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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

memórias literárias - 363 - ESPERE!

ESPERE!
 
363
 
Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor. (Sl 40:1)
 
INTRODUÇÃO
 
Inúmeras vezes ouvimos sermões, lemos textos e fomos edificados com este precioso versículo. "Esperei com paciência/confiantemente pelo Senhor, e Ele se inclinou para mim". Quantas vezes destacamos que Ele ouviu, Ele atendeu, Ele socorreu! É maravilhoso saber que temos um Deus Todo-Poderoso, que ouve as súplicas dos que O buscam!
 
PORÉM, em igual medida, destaco que raramente ouvimos alguma mensagem sobre a primeira parte deste texto: "ESPEREI". Nós não gostamos de esperar! Não está em nós o ter paciência. Somos imediatistas e carecemos de respostas rápidas a questões em aberto!
 
Temos na Bíblia retratos muito tristes de gente sem paciência também.
 
Cito aqui o povo hebreu, recém-saído do Egito, ao pé do Monte Sinai, esperando por Moisés, que subira para falar com Deus. O monte fumegava. O povo recebera a ordem de aguardar a volta do libertador. Mas o tempo passava e Moisés não regressava. As horas corriam, os dias se adiantavam e, em determinado momento a inquietude provocou uma reação. O povo correu a Arão, irmão de Moisés, pedindo que lhes fizesse um ídolo para ser adorado. Eles não aguentavam mais esperar. Arão fez um bezerro de ouro com o material doado e eles celebraram esse falso deus com cultos de promiscuidade e de libertinagem sexual, proclamando a alegria efêmera de um libertador falso. Moisés, após quarenta dias, descera do monte. Ao encontrar o povo neste carnaval maldito, quebrou as tábuas da Lei que trazia nas mãos, queimou o bezerro, deu-lhes de beber e viu milhares cairem mortos em consequência do pecado.
 
Lembro-me aqui também do Rei Saul. Escolhido por Deus para governar o rebelde povo de Israel (que renunciara ao império divino por um imperador humano), recebeu uma ordem do profeta Samuel: aguardá-lo para um sacrifício. Sete dias foi o prazo. O povo estava inquieto e Saul sentia essa pressão. No sétimo dia, impaciente, fez ele mesmo tais sacrifícios. Ao terminar viu Samuel chegar. Este, estupefato pela atitude impensada deste rei impaciente, declarou-lhe que acabara de perder o seu império.
 
Também vêm à memória o caso do profeta velho. Um homem de Deus oriundo de Judá trouxe uma dura mensagem ao rei. O profeta velho, morador de Israel, soube e mandou chamar este homem. À princípio recusou-se a ir, pois Deus o proibira de fazer paradas ou saudações. Mas o velho profeta iludiu-o, dizendo que Deus também lhe tinha dito para trocar as ordens. O homem de Deus foi. Na mesa, enquanto comia, o velho profeta declarou-lhe que Deus o castigaria por ter desobedecido à ordem original. Ao sair da casa um animal o abateu. O homem de Deus não teve nem paciência e nem sabedoria para concluir que Deus não muda os Seus decretos!
 
Na vida comum temos artifícios para driblar a impaciência da espera. Enquanto aguardamos o dentista ou o médico chamar-nos para a consulta, deparamo-nos com diversas revistas de banalidades, expostas numa mesinha, com a finalidade de entreter-nos nesta espera. Alguns de nós usamos o telefone celular para uma diversão momentânea: um joguinho, um site de notícias, alguma prosa sem seriedade com um amigo "on-line". Nem sempre esses subterfúgios satisfazem a nossa impaciência, mas é assim que nos arranjamos diante do tempo livre. O vácuo e a inatividade enquanto esperamos é tremendamente ruim.
 
O texto diz que o salmista ESPEROU. Nós também temos que esperar até que o clamor seja atendido. Algumas vezes a resposta é rápida, imediata. Outras, mais demoradas, leva dias. Outras então, levam quase toda a vida, ou a vida toda mesmo. O que faremos enquanto não somos ouvidos em nosso clamor, em nosso pedido? Sentar-nos-emos numa pedra a reclamar da vida? Deixaremos a semente apodrecer no paiol sem ser semeada? Permitiremos que o mato invada o quintal? Manter-nos-emos inertes, apequenados, sem nada fazer?
 
Quero sugerir três atitudes para desenvolvermos enquanto esperamos com paciência no Senhor, três ações que não apenas ocuparão o nosso tempo, como trarão da parte do Senhor grande alegria e satisfação, segundo o que lemos nas Escrituras Sagradas.
 
