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sábado, 13 de maio de 2017

memórias literárias - 450 - LOUVOR DE CONSUMO

LOUVOR
DE CONSUMO

450
 
Enquanto voltava com minha esposa da médica que a acompanha após o parto, ouvia a obra DE VENTO EM POPA, de Vencedores Por Cristo. Esse LP que virou CD teve até uma comemoração de seus trinta anos, celebrada com alegria e graças ao Senhor.
 
Não se trata apenas deste CD na discografia de Vencedores por Cristo. LOUVOR 1, SE EU FOSSE CONTAR, MAIS AMOR, são outras obras que ultrapassam o tempo e as gerações, chegando intactas às mãos dos ouvintes de todas as épocas.
 
Podemos citar o inesquecível GRUPO ELO com CALMO, SERENO E TRANQUILO, um LP gravado na garagem de um dos componentes, que se tornou épico. OUVI DIZER, UM SÓ REBANHO, UM DIA, outras produções que são, por si só, um monumento ao bom gosto e aos valores cristãos.
 
No campo dos solos, Luiz de Carvalho é imbatível com seus LPs inesquecíveis. OBRA SANTA, O REI ESTÁ VOLTANDO, ALVO MAIS QUE A NEVE, VEM VER, têm vida própria, não podem ser vistos com músicas individuais, mas no todo, no grupo das doze canções de cada um.
 
E aqui está o segredo: os louvores gravados antigamente tinham um projeto, um objetivo, um propósito: fazer conhecida a mensagem de salvação de Cristo Jesus, o Senhor. Os grupos jovens usavam os ritmos que se consumiam no período dos anos setenta, tanto aqui quanto nos Estados Unidos, e apresentavam ao pecador o plano de salvação, a razão para a vida, um rumo certo para que se seguisse. As canções eram cristocêntricas, as músicas do LP trabalhadas num projeto inteiro, um todo, objetivando, ao final, uma produção completa, com princípio, meio e fim. O resultado todos nós sabemos: tornaram-se atemporais, presentes em todos os tempos depois de produzidas.
 
Hoje, entretanto, não temos mais nada. O que temos é louvor de consumo. Grava-se não para apresentar a mensagem do evangelho para o pecador, mas para supostamente cantar a Deus louvores, que, para Deus, pouco sobra, pois o objetivo é criar baladas de entretenimento de culto. Tivemos um  tempo em que os chamados worships (louvores de adoração) invadiram as produções, e fizeram época, com músicas inesquecíveis sob a direção de Daniel Souza, Asaph Borba, Adhemar Campos e outras comunidades que gravavam Hillsong, ASCAP, Maranatha etc. Mas nem isso durou, pois hoje o que há é um grande nada, uma mistura de tudo sem qualquer sentido. O resultado: música de consumo, música descartável, música absolutamente de nicho, localizada, que só serve para uma determinada faixa (com exceções).
 
O pecador inconverso, coitado, foi esquecido. A música não é mais produzida para apresentar-lhe a mensagem de salvação. Pressupoe-se de que não há mais necessidade de evangelizar. As músicas precisam ser mantras, cantados "ad infinitum", até cansar, até que todos fiquem suando e entrem em transe. É preciso sentir arrepios e fazer rodopios. Por outro ângulo, muitos cantores mundanos, encontrando o mercado gospel, trouxeram para este público o sertanejo universitário, o axé, a lambada, o funk carioca, o forró pé-de-serra. Há produções feitas pelas mesmas empresas milionárias dos artistas do mundo. E o preço dos shows (sim, são shows) é caro o bastante para consumir parte do salário de um trabalhador. Mas, como produz muita emoção e como está no top do sucesso, os incautos pagam. E pagam caro!
 
Experimente falar a uma igreja comum sobre hinário, Cantor Cristão, Harpa Cristã, Salmos e Hinos, Melodias de Vitória. Eles pensarão que estamos falando em línguas ou citando museus. As canções que cantam são contemporâneas; leia-se: foco no homem que supostamente adora, não no Deus eterno e na Sua mensagem de salvação. Há exceções, e graças a Deus por elas. Mas são tão poucas que chegam a desanimar.
 
Está em tempo de voltarmos a fazer LOUVOR PERPÉTUO, LOUVOR PERMANENTE, fundamentado na Bíblia e que objetive a glória de Deus e a transmissão da mensagem de Cristo. A música cristã entrou na vida da igreja primitiva depois da era apostólica e o seu propósito sempre foi complementar, tanto para quem adora, fornecendo a melodia e a poesia, quanto evangelística, fornecendo a mensagem bíblica. Precisamos voltar às origens e abandonar esse mar de corrupção da música evangélica, cheia de astros humanos, mas sem a Estrela Maior, sem o Sol da Justiça, sem Cristo!
 
Ouvimos DE VENTO EM POPA várias vezes. E vamos ouvir muitas outras. E quando os meus filhos crescerem, se Deus quiser, estarão em contato com a boa música cristã, música cristocêntrica e evangelística, de produções que tiveram projeto, propósito e foco, e não do louvor de consumo, louvor que vence na próxima semana, louvor feito pra vender e não para evangelizar.
 

As benignidades do Senhor cantarei perpetuamente; com a minha boca manifestarei a tua fidelidade de geração em geração. (Sl 89:1)

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