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sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

memórias literárias - 309 - CORAGEM PARA TESTEMUNHAR A SUA FÉ

CORAGEM PARA TESTEMUNHAR A SUA FE

 
 

 
Conquanto esta aula apresente o ponto de vista batista (o autor é convictamente um  batista), certamente haverá coisas importantes para quaisquer irmãos em Cristo, desejosos de proclamar corajosamente o Evangelho. (N.A.)

CORAGEM
PARA
TESTEMUNHAR
A
SUA
309
         
 
Mateus 28.18-20
 
(UMA AULA PARA A ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL)


Leituras bíblicas na semana

Segunda-feira:               Lucas 10.1-12
Terça-feira:                  Lucas 10.13-20
Quarta-feira:                       Atos 1.6-11
Quinta-feira:                    Atos 11.19-26
Sexta-feira:             Romanos 10.11-15
Sábado:                      2 Timóteo 1.1-5
Domingo:                   Mateus 28.18-20

INTRODUÇÃO
 
Quando eu ainda era adolescente, aconteceu um fato muito interessante. Havia poucos dias em que eu me convertera a Cristo, e o interesse em saber quem eram os colegas crentes na escola era muito grande. Numa noite, na fila da lanchonete, um dos meus colegas, famoso por ser da “turma do fundão”, dos “bagunceiros”, chamou-me de lado e disse ao meu ouvido: “-Não conte para ninguém, mas eu sou um crente batista.”

Jesus não chamou ninguém para ser seu “agente secreto”. Para Ele, os Seus seguidores deveriam proclamar explicitamente a sua fé, a sua confiança em Seu Nome.

Muitos têm perdido a própria vida por causa do Nome de Jesus. Na verdade não perderam realmente nada, pois Jesus afirmou: ‘Quem perder a sua vida, por amor de mim, achá-la-á”. ( Mateus 10.39). Outros têm sofrido pressões, perdido promoções profissionais, enfim, o mundo tem feito de tudo para desanimar os seguidores de Jesus Cristo. Mas não importa. A promessa de Jesus é real e verdadeira: “Eis que estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). Aleluia!
 
 
O CONTEXTO
 
Jesus havia sido crucificado em favor de nós como o “Cordeiro de Deus”, pagando Ele mesmo o preço pelos pecados da raça humana. Tínhamos uma dívida incalculável para com Deus, algo que jamais poderia ser pago. “O salário do pecado é a morte” (Romanos 3.23). Somente Jesus poderia dar a vida e obtê-la de volta. Somente Ele poderia morrer sem merecer. E assim foi. Com Sua morte Ele pagou a nossa dívida. Ao terceiro dia saiu da sepultura, ressurreto, vivo e transformado, para nunca mais morrer. Durante 40 dias apareceu aos seus apóstolos, ora particularmente para alguns, ora à todos eles; ora apenas falando, ora comendo com eles. No entanto, era chegada a hora de subir aos Céus e sentar-se à direita de Deus Pai Todo-Poderoso, para retornar no final dos tempos em juízo. Seus discípulos deveriam ficar e cumprir Sua ordem, a qual costumamos intitular de "A GRANDE COMISSÃO".
 
Eles deveriam ir à todas as nações, isto é, a todos os povos, raças, tribos e reinos da Terra. Estamos em 1996 (ano em que escrevi esta lição), e ainda há muitos povos não alcançados (hoje, 1997, após um ano, ouço falar sobre o descobrimento de novas tribos selvagens no grande Amazonas, tribos ferozes e desconhecidas, talvez até canibais!). Jesus disse que deveríamos ir e realizar uma grande Obra, composta de 3 importantíssimas tarefas. À luz de Mateus 28.18-20, vejamos quais são elas:
 
I - TESTEMUNHAR A FÉ É PREGAR O EVANGELHO
 

Jesus disse: “Pregai o Evangelho a toda criatura”. Pregar é anunciar, proclamar, divulgar.
 
Jesus mandou que pregássemos a Sua Palavra. Enquanto escrevo (estou em Orlando, EUA), contemplo pessoas na piscina lá embaixo. No outro lado da rua há 2 torres de ferro, com cabos de aço, onde os jovens pagam 10 dólares para serem jogados lá de cima, numa queda de 30 metros, vivendo a sensação de “pêndulo de relógio”, de um lado para o outro. No entanto, ao abrir a gaveta do criado-mudo do hotel, encontro uma Bíblia dos Gideões (missão internacional de divulgação da Palavra de Deus, através de Homens de Negócio). Os 10 dólares gastos lá fora para sentir-se  pêndulo por 3 minutos, foram investidos por outros na confecção de 10 bíblias para hotel, antecipando, assim, o pêndulo do relógio de Deus para a volta do Senhor Jesus Cristo. Também tenho conhecimento de um outro fato: os irmãos de High Point, na Carolina do Norte, estão se preparando fervorosamente para a campanha evangelística de Billy Graham em setembro de 1996. Ele irá ao estádio pregar o evangelho. Mas, afinal, o que é “pregar” o evangelho ?

