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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

memórias literárias - 489 - JÁ FUI CRENTE ...

 JÁ FUI

CRENTE...

489
Hoje, ao começar o dia, vi o céu nublar-se lá fora e dentro do coração também.

"Eu já fui crente". Esta frase era dita por quem se "desviava" da igreja, voltando aos processos mundanos que construía, antes da suposta conversão. Se antes bebia, volta para a bebida. Se antes se prostituía, volta para a prática. Se antes não tinha interesse nos trabalhos do Senhor, é justamente pela ausência que retorna à vida pregressa.

Um dos aferidores para se descobrir entre os "desviados" quem, de fato, é crente, é bem simples. O não-crente, depois de sair da igreja, persegue o evangelho, debocha, desfaz, ironiza e cospe na cruz na qual um dia supostamente havia encontrado a vida eterna. Ele é um "desviado que agride". Esse nunca foi convertido. Ele não perdeu a salvação; ele nunca a teve. Já o autêntico "crente desviado", o filho pródigo, o salvo que pasta no capim alheio, é aquele que saiu da igreja por diversas razões, mas lamenta-se, não é feliz e diz que os crentes continuam certos e que ele está errado. Sim, ele não se realiza no mundo, pois ali não é o seu lugar. Ele se sensibiliza com mensagens cristãs, com pregações que ouve, que vê na internet, com folhetos e, não raras vezes, sente uma sede profunda para beber da Palavra de Deus. Está fraco, está escravizado pela queda. Mas tenciona voltar. Este é aquele que ainda regressará, pois o Espírito Santo não o deixará em paz. "Aquele que começou a boa obra há de completá-la".

Contudo, há um tipo emergente de pessoas neste século e que me causam profunda tristeza. São os desigrejados de carteirinha. Não deixaram a igreja por devio doutrinário ou por pecado apenas. Deixaram-na porque se convenceram de que ela não é importante, de que crentes são retrógrados e bitolados, que a verdadeira liberdade é deixar as congregações e curtir a vida. Estes são apologistas bíblicos (se acham...). Com um copo de cerveja à mão è, às vezes, com o corpo tatuado e um cigarro a soltar fumaça, colocam versículos ilustrativos do tipo: "tudo me é lícito"; "fazei tudo para a glória de Deus"; "o fruto do Espírito é ... domínio próprio". Alguns são ex-seminaristas, ex-pastores, ex-evangelistas, ex-membros ativos e produtivos; hoje são apologistas do Reino de Deus Desigrejado. E não possuem consciência do mal que praticam! Crêem que fazer o bem e ser humanitário é tudo e muito mais.

O meu céu nublou-se quando vi uma pessoa que conheci na internet e pessoalmente há anos. Era um crente fiel, família simples, operoso no evangelho. Fazia obras sociais, participava de congressos teológicos, estudava no seminário. Participou de um culto onde eu pregava e disse que queria muito pregar também. O tempo passou. Tivemos diferenças poucas, não suficientes para apagar o respeito e a consideração. Ele, muito mais jovem do que eu, era promissor e eu desejava vê-lo brilhando no serviço do Senhor.

Qual não foi a minha surpresa ao deparar-me hoje com a sua página nas redes sociais. Barbudo, tatuado, bebendo, curtindo, fora da igreja, apreciando Boff e os teólogos da libertação, criticando os crentes e ainda chamado de PASTOR! Pastor sem igreja, pastor sem congregar, pastor sem compromisso. E pasmei, com inúmeros textos bíblicos, lições de moral, dedos em riste contra quem achou pecado em sua prática. Seguindo por suas declarações, vi que atravessou problemas familiares e quase divorciou-se, mas que, por "maturidade" da parceira, continou casado e hoje empresariam um salão de moda.

Lembrei-me de sua pregação, tão simples e humilde. Lembrei-me de seu lar, tão piedoso e humilde. Lembrei-me de seu seminário, quantos sonhos de ministério de serviço! Hoje isso não faz parte de seu cabedal de prioridades ou de coisas que signifiquem alguma coisa. Mas se diz cristão. Se diz pastor. E possui admiradores e seguidores.

Fiquei triste. Quantos sucumbem! Quantos caem ao longo do caminho! E hoje, diferentemente de outras épocas, caem e defendem a queda, caem e postulam virtude na decisão! São teólogos, calvinistas, monergistas, maculando estas escolas de pensamento cristão com suas práticas heterodoxas e desvirtuantes do evangelho! Não bastou serem liberais, quiseram ser libertinos!

Conversão nunca foi questão de imposição, mas, após o processo, a metamorfose é para toda a vida. Um grão de feijão, após nascer, não se arrepende e volta a ser grão. Uma borboleta não volta a ser larva, nem um bolo volta a ser farinha. Se alguém está em Cristo nova criatura é; as coisas velhas já passaram E JÁ NÃO SÃO MAIS! E se são, é porque nunca houve a transformação. Não havia cristianismo no peito de quem volta para trás. Era melhor nunca terem conhecido a fé, do que cairem e voltarem para o mundo. Não é o mero cair, que pode futuramente ser sucedido por arrependimento e regresso ao Reino. É cair e achar que é belo, é cristão, é bíblico!

Já disse ao meu Deus: prefiro morrer, antes que escandalize alguém com um comportamento pecaminoso. São mais os que caem com um mal testemunho cristão do que os que se erguem com anos de serviço na Causa. A bíblia nos manda andar com prudência extrema e nunca agir priorizando a própria vontade, mas unicamente o que edifica a fé cristã de nossos irmãos. Os contestadores da fé andam pela linha tênue da apostasia e do escândalo e responderão por isso.

Como diz a Escritura Sagrada, que eu vigie, pois estou de pé. Que eu não caia!

E que Deus abra os olhos deste querido e antigo contato, para que ainda volte à consciência de que cristianismo é mudança de vida, é santidade, é fé e é vida eclesiástica. A verdadeira fé não descarta a igreja, pois, se foi Cristo quem a fundou, quem somos nós para abortá-la? Cristão é parte da Noiva do Cordeiro, e não Sua amante.

Wagner Antonio de Araújo
02/08/2017

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