quarta-feira, 11 de setembro de 2013

memórias literárias - 114 - A ÓPERA DO INFERNO


114 - A ÓPERA DO INFERNO


UMA ORQUESTRA ORGANIZADA. Um coral estupendo. Atores precisos e absolutamente impecáveis.

Na regência está Satanás. Ele está conduzindo a ÓPERA DA PROFANAÇÃO E DO CAOS. A obra foi composta em sua mente doentia e maldita, acreditando que será aclamada e ovacionada por toda a sua hoste do terço angelical. Crê que conseguirá com isto desfazer os propósitos do seu arqui-inimigo, o próprio Criador.

Seus instrumentos de sopro estão a pleno valor. Ele os colocou estrategicamente por todo o mundo. Vemos a mídia unificada (internet, TV, rádio, cabo, jornal, revista) emitindo uma toada única e contínua: o homossexualismo é natural, o aborto é um direito, Deus está invadindo o estado laico, todos os homens são irmãos, todos devem chafurdar na lama. Ele usa os programas de TV, usa os jornais, usa os debates, usa as manifestações públicas, usa as músicas, usa as roupas e a falta delas. Ele faz passar o adultério como prática aceitável, o relacionamento gay como opção boa e indispensável, a parceria com os mortos-vivos e com as forças satânicas como bênçãos da modernidade.

Seus instrumentos de percursão retumbam pelo planeta. São os políticos e empresários. Na força de suas canetadas impõem sobre a Terra leis que obrigam a todos, grandes ou pequenos, pobres ou ricos, religiosos ou não, a aceitarem o que o maestro maldito impõe. Eles decretam a falência da família tradicional, arrancam crianças de pais heterossexuais e as entregam a gays, lésbicas e transgêneros. Destróem o direito de orar em público, abolem a Bíblia dos tribunais, arrancam tudo o que pode lembrar cristianismo em manifestações cívicas ou sociais. Eles conseguem destruir a memória tradicional dos valores morais e mediante a repetição da mentira impõem suas verdades forjadas nas oficinas de Apoliom. Conseguem até iludir os tradutores de bíblias, induzindo-os a "consertar" o que as "culturas primitivas" não souberam expressar na essência. Criam bíblias bizarras e os cristãos se iludem com tais modernidades.

Suas cordas estão afinadíssimas e executam uma melodia estonteante. É como o canto da sereia das fábulas dos pescadores ou como o pífaro encantado. Conseguiram levá-la para as igrejas cristãs. Tiraram os hinos tradicionais e transformaram os cultos em espetáculos de entretenimento. Ao invés de conduzir o povo a Deus mediante a adoração reverente e fundamentada em letras bíblicas, fazem com que o povo pule, dance, grite, berre, se descabele e finja regozijo espiritual, quando não passa de êxtase emocional e físico. E conseguem inibir quaisquer tentativas de protestos, dizendo que é a modernidade. Denominações cristãs inteiras aderem com alegria a esse jeito novo de cantar e celebrar, mesmo que alguns "Jeremias" continuem a clamar e a apontar a origem maligna da toada ouvida. Assim como os hebreus despojaram os egípcios em sua saída para o êxodo, os agentes de Satanás despojam os crentes, cobrando fortunas pelo canto maldito semeado em seus cultos híbridos (não se louva sem cachê).

As partituras são distribuídas entre todos. São bem organizadas e absolutamente precisas. Elas conseguem harmonizar o falso conhecimento científico (promovendo a crendice na evolução das espécies, a aceitação dos transgêneros como solução para problemas das espécieis criadas por Deus, e até fundamentam a apologia de se comer estrume, vermes e insetos como alternativa à fome, levando o mundo ao chiqueiro declarado). As pautas coincidem de tal forma que políticos, atores, escritores, jornalistas, religiosos, militantes e bandidos vêem-se em plena harmonia (as drogas,  antes contravenções declaradas, já estão caminhando para a parceria pública dos países).

A ópera se apresenta com um elenco monumental, reunindo as mais poderosas autoridades, os mais ricos magnatas, os políticos mais proeminentes e poderosos, os cientistas mais afamados, os capitalistas mais endinheirados, os donos de comunicação mais influentes, os religiosos mais atuantes e as denominações mais antagônicas. Todos reunidos debaixo da batuta de Lúcifer, o grande Anjo de Luz, caído e que vive seus últimos instantes antes do Grande Juízo. A escravização faz-se pela mídia fácil e absolutamente esparramada: pessoas inertes, passivas, verdadeiros zumbis diantes dos visores que prendem diuturnamente a sua atenção, em celulares, computadores, TVs etc.

Parece-nos que não há mais o que possa dar errado. Tudo está perfeitamente funcional. Satanás está conseguindo a sua grande e tão desejada vitória sobre Deus.

O maestro só se esqueceu de uma coisa; aliás, não se esqueceu, porque é por demais inteligente. Ele apenas ignorou a existência do dono do teatro. Se o proprietário cortar a energia, cortar o ar, cortar a luz, demolir o prédio, a ópera terminará e o sucesso esperado não passará de sonho não realizado. Por demorar tanto esse juízo profetizado Satanás pensa que nunca virá ou que virá num tempo distante demais. Ledo engano! Essa ópera terá fim!

Ainda há um Deus Soberano e Todo-Poderoso, de quem depende todo sopro e fôlego de vida, seja animal, seja humano, seja espiritual. Há um Deus no Universo!

E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda; (2Ts 2:8)

Essa ópera não chegará ao fim. Deus a interromperá, da mesma forma que não permitiu que Babel chegasse à sua conclusão. Deus é o dono do teatro e a ópera não será concluída.

Mas cuidado, cristãos: para testar a nossa fé e a nossa fidelidade o maestro possui atributos fortíssimos e pode operar maravilhas. "E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira;" (2Ts 2:11). Assim, para seduzir os incautos Satanás faz sinais incríveis, escravizando a razão dos que não se firmam na Palavra Revelada. Satanás faz maravilhas: cura enfermos, faz religiosos falarem em outras línguas (ou em línguas desconhecidas)independente da fé que tenham; faz crescer igrejas e prolifera rapidamente o dinheiro pela palavra de falsos obreiros. São sinais, mas não vêm de Deus."Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." (Mt 7:22,23)

Não investirei o meu tempo na ópera do inferno. Não a ouvirei. Não tocarei os seus instrumentos. Não seguirei a sua partitura. Não obedecerei aos seus regentes. Não farei parte do time dos coniventes. Chamem-me do que quiserem; a minha toada é outra. O meu canto é o dos remidos pelo Cordeiro de Deus.E o meu lar não é aqui, é a eternidade. Fui salvo pelo Senhor e só a Ele me renderei. "Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos." (Jo 10:5)

Concluindo: a ópera de Satanás será um fracasso consumado, ainda que por ora pareça um sucesso insuperável.

