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segunda-feira, 1 de abril de 2013

memórias literárias - 52 - JESUS - UMA DOR SEM IGUAL

52 - JESUS - UMA DOR SEM IGUAL
SERMÃO No. 62 –25/03/2005

SÉRIE DE CONFERÊNCIAS DA SEMANA SANTA 2005

SERMÃO 2 – JESUS – UMA DOR SEM IGUAL


TEXTO BÍBLICO: ISAÍAS 53.4:

“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.”

INTRODUÇÃO

Ninguém aprecia sentir dor. Os laboratórios farmacológicos e os congressos de medicina têm gasto fortunas tentando descobrir medicamentos que combatam com eficácia todo tipo de dor. Mesmo que não resolvam o problema da origem, assim, para dores severas, temos os analgésicos, e para dores insuportáveis, temos a morfina. Entretanto, há outras dores no mundo e nos corações humanos.

Há a dor de se perder um ente querido, ou perder um grande amor. Há a dor da despedida quando partimos para algum lugar distante. Há a dor do final de uma etapa, quando terminamos uma faculdade e deixamos uma classe. Ou da aposentadoria, quando deixamos o posto de trabalho, que ocupávamos há tantos anos.

Há também dores morais. Há a dor de sofrer uma injustiça. Há a dor de se perguntar “por que?”, e não obter-se respostas. Há a dor de ser humilhado, de ser difamado, de ser criticado. Dores que não passam com remédios, com morfina, com receitas.

Há a dor do arrependimento, do remorso, do “por que fiz isso?”, “por que perdi o meu tempo?”, “por que escolhi isso?”, “por que agi assim?”. E quando não se consegue tratar essa dor, adquirem-se sérios problemas para o resto da vida.

Dor. Infelizmente convivemos com ela o tempo todo. Vemo-la real e presente.

Contudo, ninguém teve uma dor tão severa, tão intensa, tão real, tão profunda, tão extensiva, quanto Jesus Cristo em sua paixão pela humanidade perdida.

Sim, Cristo, teve a dor das dores, enfrentou um sofrimento intenso, palpável, terrível, medonha, foi uma dor sem igual. E em que a dor de Cristo foi sem igual?

I – DOR FÍSICA

A sua dor foi física. O seu corpo suava gotas de sangue (conforme Lucas 22.44). Levaram-no violentamente à casa do sumo sacerdote, e lá o esbofetearam sem piedade, perguntando-lhe quem foi que lhe batera (Mateus 26.68). Arrastaram-no a Pilatos, humilhando-o, e depois a Herodes, e mais uma vez a Pilatos. Esse mandou que o chicoteassem (Marcos 15.15). Tais chicotes eram munidos de lancetas de ferro, que abriam sulcos na pele. Os guardas lhe colocaram uma coroa feita de espinhos, cujas pontas chegavam a três centímetros, e foram-lhe enterradas na cabeça.

Então, quando o seu corpo ardia em febre, e com o sangue coalhado e grudado na pele, colocaram em suas costas uma cruz pesada. Colocar uma madeira entre os braços, ou colocar em seu ombro a cruz já montada, ambas as versões são possíveis, porém, indiferentes quanto à dor e ao sofrimento. Sua caminhada de cerca de 3 quilômetros, foi cruel, severa, desumana, medonha, terrível.

Chegando lá, tomaram seus pés, estenderam-nos e, esticando os seus pés sem piedade, pregaram-nos a marteladas. Pregos enormes, para segurar os pés na cruz. O mesmo fizeram com suas mãos. A dor que Jesus sentia era agonizante. Calafrios, repuxões, ínguas, câimbras, desconforto, ardume, picadas de mosquito, algo cruel demais. Porém, seu sofrimento não foi apenas físico.


II – DOR MORAL

Cristo estava sendo punido por crimes que não cometera. Você já foi injustiçado em alguma circunstância? Imagine Jesus, sendo crucificado sem merecer! Cristo estava sendo humilhado, martirizado, ferido, sangrado, aprisionado, morto, e não devia nada...

Mas isso ele fazia, não por ser um mártir tão-somente, ou por amar o sofrimento. Jamais! A bíblia nos diz que Ele tinha uma glória anterior com o Pai celestial (conforme João 17.5), servido por anjos, sentado junto ao trono, na luz inacessível, via-se punido pela própria criatura que criara! E isto ele fez por nós! Porque o seu sofrimento foi mais que moral.

III – DOR VICÁRIA

A palavra VICÁRIO significa “em lugar de alguém”. Cristo não sofreu por si. Cristo não sangrou por si. Cristo não foi humilhado por si. Cristo não se sentiu só, por si. Ele fez tudo isso em lugar de alguém. E esse alguém era eu, era você, éramos nós.

“As nossas dores levou sobre si”. Foi para tomar o lugar de todo aquele que crê, que Jesus sofreu o que sofreu. Cada chicotada, cada escarrada recebida, cada espinho na cabeça, cada tombo no caminho, cada murro, cada prego, Cristo sofria vicariamente.

Ele tomou sobre si os nossos pecados. Diante de um Deus justo, nada mais justo do que se fazer justiça. Assim, para cada erro, para cada má escolha, para cada pecado, Necessário era que fosse pago, que fosse justamente quitado. E diante do justo Deus, o salário do pecado “é a morte” (Romanos 3.23); isto é, a eterna separação de Deus.

