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segunda-feira, 11 de abril de 2016

memórias literárias - 331 - CONSTRUÇÃO QUE PERDURA


 
CONSTRUÇÃO
QUE PERDURA
331

I Coríntios 3.12-15
 
E, se alguém sobre este fundamento levanta um edifício de ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha, a obra de cada um se manifestará; pois aquele dia a demonstrará, porque será reveldada no fogo, e o fogo provará qual seja a obra de cada um.
Se permanecer a obra que alguém sobre ele edificou, esse receberá galardão.
Se a obra de alguém se queimar, sofrerá ele prejuízo; mas o tal será salvo todavia como que pelo fogo.
 
O texto bíblico acima citado nos fala sobre construções e materiais. O apóstolo Paulo está apresentando a realidade da Igreja do Senhor Jesus Cristo: que Ele, o Senhor, é a pedra fundamental e que a doutrina dos apóstolos funciona como alicerce juntamente. E que fique claro que Paulo falava daqueles apóstolos, os originais, os únicos escolhidos por Cristo, nomeados, consagrados e enviados por Ele. Hoje não há mais apóstolos, ainda que queiram transformar a função especial e fundamental daqueles escolhidos em dons comuns da igreja contemporânea. Não nos consta que a Nova Jerusalém estivesse ampliando o número de fundamentos do seu muro com a série infindável de apóstolos modernos. Não, mil vezes não! Paulo reinvindica o apostolado dele e dos seus contemporâneos chamados, e ninguém mais!
 
Paulo diz que estão a construir a igreja de Cristo. Ele fala de 6 tipos de materiais utilizados: ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno, palha. E afirma que a obra de quem constrói sobre esse fundamento seria provada pelo fogo. Eu, particularmente, imaginei a capela da igreja onde tenho o privilégio de servir o Senhor (Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil). Ela é inteiramente de madeira, com telhas e janelas de outros materiais, igualmente combustíveis. Se o Senhor provasse essa capela com um maçarico de fogo, pouca coisa restaria, e certamente inutilizável, pois não passaria de ferro e pedaços de coisas retorcidas. A capela não passaria pelo teste do fogo.
 
Mas será que Paulo falava de construção de templos, de capelas, de casas de oração comumente chamadas de igreja? Certamente que não. No tempo dele não havia templos evangélicos, cristãos. Eles se reuniam nas casas, nos quintais, à beira de rios, nas sinagogas e lugares de oração. Os cristãos romanos reuniam-se no cemitério subterrâneo (catacumbas) para evitar as prisões. Certamente que Paulo não falava da construção de prédios, mas da construção viva da igreja do Senhor, da construção que fazemos na Obra de Deus. Paulo falava da vida que construímos na presença do Pai celestial, de nossa carreira como cristãos.
 
Segundo o Apóstolo Paulo, a nossa carreira cristã, a nossa vida, deve ser construída sobre a solidez da Palavra de Deus. E o viver em Cristo, o dia a dia, o serviço na fé, a vida privada, pessoal, tudo o que fazemos, representa uma construção contínua. Se o que fizermos for à luz da vontade do Senhor, será uma construção feita com materiais nobres (ouro, prata e pedras preciosas). Se não for orientada por Deus será feita com materiais perecíveis (madeira, feno, palha). E no dia do julgamento do tribunal de Cristo (e é bom que saibamos que TODOS compareceremos nesse tribunal, mesmo que sejamos crentes), seremos provados pelo fogo. A salvação nos livra da perdição eterna e do "grande trono branco", onde os ímpios serão julgados segundo as suas obras para receber mais ou menos castigo. Os crentes, por outro lado, serão apresentados no tribunal de Cristo e ali prestarão contas do que fizeram de suas vidas cristãs.  Veja-se: E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. (Ap 20:11); Mas tu, por que julgas teu irmão? Ou tu, também, por que desprezas teu irmão? Pois todos havemos de comparecer ante o tribunal de Cristo. (Rm 14:10); Porque todos devemos comparecer ante o tribunal de Cristo, para que cada um receba segundo o que tiver feito por meio do corpo, ou bem, ou mal. (2Co 5:10)
 
Será que existe alguma regra, alguma norma, alguma fórmula que nos conduza a construir dia após dia com materiais que não perecem? Será que é possível levar uma vida nobre, à luz da Bíblia, que nos garanta um julgamento ameno, abençoado, onde apresentaremos construções que não perecerão com o teste do fogo da luz do Senhor?
 
Sim, existe. Gostaria de sugerir três regras básicas de construção, para que escolhamos os melhores materiais e não soframos detrimento no dia do tribunal de Cristo, onde as verdadeiras intenções do coração e as verdadeiras motivações do que fazemos serão esclarecidas e postas à prova.
 