Quem ama o Senhor verá.

Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 113 - 24 HORAS QUE VALERAM POR UMA VIDA


113 -
24 horas que valeram
por uma vida
 
Fui agraciado com um convite para pregar no Jubileu Ministerial de Prata do Pr. Eliseu Lucas, na PIB (Primeira Igreja Batista) de Paraíba do Sul, estado do Rio de Janeiro. O Pr. Eliseu é um pastor batista clássico e nos conhecemos há alguns anos, quando juntos participamos da fundação da OBBH (Organização Brasileira de Batistas Históricos). Posteriormente ele fez-se presente na organização da OPBCB (Ordem dos Pastores Batistas Clássicos do Brasil) e então os nossos laços de amizade só aumentaram. Participar de seu jubileu de prata foi-me honroso e precioso.
 
Era sábado, dia 11 de agosto de 2013. Passei a madrugada preparando boletins e materiais para a Boas Novas do Rodoanel, igreja que tenho a honra de pastorear. Saí na hora do almoço, lotando o meu "delegado" (meu Peugeot 206 cinza). Elaine, a minha amada esposa, acondicionou tudo na mais perfeita organização (como é que ela consegue? eu ocuparia o dobro do espaço com malas, ternos etc!). Seguimos viagem com o GPS ligado.
 
Rumamos para a Rodovia Airton Senna. Seguimos até o fim, em Guararema. A rodovia muda de nome, Carvalho Pinto, e a paisagem torna-se mais bela ainda. Chácaras, gado, pastos, árvores, indústrias, casinhas, coisas lindas que nos enchem de felicidade! Pena que no caminho encontramos coisas extremamente aborrecíveis: OS PEDÁGIOS, essas pragas que ousam cobrar o que já pagamos nos impostos anuais. Mas fomos seguindo.
 
Por fim, pegamos a Rodovia Presidente Dutra e seguimos pelo Vale do Paraíba. São José dos Campos, Taubaté, Caçapava, Pindamonhangaba, Aparecida, Lorena, Canção Nova (Cachoeira Paulista), Cruzeiro, Queluz. Que lugares lindos! Passamos a divisa e chegamos ao glorioso estado do Rio de Janeiro! As paisagens mudam e as cidades tornam-se mais próximas e grandes. Eu só passara por ali de noite, de ônibus, nunca vira tantas belezas durante o dia! Passei por Resende, Itatiaia, seguimos até Volta Redonda. Talvez para deixar a viagem bem "redonda", eu não vi uma lombada na avenida que desce para a outra rodovia. Passei com tudo no obstáculo e senti a minha cabeça com uma baita "volta redonda"...
 
Pegamos o rumo de Salvador. O sol já estava se pondo. Tínhamos planejado 5 horas de viagem. Quando passamos por Vassouras, tomamos uma bela vassourada: estavam trocando as vigas e colunas da ponte; assim, seguravam o trânsito por muito e muito tempo. Paramos por uma hora e vinte minutos! Tentamos ligar para os celulares, mas onde havia sinal? TIM e VIVO são inexistentes nas estradas, CLARO eu não tinha. Só ESCURO. Então Elaine orou para acalmar o meu coração e aguentarmos a espera. Finalmente nos liberaram. Chegamos às 7 e meia na cidade. O Pr. Eliseu estava aguardando a nossa chegada. Corremos para a pousada que a igreja graciosamente tinha alugado para nós e demos a palavra que em 20 minutos estaríamos prontos. "Mas o pastor tem barba por fazer, banho por tomar..." Ah, numa eventualidade o banho pode ser rápido e a lâmina pode ser expressa! E foi! Elaine e eu nos arrumamos em 20 minutos! Da pousada para a igreja era apenas atravessar a rua!
 
Ao chegar, emocionei-me. Estava diante do berço dos batistas fluminenses. Ali os nossos pioneiros Bagby, Taylor, Entzminger, Ginsburg, Lessa e tantos outros, pregaram e pastorearam. Ali gerações de batistas se sucederam. Nesses 115 anos de história muita coisa aconteceu. E agora eu era honrado com a possibilidade de também pregar ali! Bendito seja Deus que não nos trata por méritos, mas por Sua imensa graça!
 
Um culto maravilhoso e inesquecível! Ali eu conheci pessoalmente a belíssima família do Pastor Eliseu Lucas. Conheci a irmã Ester e os filhos Calebe e Elise. Conheci o MM (Ministro de Música) Davi Pacheco e o resto do Conjunto Pacheco, formado pelos familiares da irmã Ester. Revi o Diácono Edson e o Diácono Henri, o primeiro da OBBH e o segundo da ABACLASS. Que saudades! Pude conhecer o meu amigo virtual Pastor Walter, que alegria! E vi um povo alegre, maravilhoso, consagrado, que vive um período de grande felicidade com o querido pastor que lhes foi confiado. Vi ali a irmã Zilanda, da comissão de sucessão pastoral, a quem só conhecia virtualmente. Quanta felicidade!
 
No culto ouvimos o brilhante coral da igreja, regido por uma irmã de extraordinária competência e simpatia. Ouvimos o Conjunto Pacheco, com magnífica execução de hinos tradicionais. Ouvimos cantar e tocar o MM Davi Pacheco, um primor de ministro, um verdadeiro servo do Senhor. E a congregação cantou com alegria. Os pastores presentes também deram felicitações. E coube-me a tarefa de pregar. Em tudo agradeço ao Senhor!
 
Após o culto uma simpaticíssima irmã estava comemorando o seu aniversário e serviu-nos estrogonofe. Que delicia de comida! Após comer o meu pratinho, denunciei que havia sido sequestrado e prontamente eles me serviram outro (quem sequestrou o primeiro fui eu mesmo). Uma noite abençoada!
 
Bem, para não ficar apenas nas palavras, vamos aos documentos em fotos e vídeos.
 
1) As fotos do culto:
 
2) Os vídeos:
 
Instrumental com MM Davi Pacheco
 
Conjunto Pacheco - Vou Servir-Te
 
Conjunto Pacheco - Eu Preciso de Jesus
 
Coral da igreja - Jeová é Teu Senhor
 
Coral da igreja - Quanto Anseio Encontrar Jesus
 
MM Davi Pacheco - Pai que Estás no Céu
 
MM Davi Pacheco - instrumental
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo - ATOS 20.24 - AS TRÊS ÊNFASES DO MINISTÉRIO
 
 
O DOMINGO
 
Dia 12 de agosto de 2013.
 