Pregar o evangelho é falar a todos os homens e mulheres 9 verdades fundamentais:
1. Deus nos criou para Sua glória;
2. O homem pecou contra Deus, desobedecendo-O, entristecendo-O;
3. O salário (pagamento, fruto) do pecado é a morte;
4. Morte é inferno, é separação eterna entre Deus e o homem;
5. Deus nos amou e nos ama infinitamente, não desejando que venhamos a perecer
6. Jesus Cristo veio ao mundo para nos salvar (libertar do pecado e nos fazer totalmente dedicados a Deus, transformando o nosso intelecto, a nossa vontade e as nossas emoções);
7. Para sermos salvos é necessário que nos arrependamos dos pecados e tenhamos fé no Nome de Jesus.
8. Aqueles que confessarem a Cristo como Salvador e Senhor serão salvos;
9. Qualquer pessoa pode ser salva agora, neste exato momento!

Não importa em que ordem se diga isso. O importante é conduzir as pessoas à fé em Cristo e, ao mesmo tempo, ao arrependimento dos pecados. Podemos divulgar essas boas notícias através de folhetos, músicas, peças teatrais, mímicas, livros, filmes, INTERNET, usando todo e qualquer recurso que os meios de comunicação nos proporcionem. É necessário, contudo, que se use de ordem e decência no pregar o evangelho, para que a liberdade não se transforme em libertinagem. Decência e ordem são primordiais (I Coríntios 14.40). É pena que os chamados “roqueiros” de Cristo desconheçam este texto das Escrituras, pois, juntamente com o Evangelho vem o abandono do pecado, dos paradigmas antigos, do mundanismo. Infelizmente alguns têm ensinado o povo a "acostumar-se com o pecado", não a abandoná-lo...

Você pode pregar o evangelho, aproveitando o tempo livre com os amigos, colegas de escola,  serviço, etc. Há donas de casa que levam folhetos à feira e ao mercado, distribuindo-os aos comerciantes. Há operários que aproveitam a hora do almoço para falarem do amor de Deus aos companheiros. Há chefes de família que presenteiam amigos e vizinhos com exemplares das Escrituras Sagradas. Outros dão literatura aos frentistas nos postos de combustível. Adolescentes presenteiam adesivos bíblicos, fazem festivais musicais em praças ou oram publicamente, agradecendo a refeição, nos lugares onde comem. Falar de Jesus: é disso que o Brasil precisa!
 
II - TESTEMUNHAR A FÉ É  SER BATIZADO
 

“Batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. É bom frisar que devemos batizar os discípulos, e não as nações, como consta na tradução revista e corrigida de João Ferreira de Almeida. Jesus mandou batizar os convertidos. “Batismo” significa “mergulho” na língua grega, e simboliza “sepultamento”. O texto de Romanos 6.3-5 deixa isso bem claro. Cristo morreu e foi sepultado. Nós também, ao entregarmos a vida para Ele, morremos para os velhos hábitos, velha mentalidade, velha vida, velhos pecados, sendo sepultados simbolicamente nas águas batismais. Cristo ressuscitou ao terceiro dia e nós, simbolicamente, ao levantarmos das águas, simbolizamos a ressurreição, a novidade de vida. É um símbolo maravilhoso, de algo que aconteceu conosco no instante de nossa conversão (João 3.1-20).
Precisamos batizar as pessoas! O batismo é um compromisso público com Cristo. Ninguém deve ter responsabilidades ou privilégios de servir ao Senhor na igreja, se negá-Lo, rejeitando o batismo. Excetuando-se casos de impossibilidade física, rejeitar o batismo é rejeitar a Jesus, pois foi Ele quem ordenou tal cerimônia. A ordem bíblica é: ACEITAR A PALAVRA - SER BATIZADO - PARTICIPAR DA IGREJA (Atos 2.38-42). Mudar a ordem dos fatores é ir contra a Bíblia! Às vezes acabamos por aceitar as pessoas em nossa comunidade, com  direitos de comunhão, quando, na verdade, a estamos prejudicando, pois fazemos com que pense estar tudo bem, que tudo já está feito. Mas faltou o batismo, ordenança de Cristo, que simboliza a conversão.  A porta para o céu é a conversão a Cristo, mas a porta de entrada para a igreja local é o batismo. Se para ser salvo é preciso ser convertido, para ser membro, gozar da comunhão do Corpo de Cristo é necessário “vestir a camisa”, submetendo-se à profissão de fé e público batismo.