Se qualquer um de nós tivesse que pagar com a própria pele, o pagamento seria a eterna separação de Deus, o inferno, as trevas, o lago de fogo e enxofre, e de lá jamais sairia.

Só havia uma pessoa capaz de pagar esse preço, e essa pessoa não precisava fazer isso. Jesus! Sim, porque, por não ser um homem pecador, Ele nada devia. No entanto, “seu amor por mim é mais doce que o mel, e sua misericórdia é nova a cada dia”. Ele teve piedade de nós. Ele sabia que a dor seria indescritível, mas ele quis pagar em nosso lugar, se sacrificar por nós!

E tornou-se, nos dizeres de João Batista, o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! “No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.”  (Jo 1:29). Ele foi imolado como ovelha muda: “Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.”  (Is 53:7)

IV – DOR ESPIRITUAL

Enquanto era punido pelos nossos pecados, Cristo experimentou a feiúra de uma alma sem comunhão com Deus. Experimentou a solidão, experimentou o desespero. Experimentou o medo. Experimentou a sensação de desesperança. E, diga-se mais uma vez, fez isso em nosso lugar, unicamente por nos amar!

Satanás estava contemplando, naquela cruz, o ser punido como o maior pecador de todos os tempos. Sobre as costas de Cristo repousavam os adultérios os assaltos, os terrorismos, as traições, as mentiras, as feitiçarias, os homicídios, as pedofilias, as rebeliões, os vícios, os tráficos, e toda sorte de males do coração humano.

O inferno é o lugar para punir os pecadores, Era como se as próprias labaredas de lá chamuscassem os pés sacrossantos do Salvador, dizendo-lhe: “Virás pra cá, Nazareno! Te aguardamos!”

Ao olhar para o céu enegrecido, e para o enorme silêncio espiritual, Cristo sentiu solidão, e clamou: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” (Mateus 27.46). Sim, porque a dor era intensa, Jesus questionava a situação, o porquê do Pai permitir que isso fosse tão longe. Mas era necessário. Se o Pai interrompesse o sacrifico, todos os que cressem em Cristo não teriam a menor chance de serem justificados. Assim, Deus amou tanto ao mundo, tanto a mim, e a você, que, naquele instante, optou por nos salvar, mesmo que isso custasse todo o cruento sacrifício do seu filho.

V – DOR DA INGRATIDÃO

Mas há uma dor posterior, ainda queimando no coração de Jesus. Ele expressou-a ao chorar sobre Jerusalém, dizendo: ”Porque eu vos digo que desde agora me não vereis mais, até que digais: Bendito o que vem em nome do Senhor” (Mt 23:39). É a dor da ingratidão.

Mesmo tendo sofrido tanto, mesmo tendo doado a si próprio, mesmo assumindo cada um dos pecados da raça humana, as pessoas ainda o desprezam, fazendo pouco caso de sua morte, não crendo em sua ressurreição, se envergonhando dele, e transformando a Páscoa numa festa da fertilidade, simbolizada por ovos e coelhos!...

Por ser uma nação dita católica, era para ser um “dia santo”, onde as pessoas refletissem sobre tudo isso. Mas aonde estão elas, senão umas poucas religiosas, que ainda se preocupam com isso? A maioria está vivendo na absoluta normalidade, apáticos à palavra de Deus, fazendo os pecados de sempre, e nem mesmo suas igreja conseguem mobilizá-los!

Ingratidão! O mundo se esqueceu da cruz! O mundo zomba da cruz. O mundo não faz caso da cruz. E isto já estava predito pelo Senhor, quando disse: “...Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” (Lc 18:8b)

Essa dor tem remédio. Ela acaba no instante que alguém, com humildade, contrição e fé, enaltece e aceita todo esse sacrifício, toda essa dor sem igual, e a aceita para si próprio, como a sua própria salvação. Sim, porque hoje, a única coisa que temos a fazer para alcançar a vida eterna, é aceitar esse sacrifício para nós.

CONCLUSÃO

Cristo sofreu dor sem igual. Sua dor foi física, foi moral, foi espiritual, foi vicária, foi em nosso lugar e por nós. Mas a dor da ingratidão, pode ser curada, quando nós deixarmos de ser ingratos, e recebermos a Ele como Senhor e Salvador.

Disso depende a nossa salvação. Cristo fez tudo por nós. E de nós, só nos pede que creiamos em seu sacrifício, e que o confessemos publicamente como nosso único e suficiente salvador.

Somos pecadores. Merecemos o inferno. Não há lugar para pecadores no céu. Não há como entrar. Portanto, estaríamos absolutamente perdidos, não fosse a dor de Jesus, que, mesmo vendo todo o sofrimento que teria, ousou nos amar mais do que a si mesmo, e ofereceu-se como sacrifício, pagando, na cruz, o preço pelos nossos próprios pecados!

Amigo, aceite-o nessa noite, em seu coração, receba-o como Seu Salvador! Ele diz em sua palavra: “Portanto, qualquer que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai, que está nos céus.” (Mt 10:32). Diz também: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28).

Não seja ingrato com o Senhor. Não se envergonhe de sua cruz, de seu sacrifício. Disto depende a nova vida, que você pode receber hoje! “Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação.” (Hb 3:15)

Que a dor de Jesus não tenha sido em vão, por você.


Wagner Antonio de Araújo

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