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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

memórias literárias - 410 - PASTORES, PREGUEM OS SEUS PRÓPRIOS SERMÕES!

PASTORES,
PREGUEM OS SEUS
PRÓPRIOS
 SERMÕES!

 
410
Sábado à noite, tempo de conflito. Amanhã o pastor enfrentará o púlpito. Os mais tradicionais por duas vezes; os contemporâneos por uma. O que pregar? Antigamente iam para os livros de esboços e revistas especializadas; hoje abrem sites de famosos e escolhem alguns títulos bombásticos, consultando os textos. Escolhem dois, de preferência estimulantes e de auto-ajuda, claros e desafiadores. Abrem um vídeo de alguém pregando aquilo e, com esta ou aquela observação, batem o martelo: está escolhida a mensagem. No domingo o povo de sua igreja será alimentado com aquele prato feito, só com algum retempero pessoal. O espantoso é que este pastor se pergunta constantemente do porquê da frieza espiritual e do desinteresse do auditório...
 
Papagaios repetidores: é isto que muitos são. São meros reprisadores de sermões. Os reformados e conservadores buscam textos de Calvino, de Spurgeon, de Mcarthur, de Piper, de Nicodemus, e forçam os seus ouvintes a ouvir aquilo que mais apreciam, independentemente de ser a mensagem que Deus desejaria dar àquela comunidade. Outros, mais contemporâneos, buscam as últimas do Kiwitz, do Hernandes, do Duarte, do Rina, do Warren, e copiam até a gesticulação deles, transformando-se em meros covers baratos dos pregadores liberais famosos. Os auditórios locais tornam-se extensão e campi da universidade do sermão barato.
 
Que vergonha nos causa o púlpito contemporâneo! Que pobreza! Os pastores não sabem mais estudar a bíblia, nem praticam a exegese, nem estudam em profundidade a Palavra de Deus! Tudo é copiado ou feito de qualquer jeito. Buscam na lei do menor esforço a maior produtividade e produzem uma contemporaneidade evangélica sem mente, sem inteligência, sem cor, sem estilo e, principalmente, sem fidelidade bíblica. Seus raros estudos são cópia das bíblias de estudo, geralmente destas feitas por mercadores da fé, com esboços prontos e sem fidelidade bíblica, cheios de adoração ao próprio ego. Quanto menores e quanto menos esforço exigirem, tanto melhor. Isto não é correto!
 
Pastores foram chamados para pregar! Que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina. (2Tm 4:2)
 
Pastores que se dedicam à pregação e ao estudo são dignos de duplos honorários! Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; (1Tm 5:17)
 
Pastores devem ler, estudar, ter preparo contínuo e constante: Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá. (1Tm 4:13)
 
Pastores devem manejar bem a Palavra de Deus, saber usá-la, saber aplicá-la! Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. (2Tm 2:15)
 
Mensagens que custam pouco valem pouco. Mensagens de outros sem os devidos créditos são roubos feitos por pregadores incapazes. Mensagens de outros com os devidos créditos são importantes, desde que ocupem uma parcela pequena das escolhas destes pregadores. O povo que congrega na igreja deste pastor espera ouvir mensagens que Deus deu a ele, não aos outros. E para ouvir sermões de internet os membros podem consultar as mídias sociais, dos próprios autores, sem desperdiçarem tempo com as cópias e imitações baratas. Além disto o juízo de valor de quem copia é bastante questionável, uma vez que se esquece de verificar os pormenores e os detalhes do ensino, deixando passar heresias e falsas doutrinas.
 
Pastores, preguem as suas próprias mensagens, fruto de suas próprias conclusões em dedicado estudo e oração! Preparem os seus próprios sermões, façam as suas próprias séries e sirvam bem as igrejas onde foram colocados por Deus! Um restaurante com cozinheiros que não cozinham, apenas requentam comida que trouxeram de outros comércios está fadado ao fracasso; púlpitos que não produzem, apenas reproduzem, também! Usar materiais alheios para servir de base ao estudo  para aprimorar, para desenvolver idéias, para complementar, é absolutamente útil, necessário e precioso. Mas fazer do material consultivo a própria mensagem, sem desenvolver a sua própria argumentação é como dar ao cliente restaurante um prato com comida velha e de outra cantina.
 
