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sábado, 20 de abril de 2013

memórias literárias - 68 - ABRE A BOCA


68 - ABRE A BOCA


Eu sou o Senhor teu Deus, que te tirei da terra do Egito; abre bem a tua boca, e ta encherei. (Sl 81:10)

Essa expressão sempre chamou a minha atenção: “abre bem a tua boca, e ta encherei”.

Lá na roça, não raras vezes, vi os pássaros a alimentarem seus filhotes com alimentos armazenados em seus próprios bicos. Os bichinhos, ainda tenros, não podiam alimentar-se direito, então os pais lhes nutriam. Também criamos em casa periquitos australianos. Houve época de termos 60 aves. Que saudades dessa atividade! Mas me lembro perfeitamente que o macho comia, comia, comia, passava para o bico da fêmea, que passava para o bico dos filhotes. Às vezes a ninhada era composta de dez ou doze aves! Que lindo vê-los a deixar o ninho, filhotes de penas coloridas, já com ares de adultos!

Deus fala ao povo hebreu que os tirara do Egito. E isso traz à memória quarenta anos de peregrinação no deserto! Ninguém comeu areia, muito menos um milhão e meio de pessoas. Também não cultivaram verduras ou criaram gado, ainda que alguns eram ofertados em sacrifício. Não havia tantos animais para tanta gente ao mesmo tempo.

Então nos lembramos do “pão dos anjos”: “O homem comeu o pão dos anjos; ele lhes mandou comida a fartar.” (Sl 78:25). Era o maná, que lhes supria as necessidades muito mais que qualquer “herbalife” dos dias atuais. Eles não morreram de fome. Eles não morreram de sede. Eles morreram de velhice e de rebeldia, mas não de consequências da falta de cuidados básicos.

Deus diz que, se abrirmos a boca, ele a encherá. O que significa isso?

Significa suprimeito. Deus é supridor. Deus é providente. Ele cuida dos seus filhos. O salmista diz que, já sendo velho, nunca vira o justo desamparado ou a mendigar o pão. Recordo-me de um velho pilantra, que esmolava em minha rua. Quando soube que éramos crentes, dizia ser membro de uma igreja, mas que essa vida de pedinte viera a calhar, pois dava para pagar a faculdade da filha e levar boa vida. Ao chamarmos sua atenção, além de xingar-nos, nunca mais voltou. Claro! Ele não era um servo de Deus, mas um pilantra. Um servo de Deus não esmola. Um servo de Deus tem a família cristã, a igreja, que cuida dos que estão desamparados e necessitados. Um servo de Deus tem a oração, recurso maravilhoso de quem confia no Deus que serve.

Meu antigo pastor tinha dez filhos adotivos. Alimentar uma família dessas não é fácil! Um dia não havia comida. Ele então colocou todos ao redor da mesa, pratos e talheres, e deram graças pela fome e pela sabedoria e propósitos de Deus. Naquela mesma hora uma senhora tocara a campainha. Aflita, pediu para que descarregassem do carro dela uma compra de mantimentos para um mês, que Deus havia ordenado ao seu coração para fazer. Detalhe: ela não conhecia o pastor e nem a igreja. Foi embora, e o pastor nunca soube quem era ela.

Como diria um pentecostal amigo meu: “ÊTA DEUS MARAVILHOSO, SÔ!”

Abra a boca! Não, não é um dentista a falar. É Deus. E ele promete enchê-la. Não de doces, mas de alimento. Não de caprichos, mas de suprimento do necessário. Amém.

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP
bnovas@uol.com.br
www.uniaonet.com/bnovas.htm

2 comentários:

  1. Parabéns pelo texto!

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  2. Quanta coisa boa por aqui, Pastor, é tudo lindo. Eu já sou seguidora e recebo e-mails, só me restou fazer o comentario o que faço com maior carinho, desejando que Deus continue abençoando sua vida. Abraço!

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