PRIMEIRO DEUS,
DEPOIS O RESTO!
 
Esta é a regra número um para quem deseja construir para a eternidade. O crente fiel e verdadeiramente fundamentado nas Escrituras Sagradas coloca o Reino de Deus em primeiro lugar de sua vida. Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. (Mt 6:33)
 
Colocar o Reino em primeiro lugar significa tomar a cruz e seguir após Jesus. Atualmente, nas igrejas que constróem com palha e feno, não há cruz. A vontade do homem vem primeiro. Eles entretém as pessoas com banalidades, com sociabilidades, com clubes de convívio ou rodas de discussões filosóficas, mas não ensinam o autêntico cristianismo, que exige renúncia, exige abnegação, exige doação. E dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome cada dia a sua cruz, e siga-me. (Lc 9:23)
 
No último sábado jantei com o missionário Josafá Venâncio Fernandes. Um servidor público aposentado, que poderia viver tranquilamente com a família numa chácara, desfrutar da companhia dos filhos e netos, uma agenda pacata e sem surpresas. Decidiu, entretanto, dedicar o resto de sua vida a semear a Palavra de Deus entre os indianos e socorrer os doentes, os feridos, os aflitos, os abandonados daquele país. Em cinco anos de trabalho voluntário e independente, resgatou mais de quatro mil pessoas da morte iminente, dando a elas a possibilidade de voltarem ao trabalho, ao convívio. Ele gasta o que tem e gasta a si mesmo em prol da salvação dos que precisam. Isso é colocar Deus em primeiro lugar.
 
Mas nem todos são missionários no exterior. Podemos fazer isso aqui mesmo, em nosso dia a dia. Quem coloca Deus em primeiro lugar não tem dificuldades em ofertar ao Senhor, em ser dizimista ou em dispor de seus bens em prol da expansão do evangelho. Um dia parei o carro no semáforo e havia um outro à frente, com o adesivo que dizia: "propriedade de Jesus". Fui até lá e pedi a chave do carro. Ele estranhou. Eu disse que era auxiliar de Cristo numa de suas igrejas e que precisávamos comprar o terreno para pregar o evangelho e que, se o carro era propriedade exclusiva do Senhor, Ele reinvindicava o carro, assim como reinvindicou o jumento no passado. O rapaz acelerou e foi embora, chamando-me de louco. Bem, creio que não era eu o louco, mas ele, pois considerava o seu carro nominalmente do Senhor, mas não na realidade. Quem não oferta, não dizima e não dispõe finge ser de Jesus, mas não é. Está a construir com palha, feno e madeira. No dia do tribunal tudo será queimado.
 
Deus vem primeiro para quem constrói com materiais preciosos. Ele não deixa de ler a súa bíblia, não deixa de gastar o seu tempo em oração, não deixa de congregar. Muitas vezes se cansa, muitas vezes se desanima, mas o Senhor o refortalece e ele segue o seu caminho vitorioso.
 
PRIMEIRO O PRÓXIMO,
DEPOIS O RESTO!
 
Para quem constrói com ouro, prata e pedras preciosas o próximo vem primeiro. Depois ele pensa em si próprio. Não são raras as vezes em que pensamos em nos suprir plenamente e, se sobrar alguma coisa que não iremos usar, cederemos ao próximo. Já vi crentes servirem o resto da comida de ontem para alguém que precisava, sendo que a comida do dia estava posta à mesa. Já vi gente doar roupas rasgadas e descosturadas pensando fazer algum bem, quando na verdade buscava livrar-se de lixo e entulho.
 
Para o crente fiel o próximo vem primeiro. Se ele tiver que escolher entre comer ou ceder o seu prato, ele cederá o seu prato. Para ele suprir a necessidade do outro vem primeiro. E não se trata de demagogia ou de caridade barata; deve ser algo da alma. Como poderá comer bem quando o outro sofre carestia? Faz-me lembrar a música da cantata que contava a história de Barnabé. Sim, o crente ama o próximo e o faz com expressões. João, o Batista, preparava a geração messiânica com pessoas que repartissem o que tinham. No filme "O Manto Sagrado", num tempo onde ainda se faziam filmes com algum temor de Deus, Marcelo, o centurião desesperado, dá um cavalo de presente para um menino numa aldeia cristã. Este, imediatamente, o dá para um menino cego. O soldado, furioso, pergunta porque ele fizera isso. O menino responde: "porque ele é cego e queria muito". Os cristãos são assim. Não ajuntam para si, mas para servir. De que vale uma mesa farta na casa de um rei se ninguém vier comer do banquete? O crente é alguém que mantém a vida como um banquete ambulante, sempre buscando servir o outro.
 
