eu faço são frutos de Tua imensa graça? Sou indigno de todas as tuas bênçãos! Perdoa-me, Senhor!"

"Mariano correu até a casa do pastor. Afoito e quase desesperado, suplicou:

"Pastor, por favor, por compaixão, peça à comissão da aquisição dos móveis para reunir-se comigo hoje à noite. Tenho que falar uma coisa.

"Irmão, estou preocupado. Fechamos o negócio, nós vamos lhe pagar. Estaria o irmão arrependido? Não irá mais disponibilizar o valor? Tenha certeza, irmão: nós lhe pagaremos!"
"Não se preocupe, pastor. Esteja à noite em casa."

E à noite, na mansão do Mariano, ele disse:

"Irmãos, preciso dizer algo sobre o cheque dos bancos".

"Os irmãos se contorceram, olharam preocupados uns para os outros, e aguardaram a notícia.

"Eu estive orando ontem. Vi todo o patrimônio que conquistei nos últimos dez anos. Não mereço nem um por cento de tantas bênçãos do Senhor. E agora, com vergonha, tenho que confessar: eu fiz Deus me dever... Sim, irmãos, enquanto orava agradecendo as bênçãos, ouvi claramente a voz do Senhor, dizendo: "ABENÇOEI-TE TANTO QUE ATÉ TE DEVO".

"Mariano chorava. E continuou:

"Deus não me deve nada, irmãos! Eu sou devedor a Ele! Tudo o que eu tenho é dEle! Tudo o que eu sou devo a Ele! Quem sou eu para cobrar juros do Senhor? E mais: esse dinheiro não irá me fazer falta. Por favor, risquem de seus planos pagar o valor para mim. A igreja é de Deus, e Deus não me deve nada! Eu estou doando os bancos. E não precisam me agradecer; sou apenas mordomo do que Deus me concedeu."

"Não é preciso dizer que choraram muito. Não é preciso dizer que o pastor orou em prantos. Celebraram um culto no final do mês, agradecendo pela belíssima mobília. Estes são os bancos do Mariano, irmão. Ele quis celebrar essa experiência, e colocou as plaquinhas, para que nunca ninguém se esquecesse: Deus não nos deve nada..."

Saí emocionado daquele templo evangélico. Imaginei cada cena, cada detalhe. E pude escutar o eco da Palavra de Deus em meu coração:

Que darei eu ao Senhor, por todos os benefícios que me tem feito? (Sl 116:12)

Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes. (Sl 126:2)

Menor sou eu que todas as beneficências, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei em dois bandos. (Gn 32:10)
Porque, quem te faz diferente? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido? (1Co 4:7)

Que Deus nos ajude a compreender que ELE não nos deve nada; nós é que devemos tudo a Ele. E que sejamos fiéis, colocando tudo o que temos, somos ou fazemos em Suas mãos, sabendo que "Deus ama ao que entrega com alegria" (2 Coríntios 9.7)

Wagner Antonio de Araújo
22 de março de 2012
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Novo Horizonte
Carapicuíba - São Paulo - Brasil
www.uniaonet.com/bnovas.htm
bnovas@uol.com.br


Obs: ESTE CONTO É BASEADO EM UM ACONTECIMENTO VERDADEIRO.

memórias literárias - 80 - ELZIRA BONFANTE - UM ANO LONGE DELA


80 - ELZIRA BONFANTE - UM ANO LONGE DELA...
Terminando por hoje as lembranças literárias, publico o texto que escrevi quando completei um ano sem a presença de minha mãe querida.
Foi em dezembro de 2006
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ELZIRA BONFANTE
a minha mãe!
- um ano longe dela...

Não é um dia como outro qualquer. É um dia nublado. Um vento de outono sopra nesse início de verão, distoando das cantigas natalinas que se ouve pelos ares. "Noite Feliz", "Pequena Vila de Belém", "Nasce Jesus". Parece que tudo está em preto e branco, com baixa definição. As melodias não encantam, o Natal não sensibiliza, nossa árvore continua encaixotada.

Poderia ser qualquer dia: 8 de novembro, 4 de dezembro, 15 de outubro, não importa. Mas 6 de dezembro corta como faca de dois gumes, penetra como um punhal, sangra como uma ferida aberta, arde como pimenta nos olhos, entristece como um canto de lamentação.

Lamentação: isso! É assim que poderia chamar esse dia. Um lamento ao nascer do luar!

Foi em 06 de dezembro do ano passado, 2005, às 18 horas da tarde, que Daniel e eu rumávamos para casa, após a última visita na UTC do Hospital São Joaquim, Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Deus tocara em meu coração, para que não fosse embora até que essa visita acontecesse, fora de hora. Ao entrar, vi aquela que me trouxe ao mundo, agonizando. Canos e canos no nariz, tubos na boca, lábios já arroxeados, respiração artificial vagarosa, barriga inchada, e o médico a dizer: "só estamos aguardando..."

