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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

memórias literárias - 293 - PRONTO PARA VIVER! E PARA MORRER? ...

PRONTO PARA VIVER!
 
E PARA MORRER? ...
 
 
Um lindo bebê! Uma linda criança! Quem não gosta de ver uma bem saudável, bonita, alegre, cheia de vida? Crianças brincam, comem, correm, se cansam, brigam, choram, sorriem, fazem travessuras etc. Já fomos crianças um dia e a tendência da vida é viver! Crianças querem viver! Crianças querem crescer, caminhar, passear, conhecer o mundo, realizar aventuras, crianças têm a fantasia na cabeça e o mundo aos seus pés!
 
Mas crianças morrem.
 
Um jovem, e que jovem atraente! Uma garota, linda e faceira, cheia de cor e de brilho! Os jovens são a certeza de que o ser humano tem força e futuro. Repousa nas mãos deles a responsabilidade de carregar a história e a esperança no próprio coração. Eles "fazem a hora e não esperam acontecer". Planejam os estudos, a profissão, o trabalho, o casamento, a aparência, os planos para a maturidade, tudo! Os jovens fazem o mundo crescer! Os jovens são a Vida!
 
Mas os jovens morrem também.
 
Um adulto, um rapaz, pai de família, uma mulher, mãe e profissional liberal, ou dona-de-casa e responsável pela criação das crianças. Que lindo é um casal jovem! Ternos e cuidadosos, buscam o romance nas pétalas das rosas e no perfume dos jardins. Procuram uma casa, os móveis, planejam as férias, preparam as festas, recebem amigos, fazem esforços para comprar casa e carro, buscam escolas para seus filhos, pagam convênios médicos, inscrevem-se em clubes de lazer e visitam os shopings das grandes cidades. O rapaz compra um grande carro e a mulher monta sua oficina de pintura. Abrem seus consultorios, seus negócios particulares, Planejam o futuro com ares de quem não pensa só no presente, mas prepara o amanhã. E o amanhã vem rápido e certeiro, feito enxurrada e estouro de represa. Adutos são vivos, adultos são belos, adultos são gente que faz!
 
Mas adultos morrem.
 
Um idoso bem vivido, aposentado, filhos e netos bem encaminhados, uma boa aposentadoria, saúde bem controlada, é o sonho de todos nós. Chegar à idade da maturidade e do envelhecimento em boas condições é tudo o que cada um de nós deseja. E desejamos não chegar lá sozinhos; queremos fazer-nos acompanhar de um conjuge ou, na falta deste, de uma família ou de amigos. Queremos viver, passear, fazer turismo, desfrutar de tudo o que não pudemos enquanto trabalhávamos para esse futuro. Ser idoso saudável é uma bênção.
 
Mas idosos morrem.
 
Citei todas essas coisas básicas da vida humana. Mas quero também me lembrar de algo específico aos cristãos.
 
Pastores também morrem. Esposas de pastor falecem também. Crianças, jovens, adultos e idosos cristãos morrem. E a morte, essa indesejada companhia, de quando em quando visita as nossas igrejas, ora levando uma pessoa mais velha, ora levando outra mais jovem. E se vai na promessa de visitar-nos novamente, sem anunciar a data específica.
 
Será que estamos prontos para morrer? Sim, talvez seja mais ´facil quando a idade chega e quando as pernas já não ajudam, quando as doenças degenerativas tomam conta de nossos ossos e órgãos internos, quando não aguentamos mais o peso do próprio corpo, quando dormimos pouco, escutamos pouco, enxergamos pouco. É costume morrer quando se está bem idoso e frágil.
 
Mas, e quando a morte nos visita ANTES da hora que planejamos para ela? E quando não podemos correr dela? Quando um acidente nos deixa em coma e nos extrai o resto de tempo que tínhamos? Ou quando um câncer degenerativo destrói nossas imunidades e nos consome a saúde? Ou quando o nosso sangue se contamina, quando o nosso cérebro se enche de coágulos, quando a nossa pressão oscila e nos derruba? Estaríamos prontos para morrer?
 
Pode ser que isso aconteça quando ainda somos só adultos, não idosos. Ou quando somos jovens, cheios de futuro, e o futuro nos manda o aviso de que baterá asas e voará, deixando-nos num vácuo. Ou quando somos crianças, com tantos sonhos que nunca se realizarão.  Pode ser um jovem estudante, ou uma mãe bem moça, ou um pai forte e saudável, ou um bebê recém-nascido.
 
Tudo isso é teórico, até o dia em que a morte bate à porta DE NOSSA PRÓPRIA VIDA...
 