Através do batismo nos tornamos membros da igreja. Passamos a participar ativamente do Reino de Deus na Terra. Passamos a ter direito em participar da Ceia do Senhor. Também podemos, a partir daí, participar da vida administrativa da igreja, nas públicas assembléias, votando, sendo votados e expressando opiniões.

III - TESTEMUNHAR A FÉ É FAZER DISCÍPULOS
 
“Fazei discípulos... ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado”. Gary Kruhne, em seu livro “Discipulado Dinâmico”, cita uma interessante ilustração. Faz-de-conta que alguém acabou de ganhar um bebê. Então, para comemorar, os seus pais deixam bastante comida congelada no freezer e partem para uma longa viagem, deixando-o sozinho. Você acha que o bebê saberá se cuidar? Você acha que ele sobreviverá? O que é necessário para que um bebê se desenvolva? Alimento, higiêne, conforto, segurança, atenção, etc. Ora, alguém que aceita a Cristo como Salvador também pode ser comparado a um bebê, uma criancinha, um recém-nascido em Cristo. Mas nós o tratamos como se já tivesse 10 anos de vida cristã, como se já fosse maduro. É como se déssemos a um bebê uma cumbuca de feijoada, uma panela de mocotó, uma bacalhoada! Ele morreria!

Existem recém-nascidos em Cristo. Você sabia? Veja o que diz a Palavra de Deus: “...Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite...” (I Pedro 2.2). Ele se refere aos novos convertidos. Precisam de leite, isto é, atenção, doutrinas elementares, exemplos para seguir. Precisam dos “rudimentos da fé”. São os caçulas na família de Deus.

Há três tipos de crentes: os “filhos”, os “jovens” e os “pais” (I João 1.12-14). O que vem a ser isso? DISCIPULADO! Sim, o método mais antigo e mais eficiente de tornar alguém amadurecido na fé cristã. Leia II Timóteo 2.2: “E o que de mim ouvistes entre muitas testemunhas, isto mesmo transmite a homens fiéis e idôneos, para também ensinarem a outros...”. Como isso funciona?

Primeiro você é “filho”. Será discipulado por alguém que já é maduro em Cristo. Estudará a Bíblia, imitará o seu exemplo e acatará seus conselhos bíblicos. Depois você se torna um “jovem”. Já está avançando no conhecimento da Palavra de Deus, na maturidade cristã, já produz frutos, já sabe e consegue andar sozinho. Já está pronto para "reproduzir-se" , isto é, fazer outros discípulos para Jesus.

Finalmente você se torna um “pai”. Já amadureceu, já tem alguém aprendendo a bíblia com você, que poderá seguir o seu exemplo e que desenvolverá o mesmo processo que desenvolveu desde quando era um “filho”.

Isto pode ocorrer como um processo natural ou como um projeto. Quando uma igreja é pequenina e com muitos novos convertidos, até que se alcance esse estágio, o trabalho tem que ser implícito nas atividades normais, pois, caso contrário, ocorre um “afogamento” dos novos crentes, um excesso de compromissos, uma militarização do Reino de Deus, o que não é útil nem edificante. Lembremo-nos que a Igreja é a família de Deus, não um campo de prisioneiros. Regras sim; métodos, sim; exageros, não!
 
CONCLUSÃO

Para esse tipo de cristianismo é preciso ter muita coragem. Estive pregando numa grande igreja, na cidade de Huntzville, no Alabama, EUA. O templo deveria comportar umas 1500 pessoas. O órgão eletrônico valia 35 mil dólares. Haviam tantas salas, pianos, geladeiras, equipamentos, que daria para sediar a prefeitura de Osasco, cidade paulista onde sirvo ao Senhor. No entanto, com 1200 membros, 300 a freqüentavam e, no ano passado (1995), houvera apenas 10 batismos...

Enquanto todos viviam suas vidas indiferentes e cheias de pecado, Noé fazia questão de ser diferente, de ter coragem para testemunhar sua fé no Deus Criador. Resultado: Somente ele e sua família foram salvos do Dilúvio. Ele não ligava para risos, chacotas, zombarias ou perseguições. Ele tinha coragem para testemunhar sua fé.

E você? Já possui essa coragem? Já assumiu todo o testemunho necessário? Prega o evangelho? Foi batizado? Está crescendo em sua vida cristã? Que Deus o ajude a ter essa coragem. Amém!

Pastor Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas, Osasco, SP.
Membro 1402 da OPBB-SSP
esta aula foi escrita em 1996, em Orlando, U.S.A.

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