Sim. Quando recebemos o telefonema, dizendo para voltarmos - estávamos no trânsito da Avenida Paulista -, sabíamos que mamãe partira. E, nesse instante, a dor consumiu todo o resto de esperança, esperança teimosa, que se negava a aceitar a realidade. Ela partira. Ela se fora. E nós ficáramos. Mas queríamos ter ido com ela, para nunca nos separarmos!

Ela era o elo de ligação da família, na ausência de minha avó Sílvia. Quando a vovó faleceu, a família dispersou-se, mas mamãe conseguia unir suas irmãs através dos telefonemas diários ou semanais, que fazia. Algumas ela acordava diariamente, cantando uma musiquinha da TV Tupi dos anos 60. Outras, atualizava as notícias sobre as primas, as tias, o mundo, o evangelho. E assim a família era unida, por uma central de comunicação e ânimo, chamada Elzira Bonfante. Meu Deus, que falta ela faz!

Não era apenas com suas irmãs que mamãe mantinha o ânimo, o vigor, o amor, a união. Também com os irmãos em Cristo. Ela era conhecida como "a vovó da igreja", e "o despertador". O pastor, irmãos e irmãs, muitas vezes, pediam para minha mãe despertá-los, pois confiavam mais num telefonema dela que nos seus próprios relógios! Além do mais, com a voz e o amor da minha mãe, o dia era muito, mas muito mais suave e agradável. O meu irmão Daniel era todos os dias acordado por ela, estivesse no Acre ou no Rio Grande do Sul.

Tudo isso eu vejo no ar, no céu tristonho e melancólico, na brisa de inverno neste início de verão. Hoje faz um ano. Um ano que ela partiu.

A questão não é "há vida após a morte", mas "há vida após a morte de quem se ama?" É possível continuar a vida sem ela?

Por um lado sim. Nosso fundamento e base é Cristo. E minha mãe, durante 24 anos, foi uma das crentes mais fiéis de que tenho notícia. E eu conheço muita gente, muitos lugares e alguns países! Minha mãe era uma mulher de oração. Ela orava mesmo! Ela falava com Deus. Ela ouvia dia e noite a MELODIA FM. Fiquei triste porque a ouvinte mais fiel não recebeu uma única homenagem. Os produtos fantasiosos oferecidos pelos patrocinadores, mamãe comprava todos, para ajudá-los e ajudar a si, pois acreditava que pó de tubarão ou de raízes fosse afinar o seu sangue. Que tristeza quando um desses vendedores ligou para cá, pedindo para falar com ela, e, quando dissemos que ela havia morrido, a moça falou: "ah, ainda bem que você me disse, senão eu iria ficar com um nome à toa no meu cadastro. Até logo".

Mamãe era confidente do pastor. Era a mãezona, a pastora dos pastores. Seus conselhos, seus ouvidos, suas recepções, tudo isso era de um poder fabuloso na vida dos obreiros e da sua igreja. Se alguma dúvida houvesse quanto à conversão e consagração de minha mãe, então nenhum dos crentes que conheço, incluindo-me a mim, teria qualquer segurança em sua fé, pois ela era um exemplo. Mas, bendito seja Deus, não só temos segurança de sua salvação, quanto de que sua morada com Cristo é especial! Aleluia!

Não tivemos Natal no ano passado. Não costumo ser hipócrita e fazer coisas para os outros verem. Gosto de ser eu mesmo e assumir minha humanidade. Chorei, berrei, fiquei perplexo, fiquei emburrado. E agora, que mais um Natal vai chegar? O que minha mãe faria se estivesse em meu lugar?

Primeiramente, ela ficaria alegre, nem que fosse da boca para fora, só para não estragar o nosso Natal, e ainda nos incentivar a superar a dor e a crise. Minha mãe era uma consoladora, ela nos erguia e nos fazia recobrar o ânimo. Não houve um dia em que eu chegasse triste da Boas Novas, que ela não tivesse um estímulo, uma palavra de ânimo, acabando com a minha tristeza e depressão. Então minha mãe ficaria alegre.

Em segundo lugar, ela continuaria falando com as tias e com os irmãos, correndo atrás da normalidade. Que mulher forte, meu Deus! Superamos a morte do meu pai, porque ela estava conosco. E agora, Senhor? Quem fará isso por nós?