Essa vontade de imitar é até compreensível no início do ministério. Quem nunca fez isso? Mas se durar demais, se nos primeiros meses não superar essa infantilidade torna-se uma série patologia e tem que ser tratada. Não fomos chamados para a carreira de imitadores. Deus nos fez diferentes e a cada um confiou mensagens fundamentadas na bíblia, que devem ser pregadas com a individualidade de cada um. Um exemplo disto é a Bíblia: diversos autores, sessenta e seis livros, estilos diferentes, ênfases diferentes, temáticas diferentes, autores com culturas e redações diferentes, mas com uma característica unificadora: inspirados por Deus, redigindo a própria palavra do Deus todo-poderoso. Assim devem ser os pregadores e pastores: diferentes, com ênfases e técnicas diversas, com estilos variados, mas fiéis às Escrituras Sagradas e revestidos do poder do Espírito Santo! Não serão inspirados no sentido teológico da palavra, mas serão iluminados pela Santa Escritura.
 
Ah, como é bom ouvir Timofei Diacov, com seu estilo de proclamador do Reino! E José Vieira Rocha, com seus sermões didáticos! E Josué Nunes de Lima, como um arauto da verdadeira fé! E Rubens Lopes, com sua prédica do tipo tribuna! E David Gomes, com seu estilo paternal e piedoso! Como é gostoso escutar um pregador que não imita o outro, que tem o seu próprio estilo e procura fazer o melhor possível para o serviço de Deus e a edificação do próximo! Mantenho comigo um pequeno esboço do saudoso Estefan Bendas, num sermão que apresentou à Igreja Batista Central de Osasco na década de 70. Tenho anotações de Josué Nunes de Lima, quando pregava na Igreja Batista Boas Novas do Jardim Brasil, sermões épicos e inesquecíveis! Que bom saber que cada um foi autêntico e bem serviu (e alguns ainda servem) no Reino de Deus!
 
E os que copiam? Não deixarão saudades de si, não transmitirão a mensagem que lhes foi incumbida, não marcarão a sua passagem com nada além de imitações baratas, que serão substituídas por outras melhoradas.
 
Jesus, ao perguntar aos apóstolos sobre quem o povo achava que Ele era, ouviu: E eles disseram: Uns, João o Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias, ou um dos profetas.
 
Contudo, Jesus não se satisfez em saber o que os outros diziam. Ele lhes perguntou: Mas vós, quem dizeis que eu sou? E, respondendo Pedro, lhe disse: Tu és o Cristo. (Mc 8:29). Aí está: o que os outros diziam Cristo sabia. Ele queria saber o que eles, particularmente, tinham a dizer. E Pedro expressou-se de forma pessoal e simples: Tu és o Cristo. Pronto. Era isso que ele tinha que dizer. E disse. E como disse! Sua fala foi o alicerce da igreja de Cristo: TU ÉS O CRISTO!
 
Pastores, colegas de púlpito, todos já estão cansados de saber o que os outros pregadores dizem de Cristo, da igreja, do Reino, das doutrinas. Uns dizem bem, outros falam mal; outros não falam coisa com coisa. O que Cristo nos pergunta é: O QUE NÓS ESTAMOS DIZENDO SOBRE ELE EM NOSSOS PÚLPITOS? O que nós temos para contribuir? O que temos para dizer de forma pessoal e única? Qual a mensagem que temos para pregar? Que tal fazermos como Pedro? Abramos a nossa boca em nossos púlpitos e digamos: "Hoje Deus falou ao meu coração e, estudando a Sua Palavra, decidi falar sobre o seguinte assunto:..."
 
Tenha certeza de que sua igreja espera há muito tempo ter um pastor, um pregador que assuma a sua própria identidade. Não os decepcione!
 
Wagner Antonio de Araújo

22/02/2017

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