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terça-feira, 26 de maio de 2015

memórias literárias - 185 - NÃO DEVAIS

NÃO DEVAIS
185

 
A ninguém devais coisa alguma, a não ser o amor com que vos ameis uns aos outros; porque quem ama aos outros cumpriu a lei. (Rm 13:8)
 
A Bíblia é a revelação de Deus para o homem. Nela encontramos a orientação do Criador para a nossa salvação, felicidade e eternidade.
 
Segundo ela, o crente em Cristo Jesus não pode dever nada a ninguém, senão o amor com que devemos nos amar uns aos outros. Dívidas não podem fazer parte do patrimônio de um cristão. Contudo, se não fizermos dívidas, dificilmente adquiriremos a casa própria, o carro para o nosso transporte, a previdência privada, a realização da viagem de férias. Como conciliar isso com a Palavra de Deus?
 
O princípio aqui contido não é o de que devamos pagar tudo à vista. O ensino não é monetário, financeiro. A razão de Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, nos escrever isso é que não devemos ser devedores de ninguém, isto é, deixar de pagar a outrem aquilo que é devido. Isso não significa que não possamos adquirir coisas à prestação. Significa que não podemos fazer prestações que não poderemos honrar ou dar o passo maior do que a perna. Quando alguma dívida estiver acima do que poderemos honrar (por infortúnios, desempregos, surpresas orçamentárias), precisamos sair em busca do credor e resolver a questão, ou estabelecendo novo prazo ou devolvendo o bem que não poderemos adquirir em sua integridade. O ensino é claro: o crente deve ser HONRADO, deve ser CUMPRIDOR DE SEUS COMPROMISSOS, deve SER BOM PAGADOR.
 
Disso decorrem outros pensamentos sobre dívidas, os quais gostaria de repartir nas linhas abaixo:
 
O CRENTE NÃO PODE SER MAU PAGADOR - Quantos crentes pedem emprestado e não pagam! Quantos buscam empréstimos em operadoras de crédito, contando com a sorte e, quando ela não vem, deixam as dívidas rolarem, até que caduquem no sistema de crédito, após cinco ou dez anos! Mantém seus cadastros sujos na praça sem qualquer drama de consciência e ainda pensam estar fazendo a vontade do Senhor! Ou então pedem emprestado para particulares, para agiotas, para irmãos na fé e não honram o compromisso, ou não o fazem em tempo! "O ímpio toma emprestado, e não paga". (Sl 37:21). Aquele que toma emprestado não pode descansar enquanto não pagar ou enquanto não se explicar diante do seu credor. Não é demérito NÃO PODER PAGAR. Demérito é NÃO SE IMPORTAR COM ISSO E NADA FAZER PARA BUSCAR UMA SOLUÇÃO. "Então aquele servo, prostrando-se, o reverenciava, dizendo: Senhor, sê generoso para comigo, e tudo te pagarei." (Mt 18:26); "E, partindo no outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele; e tudo o que de mais gastares eu to pagarei quando voltar." (Lc 10:35). O crente paga as suas dívidas, ainda que busque prazos melhores para pagá-las.
 
O CRENTE NÃO PODE SER INGRATO - Não se deve apenas dinheiro. Deve-se gratidão. E como é comum a ingratidão no meio do povo de Deus! Falo de crentes, porque do ímpio nada se espera. Do crente, pelo contrário, se esperaria algo melhor, algo mais qualificado. Mas, infelizmente, de quem mais se espera menos se recebe! Jesus, ao curar 10 leprosos, diz ao único que regressou para agradecer: "Não houve quem voltasse para dar glória a Deus senão este estrangeiro?" (Lc 17:18). O Apóstolo Paulo, no final de sua vida, depois de ter semeado a Palavra, fundado inúmeras igrejas e discipulado diversos obreiros, afirmou com tristeza: "Bem sabes isto, que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Figelo e Hermógenes." (2Tm 1:15). A ingratidão é uma constante no mundo, e, infelizmente, muitos cristãos são ingratos. Ingratos para com os que lhes pregaram o evangelho, ingratos para com seus pastores e mestres, ingratos para com quem lhes ajudou a estabelecerem-se na vida, ingratos para com aqueles que estenderam a mão na hora da necessidade. Há os que são ingratos aos pais, aos avós, aos professores, aos patrões, aos funcionários, aos amigos, aos vizinhos, ao próximo. Mas a bíblia é enfatica: "sede agradecidos." (Cl 3:15).
 
O CRENTE NÃO PODE GABAR-SE ÀS CUSTAS DE QUEM VEIO ANTES - Ah, como há crentes que se acham completos e perfeitos! E como há líderes que ignoram os seus antecessores! Temos memória curta e gostamos de enterrar a memória de quem tanto fez, tirando o mérito de quem antes lutou. No ministério das igrejas é comum. O pastor assume uma igreja e logo decreta: "NOVO TEMPO - NOVA ALIANÇA - NOVO MINISTÉRIO - NOVA HISTÓRIA". Joga tudo o que o antecessor com tanto custo edificou e coloca seu nome acima dos pioneiros. Nas empresas, nas famílias, nas igrejas, gostamos de falar dos nossos feitos, do nosso ministério e desprezamos quem fez diferente, quem fez antes, quem deu origem e um rumo. Somos ingratos! Achamos que inventamos a vida! "Nunca na história desse país... houve maior ingratidão e desprezo com o passado do que agora!" Claro, essa frase nunca foi dita, mas nunca em toda a história foi tão verdadeira! O é em muitas igrejas, em muitas famílias, em muitos governos e em muitas empresas. "Não removas os antigos limites que teus pais fizeram." (Pv 22:28)
 
Poderíamos nos estender nessas reflexões, falando sobre dívidas que colecionamos na vida, dívidas de gratidão, de apoio, de amizade, de companheirismo, de ajuda, de socorro. Que Deus conceda a cada crente a dádiva de não dever nada a ninguém, mas pagar com juros e correção monetária o bem recebido e a vida recebida.
 
Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra. (Rm 13:7)
 
À propósito, como estão as suas dívidas?
 
 
Wagner Antonio de Araújo
Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil

 

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