I - SERVIR
 
Enquanto esperamos no Senhor devemos servi-Lo! Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. (Mt 24:46).  É isto que Deus espera de nós. que O sirvamos em amor, em inteira dedicação, com toda a força do nosso coração. Deus quer que venhamos a dar o melhor de nós. Quer que usemos os nossos dons e talentos, dados por Ele, na edificação de Sua igreja, no uso comum do serviço do Reino, no amor ao próximo, na mantença de nossa família e na propagação da mensagem de Cristo. Ninguém nos obrigou a sermos Seus servos. Mas, se somos servos, somos também responsáveis e devemos estar cientes das consequências de uma vida cristã fictícia, sem serviço. E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites; (Lc 12:47). Deus é amoroso e justo, não apenas amoroso. Eu repreendo e castigo a todos quantos amo; sê pois zeloso, e arrepende-te. (Ap 3:19)
 
II - TESTEMUNHAR
 
Enquanto esperamos no Senhor devemos testemunhar de nossa fé! O Apóstolo Paulo aproveitava as suas constantes prisões para proclamar a mensagem de Cristo. O Apóstolo Pedro idem. E assim, em toda a história da igreja cristã vemos os cristãos semeando a palavra do Senhor por onde passavam. Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho! (1Co 9:16). Quando vivemos o chamado "primeiro amor" não ousamos deixar uma única pessoa sem receber uma mensagem do Senhor por nosso intermédio, seja através da palavra, de um folheto, de uma bíblia presenteada etc. Com o abandono do primeiro amor e o consequente esfriamento da fé, deixamos isso para quase nunca. É necessário regressarmos ao primeiro amor e testemunharmos da fé onde estivermos. Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. (2Tm 4:2). Testemunhar em todo o tempo, o tempo todo: esse é o ideal na vida de quem espera no Senhor!
 
III - GLORIFICAR
 
Ah, como lamentamos por uma resposta que nunca chega! Somos ávidos em reclamar, em termos dó de nós mesmos, em remoer o quanto estamos sofrendo! Acontece que, além de agredir o Senhor com a nossa lamúra nós somos muito injustos: há muitos outros que sofrem muito mais do que nós. Por mais difíceis que sejam os nossos dias podemos ter certeza de que outros sofreram e sofrem muito mais: o menino que teve a mãe falecida na hora do parto; o adolescente tetraplégico que nunca saiu do hospital; o pai de família que viu os filhos e a esposa serem mortos diante de seus próprios olhos; o idoso que definha tristemente com uma doença gravíssima e sem ninguém que por ele se importe. Não, meus amigos, podemos ter um par de sapatos modesto, mas há os que não têm pés. Por isso devemos glorificar a Deus pelo que Ele tem reservado para cada um de nós! Em tudo dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco. (1Ts 5:18). Por muito tempo dei graças por ser solteiro e por não ter filhos, mesmo sonhando com esta bênção um dia. Eu seguiria até o fim bendizendo a Deus sem isto, mas aprouve ao Senhor dar-me o que eu desejava e hoje não me arrependo de tê-Lo agradecido quando ainda esperava! Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho. (Fp 4:11). Quem aprende a esperar e ser feliz sem ter o que deseja, será muito mais feliz caso receba o que busca da forma como pediu. E se receber diferente também celebrará com alegria.
 
O Espírito Santo alegra-se ao ver um crente que glorifica a Deus não pelo que Ele lhe dá, mas por ser quem é! Aquele que louva ao Abençoador por ser maravilhoso, e não por ter dado bênçãos, agrada muito mais e alcança o coração de Deus!
 
CONCLUSÃO
 
ESPERAR. Algo que não está em nós, algo que é custoso, é enfadonho, traz sofrimento. Mas, no decurso de nossa vida, muito necessário. Ajuda-nos a amadurecer, a avaliar os nossos pedidos, a não sermos arrogantes, a termos compaixão de quem também espera e não recebe.
 
ESPERAR. Sem desistir e buscando produzir, servir, testemunhar, glorificar. Não é uma espera obtusa, vazia, seca, sem sentido. É uma espera feliz de quem crê e satisfeita porque acredita que Deus é sábio o tempo todo e soberano sobre todas as coisas. E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
 
Vamos esperar de forma sábia? Vamos ser operosos enquanto esperamos? Que Deus a todos abençoe.
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo
mensagem pregada em 18 de setembro de 2016 na
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

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