Desde que me casei tornei-me um homem mais feliz e mais completo. Quem acha uma boa esposa acha um tesouro e eu fui agraciado ao extremo. Acordar ao lado de Elaine é uma dádiva. E também um despertador eficaz. "Levante-se, está na hora!" "Ah, só mais um soninho"... Não teve conversa. Agora, com mais tempo, arrumamo-nos e descemos para tomar um gostoso "café medroso", ou um "café com mistura". (muitos brasileiros não conhecem as expressões caipiras. Eu explico: café medroso é aquele que não vai para a mesa sozinho, só acompanhado, com pão, manteiga etc. E café com mistura é o café com os acompanhamentos comestíveis). A pousada tratou-nos muito bem!
 
Chegamos no início da Escola Bíblica Dominical. As classes já estavam divididas. As irmãs queriam que eu ficasse, mas eu seria um bem-aventurado entre as mulheres, então subi para a classe dos homens. O professor era um irmão extremamente competente, ex-vereador da cidade. Falava-nos sobre o Rei Ezequias. Intercalou a aula com o seu testemunho de conversão, ocorrida há oito anos. O prefeito é seu filho. A participação dos alunos foi excente, mais de 20 irmãos presentes! O Diácono Henri também abrilhantou a aula, intercalando seus sempre filosóficos e teológicos posicionamentos. Nem vimos a hora passar!
 
Chegou a hora do culto. Mais hinos e mais momentos marcantes em nossas vidas. Em certo momento o Pr. Eliseu entregou-me o púlpito. Resolvi dar o meu testemunho de vida, a minha conversão, a minha quase morte em 1982 e o meu chamado para o ministério pastoral. Contei também sobre a minha saudosa mãezinha e a experiência que Daniel e eu tivemos ao entregá-la nas mãos do Pai. Muitos comoveram-se. Eu e o Pr. Eliseu também.
 
Levaram-nos para o restaurante. CEDRO'S. Elaine, que já aprendeu comigo as piadinhas, disse: "Seria bom alguém abrir um outro restaurante ao lado e chamá-lo DO LÍBANO, assim teríamos CEDRO'S DO LÍBANO..." Engraxadinha... E, de fato, o dono do restaurante é um libanês muito simpático. Comemos e bebemos muito bem, na companhia dos Pachecos e da família do Henri. Que momentos maravilhosos! Após a refeição o pastor nos levou ao parque de águas de Paraíba do Sul. Um parque arborizado, lindo mesmo, com um coreto e no meio dele fontes de água em torneiras. Tinha água alcalina e eu fiquei alcalinizado. Outra era ferruginosa e eu fiquei enferrujado. As outras eu não me lembro de que eram. Só sei que Elaine e eu saímos aguados!
 
À tarde descansamos e, após o banho, vestimo-nos e fomos à igreja. Que noite inesquecível! Só que o meu coração já estava a derreter-se. Abracei tantos irmãos, conversei com outros tantos, simpatizei com todos e estava a sentir a dor da saudade que iria ficar. Da parte dos irmãos senti o mesmo carinho. Destaco aqui o irmão Roberto. Ele, já nos seus setenta e um anos, com uma vasta família, tem em seu acervo uma coleção de O Jornal Batista de 1924 e 1928 e emprestou-me para escaneá-los (Deus me ajude a adquirir outro aparelho, pois o meu já deu sintomas de estresse). Que irmão maravilhoso! Junto dele está seu neto Cauã. Esse menino é um espetáculo: serviu estrogonofe para todo mundo no sábado, esteve pela manhã participando de tudo e confidenciou-me que quer ser pastor. Então afeiçoei-me ao menino. E planejei uma surpresa para o final do culto.
 
A celebração do Dia dos Pais encantou os corações. As crianças foram ricamente ensaiadas e tiraram sorrisos de todos nós. Os hinos do coral e do MM Davi Pacheco também foram monumentais. Um jovem fez um lindo solo. E o Pr. Eliseu entregou-me a palavra. Eu preguei uma mensagem que Elaine pediu para que um dia eu pregasse. A GALERIA DOS HERÓIS DA FÉ. Bendisse ao Senhor pela oportunidade de falar sobre esse tema. O culto acabou estendendo-se além do horário habitual. Ao término fomos comer bolo de aniversário. E, com alegria, o pai do irmão Tiago trouxe-nos um homem por nome Adalberto, que na hora do apelo e oração havia entregado a sua vida a Jesus Cristo. Que bênção e que emoção! Oramos com ele a oração da confissão e apresentamos para ele a doce verdade: ele estava perdoado de seus pecados e salvo, caso tivesse feito a oração com fé e com sinceridade. Aleluia!
 
Voltemos ao Cauã. Após o culto chamei-o ao lado de seu avô.
 
 
- Cauã, você disse que quer ser pastor. Eu fico muito feliz. Está vendo esta minha gravata? Ela é muito importante para mim. Mas como você é hoje mais importante ainda, então eu vou dá-la de presente a você e quero que você a use no dia em que pregar a sua primeira mensagem. Está certo? Eu quero que você se lembre com carinho de mim, sabendo que estarei sempre orando por você. Deus te abençoe, meu filho.
 
O abracei. Senti o seu peito ofegante e vi lágrimas brotarem de seus olhos.
 
Saí e fui sentar-me para comer bolo e conversar. De repente o Cauã correu em minha direção, pulou em meu pescoço, suado e chorando, dizendo: "Obrigado, pastor, muito obrigado!" Eu chorei muito com ele (e estou chorando agora, enquanto escrevo e me lembro...)
 
Saímos para arrumar as malas. O jovem Calebe Lucas, filho do Pr. Eliseu, iria voltar conosco. Ele ainda pegaria um ônibus em São Paulo para Guaxupé, em Minas Gerais. Juntamos as nossas coisas e fomos encontrar os jovens que iriam comer uma pizza conosco. Mas às 11:30 da noite, que pizzaria estaria aberta? Nada encontramos. Decidimos seguir viagem sem jantar. Cantamos em roda com os irmãos o hino BENDITOS LAÇOS SÃO... Meu Deus, quanta emoção! Oramos e partimos. Viajamos a madrugada inteira, chegando em São Paulo às 6 da manhã. Pedi para Elaine e Calebe conversarem enquanto eu dirigia. E por incrível que pareça não faltou assunto para os dois.
 