Nesse serviço a família está incluida. O pai de família prefere comprar as roupas que as crianças precisam e suprir as necessidades da esposa do que adquirir o veículo esportivo da revista deste mês. Quem busca servir ao próximo não deixa os seus passarem necessidade. Um dia uma irmã pediu para que eu orasse pela sua mamãe, que era tão carente e que estava no asilo. Logo em seguida falou-me da viagem à Europa que faria com o marido, que lhe custara 30 mil reais. Eu perguntei: "será que sua mamãe não vale muito mais do que toda a Europa?" Ela aborreceu-se. E eu lamentei, pois manifestou estar construindo a sua vida com madeira, feno e palha.
 
O crente que ama, que coloca o próximo antes de si próprio é sempre produtivo e é sempre suprido. Ele assemelha-se a um rio caudaloso: a água entra abundantemente. E, com a velocidade com que entra, também sai. Mas deixa um rastro de piscosidade em seu leito, com uma infinidade de peixes e vida aquática, de belezas naturais e de frescor, características que uma lagoa egoísta e sem saída de água não tem. A lagoa só recebe. E tanto recebe sem distribuir que apodrece. Em seu leito está toda sorte de vermes, de bichos e de sujeiras. O crente que constrói com ouro, prata e pedras preciosas é rio, não lagoa sem saída.
 
PRIMEIRO EU,
DEPOIS OS MEUS DESEJOS
 
Uma coisa é a necessidade básica para uma vida suprida; outra muito diferente é a vida regalada, suprida pelos caprichos e pelas vaidades. Aquele que deixa de suprir as coisas fundamentais e básicas para a vida e enche-se de banalidades e de desejos impróprios está construindo com madeira, feno e palha.
 
O meu irmão costuma sentar-se à mesa e primeiro servir-se de salada e misturar com linhaça. Ele come essas coisas e depois serve-se de outras. Sua frase célebre é: primeiro o dever, depois o prazer. Lembro-me daquelas mães que educam filhos pequenos. Se os pequeninos guiarem a mãe para escolherem suas próprias alimentações, encherão o estômago de balas, doces, chocolates, bolos, chicletes. Mas as mães prudentes não permitem; elas dão comida substanciosa e que possua vitaminas e todos os ingredientes necessários. Em alguns momentos liberam os desejos, limitadamente. Elas querem suprir primeiro a necessidade, e só depois dar o prazer.
 
Assim é o crente que constrói com ouro, prata e pedras preciosas. Ele cuida de si. Ele cuida de sua vida interior, lendo coisas que constróem, lendo a Bíblia Sagrada para ouvir a voz de Deus; ele ora diuturnamente, buscando a comunhão com o Senhor. Ele mantém-se ativo em sua igreja e busca o que fazer. Ele exercita-se fisicamente, seja através do serviço ou ajuda ao próximo, seja com exercícios físicos. Ele dorme o suficiente e alimenta-se com responsabilidade. Ele protege-se das infecções e cuida do corpo como o templo do Senhor. Ele é responsável para com a sua vida.
 
Ele não preenche as suas horas vagas com banalidades. Ele não é escravo de jogos intermináveis de videogame ou da internet. Ele não gasta o tempo a assistir esportes sem fim. Ele não passa as noites nas baladas e nem gasta a sua mente com filmes que não edificam. Ele não destrói o corpo e a vida com coisas passageiras e efêmeras. Ele é fiel, é responsável, é prudente.
 
Ele só deixa de observar isso quando oferece a própria vida, a própria carreira, o próprio tempo, a própria alimentação e tudo o que tem por amor a Cristo ou para ajudar aquele que carece de si. Conhecemos o amor nisto: que ele deu a sua vida por nós, e nós devemos dar a vida pelos irmãos. (1Jo 3:16)
 
Assim, com essas três regras, PRIMEIRO DEUS E DEPOIS O RESTO; PRIMEIRO O PRÓXIMO E DEPOIS O RESTO; PRIMEIRO EU E DEPOIS OS MEUS DESEJOS, nós construiremos uma vida que não será destruída pelo fogo da provação dos reais sentimentos, motivos e valores no dia do grande tribunal de Cristo.
 
Não coloquei PRIMEIRO, SEGUNDO E TERCEIRO porque tudo o que fizermos é simultâneo. Amamos a Deus, amamos o próximo e nos amamos o tempo todo. E harmonizamos esses três focos de amor com a graça do Senhor, com o equilíbrio e com a sabedoria de Deus. Quem assim leva a vida não terá muito que se decepcionar no dia em que for julgado.
 
Para terminar: com que materiais o querido leitor tem construído a sua vida?
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo
11/04/2016
 
 
 

 

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