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quinta-feira, 3 de março de 2016

memórias literárias - 322 - AJOELHADOS

AJOELHADOS
322
Foi-se o tempo em que os cultos mantinham momentos onde o povo de Deus dobrava os joelhos. No meio católico é mantida a tradição; porém, infelizmente, tradição e motivações diferentes daquelas mencionadas nas páginas da Bíblia (veneração de imagens, adoração da hóstia etc). O neopentecostalismo, uma heresia não cristã em sua essência, ensina os seus adeptos, que se chamam de crentes e usam as nossas denominações, a se ajoelharem diante de seus falsos apóstolos, primazes e profetas. Os cristãos comuns, por sua parte, não têm se ajoelhado com frequência. Andam arrogantes, metidos a patrões, exigindo de Deus alguma coisa. Quando se dobram, buscam intimar a divindade a entregar aquilo que supostamente prometera nas páginas das Escrituras Sagradas ou na boca dos oráculos modernos chamados profetas. As igrejas gostam é de celebrar, pular, dançar, se divertirem às custas de Deus! O antes e o depois dos cultos denotam a falta de respeito na Casa de Oração: não há um clima de contrição, senão de entretenimento ou de confraternização; instalação ou retirada de instrumentos e sonorização. Quanta saudade da igreja onde podíamos entrar, nos sentarmos e orarmos demorada e contritamente ao Pai!
 
Os chamados heróis da fé viviam de joelhos. Tiago, o meio-irmão de Jesus, recebeu o apelido de "Tiago Joelho de Camelo" pela grossura dos calos nos joelhos, provocados por inúmeras vezes em que se ajoelhara diante de Deus. Em toda a história da igreja cristã encontramos os heróis e as heroínas a buscar a Deus de joelhos, em contrição, em reconhecimento da autoridade divina sobre a vida e a história humana. Contou-nos John Paton (herói da fé, evangelista das Ilhas Hébridas) que o que mais tocava o seu coração era ouvir o pai, Tiago, ajoelhado em lágrimas no seu "santo dos santos", a implorar pela vida dos seus filhos. Suzana Wesley, a mãe dos Wesley, tinha tantos filhos e tantas atribuições, mas era constantemente flagrada de joelhos pelos pequeninos, nas duas horas que gastava diariamente neste afã. David Livingstone, o explorador inglês e evangelista herói da fé na África, foi encontrado morto, de joelhos, em seu quarto; ele literalmente dormiu de joelhos na presença do Senhor!
 
As igrejas evangélicas, principalmente no meio pentecostal original, mantinham o costume de, ao chegar à Casa de Oração, dobrar os joelhos em silenciosa e contrita oração com Deus. Os protestantes, e, ao lado deles, os batistas, costumavam ver os seus líderes e dirigentes do culto, de joelhos na plataforma, consagrando as atividades, depois de terem orado numa sala à parte. Os crentes, em suas casas, mantinham o costume de dobrar os joelhos antes de dormir, buscando a face do Senhor.
 
Hoje nem se ajoelha e nem se ora. Que tragédia! O resultado é visivelmente horrível: uma igreja rica, cheia de recursos tecnológicos, repleta de gente, com música de qualidade profissional, mas sem a presença de Deus ou a graça do Senhor. Não há enchimento do Espírito, pois os vasos estão cheios de si próprios. Esqueceram-se do que Moisés fez ao contemplar a sarça ardente: recebeu ordens de tirar as sandálias por estar em terra santa(Êx 3.5). E prostrou-se diante de Deus (prostrar-se é mais que ajoelhar-se; é lançar mãos e pés ao chão, esticando-se em completa rendição). Josué, ao ser visitado pelo Príncipe dos Exércitos do Senhor, recebeu a mesma determinação, prostrando-se imediatamente (Js 5.14-15) . E assim encontramos todos aqueles que foram grandes em sua fé e em sua dedicação ao Senhor, a prostrarem-se diante de Deus, humilhando-se e rendendo-se (Ef 3.14; At 20.36) . Nosso exemplo maior é o próprio Senhor Jesus, que, no Getsêmani de dor, prostrou-se para orar (Mt 24.35).
 
Está mais do que em tempo de nós, povo de Deus, ajoelharmo-nos diante da Santíssima Trindade. Se quisermos andar eretos na vida, nos negócios, na espiritualidade, na moralidade e na consciência, devemos nos prostrar diante dAquele que era, que é e que há de vir, o Todo-Poderoso. Sim, porque Ele diz: "E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado." (Mt 23:12). Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do Senhor que nos criou. (Sl 95:6). O crente que mantém-se de joelhos diante de Deus nunca cai, pois encontra-se debaixo da graça e da autoridade do Senhor. Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. (1Co 10:12). E isto não é uma questão meramente de joelhos físicos, propriamente falando. Há gente que se ajoelha com arrogância, ao passo que há quem não pode mover os joelhos e é quebrantado. Ajoelhar-se é mais que um ato físico; é uma atitude da alma. Perto está o Senhor dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito. (Sl 34:18). Nem toda oração precisa ser feita literalmente de joelhos; mas o coração deve ajoelhar-se e, quando possível, e se os joelhos funcionarem, deve unir o coração ao corpo, e, se possível, prostrar-se diante do Senhor. Um ato cerimonial, um rito, mas também uma obediência. Até no Céu os anciãos prostraram-se diante do Altíssimo! (Ap 19.4)
 
Precisamos de locais públicos, casas de oração, onde tenhamos a oportunidade de dobrar os nossos joelhos diante do Pai. Precisamos de quartos e locais secretos onde também venhamos a fazer o mesmo diante de Deus. Nossos salões de culto, capelas, templos, salas de encontro devem se tornar Casas de Oração! Há de haver um Monte Horebe para cada coração, um Monte Sinai para cada vida e um Getsêmani para cada um de nós! Temos que devolver às nossas casas de oração a sua autêntica finalidade: além da pregação da Palavra de Deus, também o local de refúgio das almas contritas, a nossa Betel!
 
Que o Senhor nos coloque de joelhos e que compreendamos que Ele é o nosso Deus e nós rebanho do Seu pastoreio!
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo

04/03/2016

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