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terça-feira, 26 de março de 2013

memórias literárias - 50 - SENSO DE EMERGÊNCIA


50 - SENSO DE EMERGÊNCIA
Eu estava me lembrando dos dias em que era um adolescente novo convertido. Se comparado a botânica, eu era uma flor em botão, tudo era novo para mim, o Céu havia baixado na Terra e eu vibrava emocionado! Não perdia um culto, não saía da casa do pastor e de irmãos experientes, estava ávido por aprender mais sobre o Evangelho.
Mas havia uma necessidade emergente: a salvação de minha família. O meu pai estava perdido em seus pecados. O meu irmão era um junior que também precisava de Cristo. A minha mãe era idólatra e, conquanto eu a amasse, ela também não tinha a vida eterna em seu coração. E isto me trazia dor e intenso desejo de vê-los convertidos.
Eu orava intensamente. Enquanto trabalhava como office-boy do BCN mantinha-me em oração. Na hora do almoço gastava tempo clamando ao Senhor. Em casa buscava as oportunidades para falar de Cristo a eles. Mas era tão difícil! Meu pai ameaçara matar-me a tiros se eu fosse batizado; o meu irmão dera-me um tapa no rosto, dizendo que eu não era mais seu irmão; a minha mãe chorara muito porque eu quebrara muitas imagens de escultura que possuía. A luta era grande.
Em 2 meses eu preparei-me para o batismo. O Pr. Timofei Diacov visitou o meu pai e a minha mãe e o clima abrandou-se. No meu batismo várias pessoas da família estavam presentes. Mas não havia decisão alguma. E eu não me conformava com isso.
Foi num regresso do Pr. Timofei Diacov à Igreja Batista em Sumarezinho, para celebrar a Ceia do Senhor (a igreja ficara sem pastor) que Deus atendeu aos clamores meus. Meu pai e meu irmão foram à igreja. Naquela noite o coral cantara SOSSEGAI e na celebração da Ceia do Senhor o meu pai e o meu irmão Daniel converterem-se a Cristo. Aleluia!
Mas o coração de minha mãe era de pedra. Ela tolerava a minha fé, e agora a de meu irmão e de meu pai, mas não queria renegar as tradições italianas familiares. O tempo passou. O ano terminou. E no começo do outro ano, após o carnaval, ao chegar em casa, mamãe veio receber-me. Estava exultante. Disse que convertera-se ao fritar um bife. E explicou-me: enquanto fazia a janta, olhara a imagem de gesso pendurada no corredor com uma luz acesa. Pegou-a para limpar e ver, tirou uma lasca, de onde saiu, além do gesso, um pouco de arame enferrujado e um pedaço de jornal amarelado com a foto de uma mulher de biquini, concurso de Miss Brasil 1960 (ela ganhara a imagem no casamento). Então pensou: é isso aqui que está protegendo a minha casa? De hoje em diante eu só adorarei ao Cristo vivo! E então ela nasceu de novo, converteu-se, ali, junto do fogão. Que alegria eu senti! Meses depois foi batizada e eu pude dizer: EU E A MINHA CASA SERVIMOS AO SENHOR!
Já não sou mais uma flor em botão. Fui flor, sequei e virei semente. Esse processo dói. Nós envelhecemos. Mamãe mora com Jesus no Céu. Papai também. O meu irmão já é casado e é pai. Eu também casei-me. Bendito seja Deus, os meus familiares foram salvos, os familiares diretos. Porém percebo que perdi o senso de emergência. Chamo de senso de emergência àquele sentimento de insatisfação, de necessidade, de clamor, de súplica por algo que precisamos. A salvação de meus familiares era a minha prioridade. Mas eu tenho outros, não diretos de casa, mas tias, tios e primos.
Eu creio que os meus leitores também devem ter familiares que não são crentes. Eles estão perdidos! Pode ser um esposo, uma esposa, um filho, os pais, os cunhados. Se eles não entregarem o coração a Jesus perecerão no Inferno, onde há choro e ranger de dentes, onde o bicho não morre e o fogo nunca se apaga. E, não raras vezes, perdemos o senso de responsabilidade e de emergência e não atentamos para o perigo.
Nós precisamos ter senso de emergência. Nós precisamos levar o evangelho aos nossos familiares e amigos. Ao pé do caixão não adiantará confessar que poderia ter aproveitado melhor o tempo com o falecido e compartilhado do amor e da graça de Deus. Não adiantará dizer ao pai falecido ou à mãe morta que lhes devotava amor, se não teve grande aflição pela salvação da alma deles. Há uma eternidade após o túmulo e de lá nunca mais se sairá. Necessário nos é definir o destino em vida, e se não nos importarmos pela salvação dos nossos entes queridos quem o fará? É certo que não sabemos quem se converterá, quem de fato é "eleito do Senhor", mas a ordem é "ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo".
Banalidades, discussões bobas, interesses efêmeros, diversões, churrascos, compartilhamento de bens, nada disso substitui abordar com franqueza o assunto da salvação da alma com os nossos queridos. Precisamos sentir as labaredas da eternidade sem Deus a chamuscar os nossos queridos na eternidade e então, imbuídos de amor, misericórdia e emergência, falar-lhes de sua perdição, do sacrifício do Senhor e da necessidade do arrependimento dos pecados e da fé em Jesus somente.  Não importa que nos persigam. Não importa que nos boicotem. Não importa que nos chamem de lunáticos, fanáticos, prepotentes ou impertinentes. É melhor que se aborreçam conosco até que se convertam do que dedicarem a nós grande simpatia e perecerem na eternidade sem Deus.
SENSO DE EMERGÊNCIA - você tem? Não precisa? Eu preciso! "Senhor, dá-me o Teu senso de emergência, fazendo de mim um evangelista sensibilizado pelo amor aos pecadores, a começar dos que me são mais próximos e caros. Amém".
Eu pedi com fé. Se desejar, peça também.
Wagner Antonio de Araújo

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