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quarta-feira, 24 de junho de 2015

memórias literárias - 218 - PRINCIPAL

PRINCIPAL
2007
218

Subindo a rua onde nossa igreja mantém-se até que consiga um terreno (oh, Senhor, atende a oração do teu povo!), vi um significativo aumento no número de igrejas, as mais diversas. Algumas bem instaladas; outras, nem tanto. Umas grandes; outras, pequenas. Umas, barulhentas; outras, quietinhas. Algumas com ética, mantendo uma certa distância da outra, para evitar “concorrência”. Outras, mais ousadas, estabelecem-se de parede colada na outra, e ainda colocam placas na porta, onde está escrito:”Aqui Deus cura mais rápido”, “Não cobramos oferta, só dízimo”, “Não olhes para a direita...”, que é onde estava a outra igreja. É uma invasão!

O rádio também tem sido invadido. Freqüência Modulada, quando eu era menino, era a faixa do povo rico,  onde poucas rádios tocavam músicas instrumentais, bonitas, e só uns poucos aparelhos possuíam a faixa. Hoje, FM tornou-se praticamente a única faixa disponível no geral (ainda que exista a AM). Nas noites paulistanas ou osasquenses, é vergonhoso o que ouvimos na FM: dezenas e dezenas de igrejas, evangelistas, pastores e profetas, cada um vendendo o seu peixe da forma mais analfabeta possível, e, na maioria dos casos, em emissoras clandestinas, contra a lei, dando um mal testemunho terrível. Dias atrás uma dessas emissoras quase derrubou um avião em Guarulhos, pois impediu importante comunicação entre a torre e a aeronave. Não raras vezes, crentes conhecidos meus, da cidade, foram presos. Não satisfeitos, reabriram seus estabelecimentos e estão por aí...

Fiquei pasmo quando ouvi um profeta moderno: ele tem um laptop, onde há o software REVELAÇÕES 1.0, e, através de um número que o ouvinte fornece, adiciona-se o número do telefone, divide-se pela data e o número da ligação, e então é escolhida uma revelação, tipo caixinha de promessas. Pensei: “Espírito Santo agora foi rebaixado à periquito de realejo ou búzio da sorte moderna! E dá-lhe sincretismo!”

Se eu, crente, evangélico, já não suporto mais a invasão religiosa;  se eu, crente que sou, reparo no excesso de igrejas numa rua só, o que dizer de um não-crente, de um católico, espírita, ateu, que generaliza todas as igrejas e só percebe que a quantia “passou da conta”? Eu acredito que a grande questão, para quem não estiver furioso, e estiver do lado de fora, será: "como saber qual dessas igrejas é genuína?"

Pela placa, pela denominação da dita igreja,  não dá mais. Dias atrás entrei em uma igreja batista. Seu pastor estava promovendo a “tarde dos empresários”, e à noite teria a “corrente dos caçadores do amor à dois”. Lamentei. Ainda sou do tempo que a placa significava alguma coisa. Bem, vivemos num mundo híbrido, e não é de se estranhar que a confusão reine. Em grande parte dos casos, com boas exceções, só pelo nome da igreja não teremos garantia em encontrar igrejas autênticas.

Creio que a solução é simples: além da prédica, a PRÁTICA!. Jesus, ao final do sermão do monte, em Mateus 7, declara: quem ouve e cumpre, é sensato e prudente, e é o tipo certo de cristão (veja em Mateus 7. 24-27).  Jesus, ao olhar para a avenida onde a Boas Novas está, não procurará a mais bonita, ou a maior, ou a mais barulhenta, ou a menor, mais quieta, mais feia. Ele busca igrejas que não vivam só de “ouvir” a Palavra. Ele busca igrejas que “cumpram” a palavra. Há grupos que se encantam por ficar 10, 20, 30 horas em “louvor” ininterrupto, outras de ter quarenta cultos semanais. De nada adiantará cantar, gritar, orar, se não for seguido do fundamento de um cristianismo autêntico: agir! Não fomos salvos para ouvir; fomos salvos para servir, para viver, para cumprir. Se a Boas Novas não for cumpridora da Palavra, não se enquadrará no tipo autêntico de Igreja de Cristo!

E cumprir a Palavra é tão simples!! O saudoso Darcy Gonçalves cantava uma canção, falando da “casa no interior”. Dizia ele que ainda se lembrava do lar onde conheceu a bíblia e o seu primeiro amor. Dizia que ainda era capaz de se lembrar dos salmos que sua mãe lhe ensinara, bem como dos versículos decorados quando pequeno. Quantas famílias cristãs não lêem a bíblia, não oram juntas, não cantam juntas? Não há vergonha em assistir programas indecentes, mas dá tanta vergonha abrir uma bíblia ou fazer uma oração junto com a família, não é mesmo?

Não é preciso ser teólogo para se agradar a Deus. Basta ser decidido e praticante. Muitas vezes um conhecedor básico da Palavra é melhor cristão que um teólogo renomado ou um conceituado religioso. Lembro-me da irmã Isabel. Ah, que falta me faz essa irmã! No auge dos seus 87 anos, ela me chamava à sua casa, orava por mim, aconselhava-me e orientava-me. E ela nunca fizera um ginásio. Sua sabedoria simples de mãe, esposa, avó e cristã era: “ande com Jesus, e faça o que ele disse pra fazer”. Tão simples! Mas ela tinha algo que a qualificava: INTEGRIDADE. A integridade dela gerou em mim a credibilidade que eu precisava. Quantos de nós, por falta de integridade, não temos credibilidade?

Nossa vida é uma casa, construída ao longo dos anos. Ela permanecerá para sempre, se o seu fundamento for “praticar” o cristianismo, semeando o evangelho, fazendo o bem, louvando a Deus e mantendo limpa a nossa mente.
 
Quero ser assim. Desejo que a Boas Novas seja assim. Desejo que o meu leitor, minha leitora, e sua querida igreja, também o sejam.
 
Deus nos abençoe.
 
Amém.
 
 
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco SP


QUERO AGRADECER CORDIALMENTE À QUERIDA ANGELAZINHA VIEIRA,
DE SÃO JOSÉ DO RIO PRETO, QUERIDA ASSEMBLEIANA DO CORAÇÃO,
PELA LINDA TAG QUE FEZ, PARA ABENÇOAR MEU TRABALHO E
"DESENFEIAR" AS MENSAGENS (A TAG QUE EU ESTAVA USANDO
FORA OBRA MINHA MESMO, E ESTAVA FEIA DEMAIS...)
BRIGADÃO, ÂNGELA!

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