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quinta-feira, 2 de maio de 2013

memórias literárias - 75 - DE VOLTA À SALA


75 - DE VOLTA À SALA
October  11   2006
DE VOLTA À SALA


Filho meu, ouve a instrução de teu pai, e não deixes o ensinamento de tua mãe. (Pv 1:8)



Imaginemos como era uma família, às oito da noite, no início dos anos vinte. A mãe tecia ou bordava na sala, ou então preparava quitutes no fogão à lenha. O pai, com um livro à mão, desfrutava de uma leitura, ou, tomando o violão, cantava mil toadas,  com seus filhos atentos, encantados. Quando a noite era quente, saíam para a varanda, ou para a calçada, sentando-se no banco ou nas escadas da varanda. As crianças brincavam de bicicleta, patinete, bolas de gude ou tômbula, enquanto as meninas divertiam-se com suas bonecas ou brincadeiras de roda. Os compadres e comadres, os vizinhos, reuniam-se para cantar ou contar “causos”, e assim a família vivia em paz. As notícias vinham dos jornais, pois não havia rádio nem tv. Geralmente uma moça sabia tocar piano, e não era raro trazer-se para casa “a última canção de Zequinha de Abreu”. Nove horas, era hora da criançada ir para a cama. E às dez os adultos também iam dormir. O dia começava cedo, mas esses momentos em família nunca eram esquecidos.


Hoje, uma família, século vinte e um. O garoto está no playstation, jogando o último "game"  da Nintendo. Nos ouvidos, um fone para ouvir seu MP3. A garota, com o celular e a câmera ligados, ouvindo as últimas fofocas e descobrindo a última moda das “patricinhas” ou "hit" do RDB. A esposa ainda não chegou do trabalho; ela ainda passaria na creche, para pegar o bebê. O marido tomou seu banho e foi para a sala assistir ao jogo do seu time, na TV à cabo. Talvez à meia-noite todos estejam em casa, mas só se comunicarão via “geladeira”, nos múltiplos recados deixados embaixo dos ímãs sobre a porta. “A comida está no microondas”, “amanhã tenho prova, vou chegar tarde”, “a conta de luz aumentou, precisamos dar um jeito”, “vou levar o bebê para a vacina amanhã”, "você trocou de celular?", etc.

Os meios de comunicação instantâneos transformaram a sociedade. Hoje nos comunicamos mais com quem está fora, do que com quem mora conosco. Somos mais íntimos do ator da novela das oito que de nosso pai, esposa ou filhos. Conhecemos melhor as preferências do dono da Microsoft do que o caráter e o temperamento do próprio filho. Acredito que muitos de nós são grandes estranhos, morando na mesma casa, mesmo tendo o mesmo sangue nas veias.

Precisamos voltar à sala. Famílias cristãs devem se reencontrar junto de si. Acredito que está na hora de desligarmos um pouco a TV e outras parafernalhas eletrônicas, e retomarmos nosso contato com a família, no horário nobre. Aliás, a maior nobreza de um horário é que ele é nosso, da família. Precisamos resgatá-lo. Precisamos nos ouvir, nos falar, precisamos voltar a ser pais, a ser mães, a nos sentirmos filhos, a sermos aconselhados, a recebermos limites, amor e atenção. Precisamos voltar a cantar e a tocar sem um cd ou um mp3. Precisamos rir e chorar, dar e pedir, exortar e admoestar, em família. Precisamos voltar à sala do século passado. Nossa família ficou por lá, e  seu resgate é fundamental. Se resgatarmos a família, resgataremos o nosso futuro, o nosso país e o nosso mundo.

Então voltaremos a ouvir a nossa mãe, ouvir o nosso pai, conviver com nossos irmãos, decidir a vida em família, e teremos Deus do nosso lado. Foi Ele quem idealizou a família, e até hoje não decidiu dissolvê-la. Resgatemos essa bênção!

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
www.uniaonet.com/bnovas.htm
bnovas@uol.com.br 

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