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quarta-feira, 13 de março de 2013

memórias literárias - 43 - CATÓLICO ROMANO


43 - CATÓLICO ROMANO


"Pastor Wagner, o senhor nunca foi católico? Por que deixou de sê-lo?"

Essa pergunta eu recebo sempre. Tenho a alegria de ter, entre meus leitores, um grupo muito grande de católicos romanos, e isso me traz enorme felicidade e grande contentamento. Diz a bíblia: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros."  (Rm 12:10)

O meu tratamento para com os católicos romanos é do mais profundo respeito, da mais alta consideração e do mais profundo amor. Eu sei o que é ser católico. Eu fui católico. Eu fui coroinha por três anos, auxiliando os padres a servir a Eucaristia. Eu fui rezador de terços, e sabia decór todos os mistérios do rosário, e suas orações especiais. Eu iria seguir o sacerdócio católico-romano, e me tornaria seminarista camiliano. Não, não posso olvidar de minha origem e de respeitar a tantos que continuam vivendo sob a fé católica.

A razão de eu ser batista, ou, como muitos dizem, protestante, é bastante simples. Em um determinado momento de minha adolescência eu experimentei algo maravilhoso, chamado NOVO NASCIMENTO, REGENERAÇÃO. "Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo."(Jo 3:7); "Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. "(2Co 5:17)

Trata-se de algo subjetivo, que tem conseqüências objetivas para o resto da vida e para a eternidade além-túmulo. "Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida." (Jo 5:24)

 Isso se deu, quando reconheci-me pecador. "Não há um justo, nem um sequer.    Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus.    Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. " (Romanos 3.10-12). Como católico eu me reconhecia pecador;

Entendi que os pecadores iriam para o inferno. "E não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei antes aquele que pode fazer perecer no inferno a alma e o corpo." (Mt 10:28). "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor ".(Rm 6:23). Como católico, havia a possibilidade de um purgatório intermediário e das graças geradas pelas missas, rezas e velas.

Reconheci ser Jesus Cristo o Filho de Deus. "E Simão Pedro, respondendo, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. (Mt 16:16). Também o reconhecia, quando católico. Por ser Ele Deus-Homem, e o único crucificado em favor da humanidade, também tornara-se o único mediador entre Deus e os homens. "Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem." (1Tm 2:5). Como católico romano a minha fé admitia a CO-MEDIADORA e diversos intermediários menores, os santos.

Assim, cônscio dessas verdades, e da incompatibilidade daquilo que eu cria com o que a Bíblia dizia, aceitei o convite feito pelo Salvador, que prometia perdão de todos os meus pecados e vida eterna imediatamente. "Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus." (Jo 3:18).

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie; "(Ef 2:8-9). Eu nunca havia ouvido falar de salvação pela graça e compaixão de Deus, e de um perdão absoluto dos pecados, senão de um pagamento através de ritos e celebrações que me fariam passar pelo purgatório e sair de lá, depois de um tempo.

Então, por ser isso baseado na bíblia, livro que eu tanto amava, a Palavra de Deus, credenciada por Cristo ("Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade." , Jo 17:17) , entreguei-me a Jesus e fui salvo. A graça me alcançou. Fui perdoado. Fui redimido. Foi-me garantido um lugar no Céu. Cristo veio morar em mim. Minhas obras sucumbiram. Hoje, se pratico boas obras, faço-o como conseqüência da salvação, e não para buscar a salvação. Além do mais, a salvação não vem das obras, mas da graça através da fé. "Sabendo que o homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo, temos também crido em Jesus Cristo, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei; porquanto pelas obras da lei nenhuma carne será justificada." (Gl 2:16)

Não consegui conviver com três bases de fé, porque eram conflitantes e opostas entre si. Só consegui escolher uma, e essa uma é a bíblia, a Palavra de Deus. E quais são as três bases de fé para um católico romano?

A primeira é a Bíblia Sagrada. Amém! Que maravilha! Hoje, com o movimento carismático, os católicos romanos redescobriram em suas bíblias as sacrossantas palavras do Senhor, e têm buscado pautar suas vidas em tais ensinos. Bendito seja o Senhor por isso.

