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sexta-feira, 9 de setembro de 2016

memórias literárias - 359 - SEBASTIÃO, O AMIGO DE DEUS

SEBASTIÃO,
O AMIGO
DE DEUS

359
Sebastião Emerich foi um irmão em Cristo do qual o mundo não era digno. Pregou na Boas Novas algumas vezes. Em 1980, quando me converti a Cristo e tive que enfrentar a vida cristã longe do meu "pai na fé", Pr. Timofei Diacov, que mudara-se para Lins, SP, recebi do irmão Sebastião o treinamento para uma vida cristã sadia e fundamentada na Bíblia. Ele, aos 94 anos, já tinha registrado 353 leituras de toda a Bíblia, apenas as vezes que anotou, pois muitas outras foram num período sem anotações. Suas orações eram ouvidas. Seu rosto brilhava. Lembro-me, na penúltima vez que estive com ele, que confidenciamos o nosso desejo de ter um filho, pois já há quatro anos aguardávamos e não o tínhamos. Sebastião olhou para nós e confidenciou: "vocês o terão.". E despediu-se. Ele não viu a nossa filha, pois logo o Senhor o recolheu. Mas soube dela muito antes de nós!
 
O que tornava Sebastião um homem especial e por que estou falando dele hoje?
 
Sebastião era um homem de estabilidade. Não mudava conforme a direção do vento. Não era seduzido pelos ventos de doutrina. Não modificava sua maneira de manter comunhão com Deus. Ele firmava-se na Bíblia e quem nela se firma não precisa mudar nunca. Em 1980 ele era um e em 2014 ele continuava a ser a mesma pessoa. Como em Cristo ele havia sido preenchido e encontrara a sua plena realização, nunca precisou mudar. Um homem-âncora! Como precisamos de homens de Deus com estabilidade de fé, estabilidade emocional, estabilidade de valores!
 
Sebastião era um homem íntegro. Ele vivia o que pregava. Conquanto não fosse um homem de posses (era um homem humilde e que vivia do básico), não fazia empréstimos. Ele confiava no sustento divino. Ele cria que o dízimo e a oferta eram a receita para uma vida próspera e assim foi em toda a sua vida. Ao morrer deixou uma casa pequena, simples, mas própria e honrada! Jamais em sua vida a igreja onde era membro deixou de registrar um dízimo ou uma oferta desse irmão. Por pequenina que fosse era uma receita constante. Era como a oferta da viúva pobre, tão pequena, mas tão grande, grande o bastante para ser lembrada dois mil anos depois de entregue!
 
Sebastião era um homem que orava, intercedia, clamava. Nas altas madrugadas estava ele na cozinha de sua casa, de cabeça baixa, ou ao pé de sua cama, buscando a face do Rei dos reis e do Senhor dos senhores. Os céus o conheciam perfeitamente. As suas orações eram apreciadas e bem-vindas todos os dias. E quando ele dizia que iria orar, podíamos ter certeza: ele oraria mesmo! Além de 40 capítulos da bíblia por dia, Sebastião orava e intercedia como um filho ao Pai celeste, como um servo ao Senhor da vida, como um amigo ao Amigo dos amigos.
 
E aqui está o auge desta minha reflexão: Sebastião fez-se amigo de Deus. Sim. Sabíamos que Deus estava com ele, porque era evidente que Sebastião estava com Deus. Ele obedecia a Deus. Ele não pregava apenas; ele não ensinava aos outros. Ele cumpria em sua vida aquilo que lia em sua bíblia. Sebastião vivia a intimidade com Deus. Jamais vi Sebastião rodeado de gente que o buscasse para sociabilidades, para desfrutar de momentos de lazer ou outras coisas. Não que Sebastião não fosse normal. Ele o era. Sua família sempre privou de sua simplicidade e alegria. Suas cinco filhas, genros, netos e bisnetos sabiam muito bem. Mas ele não se fazia popular, não bajulava ninguém, não ia atrás de entretenimentos para tornar-se popular. Ele tinha um amigo mais importante e buscava agradá-Lo sempre. Ele era amigo de Deus!
 
Ele fez a opção certa: fez-se amigo de quem foi com ele para a eternidade. Quantos de nós, no afã de nos vermos bem aceitos, bem populares, benquistos, disponíveis para desfrutar de benefícios que a popularidade possa nos oferecer, deixamos o Amigo dos amigos por planos secundários! Sebastião, pelo contrário, desenvolvia um relacionamento com Deus, cuja plenitude só era conhecida pelos dois. Aquela lâmpada fraca da cozinha de sua casa vivia acesa nas madrugadas. Aquela bíblia surrada tinha marcas de lágrimas. E aquele rosto brilhante mostrava que ele estava a ver a face do Criador. Era o testemunho de alguém que, de fato, mantinha-se amigo do Eterno Senhor!
 
Ah, Sebastião, o amigo de Deus! Mesmo depois de morto continua a falar tão profundamente na minha alma! Não que ele fale ou esteja presente, pois foi para o Paraíso com Cristo e não está mais conosco. Mas o seu exemplo é tão contundente, tão presente! Ele é como Abel, que, ainda depois de morto, continua a falar!
 
Quero ser como o Sebastião. Quero ter estabilidade suficiente para ser previsível no que penso, prego, sou e defendo. Quero ser íntegro em toda a minha maneira de ser e de viver, seja para com Deus, seja para com a família, seja para com a sociedade. Quero ser um homem que ora, ora a Deus, não às pessoas; quero que os céus me conheçam, mesmo que o mundo não saiba. E, por fim, quero também desfrutar da mesma amizade que Sebastião desfrutou com Deus. Ser conhecido dos céus é muito mais precioso do que ser popular ou estar na boca do povo. No final é a amizade com Deus que fará a diferença.
 
Obrigado, meu Deus, por Sebastião Emerich ter existido e por ter deixado este legado de amigo de Deus.
 
E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou. (Gn 5:24).
 
Toda a glória seja unicamente ao Senhor.
 
Wagner Antonio de Araújo
9/9/16


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