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sexta-feira, 2 de setembro de 2016

memórias literárias - 358 - 51 ANOS! EU APRENDI

51 ANOS !
"EU APRENDI"
 

 
Eu aprendi
 
Eu aprendi que há um dia depois do outro, sempre com uma noite entre eles. Assim, se eu tiver paciência, poderei aguardar o amanhecer para tomar decisões mais acertadas.
 
Eu aprendi que as paixões cegam os olhos. Se eu confiar mais no que Deus ensina em Sua Palavra e na visão sem paixão dos que me amam, poderei ter conselhos eficazes e evitar abraçar pessoas ou causas que não valem a pena.
 
Eu aprendi que para a realização familiar não há uma idade-limite. Assim como há variedade de maturidade nas coisas criadas por Deus na Natureza (as couves produzem com três meses e os carvalhos com décadas), assim também há tempos diferentes para a felicidade familiar entre as pessoas; aguardar esse tempo e aproveitá-lo ao máximo é o segredo! Hoje sou marido de uma mulher maravilhosa (Elaine) e tenho uma filha maravilhosa (Rute Cristina)
 
Eu aprendi que as pessoas amam o poder e são amigas de quem o detém; os legítimos amigos não se encantam com os cargos ou poderes circunstanciais que recebemos em nossas mãos. Dessa forma há pessoas que jamais olharão para nós, mas para o cargo ou o poder que temos. Ainda assim teremos que amá-las e servi-las!
 
Eu aprendi que os amigos são poucos. Amigos são os que ficam quando todos os outros vão embora, e que não estão preocupados no que os outros vão pensar, mas no que eles mesmos vão pensar se se esquecerem de nós. Amigos não dependem de empréstimos, auxílios ou indicações, ainda que no exercício da amizade situações desse porte aconteçam. A relação de estima e consideração só funciona de forma bela quando é uma estrada de duas vias, quando nós também nos importamos com elas. Afinal, amizade não é caridade, mas relacionamento mútuo!
 
Eu aprendi que é melhor sermos considerados radicais ou inflexíveis do que completamente abertos para mudanças. As âncoras existem para dar estabilidade às naus; se elas mudassem de peso, de forma, de tamanho, não seriam âncoras, mas assessórios ou enfeites. Âncoras são mais necessárias do que fatores-surpresa. É preferível sermos uma torre onde relógios mecânicos mantém a hora certa do que digitais que zeram por qualquer anomalia.
 
Eu aprendi que os momentos devem ser vividos com toda a intensidade e com toda a gratidão. Eles podem ser únicos em toda uma existência, ou então terem uma configuração de ambiente, de pessoas ou de situações que jamais se repetirão. Ainda que o fotografemos ou filmemos, somente a mente e o coração saberão vivenciá-lo completamente, e só uma vez!
 
Eu aprendi a recordar e a ser seletivo nas minhas recordações. Há aquelas coisas que nos entristecem, nos trazem mágoas, abrem feridas; estas não precisam regressar. Mas há muitas outras que trazem alegria, lágrimas de felicidade, ânimo para novos passos e ideais, e devem estar sobre a mesa todos os dias. Recordar é viver!
 
Eu aprendi a não esperar recompensas na Terra. Aqui elas são feitas de objetos, celebrações, prêmios de deslocamento ou honrarias. Mas são rápidas e de pouca duração. A maior recompensa na Terra é poder ser um cristão de bom testemunho, servir sem desejar pagamentos e buscar parecer-se mais com Cristo a cada dia. Ele disse que há um Céu e que lá serão lembrados todos os copos de água que demos. Isso basta!
 
Eu aprendi a ser feliz com a felicidade do próximo. Se ele estiver suprido, amando, prosperando, vencendo, sarando da enfermidade, firmando-se na fé, reencontrando entes queridos ou celebrando emprego ou formatura, quero festejar o seu sucesso e sentir-me feliz por ele. Quanto mais feliz eu estiver pelo próximo, mais cultivarei no coração a gratidão que dá sabor à vida.
 
Eu aprendi a dar valor aos mais velhos, a honrá-los, a respeitá-los, a dar-lhes o tempo que lhes indique serem relevantes e importantes. Os mais velhos trazem em si a experiência, trazem consigo a maturidade. E sentem a falta dos seus contemporâneos que já partiram. Se eu for sinceramente um amigo e um admirador, tenho certeza de que estarei me beneficiando com estes heróis da vida e me preparando para, em algum dia, também ser útil aos que são mais jovens. Eu também poderei ficar velho e saberei o quanto um amigo presente e um ouvido atento são valiosos!
 
Eu aprendi a fazer da igreja o centro do meu serviço ao Senhor. Foi Cristo quem a fundou e mandou organizar. Ali eu comungo com outros pecadores arrependidos e salvos, sirvo com os dons e talentos recebidos, reparto os meus bens, sustento a obra do Senhor, propago o evangelho e cresço na fé e na maturidade cristã. Não sei viver sem Deus e, por isso, não conseguiria viver sem igreja, pois a igreja é de Deus.
 
Eu aprendi que família é algo por demais precioso. Gastar todo o tempo do mundo com o trabalho, com a escola ou com os afazeres diversos não trará nem para mim e nem para a minha família o bom relacionamento que dura até a morte, até os anos da velhice, até o momento da despedida. Quando eu deixar a empresa contratarão dois em meu lugar. Os colegas terão os seus lares e eu ficarei só. Assim, se alguém deve receber a minha atenção, esta é a minha família, a quem devo valorizar mais e mais!
 
Eu aprendi que Deus tem que ter a minha prioridade, ou Ele não terá nada. Ou Ele é o meu Senhor ou eu não estarei debaixo de Seu Império. Se o chamo de Senhor e Salvador devo honrá-Lo com o melhor do que tenho: o melhor do meu tempo, o melhor do meu patrimônio, o melhor dos meus talentos e capacidades, o melhor da minha leitura, o melhor de tudo. Afinal, como cristão que sou, a vida gira em torno de Jesus e é Ele quem estará do outro lado da morte a me esperar.
 
Eu aprendi que irei morrer. Não quando os diagnósticos dizem, como os meus, que decretaram o meu falecimento a qualquer momento em 1982. Os que decretaram o meu óbito já faleceram e eu estou aqui. Mas morrerei (se Cristo não voltar para o arrebatamento) e descansarei no Senhor. Pode ser hoje, agora mesmo. Quero ter a consciência de que Cristo me salvou e de que estou preparado. Sempre. E com alegria, sem temor. Essa consciência eu tenho. Bendito seja Deus que me salvou em Cristo!
 
Há tanto por dizer! Mas nestes cinquenta e um anos de vida essas poucas coisas eu já aprendi.
 
Não sei por quanto tempo peregrinarei por aqui ainda. Mas, seja por um dia ou por uma década, quero praticá-las todos os dias. E aprender tantas outras.
 
Obrigado, Senhor, por meus 51 anos de vida!
 
Wagner Antonio de Araújo
São Paulo, 03 de setembro de 2016
 


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