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sexta-feira, 7 de junho de 2013

memórias literárias - 89 - VI VOCÊ NO OBITUÁRIO...

89 - VI VOCÊ NO OBITUÁRIO...
Hoje vi o meu amigo Pastor Rivas Bretones com uma página inteira no obituário de O Jornal Batista. Seu escritor citou fatos, enalteceu virtudes, contou algumas peculiaridades. É o protocolo do "arquivo morto", quando os nossos irmãos transferem-se daqui para o Reino dos Céus. Tiro o chapéu para o escritor.
Fiquei pensando. Será que o Pastor Rivas Bretones gozou algum dia de uma página inteira em O Jornal Batista? Será que alguma revista, periódico, noticioso denominacional ou evangélico algum dia dedicou a ele alguma página inteira? Tenho certeza que não. Não tiro o chapéu para a nossa prática social, de gastar uma página inteira somente depois que os nossos queridos se vão.
Aliás, não apenas o Pastor Rivas, mas quase todo mundo só ganha destaque num jornal ou publicação de página inteira quando já não está mais aqui para ver. Lindas homenagens, gloriosas lembranças, mas já não valem de nada para o homenageado.
Que mundo medíocre o nosso! Que atitude mesquinha temos! Convivemos anos e anos com os nossos amados líderes e somente depois que morrem é que os destacamos, que comentamos seus feitos, que mostramos seus retratos, que divulgamos suas virtudes! Falo isso da grande mídia, pois à nível local ou regional é possível que uma ou outra homenagem aconteça.
Não quero ver ou ler sobre os meus amigos apenas no obituário. Quero falar deles enquanto estão vivos, enquanto podem me ouvir, me escutar! Quero levar flores enquanto podem cheirá-las, quero homenageá-los enquanto podem interagir, receber, agradecer! Como diria a inesquecível e também saudosa Myrthes Mathias, "Se queres dar-me uma flor, faze-o agora!" Não as levarei na sepultura. As flores que dei para a minha mãe dei-as em vida. Hoje ela não precisa mais delas, pois as tem todas, em abundância de espécies, junto de Jesus!
Não esperei que Josué Nunes de Lima ou Rivas Bretones partissem para tecer elogios e enaltecer os seus trabalhos. Não espero que os meus amigos sejam uma página amarelada pelo tempo para honrar suas virtudes e falar de seus ministérios. As dádivas que quero dar não as entregarei na sepultura deles.
E por que digo isso? Porque me enoja a filosofia humana de esperar a morte para homenagear o virtuoso. É claro, citei o meu amigo porque foi o que acabei de ver, mas isso acontece dia após dia, jornal após jornal, situação após situação. A gratidão que não expressamos aos nossos queridos quando vivos nunca mais poderá ser expressa em sua inteireza. Prefiro comer um pão doce com o meu amigo em vida do que dar-lhe flores na sepultura depois de morto.
Irmãos, que isto sirva aos filhos. Que não esperem seus pais gelarem num caixão para lembrarem do que foram em suas vidas. Honrem o pai e a mãe enquanto vivos. Não permitam que eles morram em asilos por falta de cuidados nossos. Honrem seus amigos, expressem o carinho e o amor. Presenteiem e homenageiem de forma singela a quem desejarem, mas façam isso agora. Não esperem sua morte ou o próximo obituário disponível. Não homenageiem seus pastores com placas metálicas comemorativas apenas, mas façam isso hoje, onde eles estiverem, de forma real, calorosa, afetiva e agradecida.
Que Deus abençoe os nossos pastores, amigos, parentes e conhecidos vivos e que sejamos para eles não um obituário em preparação, mas aqueles que sabem homenageá-los condignamente enquanto vivos.
Wagner Antonio de Araújo,
que jamais se esqueceu de Rivas Bretones, amigo do coração.

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