Se ela vir nos tragar, seja rápida ou vagarosamente, estaríamos prontos para recebê-la?
 
Por causa da morte já vi muitos irmãos perderem a fé. E por causa dela também já vi muitos incrédulos tornarem-se crentes. É algo inimaginável enfrentar a realidade da morte para si mesmo, morte avisada, morte precoce, morte ceifadora. É como se estivéssemos presos numa caixa e tentássemos sair de todas as formas, mas quanto mais tentássemos mais presos ficássemos. Não há alternativa, não há remédio. Morreremos sem dó nem piedade. É chegada a hora e a vez, não conforme havíamos planejado, mas conforme o Senhor planejou. E por mais difícil que seja, Ele sabe a hora certa; e a hora dEle nunca é a nossa. Sempre queremos mais, e o Senhor já tem os nossos dias contados. Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia. (Sl 139:16)
 
O preparo para a morte é, ao mesmo tempo, estático e dinâmico.
 
É estático no sentido de que podemos ter a garantia da vida eterna após a morte se crermos em Cristo como Senhor e Salvador. Ele promete: Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida. (Jo 5:24). A salvação é um fato histórico na vida de cada cristão. Acontece num momento, momento especial que sela e garante a vida eterna: A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. (Rm 10:9).
 
Mas também a preparação é um fato empírico, uma experiência que deve ser vivida dia após dia. Nenhum de nós quer morrer. Mesmo o moribundo, que padece com sofreguidão, na maioria dos casos luta para viver. Nós tendemos para a vida, não para a morte. Contudo, quando cristãos, temos a consciência de que ela virá temporariamente sobre nós, pois um dia será vencida na prática (no Calvário Cristo venceu-a e em breve desfrutaremos da ressurreição); mas precisamos estar prontos para ela. Prontos psicologicamente, prontos espiritualmente e prontos praticamente.
 
Preparar-se é dobrar os joelhos e dizer a Deus que não gostamos da idéia de morrer, mas confiamos o nosso futuro nas mãos dEle. Na cruz Jesus disse: ...Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito. E, havendo dito isto, expirou. (Lc 23:46). Não precisamos viver sob o terror da iminência da morte, mas podemos pedir ao Pai para trazer paz ao nosso coração, quer vivamos ou quer morramos. O crente vive em paz, e quando psicologicamente ele temer ou sentir-se incomodado, poderá suplicar pela paz e aquietar o seu coração: Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança (Sl 4:8)
 
Preparar-se é estar com o nosso espírito pronto. Jesus disse que há discrepância entre a carne e o espírito: Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. (Mt 26:41). Precisamos diariamente buscar a face do Pai, adorá-lo, impor a comunhão com Ele à nossa alma, para que desfrutemos sempre de um coração limpo, puro, livre, sintonizado com o Senhor. Foram de Paulo estas memoráveis palavras: Porque eu estou pronto não só a ser ligado, mas ainda a morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus. (At 21:13) Poderíamos dizer isso DE VERDADE? Sei que a maioria de nós, muitas vezes, não pode dizer isso com inteira disposição. Mas podemos buscar ao Senhor e nos fortalecer. Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me. (2Tm 4:17). Se fizemos a nossa confissão de conversão ao Senhor o nosso psicológico pode sentir-se mal, mas o nosso espírito desfruta de paz, a paz de Deus.
 
Preparar-se, por último, é praticar a fé hoje. É viver o dia de hoje como se Cristo voltasse amanhã. É ser o melhor crente que puder. É servir ao invés de ser servido. É orar ao invés de criticar. É perdoar ao invés de se magoar. É construir ao invés de destruir. É ver o que é bom, ao invés de deter-se no que é ruim. É fazer ao invés de falar. É evangelizar, ao invés de esperar um anjo do céu empurrar-nos ao pecador. É ter responsabilidade em cumprir a Palavra e não apenas ouvi-la. Os cristãos responsáveis não deixam para amanhã o serviço ao Senhor que devem fazer hoje. É ser o melhor cristão que possa ser, se soubesse que a morte viesse no dia seguinte.  É gozar uma paz que não depende da ausência de guerra, mas da segurança interior de um coração salvo: E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. (Fp 4:7)
 
Amar ao Senhor não se resume a cantar ou praticar rituais para Deus, mas sim em obedecer à Sua Palavra. OBEDECER é melhor que SACRIFICAR. Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor. (Jo 15:10)
 
ESTAMOS PRONTOS PARA VIVER. ALELUIA!
 
E PARA MORRER, ESTAMOS PRONTOS?
 
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP

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