Assim foi a nossa viagem. Só esqueci de dizer que deixei uma coisa por lá. Deixei um pedaço do coração. Estou com saudades muitas! E espero um dia rever esses amados e queridos irmãos.
 
Agora as fotos:
 
 
Agora os vídeos
 
Hino O QUE SOU, pela congregação
 
Instrumental MM Davi Pacheco
 
Diácono Henri Rodrigues da Silva cantando IGREJA DO SENHOR
 
Coral cantando HÁ MOMENTOS NA JORNADA
 
Instrumental MM David Pacheco
 
linda menina homenageia os pais
 
Coral canta DEUS SOMENTE DEUS
 
Saudações do Pr. Wagner Antonio de Araújo
 
Testemunho do Pr. Wagner Antonio de Araújo parte 1
 
Testemunho do Pr. Wagner Antonio de Araújo parte 2
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo - A GALERIA DOS HERÓIS DA FÉ 1
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo - A GALERIA DOS HERÓIS DA FÉ 2
 
 
Estivemos por pouco mais de 24 horas em Paraíba do Sul. Mas o que vivemos, o que presenciamos, as amizades que fizemos e a glória de Deus que recebemos em nossos corações valeram por uma vida inteira.
 
Obrigado, Senhor, por tão grande dádiva!
 
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, Carapicuíba, São Paulo, Brasil
 

memórias literárias - 112 - A LOUCA HISTÓRIA DE UMA IGREJA

112 – A LOUCA ESTÓRIA
DE UMA IGREJA


Era uma vez uma bela igreja. Seu povo era feliz e possuíam uma estrutura bem harmoniosa. Tinham bons cultos, uma escola bíblica bem freqüentada, um pastor amoroso e música de qualidade. Mas um dia o pastor deixou-a e ela montou uma comissão de sucessão pastoral. Preparam um perfil, encontraram candidatos e escolheram um bem capacitado. Tratava-se de um pastor de boa formação, com bacharelado, mestrado e doutorado em teologia. Marcaram a posse, convidaram toda a coletividade cristã e celebraram o início de seu ministério à frente da igreja.

No primeiro mês ele ocupou-se em pregar dominicalmente sobre a importância da democracia na vida da instituição cristã. Falou sobre a relevância do poder do povo, pelo povo e para o povo e que uma igreja deomcrática dava voz e vez a todos, independentemente de estar ou não fundamentados na Bíblia ou nas doutrinas denominacionais, pois o que caracterizava o povo de Deus era a mais pura e irrestrita liberdade para tomar as suas próprias decisões. À porta da igreja um irmão bem experimentado perguntou ao obreiro:

Pastor, onde fica a Palavra de Deus nesse sistema absoluto que o irmão está propondo? Ela não é a nossa regra de fé e prática?

Irmão – disse o sábio pastor - , a Bíblia é a maior fonte de heresias na história da igreja. Qualquer um pode defender qualquer coisa através de uma leitura equivocada das Escrituras Sagradas. Além disso não temos dúvidas de que certos textos estão comprometidos com a cultura da época. Portanto, maior e mais importante do que a Bíblia e a voz da igreja nas decisões que tomar.

Marcaram-se, então, reuniões para “repensar a vida da igreja”. O pastor chamou toda a liderança para discutir o futuro da instituição e incentivou as pessoas a proporem as suas questões de forma clara e defendê-las com inteligência nas assembléias que se seguiriam. No começo todos estavam acanhados. Mas quando os primeiros fizeram propostas os demais perderam a timidez e colocaram livremente as suas opiniões. Ei-las:

- Eu acho que os cultos deveriam ter espaços para informações sobre profissões. Se a igreja não servir para orientações vocacionais não servirá de nada.

- Eu gostaria que pudéssemos explorar livros espíritas na escola dominical.

- Eu gostaria de trazer os meus animais de estimação para assistir ao culto; afinal, eles são criaturas de Deus.

- Eu proponho que a Ceia do Senhor seja realizada com garapa e mandioca, uma vez que são elementos muito relevantes na cultura brasileira. E que a música a ser cantada seja a MPB, pois tem algumas com letras maravilhosas, como “Como é Grande o Meu Amor por Você”.

Aquele irmão que interpelara o pastor no início de suas pregações, sobre o lugar da Bíblia nisso tudo, estava presente. E então pediu a palavra.

- Irmãos, o que é isso? Vocês estão malucos? Nós temos uma bíblia que julgamos Palavra de Deus! Suas propostas não têm respaldo nas Escrituras!

O pastor, com ares de deboche, interrompeu-o:

- Pois é, irmão, por causa de pessoas como você é que perdemos tanta gente para o mundo. Transformamos a igreja num gueto de santos e impedimos os pecadores de encontrar um lugar de acolhimento e de linguagem inteligível. Faça suas propostas também, mas cuide de defendê-las e encontrar apoio, senão, procure outra igreja tacanha como suas idéias.
 
O povo riu, festejou a firmeza do ministro e continuou a propor.
 
Chegou o dia da assembléia. Eram tantos os assuntos que dividiram a reunião em 3 sessões.

Ao final, aprovaram as seguintes questões:

- Que a Bíblia desse lugar ao Pequeno Príncipe, que era um livro muito mais profundo que as Escrituras.
- Que em lugar do culto tivessem um show de talentos e que dessem por prêmio os instrumentos musicais da banda da igreja.
- Que convidassem médiuns para fazer sessões de terapia espiritual para as famílias;
- Que celebrassem casamentos homossexuais, que investissem no aborto voluntário das adolescentes e na cirurgia de mudança de sexo;
- Que montassem uma ala para acolher seus animais na hora dos cultos e que se celebrasse o culto fúnebre deles, enterrando-os no terreno da igreja com cruz e placas com versículos;
- Que ordenassem 15 ministros, usando todos os títulos disponíveis: pastor, apóstolo, pagé, guru, elder, padre etc;
- Que abolissem o dízimo e fizessem a rifa dos carros da igreja e montassem barracas de beijos para angariar fundos;
- Que demitissem o pastor e encerrassem a igreja por falta de relevância na sociedade contemporânea.
 
Com dificuldade conseguiram um advogado que desse sentido àquelas propostas todas. Harmonizado o texto, registraram em cartório.
 
O resultado foi estonteante. O pastor foi demitido, os bancos foram doados para salões de beleza e a igreja declarou falência, doando sua propriedade para a sociedade brasileira de ateus cristãos.

