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segunda-feira, 28 de novembro de 2016

memorias literárias - 380 - O PARQUE DOS INOCENTES



O PARQUE
DOS
INOCENTES

 
380
Maria viu-se no parquinho infantil. Não entendeu como chegara ali, mas estava feliz. Quantas crianças! Elas brincavam de escorregar, de balançar, de gangorra, de trepar nas barras de ferro, de chutar bola, de boneca, de fazer castelinhos de areia, de correr. Algumas, mais grandinhas, cantavam e outras liam livros com gravuras.
 
"Meu Deus, que lindas  estas crianças!", pensou.
 
- Vocês são lindos! Nunca vi crianças tão belas!
 
- Obrigado, tia!
 
Caminhou pelos brinquedos. As crianças, ao verem-na, correram para junto dela. Vieram celebrando: "Ehh!" Ela encantou-se. Abraçaram-na pelas pernas, pegaram a sua mão e deram-lhe sorrisos que faziam o sol brilhar mais feliz! Que sensação maravilhosa!
 
Uma linda loirinha dos cabelos bem penteados; um moreninho dos olhos claros e dentes bem formados; uma japonesinha do cabeço redondo, uma gracinha. Tinha meninos cheios de sardas, ruivos e outros negros, fortes, bonitos, alegres. Estavam todos ali, juntos de Maria.
 
 
- Como você se chama, menino?
 
- Eu não sei, tia!
 
Maria estranhou, mas pensou que era um descuido.
 
- Garotinha, quantos anos você tem?
 
- Eu tenho três dias, tia!
 
- Como? Três dias? Eu perguntei a sua idade!
 
- Três dias!
 
Então as crianças disputaram a atenção de Maria, falando as suas idades também:
 
- E eu um mês!
 
- Eu vinte dias!
 
- Eu um dia e meio!
 
Confusa com aquelas palavras, Maria chamou o monitor do parquinho.
 
- Monitor, por que estas crianças dizem coisas tão estranhas?
 
- Como assim, senhora?
 
- Perguntei o nome de alguns e eles não souberam responder. E, ao perguntar a idade deles, ao invés de dizerem a idade que têm, falam de idades impossíveis! Falam em três dias, trinta dias, três meses, cinco meses! São crianças doentes?
 
- Não, senhora. Não são doentes. São crianças mortas...
 
Maria congelou-se e estacou. O monitor continuou:
 
- Estas crianças não nasceram. Elas foram abortadas. Elas não sabem como se chamam. Algumas nem receberam nome. A idade que lhe informam é a data em que foram expulsas do útero através do aborto. Umas com três dias; outras com um mês; algumas com quatro, cinco ou sete meses...
 
- As mães que fizeram isso acharam boas justificativas para si próprias: os bebês seriam fruto de estupro; outras disseram que eram jovens demais para serem mães; outras que tal nascimento prejudicaria uma futura carreira; outras buscaram esconder da família a gravidez indesejada; e ainda outras justificaram-se, dizendo que eram seus corpos e que faziam as suas próprias regras... Não é uma pena que estas crianças nunca tenham nascido, Dna. Maria?
 
Maria então gritou:
 
- Sim, é uma pena! Meu Deus, quanta crueldade!  Isto não é justo! Meu Deus, estas crianças não podem ter morrido! Senhor, elas nada fizeram para merecer isso! Elas não foram ouvidas e nem se fez caso delas!
 
Então o monitor lhe falou:
 
- Mas, Dona Maria, a senhora não irá abortar amanhã? A senhora não decidiu mandar para cá o filho que traz no seu ventre?...
 
 
Então Maria acordou do sonho com um grito. Sim, ela estava sonhando. Era uma jovem de vinte e três anos, solteira, que namorou um rapaz sem comportar-se nem com moral cristã e nem com os cuidados necessários. O namorado deixou-a grávida de dois meses. Decidira por fim à gravidez. Marcara o aborto para o dia seguinte. Não suportaria olhar para o bebê e ver o quanto errara; por isso iria matá-lo. 
 
