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sábado, 14 de novembro de 2015

memórias literárias - 279 - FATOS MARCANTES - 2


 
FATOS MARCANTES 2
279
 
No último artigo iniciei as considerações sobre os fatos marcantes na viagem que fiz para o litoral paulista, tendo versado sobre o primeiro. Falaremos agora sobre o segundo.

As noites em São Vicente são fascinantes em temporada de férias. A orla marítima é totalmente iluminada desde a praia de José Menino e Itararé, até a Praia da Biquinha,  próximo à Ponte Pênsil. Em Gonzaguinha e Biquinha, onde fiquei, o comércio ambulante adentra à madrugada. Há gente de todo lado: são adolescentes contando peripécias, casaizinhos de namorados a confidenciar sentimentos, pais aflitos tentando deter seus pequeninos que disparam pela calçada, artistas artesanais a embolar o tráfego de pedestres, que disputam um espaço para vê-los. Na areia uma partida de vôlei de praia, um futebol entre amigos, um grupo de pescadores estendendo a rede. No quebra-ondas pequenos grupos instrumentais a tocar músicas regionais para refrescar a noite quente de verão. É a noite atlântica deste litoral.

É imprescindível criar-se aqui um divisor de águas neste elogio ao lazer. Ao lado de tanta coisa boa e bonita, é nítida também a presença do pecado: há bebida alcoólica nas rodas de música, numa falsa motivação dos participantes. Há prostituição correndo solta nos cantos sombrios da cidade. Há sensualidade misturada às conversas e atitudes de muitos, o que destrói grande parte da admiração. Nos cantos da ponte velas e incensos são acesos por pessoas nos “despachos”, a fim de conter a ira dos “exus”, pedindo as bênçãos dos “guias”, sob a guarda de algum “orixá”. É a macumba e o candomblé em ação. Casaizinhos de namorados não se contentam em segredar sentimentos, nem os adolescentes em contar vantagens. Já dizia em seu conteúdo o Pacto de Lausanne, a existência binômia da cultura: sempre há pelo menos algo de bom, pois o homem foi feito à imagem de Deus, e sempre há muito de mal, pois esta imagem foi corrompida pelo pecado.

Como encarar o povo brasileiro e sua cultura? Negando seus efeitos, corrosivos ao caráter humano, como fazem muitos liberais? De jeito nenhum! Como entristece ver mães a fumar e a baforar sobre seus pequeninos a fumaça! Como dói olhar um grupo de adolescentes saudáveis a pautarem suas vidas em horrendos ídolos de música popular internacional, ou em desajustados líderes juvenis. Isto me faz lembrar Jesus que, ao olhar sobre sua cidade a terrível pena que lhe estava reservada por rejeitar-Lhe como Rei, chorou de piedade. Também choraria por São Vicente, São Paulo e por todo o Brasil.

Deveríamos unir as forças e resgatar de uma vez por todas a nossa cultura. Vamos destronar Satanás e os seus demônios selvagens através de um saneamento cristão: vamos impor nossa cultura limpa, cristã, cristalina, sadia. Podemos ouvir e tocar as músicas de ritmos brasileiros (samba, choro, etc.) mas boicotar aquelas que são uma afronta ao caráter e ao respeito. Devemos banir o álcool , o cigarro, as drogas e a sensualidade da diversão brasileira. Podemos namorar de forma bela e romântica, sem, contudo, pecarmos contra Deus. Namoro sem prostituição deve ser uma resposta constante! Podemos falar na língua do povo, mas temos que protestar com o nosso exemplo contra a língua jocosa, maliciosa, perniciosa ou provocadora de zombarias.

Eu sonho com um Brasil novo, não apenas econômico-social, mas principalmente religioso e moral. Um dia em que passear na praia, ouvir música, admirar pessoas, seja algo maravilhoso, pois o Brasil estaria cheio da glória do Senhor, tão repleto desta glória como é repleto de águas o Oceano Atlântico que banha São Vicente. Quem vai entrar comigo nesta luta de resgate?
 
Pastor Wagner Antonio de Araújo
 


(Extraído do boletim número 2, ano I, do Ministério Nova Geração, Igreja Batista em Vila Souza, São Paulo, SP, 25/03/1990)

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