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sexta-feira, 28 de agosto de 2015

memórias literárias - 240 - SENHA

10 de maio de 2009
10 -
SENHA
240

Logo cedo liguei o computador para verificar o saldo da campanha do terreno. Como sempre faço, acionei o certificado digital e coloquei o número do aparelhinho de identificação. “INVÁLIDO”. Como? Tentei novamente. Nada. Fui ao computador portátil tentar; nada. Liguei para o banco, tudo em ordem. Pensei: “por que não consigo?” Então liguei novamente para ao atendimento e disse: “vou fazer o procedimento-Padrão com o seu acompanhamento". Cliquei nisto, naquilo, agora abriu esse outro, etc”. Foi quando empacou de novo e a moça disse: “mas o senhor está a colocar uma senha indevida. Há uma senha antes da outra senha”. Imediatamente percebi o meu erro. Coloquei a senha adequada e lá estava ele, o extrato, vivo e aberto. Eu não entendi porque esquecera depois de anos de experiência. Como pude?

Isso se parece com a nossa comunhão com Deus. De repente percebemos que o interesse pelas Escrituras Sagradas, pela oração, pela comunhão com os irmãos em Cristo, simplesmente sumiu, foi drenado, e não sabemos o porquê ou para onde. Pensamos que tudo está certo nos seus lugares e não conseguimos ver qualquer anormalidade em nossa vida cristã: oramos, lemos a bíblia, vamos à igreja. Porém, não há alegria, não há celebração interior, nem brilho, nem cor, e, não raras vezes, não temos vontade alguma. Perdemos aquele primeiro amor, perdemos a motivação e o estímulo. E perguntamos: “por que, Senhor?”

O jovem rico, quando procurou Jesus para perguntar o que fazer para ter a vida eterna, recebeu de Jesus a lista dos mandamentos que lhe dariam uma vida digna. O jovem disse que já tinha tudo isso, e complementa: "o que me falta ainda?" Então Jesus diz: "falta ainda uma coisa". É o que sentimos também. Nós nos perguntamos: "Deus, o que me falta?"


Falta uma senha. Falta um procedimento. Estamos brecados e parados em algo dentro de nós mesmos, sem ir nem para frente e nem para trás. E nem desconfiamos do porquê.

Pode ser uma mágoa escondida, camuflada, disfarçada do tipo “já perdoei”, mas que na verdade continua latente e sórdida. A senha para esse tipo de problema está neste versículo: “Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem.” (Hb 12:15)

Talvez seja um pecado não confessado, enterrado, esquecido, cujas contas a consciência e o Espírito Santo estão a pedir constantemente. Para esse mal a Bíblia também tem remédio: “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.” (1Jo 1:9)

O problema ainda pode ser na área da participação no Corpo de Cristo, a Igreja: não tem paz ou comunhão em lugar algum, não consegue fincar raízes, não encontra um dom para servir e nem deseja servir. Essa senha é altamente necessária para uma vida cristã normal e está registrada em 1Jo 1:7: “Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.”

Eu consegui usar a conta do terreno depois de acioná-la com a senha que faltava. E todos nós voltaremos ao brilho de uma vida cristã sadia se investirmos naquilo que está faltando, ou retirarmos as que estão sobrando, porque às vezes juntamos coisas inúteis também.

Quando arrumamos o interior, o exterior agradece e fica mais feliz. “O coração alegre aformoseia o rosto.” (Pv 15:13)

Que Deus abençoe a nossa comunhão.
Espero que todos forneçamos a senha certa.

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP

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