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segunda-feira, 22 de maio de 2017

memórias literárias - 453 - PESADO FOSTE NA BALANÇA

PESADO FOSTE

NA BALANÇA


453
Um grande banquete. O filho de Nabucodonosor regozijava-se com os seus convivas. Bebia, comia, ria, dançava, desfrutava de todo o poder e luxo que o seu pai Nabucodonosor lhe deixara como herança. Mas era um rei medíocre.

Então orgulhou-se de quem era e mandou buscar nos depósitos do palácio os utensílios de adoração do Deus de Israel, armazenados pelo pai há anos, quando invadira o templo em Jerusalém. Tomou-os e celebrou aos seus deuses, bem como sorveu vinho e bebidas misturadas, junto com suas mulheres e convidados.

Imediatamente uma mão surgiu na parede, vinda de outra dimensão. Escreveu na parede palavras inintelegíveis. O rei percebera que forças maiores do que as dele estavam presentes e que boa coisa não era. Buscou alguém que as interpretasse. Não encontrou, ainda que prometendo cargos e presentes. Sua esposa lembrou-o de um velho funcionário público da alta administração, que também era profeta, Daniel. Mandou chamá-lo.

Perguntou o que era aquilo e disse que se a resposta fosse satisfatória, fá-lo-ia o terceiro no império e dignatário de inúmeros presentes. Daniel, homem velho e muito experiente, manda ele fazer o que quiser com os presentes, que não tinha interesse em nada daquilo. Mas que daria a interpretação daquela escrita.

MENE - MENE - TEQUEL - UFARZIM. Esta é a interpretação daquilo: mene: Contou Deus o teu reino, e o acabou. Tequel: Pesado foste na balança, e foste achado em falta. Peres: Dividido foi o teu reino, e dado aos medos e aos persas. (Dn 5:26-28).

Naquela mesma noite o rei foi capturado e morto. Acabou-se a arrogância deste homem que não soube administrar as coisas que recebera.

Isto serve de exemplo para muitos de nós. Quando necessitados clamamos a graça de Deus. Pedimos uma esposa. Pedimos um carro. Pedimos uma oportunidade de emprego. Pedimos a solução de um problema. Suplicamos por uma cura. Deus, em Sua infinita misericórdia, acolhe o nosso clamor e nos abençoa. A bênção é maravilhosa! Recebemos os recursos, o emprego, a saúde, a solução dos problemas, enfim, recebemos as bênçãos do Senhor.

Então, de barrigas cheias e bem nutridos, esquecemo-nos de quem nos abençoou e dos compromissos que assumimos com o Senhor. Agora não precisamos mais dEle. Antes O buscávamos por interesse, por necessidade. Aceitávamos a oração de todos e íamos à Casa de Oração até em dias em que não havia culto. Considerávamos importante ler as Escrituras Sagradas, fazer as nossas ofertas e entregar os nossos dízimos e manter de forma correta a nossa vida particular.

Mas agora, quando não precisamos mais de nada, esquecemo-nos de quem nos salvou, de quem nos curou, de quem nos resgatou e acolheu as nossas inúmeras súplicas. Vamos às festas! Sim, aos festejos distantes de Deus. Festas por si só não são ruins, mas nós festejamos os motivos errados e de forma mundana, descompromissada com os valores de Deus. Se compramos o sítio tão sonhado, deixamo-lo arrancar o Dia do Senhor da nossa agenda, porque agora temos que cuidar da fazenda. Se foi um emprego, atulhamos o domingo de atividades profissionais, sem pejo em arrancar de Deus as preciosas horas de adoração. Se fomos curados, nem sequer nos lembramos de consagrar o próprio corpo ao serviço divino, buscando ao Senhor em Sua casa e servindo ao próximo.

Nós tomamos as coisas santas e as secularizamos, transformando a fé numa mera discussão de opiniões. Abandonamos a igreja e passamos a considerar um grupo de internet como suficiente para um compromisso pessoal com o evangelho. Deixamos a Casa de Deus, o exame da bíblia, o serviço comunitário, o investimento nos dons e talentos e usamos tudo o que recebemos no mundo, de onde fomos resgatados.

É tão típico do ser humano! O grande jogador de futebol da atualidade foi um garoto de igreja e hoje não tem tempo para o evangelho e nem dá testemunho do que aprendeu. Mas dá ofertas polpudas e cala a boca dos seus pastores. Compra com dinheiro e usa os utensílios do templo numa carreira mundana. Aquele cantor de rock, de quem dizem que não morreu, aprendeu a cantar na igreja. Não só ele, mas a outra que se suicidou aos 37 anos, o cantor cego que virou ícone da música negra, o outro que inventou o funk americano etc. Tomaram os utensílios do templo e foram beber com as devassas. E muitos pastores, que entraram nos seminários humildes, com o desejo de um preparo melhor para servir a Deus nos cultos e na evangelização, tornaram-se políticos e politiqueiros da fé, favorecendo a si próprios e à família, envolvendo-se com o pecado, com os desmandos, desvios e fraudes. Que vergonha! São uma metamorfose ambulante, no dizer do poeta mundano.

Ah, você que me lê! Cuidado com a mão de Deus na parede! Pois um dia destes, sem avisar, o Senhor poderá escrever em letras garrafais: PESADO FOSTE NA BALANÇA E ACHADO EM FALTA.  Quando Deus desistir de tocá-lo, conduzindo-o ao arrependimento, não haverá nada que possa ser feito. Não adiantará chorar por ter perdido o emprego, nem reclamar pela doença grave que regressou ou o acometeu, ou pelo patrimônio que esfarelou como areia (não que essas coisas apenas signifiquem penalidades, mas que, associadas com o abandono da fé, são!) Naquele dia você poderá chorar, lamentar, clamar, mas já será tarde demais.

Volte-se para Deus. Regresse ao primeiro amor do evangelho. Seja um simples cristão praticante e abandone toda essa jactante teologia que faz de você um polemista de desculpas. Volte-se para o Deus a quem um dia você serviu. E não perca o patrimônio espiritual que um dia recebeu das mãos do Pai. Senão, aguarde que a mão virá e você terá que ler sozinho o que estiver escrito, pois Daniel não lhe socorrerá com a interpretação.

Tenha Deus misericórdia e desperte os que ainda dormem no pecado.

Wagner Antonio de Araújo

22/05/2017

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