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quinta-feira, 27 de agosto de 2015

memórias literárias - 237 - A MINHA PARTE

11/05/2007
A MINHA PARTE
237




Nesta semana tão agitada, tantos compromissos, reuniões, eventos e visitas, uma oração me tocou. Foi a do Serginho, no culto matinal da terça-feira (a Boas Novas de Osasco SP reúne-se às 7 horas desse dia para orar). Dizia ele ao Senhor: “Oh, Deus, dá-nos a graça de fazermos a nossa parte em prol da salvação de nosso país, e da transformação de nossa sociedade”. Amém!

Às vezes achamos que a nossa parte é tão pequena! Afinal, não temos a mídia a nos observar, a publicar nossos feitos, ditos e fotos nos sites e televisões. Consideramo-nos tão inexpressivos! Mas isto não é verdade. Se uma alma vale mais do que todo o mundo, então um bom exemplo e uma atitude construtiva também valem muito!

Podemos fazer a nossa parte quando mostramos boa educação. “Com licença” é algo tão belo, ao nos sentarmos no lugar vago do banco do ônibus, e tão poucos pedem! Dizer “Pode ir na minha frente”, numa fila de banco, significa muito no conceito de alguém, e foi algo tão pequeno! Às vezes ambos serão atendidos ao mesmo tempo! Contudo, o sentimento benfazejo no peito de quem ganhou a vez é encorajador! “Mas nem todos são dignos!” Sim, é verdade. Mas, e daí? Eu também não fui digno do amor de Cristo, e mesmo assim, Ele me amou, e a si mesmo se entregou por mim! E eu era um pecador! Sou ainda (miserável homem que sou!), mas um pecador perdoado, graças a Deus!

No trânsito, não precisamos entrar no “mistério da seta” – ainda estou para fazer um mestrado, no estudo comportamental da seta na ansiedade e da prepotência humanas: basta sinalizar que se  vai mudar de faixa, que o carro de trás acelera, buscando ocupar o lugar que pedimos! Faça um teste, e veja se minto! Porém, se pararmos para pensar, exigir esse lugar sinalizado é tão pouca coisa! E há gente que morre ali, vitimado pela violência e por buscar fazer justiça com as próprias mãos! Seria tão mais fácil ceder! Pode não parecer justo, podemos nos sentir injustiçados, mas é o que deveríamos fazer, pois, em última análise, não há um justo sequer. Assim, “dá a quem te pede” (Mt 5:42).

Dizer “bom dia”, “olá”, “como vai?”, “por favor”, “um momento apenas”, “Deus lhe abençoe”, “com muito prazer”, é tão fácil, mas tão em desuso em grandes capitais! Nas cidades do interior nem tanto, mas em capitais, em metrópoles em ebulição, as pessoas passam pelas outras, pisam em seus pés, esbarram, mas não cumprimentam. Que bom seria se mudássemos isso em nossas ruas, bairros, empresas, igrejas, classes, e cultivássemos a semeadura de bons hábitos, de gestos de cortesia, de palavras de atenção, de manifestação de afeto! No começo pode parecer ridículo, mas com o tempo, o bom exemplo “pega”.

Fazer a minha parte é também semear o evangelho de Cristo. Não estou falando de combater a igreja do outro, porque isso é fácil, e só provoca a guerra. Muitos combatentes desfalecem no caminho, porque acabam por perceber que seus líderes religiosos eram tão pecadores (ou mais) que os da igreja combatida, e desanimam até do Caminho. Mas falo de semear a Cristo, a bíblia, a mensagem redentora, a palavra de fé, encorajamento e conversão. Conheço alguém que mandou imprimir em copos plásticos de água a frase “quem beber essa boa água, sede sentirá, mas quem beber de Cristo, espiritualmente, nunca mais terá sede de Deus”. E sai a distribuir água nos semáforos da avenida! Outro presenteia mensalmente uma bíblia, a um colega de serviço. Ainda outro grava as mensagens do pastor, e distribui os cds para os não crentes. Cada um pode inventar o seu método de cristianizar seus arredores. O importante é usar um, e não viver a discutir. Enquanto discutimos se é com vestido ou calça comprida que deve se vestir, deixamos nus os que precisam de roupas. Portanto, seria tão bom falarmos menos, e fazermos mais!

A oração do Serginho falou comigo. Creio que já achei o meu caminho: pregar a Palavra de Deus, escrever minhas mal-traçadas linhas, comunicar-me na internet, pastorear o pequenino rebanho de Cristo aos meus cuidados, aconselhar, cantar nos cultos, tocar o pouco que sei, fazer amizades das mais variadas vertentes, e orar. E usar das coisas boas que aprendi, para melhorar os costumes, aumentar o bom relacionamento, tornar o trânsito menos violento, ser um agente ativo nos propósitos de Deus. Assim, terei vivido a minha vida com algum significado especial, e deixarei algum fruto.

Quero fazer a minha parte.

E você?
(2012)

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP

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