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segunda-feira, 15 de abril de 2013

memórias literárias - 63 - A MORDIDA DO LEÃO


63 - A MORDIDA DO LEÃO
15/04/2013
Certo homem cambaleava na rua, chorando bem alto e gritando para que todos ouvissem:"Oh, céus, quando é que a ferida sarará? Quando é que a dor desaparecerá?". Um transeunte que com ele cruzara indagou-lhe: "Por que tamanho desespero, senhor?" O sofredor respondeu: "Não está vendo, ó homem? Fui mordido por um leão e a ferida dói intensamente; já faz tantos dias e ela não sara! Não consigo nem andar tamanho o peso dessa dor!" O transeunte lhe replica: "Mas, senhor, também pudera! A ferida não pode curar-se! O senhor esqueceu de tirar o leão de sua perna; está carregando o bicho, arrastando-o consigo!" Assustado, o homem nem percebera que o leão estava morto; tirou os dentes da perna e sentiu o alívio do peso excessivo; colocou bálsamo na ferida e logo estava bem.
Somos como esse moribundo. O leão está sempre a espreita, buscando morder-nos. Trata-se do ofensor. Quantas vezes somos feridos por bocas ácidas, pessoas que não poupam adjetivos para nos desqualificar! Muitas vezes as pessoas nos pagam com o mal o bem que lhes fizemos. A ingratidão é uma constante no universo e geralmente as pessoas que mais ajudamos são as que mais nos magoam e nos tratam com amargura. Acusações falsas, desprezo, insensibilidade, esquecimento, são tantas as circunstâncias! Se fossem apenas pessoas estranhas nem sentiríamos tanto dissabor. Mas geralmente as feridas vêm de pessoas que nos são próximas! O próprio salmista já dizia: Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. (Sl 55:12-13). Pessoas de quem esperávamos a gratidão, a amizade, a lembrança, a compreensão, a gentileza.
A ofensa é uma mordida de leão. Dói, sangra, fere, infecciona, aborrece. Jesus sabia que muitas vezes poderíamos enfrentar aborrecimentos e ofensas. Assim, na chamada Oração do Pai Nosso Ele nos ensina a dizer: "Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos os nossos devedores", ou como diz na Vulgata: "Perdoa as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido". O remédio para a ofensa é o PERDÃO. Cristo, ofendido pelos que O crucificavam e zombavam, exclamou: "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem".  Ele também afirma: E, quando estiverdes orando, perdoai, se tendes alguma coisa contra alguém, para que vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe as vossas ofensas. (Mc 11:25). Ofensa não é para guardar ou para cultivar. É para lançar fora. Precisamos perdoar. Paulo Apóstolo afirmou: Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. (Cl 3:13)
O que acontece quando não perdoamos? O mesmo que ocorreu com o moribundo da fábula inicial: carregamos o ofensor conosco. Sim, o levamos na nossa memória. O fato que nos ofendeu é lembrado e relembrado inúmeras vezes. Pensamos naquilo dia e noite. Sentimo-nos sufocados e ruminamos a mesma sensação, aborrecendo-nos cada vez mais. "Por que ele me fez aquilo?", "Por que não me convidou para ir?", "Por que me tratou com tanta grosseria?", "Por que foi tão ingrato?" E então andamos o dia todo com o leão agarrado em nossa perna, com a ferida aberta da ofensa infeccionada, com os dentes do ofensor cravados em nós. Não saramos! Não temos alegria! Não conseguimos desfrutar de mais nada! A vida pára, o prazer desaparece, a felicidade está sempre distante! E como sair disso?
Tomando consciência de que o perdão traz libertação! A verdade liberta. Foram injustos conosco? Tudo bem, já aconteceu. Eu também sou pecador e já fui injusto com alguém. Então assim como eu quis o perdão e o Senhor me alcançou, também vou perdoar. Aliás, perdoar unilateralmente, sem mesmo que a pessoa me peça.  Perdoar quem se arrepende é mais fácil; perdoar quem não merece é muito mais difícil, mas é a verdadeira expressão de uma alma convertida a Cristo. No momento que nós perdoarmos o "leão" irá cair e a ferida irá sarar. Quando não perdoamos não somos capazes de esquecer.  Perdoar de verdade é agir da seguinte maneira: "Eu te perdôo, e toda vez que eu me lembrar do que me fizeste, também me lembrarei de que perdoei-te". Pronto! Matamos o leão. A ferida irá sarar! Porque não teremos mais a pessoa como nossa devedora. E desfrutaremos da paz de um coração purificado da amargura. Diz a bíblia: Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. (Hb 12:15)
Olhe para a sua perna: está doendo? Veja se não há um leão a morder a sua carne. Há? É alguém que lhe ofendeu já faz tempo? Arranque esse leão! Perdoe! Liberte-se! Deixe a ferida cicatrizar! Não carregue mais um defunto consigo. Vire a página. Abençoe o ofensor e viva um novo capítulo cheio da paz do Senhor. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. (Cl 3:15)
Adeus ao leão e bem-vinda felicidade!
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

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