Suada, chorando e desesperada, dobra os joelhos e ora:
 
- Meu Deus, perdoe-me! Pequei contra Ti! Fiz o que não era reto diante de Tua presença! Eu conhecia a Palavra e sabia que não poderia relacionar-me sexualmente com o meu namorado. Eu não ouvi os meus pais, não ouvi o pastor da igreja e nem a voz da consciência. Eu me relacionei com a pessoa errada. Fui agredida, mas eu poderia ter evitado. E não evitei. Ah, Senhor, eu marquei o aborto para amanhã e iria matar esta criança, este meu filho....
 
- Eu não o ouvia, Senhor! Fui iludida pelos professores e amigas que diziam que o corpo era meu e que as regras eram minhas. Eu não supus que o bebê fosse outro corpo e outra vida. Eu iria matá-lo, Senhor! Ele iria para o parque dos inocentes e eu seria a culpada. E ele gritou no meu sonho...
 
Maria chorava desesperada. Sua mãe entrou. Viu-a neste estado. Ouviu a sua história. Chorou também, pois não sabia de nada. E disse:
 
- Filha, você contrariou tudo o que eu e seu pai sempre lhe ensinamos. Você desonrou a nossa família, a nossa fé e a si própria. Mas Cristo morreu pelo seu pecado. Você está confessando isto agora. Arrependa-se e peça perdão. Não acrescente um assassinato ao histórico de sua vida. Eu vou lhe ajudar e iremos criar este bebê. Se Deus permitiu a sua concepção, devemos ouvi-lo. Ele não pediu para ser gerado. Não o privemos da vida que ele ganhou. Vamos dedicá-lo ao Senhor! Ele não deve morrer!
 
Mãe e filha terminaram a madrugada de joelhos. E o bebê nasceu após sete meses. Já faz muito tempo, quase trinta anos. Hoje este rapaz cuida da mãe e da avó. Casou-se e graduou-se, exercendo cargo de confiança na área de comércio exterior. E já tem um filhinho. Deus usou um sonho para despertar na mãe a voz de seu filho que queria viver.
 
O Parque dos Inocentes não é lugar para nenhum bebê em gestação. Se estão gerados, deixemo-los viver. Afinal, a vida é um dom de Deus. E não somos donos dos bebês; somos mordomos do Senhor para deles cuidar, amá-los e ensiná-los a serem pessoas de valor. Não há motivo grande o bastante para levá-los à morte e não lhes dar o direito de nascer. Enquanto algumas mães não ouvem a voz de seus inocentes a quem matam, outras mães lutam com seus bebês enfermos ou prematuros pelos hospitais infantis do mundo. Perguntemos a cada uma se estão arrependidas de terem dado à luz e ouvirão um sonoro e gigantesco NÃO. Quanto mais difícil a situação, maior o amor que se cultiva e maior a vontade de doar-se pela criança que sofre.
 
Se alguém que me lê já abortou, saiba: seu filho ou filha é uma das crianças daquele parque imaginário. O sangue deles clama a Deus. Há culpa sobre você, mãe que abortou. Mas ainda há uma esperança: Cristo. Ele morreu pelos seus pecados. Arrependimento genuíno e fé exclusiva em Jesus lhe dará a graça de ter os seus pecados transportados para a cruz do Calvário. E, pela fé, terá o pagamento dos mesmos pelo sangue de Jesus. Uma alma arrependida e convertida a Cristo pode tranquilizar-se: Cristo pagou pelo mal e Deus lhe perdoou para sempre. Porém, NUNCA MAIS peque contra o Senhor. Ele não terá você por inocente.
 
Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados. (1Pe 2:24)
 
E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades. (Hb 10:17)
 
Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé, tendo os corações purificados da má consciência, e o corpo lavado com água limpa, (Hb 10:22)
 
Não matarás. (Ex 20:13)
 
Obs: estória fictícia, mas baseada em inúmeros casos reais, infelizmente.
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo

28/11/2016

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