A segunda é a Tradição. Ao longo do tempo muita coisa foi acrescentada como interpretação à bíblia, uma espécie de TALMUDE ao TORÁ cristão. E, infelizmente, essas tradições não serviram para construir, mas para destruir a simplicidade dos ensinos bíblicos. Assim, se a Bíblia orienta algo, mas a tradição milenar da religião faz diferente, as duas coisas precisam conviver juntas, e os teólogos precisam fazer verdadeiros malabarismos interpretatórios para conciliar a ambas. Meu Deus, que pena! A tradição estragou a fé.

A terceira é o Sagrado Magistério, ou a autoridade da Igreja Católica, através de seu líder, considerado INFALÍVEL, de interpretar a bíblia e a vontade de Deus para o povo. Sem discutir a capacidade intelectual ou moral de seus bispos ou papas, tornou-se inadmissível ao meu coração pecador, acreditar que, além de Jesus, houvesse algum outro ser humano capaz de ser infalível. A história testifica isso.

Dias atrás, tínhamos um papa bondoso e amoroso. Este pediu perdão por coisas que seus antecessores, outros papas, também infalíveis, disseram ou fizeram, fosse contra os judeus, fosse contra os ortodoxos, fosse contra os não-católicos. Nesse bojo está a Santa Inquisição, que queimava os que se opunham à Igreja Católica Romana. Então a infalibilidade papal mostrou-se falível. Assim, o que até então era considerado infalível, mostrou-se falível, mostrou-se absolutamente humano. Portanto, uma base de fé falível não pode servir para a minha fé, pois careço de uma base infalível para a eternidade.

Quanto a isto, vale dizer que atualmente a Igreja Romana discute outra doutrina, e tenciona mudá-la (como se a eternidade pudesse mudar ou "desmudar" ao belprazer ou ao gosto das gerações). Dizem que a teologia do LIMBO está ultrapassada. Diz-se que os bebês não batizados na Igreja Católica, vão para um lugar chamado LIMBO. Segundo os pensadores da Igreja, isso precisa mudar. Quer dizer, até ontem, isso existia, porque a infalível interpretação do Magistério ensinava assim. Hoje, porém, não será mais. Que fé se sustenta assim? E qual é a verdade verdadeira? E para onde levaram os bebês?

Como um pecador arrependido, seguidor de Jesus Cristo, como qualquer outro católico, decidi optar por uma das três bases, igualzinho aos cristãos do primeiro século. Aqueles não tinham uma tradição para seguir. Também não possuiam um Sagrado Magistério, senão uma Palavra Revelada, fresquinha, saída da fonte fidedigna da inspiração do Espírito Santo. Assim, preferi ficar com a Bíblia, o Velho e o Novo Testamentos, e me satisfazer com isso. Preferi lê-la e pedir ao Espírito Santo para me orientar e fazer-me entendê-la. Preferi não admitir a hipótese de que a Tradição pudesse mudar o que estava escrito, ou completar o que já estava completo na Bíblia. E também decidi não colocar a minha fé na infalibilibade do Sagrado Magistério, porque, se  eles são falíveis e podem errar, então poderia crer em algo falso. Mas as Escrituras Sagradas, conquanto escritas por homens, foram especialmente inspiradas pelo Espírito Santo, e credenciadas pelo próprio Cristo. "... a Escritura não pode ser anulada" (Jo 10:35)Então isso me bastou.

Não digo isso para discutir, polemizar, brigar. Digo isso para explicar. Assim como tenho profundo respeito pelos que crêem romanamente, e tenho amizade e profunda estima por diversos, assim gostaria que essas minhas palavras fossem compreendidas como uma explicação, e não como uma crítica pela crítica.

Contudo, se isso faz com que o leitor católico reflita, pondere, e reavalie a sua fé, certamente é porque o Espírito Santo permitiu que tal acontecesse. Então, como eu fiz, convido-lhes a fazer também: decidir-se por uma base só. Isso trará paz, segurança, vida e harmonia.

"Lâmpada para os meus pés é tua palavra, e luz para o meu caminho." (Sl 119:105); "À lei e ao testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, é porque não há luz neles." (Is 8:20); "Toda a Escritura é divinamente inspirada, e proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça;" (2Tm 3:16); "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo".  (2Pe 1:21)
São Paulo, SP, 07 de janeiro de 2006

Pastor Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP
bnovas@uol.com.br
www.uniaonet.com/bnovas.htm  

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