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terça-feira, 12 de março de 2013

memórias literárias - 41 - EU SORRI EM SÃO PAULO - conto missionário


41 - EU SORRI EM SÃO PAULO - conto missionário


Era domingo e eu ainda estava naquela cidadezinha perto da divisa com o Mato Grosso. Fazia muito tempo que não cobria aquela rede. Mas durante a semana visitara inúmeros estabelecimentos comerciais, reatando velhos relacionamentos e abastecendo as casas com os meus produtos. Cansado, decidi viajar no domingo. Uma diária a mais no hotel não iria fazer muita diferença. Só fiquei sentido porque não poderia estar na minha igreja nesse dia. Mas certamente Deus me compreenderia. Fui dormir agradecido. Porém, antes de dormir, pensei: "Ei, quem sabe eu ache uma igreja batista numa cidade grande? Nessas pequenas não há nenhuma." E foi o que eu decidi.

Amanheceu, paguei a diária e peguei a estrada. Uma região linda, que eu não pudera apreciar na vinda, pelos inúmeros compromissos. Mas, agora, sozinho, com o som ligado num cd cristão, eu poderia apreciar. Calculei que encontraria uma igreja batista bem longe, talvez após rodar uns duzentos quilômetros. Dava tempo ainda de pegar a Escola Bíblica Dominical. O dia estava ensolarado, o ar fresco, e o coração feliz.

Logo no início, uns quarenta quilômetros adiante, vi o reflexo do sol numa igreja, no morro do lugarejo. Pensei tratar-se de uma igreja católica. Fui mais devagar e percebi que o formato era de um templo evangélico. Pensei: "Que bom, pelo menos alguns crentes já desbravaram esse fim de mundo. Quem será que ousou?" Saí da estrada e peguei a rua que levava ao templo. Ao me aproximar, vi tratar-se de um templo amarelo lindo, pequeno, porém, muito bonito. Ao chegar em frente, fiquei de queixo caido: era uma igreja batista! "Mas que maravilha! Qual terá sido a igreja corajosa? Afinal, com tantos lugares, vir instalar um templo justo aqui? Deve ter uns dois crentes só!"

Parei o carro, desci, apertei a campainha (tinha até casa para o  zelador!). Uma senhora atendeu-me.

- Bom dia, irmã. Desculpe acordá-la tão cedo!

- Que nada, irmão! Nós estávamos nos preparando para a Escola Bíblica Dominical! Vamos tomar um cafezinho?

Claro. Quem recusaria um convite desses? Ao entrar, encontrei uma linda família. Pai, mãe e dois filhos. Todos com bíblias abertas, orando, terminando o culto doméstico. O café estava no fogão, e rapidamente foi servido. Entre um pão e um café, eles me contavam suas bênçãos. Disseram que, apesar de ser uma cidadezinha inexpressiva, havia muita gente alí, gente por quem Cristo morrera. Disseram que nenhuma igreja diretamente quisera semear nada por ali, mas que a Convenção Batista do Estado de São Paulo enviara um casal de missionários, e esses revolucionaram a cidade. Eles me contaram que haviam se convertido com eles, que foram o primeiro casal a pedir o batismo. Hoje a igreja tem uma escolinha de crianças, e até o prefeito educa seus filhos alí. Falaram que são "duzentos e poucos" na igreja, mas que à noite estão fazendo dois cultos, porque "vem bem mais que isso". Como dois músicos também se converteram, ensinaram instrumentos de sopro para os membros e formaram a Banda da Cidade, tocando no coreto nas tardes de domingo.  Fiquei maravilhado!

- Fica pro culto, irmão!

- Numa próxima vez, quem sabe! Não faltará oportunidade! Hoje eu quero ver se chego de noitinha na capital. Até mais ver!

Segui tão feliz! Comecei a lembrar-me das vezes em que o pastor fazia campanhas para a oferta especial de Missões Estaduais. As crianças traziam moedinhas, os jovens lavavam os carros dos irmãos e ofertavam o que ganhavam para missões; as senhoras faziam os seus quitutes e as classes da EBD votavam seus alvos. Quanta coisa pôde ser feita e eu nem sabia!

Não passaram sessenta quilômetros e eis um outro povoado, um distrito semi-rural. Bem na subida da avenida eu vi uma placa: "SÓ JESUS CRISTO SALVA". Pensei: "Não é possivel! Tem batistas aqui também? Essa cidade nunca teve crentes!" Saí de novo e fui até a placa, que marcava o endereço. Pergunto daqui, pergunto dalí, não foi difícil encontrar a igreja. O povo sabia informar direitinho. No interior todo mundo se conhece. Dessa vez um templo bege e branco, lindo, com um jardinzinho bem cuidado na entrada.  "O que é isso, Jesus? Mas que beleza!" Ainda não era hora da EBD, mas o templo estava lotado. Pensei: "Acho que teve velório, deve sair um enterro". Que nada! A mocidade fizera uma vigília e estava toda ali, concentrada, firme, e tomava café num salão anexo! Pensei: "que povo fantástico!" Alguém me convidou para entrar: era o pastor.

- Aprochegue, irmão! Vai entrando que a casa é do Senhor Jesus!

- Amém! Bom dia!

