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sexta-feira, 22 de maio de 2015

memórias literárias - 180 - DEVO AO MEU DEUS


 
DEVO AO MEU DEUS
180
 
Tudo isto eu devo a Deus.
 
Se eu tenho saúde, se os meus olhos enxergam, se consigo falar, ouvir, cheirar e me locomover; se os meus ossos são saudáveis e o meu apetite normal; se a minha digestão é tranqüila e os meus rins e intestinos funcionam, devo isso ao meu Deus.
 
Se nasci num lar razoável, se tive um pai e uma mãe; se não me faltou um teto onde abrigar-me, e se tive um café todas as manhãs; se tive uma bicicleta para brincar com o meu pai e com os amigos, ou se pude freqüentar uma escola e ser alfabetizado, devo isso ao meu Deus.
 
Se consegui desenvolver-me no saber, completando o primário, ginásio, colégio, os atuais ensinos básico e médio, se pude completar um vestibular e estudar numa faculdade; se tive professores que me orientaram com sabedoria e se a minha inteligência funcionou adequadamente, devo isso ao meu Deus.
 
Se consegui trabalhar desde cedo, aprendendo a dar valor àquilo que se ganha; se tive que suar a camisa e vencer as difíceis conduções da cidade grande, pegando ônibus e trens lotados; se almocei muitas vezes no OSMAR (OS MARMITEIROS...), se comi um PF todos os dias da semana; se economizei para poder comprar roupas ou me preparar melhor; se fiz horas extras para completar o orçamento, se cursei algo que me fez galgar degraus profissionais, devo isso ao meu Deus.
 
Se encontrei um grande amor, se pude ser correspondido e se o nosso relacionamento vingou; se nós noivamos e nos casamos e, mesmo com dificuldades, estabelecemos uma família; se pude ser pai e ver meus rebentos brincando saudáveis; se conseguimos sobreviver numa época tão difícil e ainda houve tempo para um passeio na praça ou uma sessão de cinema no shopping, devo isso ao meu Deus.
 
Se o meu coração amoleceu-se ante a mensagem do Evangelho, se eu cri em Jesus Cristo, se eu me arrependi dos meus próprios pecados e decidi seguir a Jesus; se eu aceitei ser batizado e comprometi-me com o exercício dos dons e talentos que o Espírito Santo me deu; se eu pude levar alguém aos pés do Salvador e outras pessoas se inspiraram em minha vida, devo isso ao meu Deus.
 
Se tive forças para enfrentar as provações e as dificuldades, as doenças e a morte de pessoas a quem eu amava; se eu consegui superar as minhas incapacidades, e tornar-me vencedor em cada uma de minhas limitações; se eu consegui consolar-me de um amor perdido ou de um sonho desvanecido, se consegui erguer a cabeça, sacudir a poeira e dar a volta por cima, devo isso ao meu Deus.
 
Se tudo isso eu devo ao meu Deus, como é que vou viver cheio de orgulho, pensando que eu de mim sou alguma coisa, que sou melhor do que os outros, que sou mais importante que alguém, que fama, dinheiro e poder têm alguma coisa a ver com uma capacidade puramente inata? Se o Senhor não estivesse ao meu lado, me concedendo força, sabedoria, oportunidade e portas abertas, eu não seria nada, nem teria nada.
 
Israel passou à seco pelo Mar Vermelho, coisa que só pôde fazer porque Deus abriu o mar. Eles comeram por quarenta anos o Pão dos Céus, no meio do areião do deserto, e isso foi milagre do Senhor; caso contrário, estariam todos servindo de pó para o vento. Quando conquistaram Jericó, o fizeram no grito, e bem sabemos que Deus fez o resto, isto é, 99% da batalha; se dependessem de seus gritos, teriam estourado as cordas vocais e sido massacrados pelo inimigo. Gideão ganhou a batalha com 300 homens sem espadas, e Samaria teve comida da noite para o dia, nos tempos de Eliseu.
 
Então pra quê ser orgulhoso? Por que ser pedante? Queixo erguido, por que isso? Por que mudar o meu jeito, tornando-me metido e cheio de mim mesmo? Tudo o que tenho, tudo o que sou, tudo o que sinto, tudo o que planejo e tudo o que realizo, tudo isso eu devo ao meu Deus! Então, que eu seja humilde o bastante para reconhecer que nada vem de mim, tudo vem dEle, e que a maneira mais bonita de agradecer por tudo que tenho, é estendendo a mão, sorrindo para o próximo, sendo humilde para com todos, gentil e cordato, educado e cavalheiro, correto e magnânimo, simpático e carinhoso, consagrado e caridoso.
 
Afinal, se eu sou um ser vivo, e se existo, até isso devo a Deus.
 
Obrigado, meu Deus!
 

Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas de Osasco, SP

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