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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

memórias literárias - 138 - SACRIFÍCIO QUE NÃO ME CUSTE NADA


 
138-
SACRIFÍCIO QUE NÃO
ME CUSTE NADA
 
O texto bíblico é o de I Crônicas 21, similar a 2 Samuel 24. Há algumas diferenças de números e nomes, mas a história é a mesma, os fatos são os mesmos. O Rei Davi vivia um período relativamente calmo de reinado. Certamente a aparente tranquilidade despertou-lhe o orgulho. Vencera os seus inimigos com os valentes de sua equipe, mantinha uma política de superioridade, a população estava vivendo tranquila, logo o seu coração considerou-se "o tal". Geralmente somos assim: quando as coisas dão certo acabamos por nos considerar responsáveis pelas próprias bênçãos. "Sou muito douto, dei duro para chegar aqui"; "tudo o que eu tenho é fruto do meu trabalho"; "sou muito inteligente e culto, por isso consigo as melhores soluções"; "ganhei o destaque pelos meus próprios méritos somente". Davi decidiu fazer um levantamento, um recenseamento da população de Israel. Queria ver quantos eram os cidadãos. Queria gabar-se de ser rei de tanta gente e de contar com um exército tão grande.
 
Joabe, seu ministro da guerra/defesa/capitão de seu exército, tentou dissuadi-lo, desejando que Deus multiplicasse em cem vezes o seu poder, mas que não fizesse esse tipo de pesquisa. É como se dissesse: "Davi, para quê fazer isso? Usufrua do que tem, não se gabe de sua própria força!" Não adiantou. Deus permitia isso para punir Israel. A nação, escolhida para ser berço do Messias que viria, mantinha na privacidade de seus lares e nos altos as suas macumbas particulares, adorando a Rainha dos Céus, os baalins diversos, ofertando até crianças em sacrifício aos ídolos.
 
Foi feita a contagem. Recebida a numeração, Davi caiu em si e descobriu que o que fizera tinha um nome: OSTENTAÇÃO.. Pesou-lhe no coração. O pecado é assim: enquanto estamos a praticá-lo não enxergamos o seu mal. Terminado o ato, o Espírito do Senhor "pesa" o coração e nos mostra a bobagem que fizemos. Não é assim para o jovem que se prostitui? Não é assim para o casal que adultera? Não é assim para quem é desonesto? Não é assim para quem rouba o Dia do Senhor? Não é assim para o ministro religioso que se gaba de pastorear muitas pessoas como se as "ovelhas" fossem dele? No ato do pecado parece que somos felizes e não temos dúvidas; passado o ato, vem a tristeza. O que buscamos não agradou. Exultávamos não pelo que receberíamos, mas pelo processo do erro, a felicidade por rebelar-nos, por desobedecer. Esse prazer interior se chama pecado e está no coração de todo homem. Foi para isso que Cristo veio ao mundo: lutar e vencer o pecado, cravando-o na cruz e obtendo a vitória sobre ele. E conseguiu. Aleluia!
 
Assim que Davi sentiu o peso de sua arrogância o profeta Gade foi enviado a ele. Deus tinha um castigo que não voltaria atrás. A justiça divina é tão completa e forte quanto o amor do Senhor. Por mais que o Senhor amasse a Davi não poderia tê-lo como inocente. O seu pecado fora institucional e a punição seria institucional. Ele pecou como rei, pecou como líder, pecou gabando-se de sua autoridade. A punição seria em seu reinado. Três castigos ofertados, dentre os quais Davi deveria escolher um: três anos de fome em Israel, ou três meses a fugir dos inimigos, ou ainda três dias de peste e doença para a população. Que dura escolha! Que situação difícil! Seria tão edificante se compreendêssemos que o mal sobre o nosso país está muito acima de fenômenos naturais ou de abuso do meio ambiente! Os problemas climáticos possuem sim a mão do homem que destrói; mas muito mais forte tem sido o pecado institucional de líderes que não temem a Deus e não respeitam o Criador. Ainda que não sejamos uma teocracia, a mão de Deus está atenta ao satanismo da população; Deus vê as oferendas jogadas nos rios, nas encruzilhadas e nos mares; Deus vê os ídolos do lar e suas velas acesas; Ele vê os objetos de culto que entraram nas igrejas evangélicas; Deus conhece a idolatria do populacho aos seus líderes religiosos. Deus vê a corrupção, o roubo, a desonestidade, a promiscuidade.
 