Ela arrumaria a árvore, celebraria com grande alegria, ficaria feliz com pouca coisa e faria do Natal um momento único, maravilhoso, inesquecível! Ela nos faria compreender a vontade de Deus, nos faria agradecer pelos acontecimentos e nos mostraria o lado bom de tudo. Deus, como sobreviver sem ela? Imagino  como amavas e amas tua mãe, Jesus! Mãe é tesouro incomensurável, é pérola, é rocha, é gargantilha de ouro, é diamante num anel, é Ferrari na garagem, é um rim novo para o hemofílico! Mãe é a coisa mais bela e maravilhosa na criação divina!

Ela nos alegraria, mesmo que sofresse sozinha, sentindo a falta de sua mamãe Sílvia e de seu papai Leandro, ou de meu pai Antonio. Certamente choraria pela falta que sua irmã Isaura lhe fazia, dor que lhe consumiu tanto, ou pela impossibilidade de desfrutar dos telefonemas contínuos com sua irmã Jovelina, impedida pelas interpéries da vida. Ela sofreria aos pés do Salvador. Quantas vezes não escutei seu choro, enquanto orava! Ela só quis o nosso bem, e nunca, nunca reclamou de nada! Essa mulher não sentia dor? Essa mulher não sofria? Às vezes, quando ia dormir tarde, passava junto à porta de seu quarto e a escutava chorar. "O que foi, mamãe?" "Nada, só um resfriado". Pela manhã, quando ligava seu rádio, apoiava-se no andador, sentadinha, e fazia a oração das seis, ouvia a ilustração do dia, adormecia orando, acordava, e estava ganho o dia!

Não sou tão forte como ela. Nem eu, nem a Milú, nem o Daniel. Ela se foi, e hoje faz um ano. Do seu quarto não se ouvem mais as ilustrações da rádio. Seu telefone não fez mais ligações. Seu aparelho de som está quieto, não toca mais. Seu rádio-relógio, que ela tantas vezes deixou cair pela fragilidade das mãos, não desperta mais. Tudo está quieto, arrumado, como num ato de respeito e memória àquela que deu vida a este lar, que fez de dois filhos homens honrados, que trouxe luz e esperança para tanta gente!

Eu dedico o dia de hoje à memória de minha saudosa mãe. Minha, do Daniel e da Milú. Somos hoje a família que restou. Papai subiu em 1991, mamãe em 2005. Eu queria subir também, subir logo, ir ao encontro de Cristo, e, por misericórdia e graça, encontrar minha mãe! Mas há tempo para tudo, e somos imortais enquanto não cumprirmos a missão confiada pelo Criador nas mãos de cada um de nós. Por isso eu não sei quando irei. Mas sei que irei feliz, contente, cheio de esperança, cheio de saudade, cheio de felicidade! Aceito como vontade de Deus cuidar do meu irmãozinho querido, que precisa de mim. Também de pastorear o rebanho que não é meu, mas de Cristo. Quantas Elziras eu não sepultarei, e quantos Wagners, Daniéis e Milús, eu não terei que consolar ainda? Mas a dor é didática, a dor é uma escola. Sei o que meu povo sente.

Acho que continuar a caminhada, pregar o Evangelho, consolar os entristecidos, levantar os caídos, orar pelos enfermos, anunciar o Reino e fazer aos que estão à nossa volta, que a vida seja mais feliz, é o que nós temos que fazer. E o meu irmão continuará a servir a Jesus com todo o amor e entusiasmo, e continuar a ser, e sempre mais, um empresário de renomado sucesso e prosperidade. Não meramente por ele, mas por Cristo, pela Milú e eu, e pela nossa saudosa e eternamente presente mamãe Elzira.


Celebrarei o Natal.

Celebrarei o Ano Novo.

Celebrarei a vida, a salvação, a graça, a fé, a eternidade.

É o que minha mãe desejaria, é o que ela fez ano após ano, sorrindo e fazendo sorrir, alegrando e fazendo alegrar, dando amor e cultivando o amor.

Pouco me importa não ter bens materiais, casas, dinheiro. Eu tenho os três maiores valores: tenho Cristo, meu Salvador, tenho um irmão e uma irmã maravilhosos, e tenho Elzira Bonfante no sangue, mente e coração!

No que depender de nós, a família, NUNCA DEIXAREMOS O NOME DE NOSSA MÃE JAZER NO ESQUECIMENTO. Ela é uma daquelas, das quais o mundo nunca foi digno. Uma heroína na fé.


EU HOMENAGEIO
ELZIRA BONFANTE!
A bênção,
mãe querida!


Pr. Wagner Antonio de Araújo - bnovas@uol.com.br
Daniel Paulino de Araujo - daniel@nss.com.br
Emiliana (Milu) Pereira Cruz - danviv@uol.com.br
http://www.uniaonet.com/bnovamaelzira.htm

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