Por fim, aquele irmão tão retrógrado escreveu numa cartolina pequena um versículo, colocando-o ao lado da placa de “vende-se”, expressando o seu lamento:

À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles. (Is 8:20)

Wagner Antonio de Araújo
 
obs: qualquer semelhança com fatos reais NÃO É merca coincidência...
  

memórias literárias - 111 - AOS PASTORES E CRENTES QUE SOFREM COM A APOSTASIA


111 - AOS PASTORES E CRENTES
 QUE SOFREM COM A APOSTASIA



"Mas em nada tenho a minha vida por preciosa, contanto que cumpra com alegria a minha carreira, e o ministério que recebi do Senhor Jesus, para dar testemunho do evangelho da graça de Deus." (At 20:24)

São Paulo, Brasil, 09 de agosto de 2013

Tenho ouvido muitos lamentos. Lamentos de colegas que enfrentam a dormência profunda de seus rebanhos, a falta de ação e de participação da membresia nas coisas mais simples da vida eclesiástica. Ouço colegas a lamentar o vazio dos auditórios das quartas-feiras, a falta de alunos na EBD, o mínimo envolvimento da membresia nas atividades evangelísticas, o desprezo para com o púlpito tão bem preparado e organizado. Um colega confidenciou-me que na última quarta-feira esteve na igreja e pregou apenas para a sua filha, adolescente, que levara para o culto. Um outro celebrou a Ceia do Senhor para oito pessoas, uma quantia extremamente pequena de membros locais. E assim caminha a apostasia, lutando em duas frentes: fazendo o canto da sereia, encantando os incautos para o falso e maldito evangelho neoliberal, e adormecendo os poucos sobreviventes, remanescentes nessa luta hercúlea dos últimos dias. Bem previu a Palavra de Deus o que aconteceria nestes dias: "Digo-vos que depressa lhes fará justiça. Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?" (Lc 18:8); "Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências;" (2Tm 4:3); "Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos." (2Tm 3:1);


Os crentes estão rendidos ao BIG BROTHER. Não a este dos programas satânicos das redes televisivas, mas ao legítimo BIG BROTHER, tão bem descrito no livro de George Orwell, 1984, em que descreve um local chamado OCEANIA, dominado por um poder totalitário, que inventou umas telas que vigiavam o povo até no banheiro e que transmitiam mensagens diuturnas, mantendo a escravidão da razão e o total controle mental da coletividade. Não havia como escapar desse domínio. Assim é o BIG BROTHER de hoje. Enquanto celebramos os nossos cultos o nosso povo está dominado por telas, por ecrâs. Com uma única diferença: lá era imposto; aqui o povo voluntariamente tem sido seduzido por ele. Este é o motivo pelo qual vemos o povo nos cultos com um celular na mão, ora "navegando" na internet, ora torpedeando alguém, ora jogando alguma banalidade, ora lendo alguma coisa, e não é a Bíblia. E a frequência aos cultos? Não podem participar porque precisam assistir ao capítulo da novela ou ver o jornal escravizante. E no final de semana? Não podem vir à EBD porque estão cansados e com sono, ou não podem estar no culto da noite porque estão estudando. E na época de férias? Eles simplesmente desaparecem, independentemente dos cargos que exercem na Causa do Senhor.  Parafraseando Jeremias, "Oh geração! Considerai vós a palavra do Senhor: Porventura tenho eu sido para Israel um deserto? Ou uma terra da mais espessa escuridão? Por que, pois, diz o meu povo: Temos determinado; não viremos mais a ti?" (Jr 2:31). Citando Jesus em sua maldição à figueira infrutífera, assemelhamo-nos a ela, quando, na expectativa de encontrar em nós frutos, o Senhor vê apenas folhas, ou desculpas. "Não posso participar porque estudo", "porque trabalho", "porque tenho afazeres domésticos", "porque é tarde", "porque tenho que estudar para a prova", "porque está frio", "Porque está quente", "porque tenho visitas", "porque estou indisposto".

Os colegas que hoje possuem bons rebanhos e estão vivendo momentos floridos devem entender que são fases e que fatalmente dias de indiferentismo sucederão estes momentos também. Não se trata de maldição ou de lamúrias, mas de realidade! Assim como os que, como eu, atravessam horas amargas de indiferentismo, poderão ser surpreendidos com grandes despertamentos. Mas creiamos: as igrejas estão contaminadas pelo desânimo de Satanás e cativadas pelo espírito das trevas.  Ao servo do Senhor cabe não apenas sofrer o agravo como dar graças e esperar pelas ordens divinas. O agravo é um privilégio: "Portanto, tudo sofro por amor dos escolhidos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus com glória eterna." (2Tm 2:10). E o ministério não é nosso, é dEle.  É no serviço fiel no lugar onde Deus nos plantou que Ele mesmo nos tirará, levando-nos para outro pastorado sem politicagens, sem compadrismos, sem Q.I., sem pressa e sem renúncias. Permanecer fiel e trabalhar duro onde estiver é o segredo para uma obediência feliz à vontade do Senhor. Falo isso com conhecimento de causa: 17 anos numa mesma igreja, 22 anos de ministério ordenado e 26 de ministério prático. Portanto, a experiência e a maturidade ainda têm vez num ministério estável e confiável.

Quis dizer tudo isso para fortalecer o coração dos colegas. São provações profundas e pesadas, mas o Senhor está conosco. Nesta semana estive envolvido no culto da saudade e num sepultamento.  O velório (perdão pela palavra, mas é o lugar dos cultos no cemitério) estava repleto. Preguei e cantei, apresentando a mensagem de Cristo. Após pregar e cantar, quando saí para deixar a família no instante final de despedida, uma senhora por nome Dalva agarrou-se no meu braço e disse: "Pastor, pode trazer uma palavra para a minha mãe? Ela está sendo velada aqui ao lado e não temos ninguém para nos consolar!" Que tristeza! Lá fui eu com o meu violão e a bíblia, a cantar e pregar para os poucos familiares e amigos que se despediam de Dna. Maria Iraci. Não havia ministro disponível. Estavam atarefados demais para consolar os enlutados. O mundo jaz no Maligno. O mundo se prepara para o grande império do mal. O cenário está sendo estendido, as cortinas estão subindo. O canto do Maligno está turbando a mente dos crentes incautos e inconstantes, aqueles cujas lâmpadas, à semelhança da parábola das dez virgens, confiam no pouco azeite de suas candeias. Mas quando o Noivo regressar e a Noiva entrar, as virgens néscias ficarão; os crentes nominais também, pois não tinham a fluir em suas vidas a verdadeira comunhão dos salvos.

