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quarta-feira, 18 de setembro de 2013

memórias literárias - 121 - DIREITOS AUTORAIS

121-
DIREITOS
AUTORAIS
 
José era um jovem muito promissor. Convertera-se a Cristo e vivia o júbilo do primeiro amor. Ele não tinha família cristã e fizera dos irmãos da igreja a sua própria família.
 
Ávido por compartilhar a Palavra de Deus, digitou no seu facebook um folheto evangelístico que recebera. Mandou para todos os seus contatos. Qual não foi a sua surpresa quando recebeu do facebook o seguinte aviso:
 
"Seu texto está ferindo as nossas normas. Ele tem direitos autorais. Delete-o ou seremos forçados a fechar a sua conta". José ficou perplexo. "Como DIREITOS AUTORAIS? A mensagem de Cristo não é DE CRISTO? Vou falar com o pastor". E ligou para seu pastor, autor do folheto. Este lhe disse: "Infelizmente o meu texto é propriedade da editora e eu nada posso fazer. Sinto muito".
 
Carlos não entendia como era possível proibir a distribuição de um folheto feito para ser distribuido. Para ele era um contrassenso. Mas, enfim, seguiu em frente.
 
Ele ouviu um louvor tão bonito na igreja que decidiu gravar no culto e divulgar no seu youtube. Não tardou e o youtube lhe comunicou:
 
"Seu vídeo tem conteúdo de terceiros. O proprietário não autoriza a sua divulgação. Sua conta será bloqueada.". Ah, agora era demais. O cântico era um culto, não era material para a venda. O cantor era tão espiritual! Decidiu escrever para o cantor. Este lhe respondeu: "Fale com o meu empresário; pagando uma quantia você poderá divulgar seu videozinho". José ficou perplexo! Decidiu tirar e divulgar um hino do hinário da igreja, só a letra. Logo o BLOGGER enviou-lhe outra mensagem, dizendo que os direitos autorais eram de uma empresa americana e que não poderia usá-la.
 
Ainda esperançoso em usar sua mídia para evangelizar, gravou o seu pastor pregando e colocou-o no VIMEO. Recebeu um telefonema da secretária da igreja: "José, a empresa que administra o site da igreja não permite imagens do pastor no templo sem a autorização deles, e há uma taxa de 100 reais por vídeos extras. Assim, você quer que nós enviemos a você um boleto?" José ficou perplexo!
 
Como última tentativa, digitou em seu facebook um texto bíblico. A editora de bíblias escreveu-lhe: "proibido o uso de nossa tradução sem a devida permissão".
 
Carlos então entendeu. O evangelho é de graça, mas os atravessadores criaram taxas. É a nova geração de publicanos que tomou conta do mundo cristão.
 
Aleluia! "Não use essa palavra porque faz parte das santas palavras de propriedade exclusiva da nossa denominação".
 
SENHOR JESUS - "Uso proibido dessa expressão por ser de direito privado; seu uso pode acarretar as penas previstas no código de defesa do consumidor"...
 
MISERICÓRDIA, SENHOR! "Detectamos o uso de uma expressão restrita aos cultos de consagração e não autorizamos a sua inclusão em seus textos"....
 
 
José, enfim, abandonou a igreja e foi viver sozinho, pois até a oração tinha que ter a autorização de alguém...
 
 
..............
 
É claro, leitor. Isso é uma ficção. Mas não estamos distantes disto. Há algum tempo postei hinos do hinário de minha denominação e fui obrigado a desmontá-lo, pois "não podiam ser divulgados" - Claro, um hinário é feito para NÃO SER CANTADO...
 
Caminhamos para um tempo em que voltaremos ao velho sistema pessoal: porta a porta, pessoa a pessoa, cartinhas pessoais e telefonemas. E ainda com muito cuidado, pois bem pode ser que os correios e a telefônica estejam com contratos de direitos autorais; assim, se for detectado o nome JESUS ou FÉ eles taxarão o seu uso.
 
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel, Carapicuíba, São Paulo, Brasil

 

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