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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

memórias literárias - 292 - UM AMOR DE VERDADE

Um Amor
de Verdade



Dificilmente alguém que ignore a natureza das pedras dará algum valor a uma pepita de diamantes. Ela está coberta de rochas feias e acinzentadas, parecendo uma ostra e não uma pedra preciosa. Mas o trabalho do lapidador experiente é, primeiramente, descobrir se é ou não um diamante e, em achando um, trabalhá-lo lenta, contínua e profundamente. Não é um trabalho fácil, mas com o tempo o diamante vai surgindo daquela brita feia e quebrada. Quanto mais trabalha tanto maior é a qualidade da pedra. Até que, então, esgotados os cuidados e esmeros, possui em suas mãos uma pedra de extraordinário valor.

A pedra é o amor e o lapidador é o tempo. O tempo se encarrega de separar o que é amor e o que é mera paixão carnal. As paixões não duram muito tempo; são pequenas pedrinhas brilhantes e frágeis, que não suportam as ferramentas das contrariedades, das decepções, do envelhecimento, das doenças ou feiúras. As paixões são perfeccionistas. Elas têm a capacidade de serem mais quentes que o amor, em labaredas imensas e de fogo intenso; porém são de pouquíssima duração e tudo o que resta ao final de seu fogo são cinzas e carvão apagado. O amor, pelo contrário, é chama que não se apaga. O amor é como o fogo de tora: colocado no forno à lenha, é capaz de queimar a noite inteira, num fogo contínuo e valioso, diferente da palha, cujo fogo é imenso, mas dura minutos apenas.

A pedra do amor, trabalhada pelo tempo, desvenda diamantes. Um casal que se ama e que buscou sua união na vontade de Deus encontra nEle a sua plena realização. E por realizar-se em Deus possui em si o remédio para todas as feridas, a cura para todas as tristezas e contrariedades. O amor “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta”. Uma paixão sucumbe aos primeiros sinais de humanidade (elas consideram que o objeto do amor é divino, não humano!). O amor, ao contrário, quanto mais humanidade encontrar no objeto de seu amor mais desejo de compartilhá-la tem, uma vez que não tem vergonha de ser quem é, de sentir o que sente, de pedir perdão, de lavar o rosto e de seguir em frente.

Certamente que há 25 anos atrás Fátima e Pr. Neilson não sonhavam com outra coisa senão com uma união que resistisse ao tempo e ainda mantivesse sua beleza intensa e fervor contínuo. Bem, os 25 anos se passaram. E o que temos hoje? Um casal temente a Deus, que viveu lado a lado um do outro, unindo lágrimas e riso, alegrias e tristezas, felicidades e dramas, farturas e escassez. Foram tantas e tão múltiplas as experiências, que estarem unidos pura e simplesmente pela força do compromisso já denota que o amor intenso foi lapidado pelo tempo. Antes se amava “ainda” que o outro não fosse o que se desejava; hoje se ama “certo” de que o outro não é aquilo com o que se sonhava. Sonhos e realidades, na maioria das vezes, são distintos. 25 anos não celebram sonhos; celebram realidades.

E que realidades são essas? Quantas poderiam ser contabilizadas num momento de gratidão como este! A concepção, criação e amadurecimento dos filhos; a alegria de ter superado dia  após dia os conflitos que surgiam; o pão, a água, o teto e o trabalho, que nunca lhes faltou, ainda que com dificuldade o conquistassem na luta e nos desafios! Ver seus filhos crescerem e ainda assim manterem-se unidos, foi em si um prêmio mais importante que barras de ouro! Geralmente ouro é mais valioso que gente aos olhos dos apaixonados; mas ouro não faz companhia, não enxuga lágrimas nem compra amor. Ter filhos é mais precioso do que ter ouro; filhos são o selo e a continuidade da vida. Filhos que são frutos de um casal que se ama são bênçãos para a eternidade. Que bom contempla-los e poder dizer: Deus foi bom!

25 anos de prata, uma caminhada longa e duradoura; não sem ameaças. Quantas ousaram contra a estabilidade do casal! Dias amargos, horas difíceis, sentimentos duplos, interpéries financeiras, quantas crises! Mas em tudo o Senhor lhes protegeu e lhes concedeu um escape, uma saída, uma construtiva e inteligente alternativa. Quem só tem paixão não vê solução nos problemas. Quem ama aprende a resolvê-los um após outro, com paciência e com dedicação.

Quem acha uma boa esposa acha o favor do Senhor. Uma esposa amorosa e afetiva, uma esposa fiel e digna, uma esposa trabalhadora e honrada, uma mulher virtuosa, isso tudo compõe a Fátima, pepita de ouro e diamante brilhante nas mãos do Senhor, confiada ao Pr. Neilson como companheira para toda a vida. Mas encontrar um marido digno e fiel, trabalhador e honrado, sério e comprometido com Deus, com a justiça e com o próximo, que ame seu lar como ama a si próprio e que tenha em seu coração todos os elementos que o transformem num homem completo também é um privilégio,  e Fátima encontrou esse homem no Pr. Neilson.

Hoje agradecem pelos 25 anos. Talvez prenúncio de outros 25 de grande felicidade, no contínuo trabalhar do lapidador do amor. Em cada dia um brilho a mais. Talvez prenúncio da volta do Senhor ou da ida ao Reino Celeste, o que também será de grande regozijo, porque para o casal o viver é Cristo e o morrer é lucro. Quem vive com Cristo não teme partir para a glória. Mas em tudo a gratidão por nunca estarem sozinhos: Deus esteve com vocês.

Sim. Foi Deus quem fez o outro. Foi Deus quem fez o amor. Foi Deus quem deu a mão quando mais precisaram. Foi Deus quem enxugou as lágrimas, aplicou remédio, fez companhia, deu o pão, concedeu o teto, fortaleceu a fé, mostrou o rumo, blindou a emoção, amoleceu o coração. Foi Deus quem esteve a cada dia levando-os pelas mãos e, não raras vezes, carregando-os no colo. Ele não os abandonou um minuto sequer. E a presença reconhecida de Deus trouxe-os nesta noite para dizer a Ele, na presença dos seus amados um “muito obrigado” do fundo do coração.

Porisso juntos, irmanados nessa gratidão, rendemos hoje graças a Deus e celebramos com vocês seus 25 anos de união, pedindo ao Pai celeste outro tanto desses, para que desfrutem do fruto de seu intenso trabalho, da criação sábia dos filhos, da edificação cuidadosa do lar, e que sirvam de exemplo e de inspiração para casais jovens que iniciam sua caminhada de união e companheirismo. E que não temam o lapidador, que dia após dia tirará as arestas e provocará um brilho sempre maior desta jóia chamada AMOR, mais preciosa do que a própria vida.

Parabéns, Pr. Neilson e Fátima!

Wagner Antonio de Araújo
12 de setembro de 2009

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