Ó terra, terra, terra! Ouve a palavra do Senhor. (Jr 22:29)

Portanto, assim te farei, ó Israel! E porque isso te farei, prepara-te, ó Israel, para te encontrares com o teu Deus. (Am 4:12)

Com amor e estima,

Pastor Wagner Antonio de Araújo
presidente da OPBCB
pastor da
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, Carapicuíba, São Paulo, Brasil

memórias literárias - 110 - PAPA FRANCISCO E IGREJA ROMANA: O QUE MUDOU?

110 -
PAPA FRANCISCO E
IGREJA ROMANA:
O QUE MUDOU?
 
Depois de um longo final de semana com atividades diversas, sento-me em minha cadeira do escritório. Abro os meus e-mails. E vejo, perplexo, o fenômeno PAPA FRANCISCO e JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE. Vejo Asaph Borba e assembleianos cantando para o Papa e com o Papa, rezando o Pai Nosso com três milhões de pessoas no Rio de Janeiro. Leio articulistas das mais variadas vertentes evangélicas, elogiando a prédica e a prática do "Representante de Cristo na Terra": um homem simples, humilde, que carrega as próprias malas, dorme num quarto sem luxo, come com os pobres, gosta de gente, prega a caridade, pede encarecidamente a todos que orem por ele etc. Muitos autores usam suas palavras para criticar os líderes evangélicos, mormente os neopentecostais (que são considerados evangélicos mas não são realmente cristãos na concepção teológica tradicional): dizem que ele aponta o caminho inverso dos apóstolos e donos de igrejas evangélicas, lavando os pés sujos dos fiéis e usando coisas simples e baratas. Seu sorriso cativante, seu amor pelo povo e a facilidade de convívio e relacionamento conquistou a todos. A todos?
 
É incrível como o ser humano é facilmente seduzido pelos pentes trazidos pelos europeus aos pobres selvícolas latino-americanos: com pentes e espelhos lhes roubaram a alma, a terra, os bens, a cultura e a própria vida. Basta um lindo sorriso e uma boa prosa para que se acredite em autêntica amizade, em sinceridade, em igualdade, em cristianismo empírico. Evangélicos estão propagando o cristianismo do Papa e o anti-cristianismo de sua própria liderança. Isto é, a Igreja Romana conseguiu de uma só vez, unir católicos e re-arrebanhar os protestantes que deixaram o aprisco da Santa Madre Igreja.
 
Como disse a dois parágrafos, o Papa Francisco conquistou a todos. Isto é, NEM TODOS.
 
E por que um grupo de cristãos evangélicos, mormente os batistas clássicos e todos os conservadores ortodoxos de denominações históricas, não fazem coro com a multidão seduzida dos elogiantes do Papa? Por que não cantam para o Santo Padre? Por que não participam da Eucaristia Ecumênica? Por que não celebram o mesmo pão e o mesmo vinho? Por que insistem em ser protestantes quando os próprios protestantes estão curvados ao exemplo do chefe maior do Vaticano e da maior denominação dita cristã do mundo?
 
Fui católico romano. Eu iria ser padre. Fui coroinha, rezador de terços, conheci a história dos santos e fiz toda espécie de novenas e procissões. Participei anualmente das oferendas à Nossa Senhora de Aparecida. Fiz catecismo, primeira comunhão, aprendi a rezar e a benzer. Fui coroinha do bispo de São Paulo quando celebrava missas na Pompéia. Aquele foi o meu primeiro aprisco. E aos 14 anos tive um encontro com Cristo e converti-me não ao protestantismo, mas ao cristianismo de um Senhor só, de um mediador só, de dois destinos para a alma humana (Céu e Inferno, sem purgatório), de um só sacrifício, o do Calvário (sem a necessidade dos sacrifícios não cruentos das missas constantes). Não abdiquei de Cristo; abdiquei do Cristo insuficiente, que se valia da intercessão do Corpo, dito Sua mãe e seus Santos. Eu me converti ao Cristo das Escrituras Sagradas, abrindo mão do Cristo das imagens que tinha (mais de 70) e da "dulia" e "hiperdulia" de uma adoração híbrida (quem é católico sabe do que falo).
 
Por que um cristão bíblico não se seduz com o sorriso meigo do homem simples que carrega hoje o Cajado de Pedro, a pedra sobre a qual foi erguida a Santa Igreja Católica Apostólica Romana?
 
1) Porque nada mudou. Conquanto se leve 3 milhões de pessoas para adorar a Deus e ao Papa (teoricamente não admitem, mas o fanatismo com que o ouvem e o louvam é prova inconteste de adoração empírica), isso acontece aqui, onde o Papa não mora. No Vaticano só conseguem reunir multidões por causa dos estrangeiros e quando há morte ou sucessão. No dia a dia ele é rotina. Se morasse aqui não reuniria 500 mil pessoas anualmente. Ademais, somos ávidos em admirar profetas de outras terras (coisa que não é de agora, Cristo assim se referia a glória que não recebia de seu próprio vilarejo).
 
2) Porque tudo isso custou aos cofres públicos milhões de reais, custou à administração pública uma dedicação incondicional à cúria romana. Mas também rendeu muito, mas muito dinheiro para todos. Rendeu para a mídia, que transmitiu em tempo real; rendeu aos fabricantes de amuletos (escapulários, imagens, materiais de mídia, lembranças), rendeu aos que cantaram (cachês)  e aos que produziram (consumo de produtos). Foi um negócio imenso.
 
3) Porque a adoração foi idólatra, no conceito bíblico. Para Deus não há divisão de glória. Quando um Papa pede para que o governador honre à Santa Clara com uma cesta de ovos ofertada a uma imagem de escultura através de uma freira, está induzindo o povo à idolatria e criando crendices de libertação de temporais e de chuvas (Santa Clara é a santa que acalma as tempestades, na fé católica).
 
4) Porque o movimento não foi sob a bandeira de Cristo, mas sob a bandeira da Igreja Romana, que diz-se edificada sobre o Apóstolo Pedro. Em sendo Pedro um pecador, não pode uma fé edificada sobre ele ter qualquer relevância. A igreja de Cristo é edificada sobre Cristo e não sobre Pedro.
 
