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sábado, 28 de janeiro de 2017

memórias literárias - 398 - PENSANDO NA AMIZADE



PENSANDO NA
AMIZADE
 
398
Há aqueles que precisam de nós. Então se aproximam, ligam, escrevem, conversam, pedem, doam, e, principalmente, valem-se de nossa companhia, afeto e ajuda. Depois, quando as circunstâncias não são mais avassaladoras para eles, esquecem-se de nossa existência e nada mais comunicam. De quando em quando sabemos de notícias por terceiros. Se estão bem, ficamos felizes e desejamos bênçãos. Se estão tristes, oramos e mantemo-nos com as portas abertas para ajudar novamente.
 
E quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o SENHOR, deixando de orar por vós; antes vos ensinarei o caminho bom e direito. (1Sm 12:23)
 
Há aqueles que desejam dominar-nos. Aproximam-se, buscam pontos de referência, mostram-se animados e entusiasmados com as nossas lides. À princípio até demonstram parceria; contudo, ao passar o tempo, manifestam um insaciável desejo de domínio, de manipulação, de ditar as regras, de refazer as normas, de tornar-nos submissos as suas vontades. Então chega o conflito, o dissabor, a cisão, o rompimento e, não raras vezes, o fim das relações. Se as questões eram apenas de incompatibilidade sem consequências morais, um dia um relacionamento leve e livre poderá ressurgir. Se envolveu ofensas e agressões, dificilmente haverá retorno. Tudo é belo em seu tempo e há tempo de deixar de abraçar. Perdoados, mas distantes.
 
Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; (Ec 3:5)
 
Porventura andarão dois juntos, se não estiverem de acordo? (Am 3:3)
 
E tal contenda houve entre eles, que se apartaram um do outro. Barnabé, levando consigo a Marcos, navegou para Chipre. (At 15:39)
 
Há aqueles que não querem amigos; querem sustentadores: incapazes de dar um passo por si só, exigem de nós as decisões que eles mesmos deveriam tomar. Se for amor, querem que ditemos as cartas; se for serviço querem que trabalhemos por eles; se for saúde querem que sejamos os médicos, enfermeiros e o próprio remédio; se for carência afetiva querem que supramos os seus vazios. Então, em algum momento, alguém resolve romper esse processo de parasitismo e a relação se rompe. Quase sempre o dependente sai ferido, julgando-se o mais infeliz de todos os viventes, acusando o amigo de ter destruído a sua história. Só deixará de falar quando encontrar outra pessoa em quem lançará as suas raízes, no abraço mortal do parasita vegetal, manipulando o próximo até destruí-lo ou até que o outro também acorde.
 
A sanguessuga tem duas filhas: Dá Dá.  (Pv 30:15)
 
Mas há aqueles que são amigos. E amizade exige respeito. Nem sempre os amigos concordam; pelo contrário, a amizade exige sinceridade e transparência. Porém, por terem laços firmes e voluntários, os amigos brigam, discutem, se separam, mas não são capazes de manter a distância, pois o respeito mútuo e a afeição sincera os reaproxima. Eles não exigem que os outros vivam as suas vidas, coloquem o pão em suas mesas ou tomem as suas decisões. Pelo contrário, têm prazer em contar, em ouvir, em falar, em pensar alto. Não são capazes do abandono, pois OS VERDADEIROS AMIGOS SÃO OS QUE FICAM QUANDO TODOS OS DEMAIS FORAM EMBORA.
 
O homem de muitos amigos pode congratular-se, mas há um amigo mais chegado do que um irmão (Pv 18:24)
 
Fiz-me acaso vosso inimigo, dizendo a verdade? (Gl 4:16)
 
Às vezes não têm contato constante, não se falam sempre, não visitam a casa do outro em todo o tempo. Não pedem ajuda para qualquer coisa e nem invadem a privacidade do companheiro. Entretanto, sabem e têm certeza de que, quando de fato precisarem, terão um porto seguro, uma âncora, alguém em quem confiar de verdade. Os bons amigos são assim, e o são para  vida toda. Eles festejam a alegria do outro e choram as suas dores. Mas mantém a privacidade e a distância necessária, transformando os reencontros em momentos especiais e memoráveis. E, em sabendo, repartem o seu pão, celebram a alegria e choram as tristezas juntos!
 
Porque pela obra de Cristo chegou até bem próximo da morte, não fazendo caso da vida para suprir para comigo a falta do vosso serviço (Fp 2:30)
 
Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. (Jo 15:13)
 
Quem não tem um único amigo assim tem que repensar a sua própria conduta. Quem diz que não tem amigos é porque não se fez amigo de ninguém. É preciso cultivar alguns, tratando-os como gostaríamos de sermos tratados.
 
Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. (Mt 7:2)
 
Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo. (Lc 6:38)
 
 
Amigos são jóias que guardamos com carinho. Amigos são dádivas.
 
Neste mundo virtual alguns aparecem e muitos desaparecem. No ministério pastoral muitos nos conhecem, mas poucos de fato desenvolvem duradouras amizades. Nas igrejas a realidade é a mesma; nas famílias, no trabalho, na escola, em toda a parte. A vida é assim.  Até na questão da gratidão a medida é de 10% de retorno: 90% ficará sem retribuição aqui; mas no Céu há um galardão!
 
E qualquer que tiver dado só que seja um copo de água fria a um destes pequenos, em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá o seu galardão (Mt 10:42)
 
E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro? (Lc 17:17-18)
 
 
Escrevo este texto para saudar aqueles que, de fato, prezam por uma boa amizade. Deus muito lhes abençoe!
27/01/2017
 
Pastor Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

whatsapp: +5511 99699-8633

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