segunda-feira, 29 de junho de 2020

memórias literárias - 897 - NAS MÃOS CERTAS

NAS MÃOS
CERTAS
897
 
No início do ano 2000 eu pedi a minha mãe para que bordasse um tecido como forma de recordação de seus traços e desenhos. Ela relutou, mas, vencida pela minha insistência, acabou fazendo dois. Um para o meu irmão Daniel e outro para mim. Ela partiu em 2005 e os quadros bordados ficaram como lembrança. O meu irmão cuidou bem do que ganhou, colocando-o numa moldura de vidro. Eu, infelizmente, não fui prudente. Ao reformar a minha casa para o casamento em 2011 não notei que o tecido ficou ao relento. A poeira, o tempo, a sujeira, carcomeram a obra de minha mãe. Aquilo tornou-se um farrapo. Um bom pedaço estava preservado, mas sujo. Procurei algumas pessoas para me ajudarem numa restauração. Todos eram unânimes: não há muito o que fazer.
 
Por estes dias resolvi pedir à minha sogra uma ajuda. Ela é, entre tantos talentos que tem, artesã. Levei o tecido e mostrei-lhe o estrago. Ela, com poucas palavras, disse-me: "verei o que posso fazer". E o tempo passou. Ontem, ao visitar-nos, trouxe-me um presente. Quando o abri fiquei perplexo: ali estava o quadro de minha mãe, restaurado, dando a impressão de que nunca sofrera qualquer desgaste! Ela o lavou, o limpou, aplicou um tecido atrás da trama desgastada e fez com que a obra feita pela minha mãe ganhasse vida depois de tanto abandono e infortúnios. Eu não sabia como agradecer!
 
Ao deitar-me, extremamente grato, pensei na semelhança do quadro de minha mãe com a vida humana. O simples fato de termos nascido já é uma obra de arte do Criador. Que dádiva sem tamanho o dom da vida! Infelizmente, após o nascimento, somos submetidos a tantos infortúnios, tantas tragédias e tantas dificuldades, que a obra torna-se borrada, estragada, esfarrapada. Quando olhamos para vidas que poderiam ser úteis e felizes, íntegras e prósperas, e as vemos em sua realidade destruída, sentimos dor e tristeza. Quantas vidas não passam de farrapos humanos! Têm o coração carcomido pelo ódio, pela solidão, pelo abandono, pelas agressões sofridas e pela revolta contra tantos sonhos não realizados! Gente rica, porém, vazia. Gente pobre e esquecida. Gente enferma e sem assistência. Gente velha e abandonada. Gente promíscua e mal amada. Gente viciada e sem libertador.
 
O meu pano abandonado é como a vida humana sem Deus: um tecido roto e abandonado. Diz-nos a Bíblia, a Palavra de Deus, que todos os homens são pecadores e, como tais, sujeitos ao completo abandono na eternidade, condenados a separação eterna de Deus. O pecado é um mal que corrói a alma, destrói o coração, afasta a semelhança divina e assombra o fôlego de trevas e de dor. Mas Deus não abandonou a Sua obra. Ele mandou ao mundo o único artesão capaz de restaurar a beleza original do sopro divino no homem. Jesus Cristo. Ele faz de cada homem que a Ele se submete o mesmo que minha sogra fez com o tecido perdido da obra de minha mãe: Ele restaura. Ele transforma. Ele refaz. Ele limpa. Ele costura. Ele ilumina. Ele dá vida nova. Através de Sua morte na cruz Ele perdoa os nossos pecados. O seu sangue simbolicamente lava o nosso coração, alvejando-o de forma completa e eterna. E a Sua ressurreição (Ele saiu da sepultura ao terceiro dia) nos dá vida, vitória, certeza e salvação. Ele restaura os farrapos humanos e nos faz novas criaturas!
 
Agora eu posso colocar num quadro o tecido restaurado e tê-lo como bem de família para os meus filhos queridos. A obra de minha sogra Masumi Okada tornou isso possível. Assim também eu e todos os pecadores que se submetem a Jesus Cristo podemos ser colocados no céu e desfrutar da presença e da companhia divina para sempre, através daquilo que Jesus fez em nosso coração, quando às Suas Santas mãos nos submetemos. Ele nos perdoou. Ele nos deu nova vida. Ele colocou em nós um novo coração. Ele nos adotou como filhos. Ele nos salvou. Aleluia!
 
Para terminar, quero lembrar-me do lindo hino de Norah Buyers e Joás Dias de Araújo, que tanto fala à minha alma - e quero crer, falará à alma de meus leitores também:
 

Nas Mãos de Deus
Norah Buyers / Joás Araújo

Nas mãos de Deus eu vou sereno e calmo
Nas mãos de Deus eu tenho plena paz
Vou sossegado até o fim,
Bem sei Deus cuidará de mim
Seguro estou nas suas mãos.

Nas mãos de Deus encontro segurança
Nas mãos de Deus certeza posso ter:
De libertar-me de aflições,
De angústias mágoas e tensões
Seguro estou nas Suas mãos.

Nas mãos de Deus eu posso ter vitórias
Aqui no mundo e enfim a glória herdar
Estou sereno e calmo assim
Porque Deus cuidará de mim
Seguro estou nas Suas mãos.
 
Wagner Antonio de Araújo

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