5) Porque o perdão plenário oferecido pelo Papa Francisco aos jovens é falso. Esse perdão não existe. O juiz de todos os homens não é ele; o mediador e o sacerdote de Cristo não é ele. O único mediador entre Deus e os homens é Jesus Cristo e somente Ele pode conceder o perdão por meio da fé. Qualquer sacerdote ou Papa que prometa um perdão plenário está mentindo. Como comungar com a mentira? Além disso Roma colocou centenas de padres para confessar os jovens participantes da jornada. Onde está isso no plano de Deus para o perdão humano? Não está.
 
6) Porque Roma, através do Papa Francisco, está fazendo o que sempre fez: buscando o seu rebanho perdido.Eles querem a todo custo reunir sob o poder do Vaticano os cristãos de todas as ramificações evangélicas. Para tanto transformaram as suas missas em entretenimentos e vestiram seus sacerdotes de pastores americanos ou ministros de louvores. Assim, já está difícil definir diferenças das celebrações evangélicas ou católicas, o povo se confunde. Só não se confunde quem analisa a fé manifestada e não o espetáculo produzido.
 
7) Porque o Papa Francisco continua crendo em Maria como Rainha do Céu e nos santos como mediadores auxiliares de Cristo. E essa doutrina é falsa, quando se opta por crer apenas nas Escrituras Sagradas. Ainda que os evangélicos estejam seduzidos pelo espetáculo, terão que prestar contas com as suas consciências do que estão fazendo ou considerando, uma vez que serão cúmplices dos louvores à mãe de Jesus, coisa que as Escrituras Sagradas jamais solicitaram e estão concordando com a intercessão de santos no auxílio de Cristo. Terão que aceitar as duas outras fontes da fé católica: a tradição e o Sagrado Magistério, o ensino papal e da Santa Igreja. E então? Estamos tendo finalmente a anti-reforma? Viva Roma!
 
8) Porque o cristianismo que prega a salvação pelas obras não é cristianismo bíblico. A doutrina da fé propagada não é aquela que crê na salvação como ato de Deus em favor do homem, mas como pagamento de Deus pela bondade humana. E qual é o homem que é bom o bastante para alcançar a sua salvação? Nenhum. Resulta disso um cristianismo de gente inconversa. Pessoas não regeneradas, pessoas que não têm limite entre o sagrado e o profano (tanto rezam com o Papa como dançam com cantoras seminuas e vivem a duplicidade de alegrias, a religiosa e a pagã). Esse cristianismo não é o de Cristo. O dele regenerava os seguidores, transformando-os em novas criaturas.
 
9) Porque humildade que não renuncia aos títulos papais não é humildade de fato. Ele continua a ser: Vigário de Cristo, Príncipe dos Apóstolos, Pontífice (sacedote pagão), Soberano do Estado do Vaticano, Cabeça da Igreja, Santo Padre. Eu pergunto: que humildade é essa que não renuncia a tudo isso? Onde está o franciscano das sandálias no título que não lhe compete, mas a Cristo? Não. A humildade faz parte do show. Faz parte do personagem. Faz parte da estratégia. E cristãos bíblicos não ouvem a voz do estranho; só ouvem a voz do Bom Pastor. E esse não é Francisco, mas Jesus.
 
Bem, a questão não é pessoal, mas ideológica, teológica, religiosa, bíblica.
 
Francisco pode ser carismático, pode ser agregador, pode ser dócil. Mas Francisco é Papa e como papa ele não é o que pretende ser.
 
Respeito os ecumênicos. Mas sou batista clássico. E ainda sou dos que se converteram para sempre. Com respeito a quem não pensa assim. Mas com convicção naquilo que crê.
 
Wagner Antonio de Araújo
 

memórias literárias - 109 - PASTORES TAMBÉM CHORAM


109 - PASTORES TAMBÉM
CHORAM


Encontrei-o tristonho, pensativo. Vi que havia um lenço sobre a mesa. Ele chorara.

Um pastor muito meigo, ajudador, um bom amigo. Carregava a sua tradicional sacola com folhetos e livros. Lia muito e também visitava. Mas hoje estava triste.

"Olá, Pastor Assis. O que há? Estava chorando?" Ele tentou recompor-se para cumprimentar-me, explicando-se: "É o frio paulistano, ninguém esperava tanta friagem, não é mesmo? Estou com um pouco de coriza". Claro que era uma desculpa. Sentei-me e pedi o nosso tradicional café com leite. Para acompanhar, uma gostosa coxinha. Aquela padaria da zona leste é muito boa.

- Ah, Pr. Wagner, às vezes o coração se entristece!

- Eu sei, Pr. Assis. Como sei! Mas o que é que acontece hoje? Por que está tão reflexivo?

- Talvez me sentindo esquecido, colega. E perguntando para mim mesmo se o que faço tem valido à pena.

- Pastorear?

- Não! De forma alguma! Depois de 40 anos no ministério descobrimos de fato que essa era a nossa vocação. Estou triste por ser invisível.

- Como assim?

 - Ninguém me vê! O irmão sabe que não consigo deixar de ajudar, socorrer, encaminhar.

- Sei sim, pastor. O irmão tem mais coração do que cérebro (e não estou criticando). Quem não sabe que há aí no irmão um ombro amigo e um ajudador que não mede esforços?

- Pois é, Pr. Wagner. Fiz disso a minha filosofia de vida. Ajudo outros colegas a encontrar um novo ministério, tento auxiliar casais em crise, procuro conectar as pessoas.

- E como o seu trabalho é precioso, Pr. Assis! O que seria de nós sem o seu empurrãozinho!

- Obrigado, Pr. Wagner. Mas acho que é só o irmão que pensa assim.

- Por que?

- Vou contar-lhe um caso. O irmão sabe que com muita dificuldade pastoreio a igreja da Pedreira Colibri. Começamos esse trabalho e com a graça de Deus ele existe e segue avante.

- E como sei! Quando ninguém acreditou no projeto o senhor foi avante, investiu tudo o que tinha e hoje há uma igreja muito boa ali.

- Sim, muito boa e pequenina. Não reclamo, ela é uma bênção. Mas parece que eu não sirvo pra mais nada, sabe?

- Por que? Conte-me.

- Pois o irmão não imagina que situação constrangedora. A Igreja de Vila Quitéria ficou sem pastor no último mês. Uma família influente convidou-me para tomar café. Lá fui eu. Ao chegar me disseram: "pastor, precisamos de um nome para indicar à igreja. Um bom pastor que ainda seja conservador, que possa pastorear-nos. Não conseguimos pensar em ninguém. O irmão tem alguma sugestão?

- E o irmão?

- Eu disse: sim. Indiquei um colega. Mas lá no fundo pensei: eles estão olhando para mim e não me vêem! Será que sou tão ruim assim?