Lá fui eu pra cozinha de novo. Havia duas mesas grandes, umas 50 pessoas sentadas, gente bonita, com a camiseta de campanha missionária e tudo! O pastor contou-me que a igreja era nova, tinha 6 anos, fora fruto de um mutirão missionário e que a Convenção Batista do Estado de São Paulo adotara o lugarejo para trabalhar. Também contou que foi nomeado para tomar conta do trabalho e que quatro igrejas da região (incluindo aquela primeira que eu vira) ajudavam com visitas, estudos bíblicos e mantimentos. Dissera que esse povo todo era, na maioria, povo da roça. Aprenderam a ler, a escrever e a tocar violão, e que agora a igreja possuia uma "orquestra de violões", onde, com trinta violonistas, acompanhavam o órgão nos cânticos da congregação. Mas o forte mesmo era o teatro. "Já encenamos a Paixão de Cristo e o Natal, de deixar a caboclada de queixo caído, sô! Só vendo mesmo!"

Fiquei para o culto. Que culto maravilhoso! A mocidade cantava animada os cânticos do momento. O coral da igreja estava alí, com seus trinta e poucos coristas. E a igreja estava cheia. Pensei: "Gente do céu, de onde vem tanto crente?" Era o povo do lugarejo, das fazendas, das roças, boias-frias, povo simples, humilde, gente por quem a maioria não daria nada, mas que foram amados por Cristo e encarados como por demais importantes por Missões Estaduais, e ali estavam eles, servindo a Cristo. E tinha gente com carrão também. Pensei: "Não fazem acepção de pessoas. Glória a Deus!"

Depois do culto continuei o meu caminho. Passei por vários lugares, por várias cidades, pequenas e grandes. Entrei na maioria delas e encontrei uma igreja batista. Algumas estavam pequenininhas, outras já estavam grandes, e vi também em povoados uma plaquinha, dizendo: "Ponto de Pregação da Missão Batista, com o apoio de Missões Estaduais". E exultei no Senhor.

Quando cheguei na capital, tinha muito o que falar! Ah, como eu estava encantado! E, por incrível que pareça, era a noite de Missões Estaduais (eu, que só trabalhava, esqueci da data e nem tinha reservado a minha oferta). As classes da EBD foram levar seus envelopes solenemente à frente e o pastor pregou com muita autoridade uma mensagem missionária. Mas eu não me agüentava, e tive que levantar a minha mão.

- Pastor, cheguei de viagem, preciso dizer uma coisa!

- Irmão - disse o pastor -, depois conversamos, certo? Talvez ele pensasse que eu fosse fazer alguma crítica. Longe de mim!

- Mas é sobre Missões Estaduais! É um testemunho!

Mais aliviado, o pastor permitiu. Chamou-me à frente e deu-me a palavra.

- Meus irmãos, estou chegando de viagem pelo interior paulista e estou perplexo. A obra de Missões Estaduais é algo que só a eternidade poderá avaliar. Lembram-se daquela cidade perto da divisa com o Mato Grosso? Pois é, meu tio tinha fazenda lá e não existia um crente que fosse! Hoje tem igreja batista pra mais de duzentos membros! E aquele outro povoado, na beira do caminho, com aquela meia-dúzia de casas? Tem outra igreja batista! Eu contei 8 igrejas novas, irmãos, e muita gente está salva, graças à pregação! E isso é fruto da nossa cooperação, do nosso Plano Cooperativo,  e do que ofertamos em Missões Estaduais! Eu não trouxe oferta - e corei de vergonha, quando disse isso. - Estou envergonhado. Mas amanhã mesmo, com a graça de Deus, vou dar a esta obra uma oferta sacrificial, porque quero ter parte nisso!  Quando uma criança cantar, quando um jovem for batizado, quando uma senhora abandonar a idolatria, quando um pai de família tornar-se crente, nessas cidades distantes, eu quero poder dizer: eu ajudei, eu participei, eu cooperei. Quem vai fazer coro comigo?

Foi a maior oferta que a igreja levantou nos últimos anos. E eu sei que, em cada real ofertado, estava depositado um sonho, o sonho de salvar alguém e fortalecer uma igreja em algum lugar do Estado de São Paulo.  Quem sabe no ano que vem, por outra estrada paulista, eu acabo descobrindo outras vitórias...

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Batistas paulistas, isso é um conto, mas já está se tornando realidade! Leia a nossa revista, conheça as bênçãos, os alvos, os desafios! Mas precisamos fazer mais, muito mais! Vamos povoar o Estado de São Paulo com igrejas batistas? Vamos salvar vidas com o evangelho de Cristo? Vamos preencher o vazio batista de nossos municípios?

Façamos uma grande campanha de Missões Estaduais! Ofertemos! Oremos! Seguremos as cordas! E tenhamos parte nessa obra!


Wagner Antonio de Araújo
Pastor da Igreja Batista Boas Novas de Osasco (ABAFER)
uma das pequenas igrejas conveniadas com a  CBESP
bnovas@uol.com.br

ARTIGO PARA A REVISTA DE MISSÕES ESTADUAIS
à pedido do Pr. José Vieira Rocha e
da Missionária Harumi Kakugawa Gianastácio - 2004

MAIS UM PÓS-SCRIPT, infelizmente: Isso retratou muito bem a CBESP de 2004, numa gestão que se importava com as pequeninas igrejas batistas, pobres, carentes, e com a abertura de novos trabalhos; uma CBESP que se importava com a boa doutrina e pastores fiéis que serviam a Deus com destemor. Digo infelizmente porque atualmente isso não retrata fielmente os nossos novos tempos. Mas quem viveu aqueles dias viveu dias de glória. Tiro o meu chapéu para AQUELA Convenção Batista do Estado de São Paulo, na gestão JOSÉ VIEIRA ROCHA.

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