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quinta-feira, 17 de março de 2016

memórias literárias - 325 - FOMOS GRAMPEADOS

FOMOS GRAMPEADOS!
 
 
 
325
A nação brasileira ouviu, perplexa, as gravações de telefonemas particulares das maiores autoridades governamentais do país. E o que ouviu foi de tal forma aviltante, chulo, criminoso e vil, que transformou um conhecimento público no estopim final da indignação nacional. Há uma repulsa, um nojo, um mal-estar generalizado, uma impressão de hipocrisia pública, pois o que se ouviu é tão diferente da imagem pública, que causa uma sensação de traição, de ludíbrio, de maquiagem artística enganadora.
 
Os que tiveram as vozes reveladas discutem a legalidade das gravações, esquecendo-se, infelizmente, de que o conteúdo registrado é de tal forma degradante que não há desculpas para o que foi dito, seja em privado, seja em público. Mulheres, homens, presidente, ministros, deputados, prefeitos, advogados, gente que deveria dar o exemplo através de uma linguagem sadia e virtuosa, mostraram-se chulos, mundanos, promíscuos, torpes e absolutamente degradantes.
 
CONTUDO, e não querendo em hipótese alguma tirar uma vírgula sobre a gravidade de tais gravações, eu me pergunto: o que aconteceria se os PASTORES e MINISTROS DO EVANGELHO recebessem uma escuta telefônica, tendo suas conversas particulares gravadas e publicadas? O que aconteceria se as ESPOSAS e os MARIDOS cristãos fossem grampeados e tivessem suas falas registradas para os cônjuges? O que os filhos achariam das conversas íntimas de seus pais com amigos ou conhecidos? O que aconteceria se OS CRISTÃOS fossem monitorados e tivessem seu sigilo pessoal descoberto?
 
Ouso dizer que muitos de nós nos surpreenderíamos com as coisas que dizemos em particular! Lamento afirmar que muito do que não se diz publicamente para evitar escândalo, é dito sobejamente em privado, sem pejo e sem piedade!
 
Acompanhemo-nos em nossas falas diárias.
 
O que dizemos quando um carro nos fecha no trânsito e estamos sozinhos no volante? O que falamos quando ninguém nos escuta? O que dizemos quando um carrinho de supermercado passa sobre o nosso pé? O que dizemos quando tomam o nosso lugar na fila? O que dizemos quando a conta de luz chega com 70% de aumento e o salário com um desconto monstruoso?
 
O que dizemos ao telefone com pessoas de nossa intimidade, pessoas com quem podemos pensar alto? Muitas vezes, sem a ética pública, deixamos que a linguagem se torne livre e solta e, não raras vezes, transformamos a nossa fala num monumento ao baixo calão e ao livre curso dos palavrões!
 
O que dizemos sobre as pessoas quando estamos com outras que gozam de nossa intimidade? Na frente delas somos corteses e elegantes; mas basta que estejamos seguros da privacidade para que expressemos da forma mais dura e ácida a nossa opinião sobre amigos, sobre líderes, sobre irmãos, sobre ministros do evangelho, sobre pessoas da família, sobre liderados, sobre funcionários ou patrôes. Se as nossas conversas fossem gravadas poderiam não ser muito diferentes das chulas e torpes conversas que ouvimos durante esta semana!
 
Conheci um pastor que, ao jogar futebol, era quem mais xingava em campo. Interpelado pela juventude da igreja, ele saiu-se com essa pérola: "Na igreja eu sou pastor; aqui eu sou atleta". Conheci um pregador que não percebeu a presença de uma abelha junto ao púlpito; enquanto buscava a passagem bíblica foi picado pelo inseto. E, com toda a força da expressão, gritou um palavrão escabroso para um auditório de 200 pessoas! Claro, acostumado a xingar em particular, reagiu da forma natural e sem lembrar-se da etiqueta! "...  porque da abundância do seu coração fala a boca."(Lc 6:45) Quantas cristãs que postam no facebook usam expressões chulas para falar de suas emoções, opiniões ou deboches! Lembro-me de ter sentido vergonha de membros da igreja que pastoreio, quando vi expressões mundanas em suas publicações!
 
Os fatos desta semana tenebrosa no Brasil levaram-me a examinar-me intimamente.
 
Se um grampo fosse instalado não em meu telefone, mas em minha mente, o que seria coletado? O que seria escutado? Que tipo de palavras seriam registradas? E as que eu falo na intimidade das pessoas que convivem comigo, expressam a fé que eu alego ter no Senhor Jesus Cristo e numa vida guiada pela Palavra de Deus? Será que eu sou realmente alguém que vive o que prega? Será que o que eu falo em particular não escandalizaria os que olham para mim em busca de um exemplo a ser seguido?
 
Mas agora, despojai-vos também de tudo: da ira, da cólera, da malícia, da maledicência, das palavras torpes da vossa boca. (Cl 3:8)
 
Se sou um cristão verdadeiro tenho que ter cuidado com o que penso e com o que falo. Ser livre em Cristo não significa ser livre para pensar no que quiser ou falar o que desejar e com a linguagem que escolher. A linguagem do crente deve ser uma linguagem que expressa um nível moral, ético e espiritual à altura do senhorio de Jesus Cristo!
 
Linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós. (Tt 2:8)
 
O adversário, Satanás, busca oportunidades para nos envergonhar e envergonhar o evangelho de Cristo. Cada vez que damos vazão às palavras de baixo calão, que expressamos opiniões ácidas contra as pessoas ou que nos envolvemos em palavreados mundanos e chulos, envergonhamos a Cristo e nos tornamos um escândalo para o evangelho.
 
Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado. (Mt 12:37)
 
Sim, as minhas palavras são preciosas. Enquanto na minha boca, são minhas escravas. Quando saem, eu me torno escravo delas. E a questão é simples: eu disse. E, por ter dito, tenho que assumir todas as consequências! Se foram palavras sábias, elas trarão vida, transformação e bênção; se foram palavras chulas, satânicas e mundanas, elas trarão a minha condenação e a minha perdição.
 
O que vos digo em trevas dizei-o em luz; e o que escutais ao ouvido pregai-o sobre os telhados. (Mt 10:27)
 
O Senhor Jesus disse que Suas palavras seriam proclamadas nos telhados. Seriam divulgadas. E, em sendo seguidores do Senhor, as nossas também. Assim, as palavras que dizemos, quer sejam públicas, quer sejam privadas, devem passar pelo crivo divino:
 
Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. (Ef 4:29)
 
Será que um telefonema meu, grampeado, edificaria a pessoa que o escutasse? Será que o que eu digo depois do culto em particular pode ser publicado no boletim da igreja? Será que o que falo no carro sozinho é digno do nome do Senhor? Será que o que eu publico nas redes sociais ou nos whatsapps da vida, em particular, poderia ser inspirativo se viesse a ser público?
 
Pois eu quero afirmar com absoluta segurança: um dia TODOS prestaremos conta de CADA PALAVRA que já dissemos. "Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo." (Mt 12:36) Teremos que prestar contas; não com a justiça do país, mas com O DEUS DE JUSTIÇA, de onde emana todo dom perfeito e toda verdade.
 
Estaremos preparados para o grampo divino?
 
Não havendo ainda palavra alguma na minha língua, eis que logo, ó Senhor, tudo conheces. (Sl 139:4)
 
Cuidemos de nossos pensamentos. E, além deles, de nossas palavras.
 
Que Deus colha de nós coisas melhores do que as que ouvimos nesta semana!
 
Fomos grampeados por Deus.
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo

18/03/2016

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