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quinta-feira, 21 de abril de 2016

memórias literárias - 333 - MAÇÃS DE OURO EM SALVAS DE PRATA


MAÇÃS DE OURO
EM SALVAS DE PRATA
Como maçãs de ouro em salvas de prata,
assim é a palavra dita a seu tempo.
(Provérbios 25:11).

Antes de me casar fiquei responsável por adquirir as alianças. Lembro-me que paguei-as em 10 prestações, um preço considerável. Eram de ouro, durariam a vida inteira. Elas estão em nossos dedos há cinco anos. O seu peso, entretanto, é pequenino; mesmo assim, são caras; afinal, são de ouro, o metal mais nobre, metal duradouro, maravilhoso. E uma maçã de ouro, corresponderia a quantas alianças? Creio que 500, talvez. O preço ultrapassaria a casa de um milhão de reais. O texto fala de "maçãs". Imaginem o quão cara seria essa salva de prata com várias delas! Aliás, eu nunca vi uma maçã de ouro. Salvas de prata sim. Existem nas antigas pratarias de família, ou nos hotéis luxuosos. Peças de ouro e prata são dignas de um palácio e são usadas em momentos especiais, tamanha a sua importância e elegância.

Diz o texto bíblico que a palavra dita a seu tempo vale tanto quanto essa fortuna em ouro e prata! Palavras benditas e adequadas são riquezas incomensuráveis!

Vivemos em uma época em que os políticos e os que usam dos meios de comunicação não avaliam o quanto as suas palavras deveriam ser prata escolhida e ouro de primeira. Infelizmente o que ouvimos não tem valido um tostão furado, um níquel sequer. São palavras inadequadas, chulas, mal pronunciadas, gramática e foneticamente incorretas, de má índole, falsas, hipócritas, cheias de combate ideológico e com nenhum lastro de decência. E, infelizmente, o mesmo se dá em nossas casas, em nosso trabalho, em nossos relacionamentos, em nossos meios de comunicação, em nossas mídias de relacionamento social.

Lembram-se da frase "vinde a mim todos vós, que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei"? Foram ditas há dois mil anos e continuam a valer uma fortuna! Foi Cristo quem a pronunciou. Lembro-me que os evangelhos narram a ira dos sacerdotes contra os soldados que foram prender a Jesus e não o fizeram. Questionados sobre o porquê de lhe deixarem livre, disseram: "nunca ninguém falou como esse homem!" (João 7.46).

Palavras deveriam ser escolhidas, cultivadas, trabalhadas, buriladas, até que fossem pronunciadas. A bíblia nos diz que os homens darão conta de cada palavra pronunciada, e que, por elas, todos seremos julgados. "Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado." (Mt 12:37); "Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo." (Mt 12:36)

Palavras adequadas e ditas em momento certo podem evitar tragédias! Lembro-me de Abigail, esposa de Nabal. Davi e seus soldados prestavam segurança na área. Um dia Davi solicitou a Nabal que desse alguma coisa para que pudessem matar a fome, visto ser ele um próspero e ter sido protegido pelos soldados por um bom tempo. Nabal não apenas negou como desprezou a Davi e a seus soldados. Enfurecido, o futuro rei correu com os soldados a atacar a fazenda desse néscio. A mulher de Nabal, Abigail, informada do fato, correu encontrar-se com Davi, na estrada. Prostrada, implorou a Davi que não levasse em consideração a loucura do esposo e que não maculasse o seu futuro império com o sangue de um homem que, na verdade, não valeria a pena. E forneceu-lhe víveres. Davi declara: "Bendito o Senhor Deus que te enviou ao meu encontro". Abigail livrara o esposo da morte pela espada, e a Davi de sujar-se com o sangue daquele ímpio. Uma palavra que desviou um extermínio!

Lembro-me também do caso de Elias. Acazias, rei doente de Samaria, mandara prender o profeta por ter ele admoestado o imperador, dizendo que não precisava clamar a deuses, pois havia Deus em Israel. Acazias enviou um regimento e o comandante, áspero, mandou que o homem de Deus o seguisse. Elias disse: "se sou homem de Deus, que caia fogo do céu". E caiu mesmo, queimando o comandante e o regimento. Outro capitão foi enviado. Mais uma vez o comandante, arrogante, ordenou que Elias viesse. Novamente fogo do céu fulminou os soldados. O terceiro regimento, ao chegar, teve um comandante sábio. Este, sabedor de que era um homem de Deus que iria prender, disse: "tenha piedade, homem de Deus, que as nossas vidas sejam preciosas diante de ti". Então Elias, orientado por Deus,  seguiu com o capitão. Esse sábio militar soube usar adequada e respeitosamente as palavras, salvando os seus cinquenta soldados, além da sua própria vida.


E nós? Quantas vezes nos arrependemos das palavras ditas num momento de fúria, de agitação, de desentendimento, e depois pagamos caro por elas? Quantos casamentos se deterioram por causa de palavras? Quantos pais rompem com seus filhos por causa de palavras? Quantas igrejas são destruídas devido às palavras ditas do jeito errado, na hora errada? Porém, igualmente verdadeiro é o número de vezes em que Deus, em Sua graça, nos usa com palavras de edificação, palavras de paz, palavras de sabedoria, palavras de luz, que rompem uma crise e irrompem luz na escuridão da violência! As palavras sábias podem levar um possível suicida a reescrever a sua história. As palavras certas podem mudar o curso de um criminoso, o abismo de um promíscuo, a loucura de um terrorista. As palavras sábias podem erguer um doente da cama e dar fôlego de vida a um aposentado desiludido com o futuro. Palavras sábias edificam uma igreja!

Bem, que tipo de palavras temos usado em nosso quotidiano? Será que temos palavras tão valiosas quanto maçãs de ouro em salvas de prata, disponíveis na hora certa e para as pessoas certas? Ou será que as nossas palavras são bolhas de sabão em pratinhos de papelão corroído, que não valem um tostão? Será bom avaliarmos o quão valiosa tem sido a nossa boca, o quão edificante tem sido a nossa língua e o quão relevantes têm sido as nossas frases.

Que possamos servi-las como maçãs de ouro, como palavras que realmente valem.

E servi-las em salvas de prata, nos momentos especiais, na hora certa, do jeito certo, para a glória de Deus.

Amém.

Wagner Antonio de Araújo

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