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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

memórias literárias - 399 - CONVERSÃO DE FAMOSOS



CONVERSÃO DE FAMOSOS
399
Saí perplexo de casa. Uma notícia inusitada: um diretor brasileiro de filmes de terror apareceu sóbrio num culto supostamente evangélico. Algumas fotos dele em contrição e depois ao lado dos “pastores”, como um troféu para o ministério deles e a glória da denominação onde servem.

Para quem não é evangélico qualquer denominação que não for católica ou espírita é evangélica. Para quem o é, as diferenças são suficientemente grandes para se distinguir entre verdadeiras e falsas. Uma seita que não crê em inferno, nem no sacrifício completo de Cristo pelo pecador, devendo o crente seguir pelo caminho dos complementos (guardar o sábado, não comer carne de porco, observar ritos desnecessários oriundos do judaísmo), não pode ser considerada uma boa igreja. Mas, para a mídia sensacionalista,  o famoso “virou evangélico” .

Será mesmo? Vejamos.

A conversão de um famoso começa pela mudança de paradigma: deixar de ser famoso, deixar de cultuar a si mesmo, à sua própria imagem, deixar de fazer de sua vida um acontecimento e um dia-a-dia de celebridade. No caso desta notícia que recebi (e em todos os demais que conheço) a suposta conversão vem acompanhada de auditórios, lágrimas fotografadas, pastores que ganham projeção, batismos mirabolantes e uma identificação com o grupo aderente. Podemos citar aqui três dezenas de famosos que isto fizeram. Um era um cômico, tornou-se pastor pentecostal e agora voltou a ser cômico. O outro era cantor da jovem guarda, tornou-se evangélico e voltou para os bares. A outra era dançarina, tornou-se gospel e foi filmar uma produção de pornografia. A outra fez-se evangélica, ajuntou-se com uma mulher e tornou-se lésbica. O outro fez festa no “apê” e dirigiu louvores numa igreja. O outro gravou toda a bíblia em áudio, tornou-se membro de seita e depois gravou áudios para o catolicismo.

Conversão não é isso. Para um famoso converter-se deve haver transformação de vida, não de agenda ou de bandeira. Já disse o filho desse diretor supostamente convertido que a nova fé não irá atrapalhar os novos filmes de terror. Que bonito! Assim também aquela dançarina nordestina não abandona os trios elétricos no carnaval, mas diz que a fé não lhe afeta a alegria. Claro, não são convertidos; são meramente aderentes de grupos. Conversão que não converte é golpe publicitário, não transformação!

Quando um famoso se converte de verdade a Cristo, terá da mídia um profundo desprezo. A mídia adora a polêmica, adora as religiões gospel, mas detesta qualquer artista que muda de vida, que tem a moral transformada, que se arrepende dos pecados e que abandona o glamour das páginas das celebridades. A mídia o rejeitará e o esquecerá. E, quando um famoso aceita ser destratado, ser esquecido em nome da fé cristã, então os sintomas de uma autêntica conversão podem estar presentes. Mas quando o famoso transforma o culto que presta, o dízimo que dá, o batismo ao qual se submete e o pastor que lhe prega em notícia, em fuxico, em fotos para suas redes sociais, não converteu-se; apenas gerou um fato para projetar-se diante da mídia e tornar-se mais famoso e mais comentado. Venderá muitos DVDs, venderá downloads de músicas e testemunho, aglutinará muita publicidade na internet, assinará muitos contratos, cobrará e ganhará muito dinheiro dando testemunho nas igrejas incautas e sairá do vermelho financeiro.

Dias atrás um comentarista de futebol afirmou ser adepto de Lúcifer. Gerou grande repercussão na mídia, principalmente evangélica. Ao mesmo tempo, arrumou uma relação com a cantora louca que se diz pastora, e, quase ao mesmo tempo, agendou-se em testemunho nos principais púlpitos pentecostais do Sudeste, dando um testemunho de “transformação de satanista em cristão!”  Tais testemunhos não são grátis: custam bem caro: dependendo da repercussão, podem valer 20, 40 ou até 60 mil reais. Teria essa dupla explosiva testemunhado de graça nessas igrejas famosas? Desafio quem afirmar que sim. Lembro-me do cômico que virou pastor lá no estado do Espírito Santo. Cobrava um dinheiro alto das igrejas onde ia dar o seu testemunho. Lembro-me da ex-lésbica na assembléia de Deus, reunindo grandes multidões para escutar os podres de sua moral. Cobrava, vendia DVDs e fazia fortuna. Depois caiu de novo no pecado. Disse ter se recuperado e faturou com um novo testemunho. Após ficar rica e famosa renegou a fé e casou-se com uma cantora gospel, fundando uma seita pentecostal para lésbicas. Eu gostaria de saber o que os pobres membros das igrejas onde essa mulher testemunhou acharam disso. Quanto dinheiro jogado fora, presenteado aos pilantras que enganam os incautos! Testemunho de conversão não é show, é vergonha dos dias passados e convite à nova vida!

Para terminar: uma mãe de santo poderosíssima foi ao culto onde eu pregava. Ao fazer o apelo ela foi à frente. Eu não sabia quem ela era. Fui visitá-la. Descobri que era respeitada pelo espiritismo africano. Era procurada pelos políticos. Acendia pólvora na mão. Ela converteu-se. Foi batizada. Tornou-se membro da igreja. Eu queria que ela desse testemunho, ela não queria. Um dia, agora na atual igreja que pastoreio, consegui trazê-la. Ela, sem graça, testemunhou alguma coisa da velha vida. E disse: “quando nos convertemos a nossa vida muda e passamos a ter vergonha do que fazíamos. Não tenho prazer em dar detalhes da vida demoníaca que eu levava; quero focalizar o que Cristo fez em minha vida e o quanto eu O amo, e isto sim é importante para mim!” Sem prazer em falar da velha vida, falou da nova e foi usada por Deus para trazer outras pessoas ao Senhor.

Celebridades se convertem? Sim, mas deixam de ser celebridades e se tornam serviçais do Senhor, ainda que tenham que pagar por um anonimato imposto ou optado. Perdem tudo porque já ganharam o principal: a salvação em Cristo! E quem tem Jesus não precisa ser celebridade; só precisa ser servo!

Aleluia!

Pr. Wagner Antonio de Araújo

31 de janeiro de 2017   

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