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sábado, 14 de novembro de 2015

memórias literárias - 280 - FATOS MARCANTES - 3

FATOS MARCANTES 3
280
 

 
Este é o terceiro artigo sobre fatos e momentos pitorescos que vivi em minha recente viagem pelo litoral paulista. No primeiro artigo tratei da experiência vivida ao encontrar um jovem endemoninhado na praia. No segundo, da observação da vida litorânea e da cultura brasileira, bonita, porém carente de saneamento cristão. Neste quero focalizar o que observei num domingo, numa visita que fiz à igreja batista de uma das cidades praianas.

O domingo estava quente e repleto de turistas. O comércio funcionava à toda e um certo ar de tranqüilidade exalava pelos quatro cantos da cidade. Resolvi visitar uma igreja batista do litoral, uma que não fosse muito longe, mas que, ao mesmo tempo, me trouxesse a oportunidade de conhecer novos irmãos e ouvir a Palavra de Deus. Preparei-me e fui procurar. Encontrei uma grande igreja, que já possui longa história e tradição. Bem localizada, certamente está num local estratégico no alcance dos cidadãos de lá. Pelas ruas banhistas trafegavam tranqüilos, pais cuidando dos filhos, músicas nos alto-falantes do parque de diversões, trenzinho turístico e muito mais. Entrei no templo. Qual não foi a minha surpresa, ao notar que estava vazio e os poucos ali presentes mais pareciam uma comunidade estrangeira que um grupo de moradores da região.

Sentei-me. As pessoas iam chegando, com roupas pesadas e inadequadas para o calor do verão. Certamente que a igreja estava preparada para isto, pois muitos aparelhos de ar condicionado estavam instalados e tinha-se a impressão de que o tempo estava numa temperatura ideal. As pessoas passavam, sentavam em bancos distantes, desfilavam a prole e as roupas, e os poucos visitantes ficavam à espera de um “boa-noite” incidental.

Chegou o momento do culto público. Uma perfeição instrumental, aliada à beleza de hinos e corinhos que ali pudemos cantar. Alguns tocavam violinos. Até um adolescente tocava o órgão da igreja, maravilhando a todos. Bem, após o louvor e a apresentação de visitantes, o pastor pregou a Palavra de Deus, trazendo uma bela mensagem evangelística. As pessoas pareciam incomodadas com as visitas presentes. Não resisti e, sem esperar o momento final, onde haveria a celebração da Ceia do Senhor, fui embora. Voltei a caminhar na beira da praia, refletindo sobre tudo o que acontecera.

Por que a igreja estava vazia? Por que a cidade não percebe a existência da igreja? Por que o povo que a freqüenta está tão alienado da comunidade da própria cidade? Por que não ficam felizes com os visitantes que adentram aos cultos? Sentir-se-iam bem os cidadãos comuns da cidade em participar daquela igreja? Estas questões bombardearam os meus pensamentos naqueles instantes em que eu caminhava pela praia, observando toda a vitalidade humana ali existente e tanta diferença com a igreja que visitei.

Somos salvos em Cristo Jesus pela fé que depositamos em seu sacrifício vicário. A partir daí, feitos filhos de Deus, assumimos nossa posição de herdeiros da promessa da salvação e passamos a ser agentes de Deus na evangelização do mundo. No caráter de luz do mundo precisamos estar no centro da sociedade, mostrando à geração perdida que Cristo muda os padrões, os pensamentos e a forma de agir e encarar o futuro. No sentido de sal da terra somos quais temperos eficientes, que trazem um novo sabor aos lugares onde nos encontramos: mostramos como ser cristãos entre os cidadãos, funcionários, maridos, esposas, filhos e em todas as posições sociais. Sobre tudo, porém, manifestamos ao mundo que o homem está perdido e que Cristo é o caminho para o perdão e a vida eterna.
 
É um absurdo rejeitarmos a ordem de Cristo, de ir ao mundo e influenciá-lo. Ao criarmos uma sociedade fechada esbarramos no mesmo erro católico que, considerando o mundo o centro do pecado, isolam-se nos conventos. Nós nos isolamos no templo. Paulo disse: “Quando falei para que não se misturassem com o mundo não disse para que se isolassem, pois seria então necessário que saíssem do mundo”.  Devemos odiar o pecado, mas amar o pecador. Devemos abrir as portas da igreja e deixar nossos braços abertos, recebendo a todos que se encontrarem cansados e oprimidos. A sociedade precisa receber o nosso impacto, e não o contrário. Somos estrangeiros no sentido de cidadãos do céu, mas ainda somos brasileiros. Temos um compromisso com nosso tempo e com nossa gente. Prudência, zelo, beleza e cuidado, sim. Alienação, monasticismo, estrangeirismo, não! Afinal, se não falarmos de cristo e não vivermos por ele em nossa sociedade, quem o fará?
 
Pr. Wagner Antonio de Araújo


(Extraído do boletim número 3, ano I, do Ministério Nova Geração, Igreja Batista em Vila Souza, São Paulo, SP, 01/04/1990)
 

Observação: é bom que se diga que o artigo foi escrito num tempo "pré-gospel", numa época em que ainda não haviam banalizado o evangelho, transformando-o em objeto de divertimento público. Entre 8 e 80, escolheram 888!!! 

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