Davi então decidiu escolher o último castigo, o de 3 dias. E acrescentou: que eu caia nas mãos de Deus e não nas mãos dos homens, pois as misericórdias de Deus são infinitas. Que bom que ele pensou assim. Contudo, melhor teria sido se tivesse evitado essa desgraça. Deus, então, enviou o Seu Anjo a desembainhar a espada. Imediatamente a peste invadiu o país. Que doença seria? Uma virose com diarréia de consequência fatal? Uma crise de respiração? Algum virus transmitido pela água, pelo ar, por insetos? Não sabemos. Apenas somos informados que 70 mil pessoas faleceram em 72 horas!
 
Foi então que o Rei Davi fez sua oração em forma de brado arrependido, de dor profunda, de lamento eterno: "Senhor, fui eu quem pecou, não o povo! Puna-me a mim, eles nada fizeram!" Era isso que Deus desejava ouvir de Davi. Ah, quisera que a Presidente Dilma confessasse os seus pecados institucionais e as assinaturas que deu a leis contra a vida e contra o evangelho! Quisera que os deputados e senadores reconhecessem que suas omissões e suas corrupções estão destruindo o Brasil! Quisera que Obama reconhecesse que sua liberalidade moral e espiritual está destruindo a América! Aqui no Brasil o sistema Cantareira, represa imensa que fornece água para São Paulo, está secando. O Rio Madeira, no norte, está alagado e não para de subir. No Pará a fumaça e a queimada destrói fauna e flora. O Anjo do Senhor ainda tem na mão a espada e quer justiça!
 
Diante da atitude de Davi, o profeta Gade lhe foi novamente enviado. A mensagem: oferece um sacrifício para Deus nas terras de Ornã, local onde o Anjo está. Imediatamente Davi procurou o proprietário daquela terra. Este, que havia fugido ante o fulgor do Anjo do Senhor, agora recebe Davi com todo o temor. "Quero oferecer um sacrifício em sua terra. Venda-me aquele alto. Vou pagar-lhe pelo preço devido". Ornã, assustado com tudo aquilo e talvez desejoso que a praga parasse, diz: "Não, ó Rei, eu lhe dou a terra, lhe dou os animais, dou a lenha, o trilho, dou-lhe tudo, faça o sacrifício!" Não podemos saber se era bondade de Ornã, se era desejo de agradar o Rei ou se era ansiedade intensa para que a peste cessasse. Mas a oferta foi muito boa. Davi, contudo, disse uma frase histórica:
 
"NÃO, ANTES PELO SEU INTEIRO VALOR A QUERO COMPRAR; PORQUE NÃO TOMAREI O QUE É TEU PARA O SENHOR, NEM OFERECEREI AO SENHOR SACRIFÍCIO QUE NÃO ME CUSTE NADA" (2 Cr 21.24)
 
Davi não manifestava orgulho, mas consciência. O sacrifício que iria fazer, o holocausto que ofertaria no altar, teria que CUSTAR PARA SI e não para os outros. Teria que custar no seu bolso, exigir seu compromisso, ser tirado de seus próprios bens. E foi exatamente o que fez: ao colocar o holocausto sobre o altar e orar, o Senhor enviou fogo do Céu que consumiu tudo, provando, dessarte, que Deus aceitara o sacrifício. O Anjo do Senhor guardou sua espada e a matança terminou.
 
As palavras de Davi são contundentes:
 
NÃO TOMAREI O QUE É TEU PARA O SENHOR - Muitas vezes queremos ofertar a Deus o que é dos outros. Queremos fazer caridade com o chapéu do próximo. Em nossas igrejas somos grandes proponentes de serviços e gastos no Reino de Deus, mas com o dinheiro alheio. Nós nos omitimos na participação. Há muitos que votam, que exigem, que discutem, mas nunca participam com aquilo que é seu. Querem gastar, mas do alheio, não do seu. Querem verbas, mas nem de longe tencionam contribuir. Esse tipo de oferta Deus não aceita. Esse tipo de serviço Deus não considera. "Que darei EU ao Senhor por todos os seus benefícios para comigo?" (Salmo 116.12). Missões não são feitas com a omissão dos crentes, mas no ajuntamento dos que vão, dos que sustentam e dos que oram. Aqueles que só assistem tomam o que é dos outros para dar ao Senhor. E Deus rejeita!
 