- Não, pastor, não pense assim. Eles talvez não imaginassem que o irmão estivesse disponível.

- Eu sei, Pr. Wagner, mas a questão é: em um ano auxiliei mais de 12 igrejas e pastores a encontrar um novo ministério; por que eu nunca sou lembrado? Sou tão medíocre ou ruim assim? Eu nunca sou um nome cogitável?

- E o pastor recomendado, aceitou?

- Sim, e nem muito obrigado falou!

- Ai...

- É a vida. Já estou acostumado com esse tipo de gratidão. Antes me procuram, demonstram afeto, amizade. Depois que tudo se acerta riscam-me da agenda e eu volto à inexistência.

- Não fique triste, pastor. Deus está vendo.

- Eu sei. Contarei outra. Um casal precisava de grande socorro. Faltava uma frase apenas para que o divórcio se completasse. Eu era a última opção. Lá fui eu. Vi a crise, vi que não seria nada fácil. Mas fiz o que pude e o casal reconciliou-se.

- Glória a Deus, pastor! Eles estão bem?

- Sim, tão bem que resolveram realizar um culto de reconciliação.

- E o irmão foi?

- Quem disse que fui convidado?

- ...

- Outro dia pediram-me para auxiliar na solução de uma injustiça na associação. Um colega mal intencionado não deixava o poder. Estava levando a instituição ao abismo. Pediram-me para somar com eles na solução do problema. Fiz o meu papel, cooperei, protestei, votei. Conseguimos solucionar. E na hora das indicações eu sequer fui lembrado para a oração silenciosa.

- Típico, pastor. Muito comum nessas esferas políticas.

- Não era política, meu irmão, era associação de igrejas!

- Ah, puxa, pastor, sinto muito!

- Estou cansado, Pr. Wagner. Não reclamo da vida, não reclamo da igreja e nem dos poucos irmãos que congregam ali. Reclamo é da ingratidão, de não ser ninguém além de um serviçal. Ajudo a tantos e nem sou lembrado!

- Bem, pastor, acredito que o que o senhor sente eu e tantos outros sentimos muitas vezes, mas em proporção muito menor do que a sua. O irmão é inigualável em sua doação pelo próximo. Mas há três textos que me ajudam muito nessas horas de dor interior.

- E quais são, Pr. Wagner? Diga-os, pois estou precisando de um azeite fresco para uma alma ressequida.

- O primeiro é este: Porventura pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que não se compadeça dele, do filho do seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse dele, contudo eu não me esquecerei de ti. (Is 49:15). Por vezes nos sentimos esquecidos como um órfão. A própria mãe o abandona. No nosso caso somos simplesmente invisíveis: abandonam-nos na prática: convidam-nos para as crises e esquecem de nós nos festejos. Precisam de nossa indicação nas oportunidades e não precisam de nós para os serviços e as funções. Buscam-nos quando querem algo, ignoram-nos quando já conseguiram. Infelizmente é assim. Contudo, Deus promete que não se esquecerá de nós. E Ele é fiel e justo. Não deixará de lembrar-se do que fizemos.

- Ah, Pr. Wagner, como é bom ter um Deus tão bom e amoroso como o nosso!

- O segundo texto que muito me conforta é este: Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra, e do trabalho do amor que para com o seu nome mostrastes, enquanto servistes aos santos; e ainda servis. (Hb 6:10). Eu sei, Pr. Assis, que as pessoas só se lembram de nós quando precisam de ajuda. Somos a última alternativa. Precisam de nossa mediação, de nossa palavra, de nossa oração, de nossa intervenção. E nos procuram. Só que pensam com o ventre: só se lembram da comida quando há fome. Saciada esta, então descartam-nos como a uma manjedoura desnecessária. E se esquecem que existimos. Aliás, isso quando só se esquecem, porque às vezes ainda nos causam dores e ingratidões...

- É verdade, colega! Um casal a quem auxiliei na restauração do casamento abandonou a igreja dois meses depois, alegando que éramos muito pobres para o seu nível intelectual e financeiro...

- Pois é, Pr. Assis, as pessoas são assim, injustas e ingratas. Por isso o Senhor não se fiava a elas, mesmo que o quisessem coroar rei delas. Lembra-se? Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia; (Jo 2:24). Lembra-se dos 10 leprosos curados pelo Senhor? E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? (Lc 17:17). Só um voltou. Em nosso caso, muitas vezes, nem um retorna. Mas isso não invalida essa maravilhosa verdade: Deus sabe. Deus conhece. Deus vê. Deus anota e ao final receberemos a nossa recompensa.

- Obrigado, Pr. Wagner, pelo consolo tão necessário! Parece que a decepção nos faz esquecer dessa verdade tão presente! Temos um Deus que não se esquece de nós!

- Sim, Pr. Assis, mas há um último texto, que quero compartilhar com o senhor: Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos. (Hb 12:3). Ah, Pr. Assis, não desanime! Ainda não terminou o seu trabalho! Por maior que seja a ingratidão sofrida, por mais que as pessoas não lhe vejam (precisam de pastores mas não lhe enxergam como uma opção), não desista! Saiba que o Senhor não lhe deixará nem desamparado e nem esquecido. Ele se lembra diuturnamente do irmão!

- Pr. Wagner, o irmão é tão mais novo do que eu e está sendo como um conselheiro para mim!

- Não, pastor, eu apenas estou pensando alto com o meu amigo, buscando de alguma forma despertar nele a força que precisa para não desistir de ser a pessoa maravilhosa que é, o pastor amigo, amado, cordial, ajudador, piedoso e presente. O que seria de nós se o senhor desistisse, pastor? Saber que teremos o senhor para desabafar, para nos ajudar, nos socorrer, nos estender a mão, torna o ministério muito mais fácil. É maravilhoso saber que o irmão é um homem segundo o coração de Deus! Por favor não desista!

- Obrigado, Pr. Wagner, pelo carinho e pelas boas palavras! Vou considerá-las. Quer almoçar comigo? Dona Maria está preparando uma bela canja para esse dia frio! Que tal?

Paguei a conta e segui com o Pr. Assis, para a Pedreira. Depois fui para a igreja seguir com meu ministério e senti-me feliz e realizado por ter ajudado o Pr. Assis a não desistir de ser quem era, um homem raro, um pastor de verdade!

E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. (Mt 25:21)

Que outros Assis, que me lêem, não desistam também.

(ficção)


Wagner Antonio de Araújo

memórias literárias - 1487 - EU ERA ...

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