NÃO OFERECEREI AO SENHOR SACRIFÍCIO (HOLOCAUSTO) QUE NÃO ME CUSTE NADA - Davi queria comprometer o próprio bolso e o próprio patrimônio para considerar aquilo um sacrifício autêntico. E ele estava certo. Aquilo que não custa, que não compromete, que não faz a menor diferença não pode ser chamado de sacrifício. São migalhas. São restos. São supérfluos. São excedentes. São esmolas. Deus não precisa de nossas esmolas! Deus não recebe os nossos restos. Experimente dar à sua esposa um maço de rosas pegas num velório, sobras de caixões já sepultados. Experimente dar ao seu marido o resto de seu tempo na agenda, aqueles dez minutos entre um compromisso e outro. Será automática a rejeição. Mas é exatamente o que fazemos com Deus!
 
De segunda a sábado madrugamos e nos preparamos para trabalhar, estejamos com tosse, com febre, com frio ou cansados. Sabemos de nosso compromisso. Mas basta um vento mais frio ou uma trovoada no céu para dizermos: ah, hoje não irei à igreja. Basta um trabalho de faculdade, uma visita de amigos ou um almoço mais caprichado para lesarmos os nossos compromissos com Deus e com a nossa igreja. Professores de Escola Bíblica Dominical e pastores preparam suas mensagens e o povo falta descaradamente. As desculpas sempre são as mesmas, desculpas que não ousam apresentar nem para o patrão, nem para o credor, nem para o diretor da faculdade! Clara demonstração de que a nossa vida eclesiástica, levada nesse espírito, constitui-se em sacrifício que não nos custa nada!
 
Muitos de nós procuramos grandes igrejas onde seremos muito bem atendidos com estruturas de primeiro mundo, mesmo sabendo que os nossos dons e talentos foram de "linha de frente" e que jamais serão utilizados ali. Não é errado ser membro de boas igrejas grandes. Errado é buscá-las por conveniência. Somos pregadores, professores, pianistas, organistas, regentes, cantores, evangelistas, mas procuramos locais onde ninguém dependa de nossos trabalhos e onde não nos venham cobrar nada. Há igrejas com dezenas de pastores, músicos, professores, todos absolutamente inertes, meros assistentes. Somos excelentes esquentadores de bancos. Isto é vida de quem oferta a Deus sacrifício que não custa nada. As nossas justificativas são várias: estou machucado, fui ferido em meu trabalho na igreja onde estava, estou cansado etc. Diante de Deus, porém, a realidade é uma só: um sacrifício sem custo.
 
Gostamos da igreja, comemos do genuíno pão espiritual e amamos os irmãos. Mas não colocamos a mão no bolso para ofertar nada. Dízimos? São práticas veterotestamentárias. Ofertas? Só quando for de bom coração e do que eu puder. E assim levamos a nossa vida, como autênticos parasitas do Reino. Usufruimos de tudo, não contribuimos com nada. E ainda nos sentimos no direito de criticar o uso do dinheiro na igreja, o salário do pastor ou as ofertas missionárias. Fazemo-nos companheiros e camaradas de Judas, que, além de nada contribuir, ralhava até com Jesus que aceitou a unção com ungüento por parte daquela mulher. São provas incontestes de que ofertamos a Deus sacrifícios que não nos custam nada!
 
Deus não se agrada disto. Deus disciplina os Seus servos. Será bom olharmos para Davi, para seu pecado e seu orgulho, para a decisão impensada de achar-se o tal, de verificar o seu arrependimento tardio e o prejuízo que causou à instituição que presidia. E então inspirar-nos em sua atitude diante do sacrifício que ofertou a Deus: um sacrifício que seria seu próprio e que lhe custasse o suficiente. Que façamos assim. Que o frio ou o sono não nos faça deixar de ir à igreja, assim como não nos priva de ir trabalhar. Que não busquemos igrejas onde não sejamos necessários, mas que ofertemos a Deus o trabalho com os dons e talentos dados por Ele. Que consagremos ao Senhor dízimos e ofertas reais, não meras esmolas ou excedentes. Que possamos dizer com convicção: para Deus não há tempo ruim ou impossibilidade; Ele merece o meu melhor!
 
Que o Senhor nos faça melhores.
 
Wagner Antonio de Araújo
28/03/2014



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